- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte XVI

Kero aterrissou na frente da mansão Li visualizando a barreira. Achou estranho não ter ninguém do lado de fora, mas a prioridade era dar um jeito de passar, Sakura precisava de cuidados. Tentou passar mas era inútil, por isso deu a volta na casa na esperança de que alguém o visse por alguma janela, mas não teve sucesso. Decidiu então se concentrar e elevar a presença mágica para que lhe sentissem e abrissem passagem, e aí sim funcionou. O guardião viu a barreira perder o brilho e quase sumir, assim ele a atravessou normalmente e logo em seguida ela voltou ao que era.

O felino chegou a sala onde encontrou todos os empregados reunidos chorando, e Yelan parada ao lado do corpo inerte de Wei chorando silenciosamente. Kero logo entendeu o que havia acontecido e se aproximou de todos. A senhora Li se juntou a ele rapidamente perguntando se Sakura estava bem.

Kero: 'Está sim... Só esta desacordada.'

Yelan: 'É melhor a deixarmos no quarto.'

Kero: 'Sim.'

Os dois subiram até o quarto da garota onde Kero a colocou sobre a cama e Yelan a cobriu com um cobertor e suspirou fundo.

Kero: 'Como foi que aconteceu?'

Yelan (adivinhando o assunto na hora): 'Ele usou um ultimo recurso para salvar Meiling, um feitiço em que uma pessoa sem magia recita as palavras e ganha poderes bastante fortes mas no fim morre pelo desgaste muito elevado. Ele se sacrificou para assegurar de que Meiling sobreviveria, faleceu lutando, assim como ele queria.'

Kero: 'E ela como está?'

Yelan: 'Péssima. Mas não podemos fazer nada agora... Cuide de Sakura está bem? Vou voltar para a rua.'

Tristemente Yelan se despediu e saiu do quarto fechando a porta. Kero voltou a sua forma falsa e se deitou ao lado da mestra.

----

Shoran estava pensativo enquanto lutava contra os gatinhos. Lembrava-se da raiva sanguinária que sentira ao ver aquele Lifus Akai atingindo Sakura, uma raiva e um desejo de matar que ele nunca havia sentido antes. Nunca lutara com alguém desejando com todas as forças que essa pessoa morresse. Estava certo que o Lifus não era uma pessoa, mas mesmo assim, ele não era assim. Talvez o poder da espada de Chen tivesse subido à cabeça dele, ou simplesmente foi o desejo de proteger a pessoa que ele mais amava.

De repente um Lifus agarrou sua cabeça, sem que a aproximação dele fosse percebida, o que foi a chance para vários outros se agarrarem nos braços e pernas do chinês, e logo Shoran podia ver mais de dez Lifus presos em seu corpo pelas unhas. Caiu no chão e sentiu como se sua magia estivesse indo embora aos pouquinhos. Logo em seguida essa sensação foi substituída por um calor intenso, e ele não via mais nenhum Lifus agarrado nele, via apenas as grandes asas negras de Whan Long a uns cinco metros do chão. Satori estava ao seu lado lhe estendendo a mão para que se levantasse.

Satori: 'Se ficar pensando em outras coisas durante a luta vai ser surpreendido mais vezes.'

Shoran (erguendo a mão para ser levantado): 'Obrigado pelo conselho, e pela ajuda.'

Whan: 'Vamos, não podemos desanimar, estamos quase vencendo.'

Satori: 'Quase.'

----

Kanon nem precisou ir à cidade para lutar contra os Lifus, ele os encontrava no quintal da mansão sem nem precisar procurar, os matava aos coices e com uma lança comprida. Não era difícil, apenas cansativo, e ele gostava de lutar sozinho, não precisava se preocupar com as outras pessoas. Até que era bom ser um centauro de dois metros de altura pesando meia tonelada.

Apesar de não estar preocupado se eles iriam ou não conseguir exterminar todos os Lifus, Kanon estava pensativo. Os Lifus eram criaturas sugadoras de energiam de outros seres, e quando sugavam energia suficiente elas criavam portais e cruzavam para outras dimensões. Logicamente aqueles Lifus estavam vindo de outra dimensão, e isso significava que existiam muitos Lifus em uma outra dimensão, sugando energia de seres por isso chegavam na Terra. Kanon também sabia que quando um Lifus sugava toda a energia se um ser, ele se duplicava, e um novo Lifus nascia. Juntando tudo, o grande centauro chegou a conclusão de aquilo não terminaria nunca, pois os Lifus da outra dimensão estavam sugando vários seres para estarem chegando à Terra, logo, vários Lifus novos estavam nascendo nessa dimensão, e estes logos sugariam mais seres e voltariam a infestar a Terra e ficariam assim num circulo vicioso.

Decidido a levar a teoria a diante, e sabendo como viajar entre as dimensões (até por que ele mesmo não pertencia a dimensão que estava), Kanon decidiu abrir um portal para sua dimensão de origem e descobrir de onde vinham os Lifus. E foi isso o que ele fez, após fechar a casa para evitar a invasão dos pequenos monstrinhos.

----

Shinai fez cara de desprezo quando Marck cortou a cabeça do Lifus fora. Não que estivesse irritado, mas ele só não venceu o bicho pois o julgou mais fraco do que era.

Marck: 'Você está é com inveja.'

Shinai: 'Inveja? Do décimo colocado da Elite? Como vocês ingleses diriam, no way!'

Marck: 'Como se uma oitava colocação fosse grande coisa..'

Shinai: 'Melhor que décimo.'

Marck: 'Faremos um acordo então, quem matar mais Lifus nos próximos cinco minutos é o melhor.'

Shinai (sorrindo): 'Feito.'

Marck: 'Foi então.'

