Disclaimer: Harry Potter não é meu...Mas acredito que vocês já saibam disso...
Capítulo Quatro – Os Sinistros
Já estava escuro, quando o carro passou por um portão enorme, com a letra "G" desenhada na abertura dos dois lados do portão.
- Bem Harry, essa é minha casa.
Harry, sem duvida, não esperava uma casa assim.
Junto do portão havia um porteiro, que quando viu os Granger abriu passagem para eles. Havia uma pequena estradinha que levava até as portas de entrada da casa, mas até chegar na porta de entrada tinha um longo caminho para percorrer, e nesse caminho, ao redor da estrada, havia um jardim magnífico. Essa era, sem dúvidas a casa que mais chamava a atenção da rua.
Não que as outras fossem pouca coisa, muito pelo contrário, pelo que Harry pôde perceber, a casa de Hermione estava situada no bairro mais rico daquela pequena cidade nas proximidades de Londres. A casa dela, tinha o terreno mais elevado que as outras casas, isso dava a ela um ar de grandeza e mistério. Ela era a última casa da rua, ficava entre as duas quadras, parecia que era ela que mandava na rua.
Quando enfim chegaram perto da porta de entrada, Harry pôde ver a verdadeira grandiosidade da casa. Era uma casa antiga, mas nem por isso menos bela, talvez fosse por causa disso que Harry sentiu aquela aura mágica na casa, que a fazia se tornar a mais bela da rua. A sua fachada era majestosa, tinha várias janelas, de todos os estilos e tamanhos. E, no andar de cima de frente para a entrada, havia três sacadas, uma do lado da outra. A cor da casa era uma cor clara parecendo bem antiga.
- É linda – Harry murmurou.
- Está na família há gerações. – Hermione comentou.
Sem pressa eles descarregaram o carro, e entraram na casa.
O interior da casa não deixava nada a desejar, Harry constatou. A casa era ricamente decorada, com objetos de arte, e coisas desse estilo. Tinha várias portas, abria uma, encontrava outra, as portas eram enormes (Hagrid não teria problemas para passar por elas, Harry pensou), do mesmo jeito era o teto, onde havia lustres, feitos do que parecia ser cristal.
- Pessoal, essa é a minha deixa. – Tonks se despediu – Agora vocês estão seguros. Tchauzinho...
- Tchau – ela mal os escutou e desaparatou.
- Vem Harry, eu vou te mostrar o teu quarto. Depois os empregados levam as bagagens – "claro que havia empregados" Harry pensou "com uma casa tão grande.." – depois nós podemos jantar.
O quarto era enorme. Na direção oposta a porta, havia ma sacada enorme que, Harry constatou depois, tinha vista para o jardim dos fundos da casa. A porta que dava entrada para o quarto ficava na extremidade esquerda da parede, assim, do seu lado tinha lugar um guarda-roupa antigo e muito grande, que tomava o resto da parede de alto à baixo. Entre a porta e sacada (no meio do quarto, dããã!), ficava uma grande cama de dossel azul claro, em cada lado da cama tinha um criado-mudo, e sobre cada um, um abajur, e na extremidade da cama (peseira), havia um baú, que seu almofadado era forrado no mesmo tom azul, como um banco. Na parede oposta à cama, havia uma lareira, com duas águias entalhadas em mármore em cada lado, e em frente à lareira, duas poltronas macias na mesma madeira antiga dos moveis (carvalho) e o estofado no mesmo azul do dossel e do baú. Ao lado da sacada, tinha uma penteadeira com um espelho e várias gavetas. Ao lado do criado-mudo e da porta de entrada, havia uma outra porta, que Harry descobriu sendo um banheiro particular. Ainda no quarto, as paredes eram forradas num tom de bege, e o chão era de madeira escura, e com muito brilho. De um lado da lareira, Harry descobriu uma prateleiras que estavam fixas na parede, que estavam vazias. Do lado do guarda-roupa tinha um espelho de três camadas (é assim que chama aquele espelho que você se vê de frente e dos dois lados?).
- Então... gostou?
- É maravilhoso Mione. Mas eu não posso aceitá-lo.
- Claro que pode, Harry. Melhor, deve aceitar.
Harry não pôde fazer alem de aceitá-lo e agradecer, o que fez com certa alegria, diga-se de passagem, ele tinha realmente adorado o quarto.
- Vamos logo então. O jantar já deve estar pronto. Depois eu te ajudo a desfazer as malas. – Hermione foi puxando o garoto enquanto falava.
