UM MILAGRE PARA O NATAL
Título: Un milagro para Navidad
Autora: Alisevv
Original: www. slasheaven .com/ viewstory. php?sid (igual) 26324
Tradutora: Allexa Black
Beta Tradução: Miyu Amamyia
Resumo: Depois de vários anos separados, Harry e Severus se reencontram e começam um romance. Mas o destino às vezes joga contra. Poderam vencer a adversidade e conseguir realizar seu amor? Serão capazes de conseguir um milagre de Natal?
Parejas: Severus / Harry
Advertências: slash (relação homem x homem) e grandes surpresas.
Disclaimer: Os personagens e o universo de Harry Potter são propriedade de J.K. Rowling, Scholastic & Editoras Associadas e Warner Brothers. Os personagens originais são propriedade de Alisevv. Esta fanfic não possui fins lucrativos.
Isso é uma fic SLASH, S-L-A-S-H , então se não lê esse tipo de história essa é a hora de fechar essa janela.
NA/1: Esta história ia ser a resposta ao desafío 'Realmente es Navidad', proposto por 'La Mazmorra del Snarry', mas meu muso escreveu e escreveu e lamentavelmente não coube em um capítulo, assim que a subirei em duas partes.
A idéia nasceu a raíz de um filme que vi faz alguns anos, 'Um assunto de amor' (Love Affair), protagonizada por Warren Beaty e Annette Bening. Não se puede dizer que seja uma adaptação, já que minha memória é muito ruim e só lembro duss cenas, algo que ocurre no meio do filme e a cena final. Quem tenha visto 'Um assunto de amor', seguramente identificará o parecido em ditas partes. O resto, é idéia de meu muso.
A história vai dedicada com todo meu carinho a todos os membros de 'La Mazmorra del Snarry' e a todos os maravilhosos leitores que tem me acompanhado neste lindo ano.
Desejo-lhes um Feliz Natal, desfrutem a história.
NA/2: Aqui deixo o final da história, na esperança de que gostem, eu a fiz com todo o carinho do mundo.
Desejo a todos um FELIZ NATAL e que Deus lhes presenteie todas as bendições da Terra. Obrigada por ajudar a fazer deste um ano fabuloso para mim.
Os quero muito.
BOA LEITURA!!!!!!!!!
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Um milagre para o Natal. Parte II
Os meses que seguiram estiveram cheios de fortuna e felicidade para o casal. Severus ficava muitas noites no apartamento de Harry em Londres, e os finais de semana que não tinha plantão, Harry os passava no Valle d'Orcia.
Ademais de seu trabalho em Saint Mungos, o jovem passava boa parte de seu tempo estudando para o complicado teste de admissão que deveria aprovar o ano seguinte, como requisito indispensável para ser aceito na pós-graduação de neurocirurgia. Por outra parte, logo de várias horas de rogar e chatear, conseguiu que Severus começasse a pintar novamente. O que não tinha conseguido era que terminasse a pintura do Valle d'Ordia, o quadro de seu lar.
- Ainda falta algo para que o vale volte a ser meu lar – dizia-lhe cada vez que seu namorado tocava esse tema.
No final de março, um anúncio no jornal chamou a atenção de Harry.
Terceiro Concurso Anual de Pintura de Colônia
O Ministério de Cultura da República Federal Alemã, convida a nova edição do Concurso de Pintura de Colônia. Podem participar pintores pertencentes a qualquer país da Comunidade Européia.
O prêmio era um curso de um ano na Escola de Pintura de Colônia, uma das melhores da Europa, e a possibilidade de expor seus quadros em várias galerias da Comunidade.
- Severus, tem que participar – disse Harry, entusiasmado, enquanto lhe mostrava o jornal. – É uma oportunidade única.
- Mas Harry, ainda que ganhasse, coisa que duvido, não poderia deixar a vila só durante todo um ano – argumentou Severus.
- Poderá viajar do Ministério de Magia da Alemanha ao da Itália, como eu faço para ir para a vila. Talvez seja algo pesado, mas é uma grande oportunidade. Você gosta tanto de pintar.
- Não sei, Harry.
- Vamos ver, pense em você, sem formular-se obrigações nem nada mais. Gostaria de ir?
O homem o olhou com os olhos brilhantes.
- Sim. Na verdade, sim.
- Então não há mais o que falar. Vamos, temos que escolher muito bem o quadro que vai mandar ao concurso.
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Harry estava na sala de seu apartamento, tratando de estudar, mas era impossível enfocar sua atenção.
Lembrava o acontecido três semanas antes, quando as chamas de sua lareira centelharam, anunciando a chegada de alguém. Momentos depois, Severus saia com passo elegante, sacudindo as cinzas de sua imaculada calça cinza. Ao olhá-lo, o jovem notou que tinha recebido a melhor das notícias.
- Ganhei o concurso. Vou estudar na Alemanha.
Embora Harry tenha impulsionado Severus a participar do concurso, e estava feliz por ele, não podia evitar que certo mal-estar agitasse seu coração. Com seu namorado dividido entre o curso, pintar e atender os vinhedos, e ele com seu trabalho em Saint Mungos e estudar para a pós-graduação, ia ser muito complicado que se vissem com freqüência, se é que poderiam se ver alguma vez.
