- O 13º Guerreiro -
A Elite dos Doze
Parte XVIII
Alguns dias passaram e Shoran estava oficialmente liberado por um médico a fazer esforço físico. Não que ele não fizesse antes, mas agora, se ele não estivesse a fim de fazer o que Thiago mandava, ele não tinha mais desculpas.
Chegou do trabalho muito mais exausto que o normal. Sentiu seus músculos das pernas latejarem quando se sentava. Foi para o dojo na esperança de que Thiago finalmente lhe tirasse aquele fardo das pernas.
Thiago (não entendendo): 'Tirar? Mas já? Por quê?'
Shoran (irritado): 'Por que eu simplesmente não agüento mais! Esse peso está me matando!'
Thiago: 'Pare de reclamar como um bebê chorão... Quando terminarmos o treino de hoje vou ver o que fazer com os pesos.'
Shoran revirou os olhos de saco cheio, e esperou as ordens do treinamento.
Thiago: 'Bom... Vamos começar então, vire de costas.'
Shoran olhou para o mestre não entendendo o que ele pretendia.
Thiago: 'Vire logo!'
Shoran virou-se pensando o que viria depois.
Thiago: 'Dê-me suas mãos.'
Logo o chinês estava com as mãos amarradas as costas, e com quase 20kg a mais em cada perna. Com um movimento rápido das mãos, Thiago fez aparecer inúmeros pontos brilhantes pelo dojo inteiro, cada um do tamanho de uma maçã. Só que estavam todos numa altura que passava dos ombros de Shoran.
Thiago: 'Muito bem, Shoran. Estes são seus inimigos. Pra derrotá-los basta acertar um golpe, você tem dez minutos.'
Shoran: 'O que? Dez minutos?! Mas existem milhares!'
Thiago: 'Dois mil e oitocentos para ser preciso. O tempo já está correndo sabia?'
Shoran se sentiu um otário pulando e chutando bolinhas no ar, mas depois de acertar umas quinze percebeu que não era algo tão idiota, já estava até esquecendo dos pesos. Cada esfera luminosa que ele acertava, se apagava na mesma hora. Seu maior problema era o equilíbrio. Sem os braços ficava muito mais difícil pular, acertar algo e cair de pé.
Thiago: 'Acabou o tempo. Até que não foi tão mal pra primeira vez. Acertou cento e noventa e sete. Meu aprendiz mais forte acertou trezentas e quatorze na primeira, e hoje está na elite.'
Shoran (descansando no chão): 'Se você estava tentando me consolar, não deu muito certo.'
Thiago: 'Pelo menos eu tentei... Levante-se e vamos começar outra vez.'
Thiago fez as esferas que tinham se apagado reaparecer.
Thiago: 'Quero que você acerte quinhentas ainda hoje.'
Shoran se levantou e começou novamente a acertar as bolinhas luminosas. Pegou prática e às vezes conseguia acertar mais de uma com um só pulo. Depois de várias tentativas, seu recorde chegou a trezentas e noventa e sete, mas ficou exausto.
Thiago: 'Muito bom por hoje Shoran, pode dormir que eu sei que você trabalha e deve ser bem chato.'
Shoran: 'Muito gentil da sua parte me liberar dois minutos antes com essa frase de quem libera uma hora antes.'
Thiago (soltando suas mãos): 'Pare de reclamar e vá logo...'
Shoran enxugava o suor com uma toalhinha enquanto pensava sobre Thiago. Chegara a conclusão de que mestres vindos da elite eram sempre iguais. Quando chegavam pareciam doidos, mas depois se mostravam bem severos.
A semana inteira foi dedicada ao mesmo treinamento, mas, apesar do peso em suas pernas ter aumentado, Shoran aumentou gradativamente o número de bolinhas luminosas atingidas, até que uma vez chegou a acertar mais de mil delas. Ele estava mais rápido, mas essa não era a principal razão por ter evoluído tanto. Também tinha pego o jeito da coisa, e estava otimizando o tempo acertando várias ao mesmo tempo.
Thiago: 'Parabéns!! É assim que se faz! Chega desse treinamento agora, quem sabe daqui alguns meses nós voltamos a fazer ele.'
Shoran (caído no chão exausto desamarrando as próprias mãos): 'Vamos... fazer outra coisa...?'
Thiago: 'Claro!'
Shoran (não acreditando): 'Graças a deus...'
Thiago: 'Levante-se logo então.'
Shoran: 'Ah espere um pouco... Eu mereço um descanso, não mereço?'
Thiago: 'É... Talvez um cinco minutos. Espere que eu vou no banheiro então.'
Shoran ficou deitado respirando fundo apenas descansando e logo em seguida Thiago estava de volta e ele teve que se levantar.
Thiago: 'Agora vamos começar um exercício que é parecido mas não é a mesma coisa. Você vai ter que acertar as bolinhas com os pés ainda, mas eu que vou jogar as bolinhas pra você.'
Shoran: 'Entendi... Podemos começar.'
Thiago se posicionou a uns cinco metros de distância de Shoran e materializou varias bolinhas iluminadas a sua volta. Uma de cada vez, avançou com uma certa velocidade na direção de Shoran que foi as acertando sem maiores complicações. Entretanto, gradativamente a velocidade com que as bolinhas vinham aumentava, e algumas vezes vinham duas ao mesmo tempo. Shoran foi conseguindo até determinado momento que já não conseguia mais acompanhar e as bolinhas foram passando por ele.
Thiago: 'Até que você foi bem, parabéns!'
Shoran ficou orgulhoso mas sabia que não era grande coisa. Aquele treinamento se seguiu durante o resto da semana, e no sábado receberam alguém que não era esperado.
Thiago: 'Ora ora se não é o Marck por aqui...'
