NOS EPISÓDIOS ANTERIORES DE "SEGUNDA CHANCE"...

- Foreman me disse que contratou uma médica que você conhece. – Wilson soltou.

- Eu e Andréa namoramos quase três anos. – explicou Chase.

- Espero que não haja um... clima pelo fato dela estar aqui. Digo... pela Cameron.

- Não se preocupe com isso. Duvido que Cameron vá sentir ciúmes. Ela deixou bem claro que não se importa.

- Quem sabe ela se importa agora. – Wilson disse, sorrindo.

Shed a tear 'cause I'm missing you
I'm still alright to smile
Girl, I think about you every day now

- Oi, eu queria mesmo conhecê-la. Sou Andréa Shepard.

- Sou Allison Cameron. - ela estreitou os olhos diante daquela cena. Aquela mulher tinha um sorriso estonteante para ela. Parecia feliz e amistosa.

Odiou. Odiou aquela mulher.

Was a time when I wasn't sure
But you set my mind at ease
There is no doubt you're in my heart now

- Cameron... é... aconteceu alguma coisa? Me disseram que você estava chorando. Foi por algo que eu disse? – ele perguntou, preocupado.

- Você se sentiria muito orgulhoso se eu dissesse que sim?

- Orgulhoso?

- Relaxa, Chase. Não foi nada. Só estou... cansada.

Ela não poderia dizer pra ele. Ainda não. Mas também saber o que? Que ela estava confusa por não discernir o que sentia?

- Quer beber algo mais tarde? – ele perguntou.

Said, "woman, take it slow and it'll work itself out fine
All we need is just a little patience"

- Você ainda toca piano? – Andréa perguntou a Chase.

Todos o olharam.

- Não. Não mais. Antes eu tinha uma platéia. – Chase tentou explicar. - Na verdade, uma única pessoa na platéia, agora não tenho mais. Não tenho mais vontade de tocar, Andy.

Said, "sugar, make it slow and we'll come together fine
All we need is just a little patience"

- E por que não casaram?

- Não... deu certo. – ele diz, fugindo do assunto. Na verdade, o motivo era bem mais profundo e difícil do que parecia ser. Não era algo que queria comentar com ela.

Pra que também? Ela nem se importava.

- O que não deu certo? – ela se interessa.

- Por que quer saber? Você não se importa com o que eu sinto.Certo? - ele afirma, saindo da sala.

I sit here on the stairs 'cause I'd rather be alone
If I can't have you right now, I'll wait, dear

Cameron entrou tentando não fazer barulho, e rapidamente se escondeu novamente num nicho que dava entrada a uma porta. Podia ouvi-los.

Andréa continuou:

- Você acha que... acha que ainda estaríamos juntos... se não tivesse acontecido... o que aconteceu?

A mente de Cameron viajou. O que será que aconteceu?

- É claro que nós estaríamos juntos, Andy. – ele confirmou. – E felizes.

- Você acredita em... em destino? – ela lhe perguntou.

- Não há uma única pessoa que eu ame que esteja do meu lado agora. - Isso é destino? Eu perdi todas as pessoas que eu amei. Todas. Sem exceção.

- Talvez essa lição seja pra mim, não pra você.

- Por que?

- Como uma punição. A questão é que eu falhei, como seminarista, e como pai de família.

Sometimes I get so tense, but I can't speed up the time
But you know, love, there's one more thing to consider

Ele tirou a carteira do bolso, e de dentro dela, tirou uma foto amassada. Ele entregou a Cameron, que viu na foto Chase e um bebê. Um bebê loiro com profundos olhos azuis. Na foto, eles sorriam e Chase apontava para a câmera.

Cameron olhou atrás da foto: David 16/11/2001- T12/06/2002.

- Quem é? – Foreman se esticou para olhar a foto. – Tem seu sorriso.

- É meu filho. Ele morreu há cinco anos.

Said, "woman, take it slow and things will be just fine
You and I'll just use a little patience"

– Odeio você. Odeio por você estar me tornando nesse estúpido fracassado.

Cameron o olhou, apavorada. Agora podia ver como ele estava, como ele se sentia.

Chase gritava, com os olhos vermelhos:

- Eu amo tanto você que dói. Eu perdi tudo que eu amava, Cameron. Minha mãe, meu pai, David... eu me acostumei a perder, e eu não consigo superar nada disso.

- Chase, me perdoe.

- Me deixa em paz pra eu poder esquecer você.

Said, "sugar, take the time 'cause the lights are shining bright
You and I've got what it takes to make it

- Cameron...

Ela o encarou, tentando ficar firme. Ele continuou:

- Eu... eu queria pedir desculpas por ontem. Eu estava bêbado e... ontem foi um dia... surreal. Eu... nem devia ter mencionado Andréa ou... ou... David.

