Capítulo 1 – O Broche

Sentia-me levemente enjoado. O cheiro do álcool bebido na noite passada permanecia infiltrado em minhas vestes. Minha cabeça latejava como nunca antes, era como se milhões de martelos tentassem acertar em diversos pregos mentais. Lentamente consegui sentar-me na cama a qual havia adormecido sem saber. A tontura constante fez-me cerrar os olhos com força. Logo pude abri-los para fitar o lugar, ainda, desconhecido. Minha cabeça latejou mais fortemente ao adentrarem o quarto e baterem a porta.

-Miroku, por favor... não bata esse porta outra vez!

-Ah... me desculpe... Eu devia imaginar que depois da noite anterior você fosse ficar mais sensível aos pequenos ruídos diários.

-Pode me responder uma coisa?

-Dependendo o que...

-Onde, exatamente, estamos?
-Ah! Claro! Claro! – ele foi até a janela fechando a cortina e em seguida puxando um banco de madeira que permanecia em um canto escuro – Tive que apelar... estamos na pensão da Kaede...

-Por que me trouxe pra cá?

-Preferia ter ficado estirado no chão como um bêbado vagabundo? – ele tirou a carteira de cigarro do bolso acendendo o isqueiro que mantinha em mãos desde a chegada. Ele deu uma tragada no cigarro, logo soltando a fumaça no quarto sem cerimônia – Mal agradecido!

-E você lá se importa com agradecimentos? – resmunguei sentindo os "martelos" baterem novamente em minha cabeça – Poderia fumar perto da janela?

-Você sabe que a velha não gosta dos meus fumos.

-Então vá encontrar outro lugar pra fazer isso! Minha cabeça está latejando três vezes mais por sua causa.

-Já vou... – ele se levantou atirando o toco do cigarro no chão, pisando em cima dele em seguida – A propósito, tem algo marcado para sábado?

-Devia saber que minha agenda está completamente...!

-Vazia? Deixe-me ver um instante... – ele pousou o dedo indicador sobre o queixo transformando seu semblante de desatento e despreocupado a pensativo e estranhamente... culto – Sua namorada te deixou, seu irmão te demitiu, você ainda está no mínimo 45 bêbado... Gastou pelo menos 20 das economias em bebida... Cara, sua vida é um lixo!

-Obrigado por me animar... – suspirei pensando seriamente nos "dados pessoais" que ele me forneceu. Realmente minha situação momentânea era horrenda! – O que vai ter sábado... amanhã...?

-Eu e um amigo vamos acampar, ta interessado?

-Quanto tempo vão se drogar?

-O que... uns três, quatro dias.

-Afh... – respirei fundo tentando ignorar as dores que se intensificavam – Eu vou, mas nada de porcarias pra mim... Só quero matar tempo.

-Esse é o espírito! – Miroku riu estridentemente fazendo-me cerrar os olhos outra vez – Bom... eu vou indo agora... Tenho muito o que fazer! – ele rumou até a porta abrindo-a e passando por ela.

-Miroku?

-Sim?

-Diga à velhota para que me traga algo pra essa maldita dor de cabeça.

-É pra já! – ele sorriu e bateu a porta.

Bufei escorando-me a parede, enquanto as pernas permaneciam estiradas sobre a cama. No mais tardar dez minutos, a velhota Kaede já havia me "medicado" e me dado um sermão sobre o que o álcool causava. Eu, é claro, não prestei atenção alguma... Preferi ficar de olho nas altas árvores de cerejeira vistas pela janela, agora, aberta. Algumas recomendações para esse tal "acampamento" também me foram dadas por ela e desta vez, eu preferi acompanhar o vôo de alguns pássaros.

-Agradeci-lhe por tudo saindo, finalmente, de seu estabelecimento. Acho que é bem por isso que Miroku não gosta de ir lá... Ela não é má pessoa, mas... quando abre a boca não fecha mais! O que posso lhes contar sobre esses dois...?

