Quando os sonhos se tornam realidade
7. Azura e Richard Robins
- Lys… - chamou a voz de Hermione, num sussurro. – Está na hora de acordares.
Elysa abriu os olhos cor de avelã e fitou o rosto da rapariga.
- Olá, Hermione – murmurou, cheia de sono. – Já são horas de levantar?
- Olá, Lys. Sim, temos que ir tomar o pequeno-almoço. Já toda a gente se levantou.
A rapariga levantou-se e constatou que, afinal, não fora a única que se deixara dormir. Sayoko ainda ressonava na cama ao lado da sua. Hermione, ao ver que Lys já despertara completamente, dirigiu-se à cama de Sayoko. Abanou levemente a rapariga, que reagiu pior que Elysa. Sayoko deu um berro e virou-se para o outro lado. Hermione mostrou-se amedrontada, mas não desistiu. Voltou a abanar a morena que, desta vez, abriu os olhos e bocejou.
- É pá, deixem-me dormir!!!
- Mas, Sayoko, tens aulas daqui a bocado – informou Hermione, numa voz suave.
- Oh, pois é. Já me esquecia. 'Bigada por me acordares – agradeceu Sayoko, saltando energicamente da cama. Ela e Lys vestiram-se à pressa, sem terem muito tempo. Sayoko apanhou o cabelo num longo rabo-de-cavalo e Lys tentou pôr alguma ordem na sua "juba".
- Despachem-se! – ordenou Hermione, enquanto polia o seu distintivo de Prefeito.
As duas raparigas acabaram de se arranjar e seguiram Hermione até ao salão. As mesas estavam já cheias de alunos ensonados que comiam o pequeno-almoço sem sequer mastigarem. Sayoko dirigiu-se para ao pé do primo e dos gémeos, enquanto que Lys e Hermione se sentaram junto de Harry e Ron. Lys reparou em algo que na noite anterior não notara, talvez por causa de toda a excitação. Se Hagrid era realmente professor, porque não estava ele sentado na mesa dos professores? Lys suspirou e olhou o tecto, que se apresentava de um cinzento carregado. Começou a comer os seus ovos mexidos.
- O Dumbledore nem sequer referiu quanto tempo aquela Grubbly-Plank vai cá ficar – comentou Harry, que, obviamente, pensava também na ausência do meio-gigante.
- Talvez…
- Talvez o quê? – perguntaram o moreno e o ruivo ao mesmo tempo. Elysa seguia atentamente a conversa, embora não se pronunciasse.
- Bem… talvez ele não tenha querido chamar a atenção para a ausência de Hagrid.
- É aquela professora que está a substituir o Hagrid? – inquiriu Lys.
- Tu conheces o Hagrid?! – espantaram-se os três amigos.
- Bem… er… Ele foi comigo à Diagon-Al, fazer as compras…
- Ah… – proferiu Hermione.
Nisto, uma rapariga alta, de cabelo entrançado e pele negra dirigiu-se a Harry.
- Olá, Angelina! – saudou Harry.
- Olá! Olha, nomearam-me capitã da equipa de Quidditch dos Gryffindor…
- Boa! – Harry felicitou-a.
- Agora que o Oliver se foi embora, acho que precisamos de um novo keeper… Esta quinta, às cinco da tarde, quero a equipa toda no estádio para verem as provas, OK?
- Está certo – assentiu Harry.
A rapariga foi-se embora. De repente, centenas de corujas entraram a voar pelas janelas do topo do salão. A coruja de Lys destacava-se de todas as outras, pela cor invulgar das suas penas. Elysa sentiu que todos os olhares se pregavam em Kuro, e sentiu-se embaraçada quando a bela coruja poisou mesmo à sua frente.
- Bela coruja, Elysa – gritou alguém, cuja voz Lys não reconheceu.
A rapariga não estava à espera de nenhuma carta, mas espantou-se ao ver que a coruja trazia um exemplar d'O Profeta Diário no bico, tal como a coruja que aterrara em frente a Hermione.
- Para que é que ainda recebes isso? – resmungou Harry, a olhar para Hermione. – Não passa de um monte de lixo. – olhou para Elysa – Tu também recebes isso?!
- Não sei como veio isto aqui parar… - informou, falando a verdade. – Mas porquê?
- Estes tipos só sabem falar mal do Harry e do Dumbledore – disse Ron, num murmúrio depreciativo.
Lys abriu o seu jornal e, de lá de dentro, caiu uma carta. Abriu-a.
