Quando os sonhos se tornam realidade

2. Uma carta inesperada

Só gostava que Hogwarts existisse realmente… Era esta a frase que Elysa repetia para si constantemente. A rapariga tinha agora 14, mas continuava a mesma rapariga de há 3 anos. Gostava das mesmas coisas, pensava nas mesmas coisa, a sua personalidade não se alterara. A única mudança que ocorrera dera-se exteriormente. Se já com 11 anos era alta, agora com 14 anos era mais alta do que todos os rapazes do seu ano, e o seu corpo adquirira formas bem esculpidas. Era muito bonita, mas nenhum rapaz se aproximava dela devido à sua "obsessão" pela feitiçaria. Chamavam-lhe "esquisitóide" e "anormal", mas ela não ligava. Ela sabia que, lá no fundo, nunca estaria sozinha.

- Anda cá, Shadow – chamou, e um gato negro saltou-se para as pernas. Era o seu único amigo, aquele gato. Fazia-lhe companhia enquanto lia, enquanto dormia, até quando ela estava na escola ele seguia-a. O gato ronronou quando a rapariga lhe passou as mãos pelo dorso. – Oh, meu querido gatinho. Hoje faço 15 anos e ninguém me vai desejar "Feliz Aniversário"…

- Miau.

- Isso é um "Parabéns"? Muito obrigado, Shadow.

Elysa encontrara o gato preto abandonado num caixote do lixo com uma pata partida há 2 anos. Cuidara dele e pedira à mãe para ficar com ele. A princípio, a mãe não concordara com a ideia, mas depois aceitara a vinda do gato, até porque a sua filha ficava menos absorta nos livros. Com a companhia do gato, Elysa passara até a ir ler para o topo árvore do seu quintal, coisa que nunca fizera antes e que a mãe gostara muito, pois sempre apanharia mais ar.

Nisto, Elysa ouviu um piar. Ficou admirada, mas logo tentou descobrir de onde vinha o ruído. Constatou que estava algum pássaro na árvore que estava em frente da sua janela. Elysa abriu a janela e uma coruja entrou-lhe pelo quarto adentro. Era uma coruja bela e grande, de uma tonalidade bege. Elysa assustou-se a princípio, mas depois afagou a coruja, que entretanto se havia empoleirado na cadeira da secretária da rapariga. A coruja emitiu outro pio e mostrou a pata direita. Elysa beliscou-se, para perceber se estaria a sonhar. Mas não estava a sonhar. Ali, à sua frente, a coruja estendia-lhe uma carta, como nos contos de feiticeiros. A rapariga sentiu-se tonta de tanto espanto, mas arranjou forças para desatar a carta da pata da coruja. Mas quando viu um selo de lacre cor de púrpura com o brasão de Hogwarts, um brasão onde podia distinguir-se um leão, uma águia, um texugo e uma serpente envolvendo a letra H, na carta, desmaiou.

Sentia algo molhado e áspero a roçar-lhe a cara. Abriu os olhos lentamente e apercebeu-se que era a língua de Shadow que lhe estava a fazer cócegas no rosto. Elysa ainda estava atordoada, mas começava, aos poucos, a lembrar-se do que acontecera. A última coisa que se lembrava era de ter visto o símbolo de Hogwarts numa carta. Depois lembrou-se da coruja. Procurou-a pelo quarto, mas sem resultado. Se a coruja lá estivera realmente, já tinha ido embora. Se calhar foi só um sonho, pensou Elysa, Mas um sonho muito real.

Passadas umas horas, Elysa decidiu ir para a árvore do quintal, aquela em que supostamente tinha poisado a ave noctívaga. Chamou Shadow e começou a trepar. Mas, quando já ia a meio da subida, o seu pé escorregou e Elysa caiu. Por azar, caiu mesmo em cima de uma poça de lama.

- Raios – praguejou.

Estava toda suja. Dos pés à cabeça. Mas que raio de ideia que tive. Claro que a coruja não ia estar lá! Sou mesmo parva, pensou a rapariga, enquanto se dirigia para o quarto de banho. Despiu-se e deixou a água correr para cima dela. Adorava aquela sensação. Adorava sentir a água quente do chuveiro a ensopar os cabelos encaracolados, a escorrer pelo corpo … Mal acabou o banho, foi pôr a roupa na máquina de lavar. Atirou tudo lá para dentro, excepto as calças. Gostava sempre de remexer nos bolsos antes de pôr as calças a lavar, não fosse encontrar alguma coisa que se estragasse caso fosse molhada. Quando apalpou um pedaço de papel, estranhou. Puxou o papel para fora e quase ficou sem ar quando descobriu o brasão de Hogwarts no selo de lacre nela. Afinal não fora tudo um sonho. Com as mãos a tremer, rasgou o envelope e começou a ler a carta que lá vinha dentro.