Quando Marck empunhou o arco e flechas viu o amigo começar a flutuar a seu lado. Shinai concentrava energia nas mãos e as girava lentamente, e parecia que todo o ar em volta acompanhava o movimento. Assim conforme a velocidade das mãos aumentava, o vento acelerava e a energia de Shinai ficava amais densa. Logo Marck estava cobrindo os olhos do vento e quando foi obrigado a se segurar numa árvore que ele notou o mais incrível. A árvore estava imóvel, como se não tivesse nem uma brisa. Estava imóvel assim como as folhas caídas no chão, as roupas dos varais e todo o tipo de coisa que aquela hora já deveria estar voando à muito tempo. Observando isso ele reparou também em dezenas de Lifus levantando vôo com o vendaval e virando poeira instantes depois.

Após uns cinco minutos Marck sentiu o vento diminuir e Shinai voltou ao chão.

Shinai (ironicamente): 'Cinco minutos passaram. Mandei 77 pro outro mundo, e você?'

Marck (irritado): 'Isso foi trapaça! E como diabos você fez isso?'

Shinai: 'Não foi trapaça, é uma de minhas técnicas oras, você não estipulou regras no desafio. Chama-se vento seletivo, atinge apenas seres com poder mágico.'

Marck (fuzilando-o com os olhos): 'Já disse que odeio você?'

----

Kojiro, Adraã, Touya, Mizuki e Yue já estavam terminando com os Lifus da cidade. Combinaram de Touya e Mizuki irem até os hospitais verificar se haviam feridos para que, se houvesse, Kojiro buscaria o remédio que Josh tinha enquanto Yue conferia se não haviam mais Lifus.

Koriny, Thiago e Eriol também estavam com tudo controlado. A cidade estava tranqüila, e não havia acontecido pânico generalizado. Thiago ficou de ver se haviam pessoas atacadas pelos Lifus nas ruas ou em hospitais o que deixou Eriol e Koriny sozinhos enquanto Ruby Moon e Spinel Sun continuavam rondando a cidade para conferir se todos haviam sido destruídos mesmo.

Koriny: 'Então você é a encarnação de Clow... Mago das cartas, certo?'

Eriol: 'Exatamente.'

Koriny: 'Nunca pensou em entrar para a Elite?'

Eriol: 'Isso é um desafio?'

Koriny (sorrindo): 'Pelo visto sabe bastante sobre nós, visto que sabe que sou a décima segunda.'

Eriol: 'É, posso dizer que sei muitas coisas.'

Koriny: 'Então responda minha pergunta.'

Eriol: 'Bom, acho que não sou capaz de vencê-la.'

Koriny: 'O que te faz pensar isso?'

Eriol: 'Há muito que não treino técnicas de combate, e tenho um amigo que eu julgava inferior a mim em termos de poder que me venceu. Desde então não me considero mais tão forte.'

Koriny: 'Seria esse seu amigo, Shoran Li?'

Eriol: 'Por que quer saber?'

Koriny: 'Sei que ele é seu amigo, e sei que ele pretende me desafiar por que acha que matei seu pai.'

Eriol: 'E por algum acaso isso é mentira?'

Koriny: 'Shang que exagerou e ele mesmo é culpado por ter morrido.'

Eriol: 'Então você não se considera a pessoa que matou Shang Li?'

Koriny: 'Claro que não, ele morreu por que quis. Shang sempre foi muito fanático e orgulhoso, jamais aceitaria perder uma luta.'

Eriol: 'Como pode falar assim com tanta intimidade sobre Shang?'

Koriny: 'Digamos que eu... fui mais que uma amiga pra ele.'

----

Kanon surgiu de uma grande mancha multicolorida no meio de uma cidade de aparência medieval. Sua entrada triunfal chamou atenção por alguns instantes, mas nada que a população meio humana meio cavalo já não tivesse visto ao menos uma vez.

O grande centauro chamava atenção só pela sua aparência grande e forte, e ainda estava galopando velozmente com pressa para chegar onde queria. Chegou à porta de uma velha casinha onde foi até a porta que se abriu com um rangido quando ele a empurro de leve.

Logo que entrou foi recepcionado por um amigo de velhos tempos, seu nome era Hórus e tinha uma aparência frágil e doente.

Hórus: 'Quanto tempo meu velho amigo... O que te trás aqui vindo de tão longe?'

Kanon: 'Preciso saber sobre uma criatura em especial, e não conheço ninguém melhor para isso do que você.'

Hórus: 'Como sempre, procurando os amigos só quando precisa de ajuda...'

Kanon: 'Sabe que não sou do tipo que faz visita, mas se for na minha casa, lhe recebo com a mesa farta.'

Hórus: 'Claro, conheço bem meu amigo. Mas vejo que tem pressa, qual seria o ser que lhe interessa?'

Kanon: 'Lifus.'

Hórus: 'Hm... Criaturas viajantes, sugadoras de energia, parasitas, reprodutoras e sobretudo... numerosas.'

Kanon: 'Sim, as conheço bem. Estão invadindo a dimensão em que me encontro, e nunca pararão se não as eliminarmos na raiz. Preciso saber onde eles se originam, e para quais dimensões vão depois de sair da primeira.'

Hórus fez uma expressão pensativa, mas não desanimada. Foi até uma estante onde procurou um livro e logo o encontrou. Folheou até uma página específica.

Hórus: 'Não se pode afirmar precisamente onde precisamente os Lifus surgiram, Kanon, mas uma coisa é certa. Eles começam de baixo, de mundos pobres em termos de energia. Provavelmente começaram em dimensões onde não existam seres racionais, e com o passar de vários anos, um ou dois conseguiram evoluir para um Lifus Akai e pular de dimensão.'

Kanon: 'Não teria algum registro dos últimos lugares em que eles tenham atacado?'