Marck: 'Ouvi boatos de que Shoran andava chorando durante a noite de saudades de mim por isso vim aqui.'
Shoran: 'Diga para sua fonte de boatos que o motivo do choro não é saudade, e sim felicidade.'
Marck: 'Então você admite que chora durante a noite é??'
Shoran: 'Vai tomar um rumo na vida, Marck...'
Marck: 'Adoro sua simpatia, Shoran. Se importa se eu ficar pro treino, Thiago?'
Thiago: 'De maneira nenhuma... Se quiser treinar também, podemos fazer uma competição.'
Marck: 'Perfeito! Faz tempo que eu não ganho do Shoran... Tava com saudades já.'
Shoran: 'Nem me venha com essa... Você tinha era muita sorte.'
Marck: 'Aham, sei... vamos ver então. Qual vai ser o desafio?'
Thiago: 'Bem simples, pega-pega. Eu fujo, vocês tentam me pegar. Quem conseguir, ganha. Vamos fazer só aqui dentro do dojo pra ficar mais fácil.'
Shoran: 'Vamos então... Temos que contar até dez?'
Marck: 'Que contar até dez... Thiago não precisa de dez segundos pra fugir.'
Thiago: 'É só vocês dizerem "já"!'
Shoran: 'Já?'
Marck e Shoran viram Thiago sumir diante dos olhos deles. Podiam sentir apenas o deslocamento de ar e de vez enquanto alguns vultos. O problema era que ao mesmo tempo que viam um vulto bem perto, viam também outros mais longe.
Shoran: 'Putz... Isso é impossível!'
Marck: 'Se fosse impossível Thiago não seria o quinto da elite...'
Shoran: 'Verdade... alguma idéia pra pegar ele?'
Marck: 'Esperar ele cansar seria uma boa, mas deve demorar...'
Shoran ficou olhando para os lados tentando ver se ele estava correndo aleatoriamente ou repetindo o mesmo circuito. Os vultos não pareciam seguir a mesma ordem então teria de pensar em outra coisa.
Fechou os olhos e se concentrou na presença do mestre. Primeiro ele parecia estar em todos os lugares, mas Shoran se concentrou e começou a focar mais a fonte de energia.
Marck optou por fazer algo mais pratico. Dividiu o dojo em dois com uma barreira, pelos vultos descobriu de que lado estava Thiago e dividiu o lado em dois novamente e fez isso até restar um pequeno quadrado com Thiago preso.
Shoran: 'Ei! Isso não vale!'
Marck: 'Alguém falou que não podia?'
Thiago: 'Bom... Você me prendeu... Mas você nunca brincou de pega-pega? Você tem que no mínimo me tocar pra me pegar, e estando aqui dentro você não pode fazer isso.'
Marck: 'Mas resolver isso é fácil.'
Marck se concentrou um pouco, enquanto Thiago abria um sorriso. No momento em que o inglês estava abrindo um buraco na barreira suficiente para passar apenas sua mão, Thiago golpeou a barreira mágica que se desfez na hora.
Thiago (se mostrando do outro lado do dojo): 'Sabia que ia tentar isso.'
Shoran: 'Como quebrou a barreira dele?'
Marck (entendendo): 'Para abrir um pequeno buraco na barreira precisei enfraquecer ela toda antes de focar um ponto só. Então ele se aproveitou desse instante e a quebrou, muito engenhoso.'
Thiago: 'Exatamente, e o desafio continua.'
Logo ele voltou a correr e a sumir da vista dos dois. Shoran voltou a se concentrar no que estava fazendo antes, sentindo a presença. Logo conseguiu acompanhar o poder que se movia por todos os lados e começou a tentar adivinhar o próximo lugar que estaria no instante seguinte.
Enquanto isso, Marck se posicionou no centro do dojo e disparou uma flecha. Não uma flecha comum, mas uma que perseguia o inimigo. A flecha de luz perseguiu Thiago por alguns segundos pelo dojo mas logo bateu na parede sem sucesso algum.
Shoran estava tendo algum sucesso. Mais ou menos a cada cinco tentativas de adivinhar para onde ele iria no próximo instante, ele acertou uma. Quando Thiago estava relativamente perto, Shoran se atirou em cima do lugar que ele achava que seria o próximo destino do mestre. Teve certeza que tocara nele de leve, mas não conseguira derrubá-lo nem segurá-lo.
Marck decidiu juntar uma grande quantidade de energia, e dispará-la em forma de flecha para cima. A flecha mal subiu e se dividiu em dezenas de flechas perseguidoras que voaram por todos os lados quase acertando Shoran.
Shoran: 'Ei, cuida com isso aí, Marck!'
Marck: 'Ganhei!'
Era verdade, Thiago estava pregado na parede como nos circos quando atiravam facas nas pessoas. Marck se aproximou do amigo preso e colocou a mão sobre seu ombro.
Marck: 'Peguei.'
Thiago (de nariz empinado): 'Só porque eu deixei.'
Em seguida Shoran pensou que talvez ele tivesse deixado mesmo pois ele se soltou das flechas com uma facilidade incrível.
Marck: 'É, Shoran, seu destino é perder pra mim.'
Thiago: 'Na verdade, o que Shoran estava fazendo era o mais certo, ele quase conseguiu me pegar, estou orgulhoso dele. Estou louco para tirar esses pesos das suas pernas e treinarmos de verdade.'
Shoran: 'Por que não tira logo então? Você disse que ia ver o que fazer com eles depois que o treino terminasse!'
Thiago: 'Não tiro por que não está na hora, mas acho que eles já podem parar de ficar mais pesados.'
Marck: 'Shoran está com pesos nas pernas?'
Thiago: 'Está sim, faz alguns dias já.'
Shoran: 'Eles não vão mais aumentar de peso então?'
Thiago: 'Não, mas você fica com eles mais duas semanas.'