O jantar foi muito divertido, e a comida muito boa. Os pais de Hermione eram muito divertidos, principalmente a mãe dela que vivia implicando (na brincadeira) com o marido, para deixar de ser tão sério. Falavam apenas banalidades, contavam historias engraçadas. Harry se sentiu mais leve, como há tempos não se sentia, Helena e Richard o tratavam como se fosse da família, e Harry se sentia da família, como nunca tinha se sentido. Nem mesmo com os Weasley ele se sentia assim, por mais que gostasse daquela família. Harry sentia que, mesmo não os tendo realmente conhecido, se seus pais estivessem vivos eles seriam assim, como os pais da Hermione, tão alegres e joviais, e acima de tudo, irradiando amor por todos os poros, não se deixando abalar, por pior que fosse a situação. Como seu padrinho, Sirius, que também era assim, ERA, ele pensou, porque por sua causa Sirius estava morto. Harry parou de prestar atenção ao que estava sendo dito na mesa, ele se sentiu o pior ser da face da Terra, ele não merecia todo esse carinho que estava lhe sendo oferecido.
Hermione percebeu as feições suaves de Harry começarem a endurecer, seus olhos perderam o brilho, ficaram sem vida. Ela reparou também que seu amigo já não estava prestando atenção na conversa. Ele parecia apático com o que se passava ao seu redor.
Harry se levantou de repente, o que fez Richard e Helena se calarem e olharem preocupados para o garoto, Hermione já estava calada, apenas observando as mudanças nas feições do Harry.
- Eu...desculpe...eu tenho que subir... cansado... é eu estou cansado...desculpe... – Harry falou sem mirar ninguém, e saiu com passos rápidos.
Richard e Helena se entreolharam preocupados, Helena tinha também um misto de tristeza no olhar, e depois se voltaram para a filha, que já estava se levantando, levando a sobremesa consigo.
- Eu vou ver se consigo falar com o Harry – ela suspirou resignada, indo em direção do quarto do garoto.
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Por que não tinha conseguido se controlar? Devia ter deixado todos preocupados dessa maneira. Harry pensado deitado na cama, inconformado com a sua incapacidade de se controlar.
Harry não escutou o som das batidas na porta. Ele estava alheio ao que acontecia ao seu redor. Mas, ele não sabia explicar como, ele sentiu que Hermione estava ali, no seu quarto.
A garota deixou o doce que tinha trazido em cima do criado-mudo, e sentou-se na cama, em silêncio, esperando que Harry decidisse falar com ela.
Hermione percebeu que Harry definitivamente não estava bem. Ele não estava chorando, mas parecia estar lutando contra isso com todas as suas forças. Ela imaginou o que Harry estaria pensando, e, se estivesse certa, ele não deveria guardar tudo dentro de si, e ela, Hermione, estaria ali esperando que ele resolvesse se abrir com ela.
- Por minha culpa ele está morto! – Harry não agüentou, ele falou em apenas um murmúrio, como se estivesse cansado daquilo, sem nem abrir os olhos – Por minha culpa, Hermione. Se eu não fosse tão estúpido...
Hermione não conseguia agüentar aquilo. Será que ele não entendia que não era sua culpa. Além do que...
A garota não suportou ver Harry com toda dor guardada dentro de si. Ela chegou bem perto dele e o abraçou, tentando transmitir todo o amor e carinho contido dentro dela para Harry.
Harry se surpreendeu ao sentir os braços da sua amiga, mas achou extremamente agradável ficar assim, reconfortante era a palavra certa. Então, ele se viu passando seus braços de volta no pescoço de Hermione. A garota achou estranho esse comportamento, só não muito, porque sentiu que Harry estava chorando.
Hermione se ajeitou melhor na cama, e colocou Harry deitado no seu colo. Ela falava algumas palavras de consolo enquanto fazia cafuné na cabeça dele, Harry não deu a entender que havia percebido ou se importado com a mudança de posições. Ele continuava murmurando palavras sem sentidos, parecendo muito perturbado. E chorava. Hermione nunca havia visto Harry chorar, ele era sempre tão orgulhoso, e achava que não devia chorar.
Depois de um tempo, Harry se acalmou, apenas respirava rapidamente, e não parecia disposto a mudar de posição. Hermione continuava a passar a mão carinhosamente pelos seus cabelos, ela também não parecia querer mudar de posição.
- Eu...desculpe...eu não deveria ter saído da mesa assim. Deixei você e seus pais preocupados – Harry se virou ainda no colo dela para poder olhar para seu rosto, ficando de barriga para cima.
- Nada disso, Harry. Era seu direito, você não estava bem.
- Obrigado.
- Pelo que, Harry?
- Por você estar aqui, por ser minha amiga, depois se tudo o que aconteceu. Enfim, por tudo – Harry foi listando.
- Nada mais natural. Você é meu amigo, e você não está bem. Nada mais natural eu estar aqui com você.
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Por que a claridade insistia em bater no seu rosto, o sono estava tão bom, como há tempos não tinha. Tentou fugir do sol que lhe incomodava, ainda com os olhos fechados, mas ele viu que não adiantaria nada, então abriu os olhos enquanto sentava na cama.
Harry não se lembrava de como havia ido dormir na noite passada, apenas se lembrava de estar com Hermione, depois não se lembrava de mais nada. Ele se descobriu descalço e com uma coberta sobre si. Provavelmente Hermione o havia coberto, ele pensou.