– Sinto muito pelo seu filho. Por que você nunca me disse?

- Esquecer ajuda a seguir em frente.

- Chase, não sei se é tarde demais pra eu dizer isto, espero que não, mas...

- Melhor mesmo nós... sermos amigos. Como antigamente.

Ela sorri com o cavalheirismo dele, e ele devolve um olhar apaixonado. Cameron tremeu.

We won't fake it, oh, I'll never break it
'Cause I can't take it"

Entraram na fila do bar.

Cameron estreitou os olhos, e ele riu.

- Vai, Cam, canta.

Ela geme de raiva por ele obrigá-la a fazer isto.

- "Breath, breath in the air/ Don't be afraid to care/ Leave but don't leave me/ Look around and choose your own grounds..."

Chase continuava a admirando, fascinado.

Chase parou, e ambos ficaram se fitando, sem piscar. Cameron parecia que tinha segurado a respiração.

Oh, Deus, por que eu não percebi você antes?

Chase deu um passo na direção dela, levantando uma mão tentando alcançar o rosto dela.

- PRÓXIMO! – o atendente de balcão gritou.

I've been walking the streets at night
Just tryin' to get it right

- Me perdoa. Eu não conseguia ver.

Os olhos dele escureceram.

- Ver o que?

- Você. – ele parecia surpreso. - Descobri que a única coisa que me afastava de você... – Chase segurou a respiração. - ... era medo. Uma vez Foreman me disse que eu tenho medo de compromisso. Que eu evitava isso porque sabia o que era. Mas eu não sei! Na verdade, eu não sei.

- Cameron, você não pode fugir disso a vida inteira.

- Eu não quero fugir disso. E nem... sequer percebi que fugia. E então... você entrou na minha vida, e eu finalmente vi. Vi que eu fugia. E não quero mais fugir.

Chase a olhou com os olhos mais doces do mundo. Se aproximou e a abraçou.

Chase a apertava nos seus braços, como se jamais tivesse sentido o corpo dela antes. Ele sentia o perfume doce que ela usava, e o aspirava como se pudesse se embriagar.

Cameron via agora com uma clareza fantástica. Chase era absolutamente tudo o que ela queria. Estava apaixonada, e só naqueles braços, e ao lado dele, é que conseguia ficar feliz, se sentir completa. E sabia que ele a completava. Sentia que ele a amava e que ele era a única pessoa que jamais a faria sofrer.

Ela se afastou dele e o olhou nos olhos. Levou a mão ao seu rosto e sorriu.

- Me ensina a amá-lo, Chase. Me ensina. – ela pediu, sentindo um enorme desespero.

- HEY, VOCÊS! – alguém gritou.

Chase e Cameron se viraram no susto.

Diz que isso não é um assalto.

- Olha, nós não temos nada. – começou Chase. – Por favor...

- Calma, cara. Só queremos sua carteira, seu celular, que com certeza está com você, e aqueles lindos brincos de ouro da sua namorada.

O segundo homem foi para cima de Cameron e a separou de Chase.

- Não! – Chase gritou, e foi para cima do homem.

Tudo aconteceu muito rápido. O primeiro homem também partiu para cima deles, e houve uma espécie de confronto, que de repente, terminou com os dois homens correndo na direção da Broadway.

Ele se virou para ela, e viu a enorme mancha de sangue na camisa dele. Ela abriu a boca e exclamou:

- Ah, meu Deus!

- Ele tinha um... canivete. Acho que não fui rápido o suficiente. – ele disse, perdendo a força das pernas, sentando no chão da calçada.

Chase a olhou, piscando, exausto de tanta dor.

- Eu te amo... Cameron. – e em seguida, fechou os olhos, iluminados pela luz vermelha do carro de resgate.

It's hard to see with so many around
You know, I don't like being stuck in the crowd

Levou as mãos ao rosto. Viu que não parava de tremer. E o barulho que ouviu fez seu coração quase parar.

O coração de Chase começou a fibrilar.

- Não! Não! – Cameron começou a chorar compulsivamente.

- CARREGANDO! – ela gritou de novo. – AFASTEM!

- Ele está em coma, Cameron. Chase continua em coma profundo. Não há atividade cerebral e não há previsão de melhora. Ele, provavelmente, não irá acordar, Cameron. – Foreman finalizou

And the streets don't change but, baby, the names

I ain't got time for the game

Amor é sacrifício.

Ela não podia voar, mas podia dar asas a Chase.

Sabia que teria que ser forte. Teria que ir até o fim. E estava disposta a tudo. Tudo por Chase.

- E se o Senhor acordá-lo... deixá-lo viver... – ela engoliu seco. E respirou fundo antes de terminar. -... eu vou me afastar. Jamais irei vê-lo novamente.

