CAPITULO OITO – MAIS UMA?

Cameron estava com enormes olheiras, que contrastavam furiosamente com sua palidez. Ela continuava ali na frente de uma das salas de trauma da Emergência do New York Hospital's.

Dentro da sala de traumas, uma infinidade de médicos e enfermeiras estavam socorrendo Chase. Eles deviam estar fazendo o socorro inicial, lhe dando todo tipo de medicamento.

Ela nunca havia feito residência em emergência. Não sabia como eram os procedimentos. Lembrou o que os paramédicos haviam dito sobre pressão, pulso, e outras coisas. Mas não conseguia lembrar do restante.

Ela ouvia muito pouco, somente conseguia pegar o burburinho dos médicos dando ordens, e vendo-os trabalhar, vendo as enfermeiras andarem pra todos os lados.

Ela não sabia o que estava acontecendo. E isso só a fazia se sentir pior. Só fazia seu desespero aumentar.

Levou as mãos ao rosto. Viu que não parava de tremer. E o barulho que ouviu fez seu coração quase parar.

O coração de Chase começou a fibrilar.

- Não! Não! – Cameron começou a chorar compulsivamente.

Uma enfermeira passou por ela, com bolsas de sangue nas mãos.

E Cameron via os médicos usando o desfibrilador. Ela conhecia aquela cena. Já tinha visto aquela cena dezenas de vezes.

Não. Não. Meu Deus, não. Não posso perder Chase. Não posso.

As lágrimas molhavam todo o seu rosto, fazendo sua maquiagem deixar rastros pretos na sua bochecha. Não se importava, naquele momento, em chorar em público. Chorava com desespero, e alto.

Ela pode ouvir:

- CARREGANDO! – uma médica de cabelos enrolados gritou. – AFASTEM!

Cameron entrava em desespero ao vê-la usando as pás geladas do desfibrilador em Chase. Ainda sem pulso.

- CARREGANDO! – ela gritou de novo. – AFASTEM!

O procedimento continuava, para o desespero de Cameron, sem sucesso. A médica aumentava as cargas do desfibrilador, continuando o processo de ressussitação.

- AFASTEM!

Cameron não sabia mais o que fazer. Tinha vontade de gritar. Gritar com Chase. De implorar a ele pra não desistir.

Subitamente, os médicos pararam e Cameron entrou em choque.

Não, não, não, me diz que ele não... – ela não sentia mais a força das pernas. Ela caiu ao chão. Não desmaiada, mas quase isso.

Um enfermeiro se aproximou, a levantando, a colocando numa maca.

Ela respirava com dificuldade, estava tonta e fraca.

- Fica calma. – um médico loiro lhe disse. E Cameron ao vê-lo lembra de Chase, e volta a chorar.

Ele começava a medir sua pressão, e a acalmava, dizendo que aquela sensação ruim vai passar, se ela manter a tranqüilidade.

- Tranqüilidade? – ela perguntou, ainda com seus ouvidos zunindo, e a cabeça girando.

- Fique aqui e descanse. Vou tentar saber noticias.

Cameron se sentou na maca, e levou as mãos ao rosto, tentando controlar a emoção, e o desespero.

- Chase... Chase... Oh, Deus, não faça isso comigo... por favor... – ela murmurava, como uma prece.

- Você é acompanhante de Robert...

Cameron levantou os olhos, e viu que uma das médicas que estava na sala de trauma a encarava com uma prancheta nas mãos.

- ... Chase? – ela terminou.

- Sou. – ela disse rápido. – Ele está vivo?

- Sim.

Cameron começou a chorar de alívio.

Oh, Deus, obrigada.

- Eu sou a Dra. Mona Hatthaway. – continuou a médica. - Ele está sendo preparado para cirurgia.

- Cirurgia? – ela a olhava ainda com o rosto molhado e assustado.

- Temos que estancar a hemorragia. Ele já perdeu muito sangue.

- Mas ele vai ficar bem?