Por um tempo, albergou a ilusão de que Severus pediria que fosse com ele. Poderia ter pedido uma permissão não remunerada em Saint Mungos e ter-se dedicado a estudar para o teste; ao fim e ao cabo tinha uma boa soma no banco e, vivendo com Severus e compartindo gastos, lhe alcançaria de sobra para viver esse ano.
Mas os dias foram passando e Severus não mostrou a menor possibilidade de convidá-lo para ir com ele. Ao final, teve que aceitar que isso não ia acontecer e resignar-se a realidade. Seu namorado não tinha nenhum interesse em que fosse viver com ele.
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- Já tem tudo pronto, padrinho? – perguntou Draco que, sentado sobre a cama de Severus em sua vila na Itália, via como o homem fechava seu baú.
- Sim. Os quadros estão embalados e esta é toda a roupa que vou levar.
- Tem onde ficar?
- Aluguei um pequeno apartamento mobiliado.
- Já vejo – o jovem se moveu, incomodo. – Posso te fazer uma pergunta?
- Claro – respondeu, distraído, ao mesmo tempo que revisava que todos seus papéis estivessem em ordem.
- Por que não convidou Harry para acompanhá-lo?
Esta pergunta sim conseguiu que Draco captasse totalmente a atenção de seu padrinho quem, levantando a cabeça bruscamente, fixou seus negros olhos nos do jovem.
- A que vem essa pergunta?
- O digo porque vocês estiveram tão ligados estes meses, que eu de verdade pensei que o amava.
O homem respirou profundamente e se sentou na cama ao lado do loiro.
- E o amo – confessou finalmente.
- Mas não lhe disse, verdade?
- Como sabe? – perguntou, franzindo o cenho.
- Porque te conheço, segue sem atrever-se a expressar seus sentimentos – pôs uma elegante mão sobre o braço do homem. – E Harry é uma pessoa muito especial, precisa ouvi-lo dizer. Todos os grifinórios precisam, te digo por experiência.
- Te disse algo?
- Não, mas não faz falta ser adivinho para saber que ele leva dias ansiando que o convide para viajar contigo para Alemanha, e sabe que se não lhe pediu é porque não quer estabelecer um compromisso mais profundo.
Severus ficou um longo tempo pensativo; ao final, suspirou e confessou com voz estrangulada.
- Tenho medo, Draco – sussurrou. – Harry é muito jovem e belo. Se começamos uma relação mais séria e logo se apaixona e me deixa, não resistirei.
- E por não perdê-lo mais adiante vai permitir perdê-lo agora?
O homem o olhou, perdido.
- O que vou fazer, Draco?
- Se me pergunta, eu moveria o traseiro e o chamaria para convidá-lo para ir contigo para Alemanha.
Severus o olhou por um tempo. Seu afilhado tinha razão, por seu medo, ele mesmo estava afastando a Harry. Sorrindo agradecido, levantou-se e se dirigiu ao telefone. Logo de um tempo, retornou ao lado de Draco.
- Ninguém atende em seu apartamento – informou, contrariado.
- Bom, pode chamá-lo amanhã desde Alemanha.
- Não, se não o faço agora não sei se me atreverei.
- Pois não sei... – sussurrou Draco, antes que seu rosto se iluminasse com um sorriso. – Já sei. Como vai viajar?
- Por avião, desde Londres. Trata-se de um convite do mundo trouxa.
- Perfeito. Compre uma passagem a nome de Harry e mande uma coruja pedindo que se reúna com você no aeroporto.
- Você acha?
- Claro, será perfeito – levantou-se e buscou um papel e pena. – Vamos, começa a escrever.
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Harry retornou para o seu apartamento muito deprimido. Sabia que Severus partiria em pouco tempo desde o aeroporto de London City e esteve lutando contra o desejo de correr para despedir-se. Mas não podia; sabia que se o fazia, se lançaria a seus pés e suplicaria que o levasse com ele.
Inclusive antes de poder tirar o casaco, observou uma coruja que picoteava uma de suas janelas com algo que bem podia definir-se como irritação. Apressando-se, abriu a janela e deixou entrar a entumescida ave. Quando tentou tirar a carta que levava na pata, o animal começou a bicá-lo.
- Vale, vale, não se irrite. Não estava em casa, sinto muito – enquanto lhe dava uma guloseima para que se tranqüilizasse, resgatou a carta e desdobrou o pergaminho.
Harry
Quando receba esta carta provavelmente estarei no aeroporto. Tentei te ligar no apartamento, mas não te encontrei.
Eu... sabe que não sei dizer palavras bonitas. Tudo o que sei é que não quero me afastar de você.
Te rogo, vem comigo para a Alemanha. Estarei te esperando com sua passagem junto ao meu coração.
O avião parte as oito, não me deixe seguir sem você.
Te amo
Severus
Merlin, Severus o amava e queria que fosse com ele.
Angustiado, olhei o relógio que se encontrava encima da estante da lareira: faltavam dez minutos para as sete, devia se apressar.