Miroku é um antigo amigo de escola. No colegial era muito inteligente e educado, mas como todos mudam... Na faculdade ele passou a se preocupar somente as mulheres, com bebidas e... bom... drogas... Apesar dos seus milhares de defeito, Miroku é um bom amigo. Como devem ter percebido ele sempre tenta me ajudar de alguma forma. Já a velhota Kaede é uma... hum... antiga amiga da família. Ela também sempre ajuda a todos... uma velhinha bacana ela. Mas tagarela...

Já eu... estou em declínio total... Miroku já me fez o "favor" de fornecer-lhes alguns dos "porquês" de minha bebedeira. Não sei, ainda, o porquê de tanta coisa ruim me acontecer tudo de uma única vez. Eu não sou perfeito, mas não mereço tanto!

Depois que saí da pensão da velhota Kaede, me dirigi diretamente para minha casa no subúrbio da cidade... Não era muito agradável, aquele lugar, mas foi o que eu consegui. Como diria o Miroku: "Ao mesmo você tem onde morar!". E o pior é que, desta vez, ele está correto (o que é algo incrivelmente raro). Adentrei a casa encostando a porta e seguindo diretamente para meu, quase vazio, quarto. Estirei-me lentamente sobre a velha cama de casal soltando um longo e cansado suspiro. Fechei meus olhos tentando adormecer, mas não obtive sucesso algum nessa missão... tudo que eu via ao fechar os olhos era uma única flor de cerejeira azul.

Engraçado... flores de cerejeira não são azuis! Ou são? Não, não... certamente que não são! Todas as que eu vejo são em tons de rosas claro! Mas não há nenhuma azul... Tornei a fechar os olhos enxergando novamente a flor... Somente uma única florzinha azul em meio a uma escuridão sem fim.Eu quis saber um pouco mais sobre isso, foi então que ela se desfez deixando-me, apenas, a escuridão.

Abri os olhos procurando o telefone que tocava desesperado. Corri até a sala tirando-o do gancho e o atendendo.

-Alô?

-Daí rapaz! Pronto pra acampar?

-Que? Está louco? Eu acabei de chegar em caso!

-Você chegou em casa às quatro e meia da tarde?

-Putz! Eu dormi de verdade!

-Hum?

-Nada! Esquece! Que hora nós vamos?

-As dezoito em ponto... Vai dar ou vamos ter que mudar a hora?

-Não, não! Tudo bem! Vai dar tranqüilo!

-Beleza! A gente passa aí daqui a pouco!

-Ta... que seja...

-Então ta, camarada! A gente se vê!

-Sim, claro...

-Tchau!

-Tchau...

Coloquei o aparelho de volta no gancho sentando-me no único sofá da sala. Escorei minha cabeça tornando a lembrar da estranha flor azul... Não faço idéia de onde ela pode ter surgido... Era algo tão incomum que não me deixava em paz um segundo! Ela me parecia tão... real, e ao mesmo tempo tão irreal! Não que eu acredite que ela possa significar algo, mas... Ela simplesmente não me deixa em paz!

Voltei para meu quarto pegando uma mala embaixo da cama. Abri as portas do guarda-roupa pegando algumas calças, camisetas, calçados... O básico para sobreviver a um "acampamento" de três dias no máximo. Tomei um banho colocando uma calça larga preta e uma regata vermelha. Peguei a mochila indo até a sala. Calcei um tênis e me pus porta afora. Tranquei o apartamento e me dirigi para frente do prédio. Atravessei a rua sentando-me em um dos bancos da pequena praça.

-E aí mano! – pude ouvir após um curto tempo de espera.

-Que...? – olhei para o lado vendo Miroku e um outro cara com ele – Ah... chegaram... – me levantei indo até o carro.

-Beleza! Inu-Yasha esse aqui é o Bankotsu, Bankotsu esse é o Inu-Yasha. – Miroku falou abrindo a porta traseira do carro.

-Prazer, rapaz!

-Prazer... – falei sentando-me e respirando fundo.

-Ok! Andando! – Miroku exclamou a Bankotsu após fechar a porta do carro.

-E lá vamos nós... – Bankotsu falou ligando o carro.

Respirei fundo fechando os olhos... Não queria pensar em mais nada... Só em chegar naquele acampamento, comer uma boa comida e dormir... Bom... dormir se aqueles dois me deixarem, é claro... Pude sentir-me chacoalhado diversas vezes. Abri meus olhos vendo Miroku sorrir.