Querida Sra. Robins,
Venho por este meio comunicar-lhe que passará a receber este jornal, pois penso que deve saber o que se passa no mundo mágico. Mas aviso-a já que não deve acreditar em tudo o que esse jornal diz.
Aproveito para a convidar a vir, esta noite, às 21.00 horas, ao meu gabinete, a fim de conversarmos sobre seus pais e mais algumas coisas que eu penso que deve saber.
Os meus cumprimentos,
Albus Dumbledore
Quando levantou os olhos da carta, Hermione já tinha acabado de ler o jornal.
- Nada! – afirmou Hermione simplesmente, enrolando o jornal e pousando-o ao lado do prato. – Nada sobre ti, nem sobre o Dumbledore, nem coisa alguma.
- Foi ele que me enviou o jornal. E uma carta. – informou Lys.
- Ele quem? – quis saber Harry.
- O Dumbledore. Quer que eu vá ao gabinete dele hoje às 9 horas da noite.
- Hum… E disse sobre o que é que quer falar contigo? – perguntou Hermione.
- Ele quer falar sobre os meus pais… - o olhar da rapariga tornou-se insondável, ela tanto podia estar alegre como triste.
- Depois queremos saber de tudo – declarou Harry, esboçando um sorriso. – Afinal, agora somos amigos.
A Professora McGonagall entregava os horários aos alunos de Gryffindor.
- Oh, não… - suspirou Harry, arregalando os olhos.
- Olha para hoje! – gemeu Ron. – Que aulinhas!
- Podes crer – comentou Harry.
- O que tem isso de tão mau? – Elysa não via que aquela manhã era horrível.
- História da Magia, duas horas de Poções, Artes Divinatórias e duas de Defesa Contra a Magia Negra… - Harry não estava contente. – Estas disciplinas são dadas pelos professores mais… er… simpáticos que vais conhecer.
- Eu não tenho Adivinhação. Escolhi Aritmância.
- Boa, vais ter aulas comigo! – exclamou Hermione.
- Mas os professores são horríveis à mesma – atirou Harry.
- O Binns, o Snape, a Trelawney para nós, o Vector para vocês e a tal Umbridge, todos no mesmo dia! – Ron revirou os olhos. – Oxalá o Fred e o George de despachem a arranjar as tais Pastilhas Isybalda…
- Pastilhas Isybalda? – inquiriu Elysa.
- Sim, Pastilhas Isybalda – afirmou um dos gémeos, que tinham surgido do nada. – Umas pastilhas que nos fazem vomitar, ficar com febre, … - e, virando-se para Ron, repreendeu – Mas Prefeitos de Hogwarts decerto não pretendem baldar-se às aulas?
- Olha só para o que temos hoje – resmungou Ron, mal-humorado.
Ron, os gémeos e Hermione embrenharam-se numa conversa, mas Lys não lhes prestava atenção. Os seus olhos tinham-se pregado na nuca de um rapaz loiro que trajava de negro e verde. Malfoy.
- Lys? – Harry passou uma mão à frente dos olhos da rapariga. – Para onde estavas a olhar?
Elysa adquiriu um tom vermelho quando se apercebeu que observava o rapaz loiro. O que lhe tinha passado pela cabeça? Eu não estou bem, pensou.
- Hum… estava a olhar para o vazio… - mentiu.
- O Malfoy não é boa peça. Depois não digas que não te avisei – Harry falava pausadamente, mas Elysa sentia algo mais na sua voz. Talvez preocupação?
Como podia ele saber para onde eu estava a olhar? Será que dei assim tanto nas vistas? Lys não compreendia o fascínio que começara a sentir por aquele rapaz. Era algo irracional.
- Vamos? – questionou Hermione, que não deixava os amigos chegarem tarde às aulas, nem mesmo a História da Magia, a disciplina mais enfadonha alguma vez inventada.
Quando saíram da aula do professor Binns, Elysa desejou realmente poder ter uma das tais Pastilhas Isybalda. Aquilo era pior que enfadonho. Ela apenas conseguiu prestar atenção a 5 minutos da aula e depois começou a desenhar no pergaminho.
- O que aconteceria se eu me recusasse a emprestar-vos os meus apontamentos este ano? – perguntou Hermione, friamente, após terem saído da aula.
- Nós chumbávamos no N.P.F. Se queres ficar com esse peso na consciência, Hermione… - Ron tentou chantageá-la.