Correu até seu quarto e jogou umas quantas peças e objetos pessoais em seu baú, pensando sorridente que seu namorado resmungaria ao ver tanto desordem. Fechou o baú, o encolheu e guardou em seu bolso. Desde a Alemanha falaria com o pessoal para que arrumassem tudo com o porteiro e lhe enviassem os demais, agora não podia perder tempo, Severus o esperava.
Buscou seus documentos e saiu voando, descendo as escadas saltando-os de três em três. Ao chegar a rua e dar a volta para ir até o pequeno beco que acostumava utilizar para aparatar, encontrou com frustação que estava ocupado por um casal se agarrando.
- Demônios! – resmungou, agora teria que ir mais longe, menos mal que tinha tempo. Caminhou rua abaixo e observou ao longe a casa abandonada que costumava utilizar quando não tinha alternativa. Ao vê-la, acelerou o passo, ansioso, só tinha que atravessar a rua, andar meia quadra e poderia aparatar.
Ia feliz e apaixonado. Tão feliz que nem sequer observou que estava acendido o letreiro de 'NÃO PASE'. Tão feliz que nem sequer escutou o ruido dos freios do carro. Tão feliz que só pode sentir o forte golpe em sua cadeira e pernas e todo seu mundo se escureceu.
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- Passageiros do vôo oitocentos e onze com destino a Colônia, favor embarcar pelo portão número três.
De novo essa espantosa voz chamando e Harry não chegava. Angustiado, Severus olhou uma vez mais para a entrada do aeroporto mas não tinha nem sinal de seu namorado. Por que não tinha chegado?
- Última chamada: passageiros do vôo oitocentos e onze com destino a Colônia, favor embarcar pelo portão número três.
- Maldição! – murmurrou por baixo. Estavam a ponto de fechar a rampa de acesso, não podia seguir esperando. Quem sabe, talvez tinha recebido tarde a carta. – Amanhã falarei com ele e mudaremos a passagem – colocou o pequeno papel em um bolso, junto a seu coração. – Só umas horas e amanhã estaremos juntos para não nós separarmos mais, meu amor.
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A campainha do telefone ecoou no apartamento de Draco e Hermione. Maldizendo o aparelho, o homem loiro olhou o relógio em sua mesinha de noite.
- As cinco da manhã, quem demônios estará ligando a esta hora?
Resmungando e meio dormindo, se levantou para atender, mas quando retornou para o quarto estava completamente acordado e branco como a cera.
- Draco? O que aconteceu? – perguntou sua noiva, preocupada.
- Harry teve um acidente, se encontro em Saint Mungos.
- Um acidente? – repetiu a garota, enquanto se levantava veloz e caminhava a um armário para tirar roupa para Draco e para ela. – O que aconteceu? – perguntou, enquanto ambos se vestiam rapidamente.
- Não sei, parece que foi atropelado.
- Por Merlin! – gemeu – O que aconteceu?Severus te ligou? – indagou, pois Draco lhe contou sobre a carta de seu padrinho.
- Não, foi alguém do hospital. Anda, deixemos de especular e vamos ao hospital.
Quando entraram no quarto de Harry e o viram rodeado de tubos, a alma lhes foi aos pés.
- Harry – Hermione se apressou até a cama de seu amigo, com os olhos cheios de lágrimas, se sentou em uma cadeira que tinha a um lado e segurou sua mão. – Por Merlin, Harry, o que te aconteceu?
O jovem a olhou enquanto as lágrimas de angústia se deslizavam suavemente por seu rosto demarcado.
- Estava tão feliz, Mione – gemeu, angustiado. – Sev me escreveu uma carta, dizia que me amava, e agora... – a voz se quebrou em um soluço angustiante. – O que vou fazer agora sem Sev?
- Aconteceu algo a meu padrinho? – perguntou Draco, alarmado, mal interpretando as palavras de seu amigo.
- Não, não, Severus deve estar na Alemanha.
- Então por quê fala assim? – perguntou Hermione, quem também tinha se assustado pensando que tinha passado algo irremediável ao homem.
- Porque o perdi.
- De que fala? – disse o rapaz loiro, enquanto pegava seu telefone celular. – Eu tenho seu número em Colônia. Vou chamá-lo e em umas horas estará de volta.
- NÃO!! – o grito do ferido sobressaltou a seus dois amigos. – Não quero que o chame – ao ver que os outros dois o olhavam sem entender, Harry respirou com força para se tranqüilizar. – Os médicos conversaram comigo. Não tenho feridas graves e os ossos fraturados e os golpes melhoraram em uns dias, mas... – deteve-se um momento e engoliu com força - ...o golpe do carro afetou minha coluna vertebral. Os médicos não sabem se poderei voltar a andar.
Seus dois amigos ficaram olhando-o, tão aflitos pela notícia que de momento não souberam o que dizer. Ao final, Hermione, acudindo ao seu sentido prático, perguntou:
- A que se refere com que não sabem?
- Toda a zona está muito ferida e inflamada. Tem que esperar que se cure completamente antes de poder avaliar a situação e determinar se há possibilidade de operar ou vai ser uma invalidez permanente. Embora não são muito otimistas ao respeito.
- Então com mais razão devemos chamar meu padrinho – insistiu Draco.
- Não, não quero.
- Por quê, Harry? – perguntou Hermione com voz doce. – Você precisa muito dele neste momento.