Marck riu debochando do ex-pupilo mas logo recebeu um olhar feio que o fez parar.
Marck: 'Acho que vou indo... Meiling está me esperando.'
Thiago: 'Pode ir também, Shoran. Me cansei um pouco.'
Todos se retiraram do dojo e Shoran foi direto para dentro do banheiro tomar um banho.
Na semana seguinte Shoran chegou em casa e se atirou na cama com vontade de ficar ali até o dia seguinte. Mas havia algo estranho, algo incomodo. Colocou a mão em baixo das suas costas e havia um envelope de tamanho médio endereçado a ele com uma caligrafia que ele conhecia muito bem, a de Sakura. Se sentou no mesmo instante e abriu o envelope. Tinha uma carta de várias páginas e algumas fotos. Ele pegou as fotos e logo reconheceu as pessoas que não via fazia tanto tempo. Sakura, Tomoyo, Chiharu, Naoko, Rika e Eriol em uma cidade que imediatamente reconheceu como sendo na Europa e em seguida reconheceu que era Londres.
Pegou a carta e leu com bastante curiosidade, fazia tempo que Sakura não mandava cartas, sempre mandava e-mails ou mensagens no celular, as cartas tinham ficado raras.
A carta contava sobre o casamento de Tomoyo e Eriol e dizia que ele aconteceria três dias depois do dia que ela escrevera aquela carta. Ele olhou a data e concluiu que eles já estavam casados. Sentiu-se um pouco excluído por não ter sido convidado, mas se conformou. Até porque Thiago não iria gostar da idéia, e o trabalho estava exigindo dele cada vez mais.
Sakura também contava sobre as coisas que fizeram lá, como era tudo muito lindo, como era difícil falar inglês e várias outras coisas. Ao terminar de ler a carta, Shoran se sentiu renovado e feliz. O cansaço havia passado e ele estava pronto para treinar. Trocou-se e foi sorridente até o dojo.
Thiago (estranhando): 'Qual o motivo de tamanha felicidade?'
Shoran: 'Chegou uma carta da minha namorada.'
Thiago: 'Nossa! Muito útil. O que ela dizia?'
Shoran: 'E isso lá te interessa?'
Thiago (cheio de si): 'Verdade... Vamos ao que interessa! Treinar, treinar, treinar!'
Os dias seguintes foram bastante tumultuados pois além do trabalho e do treino Shoran tinha que estudar para provas que teria no curso que fazia aos finais de semana.
Thiago: 'Que cara é essa Shoran, parece que não está dormindo direito...'
Shoran: 'Aí que está... Eu não estou dormindo.'
Thiago: 'Ué, insônia?'
Shoran: 'Estudar... Tenho que estudar...'
Thiago: 'Ah é verdade... Vocês nerds fazem dessas coisas... Virar noites estudando pra ser os primeiro da turma.'
Shoran: 'Eu discutiria com você mas seria um gasto a toa de energia.'
Thiago: 'Bom, levante seu astral que hoje é um grande dia!'
Shoran: 'Vai tirar os pesos??'
Thiago: 'Agora não.'
Shoran: 'Então não é um grande dia.'
Thiago: 'Vamos pular corda. Tome uma. (entregando uma corda) Vou pular também pra você não dizer que eu não faço nada e fico só olhando.'
Shoran revirou os olhos e pegou a corda.
Thiago: 'Você deve me acompanhar, só isso, captou?'
Shoran: 'To com sono mas não fiquei burro.'
Assim ficaram os dois pulando corda, por algum tempo aumentando a velocidade gradativamente até Thiago parar dizendo que estava bom.
Thiago: 'Vamos tirar os pesos agora?'
Shoran: 'Mas você disse que...'
Thiago: 'Eu disse que naquele momento não ia tirar.'
Thiago se abaixou e tirou os pesos de Shoran e ele sentiu um alivio tremendo. Parecia que estava nas nuvens.
Thiago: 'Agora vamos pular corda de novo. Me acompanhe, hein?'
Thiago começou a pular numa velocidade bem acima do que estavam antes mas nada impossível, e Shoran conseguiu acompanhá-lo. E a velocidade foi aumentando, aumentando até chegar a um ponto que Shoran não conseguia mais.
Thiago: 'Tudo bem, vamos fazer outra coisa agora. Finalmente vou te ensinar alguma coisa. Vamos aprender a correr.'
Thiago explicou que ele deveria concentrar energia na ponta dos pés de maneira que ele a libere a cada passo o impulsionando para frente e para cima.
Thiago: 'Primeiro vamos aprender a parte mais fácil: Passos longos.'
Thiago demonstrou. Ele deu um passo normal e no segundo ele subiu e foi cair uns 3 metros a frente e assim também foram os seguintes.
Shoran: 'Você parece um canguru.'
Thiago: 'É bom que você pareça um também. Tente.'
Shoran se concentrou nos seus pés e deu o primeiro passo. Não aconteceu exatamente o que ambos esperavam. Ao invés de ser impulsionado para cima, ao pisar no chão Shoran quebrou o piso e acabou enterrado nele até o joelho. Depois de uma gargalhada estrondosa de Thiago, decidiram treinar fora do dojo, onde o chão fosse de terra e não haveria tal problema. Engano deles. Nos primeiros dez minutos de tentativas frustradas de Shoran, o pátio já estava cheio de pequenos buracos.
Thiago: 'Se você não conseguir fazer isso logo, a grama vai morrer de tantos buracos.'
Shoran: 'Se você me desse alguma dica, talvez eu conseguisse!'
Thiago: 'Ai Deus... Seguinte: concentre sua força na ponta dos pés, mas não muito por que se não vai ficar furando o chão eternamente. E também não é na sola pé, é digamos, um pouco afastado. Igualzinho todo mundo faz nas mãos para soltar aquelas bolinhas de energia que explodem.'
