Quando os sonhos se tornam realidade

3. A chegada tão ansiada

Passaram-se segundos, depois minutos, depois horas, depois dias, depois uma semana, depois duas semanas. Elysa já havia esquecido o episódio da carta. Ou, pelo menos, era nisso que queria acreditar. Às vezes, olhava distraidamente o calendário de parede que tinha por cima da cama, contando os dias que faltavam para o dia 30 de Julho. Era esse o dia em que saberia se tudo era verdade. E 30 de Julho era precisamente aquele dia. Passados 15 dias desde que recebera a carta (e desde que completara 15 anos), o dia pelo qual Elysa tanto esperara (apesar de se recusar a aceitar isso) chegara.

A rapariga passou o dia todo tentando detectar algo fora do comum. Mas nada. Já era noite e Elysa estava desmoralizada. Afinal sempre era tudo uma grande peta, pensava a rapariga.

- Que tens, Elysa? – perguntou a sua mãe, usando o nome completo da rapariga, pois estava preocupada por ver a filha tão melancólica.

- Nada, mãe.

- Tens a certeza? Estás tão tristonha…

- Não te preocupes, não é nada importante. Isto passa.

- Ainda bem. Não gosto nada de te ver triste.

- Nem eu gosto de estar triste, acredita.

A mãe de Elysa, cujo nome era Chantal, afagou os cabelos encaracolados da rapariga. Sorriu ternamente.

- Sabes que podes contar comigo, não sabes?

- Claro, mãe. – disse Elysa – Vou dormir. Até amanhã – despediu-se, depositando um beijo da bochecha da bela mulher morena. – Diz "boa noite" ao pai por mim, está bem?

- OK. – declarou Chantal, piscando o olho à filha. – Não leias até muito tarde.

Elysa nem respondeu à última frase. A mãe já melhorara muito quanto a esse aspecto. Desde que Elysa fizera 12 anos, a mãe deixou de se preocupar com a quantidade industrial de livros que a filha lia. A rapariga desconhecia o motivo da mudança, mas estava muito feliz. Desde então que o seu relacionamento com a mãe melhorara.

Elysa despiu-se, enfiou o pijama e, devido a estar muito desanimada, deitou-se na cama, por cima dos lençóis, pois estava um calor infernal. Mesmo sem estar coberta, sentia-se muito abafada. Levantou-se para abrir a janela e deixar entrar um pouco do ar fresco das noites de Verão. Ouviu um ruído, mas não ligou. Sentiu a brisa fresca a despentear-lhe os cabelos. Depois, deitou-se novamente e, pouco tempo depois, adormeceu.

Elysa acordou sobressaltada e só não gritou porque tinha uma mão a tapar-lhe a boca. À frente de seus olhos encontrava-se um homem. Um homem enormemente corpulento. A sua barba era espessa e fazia-lhe cócegas na ponta do nariz. Elysa tentou não espirrar. O homem continuava a não a deixar falar.

- Chiu! Não faças barulho – pediu o homem da barba desgrenhada. – Eu sou o Hagrid – apresentou-se, destapando a boca da rapariga.

- Tu és o Hagrid?! – exclamou a rapariga, num murmúrio.

- Sim. Dumbledore mandou-me buscar-te para te levar à Diagon-Al. – informou o meio-gigante – Porque olhas assim para mim?! Tenho algum pedaço de ovo na barba? – perguntou, inspeccionando a barba à procura de algo que não devesse lá estar.

Elysa riu-se. Estava feliz. Afinal não era tudo uma mentira.

- Não, não tens nada na barba. Fiquei só um pouco espantada. Pensava que tudo isto era uma brincadeira.

- Tudo isto? Tudo isto o quê?

- A carta de Hogwarts. Nunca imaginaria que existisse realmente. – Nisto, a rapariga beliscou-se com força. Reprimiu um grito. Não estava a sonhar.

- 'Tou a ver que nã' sabes nada sobre o teu mundo.

- O "meu" mundo? Como assim?

- 'Tás completamente à toa, nã' 'tás, miúda? Mas eu nã' te posso contar nada de nada. Dumbledore depois fala contigo – informou o homem gigante. - Já agora, como te chamas, pequena?

- Elysa, mas trata-me por Lys, por favor.

- Lys… Diminutivo bonito. Tal como tu.