- É que não entendem? – Harry falou com voz mais calma. – Severus tem uma oportunidade única. Se sabe o que passou, se verá obrigado a vir para cuidar de mim.
- Não vai se sentir obrigado – argumentou Draco – Ele te ama, vai fazê-lo de coração.
- Sei. Mas eu também o amo e por isso não posso aceitar que arruíne um futuro prometedor por ficar comigo. Severus ama pintar, o vi quando pinta, e passou muitos anos sem fazê-lo por tristezas da vida. Agora que o reencontrou, não serei eu quem o impeça desfrutar – olhou fixamente para Draco. – Por favor, se te liga perguntando por mim, diga-lhe que me fui da Inglaterra.
- Não vai acreditar.
- Diga que te deixei uma carta dizendo que queria viajar um tempo, conhecer o mundo, antes de começar a pós-graduação. Que recebi sua carta, mas ainda não estou preparado para um compromisso mais sério, que me perdoe. Acreditará em você.
- Partira o seu coração, e destruirá o seu, Harry – advertiu Hermione.
- Meu coração sempre estará com Severus, Hermione, mas eu já não posso seguir a seu lado. Talvez o nosso nunca esteve destinado a ser.
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Depois de sua conversa com seu afilhado, Severus ficou um longo tempo com o olhar fixo em um ponto inexistente da lareira. Sentia que seu coração tinha parado e não voltaria a bater. O que tanto tinha temido, por fim se materializava ante seus olhos sem que pudesse fazer nenhuma maldita coisa para evitá-lo. Por uma segunda vez o amor fugia de seu lado e esta vez o deixava sem sequer uma migalha de esperança.
E apesar de tudo não podia odiar a Harry, o queria muito. Só podia rogar para que, lá onde estivesse, pudesse ser absolutamente feliz.
Levantou-se em silêncio e se dirigiu ao estúdio, onde deixou todos seus quadros. Com cuidado, buscou o quadro inconcluso, aquele que Harry sempre lhe perguntava quando ia terminar e ele sempre dizia que mais tarde. Talvez porque inconscientemente o estava reservando para um momento como este. Para derramar sobreele todo o amor e a dor que sentia sua alma nesse instante.
Tirou um cavelete e apoiou o quadro; logo buscou suas tintas, seus pincéis, sua paleta e começou a pintar. Seu objetivo: transformar esse quadro na representação de seu lar, o lar que nunca poderia alcançar.
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A primavera se converteu em verão e o verão em outono. Enquanto o tempo seguia, imperturbável, todos foram acostumado-se a sua vida.
Depois de umas semanas de choro e de sentir-se miserável, Harry foi se acostumando a seu novo impedimento e voltou a sorrir, embora seus olhos verdes mantinham um véu constante de tristeza e melancolia.
Retomou sua prática no hospital, embora teve que adaptar-se a trabalhar com restrições. Também continuou estudando, apesar de estar consciente de que se não recuperava a mobilidade de suas pernas, também teria que renunciar a seu sonho de ser neurocirurgião.
Inclusive, tinha encontrado um novo objetivo em sua vida. Agora, todas as tardes, depois de terminar seu trabalho no hospital, se dirigia a seção infantil, onde um punhado de crianças doentes o recebiam com gritos de alegria e um monte de amor.
- Conte sobre a baleia branca, Harry.
- Não, melhor como Peter Pan venceu o Capitão Gancho.
- Hoje é a vez das meninas, conte sobre a Cinderela, sim?
E embora isso o ajudasse a seguir, quando chegava à noite e estava só em sua cama, estranhava uns braços quentes e uma respiração que enchesse sua alma. Estranhava a Severus.
Severus, por sua parte, tratou de submergir-se na pintura, com o desejo de esquecer. Caminhando pelas praçase calçadões, conheceu gente nova, artistas boêmios que, por falta de oportunidades, expunham suas obras abaixo da protetora sombra de alguma árvore, na esperança de que algum visitante comprasse algo, dinheiro que geralmente utilizavam para sobreviver e adquirir materiais para seguir pintando.
Sentado ao lado desses incríveis seres humanos, e graças a que conhecia algo de seu idioma, foi encontrando a verdadeira essência do artista, aprendendo coisas que jamais poderia ter aprendido em uma academia, por melhor que esta seja. E ele, que nunca teve amigos, encontrou um monte. Gente simples que compartia seu amor pela pintura e que lhe ensinou que tinha um mundo distinto, um grupo de pessoas que viam a vida com otimismo e alegria apesar das dificuldades.
E pintou. Colocando seu cavalete ali onde via algo digno de pintar, completamente entregado a sua arte.
Mas ao igual que Harry, cada vez que chegava a sua cama vazia, a abrumadora solidão inundava sua alma, e estranhava a aquele ao redor de quem tinha girado sua vida, por uma ou outra razão, desde que o conhecia aos onze anos. E cada vez que regressava ao Valle d'Orcia, ia para a colina ao final do dia. Mas nenhum entardecer foi igual, porque seu coração já não estava junto a ele.
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Severus caminhava apressado pelo amplo calçadão, habitualmente cheio de artistas boêmios, mas que essa tarde, pelo inclemente frio, se encontrava quase vazio. No entanto, o homem sabia que Bertram estaria exibindo seus quadros apesar da espantosa temperatura.
