Quando os sonhos se tornam realidade
5. A caminho do sonho
O tempo estava a custar a passar. Desde que viera da Diagon-Al, que Lys mal podia esperar que chegasse o dia de ir para Hogwarts. E o tempo estava a passar muito lentamente, como se cada dia durasse uma semana. Mas o tempo de espera estava quase a acabar. Lys estava deitada na sua cama, mas não dormia, apesar de já ser noite cerrada. O dia seguinte seria um dos mais excitantes da sua vida, e ela estava muito ansiosa, tanto que não conseguia dormir. Pensava na conversa que tivera com a mãe há algumas semanas…
------Flashback------
- Mãe, leste o meu bilhete?
- Sim.
- Bem, não sei por onde começar…
- Não precisas de me contar. Eu sei de tudo. Eu é que preciso de te dar algumas explicações.
- Desculpa?
- Eu devo-te um pedido de desculpas. Por nunca te ter contado nada. E agora chegou a altura.
- Podes começar.
- Tu não és minha filha. Não minha filha de sangue. Mas eu amo-te como a uma filha. Há alguns anos, mais precisamente, há 14 anos, a tua mãe chegou a esta casa contigo nos braços, embrulhada num trapo. Nunca vi maior expressão de terror na minha vida do que aquela que estava estampada na cara da tua mãe, nessa noite. Ela explicou-me que estava a ser perseguida por alguém terrível, um feiticeiro muito poderoso.
Voldemort, pensou Lys.
- Eu não a conhecia, nem ela me conhecia a mim. Mas, mesmo assim, ela confiou-me a tua vida. Pediu-me que te protegesse e tratasse como se fosses minha própria filha. E, depois, desapareceu na noite. Nos minutos seguintes, um silêncio tomou conta de tudo. Mas logo a seguir um raio verde cortou o céu e ouviu-se um grito lancinante. Era a tua mãe. Não sei se morreu ali, ou se ainda continua viva, mas eu nunca mais a vi.
- A minha mãe… pode estar morta.
- Eu sei, mas não desesperes. Ela não ia querer isso.
Silêncio.
- E foi para te proteger que impliquei tanto com a tua mania de leres livros sobre magia e feitiçaria. Tinha medo que te acontecesse algo. Mas depois de completares os teus 12 anos soube que já não poderias ser aceite em Hogwarts. Eu sabia que só miúdos com 11 anos eram aceites. E, a partir dai, deixei de te chatear com os livros.
- Ah, então era por isso. E vais deixar-me ir para Hogwarts?
- Se for essa a tua vontade.
- Eu quero ir. Quero mesmo muito ir.
- Então não te vou contrariar. Está-te no sangue seres feiticeira.
- E o meu pai? Sabes alguma coisa dele?
- Não. Eu só "conheci" a tua mãe.
- Ah, OK. Porque é que nunca ninguém fala dele?
- Gosto muito de ti, Lys.
- Eu também gosto de ti.
------Fim do Flashback------
Lys chamou o gato, Shadow. O felino negro subiu para a cama e lambeu a cara de Lys com a sua língua áspera.
- Miau.
- Vens comigo para Hogwarts, não vens, meu lindo?
- Miau.
- Eu sabia que tu querias vir! Mas tens é que te dar bem com o Kuro, está bem?
- Miau?
- És mesmo tolo.
A coruja tinha estado presa na sua gaiola no telhado, e Lys às vezes ia soltá-la.
O gato ronronou e enrolou-se nos pés de Elysa. Passado pouco tempo, Lys e o gato tinham ambos adormecido.
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!
Lys acordou subitamente, com o ruído estridente do despertador. Tomou um duche de água fria demorado, pois estava um calor de morrer, vestiu as suas calças de ganga preferidas e uma T'shirt preta que comprara, calçou as suas sapatilhas preferidas e arranjou o cabelo. Depois, foi buscar a mala grande que a mãe tinha guardado no sótão, e começou a guardar as coisas que precisava. No fim, a mala estava a abarrotar. Lys teve que se sentar em cima dela para que fechasse. Quando terminou a tarefa, foi acordar os "pais". Tomaram o pequeno-almoço juntos. Era um pequeno-almoço especial, iria ser o último pequeno-almoço que tomariam juntos até ao próximo Verão.
- Vou sentir a tua falta – disse o "pai" de Lys.
- E eu também – disse a "mãe" de Elysa.
- Eu também vou ter muitas saudades! – exclamou a rapariga, abraçando os "pais".