-HA! HA! HA! Chegamos! – ele exclamou sorrindo ainda mais – Dê uma olhada!

Sentei-me direito no banco fitando o lugar ao nosso redor. "Nada mal..." pensei notando que esse lugar era exatamente o oposto do que eu tinha pensado. Era tudo bem cuidado, espaçoso, povoado... Possuía um lago, ou açude se preferirem, bem ao que parecia ser o centro... Parecia um camping... Acho que jurei ter ouvido Miroku falar que esse lugar É um camping... Éh... ele falou... Logo paramos o carro em um bom local, onde o descarregamos. Montamos as barracas e já passavam das oito segundo o Miroku. Bankotsu sorriu e foi fazer a comida, Miroku sentou e pegou uma cerveja e eu me atirei dentro de uma das barracas. Eu precisava descansar...

-Não vai jantar, Inu-Yasha?

-Me chame quando estiver pronto, Miroku... Preciso relaxar um pouco.

-Ao menos está no lugar certo pra relaxar! – ele riu espichando-se na cadeira de sol.

-Sei... – murmurei fechando os olhos. Apaguei...

E assim foi se passando... Até que, finalmente, chegou o terceiro dia. Ficaríamos ali até amanhã... Não que eu não estivesse me divertindo. Estava tudo muito legal e Miroku e Bankotsu são gente fina... Mas... agora eu precisava é da minha casa e da minha cama, se é que me entendem?

Miroku e eu saímos caminhar... isso é o que mais fazemos... Bankotsu ficou "pescando"... Miroku não calava a boca e isso me deixava nervoso... Muito nervoso...

-Dá pra calar a boca seu demente? Faz mais de uma hora que está falando sem parar! Não acaba a pilha, não?

-Deixa de ser chato, Inu-Yasha! Eu só estou te contando algumas estórias minhas!

-Deixe essas estórias pra lá! Eu não quero nem saber! Não posso mais nem caminhar em paz agora!

-Ok! Senhor Resmungão! Estou voltando pro acampamento! Vê se não demora!

-Cah!

Suspirei vendo Miroku se distanciar cada vez mais. Virei-me de frente para a àrvore que há pouco havia visto... uma enorme cerejeira, a maior que já vi ali naquele local... Suas raízes já saiam da terra mostrando-me que fazia realmente muito tempo que ela ali permanecia. Que bom que é primavera... adoro o cheiro de sakuras que essas àrvores exalam nessa época... Respirei fundo sentindo a fragrância adocicada acalmar-me como fazia de costume. Deixei um sorriso escapar antes de notar algo brilhando aos pés da àrvore. Forcei a vista notando claramente a semelhança com uma das flores de cerejeira, mas com uma única e marcante diferença: era azul... azul claro... asagi... Curiosamente aproximei-me de tal... "flor" agachando-me e esticando a mão para tocar-lhe. Ao sentir o frio de tal peça, concluí de que não se tratava realmente de uma sakura... A flor era fria... bom... até certo ponto... Senti algo quente encostar-se em minha mão e em seguida pus os olhos na direção do toque. Notei dois belos orbes puxados em tom achocolatado fitarem-me gentilmente e na doce boca um leve e encantador sorriso encabulado. Sorri para a feição graciosa de perfume agridoce que agora recolhia a própria mão para perto do peito. O sorriso da jovem mulher fez meu coração disparar fazendo-me indagar-me sobre ter corrido por várias horas seguidas. Fitei-a por um longo tempo permanecendo com um anormal sorriso nos lábios. Eu não sorria com malícia, ou com sarcasmo como costumava fazer... sorri-lhe com... carinho... Vi-a elevar-se nos membros inferiores permanecendo a encarar-me com aquelas mesmas pérolas luzidas... Finalmente pude vê-la entreabrir os lábios de onde sua graciosa voz surgiu.

-Ah... Esse... esse broche é meu... – ela informou-me enquanto eu fechava o objeto em minha mão elevando-me para notar nossa diferença considerável de tamanho.

-Ah... – o sorriso de meus lábios aumentou enquanto eu estendia-lhe o broche com carinho – Desculpe... eu só estava olhando...

