- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte XVII

Sakura despertou nos braços de Shoran que dormia tranqüilamente. Que final de semana maravilhoso, e o domingo não tinha nem começado! Sua festa de formatura da faculdade tinha sido um sucesso, melhor que isso, Shoran tinha aparecido de surpresa. O que era para ser apenas um dia feliz, se transformou em um dia super, mega maravilhoso.

Estavam no hotel que Shoran tinha se hospedado. Era um quarto bonito e aconchegante (se fosse uma casinha de palha ela estaria tão feliz quanto). Na janela havia uma cortina branca que balançou com uma rajada de vento frio mais forte que entrou pelo quarto. Sentindo um arrepio, Sakura se aproximou mais do namorado, que acordou ao sentir o toque dela.

Sakura: 'Ah... Desculpa... Não queria te acordar.'

Shoran: 'Que é isso... Para que perder tempo dormindo se posso ficar acordado com você?'

Sakura sorriu, era tão bom tê-lo por perto. Todas as preocupações que agora como formada ela teria, pareciam tão distantes.

Shoran: 'No que estava pensando?'

Sakura: 'Em como tudo isso parece tão irreal... A faculdade terminou, vi meus amigos, vi Tomoyo e estou com você. Parece que o mundo é perfeito, que não existe tristeza... Por mim eu ficava assim para sempre.'

Shoran: 'Não se acostume demais... Agora que o trabalho começa.'

Sakura: 'É... Eu sei, mas não parece!!'

Shoran sorriu e os dois ficaram ali abraçados por mais alguns instantes.

Shoran se formaria no semestre seguinte, e tinha garantia de ser efetivado na firma onde fazia estágio. Era uma das firmas da aliança de empresas da qual a família Li era uma das donas. Ele não estava muito contente com aquilo, pois sabia que tinha toda essa garantia e regalia por causa de seu nome, mas ele se esforçava ao máximo para se fazer merecedor de verdade do que ganhava.


Entre despedidas e reencontros, bastante tempo se passou. Shoran tinha um emprego num setor no qual ele poderia crescer muito, e não demorou para ser promovido a supervisor e então com quase 27 anos completos, estava esperando o resultado dos testes para ser qualificado como gerente do setor financeiro da empresa. Além disso, fazia mestrado aos sábados, tendo que treinar todos os domingos para compensar.

Sakura estava trabalhando de manhã e à tarde como professora em duas escolas. Tinha sido qualificada para ser árbitra, e várias vezes era chamada para coordenar campeonatos juvenis de diversos esportes. Além daquilo tudo, estava com planos para abrir uma academia de ginástica rítmica e olímpica, mas para isso teria que pedir ajuda para Shoran e economizar um bom dinheiro.

Apesar de cansado, todo o final de tarde Shoran chegava em casa, trocava de roupa e ia para o dojo nos fundos de casa, e cada vez mais Marck pegava no seu pé, dizendo que o dia estava chegando, e que ele não ia poder esperar muito mais. Todo mês eles tinham um dia marcado como o Dia do Duelo: dia em que eles se enfrentavam pra valer pondo em prática o que havia sido treinado no mês.

Naquela tarde, Shoran chegou já bravo com uma enorme pilha de coisas que tinham lhe dado para fazer, e estava feliz que era dia de duelo pra poder descarregar toda sua raiva em Marck. Mas aquele dia foi diferente, Marck parecia muito mais sério e amedrontador que o normal.

Shoran: 'O que deu em você? Por que essa cara?'

Marck: 'Bem, Shoran... Hoje vai ser o dia da prova final, se você me vencer, te considerarei apto para lutar contra Koriny, se perder, terá mais vinte anos de treino antes de pensar em lutar contra ela.'

Shoran: 'Não seja exagerado!'

Marck: 'Estou falando sério, Shoran! Kyle me deu essa ordem, inclusive ele falou que se você não me vencer é para eu parar de treinar você. Então, tem que ser uma coisa séria. Como seu mestre, o meu desejo é que você me vença, mas também não quero perder, então não vou facilitar pra você.'

Shoran: 'Mas... Eu ainda tenho tanta coisa para aprender e...'

Marck: 'Sem resmungar, Shoran. Nós vamos lutar hoje, vamos esquecer que somos amigos, e fazer isso pra valer. Quero de você uma real vontade de me vencer, até de me matar, porque é assim que você vai lutar quando estiver lutando contra Koriny.'

Shoran: 'Entendi... Então, hoje é até um dos dois não ficar mais de pé?'

Marck: 'Isso mesmo. Vou criar uma barreira protegendo o interior do dojo dos nossos ataques, assim não vamos destruí-lo.'

Shoran: 'Está certo... Que vença o melhor, e se eu ganhar, exijo ocupar o seu lugar da elite.'

Marck: 'Bom, se você ganhar, em teoria é o certo, mas não na prática. Temos regras, sabia? Que entrar? Comece desafiando o décimo segundo, ou vença o primeiro direto e promova o que chamamos de confirmação, uma espécie de campeonato entre os que já estavam na elite para confirmar suas posições e para excluir o que ficar por último.'

Shoran: 'Acho que vou ficar com o primeiro jeito mesmo.'

Marck: 'É... Nunca ninguém escolheu a segunda opção. Agora vamos logo com isso? Já foi ao banheiro? Não vamos parar para nenhum fresco fazer xixi...'

Shoran: 'Já fui sim... Vamos logo com isso que já está ficando enrolado demais. Pega logo sua espada.'

Marck: 'Não vou usá-la dessa vez... Não preciso dela que só me deixa mais lento.'

Shoran: 'Você que sabe.'