'Cause I need you yeah, yeah, but I need you, ooh...

I need you, ooh... (just a little patience, ooh...)

Duas semanas haviam se passado. Ela não tinha ido vê-lo. Nenhuma vez naquelas duas semanas.

Ele telefonava, deixava mil recados, e nunca tinha resposta. Nunca.

Até que um dia ouviu de Foreman, algo que jamais imaginou que pudesse ouvir:

- Ela disse que não pode te ver, que não pode mais... Que nunca mais vai ver você de novo.

Telefonou para Cuddy, pediu demissão e disse para Elizabeth providenciar as passagens. Ele ia pra Londres com ela.

Ele ia trilhar o seu caminho. Tinha que fazer isso. Bem longe de Cameron. Sentiu seus olhos arderem, e os sentiu lacrimejarem.

Respirou fundo e abriu os olhos:

- Adeus, Cameron. – ele sussurrou.

I need you, ooh... (is all you need)

- Ainda aqui, Allison?

- É. – ela esticou um cigarro para Andréa, que acendeu um. – House quer que eu e Kutner fiquemos aqui.

- Teve consulta hoje? – ela perguntou.

- Tive. Tive sim.

- É sempre difícil. – disse Andréa.

Ela tragou o cigarro, e balançou a cabeça.

- Eu conversei com a Cuddy. Ela me disse que não vai me mandar embora. Que uma médica tomando Prozac não é pior do que o House tomando Vicodin.

- Queria tanto fazer algo por você. – Andréa disse, pensativa.

Cameron a encarou, grata. Andréa se transformou em alguém que ela jamais achou que ela viria a ser.

- Você sabe o que eu queria, Andie. É só o que eu queria.

Andréa sentou do seu lado.

- O que você diria pra ele?

Cameron mordeu o lábio, e sorriu. Seus olhos começaram a arder.

- Eu não sei. – suspirou novamente, jogando a bituca de cigarro no chão. - Perdão, acima de tudo.

- Allison... Ainda há uma esperança. Você, ao contrário de mim, pode ter o que você perdeu.

This time...

XxLFxX

"Quase..."

Ainda pior que a convicção do "não" e a incerteza do "talvez" é a desilusão de um "quase".

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Luiz Fernando Veríssimo)

PRÉVIA DO ÚLTIMO CAPITULO DE "SEGUNDA CHANCE":

House se aproximou de Cameron, que estava na frente do computador, com grandes fones de ouvido nas orelhas.

Ele a viu ler um site sobre Doença de Graves, e cantando, curiosamente, com afinação. Ele balançou a cabeça, e cutucou no ombro dela.

Cameron pulou de susto, e tirou os fones rapidamente do ouvido.

- Fico feliz que o Prozac esteja funcionando. – ele disse, com as sobrancelhas levantadas.

Cameron suspirou, e se virou para o computador.

- Por que não me conta? – House perguntou.

- Contar o quê? – ela balança a cabeça.

- Você prefere que eu roube sua ficha do Dr. Webber?

- House... – ela respirou fundo.

- O que aconteceu pra Chase fugir de você? O que aconteceu pra você fugir do Chase?

XxLFxX

N/A: MEUS AGRADECIMENTOS:

Jordana – Sidney Sheldon? Haha. Eu faço pesquisas para fics desde Harry Potter. Se tiver curiosidade, leia "Selvagem". Londres, Paris e Nova York. Googleei tudo!! Valeu, xuxu!!

Bee – Eu procurei no capitulo e não há nenhuma menção que é dezembro. O capitulo se passa um ano depois, e deixo explicito, com a data de morte de David, que é junho. Portanto, junho de 2008. Obrigada pela rewiew!

Mona – O que acha que vai haver? Um happy end? Valeu, Mona. Obrigada!

Naiky – Pois é, dia 12 vai acontecer alguma coisa. Valeu, flor!

Lari – Obrigada pelo elogio. Odeio fic que descaracteriza um personagem. Ao menos, eu coloquei que a Cameron tem um motivo para ter virado outra pessoa. Valeu pela força na comu de fics! Você é demais!

Nayla – Ih, fica triste, não! Capitulo final se aproximando! Sofrer por amor é o que há. Mas depende do sofrimento, certo?

Poli – Minha Rottie! Você disse que queria entrar na historia e resolver do seu jeito. E aí, eu pergunto? Qual é o seu jeito?

Sou obrigada a falar novamente dos meus hits de Segunda Chance, até capitulo 11, (mais prévias e recados): 4053 hits!! HUHAUHUAAUHAHUHUAHUAHUAHUAAHUUUUUUHUAHUUAHHUA!!

Pois é quem pode, pode...

Quem não pode, se fode... de inveja!!!

Quem não tem criatividade, e imaginação... copia!