-Obrigada... – ela sorriu-me mais fazendo o coração disparar outra vez no peito.

-Posso... saber seu nome?

-Kagome... Higurashi Kagome...

-Tachi Inu-Yasha... Mas me chame como quiser... Meu amigo por exemplo varia todo dia... É idiota, resmungão, irritado, imbecil, cabeça oca e todas essas coisas boas desse mundo... – informei-lhe persistindo com aquele sorriso enquanto ela ria.

-Você é mesmo tudo isso?

-Despende o momento... agora não...

-Não?

-Não...

-Motivo?

-Vo...!

-Kagome! Achou aí?

-Ah... Sim Sango! Eu já vou! – ela gritou docemente para uma garota não muito longe enquanto abanava – Bom... tenho que ir. – ela deu-me um último sorriso virando-se de costas e correndo até a outra garota.

-Senhorita Kagome! – exclamei enquanto via as duas se afastarem. Vi-as virarem-se em minha direção e meu coração disparou mais uma vez – Vamos... nos ver de novo?

-Claro! – escutei-a pronunciar enquanto abanava-me logo retornando para seu caminho com a outra garota.

-Ótimo... – murmurei suspirando e escorando-me na árvore causadora do nosso encontro – Obrigada... – murmurei ainda mais baixo enquanto sentava-me aos pés da árvore com o mesmo sorriso ainda presente. Fechei os olhos sentindo a brisa tocar-me a face enquanto lembrava-me da jovem que acabara de partir.

-Que sorriso é esse, Irritadinho?

-Hum...? – abri meus olhos vendo Miroku agachado ao meu lado analisando-me espantado.

-O que aconteceu? Até parece que foi iluminado!

-Ora! Não fale besteiras! – resmunguei levantando e seguindo para o lado contrário ao que as jovens fizeram mais cedo.

-Estava dormindo? Faz mais de uma hora que estamos te procurando.

-Devia estar... Não sei... – sorri uma última vez ao lembrar novamente das feições angelicais da jovem que devia ter me deixado há mais de meia hora.

-O que está acontecendo com você? Esse sorriso não é normal em você cumpadi... Ah! Já sei! Encontrou-se com uma garota!

-Cah! Deixa de ser idiota!

-Ahhhhaaa! O Inu-Yasha está apaixonado!

-Cale a boca... pervertido...

-Está sim! Está sim! Olha sua cara de...!

-Miroku... – encarei-lhe com um sorriso leve – CALE ESSA MALDITA BOCA! – gritei irritado com toda aquela história imbecil.

-Vish! Seu humor não muda nunca rapaz! – Bankotsu exclamou ao encontrar-nos no caminho.

-FEH! Esse imbecil que não me deixa em paz!

-Ora! Só disse que ele estava apaixonado! Ao menos ela é bonita?

-Pare com essa história absurda! – exclamei sentando-me espichado em uma das cadeiras do nosso 'acampamento'.

-Você tinha que ver a cara dele Bankotsu! Parecia ter sido iluminado! E sorria anormalmente...

-Pode, por favor, parar de inventar essas bostas Miroku!

-Mas eu só estou falando o que vi!

-Você é cego então!

-Eu...!

Um assovio cortou o vento chegando até nossos ouvidos. Automaticamente nós três nos viramos na direção do barulho um mais curioso que o outro. Segurei-me para não sorrir ao ver novamente as feições de minha querida perdedora de broches. Em seguida ela levantou o braço acenando e eu apenas dei-lhe um meio sorriso retribuindo o ato.

-Ei Inu-Yasha! Vem aqui! – ouvi-a chamar-me aumentando o sempre tão doce sorriso.

-Já vou... – pronunciei-me enquanto levantava preguiçosamente sobre os olhares mais do que surpresos de meus companheiros. Guiei-me até as duas garotas, agora, sorrindo – Oi...

-Oi Inu-Yasha! – Kagome sorriu-me mais uma vez e meu coração acelerou mais do que das vezes anteriores – Ah! Essa é Sango, minha prima!

-Prazer! – a outra jovem exclamou sorrindo.

