Quando os sonhos se tornam realidade
10. Juntando o Exército
O tempo estava a passar depressa, e Lys apercebia-se disso. O seu tempo era ocupado por aulas e trabalhos de casa e mais aulas e mais trabalhos de casa. Todos os alunos andavam estafados, e do que mais se queixavam era das aulas de Defesa Contra a Magia Negra. Umbridge fora nomeada Grande Inquisidora de Hogwarts e agora preocupava-se mais em fazer frente a Dumbledore que outra coisa.
Certa noite, o assunto "Defesa Contra a Magia Negra" veio à baila na conversa entre Harry, Ron, Hermione e Elysa.
- Bom – começou Hermione, e via-se que estava hesitante – Sabem, estive hoje a pensar que… talvez tenha chegado a altura de aprendermos Defesa Contra a Magia Negra… bem, de o fazermos nós próprios.
- O quê? – perguntou Harry, arqueando uma sobrancelha.
- Estou a falar de aprendermos por nós próprios.
- Vai passear, Herms – resmungou Ron – Já não chega aquilo que andamos a trabalhar?! Eu e o Harry andamos com montes de trabalhos de casa atrasados!
- Mas isto é mil vezes mais importante que os t.p.c.s! Não vêem que se trata de nos sabermos defender? De, como o Harry disse, de nos prepararmos para aquilo que nos espera lá fora?
- Estou a começar a perceber – disse Lys, abanando a cabeça pensativamente. – Mas o que podemos fazer limita-se a irmos procurar feitiços à biblioteca e tentar praticar, não é?
- O que nós precisamos é de um professor – informou Hermione. – De um professor que saiba realmente o que está a fazer, que nos mostre como se fazem os feitiços e nos corrija quando estivermos a fazer as coisas mal.
- Mas quem é que pode ser? Aqui em Hogwarts não encontramos ninguém, e a Grande Inquisidora Umbridge não vai deixar entrara cá ninguém de fora – declarou Harry.
- Mas nós temos um óptimo professor aqui, dentro de Hogwarts.
- Quem? – perguntou o rapaz-que-sobreviveu, de testa franzida.
- Não é óbvio? Estou a falar de ti, Harry.
- De mim?!
Harry arregalou os olhos, exasperado. Olhou os rostos dos outros dois amigos, mas não captou nenhuma pontinha de exasperação.
- É uma óptima ideia – disse Lys.
- É, realmente é… - disse Ron.
- Mas eu não sou professor, não sei…
- Harry, tu és o melhor do nosso curso em Defesa Contra a Magia Negra – informou Hermione.
- Eu? – Harry sorria, achando que estavam a gozar com ele. – Tanto tu como a Lys são muito mais inteligentes que eu!
- Mas não somos tão boas a Defesa Contra a Magia Negra. Tu foste melhor que eu no exame do terceiro ano, o único que realmente contou. E não estamos a falar de exames. Tanto eu como a Lys não temos grande experiência nesta matéria, enquanto tu… Pensa no que tu já fizeste!
- Sabem que mais, eu não quero um tipo tão estúpido para nosso professor – disse Ron. – Hum… o que tu fizeste… No primeiro ano salvaste a Pedra Filosofal do Quem-Nós-Sabemos.
- Mas isso foi sorte… - começou Harry.
- No segundo ano – interrompeu-o Ron, falando mais alto – mataste o Basilisco e destruíste o Riddle.
- Mas se a Fawkes não tivesse aparecido…
- No terceiro ano – o ruivo falava cada vez mais alto – lutaste com cerca de cem Dementors ao mesmo tempo.
- Ó Ron, tu sabes bem que isso foi uma grande sorte… Se o Vira-Tempo…
- O ano passado – Ron agora quase que gritava – lutaste contra Aquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado OUTRA VEZ!
Harry não se conteve e desatou aos gritos.
- Mas isso foi pura sorte. Vocês não percebem o que é estar frente a frente com ele! Vocês não precisaram de o enfrentar, pois não? Vocês não sabem nada!
- Harry – começou Lys.
- E tu muito menos. Não devias estar aqui a mandar palpites, quando nem há um ano sabes que isto é real. – cuspiu Harry. – Vocês não sabem nada! – repetiu. – Quando se está frente a frente com ele deixamos de pensar com lógica, não nos lembramos do que damos nas aulas de Defesa Contra a Magia Negra… NADA! e vocês estão aí a falar como se eu fosse um puto esperto que se safou por ser bom a Defesa Contra a Magia Negra. Então, segundo essa lógica, o Cedric é burro, porque não conseguiu sobreviver.
Os outros três estavam atordoados pelas palavras do amigo. Lys tinha os olhos cheios de lágrimas, Ron estava vermelhíssimo e Hermione apresentava uma expressão chocada.
- Nós não estávamos a dizer nada disso, pá. Não estávamos a dizer mal do Diggory… - disse Ron.
- Harry, é por isso mesmo que tu… nós… precisamos de saber como é… como é enfrentar o V-Voldemort… - murmurou Hermione, timidamente.
Harry acalmou-se, talvez por a amiga ter dito, pela primeira vez, o nome do feiticeiro das trevas. Sentou-se, ofegante, numa poltrona.
- Pensa nisso, Harry… Por favor – pediu Hermione, ainda lívida.