- Um dia vai amanhecer morto em um canto – resmungou, quando viu que estava certo e seu amigo estava sentado em seu banco habitual.
Bertram Kehl era um homem alto e de cabelo branco, que na ocasião já contava setenta e cinco anos. Sem nenhum familiar conhecido, vivia em um pequeno sótão que alugava de uma família generosa por um euro ao mês, que o ancião pagava pontualmente cheio de orgulho. Os donos da casa também pagavam a calefação, argumentando que ia dentro do custo do aluguel.
Vivia do que ganhava com a venda de seus quadros, e quando passava muitos dias sem vender, o pobre dormia sem comer, pois seu orgulho lhe impedia aceitar o que considerava caridade.
Severus tinha se acostumado a se sentar um pouco para conversar com Bertram sempre que passava por esse lugar, pois lhe encantava a filosofia de vida que transmitiam todas as palavras do ancião. E quando via que a venda estava complicada, comprava algum quadro, com o pretexto de dar um presente, e aliviava sua situação até que as coisas melhorassem sem que o homem se sentisse humilhado.
Chegando ao lado do ancião, Severus se sentou no banco, tirou dois copos de plástico e abriu uma garrafa térmica que trazia consigo.
- Faz um frio de lascar, Bertram – disse, entregando-lhe um dos copos cheio de café quente. – O que faz aqui?
O ancião, agradecido, pegou o copo, e depois de soprar, deu um ligeiro gole.
- Está delicioso, obrigado – disse, antes de agregar. – Tenho que trabalhar.
Severus abriu uma bolsa que também levava e tirou dois strudels quentes, entregando-lhe um ao outro homem.
- Mas ninguém virá comprar com este clima, Bertram. E o lugar está solitário, não há ninguém vendendo.
O alemão moveu a cabeça descartando o argumento, enquanto dava um novo gole ao café.
- É impossível – comentou Severus, rindo suavemente. – Em todo caso, hoje é seu dia de sorte, vou comprar todos os seus quadros.
Bertram ficou vendo-o por um bom tempo.
- Não preciso de caridade, Severus.
- Não é caridade. Aproxima-se o natal e tenho vários presentes que fazer, é negócio.
- Você pinta.
- Sim, mas preciso dos meus quadros para uma exposição – respondeu Severus, bufando. – E não proteste mais. Se não está interessado em vendê-los, diga-me e busco outro pintor.
O ancião lhe deu um sorriso agradecido.
- Está bem, Severus, são seus.
- Mas tenho uma condição.
- Qual será? – preguntou Bertram, desconfiado.
- Deve me prometer que vai dedicar estes dias para pintar, e não vai sair para vender até que melhore o clima.
Bertram o olhou novamente. Claro que sabia as razões pelas que seu amigo fazia tudo aquilo. Mas ele estava doente, e o clima esse ano era extremamente rigoroso, sabia que se não aceitava seu pedido provavelmente não conseguiria superar esse inverno. Então sorriu.
- Prometo – sussurrou, antes de dar uma mordida em seu strudel e mudar de tema. – Vai fazer uma exposição?
- Sim, é parte do prêmio – explicuo, animado.
- Para quando?
- Despois do dia quinze, vou ter uns dias de férias e aproveitarei.
- Aqui?
- Não, fora, embora ainda não escolhi o lugar. Tenho cinco opções.
- Inglaterra?
-Sim, é uma delas.
- Aceite-a – aconselhou o ancião, enquanto se levantava e começava a acomodar seus quadros para que Severus os levasse. – Faça caso de um ancião que viveu mais que você; volte para Inglaterra, passe o natal com sua família.
- Já não há nada na Inglaterra para mim – sussurrou Severus com voz dolorida.
- Quem sabe, Severus – Bertram palmeou suas costas. – Os milagres costumam acontecer no Natal.
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- Harry – chamou Hermione, quando o jovem saiu de Saint Mungos, manejando sua cadeira de rodas elétrica.
- Mione, que gosto te ver – cumprimentou-a, sorridente. – Como te ocorreu sair de casa com este clima?
- Queria conversar com você assim que decidi vir te buscar.
- Pois te agradeço, a idéia de esperar o ônibus com este frio não me resultava para nada atrativa.
- Que tal se primeiro me convida para tomar um chocolate quente?
- Uii, deve ser muito grave o que quer me dizer para que me convide a um chocolate – gozou o jovem, ao tempo que entravam em uma cafeteria próxima. Quando estiveram comodamente instalados e com uma fumegante xícara na mão, Harry buscou os sinceros olhos de sua amiga. – O que acontece, Mione?
- Severus está na cidade – informou de supetão. O jovem emudeceu, a última coisa que tinha esperado ouvir era semelhante notícia. – Amanhã inaugura uma exposição em uma galeria de Nothing Hill.
- O viu? Como está? – gaguejou, em quanto se repôs o suficiente para falar.
- Não o vi. Falou por telefone com Draco, justo agora foi vê-lo no hotel – ao ver a mistura de emoções no rosto de seu amigo, Hermione aconselhou. – Harry, tem que ir falar com ele. Deve lhe contar.