Após terem acabado de tomar o pequeno-almoço, a campainha tocou. Uma rapariga loira com uns olhos muito azuis esperava à porta.
- Bom-dia – saudou Elysa.
- Olá. És a Elysa Robins? – a sua voz era arrogante.
- Sim, sou.
- Dumbledore mandou-me acompanhar-te à plataforma 9 e 3/4.
- Está bem, vou só buscar as minhas coisas.
- Não me faças esperar – aconselhou, numa voz autoritária e fria.
Não gosto dela, decidiu Lys. E era muito raro ela não gostar de alguém. Até a Malfoy decidira dar uma segunda oportunidade.
Elysa arrastou a sua mala, a gaiola de Kuro e a cesta de Shaodow até à entrada.
- Mas isto é algum jardim zoológico, ou quê? – ironizou Francesca.
Lys decidiu não responder à provocação. Cada vez gostava menos daquela rapariga.
- Vamos? – perguntou Elysa.
- Estou à espera.
Lys despediu-se dos "pais" e seguiu Francesca. Foram até à estação de autocarros e apanharam o que ia para a estação de King's Cross. Elysa reparou com admiração que todos os rapazes que passavam por ela e Francesca ficavam babados a olhar para a loira de olhos azuis. Ela era muito bonita. Mas não era simpática. Não falou muito com Lys durante o caminho, e o pouco que disse foram críticas. Quando, finalmente para Elysa, chegaram à estação de comboios, Francesca disse:
- Agora despacha-te. Segue-me.
Elysa não tinha escolha. Seguiu os passos de Francesca e ficou aterrorizada quando esta desapareceu dentro da barreira entre a plataforma 9 e a 10. Mas, confiando na rapariga, correu para a barreira e atravessou-a. Do outro lado, a plataforma estava a abarrotar de gente e as carruagens de um grande comboio escarlate estavam já a ser preenchidas de feiticeiros que se despediam das famílias.
- Agora estás por tua conta – declarou Francesca, abandonando Lys no meio da plataforma e juntando-se a um grupo de raparigas que começaram aos risinhos e a apontar para Elysa.
Lys, ignorando as raparigas dos risinhos, dirigiu-se para uma das últimas carruagens e começou a colocar a bagagem dentro de um dos compartimentos dessa carruagem. Findada a complicada tarefa, dado que a mala era muito pesada, colocou a cesta de Shadow e a gaiola de Kuro num banco e sentou-se noutro. Ainda faltavam uns minutos para o comboio partir, e a rapariga mal podia esperar por chegar à escola de magia. Elysa olhou pela janela e viu os últimos feiticeiros a despedirem-se das mães e pais. O comboio estava quase cheio e pronto a partir.
Bem, parece que vou passar a viagem sozinha.
Mas estava enganada. Logo a seguir, uma rapariga com uma grande cabeleira loira e olhos protuberantes abriu a porta do compartimento.
- Desculpa, mas posso sentar-me aqui?
- Sim, claro – afirmou Lys, enquanto punha a cesta e a gaiola dos animais debaixo do banco. – Como te chamas?
- Luna Lovegood.
- Gosto do teu nome. Olá. Eu sou a Elysa Robins
- Prazer em conhecer-te. Agora, se não te importas, vou ler a minha revista. – E a sua cabeça loira desapareceu por detrás de um exemplar de "A Voz Delirante" que, só por acaso, estava de pernas para o ar.
Ouviu-se um riso no corredor e, no momento seguinte, a porta do compartimento abriu-se de supetão, e Ginny, Neville e Harry entraram no compartimento.
- Hum… Olá… Pensava que só cá estava a Lovegood… - disse Ginny, atrapalhada.
- Não há problema! Sentem-se – convidou Lys.
- Obrigado – agradeceu a rapariga ruiva.
O trio arrumou a bagagem e acomodou-se. Harry e Neville sentaram-se ao pé de Elysa, enquanto que Ginny se sentou no banco de Luna.
- És nova por estas bandas, não és? – perguntou Ginny, olhando para Lys.
- Sim.
- E como é que te chamas? – quis saber Harry, que estava um pouco triste.
- Elysa, mas tratem-me por Lys, OK?
- Por mim tudo bem. Eu sou o Harry Potter – apresentou-se o rapaz da cicatriz, soando melancólico.
- Harry Potter? – os olhos de Elysa arregalaram-se. Não pensava cruzar-se com aquele rapaz tão cedo.
- Sim, e não faças essa cara.
- Ah, desculpa. É que eu li todos os livros sobre ti.