- Olha, vocês mereciam. Nem sequer se esforçam por ouvir! E tu também, Elysa!
- Nós tentamos. Só que não temos nem os teus miolos, nem a tua memória, nem a tua concentração… És mais inteligente que nós, pá! – elogiou Ron.
- E eu sou nova por aqui, Hermione. Eu prometo que me vou esforçar! – disse Elysa.
- Desenhas bem – aquilo vinha totalmente fora do contexto.
- Oh, obrigada Harry… Se quiseres, posso dar-te o desenho. – Elysa tirou o pergaminho onde desenhara um unicórnio da saca e estendeu-o a Harry.
- Obrigado eu!
- Realmente, desenhas muito bem – comentou Hermione, com um pequeno toque de inveja na voz. – Mas não me parece que isso te vá ajudar nos estudos…
- Deixa lá a rapariga, Hermione! – resmungou Ron.
O grupo tinha acabado de se sentar num banco abrigado, quando uma rapariga muito bonita se chegou a Harry.
- Hum… Olá, Cho – Harry corara.
- Olá – as faces de Cho também estavam levemente avermelhadas.
- Então, tiveste… ãa… um bom Verão?
Lys, perspicaz, reparou que o rapaz se tinha arrependido daquilo que dissera.
- Oh, passou-se, sabes como é… - a sua expressão tornara-se um pouco dura.
- Isso é um emblema dos Tornados? – inquiriu Ron, apontando para um emblema azul-céu com um T duplo. – Não és fã deles, pois não?
- Sou, sim – afirmou Cho.
- E sempre foste, ou só desde que eles começaram a ganhar a Liga? – perguntou Ron, num tom acusador.
- Sou fã deles desde os seis anos – esclareceu Cho, numa voz fria. – Bom… até à vista, Harry. – afastou-se.
- Ela queria falar com o Harry – murmurou Elysa, para ninguém em especial.
- Era precisamente isso que eu ia dizer! – exclamou Hermione. – Ó Ron, tens cá uma falta de tacto!
- Que é que foi? Só lhe perguntei se era fã dos Tornados!
O ruivo e a sabe-tudo envolveram-se numa discussão sobre a importância do Quidditch. Como este era um assunto sobre o qual Elysa sabia apenas aquilo que lera nos livros (o que era muito pouco), a rapariga aproveitou para descontrair um bocadinho. Tirou um pergaminho e procurou inspiração para desenhar. Olhou o rapaz-que-sobreviveu. Ele estava pensativo a olhar para o vazio. Elysa aproveitou e começou a desenhá-lo. Do que pareciam uns traços malfeitos, à primeira vista, surgiu um retrato francamente bom de Harry Potter. Quando Lys terminou e arrumou o pergaminho, com muito cuidado, Hermione e Ron haviam acabado de discutir e Harry, embora ainda se apresentasse pensativo, acabara de anunciar que a campainha tinha tocado. Os quatro dirigiram-se para as masmorras, a fim de terem Poções. Durante o percurso, Ron e Hermione voltaram, mais uma vez, a discutir, e Harry ia absorto nos seus pensamentos. Quando entraram na masmorra de Snape, o grupo dirigiu-se para o fundo da sala. Elysa observou o professor e estremeceu. Aqueles olhos negros e aquele cabelo oleoso deixavam-na inquieta. Percebeu por que razão o Trio não gostava dele.
- Bem, parece que temos uma aluna nova. Espero que a menina se esforce, ainda mais do que o normal, porque tem muito caminho a percorrer. Eu só admito os melhores nas minhas aulas de Poções para o E.F.B.E. (exame do 7º ano) – o professor olhou para os rostos presentes na sala e desatou a discursar sobre os N.P.F.s.
Alguns alunos mostravam-se ansiosos e/ou nervosos perante o discurso de Snape.
- Hoje vamos misturar uma poção que surge frequentemente nos Níveis Puxados da Feitiçaria: a Corrente da Paz, uma poção para acalmar a ansiedade e serenar a agitação. Devem dar a maior atenção ao que estão a fazer, senão a pessoa que a ingerir pode mergulhar num sono pesado e, por vezes, irreversível – os alunos mostravam a maior concentração. – Os ingredientes e o método de fabrico estão escritos no quadro – o professor fez um movimento com a varinha e uns gatafunhos apareceram na superfície negra do quadro – e encontrarão tudo aquilo que necessitam no armário dos materiais – apontou com a varinha para o tal armário e as portas abriram-se. – Têm hora e meia… comecem.