- Não, Mione, agora muito menos. É que não se dá conta? Vai expor – os olhos verdes brilharam de orgulho. – Isso é muito importante, é o primeiro passo para que obtenha o reconhecimento que merece.
- Mas não vai perder isso porque você esteja a seu lado.
- Provavelmente já me esqueceu, tenha decidido conhecer homens muito mais interessantes na Alemanha.
- Harry, Severus não te esqueceu. A primeira coisa que fez ao falar com Draco foi perguntar por você.
- E o que disse Draco? – perguntou Harry, assustado.
- Que estava em Londres – ao ver que o jovem ia protestar, a garota levantou uma mão. – Draco não podia seguir mentindo-lhe.
- E se aparece pela minha casa?
- Não acho que o faça, embora penso que seria o melhor que poderia passar a ambos.
- Hermione.
- Não penso dizer mais nada. Está deixando sua felicidade ir pelo cano, mas é um adulto e sabe o que faz.
Ambos ficaram um bom tempo pensativos.
- Quero ir para a galeria.
- Assim se fala – a jovem sorriu, radiante. – Amanhã é a inauguração. Draco e eu podemos passar para te buscar.
- Não, não me entendeu. Quero ir, mas não amanhã, senão em um par de dias, me acompanharia?
- Ai, Harry, o que vou fazer com você? – Hermione soltou um suspiro enquanto pegava a mão de seu melhor amigo e a apertava com afeto. – Sim, te acompanharei.
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Dois dias depois, Harry, protegido baixo um feitiço de glamour, entrava na elegante galeria de Nothing Hill, acompanhado por Hermione, quem a pedido de seu amigo também tinha mudado seu aspecto.
O jovem de olhos verdes recorreu com orgulho toda a exposição, onde muitos dos quadros já luziam o cartaz de vendido. Quando chegou ao quadro que ocupava o lugar de honra, ficou admirando-o com a boca aberta.
- Por fim o terminou, Severus – sussurrou em voz baixa, enquanto observava a bela paisagem do Valle d'Orcia, e debaixo deste o título do quadro, Sonho de Lar. No entanto, notou que tinha algo que não estava no esboço original. Na esquina inferior direita, tinha pintado uma pequena colina, e sobre ela duas figuras abraçadas. Aproximou-se para olhar com mais detalhe e seus olhos se inundaram de lágrimas; eram Severus e ele, tal como estavam vestidos naquela distante tarde.
Frenético, buscou com o olhar a pessoa encarregada da galeria. Logo, viu aproximar-se um homem elegantemente vestido.
- Boa tarde, monsieur, mademoiselle – cumprimentou com um acento francês a todas luzes falso. – Espero que estejam desfrutando a exposição.
- Boa tarde, senhor – respondeu Harry com cortesia. – Gostaria de comprar este quadro.
- Lamento, monsieur, mas não está a venda.
- Por favor – suplicou, fingindo estar realmente aflito. – Eu vivi um tempo no Valle d'Orcia, quando ainda podia caminhar. Este quadro me traz tantas lembranças de uma vida que já perdi.
- Mas é que...
- Por favor, é muito importante.
- Está bem, verei o que posso fazer.
- Mas preciso levá-lo hoje mesmo, saio de viagem amanhã cedo.
- Mas isso é impossível, monsieur. É o quadro principal, a exposição ficaria...
- Estou seguro que poderia arrumá-lo. Estou disposto a pagar o dobro de seu valor se posso levá-lo hoje mesmo.
- Está bem. Se me desculpam um momento, verei o que posso fazer.
- Harry, por acaso ficou louco? Vai custar uma fortuna – disse Hermione quando o homem se afastou.
- Daria tudo o que tenho por obter esse quadro. Se não tivesse aceitado, teria lhe enviado um império, te asseguro. Não penso permitir que ninguém mais o tenha, esse quadro não.
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- Como que venderam o quadro? Dei instruções precisas, não estava à venda.
- O jovem estava paralítico, me deu tanta pena. Ademais, ofereceu muito dinheiro por ele, monsieur. Foi uma excelente venda.
- E uma merda. Quero meu quadro de volta, e mais vale que o recupere antes que termine a exposição ou se verá comigo, monsieur.
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Harry estava na sala de sua casa, deitado sobre um sofá com uma manta sobre as pernas. De novo era vinte e quatro de dezembro, e como o natal do ano novo, tinha decidido ficar em casa ao calor do fogo em lugar de ir ceiar com seus amigos.
Mas a diferença daquela noite, esta vez estava desesperado por assistir a essa ceia, só porque sabia que Severus também estava convidado. Teria dado tudo o que tinha por voltar a ver seus maravilhosos olhos negros e escutar sua voz. Mas era um sonho que não podia ser, não tinha forma possível para dissimular sua invalidez diante de seu antigo namorado. Teria que se conformar com acariciar a simples folha de pergaminho onde estavam escritas essas maravilhosas palavras: Te amo.
Olhou o relógio sobre a estante da lareira, quase meia noite. De repente, uns decididos toques na porta fizeram que levantasse a cabeça, intrigado. Quem poderia estar chamando a sua porta em véspera de natal?