Marck fez a barreira no interior do dojo e começou a luta como sempre começava: disparando flechas de luz. Shoran já conhecia aquele golpe de longa data, por isso manipulou raios para que cobrissem a espada e correu na direção de Marck desviando e destruindo as flechas quando necessário. Ao chegar perto, Shoran tentou acertá-lo, mas ele desviou com uma cambalhota e continuou recuando com saltos e giros enquanto Shoran atacava rapidamente sem conseguir acertá-lo. Até que Marck recuou tanto que chegou perto do fim do dojo, onde ele deu a última cambalhota, batendo os pés na parede, e se impulsionando num golpe totalmente inesperado para Shoran.

O chinês se recuperou rapidamente e olhou para o mestre desarmado, tendo o arco preso às costas. Parecia covardia, mas Shoran sabia que era só querer que ele materializava quantas espadas fossem necessárias.

Pensando demais, Shoran acabou sofrendo o ataque seguinte. Marck saltou e desferiu dois chutes seguidos que foram desviados, quando caiu no chão, amorteceu a queda com as mãos e com os pés derrubou Shoran, que se levantou logo em seguida e tomou distância.

Para Marck era tudo muito óbvio, se Shoran se aproximava, ataque físico, se ele se afastava, ia tentar algum golpe com magia. Se ele fosse mais discreto talvez pudesse causar surpresa.

Como Marck previra, Shoran invocou o deus da água, e perseguiu o oponente por todo o dojo com jatos fortíssimos por algum tempo sem nenhum êxito. Marck achou aquilo ridículo de certa forma, até notar que ao parar tinha água até a metade da altura pé. A barreira do dojo impedia a água de sair, e agora já era tarde. Shoran estava flutuando em uma bolha de ar e desferiu um raio na direção do solo.

Os raios se espalharam por toda a água, e Marck foi atingido pelos choques caindo no chão. Orgulhoso de ter tido uma idéia boa, Shoran desconjurou a água e foi até o corpo de Marck ainda caído de barriga para o chão.

Shoran: 'Ei Marck... Levanta.'

Ele não respondeu, Shoran se aproximou e com o pé deu uma sacudida nele.

Shoran: 'Maaaarck...'

De repente Marck segurou o pé de Shoran e em segundos o chinês estava no chão e o inglês de pé.

Marck: 'Não acredito que você ainda cai nos truques mais velhos!'

Marck o desarmou com facilidade. Shoran tentou chutá-lo e se levantar ao mesmo tempo, mas sem sucesso. Pelo pé, ele o arremessou contra a parede, onde bateu de costas. Sem a espada Shoran não fazia quase nada, esse era o fraco dele, e Marck sabia disso melhor que ninguém. O mestre usaria a espada contra ele mesmo se aquela espada não fosse especial para a família Li.

O principal objetivo de Shoran agora era recuperar a espada, e havia um jeito. Correu rapidamente e começou uma seqüência de golpes, na qual alguns apenas foram bem sucedidos, mas não importava. O que ele precisava era de uma oportunidade apenas, e ela apareceu. Ele colocou um dos pés na coxa de Marck para lhe impulsionar a subir e sentar nos ombros do mestre. Uma vez preso, Shoran se jogou para trás forçando a queda dos dois, mas Shoran, dando um mortal, caiu com as mãos no chão e Marck de costas. Uma vez assim, Shoran recuperou sua espada e a luta parecia equilibrada, mas mal tinha começado.

Marck: 'Boa tática.'

Shoran: 'Digamos que eu tive um bom mestre.'

Marck: 'Um dia você me apresenta ele então... Garanto que deve ser um cara ótimo! Perfeito em todos os sentidos...'

Shoran: 'Ele é meio convencido às vezes.'

Shoran recomeçou a luta com fogo, rajadas múltiplas foram disparadas o que pôs Marck em movimento. Realmente ele estava mais rápido que o normal, talvez fosse verdade que carregar a espada só o deixava mais lento. Mesmo sendo perseguido com fogo em todos os movimentos, Marck conseguiu desviar e chegar às costas de Shoran antes que ele tivesse tempo de pensar em se virar. Com um chute nas costas, Shoran foi jogado longe, mas conseguiu cair de pé e voltar para cima de Marck. Quando estava se aproximando, ele viu o mestre flutuar e seu rosto estava iluminado. Aquela luz era um reflexo da energia luminosa que estava sendo acumulada nas mãos dele. Quando Shoran chegou a uma distância de dois metros, milhares de flechas luminosas começaram a sair da concentração de energia que ele tinha nas mãos e a chover em sua direção. Era impossível desviar, ou ao menos ficar olhando-as, mesmo que tivesse tempo para isso, pois elas o ofuscavam com o brilho que emanavam. Sem tempo para reagir, Shoran colocou sua espada em posição de defesa e se concentrou nela.

Um grande brilho ofuscou os dois adversários que no momento seguinte estavam mais afastados. Marck estava intacto, apenas caído no chão. Shoran estava de pé, com uma forte energia sendo emanada, a roupa tinha vários furos, e um único ferimento no ombro esquerdo por onde certamente uma flecha havia atravessado. Sem dúvida aquele poder era Chen, a força de emergência que Shoran usava quando estava em uma situação de risco. Agora, além de estar mais forte, estaria mais rápido e mais poderoso. O grande problema era que assim, Shoran também se tornava mais frio e mais oportunista, mas nada que deixasse Marck muito preocupado, ele também tinha seus truques.