Ao dizer isso Thiago demonstrou criando uma pequena bola de energia que flutuava sobre sua mão.
Thiago: 'É a mesma coisa, só que nos pés. Agora tente de novo.'
Shoran tornou a se concentrar e dessa vez foi um pouco melhor. Seu primeiro passo o impulsionou para uma altura superior ao teto do dojo, e quando caiu fez um buraco no chão.
Thiago: 'É... Talvez estejamos progredindo. Tente agora com menos força, e não esqueça que terá que por energia no outro pé também para dar o segundo passo.'
Shoran fez que sim com a cabeça e continuou a tentar.
Sakura chorava muito deitada em sua cama. As vozes das outras professoras ecoavam na sua cabeça sem parar. "Homem nenhum fica tanto tempo longe da namorada e continua fiel...", "Você está desperdiçando sua vida toda!", "Pare de se iludir, é um conselho de amiga." Nenhuma delas conhecia Shoran para falar aquelas coisas, com certeza estavam erradas.
Mas talvez ela fosse uma boba mesmo... Estavam 'namorando' daquele jeito fazia tanto tempo que ela nem sabia mais como seria um namoro de verdade. Passava na rua e via os casais felizes tomando sorvete enquanto ela pensava no que escreveria na próxima carta ou e-mail que mandaria pra ele.
Em nenhum momento eles haviam perdido contato, mesmo que distantes, estavam sempre juntos. Ele respondia naturalmente todas as cartas e e-mails sem atrasos, telefonava e mandava presentes em datas comemorativas. Então por que ela se preocupava tanto? Por que talvez ele fosse esperto o suficiente para fazer todas essas coisas e ainda ter uma namorada por lá. Claro que também treinaria todas as noites, trabalharia nas manhãs e tardes e estudaria aos finais de semana. Sakura era mesmo boba por desconfiar dele àquela altura do campeonato. Era humanamente impossível fazer todas as coisas que Shoran fazia e ainda ter duas namoradas, ela tinha que deixar de ser boba e confiar nele. Não podia dar ouvidos para o que aquelas mulheres diziam, elas não sabiam de nada do que eles haviam passado.
Kero: 'Você está me deixando angustiado...'
Sakura: 'Desculpa, Kero, eu só estou desabafando um pouco no travesseiro...'
Kero: 'Se quiser conversar comigo...'
Sakura: 'Ah Kero, olha só pra mim... Daqui a pouco vou ter trinta anos, e olha onde estou?!'
Kero (não entendendo): 'No seu quarto?'
Sakura: 'Não, Kero! Na casa do meu pai! Tomoyo se casou já faz um ano e está na Inglaterra com Eriol! As outras garotas também estão seguindo o mesmo caminho, e o que eu estou fazendo com a minha vida, me diga?'
Kero (entendendo): 'Está esperando Li realizar suas ambições para finalmente poder te dar atenção como se você fosse apenas um segundo plano.'
Naquele mesmo instante Sakura desabou sobre a cama novamente chorando compulsivamente.
Kero (arrependido): 'Não, Sakura! Não foi isso que eu quis dizer!! Com certeza ele pensa em você todos os dias e sofre por você da mesma maneira que você sofre por ele... Pare de chorar...!'
Sakura (soluçando): 'Se lembra que varias vezes eu tinha algumas visões de coisas que aconteciam com ele?'
Kero: 'Lembro sim... As primeiras foram há muito tempo quando aquela garota agarrou ele... E depois você me contou de várias outras que mostravam alguns treinamentos, ou outras coisas meio sem sentido... Mas o que isso tem haver?'
Sakura: 'Faz anos que não tenho mais dessas visões, Kero! É como se o laço que nós tínhamos tivesse sido quebrado! Eu... Eu não sei o que eu faço, Kero...'
"Agora que chegou até aqui, vá até o fim."
Ao ouvir aquela voz os dois se viraram para porta.
Sakura (incrédula): 'Touya...? '
Touya (suspirando): 'Você deixou a porta aberta, antes que pergunte como entrei.'
Sakura: 'Mas o que está fazendo aqui?'
Touya (se sentando ao lado dela): 'Vim passar um tempo com minha família, posso?'
Sakura: 'Pode mas... O que você quis dizer com aquilo?'
Touya (entregando um lenço de papel): 'Você passou por tanta coisa, maninha, agüentou toda essa saudade e sustentou todo esse amor interminável de vocês por tanto tempo. Não acha que foi esforço de mais pra jogar tudo pro alto assim de repente?'
Sakura não entendia... Touya estava a apoiando a ficar com Shoran?
Touya: 'Olha, eu não vou deixar você desistir daquele moleque agora! É melhor que você fique com ele se não vai ter desperdiçado todo esse tempo.'
Sakura: 'Então você acha que eu devo continuar esperando por ele?'
Touya: 'Eu vou lhe dizer o que eu acho: eu acho que você deve descer lá em baixo agora por que tem alguém lhe esperando.'
Sakura entrou em choque. Era ele? Não poderia ser! Ele teria avisado! Mas talvez quisesse fazer surpresa... Talvez fosse por isso que Touya estivesse voltado de Tokyo. Seria ele mesmo? Ele a veria com aquela cara toda inchada de tanto choro? Não importava pois fosse mesmo ela choraria mais e mais... Não esperou mais nenhum segundo e correu pela porta do quarto e escadaria a baixo e escutou seu irmão dizendo que ela ainda parecia um monstro descendo as escadas mas ela não deu bola por que... sim ele estava lá! Com aquela cara de nervoso ao vê-la que ela conhecia das vezes que ela o fora visitar.
Como ela podia ter pensado que ele não a amasse de verdade? Correu chorando até ele e pulou nos seus braços sem nem dar bola para seu pai que fazia sala para o chinês. Fujitaka anunciou que os deixariam a vontade e se retirou. Ela chorou e chorou por algum tempo, até que finalmente ele falou.