A poção era extremamente complicada e traiçoeira. Elysa começou a acrescentar os ingredientes, estando muito rígida e ansiosa. Mas, a partir de certa altura, descontraiu e começou a fazer tudo muito mais naturalmente. Até parecia que tudo lhe era familiar. Mas não era. Elysa apenas estava a concentrar-se um pouco, para não se enganar nas quantidades dos estranhos ingredientes que a poção requeria. Estava de tal maneira absorta, que nem reparou que a sua poção estava muito diferente das dos outros. Algumas libertavam faíscas, outros fumos amarelos, mas nada como o vapor prateado brilhante que saía do seu caldeirão.
- Nesta altura, deveria estar a elevar-se das vossas poções um vapor prateado – informou-os Snape, quando faltavam dez minutos para a hora marcada. O professor começou a inspeccionar os caldeirões de todos os alunos. Quando chegou ao de Harry, começou a embirrar com o rapaz, pois a sua poção emitia um grosso fumo cinzento muito escuro. Snape fez com que a poção de Harry desaparecesse, com um simples toque de varinha. A esta altura, já Lys tinha acabado a sua poção, e olhava em volta. A única poção que estava mais ou menos parecida com a sua era a de Hermione, que emitia um leve vapor cinzento-prateado, mas muito menos brilhante que a de Elysa.
- Aqueles que conseguiram ler as instruções, encham um frasco com uma amostra da vossa poção, ponham-lhe uma etiqueta com o vosso nome, bem claro, e tragam-na para a minha secretária a fim de ser testada. Trabalho de casa: trinta centímetros de pergaminho sobre as propriedades da selenita e os seus usos na manufactura de poções, a entregar na quinta-feira. Quando Lys foi entregar o seu frasco ao professor, ele disse:
- Nem eu teria feito melhor… - e acrescentou, num tom duvidoso – Sorte de principiante?
Elysa decidiu ignorar o comentário do professor.
- Como te chamas mesmo? – inquiriu Snape.
- Elysa Robins, senhor.
A expressão do professor mostrou-se incrédulo, mas ele não teceu comentários.
- Pode ir – disse, por fim.
A rapariga saiu da masmorra acompanhada pelos três amigos.
- A tua poção estava perfeita, Lys! Como é que conseguiste? – perguntou Ron, que foi logo fulminado por um olhar furioso de Hermione.
- Sorte de principiante – resmungou Hermione.
- Tal e qual o que o Snape disse – comentou Lys, deixando Hermione corada.
A sabe-tudo virou-se para Harry, que estava muito calado.
- Aquilo foi muito injusto – disse Hermione, tentando consolar Harry, que não iria receber nota pela sua poção. – A tua poção não estava, de longe, tão má como a do Goyle.
- Pois… Mas desde quando é que o Snape é justo comigo? – queixou-se Harry, mal-humorado.
- Sempre pensei que ele pudesse estar um pouco melhor este ano – declarou Hermione, desapontada. – Quer dizer… percebem… - baixou a voz - …agora que ele está na Ordem e tudo isso.
- O que é a Ordem? – inquiriu Lys, em voz baixa.
Os três amigos entreolharam-se, com um misto de surpresa. Hermione tomou a iniciativa, falando num tom doce:
- Bem, Lys, esse é um assunto que não podemos mesmo partilhar contigo.
- Oh, não faz mal – Elysa ficou desiludida, mas não deu provas disso.
- Seja como for, eu sempre achei que o Dumbledore era marado por confiar no Snape. Onde está a prova de que ele deixou realmente de trabalhar para o Quem-Nós-Sabemos? – perguntou Ron, continuando a conversa.
- Eu acho que o Dumbledore tem montes de provas, ainda que não as partilhe contigo, Ron – retorquiu Hermione.
Oh, não… Vão começar outra vez a discutir, pensou Lys.
- Calem-se lá vocês os dois – resmungou Harry, quando Ron abriu a boca para responder a Hermione. – Não conseguem para de discutir nem um bocadinho?! Passam a vida a discutir um com o outro e estão a dar comigo em doido!