- Ainda não sabemos. A perda massiva de sangue o fez ter insuficiência respiratória e cardíaca. Nós não sabemos quanto tempo ele ficou sem oxigenação no cérebro.

Cameron, sim, entendia agora o que ela estava falando. Chase poderia ter seqüelas sérias por causa disso.

- Mas não se preocupe, - Dra. Hatthaway disse. – após a cirurgia vamos ver se houve alguma conseqüência mais séria.

- Obrigada. – Cameron disse, murmurando. Estava fraca demais pra reagir.

Ficou alguns minutos ali, parada, esperando. Acreditando piedosamente que tudo era um pesadelo. Queria acordar daquele sonho e ver que estava dormindo ao lado de Chase, na cama dele, sem que nenhum susto, assalto ou facada pudessem atingi-los.

Precisava cair na real. Levantar a cabeça e ser realista. Precisava fazer alguma coisa. Precisava chamar House. Chamar Foreman. Até mesmo chamar Andréa.

Eles precisavam saber o que estava acontecendo.

Levantou da maca, tentando pegar firmeza no chão. Ainda sentia suas pernas fracas, mas precisava levantar. Não ajudaria Chase ficar chorando, sozinha.

Ela andou na direção das portas e as atravessou, sentindo um ar fresco, e não tinha imaginado como aquilo parecia aliviá-la.

Pegou o celular e discou para House, sem sucesso.

- Filho da mãe. – desistiu e ligou para Foreman. O celular tocou até cair na caixa-postal, e ela ligou novamente. Ao menos, sabia que o aparelho estava ligado. – Alô, Foreman?... Chase foi esfaqueado, estamos no New York Hospital's... nós fomos assaltados... ele está na cirurgia... obrigada, Foreman, tem como você avisar a Andréa?... ah, outra coisa, você pode pedir pra Andréa, ou sua namorada, uma muda de roupas, eu estou toda suja... de sangue... – o pensamento de que aquele sangue todo na sua roupa era de Chase, a fez se apavorar de novo, e ela segurou o choro. - ... obrigada, Foreman. – e desligou.

Ela suspirou, e viu que as suas mãos tremiam. Seu celular também tinha manchas de sangue. E ela lembrou do que a médica havia lhe dito. Que Chase tinha perdido sangue demais. Que poderia haver conseqüências.

Ela olhou ao redor, e viu um homem fumando. Lembrou da sua adolescência e sentiu uma vontade profunda de fumar. Não fumava há anos.

- Oi, você poderia me dar um? – Cameron pediu.

O homem sorriu e lhe ofereceu um cigarro, o acendendo quando ela colocou na boca.

Cameron tragou profundamente, e sentiu a nicotina invadir seu pulmão e seu cérebro, lhe dando um prazer inconfundível de tranqüilidade.

- Obrigada. – ela agradeceu.

- Alguém que está com você se machucou? – ele perguntou vendo o sangue na roupa dela.

- Ah, é... meu... – pensou em "namorado" - amigo foi esfaqueado.

- Minha nossa!

- A gente foi assaltado.

- Mas ele está bem?
- Ele tá em cirurgia. – ela respondeu ainda fumando.

- Essa cidade virou uma terra de ninguém. – o homem disse inconformado. Uma mulher apareceu atrás deles. – Essa é minha esposa, Ellen.

Cameron deu um sorriso fraco.

- Seu marido me deu um cigarro. Preciso me acalmar. – Cameron disse, ainda branca como papel.

- O amigo dela foi esfaqueado.

- Oh, não. Fique calma, querida. – a mulher disse com um grande sorriso. – Tudo vai ficar bem.

- Espero que sim. – Cameron disse, ainda com o coração a mil.

XXX

Cameron ainda não sabia como reagir. Conforme o tempo passava, seu desespero aumentava.

Ninguém lhe dava noticias. Ia até o balcão, falava com enfermeiras, médicos, recepcionistas, e nada. Ninguém lhe informava nada. Só lhe diziam pra esperar.

Esperar... esperar... era uma tortura. Precisava de noticias, senão ia enlouquecer.