Shoran: 'Acabou, Sakura... Não precisamos mais ficar separados. Vamos ficar juntos o resto de nossas vidas agora.'
Sakura: 'Verdade? Sem e-mails e telefonemas??'
Shoran: 'Verdade! Quero pedir desculpas por ter feito você esperar tanto por causa dos meus caprichos... Prometo que a partir de agora não vamos mais sentir saudades um do outro, não vamos mesmo!'
Sakura voltou a chorar e ele a pediu que parasse.
Sakura (rindo): 'Eu estou chorando de felicidade...'
Shoran (mexendo nos bolsos): 'Ah, mais uma coisa importantíssima... Aceita ser minha noiva, Sakura Kinomoto?'
Shoran tirou do bolso uma caixinha preta com um lindo e delicado anel prateado com alguns pequenos brilhantes. Os olhos de Sakura teriam se enchido de lagrimas se eles já não estivessem transbordando havia algum tempo. Ela o beijou e os dois se abraçaram muito forte por vários instantes.
Sakura (sem soltá-lo): 'É claro que eu aceito!'
Shoran: 'Prometo fazer uma festa linda e depois uma lua de mel perfeita.'
Sakura: 'Ah, Shoran... O que importa pra mim é ficar com você.'
Shoran: 'Mas isso já é garantido, não há o que discutir. Agora pare de chorar, quero ver seu rostinho lindo sorrindo...'
Sakura: 'Estou chorando de felicidade...'
Shoran: 'Pois então sorria! Além do mais, ainda é bastante cedo... não quer dar uma volta, comer alguma coisa?'
Sakura (concordando com a cabeça): 'Quero sim... Vou me arrumar bem rápido, tá? Eu prometo que não vou demorar.'
Touya: 'Eu faço sala pra ele.'
Os dois se voltaram para a escada e lá estava Touya sentado nos degraus.
Sakura: 'Touya!! Isso é coisa que se faça? Ainda parece criança, ficar nos espiando desse jeito!'
Touya: 'Olha quem falando... Criança. Criança é você, seu quarto continua o mesmo desde que tinha dez anos, não tem vergonha daqueles bichos de pelúcia??'
Sakura (subindo as escadas): 'Ah me de um tempo, Touya! Vá oferecer alguma coisa pra Shoran tomar.'
Touya suspirou mas acabou se levantando e indo até a cozinha e pegando um copo.
Shoran: 'Não precisa, Kinomoto, estou bem.'
Touya (servindo um copo de refrigerante): 'E alguém lhe perguntou? Toma isso logo.'
Shoran (receoso): 'Está bem... Obrigado.'
Depois disso, Touya pegou uma faca e começou a descascar uma maçã de costas para Shoran enquanto falava.
Touya: 'Escuta só Li... Eu sei que vocês já não são mais crianças então não vou mais tratá-los como se fossem. Quero que saiba que Sakura é pra mim tanto quanto eu acho que é pra você, ou até mais. Eu sei o que você pretende fazer agora que esse seu treinamento maluco terminou então eu tenho uma coisa pra dizer...'
Shoran: 'Então diga...'
Touya (se virando e apontando a faca para ele): 'Se você morrer nessa luta, eu juro pra você que vou até onde você estiver e te mato de novo.'
Ao dizer isso Touya guardou a faca e mordeu a maça com vontade deixando Shoran levemente paralisado. Não que o irmão de Sakura representasse alguma ameaça para ele, mas Touya nunca esteve de brincadeira quando se tratava do relacionamento dos dois.
Sakura (descendo as escadas): 'Vamos?'
Shoran despertou do transe e admirou como ela estava bonita. Sakura de despediu de Kero, do pai e do irmão e os dois saíram da casa. Do lado de fora da casa havia um carro, nada muito luxuoso, um carro comum.
Sakura: 'É seu?'
Shoran (abrindo a porta pra ela): 'Não... Aluguei quando cheguei no aeroporto...'
Sakura: 'E onde está hospedado?'
Shoran (tirando um papel do bolso): '"Hotel Tomoeda, onde você curte a vida.", parece bom, não?'
Sakura: 'Você não foi lá ainda? Veio direto do aeroporto?'
Shoran: 'Mas é claro, ou achou que eu ia agüentar ficar aqui em Tomoeda e não vir lhe ver?'
Sakura sorriu e eles continuaram conversando até chegar a uma pizzaria. Se sentaram em uma mesa e escolheram os sabores.
Sakura: 'Quer dizer então que Thiago lhe liberou, Marck também concordou, e semana que vem será o grande dia?'
Shoran: 'Isso!'
Sakura (descontente): 'E você vai ter que ir pra Hong Kong de volta?'
Shoran: 'Sim, mas você vai comigo. A menos que não queira...'
Sakura: 'Deixe de ser bobo, é claro que quero ir... Mas e meus alunos?'
Shoran (lembrando): 'Puxa, verdade... Podemos tentar pedir alguns dias de licença.'
Sakura: 'Vou tentar...Ah!! Tenho uma surpresa pra você que eu prometi a mim mesma que só ia lhe contar quando o dia de hoje chegasse.'
Shoran: 'Nossa! Deve ser algo muito importante então, pois conte!'
Sakura (em chinês): 'Olá, me chamo Kinomoto Sakura. Vim do Japão e sou formada em educação física.'
Shoran (surpreso): 'Sakura! Você aprendeu a falar chinês?!'
Sakura: 'É, digamos que estou pegando o jeito já...'
Shoran: 'Faz quanto tempo?'
Sakura: 'Já faz três anos! Me complico ainda pra escrever, mas acho que já consigo me comunicar...'