O rapaz levantou-se bruscamente e afastou-se, chateado. Para Lys, a razão para tanta discussão era bastante óbvia. Mas não se queria intrometer. Os três continuaram o almoço em silêncio. Hermione e Ron estavam ainda chocados com a reacção de Harry. Depois do almoço, Ron dirigiu-se para a Torre Norte, para ter Adivinhação, enquanto que Elysa acompanhou Hermione até à sala de Aritmância. A rapariga achou que aquela era uma disciplina interessante, contendo um pouco da Matemática dos Muggles (N.A: Eu li num site qualquer que Aritmância significava "adivinhação por meio de números". Agradecia que, se estiver enganada, mandassem reviews a dizer isso.). Depois da aula, as duas raparigas dirigiram-se para a sala de Defesa contra a Magia Negra. Quando chegaram, encontraram Ron e Harry à porta, e entraram com eles. A professora Umbridge estava já sentada à sua secretária, envergando um horrível casaco cor-de-rosa felpudo e um enorme laço de veludo preto no cimo da cabeça. A turma entrou silenciosamente na sala, com receio da professora. Ainda ninguém sabia do que ela era capaz. Quando toda a turma estava já sentada, a professora Umbridge exclamou:
- Bom, boa tarde!
Alguns alunos sussurraram uns "olás" tímidos.
- Tss, tss. Isso não chega. Agradecia que respondessem «Boa tarde, Professora Umbridge». Outra vez. Boa tarde, meninos!
- Boa tarde, Professora Umbridge – cantou o coro de vozes.
- Muito bem, não foi assim tão difícil, pois não? Pousem as varinhas e peguem nas penas, por favor.
Ouviu-se o barulho de varinhas a serem arrumadas e de pergaminhos a serem desenrolados sobre as mesas. Todos os alunos seguravam as penas. A professora obrigou-os a copiar do quadro uma horrenda lista de «Objectivos do Curso». Discursou sobre a incapacidade dos antigos professores daquela disciplina, apesar de Lys não ter conhecido nenhum deles. De seguida, mandou-os ler o 1º capítulo do livro Teoria da Magia Defensiva. Elysa achou aquele texto extremamente fastidioso, mas leu-o rapidamente. Quando acabou, todos os alunos ainda tinham os olhos colados ao livro. Não, todos não. Hermione nem sequer retirara o livro da saca, e estava a olhar a professora Umbridge com a mão levantada. Passados alguns minutos, já a maior parte dos alunos olhava Hermione. A professora decidiu para de ignorar a situação e dirigiu-se a Hermione, falando como se estivesse a falar como uma criança pequena:
- Queria perguntar alguma coisa sobre o capítulo, querida?
- Não é sobre o capítulo – respondeu Hermione, friamente. Tenho uma questão sobre os objectivos de curso.
- E a menina chama-se? – inquiriu Dolores Umbridge, erguendo uma sobrancelha.
- Hermione Granger.
Bem, menina Granger, eu penso que os objectivos do curso são extremamente claros.
- Bem, eu não acho. Não está aí nada escrito sobre a utilização de feitiços defensivos.
Todas as cabeças se viraram para o quadro, a fim de lerem novamente os "objectivos".
- Ora, não consigo imaginar nenhuma situação que exija a utilização de feitiços defensivos na minha aula. Não está à espera de ser atacada durante a aula, pois não?
- Não vamos utilizar magia?! – exclamou Lys, sem conseguir esconder o seu desapontamento. Ela ansiava poder fazer feitiços.
- Na minha aula, os alunos levantam a mão quando querem falar, menina…?
- Robins, Elysa Robins.
A professora murmurou algo como "Tal e qual a mãezinha" e virou as costas à rapariga. Harry e Hermione já tinham erguido as mãos.
- Sim, Miss Granger? Quer perguntar mais alguma coisa?
- Com certeza o principal objectivo da disciplina é treinar feitiços defensivos?
- A menina é uma autoridade pedagógica diplomada pelo Ministério? Não, pois não? Então lamento que não esteja habilitada para decidir qual o «principal objectivo» de qualquer aula. Não irão realizar feitiços defensivos, vão aprende-los de uma forma isenta de riscos.
- De que serve isso? – resmungou Harry, com uma voz sonora - Se formos atacados…
- A mão, Mr. Potter!
Harry levantou a mão, mas a professora ignorou-o.
- E o seu nome é? – perguntou Umbridge a Dean, que também tinha levantado a mão.
- Dean Thomas.
- Bem, Mr. Thomas?
- Bem, é como o Harry disse, n'é? Se formos atacados, não será isento de riscos.
- E esperam ser atacados durante as minhas aulas? – a professora começava a perder a paciência.