- Dra. Nagini... compareça a emergência... por favor, Dra. Nagini... – a voz no autofalante dizia.

Cameron levantou a cabeça, tentando endireitar o pescoço dolorido. Ela estava sentada numa poltrona confortável do 3° andar, próximo ao centro cirúrgico.

Olhou no relógio e viu que eram quase duas da manhã. Chase já estava em cirurgia pelo menos a 40 minutos.

Ela passava e repassava na sua cabeça todos os tipos de procedimentos de sutura e de cirurgia. Mas ela não fazia idéia de como eram a coisas, jamais se interessou em cirurgia. Não sabia o que fazer. Ainda mais sem saber a gravidade do ferimento. Chase tinha dito que podia ter atingido o pulmão, mas naquele momento, não era certeza.

- Ah, Deus... – ela murmurou. -... o que eu faço?

Ela sentiu uma mão quente no seu ombro, e levantou a cabeça. Era Foreman. Ao lado dele, uma mulher parada, olhava pra ela.

- Foreman! – ela exclamou.

- Como ele está?

- Não sei. Ainda está em cirurgia. Ninguém me diz nada.

- Vou ver se consegui alguma informação. Fica calma. – e virou as costas na direção da recepção.

Cameron suspirou.

- Oi. Eu sou Alicia, namorada do Foreman.

- Ah, oi, desculpe. – Cameron se levantou. – Sou Allison. É um prazer conhecê-la.

- Eric me disse que você precisava de algumas roupas.

- É, eu estou... – e olhou para sua própria roupa, banhada de sangue.

- Eu trouxe uma calça jeans, umas blusinhas, e uma nécessaire com sabonete, hidratante... Você quer um café?

- Um café seria bom.

- Então, é isso. Vá se trocar, jogue uma água no rosto, que você vai se sentir um pouco melhor. Quando você voltar, vai ter um café te esperando. – e Alicia sorriu.

- Obrigada. Você está sendo... maravilhosa comigo.

- Não há de quê. – e ela lhe esticou uma bolsa.

Cameron virou as costas e seguiu no corredor na direção a sua direita. Olhou para trás e viu Foreman encostado no balcão da recepção, parecendo um pouco nervoso.

Ele também não devia estar conseguindo informação nenhuma. Isso lhe deu um aperto no coração.

Meu Deus, o que está acontecendo naquela mesa de cirurgia?

XXX

Alguns minutos depois, ela estava sentada ao lado de Alicia e Foreman na sala de espera do centro cirúrgico. Ela bebia goles gostosos e calmantes de um café expresso da lanchonete que Alicia tinha lhe conseguido. Mas Cameron achava que teria que beber litros de café pra poder voltar a tranqüilidade anterior.

Fechava os olhos e lembrava daquela tranqüilidade. Quando os dois dançavam juntinhos no "Tavern on the Green", ou quando bebiam cerveja torcendo pelos "Knicks".

Suspirou. Daria tudo por aquilo.

- O que foi que aconteceu? – alguém gritou.

Ela, Foreman e Alicia se viraram na direção do grito. Era House.

- O que vocês fizeram? – ele continuava gritando. - Eu estava num momento glorioso da minha vida quando Foreman me disse que aconteceu uma tragédia.

- O que houve? – Wilson perguntou ao ver o estado de Cameron. – Cadê o Chase?

- Nós fomos assaltados. – disse Cameron. – Chase foi... esfaqueado.

- Esfaqueado? Que? Como?

- Como, Wilson? – ironizou House. – Com uma salsicha. Grande e pontuda.

Cameron revirou os olhos.

- CALA A BOCA, HOUSE! – gritou Cameron. – Por uma vez na vida, cala a boca!

House a encarou. Percebeu que o negócio era sério demais. Ela estava pálida, com olheiras, parecia que tinha saído de um furacão. E pela primeira vez, ele viu que ela parecia uma garota qualquer. Como uma namorada de um paciente que precisava de apoio e respostas.

- Como ele está? – ele ficou sério.

- Em cirurgia. – respondeu Foreman. – A quase uma hora e meia.