Shoran: 'Mas isso é fantástico! Se você quiser eu posso te ajudar depois.'
Sakura (sorrindo): 'Claro que eu quero!'
Os dois continuaram conversando sobre os últimos acontecimentos até o final do jantar.
Sakura (saindo do restaurante): 'Estava ótima a pizza, não achou?'
Shoran: 'Achei sim!'
Sakura: 'Não me sentia feliz assim fazia algum tempo... O que acha de passearmos um pouco a pé?'
Shoran: 'Ótima idéia!'
Os dois caminharam pela rua cheia de lojas fechadas e vitrines escuras conversando e se implicando.
Shoran: 'Óbvio que você não está mais gorda, pare com isso.'
Sakura: 'Não sou eu que estou dizendo, é a balança!!'
Shoran: 'Vem cá que o que eu digo é o que conta.'
Shoran a pegou no colo como um bebê facilmente.
Shoran: 'Eu acho que está pesando o mesmo de sempre, até menos, viu como foi fácil te levantar?'
Sakura: 'Primeiro, faziam séculos que você não me pegava assim, segundo, você treinou a vida inteira se não me pegasse no colo com facilidade teria algo de estranho, terceiro, me põe no chão!!'
Sakura sacudiu as pernas e logo seu ultimo desejo foi atendido e ela foi colocada no chão bem a frente de Shoran. Com seu nariz na altura do peito dele ela pode sentir aquele cheiro gostoso e confortante que só ele tinha. Sentiu a mão dele mão erguer seu rosto e logo sentiu seus lábios tocarem os dela delicadamente para depois se envolverem em um beijo apaixonado.
Shoran (se afastando um pouco): 'Sabe que... Não sei se vou saber chegar naquele Hotel... Tomoeda mudou muito.'
Ela sorriu e logo concordou e mostrar o caminho, e abraçados eles voltaram para o carro. Com as indicações de Sakura os dois chegaram em poucos minutos no hotel. Não era um hotel cinco estrelas, era apenas um prédio onde Shoran pegou as chaves na recepção e os dois subiram de elevador cada um levando uma pequena mala pois Sakura insistiu que queria ajudar a carregar.
Seguiram pelo corredor, abriram a porta e logo entraram. Um quarto simples com televisão, frigobar, uma cama de solteiro e um armário. O banheiro era pequeno mas tinha tudo que um banheiro deveria ter.
Shoran fechou a porta e logo pegou a mala que estava com Sakura e colocou as duas de lado perto do armário. Voltou para perto dela e nada disseram, apenas deixaram seus desejos fluírem em um beijo caloroso.
Sakura acordou tão feliz que a sensação estranha que sentia nem afetou seu humor. Ela simplesmente ignorou aquele sentimento e abraçou Shaoran fortemente.
Sakura (sorridente): 'Já amanheceu...?'
Shoran (com uma bandeja de café da manhã): 'Já são dez da manhã, boba! Fui lá em baixo no café e eles me deixaram trazer aqui pra cima.'
Os dois comeram juntos e conversaram bastante. Como era sábado, combinaram o que iriam fazer e até quando iriam para Hong Kong. Concordaram em ir na quinta, e a luta seria no sábado.
Sakura: 'E eu vou poder assistir a luta?'
Shoran: 'Creio que não, Sakura... E mesmo se puder, eu preferia que você não fosse...'
Sakura: 'Mas por quê?'
Shoran: 'Não vai ser uma luta fácil Sakura, com certeza vou me machucar e não quero que você fique preocupada. Quando tudo acabar eu juro que volto em um piscar de olhos pra casa, são e salvo.'
Sakura: 'Está bem...'
Os dois se abraçaram de novo e depois de um beijo, Sakura se levantou para trocar de roupa e os dois saírem para passear.
O final de semana foi tranqüilo, jantaram fora, comeram sorvete, foram nos parques, brigaram com Kero e finalmente chegou a segunda-feira, e Sakura foi trabalhar e pedir sua licença a partir da semana seguinte que lhe foi concedida de bom grado.
Logo em seguida a notícia de que o amor misterioso de Sakura aparecera e ia buscá-la no fim do expediente tinha se espalhado por todas as professoras, e todas queriam ver quem era o tal. Quase obrigaram Sakura a fazer ele descer do carro e buscá-la dentro da sala dos professores.
Rindo muito Sakura ligou para Shoran no hotel, e avisou que ele teria que entrar na escola para pegá-la por que suas colegas queriam vê-lo. Pediu também para ele ir vestindo algo que impressionasse. E não aconteceu diferente.
Shoran chegou lá com cara de "executivo rico dando um passeio". Estava de óculos escuros e, quando entrou na sala, tirou-os com grande estilo. Sakura apresentou ele para suas colegas que ficaram atordoadas quando ele as cumprimentava. Em menos de cinco minutos os dois já tinham saído e estavam indo pro carro.
Sakura: 'Você viu a cara delas? Pareciam que estavam vendo artista de cinema.'
Shoran: 'Não sei por que também...'
Sakura: 'Pare de bancar o humilde, Shoran, você é lindo e sabe muito bem disso!'
Shoran (rindo): 'Vocês que se impressionam fácil!'
O lugar estava deserto, a mulher ergueu a cabeça da toca em que se escondia para confirmar. Foi se arrastando pela neve com cautela, e pode ver ao longe no céu branco um demônio se afastando. Ela se virou e com um gesto disse para o filho que agora podia sair em segurança.
Filho: 'Para onde vamos agora?'
Mãe (sentando no chão): 'Já não sei mais, Hian... Talvez devêssemos voltar para o Japão, e tentar pesquisar um meio de salvar o que resta do mundo.'
Hian: 'Mas não há mais nada lá, nós vimos quando Tokyo foi destruída, e os que sobreviveram vieram para cá conosco.'