- Não, mas…
A professora ignorou-o. E começou a explicar que os antigos professores daquela disciplina não eram qualificados para o cargo e que os levaram a acreditar que iriam sofrer ataques das forças negras. Também falou sobre os exames.
- E não haverá uma parte prática no NPF de Defesa contra as Artes das Trevas? Não teremos que realizar contramaldições e outras coisas?
- A sua mão não está erguida, Miss…?
- Parvati Patil.
- Bem, desde que tenham estudado bem a teoria, não há qualquer razão para não serem capazes de realizar os feitiços nos exames, não acham?
- Sem os ter praticado antes? – Parvati estava incrédula. – Está a dizer que a primeira vez que vamos realizar os feitiços será durante os exames?
- Repito que, desde que tenham estudado bem a teoria…
- E de que vai adiantar-nos a teoria no mundo real? – perguntou Harry em voz exageradamente alta, com a mão erguida.
- Estamos na escola, não no mundo real. E não há nada à espera para vos atacar fora dos muros da escola!
- Ah, não? – a cólera de Harry estava prestes a rebentar.
- Quem é que o senhor imagina que pretende atacar-vos?
- Hmm… vejamos… talvez… Lord Voldemort?
Os alunos exprimiram o seu terror face àquele nome. Até Elysa estremeceu. Ela sabia que aquele feiticeiro havia matado os pais de Harry e quase acabara com a vida do próprio, pelo que lera nos livros. E, provavelmente, matou os meus pais verdadeiros, pensou Lys, tristemente.
A professora retirou dez pontos aos Gryffindor por causa de Harry. Começou a dizer que Voldemort não regressara e que não tinham que ter medo. Desacreditou Harry à frente dos colegas. E o rapaz não gostou. A sua cólera explodiu.
- ELE VOLTOU! – gritou Harry, furioso.
- Castigo, Mr. Potter – declarou a professora em tom de triunfo, como se nada lhe desse mais prazer. – Amanhã à tarde. Cinco horas, no meu gabinete. E, para que todos saibam, esse feiticeiro Negro não voltou.
Umbridge mandou-os continuar a ler o que estavam a ler. Mas Harry estava demasiado irritado. E descarregou, falando sobre Cedric Diggory e que, na opinião da professora, ele morrera por puro acaso. A professora não aguentou mais. Chamou-o e entregou-lhe um pergaminho, dizendo para o entregar à professora McGonagall. Harry deixou a sala furioso e Hermione e Ron trocaram olhares preocupados.
- Podem continuar a ler, em silêncio – ordenou Umbridge.
Elysa levantou a mão.
- Sim, menina Robins?
- Eu já li.
- Já leu o capítulo todo? – a professora mostrou-se incrédula.
- Sim.
- Então pode ler o capítulo seguinte – rosnou a professora, que não escondia o ódio que sentia pela rapariga, apesar de Lys não saber o motivo daquele ódio.
Elysa começou a ler o 2º capítulo. Quando acabou de ler, a campainha tocou, anunciando o fim daquela enfadonha aula.
Nessa noite, no salão, ouviam-se todo o tipo de murmúrios sobre o acontecimento da aula de Umbridge. Harry estava claramente zangado por toda a gente andar a falar dele mais uma vez. Resmungava com qualquer pessoa que quisesse falar com ele. Hermione estava irritadíssima com a reacção dele e Ron comia o jantar sem se preocupar com mais nada. Harry já lhes contara o que acontecera no gabinete de McGonagall. Elysa deixou de pensar em Harry e começou a despachar-se. Estava quase na hora marcada para o seu encontro com Dumbledore. Mal enfiou o último pedaço de pudim na boca, despediu-se dos amigos e pôs-se a caminho. Ia tão distraída que, a certa altura, reparou que não conhecia o lugar onde estava. Estava perdida. Só me faltava mais esta, exclamou Lys em surdina. Voltou para trás, mas só se conseguiu perder ainda mais. Suspirou e tentou lembrar-se do caminho para o gabinete guardado pela gárgula. Era escusado. Ela não se lembrava e o seu sentido de orientação sempre tinha sido péssimo. Quando estava prestes a desesperar, eis que alguém dobra a esquina e aparece no corredor.
- Olá – exclamou o rapaz, espantado por a encontrar ali.
- Olá, Malfoy.
- Não me chames assim, é muito formal. Trata-me por Draco.
- Então tens que me chamar Lys – Elysa sorriu. Estava ali sozinha com o loiro.
- Tudo bem – Malfoy sorriu-lhe sedutoramente. – O que estás aqui a fazer?