Hórus coçou a cabeça e bateu com o casco traseiro no chão.

Hórus: 'Talvez eu tenha...'

O centauro foi até um outro cômodo da casa onde retirou centenas de papeis e livros de uma pilha, revelando por baixo daquilo tudo um aparelho que Kanon havia conhecido no mundo dos humanos: um computador. Tinha uma aparência velha, suja, e totalmente desatualizada.

Hórus: 'Até que os humanos são espertos, por isso peguei essa idéia de computador e dei uma aprimorada.'

Kanon: 'Aprimorada?'

Hórus: 'Claro.'

Após ligar um gerador barulhento o computador acendeu sua tela e Hórus começou a digitar.

Hórus: 'Se os Lifus invadiram a dimensão dos humanos, e eles vão elevando o nível de magia gradativamente, posso descobrir com meu banco de dados quais seriam os mundos possíveis que eles poderiam estar, buscando criaturas um pouco mais fracas que os humanos.'

Kanon: 'Boa idéia... demora muito?'

Hórus: 'Não, não... Já tenho um resultado: ou seria a dimensão dos Anões ou a dos Duendes.'

Kanon (de saída): 'Ótimo, obrigado. Eu vou descobrir em qual das duas eles estão.'

Hórus: 'Apareça mais vezes, sempre que você aparece meu dia recebe um pouco de adrenalina.'

Kanon (saindo): 'Farei o possível, velho amigo.'

----

Shoran lutava contra os Lifus que haviam diminuído bastante, mas não chegava serem raros. O problema era que ele sabia que algo ruim tinha acontecido, algo que ele não poderia estar sem saber, algo que mudaria sua vida. Mas ele não ia abandonar a luta para descobrir sobre o que sua intuição falava. Voltou a se concentrar na luta antes que tivesse de ser socorrido novamente.

----

Kanon atravessou várias ruas a galope e chegou numa outra casa. Esta era sua antiga casa naquele mundo, e ainda guardava todos os seus pertences que na maioria eram livros, armas e armaduras medievais. O livros eram principalmente sobre os assuntos que mais lhe interessava: culinária vegetariana e viagens interdimensionais. Pegou um livro muito grosso que parecia um dicionário misturado com um Atlas. Nele ele procurava o nome do lugar que ele desejava ir, e encontrava as coordenadas e alguns dados. Era só inserir as coordenadas nas palavras mágicas, dominar as técnicas de magia para aquele tipo de viagem, que qualquer um podia abrir um portal para onde quisesse.

Agarrado ao livro, Kanon partiu determinado para o mundinho encantado dos duendes. Em poucos instantes ele se viu pisando em uma grama muito verde, rodeado de arvores frutíferas, passarinhos cantando, borboletas voando e um perfume de flor incomparável.

Logo olhou para baixo e se deparou com uma dezena de pequenos seres pequeníssimos, fofos e indefesos, vestindo chapéus e sapatos pontudos, lhe olhando com uma tremenda cara de espanto.

Depois de observarem Kanon por cerca de trinta segundos, o pânico foi generalizado. Todos os pequenos duendes começaram a gritar e a correr em círculos sem sair do lugar.

Kanon: 'Se acalmem por favor! Não vim fazer mal nenhum, pelo contrário, estou aqui em busca de algo que faria mal a vocês.'

Os duendes se acalmaram um pouco, e um deles que parecia o líder, mas era tão medroso quanto todos, se aproximou alguns centímetros.

Duende Líder: 'Então está aqui em paz?'

Kanon: 'Certamente.'

Líder (erguendo os braços): 'Seja bem vindo!'

Todos os duendes gritaram 'eee!' em coro levantando os bracinhos como o líder.

Kanon: 'Obrigado, mas não pretendo ficar muito.'

Todos repetiram o coro mas dizendo 'ahhh...' em tom de decepção.

Duende filhinho (às costas de Kanon): 'Manhêêê... Posso brinca com o rabo delêêê?'

Duende mãe: 'Sai já daí menino! O moço pode não gostar.'

Kanon: 'Na verdade, eu não me importo...'

Ao dizer isso, Kanon notou várias cabecinhas de duendes brotando entre as folhagens, e eram todos crianças. Em menos de um minuto Kanon estava coberto com uma dezena de duendinhos pulando em suas costas, balançando em seu rabo, escorregando por suas patas e puxando seus cabelos.

Kanon era grande, pesado, e feio até mesmo para os centauros. Somente duendes brincariam com ele, nenhum outro ser seria tão inocente a ponto de acreditar em tudo que um forasteiro diz e até deixar ele brincar com as crianças.

Kanon: 'Eu estou de saída... Só vim até aqui para saber se vocês não viram nenhuma espécie de felino, mais ou menos do tamanho de vocês com olhos azuis bem brilhantes...'

Líder: 'Não, por aqui não apareceu nada disso. A mãe natureza nos protege de qualquer mal.'

Ao dizer mãe natureza todos os duendes pararam o que estavam fazendo (inclusive as crianças) fizeram uma fila e louvaram em coro a mãe natureza.

Kanon: 'Certo, certo... Viva a mãe natureza!'

Novamente o gesto de louvor foi repetido e Kanon achou que deveria ir embora mesmo, aquele lugar estava perfeitamente bem.

Se despediu dos duendes que deram um tchau em coro e logo desapareceu a caminho da dimensão dos anões.

----

Eriol não estava acreditando no que Koriny lhe contava. Por que ela estava dizendo coisas tão importantes pra ele? Eles nem se conheciam!

Eriol: 'Você já conhecia Shang antes de luta contra ele?'

Koriny: 'Mas é claro... Se eu não tivesse conhecido ele, nem saberia o que magia.'