Elysa corou. Nunca ninguém a elogiara a sério. O maior elogio que alguma vez recebera foi ser chamada de "querida" por uma professora da escola.

- Mas vamos. Despacha-te. Temos muitas coisas p'a fazer – declarou Hagrid.

- O que queres que faça?

- Escreve um bilhete p'rá tua mãe. A dizer que vais fazer compras comigo e essas coisas, e diz que voltas depois d'amanhã. E faz a tua mala.

- Que mala? – inquiriu a rapariga.

- Não tens nenhuma mala ou um saco p'ra pores algumas roupas ou coisas que precises?

- Ah, esse tipo de mala. OK. – disse Elysa, tirando um saco de couro de debaixo da cama. Começou a enfiar no saco as roupas que mais gostava. – É preciso levar muita coisa?

- Ná. Leva duas roupitas.

A rapariga enfiou dois pares de calças de ganga no saco.

- E lá é quente ou frio?

- 'Tá-se no Verão, miúda. É quente.

A rapariga pegou num top verde-claro e numa T'shirt azul-escura com uma praia estampada nas costas. Apanhou um par de sapatilhas pretas e enfiou-as também no saco. A seguir, o seu rosto adquiriu de novo um tom rosado. Hagrid reparou e entendeu a vergonha da rapariga.

- Eu vou lá fora apanhar ar. – e, dito isto, saltou pela janela.

Elysa respirou fundo. Não lhe apetecia escolher a roupa interior em frente de Hagrid. Arranjou a roupa íntima e colocou-a na mala. Guardou também uma lanterna, algum dinheiro, as chaves de casa, alguns livros sobre o "mundo de Harry Potter", uns binóculos, um saco plástico, um bloco e duas canetas. Estava pronta. Escreveu um bilhete rápido à mãe e foi colocá-lo na mesa da cozinha, onde tinha a certeza de que a mãe o leria. Subiu novamente para o quarto e dirigiu-se à janela. Chamou, em voz baixa, o meio-gigante.

- Salta. Tenh'aqui uma mota p'ra nos levar à Diagon-Al – informou Hagrid – Nã' vais partir nada se saltares da janela – acrescentou, quando observou a expressão de medo que estava estampada no rosto de Lys.

A rapariga encheu-se de coragem e, quando se preparava para saltar, ouviu um barulho familiar.

- Shadow! – sussurrou, ao ouvir o miar do gato negro.

Elysa pegou no gato ao colo e aproximou-se da janela.

- O Shadow também pode ir?

- Claro, mas se calhar é melhor ficar em casa. São só dois dias. Depois quand' fores p'a Hogwarts leva-lo contigo – respondeu o meio-gigante.

- OK. – e, olhando o gato, continuou – Vais ter que ficar aqui. Depois de amanhã eu volto. 'Tá bem? Adeus, Shadow.

Lys afagou o felino e deixou-o em cima da cama. Enchendo-se novamente de coragem, saltou pela janela. Hagrid apanhou-a e colocou-a entre si e o guiador da mota, que, por acaso, era voadora.

- Assim não cais e podes dormir – explicou Hagrid.

- Obrigado – agradeceu Elysa. E caiu num sono profundo.

Mais tarde, Elysa acordou ao ser abanada pelas enormes mão de Hagrid.

- Chegámos. Anda – disse Hagrid. Conduziu a rapariga para dentro de um bar. Levou-a até uma sala sem móveis e, com a ponta do seu guarda-chuva, o meio-gigante bateu nos tijolos da parede e uma passagem abriu-se.

- Mas isto é… - começou a rapariga, boquiaberta.

- Bem-vinda à Diagon-Al.

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N.A.:

Desculpem, desculpem, desculpem, desculpem pelo atraso. DESCULPEM-ME, POR FAVOR… ( Eu sei que prometi actualizar o capítulo há muito tempo, mas não consegui acabar a tempo.

O que acharam deste capítulo? Mandem reviews, OK?

Não prometo quando actualizarei o próximo capítulo, porque já sei que isso dá mau resultado. Mas prometo que não demorará mais que duas semanas.

bjO, LyRa

Nota: Tudo o que se parecer com algum livro de Harry Potter pertence a J. K. Rowling. Por agora, apenas a minha querida personagem Lys me pertence, OK?