- Vou ver isso. – e saiu mancando também na direção da recepção.

- Eu já tentei isso. – disse Foreman.

- Pois é... quem sabe eu consigo.

Cameron terminou seu copo de café, e olhou para Wilson.

- Belo fim de semana! – ela exclamou. – Eu não saio há três anos. E quando saio...

- Não pense assim, Cameron. Foi só uma... fatalidade.

- Fatalidade? Fatalidade? Wilson, o coração do Chase parou na emergência. Isso não é uma fatalidade. Isso pode ser...

O fim.

As lágrimas voltaram a cair.

- Eu nunca vi tinha visto tanto sangue na minha vida... Oh, Deus, é minha culpa...

- Não, não é, Cameron. Como um assalto pode ser sua culpa?

- Eu disse pra ele fazermos aquele caminho. Ele queria ir... de táxi. – ela voltou a chorar mais forte.

Alicia a abraçou pelos ombros. E Cameron chorava abertamente. Wilson e Foreman trocaram olhares. Nunca tinham a visto tão indefesa e vulnerável.

- Se nós tivéssemos ido de táxi, nós poderíamos estar agora... – dormindo abraçados numa cama macia.- E não... não aqui...

- Não, Cameron. Por favor, fique calma. Ele vai sair da cirurgia, e vai sobreviver. Você vai ver. – tentou Wilson.

Ela levantou os olhos vermelhos.

Mas ainda assim a culpa é minha.

XXX

House se aproximou, com uma mulher. Cameron a reconheceu, como a médica da emergência.

- Esta é a Dra. Hatthaway. – House a apresentou.

- Bom, o Dr. Chase já saiu da cirurgia. Ele teve vários ferimentos. Houve três perfurações, e todas elas pegaram no pulmão.

Cameron segurou a respiração. Levou a mão a boca, tentando controlar o choro.

- Nós conseguimos controlar a hemorragia, mas o Dr. Chase teve algumas complicações. Ele entrou em coma e está num respirador. Vai ser necessário tempo para um dos pulmões reagir.

- Quanto tempo? – Cameron perguntou.

- Alguns dias. Ele está sendo monitorado. De acordo com Dr. House, vocês são todos médicos, então compreendem. Nós estamos fazendo todo o possível. Ele está estável. Isso é o importante.

- Obrigado. – disse Foreman.

A médica se afastou, e Cameron decidiu se sentar. Se virando para o sofá, viu Andréa andando na direção deles.

Que merda!

- Como ele está? – ela perguntou.

- Em coma. – Cameron respondeu. – Estável mas em coma.

Ela se sentou.

- Mas como isso aconteceu? – ela perguntou.

- Foreman, você pode explicar pra ela? Eu não agüento mais. – ela se levantou, e começou a andar. – Vou respirar um pouco lá fora.

- Vou com você. – disse Alicia.

- Não preciso. Prefiro... ir sozinha. – e andou na direção do elevador.

- Deixe. – disse Wilson. - Ela precisa de um pouco de... paz, eu acho. Deve ter sido uma noite bem difícil.

Andréa a seguiu com os olhos. E agora isso... – ela pensou. – Que namoro difícil, meu Deus!

XXX

Ela havia encontrado um canto onde se esconder na mureta do jardim. Ele não era propriamente um lugar silencioso: haviam uns cinco paramédicos conversando animadamente diante de uma ambulância. Coincidentemente, os paramédicos que haviam resgatado Chase.

Ah, Chase, que pesadelo...

Apoiou os cotovelos nos joelhos, e as mãos no rosto. Parecia que sua cabeça estava mais pesada que o normal. Respirou fundo e soltou o ar pela boca. Era uma sensação horrível. Estava com a garganta seca, os olhos molhados, e o coração disparado. Parecia que ia ter um ataque cardíaco.

- Olá, Dra. Cameron.

Ela levantou a cabeça e viu Andréa. Ah, ótimo!

- Eu lhe trouxe um café. Café em grandes quantidades é bom nessa hora.