- Se é Papai Noel, não estou – respondeu.
- Não sou nem parecido a esse gordo pançudo, Potter, e aqui faz muito frio. Abriria a porta, por favor?
- Severus – sussurrou Harry, alarmado. Olhou a cadeeira de rodas, em uma esquina ao lado do sofá, e pegando sua varinha, recitou um conjuro e a enviou a sua habitação, fechando a porta. Logo, se acomodou melhor a coberta sobre as pernas e respondeu:
- Está aberta, Severus, pode passar.
A maçaneta girou e ao momento a figura de Severus se recortava na soleira.
- Boa noite, Harry – cumprimentou, ao tempo que fechava a porta, e o jovem acreditou que se derreteria ao voltar a escutar a rouca voz. – Está doente? – perguntou, olhando a coberta de alegres cores sobre suas pernas.
- Não, é só que tinha um pouco de frio.
- Já vejo – sussurrou o homem. – Posso? – perguntou, fazendo menção de tirar o casaco.
- Sim, claro, ponha-se cômodo.
Enquanto se desfazia de seu casaco, Harry o olhou, estupefado. Com o smoking de impecável corte, o elegante cachicol branco ao redor do pescoço e o comprido cabelo atado em um rabo de cavalo, Severus Snape estava impressionante.
- Os rapazes me disseram que não assistira a festa desta noite – comentou o recém chegado, ao mesmo tempo que deixava o casaco em um cabide que tinha em um canto. – Me vou em poucos dias e não queria partir sem saúda-lo. Espero que não te incomode minha visita.
- Para nada – respondeu Harry, lutando por manter-se sereno. – É muito grato voltar a vê-lo.
Severus o olhou com suspicacia. Em quanto entrou, tinha notado a folha de pergaminho caída a um lado do sofá, e, por suposto, tinha reconhecido sua própria letra nele. E o nervossismo de Harry lhe indicava que algo estranho estava passando, embora não podia definir o que era. Sentou-se em uma poltrona frente ao jovem e esticou as pernas.
- E como foi em sua viagem pelo mundo? – perguntou com tom casual.
- Bem – engoliu com força, cada vez se sentia mais nervoso.
- Aonde foi?
- Eu... pois... a Egito. Isso, viajei para o Egito.
- Já vejo. Lindo país Egito – comentou Severus com um sorriso. – Por certo, Potter, vai ter que pegar umas aulas de como ser um bom anfitrião. Estamos em natal e não me ofereceu uma bebida – reclamou, usando o mesmo tom irônico de seus tempos de Hogwarts. Harry pensou que só faltava lhe dizer cinqüenta pontos a menos para Grifinória para ser uma lembrança perfeita.
- Sim, claro, que tonto sou – se desculpou. – Nesse barzinho tem bebidas, sirva-se o que quiser.
Ainda intrigado pela atitude tão estranha de Harry, que não tinha se movido do sofá onde estava deitado, o homem se dirigiu ao barzinho e procedeu a se servir um whisky.
- Toma algo? – perguntou, manipulando as garrafas.
- Não, obrigado.
- Teria um pouco de gelo? – indagou, olhando-o e mostrando-lhe o copo.
- Sim, claro, na cozinha – respondeu, indicando uma porta. – Sinta como se estivesse em sua casa.
Severus entrou a limpa cozinha franzindo o cenho, o que demônios se passava com Harry? Enquanto abria o freezer para tirar o gelo, seu olhar se pousou em um dos armários altos; estava vazio. Intrigado, revisou o resto dos armários; enquanto os de baixo estavam cheios de inumeráveis acessórios de cozinha, os de cima estavam completamente vazios. Então, lembrou o que tinha falado o encarregado da galeria uns dias atrás e uma luz de entendimento mostrou-se a seu cérebro.
- Merlin, Harry – sussurrou em voz baixa, sentindo que seu coração se estremecia de dor.
Fazendo um esforço sobrehumano, conseguiu que seu rosto refletisse uma serenidade que estava longe de sentir e retornou para a sala.
- Bom whisky – comentou, mas não tornou a se sentar senão que, com ar distraído, deu uma sutil mudança de direção. – Sabe, terminei o quadro do vale.
- Sim? Me alegra muito que decidisse fazê-lo – respondeu o jovem, sem perder detalhe dos movimentos do maior.
- Sim. Mas lamentavelmente o perdi. Não estava a venda – foi se aproximando a única porta que havia na sala –, mas o encarregado da galeria se comoveu. Disse que... – segurou a maçaneta da porta e empurrou.
- Severus, não... – suplicou Harry, os olhos cheios de lágrimas.
O homem ficou na soleira, olhando alternadamente o belo quadro sobre a cabeceira da cama e a cadeira de rodas a um lado. Depois de um momento, se girou e cravou seus negros olhos em Harry.
- Disse que um jovem paralítico tinha suplicado para que lhe vendesse – aproximou-se ao sofá e se agachou até ficar a altura do outro. – O que aconteceu, Harry?
O aludido respirou ar profundamente, o momento que tinha desejado e temido com igual intensidade por fim tinha chegado.