Marck se levantou e partiu para cima de Shoran, quando chegou bem perto, materializou uma espada de luz e tentou atacá-lo, mas teve seu pulso segurado. Com o joelho Shoran atingiu a boca do estômago de Marck e com o cabo da espada deu-lhe um golpe nas gostas. O inglês cuspiu sangue pela boca e erguendo a cabeça pode ver mais um golpe vindo, mas conseguiu rolar para o lado em tempo e se ergueu. Com as costas da mão limpou o sangue que escorria, mas não teve muito tempo para pensar no que fazer, pois logo Shoran estava o atacando com a espada. Materializando uma espada em cada mão, Marck se defendia e também atacava. Quando Shoran atacou por cima, Marck usou as duas espadas cruzadas para se defender, e abrindo os braços rapidamente ele conseguiu desviar a espada de Shoran e colocar uma das mãos no peito dele, produzindo uma energia que arremessou Shoran como uma bala até a parede, onde bateu as costas e caiu de joelhos apoiando as mãos no chão. Sentiu sangue na garganta e logo o cuspiu. O ombro ferido estava latejando e ardendo, mas ele tentou ignorar ao se levantar.

Ao erguer o olhar para onde Marck deveria estar, Shoran não o viu, e em instantes recebeu um golpe vindo do seu lado direito. Apanhou, mas logo começou a se recompor, desviando dos golpes com velocidade. Saltou e disparou inúmeras bolas de fogo incandescentes. Marck desviou de quase todas, exceto de uma que lhe atingiu a barriga e rapidamente começou a queimar o kimono que vestia, e conseqüentemente a ele. O inglês tirou rapidamente a parte superior do kimono jogando-o no chão. Com a distração, Marck não notou a aproximação de Shoran que, por trás, prendeu-o com uma chave de braço.

Marck se revirou um pouco até conseguir espaço para acertar Shoran com o cotovelo, ele se dobrou ao meio, recebendo em seguida uma nova seqüência de golpes sem condições de desviar ou revidar nenhum. Rolou pelo chão com um último chute do mestre, e assim ficou sem se mexer.

Marck: 'Vamos lá, Shoran! Se demorar demais eu vou até aí e garanto que vai ser pior.'

Shoran estava dolorido, sangrando, cansado e com raiva, muita raiva. Quanto mais forte e mais firme ele segurava a espada, mais ele sentia aquela vontade destrutiva de Chen crescendo dentro dele, dando-lhe mais força e mais vontade de continuar lutando.

Marck sentiu quando a energia dele voltou a emanar mais e mais forte, e observou como ele se levantava lentamente, mas decidido. De pé e em posição, Shoran olhava o mestre com raiva e desprezo. Quem visse a expressão do chinês naquele instante, constataria que para ele pouco importava o que aconteceria com Marck, e que se o pior acontecesse, mais lhe agradaria.

Marck respirou fundo e não deixou que Shoran tomasse a iniciativa. Com as mãos em posição de oração e os olhos fechados, o inglês recitou palavras rápidas. Nada aconteceu até ele abrir os olhos, um círculo de luz azul expandiu seu diâmetro a partir de seus pés até cobrir toda a sala. No instante seguinte começaram a emergir estalagmites pontiagudas do chão, feitas da mesma energia brilhante que Marck fazia suas flechas e espadas.

Shoran correu e saltou como pode, acabando por se ferir em tropeços e em desvios atrasados. Marck não facilitava em nenhum instante, concentrado e comandando os surgimentos das estalagmites exatamente nos pontos em que Shoran cairia depois de um salto, ou por onde ele correria. Numa última fuga Shoran se atirou num canto onde ficou encurralado. Não tinha para onde correr e estava exausto.

Marck empunhou o arco e materializou uma flecha, apontando-a para Shoran.

Marck: 'Vou te dar quinze segundos para pensar no que fazer e vou disparar a flecha. Se você ainda estiver aí parado declaro a luta terminada.'

Shoran olhou para Marck que contava em voz alta, os números diminuíam um a um com uma velocidade que deixava Shoran ainda mais nervoso. Raiva, angústia, dor... Tudo isso o levou a pensar em Sakura, tão linda e meiga... "... 12... 11... 10..." Ele tinha que vencer. Vencer para provar para Sakura que seu sonho não era apenas um sonho, que ele tinha condições de alcançá-lo e que ele iria alcançá-lo. "... 7... 6... 5..." Vencer Marck seria mais que uma vitória, seria um voto de confiança, seria a prova de que ele venceria Koriny e vingaria a morte do pai! "... 3... 2... 1..."

A flecha foi disparada, e sua velocidade aumentava na mesma proporção que a energia mágica de Shoran. Quando a flecha chegou, atingiu apenas a parede, o jovem já estava flutuando ao lado do mestre, invocando o deus do fogo. Dessa vez surgiu um enorme dragão incandescente que agarrou Marck com a boca e foi seguindo em direção à parede atravessando-a e desaparecendo, deixando apenas o inglês atordoado, para trás.

Nos instantes seguintes todas as estalagmites se desmaterializaram, e Shoran pousou sobre o chão. Marck estava perto da parede, de pé com os cabelos levemente chamuscados e meia dúzia de marcas nos braços de queimaduras superficiais.

Shoran não acreditava. Estava bufando e sua criatividade estava indo embora. Marck também estava cansado e ofegante, mas estava no controle da luta. Se tivesse alguém assistindo certamente não poderia prever um resultado facilmente. O chinês empunhava a espada respirando fundo recuperando as energias e tentando esquecer a dor no ombro. Os dois ficaram se encarando alguns minutos até Marck provocar:

Marck: 'Aposto que já não tem mais nenhuma idéia inovadora.'

Shoran: 'Idéias é o que não me falta.'

Marck: 'Pena que apenas idéias, não vencem uma luta... Precisa de coisas totalmente diferentes, não só pensamentos.'

Shoran: 'Como se você tivesse muitas inovações para apresentar.'

Marck: 'Certo então... Vou te mostrar uma inovação.'