Ah, meu Deus! Obrigada!

- Obrigada, Dra. Shepard.

- Andréa, por favor. E não há de quê. – ela se sentou ao seu lado. – Eu sei como é isso. Digo, esperar num hospital. Fiz isso por meses. Eu acho que Robert deve ter lhe dito sobre David.

Que egoísmo o meu!

- Disse sim. E eu lamento.

- Não se preocupe. Eu estou... bem. Robert está bem. É o que importa.

- Ele disse o mesmo de você. – Andréa estreitou os olhos, Cameron explicou. – Ele disse que o importante é que você estava bem.

Andréa riu.

- É, ele sempre se importa mais com os outros.

Cameron suspira alto.

- Ele vai ficar bem, Dra. Cameron. Eu... não acredito que vou dizer isso, mas... tenho fé que sim. – ela tentou dar um sorriso confortador.

- Allison. – Andréa a olhou sem entender. – Me chama de Allison. Ou Cameron.

- Tudo bem... Allison. – ela sorriu. – Eu estava conversando com James e... – Cameron chacoalhou a cabeça demonstrando não saber de quem ela falava. – James Wilson.

- Ah! Desculpe, falta de costume.

- E... eu te digo que você não deve se culpar. Isso é Nova Yorque. Assaltos e lesões corporais são comuns. Por mais que seja de alguém que a gente ama.

Cameron a encarou.

- Certo? – Andréa levantou as sobrancelhas para ela.

- O que ele te disse... sobre...?

- Não muito. Só que... vocês tiveram um relacionamento que... não deu certo. Mas eu sei que ele é... louco por você. – Andréa falou num tom calma, quase fraternal, e Cameron se sentiu culpada por ter sido tão hostil com ela. – Não quero julgar vocês, e digo, vocês dois, mas... vocês não deveriam brincar com os sentimentos dos outros. Mas... amar é sempre algo complicado. Robert acho que está craque nesse tema.

Cameron a encarou, e sorriu.

- Obrigado pelo café, Dra. ... desculpe, Andréa. Eu vou ao banheiro, jogar uma água no rosto. – e se levantou. – Obrigado novamente.

- Não há de quê.

XXX

Algumas horas depois, Cameron percebeu que havia cochilado numa sala de espera próximo a UTI. Ela respirou fundo, e olhou ao redor, vendo apenas Andréa e Wilson.

- Como se sente? – perguntou Wilson.

- Mesma coisa. – ela se levantou. – Onde estão os outros?

- Foreman levou Alicia pra casa. E House está tentando tratar da transferência.

- Transferência do Chase?

- É. Cuddy faz questão. Ela quer ele em Princeton. E House faz questão de... tentar.

Cameron suspirou. Assim seria bem melhor. Com Chase em Princeton. Onde ela conhecia de cor. Onde era um pouco a casa deles.

Olhou o relógio no seu pulso. Tremeu. Ele também tinha manchas de sangue. Fechou os olhos, tentando encontrar forças Deus sabe onde. Os abriu e tentou ver as horas.

Quase dez da manhã.

- Por que vocês me deixaram dormir? – ela perguntou. – Alguma mudança?

- Não. – respondeu Andréa. – Os remédios não fizeram efeito. Vai depender de...

- Vai depender de muita coisa. – finalizou Wilson.

- Claro. Tinha que ser. – ela suspirou.

XXX

Cameron olhou atentamente ao seu reflexo no espelho. Parecia ter envelhecido dez anos. As bolsas abaixo dos seus olhos estavam gigantescas e parecia morta de tão pálida.

Jogou água no rosto e respirou fundo. Sentiu seu estomago roncar, era quase hora do almoço. Sentia fome mas ao mesmo tempo não sentia.

Toda vez que inspirava, sentia seu coração pesado. Pesado, culpado e triste.

Se sentia culpada. Não sabia nem por que.

Se sentia confusa, dolorida e estava tendo pensamentos distorcidos diante daquela situação.