- Eu… eu estou perdida. Tinha que ir para o gabinete do Dumbledore.
- Queres que eu te leve lá?
- Agradecia imenso.
- Então vem comigo.
A rapariga seguiu o Slytherin através dos corredores, tentando desesperadamente memorizar o caminho. Quando finalmente chegaram em frente da gárgula que guardava a entrada para o gabinete do director, Malfoy encarou Lys nos olhos. Lys olhou aqueles olhos cinzentos.
- Já cá estás, mas agora tens que fazer uma coisa.
- O quê? – perguntou a rapariga, a medo.
- Tens que aceitar vir comigo a Hogsmeade. – ele estava a convidá-la para um encontro.
- Tudo bem – respondeu Lys, radiante.
- 'Tão adeus! – despediu-se Malfoy, dando um beijo na face direita de Lys.
- Tchau…
A rapariga colocou a mão sobre a face direita, mas logo a retirou. Como podia ela estar a apaixonar-se por Malfoy?
- Humm… como te chamas? – perguntou uma voz.
A rapariga olhou para todos os lados antes de constatar que fora a gárgula que lhe dirigira a palavra.
- Elysa Robins.
- O Dumbledore mandou-me deixar-te entrar – e com isto deslocou-se para deixar a passagem à mostra. Lys entrou na abertura.
O gabinete estava igual à noite anterior, com excepção de uma magnífica ave cor-de-fogo que estava pousada no poleiro que no dia anterior estava vazio.
- Boa-noite, Miss Robins.
- Boa-noite, professor – o olhar inteligente do feiticeiro ainda a punha nervosa.
- Bem, sente-se. Temos muito que conversar. Primeiro de tudo, quero falar-lhe do seu pai, pois imagino que tenha ouvido falar muito pouco sobre ele.
- Sim, só ouvi uma ou duas referências a ele.
- O seu pai era excelente a Poções. Sabia tudo sobre ervas, fungos e todos os outros ingredientes. Por isso mesmo, foi um dos curandeiros mais famosos da história do Hospital de São Mungo. Salvou a vida a imensas pessoas, para que saibas. Era um excelente aluno, e rivalizava imenso com o seu professor de Poções, Severus Snape. Eles estavam sempre a ver qual dos dois era melhor a Poções.
- Ah, por isso é que o professor Snape fez aquela cara quando eu lhe disse o meu nome!
- Miss Robins, escute…
- Pode tratar-me por Elysa, professor. – os olhos de Dumbledore brilharam e ele assumiu uma expressão divertida.
- Muito bem, Elysa. Se Snape te tratar mal ou implicar contigo, quero que venhas ter comigo. Combinado?
- OK.
- Bem, como eu estava a dizer… O teu pai era uma pessoa maravilhosa. Estava sempre preocupado com os outros, e isso foi o motivo da sua morte.
- Ele… morreu?! – exclamou Lys, sem conseguir esconder o terror que se lhe espalhou pela face.
- Sim, lamento. Mas morreu como um nobre. Ele lutou contra Voldemort para que a tua mãe tivesse tempo de fugir e se esconder.
- Como… como é que o meu pai se chamava? – quis saber Elysa, num tom melancólico.
- O nome dele era Richard, Richard Robins.
- Pode falar-me sobre a minha mãe?
- Sim. A tua mãe, Azura Reed, que passou a Azura Robins depois de ter casado com o teu pai, foi uma das alunas mais espantosas que eu alguma vez conheci. Aplicada, determinada, corajosa, nobre, bondosa, enérgica, justa, divertida… Nada do que eu possa dizer a caracteriza na perfeição. Ela era única. Brilhante a todas as disciplinas e uma amiga verdadeira. Mas, mesmo assim, tinha inimigos. Uma dessas pessoas que lhe tinha um ódio profundo é Dolores Umbridge, a tua professora de Defesa Contra a Magia Negra. A tua mãe foi uma das melhores amigas de Lily Evans, a mãe do teu colega Harry Potter. Elas estavam sempre juntas e, juntas, eram temidas por aqueles que se metiam com os mais fracos.
- O que aconteceu à minha mãe, depois de o meu pai ter lutado com Voldemort para lhe dar tempo para fugir?
- A tua mãe fugiu, mas ela sabia que Voldemort iria matá-la. E ela não podia deixar que te matassem a ti. Sim, tu já eras nascida. Assim, Azura fugiu e entregou-te à mulher que te serviu de mãe adoptiva durante todos estes anos.