Eriol: 'Mas se entrar para Elite era o sonho dele, por que você entrou antes dele e ainda o impediu?'

No mesmo instante Thiago apareceu.

Thiago: 'A cidade está limpa! Ruby Moon e Spinel Sun já estão quase chegando. Acho que devemos voltar para Hong Kong, poderemos ser mais úteis por lá.'

Koriny: 'É... Mas Kojiro não está aqui, como vamos pra lá?'

Thiago (rindo): 'A pé!'

Koriny: 'Hahaha muito engraçado senhor super velocidade.'

Thiago (malicioso): 'Posso te levar no colo se deixar.'

Koriny: 'Mas bem capaz que te deixo tocar em mim. Vamos fazer isso do método tradicional. Não sei mas parece que a magia sobe a cabeça das pessoas, e elas começam a fazer tudo na base da magia e esquecem que milhares de pessoas sobrevivem sem saber que magia existe.'

Ao dizer isso Koriny puxou um celular e começou a discar. Depois de algum tempo de espera a pessoa do outro lado da linha atendeu.

Kyle: 'Alô!'

Koriny (checando as unhas): 'Kyle, avise Kojiro para vir nos buscar aqui em Londres.'

Kyle: 'Interrompeu meu feitiço, vou ter que começar do zero.'

Koriny: 'Deixe de ser reclamão, você faz feitiços milésimos de segundo! Faz uma telepatia aí e manda o Kojiro viro nos buscar que já estou ficando entediada.'

Kyle: 'Não faço um feitiço de localização avançada estritamente precisa da localização de mais 500 Lifus num raio de 5km² em milésimos de segundo, levo cinco segundos completos. E paciência é uma virtude, Kojiro voltará para Londres quando Tokyo estiver bem.'

Koriny soltou um palavrão e desligou o telefone na cara de Kyle.

Thiago: 'Ainda posso de levar no colo.'

Koriny: 'Quanto tempo até lá?'

Thiago: 'Da Inglaterra para o leste da China? Em linha reta ou evitando a água?'

Koriny: 'Evitando, não posso estragar meu cabelo.'

Thiago: 'Umas cinco horas.'

Koriny quase riu do que ela julgou uma piada. Preferiu se sentar e lixar as unhas.

Eriol: 'Se quiserem posso oferecer minha casa para ficarmos enquanto seu amigo não chega.'

Thiago: 'É melhor ficarmos por aqui e...'

Koriny (se levantando): 'Proposta aceita, tem acetona por lá?'

Eriol sorriu e começou a fazer o caminho para casa assim que avistou Ruby Moon e Spinel chegando.

----

No Japão, Mizuki acabou encontrando alguns feridos e os médicos estavam tendo dificuldades em diagnosticá-los. Kojiro voltou imediatamente e encontro Josh numa ala hospitalar dedicada à aquele surto que estava tendo na cidade de pessoas com os mesmos sintomas e ninguém sabendo o que era. O médico aplicava pequenas injeções em cada paciente, e quando terminasse passaria para outro hospital, sendo que aquele já era o terceiro.

Kojiro: 'Preciso de pelo menos umas dez.'

Josh: 'Será que você não poderia ser mais discreto? Olhas as roupas que você usa em público, parece que parou no tempo.'

Kojiro andava sempre vestido com roupas marrons e surradas, sempre pronto pra uma guerra, era só vestir a armadura.

Kojiro: 'Não reclama e me passa o remédio.'

Josh alcançou uma maleta climatizada com várias seringas e disse que era para injetar nas veias dos pacientes que tudo ficaria bem. Com a recomendação Kojiro voltou para o Japão e Mizuki forneceu ao hospital dizendo que era uma vacina fornecida pelo famoso doutor Josh Mcguarie conhecido no mundo como solucionador dos casos impossíveis.

Touya, Kaho, Kojiro e Adraã buscaram mais feridos mas não encontraram, o que foi muito satisfatório. Então chegar no momento de se despedir.

Yukito: 'Obrigada pela ajuda que deram, nos deixaram mais tranqüilos pois não sabíamos o que estava acontecendo.'

Adraã: 'É o mínimo que podemos fazer sendo da Elite.'

Touya: 'Obrigado mesmo, sozinhos não teríamos conseguido tão fácil.'

Depois dos agradecimentos e despedidas, os dois forasteiros foram embora, e a cidade retornou a sua normalidade.

----

Kanon apareceu em uma cidade completamente silenciosa, um silêncio literalmente mórbido pois o que mais se via eram corpos pela rua. Corpos pequenos de anões que tiveram suas energias sugadas. Anões não eram burros, pelo contrário até eram inteligentes. Mas muito pouco ágeis e péssimos com magia de ataque e defesa.

Kanon ficou horrorizado com o que tinha acontecido naquela cidade, e podia notar que era tudo muito recente. Perseguiu seu faro e seguiu por uma trilha que levava até um penhasco. Do penhasco ele podia ver, uns 15 metros abaixo, milhares de felinos sobre pedras que margeavam um rio. Alguns bebiam água e outros tomavam sol, mas todos tinham um brilhante par de olhos azuis.

Aquela era a hora de bolar uma estratégia. Seu plano veio rapidamente a mente: ele provocaria um deslizamento. O grande centauro chegou na parte mais a frente do penhasco e concentrou sua magia. Concentrando-se, sua força aumentava, e mais chance de sucesso ele teria. Assim, ele levantou as patas dianteiras e bateu com elas no chão com toda a força que tinha.

Em instantes não só as pedras em baixo do local que ele estava mas como a de outros pontos da parede começaram a rolar vale abaixo. Kanon estimou que no mínimo uns duzentos tinham sido exterminados na brincadeira, agora ele desceria e os venceria do modo tradicional.