Harry não sabia o que dizer, e acenou levemente com a cabeça.
Hermione tocou em Lys, que ainda estava a chorar baixinho, e sussurrou-lhe qualquer coisa ao ouvido. A rapariga levantou-se, Hermione despediu-se e ambas subiram para o dormitório.
Harry deixou-se ficar na poltrona, lamentando a sua explosão de fúria e pensando especialmente em Lys.
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Ninguém falou naquela ideia durante as duas semanas seguintes. Lys ainda estava magoada com Harry, desviando sempre o olhar quando este a fitava. Também esquecera Draco Malfoy, que nunca mais dera sinal de vida.
Um dia, quando se encontravam os quatro na biblioteca, Hermione voltou com a conversa:
- Gostava de saber se voltaste a pensar naquela ideia que eu tive, acerca de tu nos ensinares – disse Hermione, olhando para Harry.
- Bem… Sim, eu pensei nisso.
- E… - inquiriu Hermione, ansiosa.
- Não sei. Vocês ouviram aquilo que eu disse acerca de ter carradas de sorte, não ouviram?
Lys encolheu-se na cadeira e fixou a sua atenção nas unhas das mãos.
- Sim, ouvimos – respondeu Hermione. – Mas não vale a pena dizeres que não és bom a Defesa Contra a Magia Negra, porque és. Então, vais ensinar-nos?
- Só a vocês, não?
Lys abriu a boca para falar, mas Hermione não lhe deu hipótese:
- Nem penses em recusar, Lys. Tens tanto direito como nós a ter estas aulas.
- Mas, se calhar, o Harry não me quer ensinar… - proferiu a rapariga, em voz baixa e triste. – Eu não tenho experiência nestas coisas…
Harry baixou o olhar, culpado.
- Desculpa… A sério, eu… não devia ter dito aquilo. Não te queria magoar – disse Harry, agarrando a mão de Lys.
Lys mordeu o lábio e depois sorriu.
- Então já tens três alunos – informou.
- Bem, eu estive a pensar… E acho que deves ensinar todos aqueles que quiserem, e não apenas nós. Não me parece justo não darmos essa oportunidade a outras pessoas… - declarou Hermione, a medo, não fosse Harry explodir outra vez.
- Tens razão, mas eu duvido que haja mais alguém a querer ser ensinado por mim.
- Olha que eu acho que vais ficar admirado com a quantidade de gente interessada em ouvir o que tu tens a dizer. – confiou Hermione. – Que tal combinarmos um encontro com todos os que estão interessados? No primeiro fim-de-semana em Hogsmead?
- Tem que ser fora da escola? – perguntou Ron.
- Bem, a Umbridge não ia ficar muito contente se descobrisse o que estamos a tramar, não achas?
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Os quatro amigos esperaram ansiosos no Cabeça de Javali, o local combinado para o encontro. As pessoas começaram a chegar, e Harry não conseguia que tanta gente estava disposta a ouvir o que ele tinha a dizer.
- Olá a todos – começou Hermione. - Bem, vocês sabem porque estão aqui. Eu tive a ideia de que talvez fosse bom as pessoas que quisessem estudar Defesa Contra a Magia Negra… e refiro-me a estudar mesmo, não àquela porcaria que a Umbridge nos está a impingir… Bem, pensei que talvez seriam bom se nos ocupássemos nós mesmo do assunto. Agora, mais que nunca, precisamos de nos sabermos defender, porque o Lord Voldemort regressou.
- Que provas há que o Quem-Nós-Sabemos voltou? – inquiriu, agressivamente, um rapaz loiro de Hufflepuff.
- Eu vi-o voltar. Mas o Dumbledore contou a história do que aconteceu a toda a escola, por isso, se não acreditaste nele, também não vais acreditar em mim – disse Harry, num tom frio.
- Tudo o que o Dumbledore nos contou foi que o Diggory tinha sido assassinado pelo Quem-Nós-Sabemos… Não nos forneceu pormenores, não nos disse como é que ele foi assassinado, e acho que todos gostaríamos de saber isso… - contrapôs o rapaz loiro, Zacharias Smith.
- Se vieram aqui só para saber o que se passa quando o Voldemort assassina alguém, podem ir-se embora, porque não vos posso ajudar.
Mas ninguém se levantou. Hermione disse, então:
- Então, temos de combinar como vamos fazer essas "aulas", com que frequência nos vamos encontrar e onde…
Depois, alguém perguntou a Harry se era verdade que ele fizera um Patronus corpóreo, e houve uma discussão amigável sobre os feitos de Harry ao longo dos anos. Harry tentou dizer-lhes que tivera muita ajuda e montes de sorte, mas eles continuavam entusiasmados.
O grupo decidiu que teriam aulas uma vez por semana, desde que não coincidissem com os treinos de Quidditch de Gryffindor, Ravenclaw ou Hufflepuff. Não conseguiram achar um local bom para se reunirem. Harry, Hermione, Ron e Lys ficaram de encontrarem um local e depois diriam aos interessados o dia e o lugar. Hermione guardou uma folha com o nome de todos os presentes na reunião e o encontro terminou, não sem antes Cho lançar um sorriso a Harry.
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N.A.:
Olá, voltei com um novo capítulo. Espero que tenham gostado!
Ah, e mais uma coisa: Mandem reviews, por favor… oki?
Beijos,
LyRa