ESCOLA DE MAGIA E FEITIÇARIA DE HOGWARTS

Director: Albus Dumbledore

(Ordem de Merlin, Primeira classe, Grande Feit., Prof. Warlock, Mandatário Supremo, Confeder. Internacional de Feiticeiros)

Cara Sra. Robins,

É nosso prazer informá-la de que abrimos uma excepção e que poderá frequentar a Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts. Pedimos apenas que compareça no gabinete do director mal chegue ao castelo. Junto, enviaremos uma lista do equipamento necessário.

O ano lectivo começa a 1 de Setembro. Queira enviar-nos a sua coruja até 31 de Julho, sem falta.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall

Subdirectora

Elysa sentia as mãos tremerem á medida que lia a carta. Sentia as pernas bambas, como se fossem ceder a qualquer momento. Aquilo só podia ser uma brincadeira. Uma brincadeira de mau gosto. De muito mau gosto. Mas, mesmo assim, continuou a ler:

ESCOLA DE MAGIA E FEITIÇARIA DE HOGWARTS

Uniforme:

Os alunos do primeiro ano vão precisar de:

1. Três mantos de trabalho (pretos)

2. Um chapéus alto, pontiagudo (preto) para usar durante o dia

3. Um par de luvas de protecção (de pele de dragão ou semelhante)

4. Um sobretudo de Inverno (preto com fechos prateados)

Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes dos alunos.

Outro equipamento:

Uma varinha

Um caldeirão (chumbo, tamanho 2)

Um conjunto de frascos de vidro ou cristal

Um telescópio

Um conjunto de balanças de bronze

Um caduceu

Os alunos podem também trazer uma coruja, um gato ou um sapo.

Mas para que é que alguém se daria ao trabalho de escrever isto tudo só para me gozar, perguntava-se Elysa, não encontrando resposta plausível. Ao apalpar o sobrescrito, espantou-se ao encontrar mais outro pedaço de papel. Apressou-se a desdobrá-lo e, com os olhos a brilharem de curiosidade, leu:

ESCOLA DE MAGIA E FEITIÇARIA DE HOGWARTS

Sra. Robins,

Veio por este meio comunicar-lhe que o seu caso foi muito debatido, tendo o seu lado ganho. Deve estar um pouco à toa com o sucedido, mas, quando cá chegar, tudo lhe será explicado devidamente.

A lista de requerimentos é do primeiro ano, mas a menina (ou deverei dizer senhora?) irá frequentar o 5º ano. Precisará de aulas extra para recuperar a matéria dos 4 anos que perdeu, mas estou certo que será bem sucedida, pois tenho um pressentimento que sai à sua mãe na inteligência (e talvez até na beleza).

Deve ter notado que os livros estão em falta na lista, mas não se preocupe, está tudo tratado. Não precisará de comprar os livros, eu próprio lhe emprestarei os exemplares da minha pessoa. Quanto ao resto do equipamento necessário, enviar-lhe-ei um conhecido meu para a acompanhar nas compras, que deverá comparecer em sua casa no dia 30 de Julho.

Para apanhar o comboio, deverá acompanhar Francesca Tenebrae, que habita na mesma rua que a menina. Ela saberá o que fazer.

Sem nada mais a dizer, até 1 de Setembro.

Os meus cumprimentos,

Albus Dumbledore

Director

Elysa continuava sem acreditar. Só podem estar a gozar. Para ver a figura que faço…, pensou a rapariga Mas não lhes vou dar essa satisfação. E decidiu ignorar a carta. Se bem que, lá no fundo, no mais profundo do seu ser, desejava ardentemente que tudo aquilo fosse realidade. Era tudo o que sempre desejara.

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N.A.:

Como prometi, este capítulo foi maiorzinho…

Onde acham que errei? Onde acham que acertei? O que acham que ficava melhor? O que não gostaram? O que gostaram? Digam-me o que acham, por favor. MANDEM REVIEWS!!! PLEASE!!!

Postarei o próximo capítulo na 5ª feira.

bjO, LyRa