----

Meiling não podia aceitar que aquilo havia acontecido, simplesmente não conseguia. As lágrimas escorriam sem que ela as sentisse, e não conseguia deixar de se sentir culpada. Se ela se dedicasse aos treinamentos da mesma maneira que Shoran fazia, Wei não teria de salvá-la. Ele estaria vivo ao lado dela, no lugar do pai que não teve e do amigo conselheiro para qualquer momento.

A vontade que tinha era de sumir, se matar, bater com a cabeça na parede, qualquer coisa. Aquela dor não podia ser real mas era. Malditos Lifus! Iria se vingar descarregando a raiva neles. Decidida, ela se levantou, abriu a janela e desceu do segundo andar de maneira muito ágil. Atravessou a barreira e estava pronta pra destruir aqueles gatos infames e nojentos.

De uma moita próxima três apareceram. Mentalizou para si mesma: "Não olhe nos olhos". Lutou e os venceu com um golpe cada, e logo mais alguns vieram. "Não olhe nos olhos." Golpeou e jogou um contra o outro e mais uma vez restava somente pó. Avançou um pouco para frente da casa e lá estava mais um, sozinho, com olhos vermelhos brilhantes. "Não olhe nos olhos." Ela sentiu a raiva toda crescer, enxugou os olhos que insistiam em chorar e se colocou em posição de ataque. "Não olhe nos olhes." Observou a criatura começar a crescer e adquirir formas humanas, mas não esperou que a mutação se completasse. "Não olhe nos olhos." Meiling correu e acertou o Lifus Akai em cheio que estava desprotegido no meio da mutação. "Não olhe nos olhos."

Mas obviamente não tinha sido o bastante, nem para vencê-lo nem para saciar a raiva da garota. Ela correu na direção do meio gato meio gente caído no chão e tentou chutá-lo, só que ele fora mais rápido e se levantou segurando-a pela perna e a suspendendo no ar.

Parecia tudo perdido mas Meiling sabia o que fazer. Dobrou-se e segurou-se no braço peludo do animal. Com a perna livre chutou forte na junta dos ossos do cotovelo. Pode sentir o osso se deslocando e instantes seguintes ela estava no chão, de pé e em posição de luta. O animal segurava o braço com a mão oposta, mas logo soltou um grunhido que talvez pudesse ser interpretado como um riso. Ele puxou o braço pra baixo e fez um movimento rápido com o ombro e em seguida sacudiu o membro duas vezes certificando-se de que estava certo.

Meiling ficou olhando descrente, como que aquele animal mutante misto de gente e gato sabia fazer um troço daqueles? Talvez fosse instinto, mas isso não importava. Agora ele vinha com mais velocidade mais fúria pra cima dela. Se defendendo e recuando ela foi agüentando, até deixar passar um arranhão aqui e outro ali, logo estava exausta e muito machucada. Com um salto ela conseguiu distância e tempo para respirar e organizar os pensamentos. Tudo doía e ela não iria mais agüentar, mas ela tinha que suportar, se não a morte de Wei teria sido em vão. Dando margem a sorte, Meiling esperou que o Lifus viesse, o que não demorou muito.

Ela fechou os olhos quando ele chegou perto e aguardou o golpe que a jogaria longe, mas ele não chegou. Quando abriu os olhos, ela viu o felino com uma flecha azul cravada no peito, e em instantes mais dezenas delas chegaram o acertando em todos os lugares. Logo ele virou poeira, junto com as flechas que se dissiparam.

Seus olhos começaram a transbordar novamente. Não tinha conseguido nem vingar a morte de Wei, e naquela tentativa insana tinha quase morrido. Sentiu um abraço quente que ela conhecia muito bem a envolvê-la por trás, mas ela não tinha forças pra retribuir. Apenas se virou agarrou-lhe as vestes, deixando o rosto baixo e chorou e soluçou copiosamente.

Marck: 'Shh...'

----

Kanon desceu as rochas mais rápido que os felinos podiam subi-las para chegar a ele. Girando sua lança ele reduzia a pó no mínimo cinco Lifus por volta, mas aquilo já estava cansando seus braços. Concentrou magia nos cascos e os bateu fortemente no chão criando uma onda de impacto que se expandiu vencendo vários, e deixando os mias distantes caídos no chão.

Eram tantos que Kanon estava começando a se sentir suado. Talvez tivesse sido melhor ele ter buscado reforços, mas agora que ele já estava ali ele iria até o fim. Encontrou um Lifus Akai, e virou de costas pra ele. Um coice partiu em mil pedaços o crânio do animal que se foi no mesmo instante.

Kanon observou aquela multidão de Lifus que não parava de vir, e já estavam lhe deixando estressado.

Kanon: 'Quer saber...? Não agüento mais.'

O centauro galopou até uma pedra mais alta, fechou os olhos e ergueu as mãos. Um terremoto começou fraco e foi aumentando a intensidade. Uma fenda se abriu partindo o vale em dois com um fundo precipício. Logo a rachadura se ramificou abrindo outros precipícios vertiginosos. Com os tremores os felinos não conseguiam andar, as pedras rolavam, e de uma maneira ou de outra acabavam se desintegrando. Fosse por uma rocha, fosse caindo num buraco sem fundo.

Logo a terra foi se acalmando e Kanon começou a fazer o que parecia ser mais difícil, fechar as fendas. Logo estava tudo normal novamente, assim como o curso do rio. Haviam restado apenas uns dez ou vinte azarados que foram pisoteados.

Satisfeito com o trabalho feito, Kanon respirou fundo e abriu um novo portal, daquela vez de volta pra casa.