-O prazer é todo meu, Senhorita Sango! – sorri-lhe do mesmo modo que a sua companheira.

-Bom... eu... posso te pedir um favorzinho bem minúsculo?

-Claro que pode!

-É que... tem uma amiga minha que... tem uma quedinha por um de seus amigos... – ela pronunciou indicando a prima discretamente.

-Hum... entendo... Quem seria ele?

-Aquele que está ali na cadeira que você estava.

Virei-me na direção da barraca suspirando e lançando um olhar mortal ao ver meu 'querido' amigo sorrir maliciosamente em nossa direção.

-Miroku! Quer parar de me encher o saco?

-Que foi amigão? Não estou fazendo nada!

-Ora! Se não estivesse eu não o teria mandado parar! – exclamei tornando a olhar para as jovens vendo a prima de Kagome com a pele um tanto rosada – Aquele é o Miroku... o outro é o Bankotsu. Voltando ao assunto... o que eu posso fazer por vocês?

-Bom... queríamos que você nos apresentasse a ele, você sabe... pra sermos amigos e... bom... ver se rola algo...

-Claro que posso fazer isso! – sorri-lhe e vi-a retribuir o gesto – Que tal vocês chamarem essa... amiga e virem jantar conosco hoje?

-Por mim pode ser! Ela vai ficar muito feliz! Não vai, Sango?

-Vai sim... – a jovem encabulada concordou ainda mirando o chão.

Kagome e eu não evitamos as gargalhadas fazendo com que a garota ficasse ainda mais embaraçada. Respirei fundo parando de rir e encarando as jovens com um insistente sorriso.

-Então estamos combinados!

-Que horas podemos vir?

-A hora que quiserem! Sempre estaremos dispostos a tão bela companhia! – informei-lhes notando, agora, que Sango sorria enquanto Kagome permanecia rubra.

-Ah... muito... muito obrigada... Inu-Yasha...

-Não agradeça... É o mínimo que posso fazer por você minha Flor... – respondi quase que inconscientemente vendo o rubor de Kagome aumentar fazendo-me, então, notar o que realmente havia saído por meus lábios – Hum... desculpe... pelo... atrevimento.

-Atrevimento algum! – ela sorriu ainda encabulada puxando a prima e se virando de costas pra mim. Suspirei... eu havia estragado tudo! – Eu gostei! – ela finalmente completou antes de uma última olhada e um último sorriso.

Sorri afortunado com tal frase. Senti-me leve e só não me exaltei por causa de Miroku e Bankotsu. Fiquei incrivelmente alegre ao vê-la olhar mais uma vez pra traz logo cochichando com Sango e ambas soltarem algumas gargalhadas. Sorri uma última vez antes de fechar a cara e voltar para junto de meus companheiros.

-Dale Inu-Yasha! Duas de uma vez!

-Miroku, duas coisas: Um, não sou como você... E dois, são só minhas amigas.

-Amigas? – os dois indagaram surpresos com o que eu havia dito.

-Sim... não posso mais ter amigAs?

-Da onde vocês se conhecem? – Miroku indagou ainda desconfiado.

-Ué! As conheci por aí... – dei de ombros abrindo uma cerveja e ingerindo o líquido.

Logo ouvi risos e ambos levantaram começando um coro de: "Inu-Yasha está apaixonado! Inu-Yasha está apaixonado!" . Eu apenas suspirei revirando os olhos... Aproveitei a brecha sentando-me na mesma cadeira que estava antes de Kagome me chamar.

-Convidei-as pra jantar...

-O que? – Miroku indagou-me com os orbes espantados.

-Isso que você ouviu! E elas vão trazer uma amiga... – ingeri mais um pouco da bebida – Não seja pervertido com elas pelo amor de Deus criatura! Não as decepcione Miroku... Uma delas espera muito de você!

-Hum?

-Dããã! Uma das garotas ta apaixonada por você.

-Você sabe que eu não sou de me amarrar.

-Tenho culpa? Só não as afaste de nós com suas perversões...

-Afastar?

-São minhas amigas há pouco tempo. Podem tirar a idéia errada de nós por sua causa!

-Ahhhhhhhhhhhhhh... Me diga qual delas você ama!