Mãe: 'Mas já faz tanto tempo, talvez as pessoas tenham voltado para lá ou... já não sei mais...'
Hian: 'Vamos lutar mãe, lutar contra esses monstros! São muitos, mas se nós nos esforçarmos vamos conseguir! Sei que vamos!'
Mãe: 'Há dez anos atrás eu lutei, Hian, você era apenas um bebê. Finalmente tinha achado uma cidade que ainda estava a salvo e aqueles demônios apareceram. Eu lutei muito Hian, mas não consegui e tudo foi destruído assim como as outras cidades.'
Hian: 'Mas agora pode ser diferente! Eu vou lhe ajudar também! E podemos achar outras pessoas dispostas a lutar! Eu queria ter uma vida normal como você falou que era antigamente, queria muito! Sei que, se não fizermos nada, a Terra nunca vai deixar de ser esse caos!'
A mãe olhou para o filho que estava cheio de esperanças para salvar aquele mundo e não agüentou. O abraçou forte e chorou muito.
Mãe (limpando as lágrimas): 'Está bem... Vamos lutar, Hian! Mas primeiro vamos procurar comida antes que comece a nevar.'
Os dois começaram a andar no deserto gelado por vários minutos sem encontrar nada que tivesse vida. Quando Hian tropeçou de cansaço que a mãe teve que carregá-lo nas costas até algum lugar que os dois pudessem acampar. Ela caminhou por muito tempo até que nem mesmo ela agüentava mais e caiu no chão.
Hian: 'Mãe! Mãe! Não durma!'
Mãe (se levantando): 'Não vou dormir...'
Hian a ajudou a se levantar e os dois continuaram mais um pouco até um lugar mais alto, de onde puderam ver um pequeno grupo de pessoas acampado em duas barracas feitas de lona branca, bem camuflada na neve. Eles tinham fogo e eram a única chance dos dois pois logo o tempo ficaria feio.
Foram cambaleando até as barracas e assim que estavam próximos foram ajudados. Eram cinco homens orientais assim como eles, deixando quase óbvio que tinham fugido do Japão junto com eles.
Homem: 'Como uma mulher e uma criança ficam andando sozinhos pelo gelo com demônios por aí?'
Mãe: 'Estávamos na cidade de Inupiaq, e conseguimos fugir.'
Homem: 'Me chamo Hideki, e pelo visto tiveram muita sorte. Estes são Taka, Katou, Souji e Yagami. Venham para perto do fogo.'
Mãe (grata): 'Muita gentileza de vocês... Este é meio filho Yugo e eu me chamo Emiko.'
Hian logo lembrou das instruções que sua mãe repetia milhares de vezes quando se alojavam em alguma cidade. Nunca dizer os nomes verdadeiros pois por algum motivo poderiam estar procurando por eles.
Os homens partilharam um chá quente que faziam com água da neve e algumas folhas. Tinham também um saco cheio de uma coisa que parecia uma farofa que eles garantiam ser muito nutritivo. Alimentados e aquecidos chegou a hora de dormir e foram oferecidas as barracas para que eles passassem a noite.
Hian: 'Mas vamos caber todos?'
Souji: 'Aqui é que nem coração de mãe, jovem. Sempre tem lugar pra mais um.'
Yagami (rindo): 'Ou pra mais dois.'
Katou: 'Quanto mais gente, mais calor fica dentro da barraca apesar de ficar mais desconfortável.'
Hideki: 'Entrem e se acomodem que tenho que apagar o fogo.'
Ela dormiu com Hian quase por cima de si, e Souji e Hideki mais ao lado. Em menos de uma hora começou uma nevasca forte, e eles agradeceram por ainda existir pessoas caridosas. Depois de muito tempo a nevasca passou e o sol do dia que durava seis meses voltou a brilhar.
Todos começaram a levantar acampamento, e mãe e filho viram algo que não tinham visto quando chegaram. Atrás das barracas haviam grandes mochilas com tanto peso que era impossível viajar daquela maneira.
Hian: 'Por que carregam tanta coisa?'
Taka: 'Somos caçadores, pequeno.'
Mãe: 'Caçadores? O que vocês caçam?'
Souji: 'Caçamos demônios.'
Ela viu os olhos do filho brilharem. Era um grupo assim de pessoas dispostas a lutar contra aqueles demônios que ele queria reunir.
Hian: 'E vocês já mataram muitos demônios?!'
Katou: 'Éramos quase cinqüenta caçadores quando nos reunimos.'
Yagami: 'Lutamos contra um faz algum tempo, e apenas nós sobrevivemos.'
Hideki: 'Estamos tentando chegar até algum vilarejo e achar mais pessoas dispostas a tentar vencer.'
Hian: 'Pois eu estou disposto a ajudar vocês!!'
Os homens riram com gosto.
Mãe: 'Não seja bobo Yugo, você ainda é uma criança.'
Hian: 'Mas mãe! Você disse que íamos lutar!!'
Mãe: 'Eu disse que lutaríamos contra a fome! Venha aqui um instante meu filho.'
Ela deu um sorriso amarelo para os cinco e se afastou o suficiente pra falar com Hian sem ser escutada.
Mãe: 'Hian, quando eu falei que íamos lutar, eu disse que realmente íamos lutar. Mas estes homens são quase suicidas. Eles não tem poderes filhos, só armas.'
Hian: 'Mas então como vamos reunir em um grupo se todos que usam magia ocultam isso?'
Mãe: 'Eu sinto quando alguém é mais forte, Hian... Me escute... Estes homens são muito corajosos, mas nos unir a eles pra enfrentar os demônios é pedir pra morrer.'
Hian: 'Então vamos avisar eles!'
Ela concordou e os dois tentaram convencer o grupo de que os demônios eram muito fortes mas não conseguiram. Entretanto eles lhe deram um pouco daquela farofa e os dois seguiram caminho na frente, pois os cinco viajavam bem devagar por causa da bagagem.