- Aconteceu na noite que partiu para a Alemanha – começou a explicar, com um tom que tentava conservar sereno. – Recebi sua carta e... Merlin, Severus, me senti imensamente feliz quando li que me amava – o homem estendeu a mão e enxugou uma lágrima rebelde que se deslizava pela bochecha de Harry. – Empacotei umas quantas coisas e sai correndo. O beco aqui perto estava ocupado e não pude aparatar, assim que corri rua abaixo, com a intenção de chegar a uma casa abandonada. Mas quando atravessei a avenida, um carro... – sua voz se quebrou e já não pode continuar.
- E por que não me chamou? – perguntou o homem, a voz impregnada de ternura. – Por que Draco me disse que você tinha ido conhecer o mundo?
- Eu lhe pedi que o fizesse – olhou para Severus com uma súplica nos olhos. – Ao final ia fazer algo que realmente gostava, Severus, algo que enchia sua alma. Não podia permitir ser a causa de que interrompesse seu sonho.
- Por acaso nunca entendeu, Harry? – Severus o segurou pelos ombros com firmeza. – Você é meu mais preciado sonho. Por muitas coisas que faça, sem você minha alma sempre vai estar vazia.
- Sinto tanto – sussurrou Harry, já desmoronadas suas defesas e chorando sem controle. – Tanto.
Severus o abraçou contra si, deixando que se desabafasse, e beijou seu sempre alvoraçado cabelo negro.
- Tranqüilo, meu menino, já passou – murmurrou, enquanto o embalava suavemente. Quando sentiu que a aflição ia cedendo, o separou com suavidade. – O que disseram sobre a invalidez? É... irreversível?
- Na última visita que fiz a São Mungo me disseram que preciso de uma operação, que há boas possibilidades de que me recupere. Por fortuna, a única zona afetada são minhas pernas, ao parecer isso facilita as coisas.
Severus sorriu amplamente.
- Definitivamente as facilita – sussurrou com picardia, tentando animá-lo; Harry enrubesceu, envergonhado mas sorriu fracamente.
- No entanto, não é seguro que me recupere – apressou-se a agregar, antes de acariciar o rosto do que seria seu amor. – Se não há solução, não desejo que ate sua vida a um inválido, não é justo.
- O que não é justo é que me diga isso, Harry – o homem o olhou com os olhos negros cheios de amor. – Sei que vai se recuperar, não por nada é um pirralho teimoso e voluntarioso – o jovem sorriu levemente. – Mas ainda se isso não chegasse a passar, eu seguiria estando mais feliz de estar unido a você.
- Merlin, Harry, é o melhor presente que me deram na vida. E meu único desejo é que o céu me permita seguir desfrutando deste belo presente até o último dia de minha existência.
- Te amo tanto, Severus.
O homem retirou a coberta para logo inclinar-se e levantar seu pequeno em braços, antes de tomar seus lábios em um beijo apaixonado, que foi correspondido com urgência e ardor. E enquanto se encaminhavam para o quarto, ambos souberam com certeza, no fundo de seus corações, que enquanto estivessem juntos e contassem com o presente de seu amor, não teria dificuldades que não pudessem superar.
Enquanto se amassem, sempre teria a possibilidade de encontrar um Milagre de Natal.
...:::::::::FIM:::::::::...
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NA: Seguramente alguns se preguntaram por que não coloquei a recuperação de Harry. Confesso que por um segundo o pensei, mas ao final considerei que isso desvirtuaria a mensagem.
A vida muitas vezes leva consigo problemas e tristezas, e as vezes chegamos a pensar que isso vai acabar conosco. Mas sempre, sem importar qual seja o problema, com o amor e o apoio dos que nos amam, podemos enfrentar a adversidade e viver uma vida plena e feliz.
E a vocês que me lêem, já sabem, se querem me presentear algo pelas festas, me deiem un comentario, a vocês lhes custa pouquinho e a mim me faz muito feliz.
Bem, meus queridos leitores, só me resta desejar-lhes um FELIZ NATAL, que o comemorem com as pessoas que amam e que a vida lhes traga um imenso acúmulo de coisas belas.
Beijinhos natalinos e todo o amor do mundo.
Alisevv
NB:QUE FOFO!!! Amei essa fic. E espero que todos gostem como eu gostei.
NT: Olá pessoal!!!!! Espero que tenham gostado desta surpresa de natal que traduzi para vcs. Apesar que veio bem depois do natal rs. Eu me apaixonei por essa fic desde o momento que a li pela primeira vez. E agradeço a Alisevv por me dar a autorização para traduzir esta oneshot para vcs, e também a Miyu por betar as duas partes da oneshot para mim. E obrigada Vivvi pelo seu comentário.
Também queria avisar que essa semana não haverá atualização da fic Profecia, pois o arquivo do capítulo deu problema e todas as vezes que digito uma letra ele fecha. Então terei que traduzir todo o capítulo de novo. E o capítulo de Tudo por amor ainda não foi devolvido pela beta, então assim que o receber estar postando ele.
Ah!! E antes que me esqueça! Queria avisar que já estou traduzindo a segunda parte de Melvin's Coffee, mas ainda vai demorar um pouquinho pois tem mais 28 páginas no word. No mais tardar para fevereiro eu terei ela traduzida e betada para vcs.
Bjus
Allexa
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