Marck assumiu uma pose inicial que Shoran desconhecia, e ficou apenas esperando para ver o que se seguia. O inglês mexeu os braços de forma estranha, e logo os esticou rapidamente. No mesmo instante Shoran voou para trás até bater na parede. Levantou-se sem entender o que havia acontecido, mas estava atento. Mesmo assim, ao ficar de pé, sentiu-se arremessado novamente contra outra parede.

Marck: 'Isso é inovação suficiente pra você? Posso arremessar seu corpo para onde eu quiser, como uma raquete faz com a bolinha de tênis.'

Shoran se levantou pela segunda vez. Ele só podia estar fazendo aquilo atirando energia na direção dele, o problema era que todas as vezes anteriores, toda e qualquer energia produzida por Marck era azul com um brilho forte, porque agora seria invisível, e porque ele não tinha usado aquele poder antes? Devia haver algum problema com aquela técnica. Shoran tentou correr, mas foi em vão. Marck ergueu a mão, o chinês bateu fortemente no teto e depois caiu no chão com o dobro da velocidade.

Tonto e com uma dor imensa na altura do tórax, Shoran ergueu a cabeça e viu Marck em pé do seu lado, estendendo-lhe a mão para que levantasse.

Marck: 'Desiste?'

Shoran: 'Não.'

Marck (cruzando os braços): 'Então levante sozinho.'

Shoran começou se apoiando na espada, e ficando de joelhos. Sem cerimônia Marck chutou a espada das mãos dele para longe. O garoto quase voltou a cair no chão, mas se equilibrou e se levantou com uma mão no tórax onde doía muito, quanto mais ele se mexia, mais a dor aumentava, e mais difícil se tornava respirar.

Shoran se colocou em posição com dificuldade, e se preparou.

Marck: 'Você não muda, Shoran.'

Marck esticou um braço novamente e Shoran foi arremessado até a parede mais uma vez, onde bateu e caiu de barriga para baixo. Agora estava tudo perdido para ele. Não tinha mais condições, estava cansado, seu ombro doía, e seu tórax doía tanto que ele tinha vontade de gritar até perder a voz. Sua espada estava a uma boa corrida de distância e ele não tinha mais força para nenhum passo.

Marck: 'Acabou Shoran, não vou mais ficar aqui apenas te torturando.'

Shoran fingiu que não escutou e disparou um raio que Marck parou com a mão. Sem a espada seus ataques eram ridículos.

O mestre foi até Shoran que gemia baixinho e colocou a mão em sua testa. No instante seguinte ele estava desacordado. Com cuidado, Marck o colocou em suas costas e levou para a casa. Meiling apareceu logo em seguida bastante preocupada.

Meiling: 'Vocês também não têm limites! Não precisam se matar para treinar!!'

Marck: 'Não reclama Mei... Vai buscar umas ataduras, remédios, água quente, tesoura, antiinflamatório e um relaxante muscular.'

Meiling: 'Quer uma massagem nas costas também? Quem sabe um chá de erva cidreira?'

Marck: 'Enquanto você enrola, Shoran perde sangue.'

Meiling: 'Por que você não busca?'

Marck (levantando e saindo): 'Ai santo!!'

Meiling se abaixou perto de Shoran, tirando-lhe a camiseta, tentou limpar um pouco do sangue que tinha no ombro até Marck chegar. Em alguns minutos ele voltou com a lista completa do que tinha pedido a Meiling

Meiling: 'Da outra vez você curou-o com magia, por que agora voltou aos métodos convencionais?'

Marck (limpando o ferimento): 'Usei um tipo de magia que precisa tanta energia que é como se ela fosse drenada de mim. E como eu não sou médico nem nada, só sei alguma coisa básica, e gasto muita energia à toa. Se eu tentasse agora poderia até desmaiar.'

Meiling: 'Não é melhor chamar seu irmão?'

Marck (orgulhoso): 'Bem capaz.'

Meiling forçou alguns remédios com água pela garganta de Shoran enquanto Marck fazia um curativo.

Meiling: 'Só isso?'

Marck: 'Não... está vendo aqui como está inchado?' (mostrando a parte inferior do peito, meio na lateral) 'Deve ter quebrado uma costela.'

Meiling: 'Você quebrou uma costela dele?! Está louco?! Vocês têm que cair na real... Se a cada treinamento você quebrarem um osso não vai mais ter onde enfaixar!'

Marck: 'Eu só arremessei-o na parede, não foi minha culpa.'

Meiling: 'Ah tá.. Foi minha de certo então. Vou chamar uma ambulância.'

Marck: 'Não confia nas minhas habilidades?'

Meiling (pegando o telefone): 'Não leve a mal, morzinho, mas como médico você é um namorado perfeito.'

Em menos de dez minutos Shoran estava dentro da ambulância, afinal "ele foi atropelado e um caco de vidro perfurou seu ombro lhe causando um desmaio. Eles limparam o ferimento, mas quando viram o inchaço acharam melhor mandá-lo para o hospital." Yelan só ficou a par do que havia acontecido quando escutou a sirene, e demorou a entender que a história do atropelamento era falsa.


Shoran acordou e fitou um teto estranho. Era branco com uma lâmpada fluorescente desligada. Virou para o lado e viu sua mãe dormindo sentada no sofá e do outro estava Meiling dormindo em outro sofá. Foi então que a ficha começou a cair. Estava vestindo um colete duro e desconfortável, daqueles de correção de postura. Tinha um soro na veia e tudo era branco. Estava num hospital sem sombra de dúvida. Por que diabos tinham-no levando para o hospital se em anos de treinamento repletos de cortes profundos, perfurações e coisas do tipo nunca tinham feito isso?

Yelan: 'Você acordou! Como está se sentindo?'

Shoran: 'Estou bem, mãe... O que aconteceu?'

Yelan: 'Você e Marck não tem jeito mesmo! Já falamos milhares de vezes para não exagerarem, mas vocês não escutam!'