- Hum, não sabia. Depois quero que me contes o que sabes sobre mim, está bem? – pediu Harry, piscando o olho à rapariga, que corou.
- Er… OK.
- Lys, eu sou a Ginny. Ginny Weasley.
- Também já li algumas coisas sobre ti – disse Lys, sorrindo.
Neville estava muito calado.
- E tu, quem és? – inquiriu Elysa.
- Eu?! – exclamou Neville, muito vermelho. – Não sou ninguém.
- Isso não é verdade – contrapôs Ginny – Ele chama-se Neville Longbottom.
- Ah, pronto. Não te desvalorizes, OK? – pediu Lys, olhando para Neville e brindando-o com um dos seus mais belos sorrisos. O rapaz ficou ainda mais vermelho e baixou os olhos.
- Ele é sempre assim? – perguntou Elysa a Harry, em voz baixa.
- Sim – riu-se Harry, mas não estava a gozar com o rapaz.
- O Verão foi bom, Luna? – perguntou Ginny.
- Foi. Passou-se bem – respondeu, dando sinal de si pela primeira vez desde que o trio havia chegado, sem desviar o olhar do rapaz-que-sobreviveu. – Tu és o Harry Potter.
- Eu sei que sou – respondeu Harry, num tom amargurado.
- E este aqui é o Neville – disse Ginny, apontando para o rapaz. – Neville, esta é a Luna Lovegood. Ela está no mesmo ano que eu, mas nos Ravenclaw.
- A inteligência desmesurada é o maior tesouro da humanidade – proferiu Luna, antes de se voltar a esconder atrás d' "A Voz Delirante".
Passada cerca de uma hora, Ron e Hermione apareceram. Hermione olhou surpresa para Lys, quando a viu no compartimento.
- Olá, Elysa. Não esperava encontrar-te aqui.
- Olá, Hermione. Também não estava à espera de te ver – disse Lys. – E chama-me Lys.
- Tudo bem – respondeu Hermione, tentando arranjar espaço para se instalar. O cubículo era grande, mas estava muita gente lá. Quando ela e Ron finalmente conseguiram arranjar espaço para as malas e para se sentarem, Crookshanks saltou da sua cesta e foi cheirar a cesta de Shadow. - Estou a ver que também tens um gato – comentou Hermione.
- Sim, mas também tenho uma coruja.
- É aquela negra ali? – perguntou Harry.
Lys respondeu que sim. E, pela primeira vez, olhou o rapaz ruivo que entrara com Hermione.
- És irmão da Ginny, não és? – inquiriu a rapariga, olhando às parecenças entre os dois, que estavam sentados lado a lado.
- Er… sim.
- Então suponho que te chames Ronald Weasley, certo?
O ruivo assentiu com a cabeça.
- Chama-me só Ron, 'tá bem?
- Na boa. Eu chamo-me Elysa Robins, ou melhor, Lys. – declarou Elysa, e depois apertou a mão de Ron.
Estiveram um bocado de tempo a falar sobre Lys e sobre como a escola funcionava. Harry simpatizou com Elysa, porque, a princípio, ele também não percebia nada de magia e do mundo dos feiticeiros. Algum tempo depois, a porta do compartimento abriu-se novamente, mostrando Malfoy e os seus dois capangas, Crabbe e Goyle.
- Que foi? – perguntou Harry, agressivamente, antes de qualquer um deles abrir a boca.
- Tem cuidadinho, Potter, ou vou ter que te dar um castigo – ameaçou o loiro, com um sorriso afectado. Depois, o seu olhar desviou-se em direcção a Lys. – Tu aqui?
- Olá, Malfoy. Tudo bem? – saudou Elysa.
- Sim, tudo óptimo. Fui nomeado Prefeito – e acrescentou, maldosamente e olhando para Harry - ao contrário de algumas pessoas. Que fazes ao pé destes?
- Eu estava a conversar com eles…
- Ela é nossa amiga – interrompeu Harry, friamente.
- Hum… Não sabia que te davas com gente desta… Mas adiante, eu vim falar com o Potter – olhou para o rapaz da cicatriz. – Como é que te sentes, tendo ficado em segundo lugar, depois do Weasley? Como é não ser Prefeito?
- Cala-te, Malfoy – interveio Hermione.
- Ui, parece que toquei num ponto sensível. Bem, tem cuidadinho, Potter, porque vou andar atrás de ti como um cão, não vá apetecer-te pisar o risco.
- Sai daqui – ordenou Hermione, pondo-se de pé.
Malfoy reprimiu o riso e lançou um último olhar de ódio a Harry.