----

Shinai garantia a segurança do casal sem ficar muito perto. Foi incrível como eles chegaram na hora exata para salvar a garota em perigo, mas pelo visto não era só o Lifus Akai que a atormentava, talvez algo bem pior tivesse acontecido.

Marck não entendia qual era o motivo de tamanha choradeira, mas só podia ser algo muito sério, pois ele nunca a tinha visto daquele jeito. Tão triste e tão impotente diante da situação. Entretanto, depois de longos minutos ele sentiu que os soluços dela estavam diminuindo e que finalmente ele poderia falar com ela.

Marck (olhando nos olhos vermelhos e inchados da namorada): 'Fica mais bonita sorrindo...'

Ela o abraçou forte, e os dois ficaram de pé abraçados.

Marck: 'O que aconteceu, Meiling? Um Lifus não faria isso com você.'

Meiling (juntando forças para falar): 'O Wei, ele... Está morto! E a culpa é minha!'

Instantaneamente a chinesa começou a chorar de novo, e Marck a abraçou de novo.

Marck: 'A culpa não é sua, não seja boba!'

Meiling: 'Claro que foi! Ele fez isso porque eu sou fraca e não consigo me defender sozinha! Se eu pudesse, ele estaria vivo!'

Marck: 'Nada disso... Tenho certeza que Wei fez isso por que gostava muito de você e não queria que você se machucasse. Não se sinta culpada, essas coisas não acontecem por culpa de alguém...'

Meiling continuou chorando sem responder. Os dois caminharam abraçados até a barreira onde Marck apoiou sua mão para testá-la.

Meiling (entre soluços): 'Só quem não tem magia pode entrar...'

Marck começou a pensar como poderiam entrar quando a barreira se desfez e ele sentiu a presença de Yelan chegar. Shinai a cumprimentou e se apresentou, e Marck logo notou que até a Sra. Li que conseguia ser muito fria tinha chorado.

Yelan: 'A situação já está controlada. Vamos entrar que logo Shoran estará de volta.'

Ao ouvir o nome de Shoran, o choro de Meiling se intensificou e Marck afagou-lhe os cabelos enquanto caminhavam na direção da casa.

Shinai: 'Ei Marck... Vou me juntar aos outros, foi bom te ver.'

Marck acenou e logo Shinai não podia ser mais visto.

----

Shoran não encontrava mais nenhum Lifus. Procurava em todos os locais que costumava encontrá-los escondidos quando viu ao longe uma figura conhecida. E ele parecia estar em algum estado alfa de meditação, pois seus olhos estavam brancos e opacos. Logo que se aproximou, ele voltou a si para cumprimentá-lo.

Kyle: 'Parabéns, Li. Acabei de checar e não há mais nenhum Lifus nesta dimensão.'

Shoran: 'Parabéns? Dimensão? Eu só ajudei aqui em Hong Kong, e nem foi grandes coisas. Se vocês da elite não tivessem aparecido eu estaria aqui lutando até agora.'

Kyle: 'Mas foi aqui que eles mais apareceram. Eles se alimentam de energia, e os lugares em que há uma quantidade maior de energia concentrada foi onde apareceram os Lifus. Como aqui existe uma quantidade enorme de energia, eles foram principalmente atraídos para cá.'

Shoran: 'Entendi. Quer dizer que está tudo terminado, que posso voltar para casa?'

Kyle: 'Sim, e é melhor estar preparado quando chegar lá.'

Shoran: 'Por que, o que aconteceu?'

Kyle: 'Melhor você saber quando chegar lá e estiver com o apoio da sua família.'

Shoran: 'Está me deixando preocupado, é melhor eu voltar logo.'

Kyle: 'É sim. Continue treinando bastante que estou torcendo para te ter na Elite.'

Shoran: 'Obrigado.'

Shoran voltou caminhando para casa. Preocupado com o que poderia ter acontecido, se todos estariam bem, e se não haveria ninguém precisando de ajuda em algum lugar. Chegou na frente da casa e viu uma ambulância. Correu rápido para dentro de casa e viu sua família e empregados na sala, onde havia alguém coberto por um tecido branco sendo colocado numa maca.

Quando viu aquilo, sentiu uma dor horrível no peito. Quem estaria por baixo daquele tecido? Olhou para os que estavam na sala, Meiling o olhou e voltou a chorar copiosamente, só não se atirou no chão porque Marck a segurou.

Shoran encarou a todos presentes esperando uma resposta, que eles dissessem quem era, mas ninguém teve coragem. Tremulo se ajoelhou ao lado do corpo já sobre a maca e descobriu o rosto sereno e pálido daquele que um dia tinha sido seu mestre, seu amigo e acima de tudo tinha sido seu pai.

Faltaram-lhe lágrimas para chorar e até voz para gritar. Não podia ser verdade, simplesmente não podia. Yelan não agüentou e começou a chorar, foi até o filho e o abraçou forte. Ele não retribuiu a demonstração de afeto, pelo contrário, a repudiou e saiu pelo mesmo lugar que tinha entrado.

----

Sakura acordou com Kero aconchegado ao seu lado. Estava um pouco dolorida e cansada, mas tinha vontade de levantar.

Kero: 'Que bom que acordou.'

Sakura: 'Quanto tempo fiquei desacordada?'

Kero: 'Mais do que deveria.'

Sakura: 'O que há com você? Parece tenso.'

Kero: 'Assim como todos estão.'

Sakura: 'O que aconteceu, Kero? Me conta logo! To ficando preocupada.'

Kero: 'É Wei, Sakura. Ele... Ele se sacrificou para salvar Meiling.'

Sakura (arregalando os olhos): 'Como assim? Você quer dizer que ele...?'

Kero: 'Sim.'

Sakura não sabia o que fazer. Sentiu-se desnorteada, confusa, com uma dor aguda no peito. Lágrimas começaram a brotar de seus olhos ao pensar em Shoran e em todos da família.