Meiling (abraçando o primo): 'Shoraaan!!!!'

Shoran (desconfortável): 'Não faça isso que eu não...'

Meiling (arrependida): 'Desculpa!!'

Shoran: 'Não... Tudo bem...'

Yelan: 'Pois é... Os médicos falaram que você trincou duas costelas.'

Shoran: 'Nossa... E o que vão fazer?'

Yelan: 'Esperar. Você tem que ficar imobilizado assim até os ossos se regenerarem.'

Shoran: 'Mas... por quanto tempo? Vou ter que ficar aqui? Como que eu vou tomar banho??'

Meiling: 'Calma Shoran, a gente vai te ajudar em tudo. E amanhã de manhã estamos indo para casa.'

Shoran: 'Menos mal...'

No mesmo instante a porta se abriu e alguém entrou.

Marck (com embalagens nas mãos): 'Trouxe comida! Olha... a bela adormecida acordou.'

Shoran: 'É... e nem precisei de príncipe.'

Marck (rindo): 'Desculpa por isso, Shoran. Mas diabos você não aceita que perdeu nunca. Assim você não deixa escolhas.'

Shoran: 'Sabe que nunca vou desistir de algo só porque é evidente que eu não vá conseguir.'

Meiling: 'Pois deveria desistir. Se é evidente, é melhor se preservar para tentar a próxima vez.'

Yelan: 'Meiling tem toda a razão.'

Shoran: 'Já não importa mais... Eu perdi, e não podia ter perdido.'

Marck: 'É Shoran... Está sem mestre agora. O que vai fazer?'

Meiling: 'Como assim? Que história é essa que não estou sabendo?!'

Yelan: 'Nem eu estou e deveria ter sido a primeira a ser informada.'

Marck: 'Kyle, o primeiro da elite, não quer mais que eu seja mestre de Shoran. Já estou aqui há muito tempo. Então eu disse para Shoran que se ele fosse capaz de me vencer, eu declararia o treinamento encerrado, e ele estaria pronto. Mas como ele perdeu, vai ter que se virar agora.'

Meiling: 'Mas como assim?? Para onde você vai?! Por que não me avisou isso??!'

Marck: 'Calma Mei... Isso não significa que não vou mais ver você, eu só não vou mais treinar Shoran, só isso. Obviamente também não vou mais morar na mansão, mas sempre estarei por perto.'

Yelan: 'Mas você pode ficar! A casa é enorme e tão vazia! Temos mais empregados que moradores. Já pensei até em alugar uns quartos pra ver se anima um pouco aquela casa.'

Marck: 'Desculpa gente, mas não acho certo... Já fiquei às custas de vocês tanto tempo. Vou morar junto com o resto da Elite, mas nenhum lugar é longe daquela mansão. Vamos nos ver sempre.'

Shoran: 'Não se preocupe Meiling... Do jeito que esse aí fala de ti não vai passar mais de um dia sem te ver. Eu é que estou preocupado... O que vou fazer sem mestre?'

Yelan: 'Posso tentar alguma coisa.'

Shoran: 'Não tenho mais coragem de lutar contra a senhora, mãe.'

Yelan: 'Talvez tenha razão... Já estou, digamos... Passando do ponto para luta.'

Meiling: 'Não se preocupe com isso agora, e sim em se curar.'


Marck pegou sua mala e desceu do ônibus em um lugar afastado já meio deserto àquela hora da noite. Seguiu até a grande mansão que beirava a rua. Não era exatamente verdade aquilo que tinha falado sobre Kyle. Na verdade ele nem havia lhe pedido nada. Mas Marck também já não se sentia capaz de ensinar coisas novas para Shoran, seu repertório de coisas malucas havia se esgotado, e seus métodos não estavam mais surtindo efeito. Decidiu por conta própria largar e conversar com Kyle sobre sua decisão.

Estava feliz por ter tomado a decisão certa, mas também estava triste, pois agora não teria mais como passar as noites com a namorada. Mas prometeu a si mesmo que a veria todos os dias, nem que tivesse que ir de ônibus para que pudesse cumprir a promessa.

Subiu a escadinha e abriu a porta. Entrou, largou a mala, tirou o casaco e acendeu uma luz. Aquela parte da entrada estava vazia como de costume. Seguiu pelo corredor e foi direto à sala onde ficava a televisão e os sofás confortáveis, e só de chegar perto da porta podia escutar a televisão alta.

Marck entrou e disse um olá bem alto. Apenas Kojiro, Koriny, Whan e Kyle estavam na sala, e os quatro ficaram surpresos.

Kyle: 'Marck? O que faz aqui?'

Marck: 'Bom, é aqui onde eu moro, não?'

Koriny: 'Na verdade, você não mora aqui há muito tempo.'

Marck: 'Detalhes, Koriny! Mas é aqui o meu lar desde o início, por isso eu voltei!'

Kojiro: 'Está brincando não está?'

Marck: 'Não! É verdade! Trouxe minha mala e tudo.'

Kyle (estranhando): 'Acho que realmente precisamos conversar, Marck.'

Marck (rindo): 'Precisamos mesmo. E quanto mais rápido melhor. Bem rápido.'

Alguns minutos depois estavam reunidos em um cômodo Marck, Kyle, Thiago e Satori.

Kyle: 'Pois bem, estamos aqui. Agora explique-se.'

Marck explicou como se sentia em relação ao treinamento de Shoran, e Kyle entendeu perfeitamente, lhe dando razão.

Satori: 'Mas o que eu e Thiago temos com isso?'

Marck: 'Vocês fazem parte da minha sugestão. Veja só Kyle, olhe para esses dois.'

Kyle: 'Tô olhando'

Marck: 'O que você vê?'