Eles agradeceram diversas vezes e desejaram sorte, e continuaram a seguir sempre em frente. Caminharam por muito tempo, descansaram as vezes, continuaram caminhando, e assim se passaram quatro dias que nunca viraram noite. Morrendo de fome os dois chegaram a um acampamento maior e já parecia fixo. Haviam iglus, cabanas, japoneses e nativos da Rússia. Podiam ver alces, e até mesmo cães.
Contentes os dois se aproximaram logo e falaram com as pessoas que poderiam trabalhar em troca de comida. Na terceira tentativa um homens que arrumava seu trenó puxado por quatro cães adoráveis os aceitou para trabalhar. Seu nome era Wakito e parecia ser uma boa pessoa.
Wakito: 'Tudo bem, estava mesmo pensando em contratar alguém. Meu negócio é capturar alces e trocá-los por outras mercadorias, mas enquanto os capturo não posso trocá-los, então vocês ficam por aqui com meus alces os trocando.'
Mãe: 'Muito obrigada senhor, estamos eternamente gratos!'
Wakito: 'Usem essa tigela para tirar leite dos alces dessa maneira. Podem pegar quanto quiserem.'
O homem mostrou como deveria se fazer e ela entendeu rapidamente.
Wakito: 'Eles não são bravos mas podem se irritar eventualmente. Se ela sacudir a cabeça pra cima e pra baixo, se afaste e a deixe como está.'
Hian: 'Entendemos.'
Mãe: 'Por quanto que devemos trocar os alces?'
Wakito: 'Vou fazer uma lista pra vocês não se atrapalharem. Machos e fêmeas tem valores diferentes, e o leite também pode ser trocado.'
Depois de inúmeras recomendações, Wakito os deixou com meia dúzia de alces amarrados a vários tocos presos no chão e ali ficaram os dois cuidando deles e bebendo leite por horas.
Quando estavam trocando um alce fêmea por dois couros de foca que o pior aconteceu.
Hian: 'Mãe, olha lá!'
Era Wakito correndo a toda velocidade no seu trenó.
Wakito: 'Fujam todos!! Um demônio vindo de trás da montanha!!'
O pânico foi generalizado. Todos correram para todos os lados e Hian sentiu sua mãe o pegar no colo e sair correndo. Os alces foram roubados em instantes, por pessoas que tentavam os montar para fugir mais rápido. Ela correu com o filho no colo o mais rápido que podia, mas assim como dezenas de outras pessoas, não conseguiu abrigo até avistar aqueles monstros voando no céu. Eram dois, um parecia um lagarto gordo e o outro um tigre com cabeça de touro.
Hian: 'Vamos lutar, mãe!'
Mãe: 'Deixe de besteiras, continua correndo!'
Todos continuavam correndo, mas muitos se foram quando mais um apareceu, mas não pelo céu, veio por terra. Uma serpente cumprida surgiu saltando do meio neve e levando consigo várias vidas. Ela se arrastava pela neve com grande velocidade e levando quem estivesse no caminho enquanto bolas de fogo caiam do céu.
Eles correram até não conseguirem mais, mas foi em vão pois logo em seguida um dos demônios pousou na frente deles com sua boca babada de sangue e cheia de dentes.
Mãe: 'Se afaste ou vai ser destruído, demônio!'
Lagarto: 'Ei galera, essa cocota aqui diz que vai me destruir!'
Logo o outro demônio que parecia um tigre veio para junto deles.
Tigre: 'Há, que bravura! É por que ela tem um filhote e quer salvar ele.'
Lagarto (lambendo os dentes): 'Adoro filhotes!'
Com o rabo comprido o lagarto pegou Hian e começou a apertá-lo. De dentro de um dos bolsos a mãe tirou uma chave mágica e a transformou em báculo. Pegou quatro cartas e as atirou para cima.
Mãe: 'Ó elementos que regem o universo, unam-se para enfrentar estas criaturas! Água! Fogo! Terra! Vento!'
Quatro belas criaturas apareceram no céu e uniram suas forçar em um só raio branco contra os demônios. O raio acertou o lagarto que teve seu rabo dilacerado fazendo Hian ser arremessado no chão com força.
Tigre (levantando vôo): 'Por mil demônios!! Vamos dar o fora daqui, o chefe precisa saber disso!'
A serpente gigante também entrou pra baixo da terra sem dar sinais de que voltaria.
Lagarto (abrindo as asas): 'Sua bruxa! Vai pagar caro pelo que fez com meu rabo!'
Assim todos os três foram embora e logo ela caiu no chão quase desacordada por tamanha energia utilizada. Ela se arrastou pouco a pouco até onde estava o corpo estendido do filho. Hian estava caído, escorrendo sangue pela boca e por um corte na cabeça. Seus olhos abertos, vidrados e sem vida. Ela o abraçou forte chorando até que sentiu seu abraço ser correspondido.
Hian: 'Estou bem, mãe...'
Instantes depois os sobreviventes se aproximaram do local.
Homem: 'Quem é você e como fez isso tudo?'
Mãe: 'Meu nome é Sakura e farei o possível para ajudar.'
Demorou eu sei xx Mas o próximo capítulo já tah pronto soh preciso de revisão... Alias preciso de uma revisra nova, alguém se canditada?? Minha kerida Miaka amada vai estar muito ocupada esse semestre u.u Mas tudo bem... Eu entendo pq eu tbm to bem ocupada XD
Mas voltando a fic... O q q acharam???? Eu gostei desse cap - E o próximo eh melhor ainda XDDDDD
Não se eskeçam de comentar e entrar no site da fic
www(ponto)13guerreiro(ponto)klaryan(ponto)com(ponto)br
Beijos!!