-Deixa de ser patético! Somos somente amigos! Ouviu? AMIGOS!

-O que vamos fazer de jantar pra donzelas?

-Sei lá Bankotsu! Quem cozinha aqui é você! – Miroku exclamou acendendo um cigarro.

-O que elas gostam de comer Inu-Yasha?

-Sei lá! Geralmente não conversamos sobre comida! – bebi o restante do líquido amassando a lata e colocando-a no nosso lixo improvisado.

-Sobre o que costumam conversar? – Miroku sorriu maliciosamente.

-Que conversar Miroku? Os amassos não dão tempo pra conversa! – os dois riram em coro fazendo-me apenas bufar e gritar um: "IDIOTAS", ao vê-los entrar na barraca em busca de alimentos.

Suspirei colocando as mãos nos bolsos sentindo em seguida algo cutucar-me. Tirei o que quer que fosse do bolso me surpreendendo ao ver do que se tratava. "Essa garota não tem jeito..." pensei mirando o broche azul claro com um leve sorriso. A única coisa que eu não entendia era como viera parar comigo... Pensei alguns instantes...

"-Hum... entendo... Quem seria ele?

-Aquele que está ali na cadeira que você estava.

Virei-me na direção da barraca suspirando e lançando um olhar mortal ao ver meu 'querido' amigo sorrir maliciosamente em nossa direção.

-Miroku! Quer parar de me encher o saco!

-Que foi amigão? Não estou fazendo nada!

-Ora! Se não estivesse eu não o teria mandado parar! – exclamei tornando a olhar para as jovens vendo a prima de Kagome com a pele um tanto rosada – Aquele é o Miroku... o outro é o Bankotsu. Voltando ao assunto... o que eu posso fazer por vocês?..."

Sim, sim... a espertinha deve ter aproveitado meu momento de distração... Seria algo como uma garantia de que ainda fossemos nos ver? Ou... o que será que isso significa?

-Que é isso? – ouvi Bankotsu indagar ao sair da barraca.

-Isso o que? – Miroku indagou em seguida.

-Não com você mulherengo! O que é isso Inu-Yasha?

-Hum? Ah! Isso? – indaguei mostrando-lhes o broche e eles assentiram – Não sei... encontrei em meu bolso... – menti um pouco. Ia ser muito irritante explicar tudo a eles.

-Ha, ha, ha! Já sei! Ele vai dar pra namoradinha! – Miroku exclamou rindo e Bankotsu o acompanhou.

-Ha, ha, ha! Você errou idiota! Eu nem sei o que estava fazendo no meu bolso!

-Aposto 1.000 ienes como ele vai dar pra de cabelos negros! – Miroku exclamou encarando Bankotsu.

-Aposto 2.000 que ele vai dar pra outra! – Bankotsu sorriu maldosamente apertando a mão do amigo.

-E-e-e-eu não vou dar pra nenhuma delas!

-Ah! Seu mentiroso! Vai sim! Só não ga-ga-ga-gagueja ta! – Miroku riu alto fazendo-me apenas guardar o broche de volta e cruzar os braços, emburrado.

-Se não vai dar o broche por que cargas d'água você o guardou de volta? – foi à vez de Bankotsu me irritar.

-Ora! Você! – apontei para o mais alto dos meus amigos – Vá fazer a janta! E você, Senhor Pervertido! – apontei para o amigo restante – Faça algo que não me irrite se não vai se arrepender pelo resto da vida!

-E você! – ambos apontaram em coro pra mim enquanto eu só os olhava furiosamente. Eles se encararam e cochicharam alguns minutos antes de continuar em coro – Vá dá o broche pra sua namoradinha!

-Ora! Seus...! – levantei-me da cadeira vendo-os sair em disparada – VOLTEM AQUI SEUS IMBECIS!

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Olá pessoal! ALGUÉM ME PARE! SOU MANÍACA! December Love, Poemas e agora Asagi Sakura! Ah, não! Três é demais! XD uahauhauhahu! Como da última vez Kagome narrou a história (December Love) agora, em Asagi Sakura, é a vez de nosso querido Inu-Yasha falar um pouquinho de suas "aventuras"! Beijão pessoal e até o próximo capítulo!