Kyle (dando as costas): 'Já entendi tudo.'

Satori e Thiago apenas se entreolharam.

Marck: 'Não é uma idéia fantástica?!?!'

Kyle (pensativo): 'Talvez até não seja uma má idéia...'

Thiago: 'Alguém pode explicar o que acontece?'

Kyle (colocando o braço sobre os ombros do amigo): 'Thiago: o que acha de ter um novo pupilo?'


Shoran acordou com uma movimentação muito estranha, tinham lhe tirado suas cobertas, e a pessoa estava gritando algo como 'Rápido está na hora de acordar!'. Quando Shoran teve condições de abrir os olhos e focalizar a visão, viu uma figura estranha parada na frente dele. Era um rapaz, devia ter quase a mesma idade que ele, talvez um pouquinho mais velho. Era ocidental, alto, moreno de olhos verdes.

Shoran: 'Quem é você?!'

Thiago: 'Talvez você já tenha escutado algo sobre mim. Thiago Alexander, quinta colocação na atual Elite dos Doze, seu mestre a partir de agora.'

Shoran: 'O quê?? Como assim? Mas Marck falou que eu não ia mais ter mestre!'

Thiago: 'Ele disse que você estava sem, não que você nunca mais fosse ter um.'

Shoran: 'Mas por que mandaram você? Por que Marck não pode e você pode?'

Thiago (sem pensar): 'Burocracias da Elite. Agora levante logo que temos um treinamento para começar.'

Shoran: 'Calma aí! Eu acabei de me recuperar de umas lesões nas costelas, tirei aquela porcaria de colete imobilizador ontem! Não posso me esforçar ainda.'

Thiago: 'Estou sabendo de tudo, por isso vamos fazer um treino bem... (sorrindo) Lento.'

Shoran: 'Não sei porque, mas isso não me cheira a boa coisa.'

Shoran trocou de roupa enquanto Thiago lhe esperava no dojo. Ele tinha dito que não esperaria mais que cinco minutos. Depois de se trocar Shoran correu para a cozinha comer alguma coisa e encontrou Meiling.

Meiling: 'Ué?! Kimono? Vai treinar? Mas você não pode!'

Shoran (abrindo a geladeira): 'Diga isso para o sujeito louco que me apareceu no quarto agora pouco.'

Meiling (achando estranho): 'Sujeito?'

Shoran (apontando a porta dos fundos): 'Veja você mesma.'

Meiling saiu pela porta da cozinha e foi até o dojo, e lá estava o rapaz se alongando.

Meiling: 'Quem... Quem é você?'

Thiago (dando-se conta): 'Ah! Você deve ser Meiling. Marck falou para não chegar perto de você. (aparecendo no instante seguinte na frente dela e apertando sua mão) Thiago Alexander, prazer.'

Meiling (assustada): 'Prazer... Mas como você...?'

Thiago: 'Sou quinto lugar na Elite dos Doze, velocidade é meu nome do meio.'

Meilnig: 'Mas você disse que era Thiago Alexander.'

Thiago: 'Ai mocinha, dizer que algo é seu nome do meio é uma maneira de enfatizar. Eu quis dizer que sou veloz. (Thiago sumiu e reapareceu numa rajada de vento) Muito veloz. (Entregando uma flor à Meiling)'

Meiling (pegando a flor): 'Essa flor estava ... Estava plantada lá perto do portão!'

Thiago: 'Eu sei, acabei de buscá-la.'

Meiling (tentando aceitar a situação): 'Ah... Obrigada.'

Thiago (sorrindo): 'Disponha.'

Meiling: 'Aliás... Você já falou com minha tia?'

Thiago: 'Claro que sim, falei com ela rapidão e ela deixou numa boa e ainda achou o máximo! Muito bacana sua tia.'

Meiling: 'Você é estranho...'

Thiago: 'Estranho por quê? Rápido demais para você?'

Meiling: 'Não não... só... sei lá.'

Shoran (entrando): 'Cheguei.'

Thiago: 'Meu Deus como demorou. Precisamos dar um jeito em você mesmo Shoran. Parece uma tartaruga tetraplégica.'

Shoran: 'Desculpe se eu acabei de ...'

Thiago (interrompendo): 'Ah-ahn! Sem desculpas. Eu disse cinco minutos, você demorou dez. Não obedeceu e fim de papo.'

Meiling (virando de costas): 'Eu vou dar o fora antes que me envolvam em algo...'

Thiago (aparecendo na porta): 'Não vai nem se despedir?'

Meiling: 'Mas eu vou pra casa só! Fica a uns 20 metros daqui, para que me despedir?'

Thiago: 'Você que sabe então.'

Meiling fez uma cara como se dissesse "Que cara maluco!" para Shoran que entendeu na mesma hora. Assim que a prima se foi Thiago começou a falar de novo.

Thiago: 'Eu disse que o treino ia ser light, certo? Pois então vamos começar. Coloque isso.'

Thiago entregou para Shoran duas argolas metálicas revestidas com algum tipo de tecido fofo para evitar que machucassem. Pesavam certa de 10kg cada uma.

Shoran (segurando com algum esforço): 'Colocar onde?'

Thiago: 'Nas canelas, onde mais seria!'

Shoran observou melhor e viu que havia uma dobradiça permitindo que ele abrisse as argolas e colocasse nas canelas.

Shoran (depois de colocá-las): 'E agora?'

Thiago: 'E agora? E agora nada. Está liberado.'

Shoran: 'Quer que eu fique o resto do dia com isso?'

Thiago: 'Correto! Aliás, elas não são argolas comuns, agora que você as colocou elas não vão sair até eu as tirar. E mais uma coisa, elas aumentam de peso gradativamente de modo que fiquem 1kg mais pesadas a cada vinte e quatro horas.'