- Adeus, Elysa. Espero voltar a ver-te.
E o loiro desapareceu, acompanhado pelos dois corpulentos amigos.
Harry e Hermione trocaram olhares nervosos, mas Elysa não percebeu a razão. Perguntaria a Hermione mais tarde.
- Não sabia que tu conhecias o Malfoy… - disse Ron.
- Conheci-o na Diagon-Al. Porquê?
- Ele não é boa pessoa – declarou Harry, friamente.
- Eu não quero julgar ninguém antes de o conhecer – respondeu Lys.
- OK.
Fez-se silêncio no compartimento. Luna lia a sua revista, Neville examinava a sua Mimbulus mimbletonia (uma planta parecida a um cacto com bolhas) e Ginny lia um livro. Harry, Ron e Hermione começaram a falar dos Prefeitos que tinham sido escolhidos e Elysa sentiu-se um pouco deslocada. Eu não pertenço aqui, pensou, triste. Pegou no seu livro "Tudo o que há para saber sobre o mundo de Harry Potter", um volume muito grosso que resolvera trazer para o caso de necessitar, e procurou "Prefeitos" no índice. Achou a página e começou a ler. Descobriu que haviam dois Prefeitos em cada casa, um rapaz e uma rapariga. Eram ambos do 5º ano. Leu mais um pouco, mas depois Hermione disse que estava na hora de se vestirem e começou a confusão dentro do cubículo. As malas tiveram que ser abertas alternadamente, para haver espaço. Mas, por fim, lá conseguiram vestir os mantos da escola. Lys reparou que Ron e Hermione colocavam um distintivo com um P no seu manto, e que todos excepto ela tinham o emblema da sua casa (Gryffindor e Ravenclaw para Luna) bordado no manto.
- Não te preocupes, quando souberes a tua casa, terás o brasão no manto – confortou-a Hermione, que reparara no olhar desconsolado que Lys deitara aos emblemas.
Elysa sorriu. Só naquele dia tinha feito mais amigos que na sua vida inteira. Ela estava feliz por o destino lhe ter dado esta oportunidade.
Quando o comboio parou, saíram lentamente do compartimento, transportando as suas coisas e ainda os pertences de Ron e Hermione, dado que estes tinham que supervisionar. Elysa olhava maravilhada para tudo. O céu, o lago, os pinheiros da Floresta Negra, … Era tudo tão diferente. Mas o ar frio da noite trouxe-a de volta à realidade. Começaram a avançar devagar. A voz enérgica de uma mulher elevou-se acima das conversas entre alunos: - Primeiros anos em fila, por este lado, se fazem o favor! Todos os primeiros anos aqui comigo!
- É melhor ires também, Lys – aconselhou Ginny.
Elysa afastou-se em direcção à mulher de queixo proeminente que chamava os alunos do 1º ano. Quando a mulher a viu, dirigiu-se a ela:
- Oh, querida. Chamas-te Elysa Robins? – o corte de cabelo da senhora era rígido.
- Sim. – respondeu Lys, a medo.
- Óptimo. Eu sou a professora Grubbly-Plank. Dumbledore disse-me para ires ter com ele ao seu gabinete.
- Mas eu… não sei o caminho.
- Ah, não há problema – meteu dois dedos à boca e deu um longo e estridente assobio. Uma criatura pequena de grandes orelhas e olhos azuis protuberantes apareceu segundos depois. – Elysa, este é o elfo doméstico Tommy. Ele acompanhar-te-á ao gabinete do director. – dito isto, a professora desapareceu no meio dos alunos.
Elysa seguiu o elfo doméstico por corredores, tentando decorar o caminho. Mas era inútil. Ela nunca tinha estado num lugar tão grande. Por fim, deixou de prestar atenção ao caminho e concentrou-se no que iria dizer ao director da escola. O elfo doméstico não falou durante o percurso. Quando finalmente pararam, em frente a uma gárgula de pedra, Tommy murmurou algo e a gárgula moveu-se, mostrando uma passagem.
- Vai – disse o elfo.
E a rapariga entrou na abertura.
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N.A.:
Olá!
Estou a ficar completamente vazia no que toca a ideias para estes pedidos de reviews. Portanto vou ao que interessa: MANDEM REVIEWS, please.
Esta fic está a dar-me um gozo enorme de a escrever, mas se ninguém mandar reviews paro de a publicar. Portanto mandem, ok?
bjO, LyRa
Nota: Tudo o que se parecer com algum livro de Harry Potter pertence a J. K. Rowling, OK?