Não devia ter ido. Se não tivesse ido, ele teria voltado pra casa depois do jogo. Ou ele teria saído com Wilson e House.E ele não estaria... não estaria... – o coração pesado voltava a doer.

Sentou num dos vasos sanitários e voltou a chorar.

A culpa vinha e voltava avassaladora.

Começava a achar que sua dose de felicidade tinha se esgotado a muito tempo. Perdeu Matthew. Perdeu House. E Chase... Ah Deus, está tudo tão claro agora...

Ela saiu do banheiro, e foi na direção da sala de espera onde estavam Foreman, Wilson, e Andrea.

Ela se aproximou se sentando calmamente. Foreman lhe esticou um copo de papel de café.

- Como está? – ele perguntou.

- Exausta.

- Você não quer ir pra casa, descan...? – ele tentou.

- Não! – ela disse antes que ele terminasse. – Eu vou ficar aqui até ele acordar.

- Ele está em coma, Cameron.

- Mas eu vou ficar. – ela disse, com as lágrimas teimando em cair novamente.

Ela suspirou, pensando no que fazer. Se sentiu uma inútil ali, sentada, chorando, tomando café, e esperando. Não agüentava mais. Preciso fazer algo mais... produtivo.

- Cadê o House? Ele conseguiu a transferência?

- Ele está com Cuddy. Parece que conseguiram sim.

- Isso é fantástico. É bem melhor... lá. – ela viu Andréa andar na direção do elevador, indo de encontro a uma mulher.

Elas se abraçaram, e Cameron a reconheceu.

Ela usava jeans e uma jaqueta bordô. Parecia três vezes maior que ela. Ela tinha os cabelos loiros amarrados num rabo de cavalo e os olhos azuis estavam quase negros. Negros, provavelmente, de preocupação.

- Estes são Dr. Foreman, Dr. Wilson e Dra. Cameron. – Andréa os apresentou. – Esta é Elizabeth, irmã do Robert.

- Olá. – ela disse num sotaque bem inglês. – Desculpe por aparecer assim. Vim direto do aeroporto.

- E James e Michael? – Andréa perguntou.

- Ficaram em Londres. James tem jogo hoje. Alguém poderia me explicar o que aconteceu com Robert.

- Eu explico. – Andréa disse, puxando Elizabeth para um canto.

Só me faltava essa. Mais alguém pra me culpar.

XXX

Cameron se sentou na cafeteria do New York's Hospital, com uma xícara de café nas mãos. Se sentia exausta, confusa, culpada, e acima de tudo, frustrada. Frustrada por não poder ajudar.

Se ao menos, House voltasse com alguma informação sobre a transferência.

Quando pensava em Chase, seu coração disparava, e seu estômago se agitava. Ah, Deus, o que eu fiz? Me mostra. Mostra o que eu fiz. Vou tentar... de alguma maneira...

- Olá. – ela ouviu um sotaque inglês novamente.

- Oi. – ela disse.

- Andréa me disse que você estava com Robert no assalto.

- É... foi...

- Acredito que sim. Posso me juntar a você?

- Claro. – Cameron respondeu, e Elizabeth se sentou a sua frente.

- Eu tenho algo muito... difícil pra lhe dizer. Sei que vou parecer intrometida, e um tanto... cruel, mas eu tenho que te dizer.

Cameron segurou a respiração. Ah, meu Deus!

- Ouça, Dra. Cameron... Robert me disse sobre vocês dois. E eu conheço o meu irmão. Ele é... ingênuo demais quando o quesito é relacionamento. E eu sei quando uma mulher gosta de... se divertir. Por tanto não posso deixar que você brinque com ele. Ele já sofreu demais com a perda da nossa mãe, do nosso pai e de David.

Cameron se sentiu num beco sem saída. Mas...

- Mesmo que você me diga agora que as coisas mudaram. Eu não quero vocês juntos. Robert merece mais. E eu vou lutar por isso. – ela continuou. Cameron sentiu vontade de chorar. – Sei que não a conheço. E não queria compará-la ao tipo de mulher que faz isso. Mas não posso deixar que Robert se perca com uma mulher que não o merece.