Depois que se arrumou, se dirigiu à sala-de-jantar para o café-da-manhã, onde encontrou Hermione já tomando o seu.
- Bom dia, Harry! Está melhor?
- Bom dia, e estou melhor sim. Obrigado por ontem.
Hermione sorriu em resposta, e o ajudou a servir-se.
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- Nem pensar! Sem chance! – Hermione estava revoltada com a idéia que lhe foi apresentada.
Depois do almoço, Hermione e seus pais se encontravam no escritório de Richard. Harry quando viu que eles queriam falar com Hermione a sós, foi para seu quarto.
Richard estava sentado calmamente em sua cadeira, enquanto Hermione estava de pé, na frente de sua mesa protestando. Helena, não se manifestava, estava sentada ao lado de Hermione, apenas olhando de um lado para outro, achando graça de toda situação.
- Você sabe que eu detesto esses eventos!
- A sua vó insistiu muito para que você fosse, e eu não vi problema nenhum quanto a isso. Pode ser divertido. – seu pai tentou convencê-la.
- Eu não quero ser apresentada para a sociedade. Seria muita hipocrisia.
Ser apresentada ou lançada na sociedade, o que antigamente se chamava debutar. Era nisso que sua vó queria que participasse, e, era nisso que não queria participar.
Helena, percebendo que aquela discussão ainda iria longe, resolveu interferir.
- Vamos fazer o seguinte, Mione: você participa da festa que sua vó quer que participe, e depois nós fazemos uma festa de arromba para você, você poderia convidar os seus amigos de Hogwarts, e os daqui também.
- Que seja. Eu não tenho outra escolha mesmo. – ela falou saindo do escritório.
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- Calma Mione, não pode ser tão ruim assim – Harry estava tentando acalmá-la, mas vendo a cara que ela fez, ele duvidou que conseguisse – ou pode?
- Claro que pode! E é! – ela estava sendo extremamente enfática. – O propósito desses bailes, é dizer, ou mostrar as garotas que estão disponíveis. Isso é praticamente a mesma coisa que uma exposição de mercadorias, com um pouco mais de classe.
Hermione tinha realmente detestado a idéia, mas era típico da sua vó. No mínimo ela achava que Hermione precisava de um namorado, e como dizem, há 90 de chance de você se casar com o seu par do baile.
- Além de toda essa exposição ridícula, que provavelmente vai me fazer de chacota entre minhas amigas, eu tenho que encontrar um par corajoso o suficiente, e ainda dançar uma coreografia terrível junto com as outras garotas.
- Eu acho que depois de ficar cara-a-cara com Voldemort algumas vezes, isso me faz um par suficientemente corajoso.
Hermione olhou para Harry com uma cara de quem não tinha acreditado no que havia ouvido. O mesmo sucedia com Harry, ele não acreditava que tinha dito aquelas palavras.
- Você pode, por favor, esquecer o que eu disse agora?
- Não, não, não! Você é meu amigo! Não pode me deixar indefesa e desamparada nesta historia toda! Você vai ser o meu par! – ela disse tudo isso num tom de quem não aceita recusa.
Harry quase riu da cena. Ela nunca seria indefesa e desamparada. Apenas não riu, porque ela havia dito que ele seria seu par. E agora, ele deveria achar uma desculpa bastante convincente para que ela acreditasse. Não que Harry não gostasse da companhia dela, mas ir a um baile não estava nos planos dele.
- Eu não posso ser o seu par, Hermione. Eu não sei dançar.
- Isso não é problema, nós aprenderemos – era incrível que ela sempre tinha a resposta na ponta da língua para qualquer coisa que lhe fosse dita.
- Hermione, você sabe dançar muito bem, não venha com desculpas esfarrapadas, eu me lembro muito bem do Baile de Inverno, no quarto ano.
- Acontece que o Vitor dançava muito bem, então ele me conduzia. Eu não sei dançar esse tipo de música sem ser conduzida. Ainda.
Vendo que aquela desculpa não servia mais, ele tentou achar outras.
- Eu não tenho roupa para a ocasião, apenas a minha veste bruxa.
- Isso é simples, nós compramos para você. Eu também tenho que comprar um vestido.
Essa história se estendeu por um bom tempo. Cada desculpa que Harry dava, Hermione replicava, com a solução na ponta da língua.
Por fim Harry desistiu.
- Você tem certeza que me quer como par? – ele perguntou para se certificar.
- Claro que sim Harry. Você já me salvou de tantas. Pode me salvar dessa também. – "esse é apenas um dos motivos", pensou Hermione, "quem não gostaria de ter Harry como par?".
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- Algumas pessoas estão te esperando na sala, Hermione – avisou Carol entrando na biblioteca, onde eles faziam as tarefas que Hogwarts deixou para as férias.