Shoran: 'O quê??'

Imediatamente o chinês se abaixou para tentar tirar as argolas e realmente, era impossível. As dobradiças que antes estavam ali não eram mais vistas.

Shoran: 'Qual o objetivo disso?'

Thiago: 'Não é óbvio? Fortalecer suas pernas. Até hoje você sempre trabalhou muito os braços. Sempre lutou com espada e com os punhos. Mas eu vou lhe ensinar como as pernas são muito mais úteis. Mas, eu não tenho todo o tempo do mundo, comigo as coisas são rápidas. Vou te treinar por um ano, sem um dia a mais sem um dia a menos.'

Shoran (aceitando a situação): 'Certo... Vou ficar quanto tempo com isso?'

Thiago: 'Acho que até uns 50kg em cada perna... Não sei bem ainda.'

Shoran: '50kg?? Vou afundar no chão.'

Thiago: 'Talvez. Agora vá fazer outra coisa, sim? Ainda tenho que arrumar meu quarto. Até mais, te vejo no almoço.'

Thiago se foi deixando Shoran pra trás sentindo apenas o vento se deslocando. O rapaz olhou para as próprias pernas e respirou fundo.

Shoran: 'É... Vamos lá.'

Shoran começou a caminhar. Parecia que o chão atraía seu pé como um imã atrai um metal. Quando chegou na sala e olhou para o topo da escada que tinha que subir, nunca desejou tanto um elevador. Pensou em usar o vento para lhe levar para cima por pura preguiça, mas era errado, aquele era um treinamento e ele não podia trapacear.

Subiu degrau por degrau até chegar em seu quarto onde finalmente se sentou em frente ao computador. Não soube se foi coincidência, mas encontrou Sakura online (o que àquela hora era muito raro, pois domingo de manhã para Sakura era sinônimo de dormir) e ficaram conversando até a hora do almoço quando Meiling foi lhe chamar.

Shoran: 'Já estou indo.'

Shoran se despediu e se levantou da cadeira, ao dar o primeiro passo relembrou do peso de suas pernas. Tinha até esquecido àquela hora. Chegou na sala cansado e ninguém entendeu.

Yelan: 'Você não estava no computador? Por que está cansado?'

Shoran: 'Cansei vindo até aqui.'

Meiling (não entendendo): 'Como assim?'

Shoran (apontando para Thiago que já tinha até terminado de almoçar): 'Pergunte para ele.'

Todos se voltaram para Thiago que limpava a boca com o guardanapo.

Thiago (explicando): 'Faz parte do treinamento. Como Shoran não pode se esforçar muito ainda, apenas o mandei colocar uns pesos nas canelas para fortalecê-las.'

Yelan (entendendo): 'Ah... E Marck, Meiling?'

Meiling: 'Disse que vem para o jantar.'

Shoran: 'Só quero ver quando esses dois se juntarem o que vai dar.'

Thiago: 'Eu e Marck somos muito amigos.'

Shoran: 'É isso que eu temo.'

Yelan: 'Não fale assim, Shoran. Tenho certeza que não causarão problema nenhum.'


Marck (baixando a cabeça quase no chão): 'Mil perdões, Sra. Yelan!!'

Thiago (idem): 'Vamos limpar tudo!!'

No segundo seguinte Thiago voltou da cozinha com uma vassoura, uma pá de plástico e um pano de chão.

Shoran: 'Eu avisei desde o início...'

Meiling: 'Vocês também não cuidam o que fazem!'

Yelan (irônica): 'Não se preocupem tanto... Foram só três xícaras, três pratos e uma jarra de porcelana.'

Marck e Thiago pediram mil perdões, limparam tudo e prometeram nunca mais tocar nas louças.

Yelan: 'Aceito as desculpas se me fizerem um favor.'

Marck: 'Pois diga.'

Yelan: 'A moça que geralmente faz as compras está meio doente, então vão ao supermercado e comprem isso.' (entregando uma lista enorme de coisas)

Meiling (agarrando-se ao braço de Marck): 'Oba, compras!! Vou junto.'

Thiago (sorrindo): 'Então Shoran também vai. Uma caminhada boa vai ser bem útil.'

Shoran: 'Ah não! Não vou ficar fazendo compras com esses troços nos pés.'

Marck (fingindo ser sério): 'Tem que obedecer a seu mestre, Shoran, ele sabe o que é melhor pra você.'

Shoran: 'Não me venha com essa, Marck!'

Yelan: 'Vá com eles, Shoran. Garanto que você não tem nada melhor para fazer.'

Meiling: 'É, vem!'

Shoran revirou os olhos e acabou aceitando com desgosto.


Kanon escutou a campainha tocar, o que era realmente estranho na mansão, pois não recebiam muitas visitas. Ele foi até a porta e olhou pelo olho mágico, não havia ninguém. Escondeu seu grande corpo de cavalo atrás da porta, abriu uma fresta por onde podia olhar. Não havia ninguém, apenas uma carta. Ele a pegou do chão e leu o destinatário, era para Whan. O envelope era rosa e estranhamente perfumado.

Rindo, Kanon foi até o quarto do garoto, onde entrou.

Kanon: 'Tocaram na campainha e deixaram isso para você. Acho que andaram te seguindo depois da escola.'

Whan já era um homem, e que homem! Sua pele era mais morena que dos jovens normais e seu cabelo era castanho de um tom quase bordô. Seus olhos eram grandes e expressivos, e certamente seu jeito quase punk de ser cativava várias garotas.

Whan: 'Sempre seguem, eu tento despistar, mas as vezes não dá.'

Whan pegou a carta das mãos de Kanon e virou o envelope constatando que não havia remetente. No mesmo instante a carta se incendiou e virou cinzas.