Sakura: 'Onde está Shoran?'

Kero: 'Não sei, estou aqui com você desde que desmaiou.'

A garota levantou da cama e correu até o quarto do namorado. Vazio. Desceu as escadas e foi até o dojo. Vazio também. Deu a volta pelo jardim, saindo no pátio da frente e por fim saindo do terreno da casa. Sentiu a presença do namorado e correu, correu até chegar no alto de um penhasco de frente para o mar. Lá em baixo, a mesma praia, o mesmo lugar em que tinham compartilhado momentos tão alegres, estava Shoran, sofrendo e buscando se conformar com a morte de Wei.

Com a Flutuação Sakura pousou delicadamente sobre a areia e foi até o namorado. Estava sério, sentado, encolhido, olhando para o mar. Seus olhos revelavam todo o sofrimento que ele tinha no coração, e a angustia pela qual estava passando.

Ela se ajoelhou ao lado dele e o abraçou com força. Após alguns segundos sem reação, Sakura pode escutar o choro abafado que ele segurava, e logo ele a abraçou de volta, não conseguindo mais disfarçar as lagrimas e soluços que vinham.

A garota chorava também, mas tinha que ser forte naquela hora, para ajudá-lo, dar o apoio que ele iria precisar, portanto ela se segurava ao máximo.

Ficaram assim pelo que pareceu uma eternidade. As lágrimas não cessavam, o entardecer deixava tudo mais triste, e até o mar parecia triste. As ondas estavam fracas e se perdiam chegando à praia como simples embalos de água.

Shoran (se contendo): 'Ele sabia que isso ia acontecer...Ele me disse... E eu não acreditei.'

Sakura: 'A culpa não é sua. Nem pense nisso.'

Shoran: 'O que eu faço agora, Sakura? Ele... Ele era o pai que eu não tive!'

Shoran volta a chorar e ela o abraça novamente na tentativa de consolá-lo.

Shoran: 'Por que tem que ser assim? É nessas horas que percebo como sou fraco! Vim pra cá pra fugir de todos, e estou chorando que nem um bebê! Devia estar lá consolando minha mãe e Meiling! Mas nem isso eu conseguiria.'

Sakura: 'Não seja bobo! Elas sabem muito bem quanto Wei era importante pra você... Meiling está com Marck, e ele vai ajudá-la assim como eu estou aqui com você.'

Shoran: 'E minha mãe Sakura? Minha mãe não tem ninguém! Apenas eu, e Meiling! Minhas irmãs estão longe demais e provavelmente nem sabem ainda. Minha mãe não tem meu pai, já tinha sofrido muito quando ele morreu e ficou séria do jeito que está agora. Ela estava ficando melhor com o passar do tempo, mas agora garanto que vai piorar, e eu não tenho nem vontade de entrar naquela casa sabendo que ele se foi.'

Sakura: 'Você vai ter que ser forte e...'

Shoran: 'Eu não sou forte! Sou monte de merda junta que se julgou capaz de defender a vida de milhares de desconhecidos sendo que não era nem capaz de salvar os que conhecia!'

Sakura: 'Não fale assim, Shoran! Não foi culpa sua! Nós nem sabemos como aconteceu! Com certeza Wei se foi por um ideal, aposto que ele preferia que acontecesse assim que numa cama doente.'

Shoran voltou a ficar calado, apenas olhando pro nada com as lagrimas escorrendo sem ruídos.

Sakura: 'É melhor voltarmos... Não acha?'

Shoran: 'Talvez...'

Sakura (se levantado): 'Vamos, você consegue.'

Sakura estendeu as mãos pro namorado, que aceitou a ajuda e levantou. Subiram o penhasco com a Flutuação e foram caminhando lentamente até a casa.

Era incrível como cada coisa que Shoran via o fazia lembrar do mestre, só deixava mais evidente quanto aquele velho homem lhe faria falta. Entraram em casa e não havia mais ninguém na sala.

Sakura: 'Quer ir falar com sua mãe?'

Shoran: 'Seria bom...'

Sakura: 'Te encontro no seu quarto depois então. Vou fazer um chá pra todos, talvez acalme um pouco os ânimos.

Shoran agradeceu e foi para o quarto da mãe e Sakura foi para a cozinha que àquela hora estava vazia. Procurou alguns utensílios, e logo o chá estava encaminhado. Como era difícil suportar aquele tipo de perda, até mesmo ela que tinha convivido muito pouco com o velho senhor estava com o peito apertado, o estomago embrulhado e uma terrível sensação de mal estar. Tentava imaginar o que os outros que viveram a vida toda com Wei o que estavam sentindo... Só de pensar sentia mais e mais lágrimas vindo, era horrível, até para uma simples imaginação.

Seus pensamentos foram surpreendidos pelo apito da chaleira, comunicando a fervura da água. Misturou o chá e pos para descansar enquanto procurava xícaras.

----

Shoran bateu na porta e não escutou uma resposta, mas entrou mesmo assim. Sua mãe estava sentada na cama, encostada na cabeceira com um olhar vago. Shoran fechou a porta e se sentou à frente. Ficaram em silêncio durante alguns momentos, Shoran apenas fazia um carinho em uma das mãos de sua mãe, até que ela quebrou o silêncio.

Yelan: 'Que bom que está aqui.'

Shoran: 'Não pense que foi fácil andar pelos corredores até aqui, mas sei que você precisa de mim.'

Yelan: 'Não quero ficar como antes, Shoran, não quero. Mas não sei se vou conseguir...'

Shoran: 'Consegue sim, com nosso apoio você consegue.'