Isso mesmo, um lindo dia de verão, e eles sentados em uma mesa da biblioteca (pois é, a Hermione tem uma biblioteca em casa) fazendo os deveres. Idéia de Hermione. Quando Harry a olhou com cara de quem não queria fazer (ou seja, cara de preguiçoso), Hermione lhe respondeu que "provavelmente uma amiga minha vai chegar aqui em casa até semana que vem, e ela não faz idéia de que eu sou uma bruxa, talvez tenha até uma idéia errônea a respeito (isso Harry quase nem ouviu), então...". Por isso, lá estavam eles, na biblioteca escutando o anúncio de Carol.
- Diga que eu já vou indo.
Assim que Hermione acabou de falar, Carol deixou a biblioteca. Hermione recolheu e empilhou os livros que estava usando,e foi saindo pela mesma direção que outrora fora Carol, quando viu que Harry continuava sentado e não tinha feito menção de lhe acompanhar.
- Você não vem?
- Não, é sua visita, eu não vou me intrometer.
- Deixa disso, Harry. É claro que você vai!
E, dito isso, Hermione saiu praticamente puxando Harry para a sala.
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- Eu não acredito que vocês estão aqui! – Hermione falou cumprimentando-os.
As pessoas que estavam esperando na sala formavam um grupo de jovens mais ou menos da mesma idade de Harry e Hermione. Eram quatro garotas e um garoto. Essas garotas, que pareciam bem mais animadas que o garoto, assim que viram Hermione, levantaram correndo e foram abraçá-la.
Depois disso, tudo não passou de um borrão para Harry. As garotas rodearam Hermione falando todas juntas, elas riam, e às vezes gritavam...
Harry acabou ficando tonto, ele nunca vira uma reunião de garotas como aquela, para bem da verdade ele nunca vira uma reunião de garotas. Em Hogwarts, ele nunca tinha visto, ou percebido uma manifestação como aquela. Era demais para ele, que não estava acostumado. Disfarçadamente, ele saiu de perto de Hermione indo sentar no sofá à frente. Que, ele não tinha percebido, já estava sendo ocupado.
- Pelo jeito você não está acostumado com isso – o garoto falou se referindo ao grupinho cercando Hermione. – Ah! Á propósito, meu nome é Justin Blackwell, muito prazer – ele estendeu a mão para Harry que iria se apresentar, mas foi interrompido - Você é Harry Potter, não é? – Harry confirmou com a cabeça – A Mione vive falando de vocês para nós. Ah, não estranhe o comportamento dessas loucas. Eu sou o único são por aqui.
Justin Blackwell era um garoto de estatura mediana, era pouco menor que Harry (que havia crescido bastante no último ano). Os cabelos eram de um loiro manchado (existe?), os olhos eram castanho bem claro, quase amarelo. Parecia um cara legal, mas são não era uma palavra que Harry usaria para descrevê-lo.
- Muito prazer.
De repente ficou um silêncio na sala, que Harry estranhou. Ele ergueu a cabeça para ver o que tinha acontecido, e se viu de pé cercado por aquele bando de malucas.
- Você deve ser o Harry, não é?
- A Mione bem que disse que você era lindo, mas não tanto... – Harry olhou para Hermione, que corou.
- Seja bem vindo!
- E aí, tudo bem?
Elas falavam rápido, e todas juntas. E davam aquelas risadinhas extremamente irritantes em sua opinião. Harry não conseguia ver quem falava o que. E elas ainda não haviam parado de falar.
- Já chega! Deixem o coitado respirar. Ele não está acostumado com a loucura de vocês – Justin Blackwell resolveu dar uma mãozinha para Harry.
- Justin! Você também veio!
Hermione não tinha visto o amigo ali, e quando o viu foi correndo o abraçar.
- Mione, eu também tenho que respirar...
- Desculpa, eu tava com saudade. Você se meteu sabe-se lá onde verão passado...
- Você não foi muito diferente. Quando eu voltei você já tinha saído...
- Estamos quites então – Hermione respondeu rindo.
- Hem, hem...
Harry e Hermione olharam para o lado que viera o pigarreio com uma cara definitivamente estranha. Durante o ano que se passou eles tiveram experiências suficientes com Umbridge e seus pigarreios, eles não esperavam ouvir esse som tão cedo.
Mas era apenas uma das amigas malucas de Hermione.
- Você não vai nos apresentar? – a garota mais baixinha perguntou para Hermione. Ela era um pouco gordinha, tinha cabelos crespos e loiros e olhos castanho-esverdeados. E um sorriso enorme no rosto.
- Claro que vou. Este é Harry Potter – ela disse apontando para o garoto que estava do seu lado. – E essas são: Natasha Cantrell, a apressadinha que tanto queria se apresentar – a garota sorriu e abanou para Harry.
- Muito prazer – Harry fez o mesmo.
- Essa é Mariê Longueville – a garota estava à esquerda de Natasha. Ela era um pouco mais alta que Natasha, e um pouco mais morena, parecia que tinha ficado bastante no sol, tinha cabelo castanho-escuro na altura dos ombros e bem lisos.
- E aí, tudo legal? – ela sorriu cumprimentando-o.