Kanon: 'Por que fez isso? A garota deve ter tido muito trabalho para escrevê-la.'

Whan: 'Ela que agradeça por eu não gostar dela. Assim não corre risco de morrer queimada.'

Kanon: 'Não seja bobo, Whan! Você controla seus poderes muito bem, não iria cometer um descuido desses.'

Whan: 'Mesmo assim... Meu corpo é, naturalmente, vários graus acima do normal. Kyle deve ter falado dos problemas que andei tendo.'

Kanon: 'Falou sim... Mas você não pode se excluir do mundo por medo dos seus sentimentos. Nos últimos tempos sempre te vi se divertindo várias vezes com Shinai e os outros.'

Whan: 'E deve lembrar das vezes que coloquei fogo na biblioteca por que achei um livro que estava procurando fazia quatro horas.'

Kanon lembrava também. Whan estava com problemas realmente... Seus sentimentos refletiam na sua manifestação de poder. Quando ficava muito feliz ou muito triste ele perdia um pouco do controle. Kanon já tinha lido sobre aquilo, era normal em jovens nascidos com grandes poderes como ele. Era como se fosse a "puberdade" dos poderes dele. Como ele havia crescido, assim como seus músculos, seus poderes também aumentaram, mesmo sem ter treinado, e esse aumento gerava essa falta de controle.

Kanon: 'Mas isso pelo que você está passando é uma fase, e treinando você supera.'

Whan: 'Verdade?'

Kanon: 'Sim... Já li sobre esse tipo de coisa uma vez.'

Whan: 'Podemos tentar então?'

Kanon: 'Claro, posso lhe ajudar.'

Whan (com um meio sorriso): 'Obrigado.'


Sakura ensinava as pequenas alunas da quarta série a jogar o bastão e a fazer piruetas. Era tão gratificante para ela aquele trabalho que às vezes ela esquecia que era a professora e ficava se divertindo com as aluninhas que a idolatravam e queriam ser como ela.

Ao fim do período, Sakura dispensou todas e ao se voltar para as arquibancadas viu um rosto bem conhecido. Era Tomoyo filmando com uma moderna câmera digital portátil. Sakura acenou e logo correu ao encontro da amiga. Abraçaram-se e Tomoyo foi logo contando as novidades.

Tomoyo: 'Hoje a noite, na minha casa vai ter festa! Bom, não é bem uma festa, é mais um encontro. Vou convidar apenas nossas amigas de escola.'

Sakura: 'Ai que ótimo! Só meninas então?'

Tomoyo: 'É! Para podermos conversar sobre tudo!'

Sakura: 'Vou levar uns doces então.'

Tomoyo: 'Nem se incomode! Aliás, estou fazendo isso porque tenho uma novidade ótima para contar!'

Sakura: 'Ai conta!'

Tomoyo: 'Nada disso, só à noite.'

Sakura: 'Está bem, está bem!'

Tomoyo: 'Então te espero lá, e não vá se atrasar para a próxima aula!'

Sakura (olhando o relógio): 'Verdade! Até a noite, Tomoyo!!'


A noite caiu e Sakura estava pronta. Pegou uma caixa de docinhos que seu pai tinha preparado, e se despediu dele agradecendo.

Kero: 'Tem certeza que não posso ir?'

Sakura: 'Absoluta, Kero! Fique aí jogando videogame.'

E dizendo isso Sakura bateu a porta e saiu, indo em direção da parada do ônibus. Em alguns minutos estava na frente dos muros da mansão Daidouji e logo entrou. Foi acompanhada até o quarto de Tomoyo onde estavam ela, Naoko, Rika e Chiharu.

Abraçou uma por uma, ofereceu os doces e conversaram durante quase uma hora até uma delas lembrar que Tomoyo tinha uma novidade importante para contar.

Tomoyo: 'Bem... Seguinte... Vocês sabem que semana passada eu fui para Inglaterra passar uns dias com Eriol, certo?'

Chiharu: 'Sim, sim, continua.'

Tomoyo (envergonhada): 'Pois é, é que... Ele me pediu em casamento.'

Houve um silêncio com expressões de choque.

Sakura: 'E você...?'

Tomoyo (receosa quanto a reação das amigas): 'Eu... Aceitei.'

No instante seguinte só se escutou os gritos histéricos de alegria. Todas queriam saber mais detalhes, queriam ver o anel de noivado, saber quem seriam as madrinhas e tudo mais.

Tomoyo: 'Mas não acabou ainda...'

Naoko: 'Então não enrola!'

Tomoyo: 'Vamos fazer um casamento tradicional aqui no Japão, mas também quero fazer uma cerimônia lá na Inglaterra em uma igreja!'

Rika: 'Deve ser tão lindo! Gostaria tanto de poder ir!'

Sakura: 'Eu também...'

Tomoyo: 'Mas vocês podem, e deverão ir! Ou vocês acham que eu ia me casar sem vocês? Todas vocês vão comigo ser minhas madrinhas na Inglaterra!'

Mais um grito estridente eufórico foi escutado.

Sakura: 'Mas... Vai ficar muito chato viajarmos às suas custas, Tomoyo...'

Tomoyo: 'Não sejam bobas, considerem, sei lá, presente de natal.'

Todas riram e aceitaram a idéia, voltando a conversar sobre outros assuntos e a comer doces.


Gente desculpem a demora x.x Prometo que não vai acontecer de novo...

Quero agradecer a Miaka pela revisão e agradecer todo mundo que ainda le xD

Não esqueçam de entrar na comunidade da fic no orkut "Eu leio a fic O 13º Guerreiro" e visitem o site www(ponto)13guerreiro(ponto)klaryan(ponto)com(ponto)br

E não percam o próximo cap neh xD

Beijos o/