- Sim, essa parte contou-ma a minha mãe… adoptiva.
- Depois de ter uma breve conversa com aquela mulher carinhosa e bondosa, a tua mãe deixou-te, a muito custo, e fugiu. Mas Voldemort apanhou-a pouco depois de ter morto o teu pai. E matou-a também.
- Oh – Lys deixou escapar um pequeno gritinho de horror. As lágrimas começaram a cair-lhe pelas faces.
- Elysa, não chores, por favor. Os teus pais amavam-te e morreram para te proteger do malvado Voldemort.
- Está a dizer-me que morreram por minha culpa?! – soluçou Lys, chorando ainda mais. Era horrível pensar que os pais ainda podiam estar vivos, se não fosse ela.
- Não, eles morreram porque te amavam, mas a culpa não foi tua. A decisão foi deles. E eles não quereriam que chorasses assim por eles.
Elysa limpou as lágrimas e tentou parar de soluçar.
- Porque é que Voldemort os matou? – inquiriu a rapariga, com os olhos inchados.
- Isso, Elysa, é uma coisa que não te posso dizer, pelo menos para já – o rosto do director tornou-se imperscrutável. – Voldemort é cruel.
- Humm… ele voltou mesmo?
- Se te estás a referir a Voldemort, receio bem que sim – Lys estremeceu. – Mas não tenhas medo, em Hogwarts estarás protegida. Essa é outra das coisas sobre a qual eu queria falar contigo esta noite. Temo que Voldemort poderá querer fazer-te mal.
- Porquê?
- Essa é outra das coisas que não te posso contar. Mas, na altura certa, saberás.
- Não tenho medo.
- Eu já percebi que és corajosa, tal como a tua mãe e o teu pai. Mas lembra-te: a coragem não é a ausência de medo, é apenas o poder de o controlar. Não deves nunca subestimar o teu inimigo – avisou o director. - Bem, acho que está tudo. Tens mais alguma questão a colocar?
- Eu gostava de saber se me pode dizer o que é a Ordem.
- Onde é que ouviste falar disso?
- Bem, ouvi a Hermione mencioná-la quando falava sobre o professor Snape com Harry e Ron.
- Eles deviam ser mais cuidadoso, mas penso que, contigo, não há problema. Tu pareces-me uma óptima rapariga. És muito parecida com a tua mãe. A Ordem de Fénix é uma sociedade secreta composta pelas pessoas que lutaram contra o Voldemort da última vez. Fui eu que a fundei e sou eu que a dirijo.
- Então é uma espécie de exército anti-Voldemort?
O director riu-se da maneira como Elysa descrevera a Ordem.
- Tens o mesmo sentido de humor da tua mãe. Mas sim, é tipo isso. Já não tens mais questões?
- Eu também gostava de saber se posso mandar cartas à minha mãe adoptiva.
- Claro que podes. Tens coruja, não é verdade?
- Sim.
- É aquela espantosa coruja negra, não é?
- Sim – toda a gente admirava a plumagem da sua coruja. – Mas a sua fénix também é deslumbrante.
- A Fawkes é uma linda menina – declarou o director, olhando a fénix, que piou.
- Bem, então não tenho mais perguntas a colocar-lhe, professor.
- Então podes ir deitar-te. Já é bastante tarde.
- Adeus, professor.
- Adeus, Elysa. E, ãa, tens um elfo lá fora para te acompanhar ao dormitório – como poderia o professor saber que Lys estava a pensar se seria capaz de regressar sem se perder?
- Obrigado, por tudo.
A rapariga saiu pela abertura e encontrou o elfo Tommy, que a acompanhara na noite anterior. Fizeram o caminho em silêncio, o que deu tempo a Lys para reflectir sobre o que Dumbledore dissera. Tristemente, a rapariga relembrou os pais. Nunca mais poderia vê-los…
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N.A.:
Oi!
Então, já estão mais contentes? Finalmente sabem um pouco mais sobre os pais de Lys, não é? O que acharam deles? Tenho que pedir desculpa por o capítulo ser tão grande, mas tinha que escrever isto tudo. Desculpam-me?
E gostaria de fazer uma homenagem a todos os leitores que me mandam reviews: VOCÊS SÃO OS MELHORES!!! Continuem a mandar reviews, por favor
bjO, LyRa
Nota: Tudo o que se parecer com algum livro de Harry Potter pertence a J. K. Rowling, OK?