Harry sorriu em resposta.
A próxima garota era da altura de Hermione. Era magérrima, tinha cabelos ruivos com pontas loiras, que pareciam tingidos e olhos escuros.
- Oi, eu sou Érika Hawkworth, bem-vindo – ela se auto-apresentou, dispensando a ajuda de Hermione com enorme sorriso no rosto.
- Obrigado – ele respondeu ao sorriso.
- E essa é Ashley Schoppy – Hermione apresentou a última garota, que estava ao lado de Érika. Ela tinha a estatura de Hermione e Érika, era loira com cabelos na altura dos ombros e uma franjinha na testa, tinha olhos azuis bem claros. Era bem branca, como se nunca pegasse sol, e era, sem duvida, a mais tímida de todas. Ela cumprimentou Harry com um aceno de cabeça e um sorriso tímido, que Harry respondeu do mesmo modo.
- Acho que você e Justin já se conhecem, não é? – os dois acenaram afirmativamente – Então agora estão todos apresentados, vocês podem me dizer o que estão fazendo aqui? – Hermione perguntou para seus amigos.
- Estávamos com saudades e queríamos ouvir as novidades... – começou Ashley.
- Então lembramos que você disse que seu amigo estaria aqui no domingo... – continuou Natasha.
- Como vocês chegariam muito cansados no domingo, nós viemos hoje para dizer olá para vocês, e para conhecer o Harry... – Érika falou.
- Além do mais, nós queríamos reunir a turma já que ano passado nem você nem Justin se encontraram... – Mariê ainda continuava a conversa.
- Também e não menos importante, nós viemos salvar o Harry de livros e deveres, que você gosta tanto – Justin finalizou.
- Tudo bem, Srs. Salvadores-de-Garotos-Indefesos-das-Garras-da-Malvada-Hermione-que-Adora-Deveres, o que vocês pretendem fazer?
- Nós podíamos dar uma voltinha e tomar um sorvete – sugeriu Natasha.
- Por mim tudo bem – Hermione aceitou na hora, para a surpresa dos amigos, que esperavam ter que convencê-la. – Esperem só um pouquinho que eu já volto.
Eles deram de ombros e sentaram novamente para esperar Hermione, que rapidamente como dissera, já estava de volta. Logo estavam indo em direção da sorveteria.
Harry achou os amigos de Hermione muito divertidos, eles riam, conversavam, falavam alto, sem se importar se estavam no meio da rua. Eles brincavam e falavam com as pessoas que passavam por eles na rua, e Harry percebeu que Hermione não parecia irritada ou envergonhada por isso, muito pelo contrário. Parecia que era a própria Hermione que liderava aquele grupo, fazendo brincadeiras, rindo das piadas...
Harry apenas observava, ele se considerava como um intruso nesse grupo. O garoto percebeu que Hermione estava agindo completamente diferente do modo como agia em Hogwarts, parecia que existiam duas Hermiones, uma em Hogwarts e uma em casa, que não tinham muitas semelhanças entre si.
O caminho que levava até a sorveteria era muito bonito. Havia varias árvores com flores coloridas nas calçadas, sem contar as casas, que eram todas de bom gosto. Eles passaram por uma pracinha, que parecia muito agradável e familiar, e onde tinha várias crianças com suas babás brincando.
A sorveteria que eles foram parar se chamava "The 50's". Era um lugar interessante e muito agradável e alegre, que tinha o estilo de uma sorveteria dos anos 50, daí o nome.
Um rapaz alto, loiro e com um sorriso simpático veio atentê-los.
- Olá Joe! – todos o cumprimentaram, menos Harry que não o conhecia.
- E aí galera! – o rapaz chamado Joe respondeu pousando seu olhar em Harry.
- Joe esse é o Harry, meu colega de escola, e Harry esse é o Joe, o dono dessa sorveteria maravilhosa – Hermione os apresentou.
- Tudo legal? – ele cumprimentou Harry.
- Agora que todo mundo já foi apresentado e cumprimentado, vocês vão querer o de sempre? – Joe perguntou já com o bloquinho na mão.
- Com certeza – eles responderam em uníssono.
- E você, o que vai querer? – ele perguntou para Harry.
- Ele vai querer o Sinistro - Hermione respondeu por ele com um sorriso maroto.
Harry olhou para ela para perguntar o que era.
- A Iniciação! Você acha que ele agüenta?
Harry olhou de um para outro. Que história é essa de será que ele agüenta? Seja o que for, com toda certeza ele agüentaria.
- Isso nós vamos descobrir – Hermione respondeu para Joe e saiu puxando Harry e suas amigas para uma mesa mais afastada da porta da sorveteria.
Eles sentaram em uma mesa perto de um mural de recados, e Harry logo percebeu que a maioria deles tinham sido deixados por aquele louco grupo que o acompanhava. A maioria daqueles recadinhos eram de zoeira, parecia que eles zoavam de tudo, até deles mesmos.