Cameron a encarou, se sentindo o pior dos seres. Elizabeth se levantou, ajeitando a cadeira em seguida.

- Eu sou a única família dele. Sinto muito ter que fazer isto. – e saiu da cafeteria.

Cameron ficou olhando para o vazio por alguns segundos.

Ali estava o sinal que havia pedido. Agora tinha descoberto o que tinha feito.

Era a culpa que voltava novamente.

Não, não vou pensar nisso agora.

Precisava ser racional naquele momento. Pensar em Chase, não em si mesma. A dor dele era maior, era mais preocupante.

XXX

Ps: Sorry, "pipol". Tá meio complicado terminar a fic. Mas estou fazendo. É importante, certo? Demoro, mas faço.

Capitulo sem muitas páginas, sem música, e com drama até o dedão do pé. Só que agora as coisas só vão piorar. Pois é, como eu disse antes, o nosso casal não vai ficar junto no próximo capitulo. Quer dizer, só se vocês quiserem.

Se vocês quiserem, eu junto os dois no próximo capitulo e fim de fic. E até posso me dedicar a outras fics. Quem sabe? Vai depender de vocês.

AGRADECIMENTOS:

LIS – Minha flor, que saudade. Já voltou pra casa? Ou ainda está cuidando dos pimpolhos em... como é mesmo a cidade da sua madrinha? Charqueada? É assim que se escreve? Mil beijos, meu anjo. Te amo.

LALAH – Calma, não vou matar o Chase. Eu não sou o tipo de escritora que faz isso. Eu acho que eu não me agüentaria. E não exagere. Oscar? Não. Oscar não. Um Emmy talvez. Beijos, linda.

MAI – Repetindo, não vou matar o Chase. Só quero fazer a Cam sofrer um pouquinho. Respondendo sua pergunta, não sei se a Cam vai ser a primeira pessoa que Chase vai ver. Acho que a irmã dele não vai deixar. Obrigada pela força.

MONA – Gostou da sua personagem? Ela apareceu só um pouquinho, mas ela vai voltar. Estou me sentindo culpada, fiz tanta propaganda sobre a história da personagem, e ela mal apareceu. Ela volta no capitulo 9. Prometo. Hey, você é Lucy Knight do ff? Obrigado querida.

NAIKY – Obrigada por ter curtido. Vai demorar mais um pouquinho só. Ele acorda no próximo. Eu espero. Obrigado anjo.

DRA. CAMERON – Relaxe, ele vai acordar. Não vou deixar aquela coisa de novela mexicana. Tipo "eu tenho uma doença incurável, vou morrer, vou dizer que te amo, antes que você morra...!!!!" Relaxe, eu sou dramática, mas não tanto.

NAYLA – Obrigada por confiar em mim. Mas... até parece que ia matar o Chase. Eu acho que eu mesma pararia de escrever. Como eu disse antes, não sou tão dramática assim. Acho que não conseguiria escrever uma fic com morte de personagem. Ao menos, não dos protagonistas. Hey, que história é essa de "fics secretas"?

LAIS – Dom da palavra? Obrigada. Valeu mesmo. Continue lendo.

NICOLE – Oi querida, obrigada. Mas não se segure não. Chore, chore se quiser. Eu sou uma chorona. Eu releio a cena do assalto, para sentir aquela emoção de novo, pra poder escrever mais. É bom. Inspirador.

FLORA – Obrigada por elevar meu ego ao céu. "Tem que ser filmado"? Essa frase foi a glória para uma pobre escritora que nem eu. Adorei. Valeu mesmo. Continue lendo.

LYRA (do ff) – Continuado... obrigada. ELE ESTÁ VIVO!! – Ops, me baixou Dr. Frankstein agora. Huahuahuahuahuahhua.

Pouquíssimas alusões: Primeiro, o New York's Hospital, que é um grande hospital universitário em Manhattan. Segundo, Nagini, que é relacionado a outra coisa que eu adoro, Harry Potter. Nagini é o nome da cobra de Voldemort.