Yelan: 'É difícil pra mim, Shoran... Sou viúva, meus filhos já são adultos e têm suas próprias vidas, trabalho demais por isso os amigos que tinha, hoje não tenho mais contato. Sempre conversei muito com Wei, era meu companheiro, meu amigo. Agora me restam as empregadas, mas elas também têm suas outras companhias e afazeres. Não posso exigir de ninguém companheirismo ou amizade... Talvez seja melhor ficar sozinha mesmo.'

Shoran: 'Você não está sozinha, mãe! Eu e Meiling podemos ter outros círculos de relacionamento, mas sempre vamos estar aqui para o que você precisar. Além do mais, você está jovem ainda e pode muito bem conhecer pessoas novas, é só dar oportunidade a elas.'

Yelan: 'Ah Shoran... Meu casamento foi arranjado, estudei em casa, nunca tive uma vida social, não vai ser agora, aos 60 anos, sofrendo de depressão que vou ter uma.'Shoran: 'Também estou muito triste, mas foi Sakura mesmo quem falou, temos que ser fortes. Juntos vamos superar isso. E nunca é tarde pra começar algo novo.'

Yelan olhou firme nos olhos do filho. Talvez ele tivesse razão, o problema era por aquilo em prática. Falar era muito fácil... E agora, sem Wei... O que seria dela? Teria que tentar seguir em frente, e os conselhos que recebera talvez fossem fundamentais para isso. Começou a chorar mais uma vez, e abraçou o filho, bem forte, buscando o consolo que precisava. Ficaram assim por vários instantes.

Yelan (ainda abraçada): 'A última vez que te abracei assim... Você era menor que eu. Não quero ser aquela chata carrancuda que fui novamente, e perder momentos importantes da vida dos meus filhos... Tenho pena das minhas meninas... Como posso ter agido da maneira que agi e por que só fui perceber o quão errada estava hoje?'

Shoran: 'Elas te amam não importa como você tenha agido, elas sabiam que você estava passando dificuldades... Assim como eu sei. Mas vamos mudar isso então, a partir de hoje...'

Eles se afastaram e Yelan enxugou o rosto vermelho e inchado, abrindo um sorriso leve. Shoran o retribuiu com vontade. Logo em seguida escutaram duas batidas na porta e o jovem se levantou para abrir.

Sakura (envergonhada): 'Desculpa incomodar, mas eu fiz um pouco de chá e vim oferecer uma xícara.'

Yelan: 'Ah sim... Muito obrigada Sakura, muito gentil da sua parte. Pode entrar!'

A menina entrou com cuidado e colocou a bandeja sobre a mesa de cabeceira, servindo uma xícara para a sogra.

Sakura (entregando a xícara): 'Veja se está como a senhora gosta.'

Yelan experimentou e disse que estava muito bom. Sakura deixou um bule pequeno no quarto caso ela quisesse mais e logo se retirou.

Yelan: 'Sakura é uma garota maravilhosa, tenho orgulho de você Shoran.'

Shoran: 'Sakura é realmente perfeita...'

Yelan: 'Vá com ela então, não a deixe sozinha. Já estou mais calma e esse chá vai me ajudar a dormir.'

Shoran: 'Certo então... Boa noite.'

Shoran beijou a testa da mãe e saiu do quarto. Foi caminhando até o seu quarto, onde encontrou Sakura e se abraçaram mais uma vez.

Shoran: 'Chegou a ver como Meiling está?'

Sakura: 'Ela não parava de chorar, Marck achou melhor fazê-la dormir. Ele me contou como aconteceu.'

Shoran a olhou com dúvida se queria ou não saber como aconteceu, mas a garota sabia que era importante que ele soubesse.

Sakura: 'Ele se sacrificou para salvar Meiling de um daqueles Lifus humanóides.'

Shoran agora entendia como Meiling deveria estar realmente desesperada e inconsolável. Marck tinha tomado uma boa decisão no fim das contas.

Sakura: 'Agora Marck está com Kero no quarto de Meiling. Parece que ficaram amigos já.'

Shoran: 'Vou tomar um banho frio e ver se esfrio um pouco a cabeça.'

Sakura (servindo chá para si mesma): 'Está bem, eu te espero.'

Minutos depois Shoran retornou com os cabelos molhados usando apenas um short. Olhou para sua cama e viu Sakura aparentemente adormecida. Colocou uma coberta sobre ela e percebeu-a despertar suavemente e lhe sorrir.

Sakura: 'Acho que esse dia foi um pouquinho demais para mim...'

Shoran (beijando-lhe a fronte): 'Descanse, você gastou muita energia hoje.'

Sakura (puxando a coberta da cama para se cobrir e indo mais para o canto do colchão): 'Venha aqui.'

Shoran sorriu suavemente e deitou-se ao lado dela, olhando para o teto, sentindo-a abraçá-lo na altura do peito e depositar um beijo suave em sua bochecha, antes de aconchegar-se melhor, com a cabeça ligeiramente apoiada no ombro dele.

Sakura (murmurando): 'Vai dar tudo certo, você sabe que sim...'

Shoran (docemente): 'Eu sei... Agora durma.'

Logo a jovem adormeceu, mas o rapaz, apesar de sentir o corpo pesado da batalha que fora travada, custou a fazer o mesmo.

----

É gente... Cabou o cap! E que cap hein... T.T

Posso dizer pra vocês que agora as coisas vão desenvolver... Mais algum tempo vai passar, e o dia do grande duelo vai chegar, aí sim q a história q eu realmente bolei pra fic desde o início começa XDDDD

Mais ação pra vcs, mais respostas, mais romance, mais viagens da minha cabeça XD Mas espero que gostem .

Beijos e até o próximo cap!

NOVO ENDEREÇO DO SITE DA FIC: www(ponto)13guerreiro(ponto)klaryan(ponto)com