A mesa era bem barulhenta, eles riam alto e conversavam como se não houvesse mais ninguém no local. Os outros clientes da sorveteria não olhavam duas vezes para a mesa, parecia que eles já estavam acostumados com aquela baderna.
- Eu não acredito nisso!
Harry voltou a prestar atenção à conversa, depois da reclamação da Ashley. Não só Harry parou para prestar atenção, como toda a sorveteria, tal foi a surpresa de Ashley. Depois, vendo os outros componentes daquela mesa, Harry reparou que a surpresa na fora apenas de Ashley.
Depois que Ashley deu uma abanadinha para as pessoas na sorveteria, elas voltaram às suas próprias conversas, assim como o grupo em que Harry se encontrava.
- Mionezinha, querida, eu não vou perder isso por nada no mundo! – exclamou Érika.
Hermione fez uma cara terrível quando escutou o abominável apelido que seus amigos usavam quando queriam gozar dela, ainda mais com o "querida" junto. Ela sabia que boa coisa não viria depois.
Onde estava com a cabeça quando resolvera contar para eles da sua adorável festa? Em cima do pescoço, com certeza não estava.
- Imagine a cena: - começou Justin com cara de quem realmente estava vendo a cena – Hermione, de vestido branco, descendo aquela enorme escadaria quando, de repente, o sapato salto agulha 10, se enrosca na bainha do vestido, e ela, sem a mínima graça, cai destrambelhada no chão.
Todos na mesa estavam rindo, inclusive Hermione que não conseguiu se agüentar. Antes de Hermione conseguir formular uma resposta, Mariê tomou a palavra.
- Ou então, Hermione dançando aquela ridícula dança que aquelas garotas devem dançar, sendo aplaudida, talvez, e gozada, com certeza, por todas as pessoas presentes – Mariê então simulou uma salva de palmas, ao que Hermione respondeu se curvando e agradecendo os aplausos imaginários.
Essa encenação rendeu outra rodada de gargalhadas, que foi interrompida pela chegada de Joe e dos sorvetes.
- Joe, meu amigo, você não sabe onde nossa Mionezinha se meteu... – Natasha começou a contar como que fofocando.
- O que aconteceu dessa vez? – ele perguntou com um sorriso divertido no rosto.
Joe era alguns anos mais velho que o grupo, ele tinha 19. E, desde sempre ele acompanhou as encrencas e enrascadas que aquele pessoal se meteu. Mas também sempre acompanhou as soluções mais malucas que eles encontravam. Por isso não se surpreendia mais com essas encrencas.
- A nossa excelentíssima amiga Hermione vai participar de um baile de debutante, você consegue acreditar? Ela vai debutar!
- Não! Até tu Mione! – Joe encenou uma punhalada no peito – Eu não acredito que você vai me decepcionar desse jeito!
Joe balançava a cabeça de um lado para outro para demonstrar sua "decepção". Nessa hora, Joe pareceu a Harry, os gêmeos Weasley, com aqueles teatros cômicos e exagerados.
- Joe, já chega! Não é pra tanto – Hermione pediu tentando abafar as risadas. – O que eu podia fazer? Eu não tive escolha.
- Ahã, tudo bem, nós acreditamos... – é, eles estavam sendo cínicos.
- Joe, me dá logo este sorvete que eu estou realmente precisando.
- Tá de TPM, é?
Joe nem terminou de falar e já estava distribuindo cada sorvete para seu respectivo dono, até que sobrou apenas uma taça na bandeja.
- E aqui está o Sinistro – disse Joe com um meio-sorriso deixando uma taça enorme na frente de Harry.
Harry olhou da taça para Joe, de volta para taça, depois olhou para Hermione, que estava séria e foi olhando todos os componentes da mesa, que estavam apenas o observando, até voltar os olhos para a taça de novo. Ele engoliu em seco. Como ele conseguiria sozinho comer todo o conteúdo da taça?
Joe já tinha deixado a mesa e estava atendendo outros clientes, e os outros ocupantes daquela mesa ainda não tinham tocado nos próprios sorvetes, estavam apenas o observando.
- Harry, é o seguinte: - Hermione resolveu ser a porta-voz deles e estava dando o recado. – esse sorvete é a primeira parte da sua Iniciação, você deve comer tudo para poder passar para a próxima etapa e então fazer parte dos Sinistros.
- Sinistros?
- É como nos denominamos.
- E o que tem aqui dentro?
- Isso você vai descobrir enquanto estiver comendo.
Harry olhou de novo para a taça na sua frente, que por cima parecia ter apenas chantilly, pegou a colher e comeu a primeira colherada. Depois de ver isso, os outros começaram a comer do próprio sorvete.
Harry estava certo. Nessa primeira colherada pegou apenas chantilly, mas o chantilly tinha um gosto diferente, parecia mais...picante. Mesmo tendo este gosto incomum para sorvete, melhor, chantilly, isso era-lhe bem agradável ao paladar.
As amigas de Hermione, e a própria, já estavam no final do próprio sorvete, enquanto Harry nem tinha terminado o chantilly do seu.
Depois de acabado o chantilly, Harry viu um arco-íris de cores, parecia haver dentro daquela taça sorvetes de todos os sabores e cores. Ele viu também que no fundo da taça tinha salada-de-frutas.
Finalmente. Agora mais algumas colheradas e pronto, teria terminado o sorvete. Todos na mesa olhavam para ele, já fazendo torcida e gritando palavras de incentivo – Vai! Vai! Vai! -. Mas havia um pequeno probleminha: Harry já estava embugado de tanto sorvete, parecia que não agüentaria nem mais uma colherada.
- Vai lá, Harry! Você consegue!
Menos uma colherada na taça.
- Agora só falta mais um pouquinho!
Mais um pouco de sorvete no estomago.
- Só mais uma!
- Vai! Vai! Vai!
Pronto! Finalmente estava terminado o sorvete.
Todos ficaram olhando Harry para ver se ele teria alguma reação contrária, por causa de toda aquela quantidade de sorvete no corpo. Mas pelo jeito ele ainda estava bem e inteiro, eles puderam constatar.
- É isso aí, Harry!
- Mandou bem!
E outros cumprimentos com o mesmo sentido, e as tradicionais batidinhas na costas, passando a mão pelo cabelo dele para bagunçá-lo...
Depois desse momento de congratulações, eles pararam para ouvir o que ele tinha a dizer.
- Meus cumprimentos ao chef! – ele finalmente tinha entrado no clima de brincadeira deles, ele fez seu cumprimento erguendo a taça, que ele estava bebendo água, a guisa de saúde.
Depois, houve mais gritos, brincadeiras e cumprimentos, até que todos ficaram em silêncio para ouvir o que Hermione tinha a dizer.
- A primeira etapa foi concluída com sucesso. A próxima etapa ocorrerá à noite.
Hermione sempre foi escolhida como porta-voz dos Sinistros, por inúmeros motivos, mas o principal deles sem duvida era conseguir se manter séria, e conseguir dar um ar de enorme importância e seriedade aos comunicados.
- Nosso encontro será às onze horas e cinqüenta minutos, na antiga casa dos Cornwell... Até lá, podemos nos divertir... – Hermione concluiu o comunicado sorrindo marota.
- Vocês poderiam, então, me falando dos Sinistros.
Isso fazia sentido, afinal ele estava fazendo a Iniciação para algo que ele ouvira escassos comentários apenas.
- Como nós lhe falamos anteriormente, nós somos os Sinistros – começou Ashley com ar professoral.
Harry a olhou com cara de quem diz: "isso eu já tinha deduzido".
- Acho que a Hermione deveria começar a falar sobre a "criação" dos Sinistros, afinal, ela é a idealizadora.
Harry a olhou incrédulo. Eles deveriam estar falando de outra Hermione, porque a que conhecia definitivamente não seria idealizadora de um grupo como aquele.
- Apenas uma delas – lembrou Justin. – Se esqueceu da Julie?
- Isso não importa, deixe a Hermione começar – Érika reclamou.
Todos olhavam para Hermione, esperando ela começar a falar, enquanto ela nem ligava e calmamente terminava de beber seu refresco.
- Tudo bem, já que vocês insistem:
"Eu e a Julie, a outra grande "idealizadora", nos conhecemos desde que lembramos da existência da outra. Nós éramos vizinhas, nossos pais eram amigos, e nós crescemos juntas. E nós nunca fomos "santas", e vivíamos fazendo confusão e aprontando pelo bairro, e cada vez que alguém era vítima de alguma de nossas traquinagens diziam que a pessoa tinha sofrido um sinistro, e esse nome pegou. Era muito difícil alguém descobrir que era nós que armávamos os "sinistros", e nós nos aproveitávamos disso. Foi então que eu conheci a Mariê"
Hermione parou e deixou que Mariê continuasse:
- Eu também sempre morei aqui na rua, mas nós nos conhecíamos apenas de vista. Um dia Julie foi viajar, e a Hermione ficou sozinha, tendo que executar um plano sem ajuda. Quando ela me viu no parque, pediu a minha ajuda e eu logo aceitei. Quando a Julie voltou de viagem, eu e a Mione já éramos amigas.
- A Julie e a Mione criaram então a Iniciação – Natasha continuou – pelo qual todos nós aqui passamos.
- E essa é a história...
Harry a olhou pasmo. A Hermione, a sua amiga Hermione Granger, a maior sabe-tudo e seguidora de regras que Hogwarts jamais viu, não era tão "santinha" assim. Mas isso não o incomodou, muito pelo contrário, Harry percebeu que essa faceta de Hermione era muito interessante...
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- Boa noite mãe, pai – Hermione foi saindo da sala onde os quatro estavam fingindo um bocejo.
- Boa noite, filha – eles responderam em uníssono se entreolhando desconfiados, afinal ela não era acostumada a dormir cedo.
Harry quando viu Hermione se levantando, a imitou também se despedindo de Richard e Helena.
- Boa noite, Harry.
Quando eles estavam saindo da sala, Richard os fez voltarem com um anúncio não muito bem visto pelos dois.
- À propósito Mione, a tua festa está marcada para daqui a duas semanas.
- Já?
- Sim. E a partir de amanhã você e Harry começarão as aulas de dança com a Madame Violet.
- Não! Não com ela!
Madame Violet era uma professora de dança um tanto gordinha e bastante fofoqueira, que achava que devia bancar o cupido para todo mundo. E dessa vez, ela resolveu que estava na hora de achar um namorado para Hermione.
- Ela é a melhor professora de dança da cidade, e além disso, o contrato já foi fechado e assinado. Vai ser com ela sim.
Hermione juntou toda a dignidade que lhe restara, virou as costas e saiu de cabeça erguida, sendo seguida logo depois por Harry, que estava achando graça daquela história toda. Quando eles saíram da sala e ficaram sozinhos, ele não agüentou e começou a rir.
- Tá rindo de que? Você também vai ter aula de dança! - Isso acabou com as risadas de Harry na hora. É, ele tinha esquecido esse pequeno detalhe.
Hermione continuou caminhando rápido e resmungando, enquanto Harry a seguia em silêncio, não queria que ela se zangasse com ele.
Quando chegaram em frente aos quartos que ocupavam, Hermione puxou Harry para um canto.
- Fique pronto. Agora são dez e meia, às onze e meia eu passo aqui. Deixa a porta destrancada. Hermione falou tudo isso no pior tom mandão que ela tinha no repertório, depois, simplesmente virou as costas e entrou no próprio quarto.
Harry apenas ficou olhando para o nada por alguns instantes, para se recuperar do efeito que a súbita proximidade de Hermione causou nele. Depois também se virou e entrou no quarto para se aprontar.
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Hermione entrou sem nem bater na porta. Pelo pouco espaço e tempo que a porta ficou aberta, Harry percebeu que todos já haviam ido dormir.
Assim que abriu a porta, Hermione teve uma visão que não estava acostumada a ter, afinal, ver Harry ler interessado um livro de Transfiguração era algo raro.
- Já está na hora? – ele perguntou com tom de voz normal, já se levantando.
- Shh! Fala baixo! Ninguém sabe que estamos saindo!
Assim que falou isso, Hermione puxou uma cadeira para perto do guarda-roupa, e do maleiro ela jogou no chão várias almofadas.
Harry depois da reprimenda não falava mais nada, mas isso não impediu que ele a olhasse intrigado. Hermione recolheu as almofadas e começou a arrumá-las na cama, para parecer que Harry estava dormindo. Harry olhava espantado a prática que a amiga demonstrava em fazer isso, ele nunca pensou que ela fugisse de casa de noite.
Hermione, ainda fazendo gestos para Harry manter o silêncio, começou a puxá-lo para fora do quarto e, antes de sair murmurou algo. Como Harry havia saído antes, ele não ouviu nem notou nada. Hermione continuou puxando-o até o quarto dela, que estava completamente escuro, só deixando perceber que ela fizera o mesmo na cama dela.
A garota pegou uma mochila jogada a um canto, e cuidadosamente abriu a janela, entrando na sacada e jogando a mochila lá de cima.
- Você está com a varinha? - Ele assentiu – Ótimo! Você vai primeiro.
Ele a olhou interrogativamente. E ela respondeu com um olhar exasperado.
- Pela janela. Não se preocupe, não é difícil.
Os dois estavam na sacada do quarto dela, e Harry olhava para baixo com apreensão.
- Não seria melhor descermos de vassoura?
Hermione suspirou.
- Não há problema algum, Harry. Eu já fiz isso diversas vezes.
- Por que será que isso não me espanta mais?
A garota achou melhor ignorar esse último comentário para que eles conseguissem chegar a tempo ao encontro.
- Se você quiser, eu vou primeiro – ela se ofereceu, e ao vê-lo assentindo, começou a descer.
Não era algo realmente difícil de fazer. Depois que passou o corpo para o lado de fora da sacada, Hermione foi com calma para o lada da parede, onde havia uma forte trepadeira e, de um impulso, ela já estava agarrada na trepadeira descendo, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Depois que viu que não era um "bicho de sete cabeças", Harry desceu tranqüilo da sacada de Hermione, enquanto lá embaixo a garota já o esperava coma mochila nas costas.
O caminho foi tranqüilo, não havia movimento algum nas ruas ou em qualquer lugar. Eles caminhavam no meio da rua sem a mínima preocupação.
Não precisaram caminhar muito. Depois de entrarem em uma rua transversal, eles foram até o final da mesma, que terminava em um beco com um enorme casarão abandonado. Os portões pendiam cada um para um lado, o jardim parecia que há séculos não via uma limpeza. A tinta da casa estava toda descascada, isso onde ela ainda tinha algum resquício, e havia vários vidros quebrados das janelas.
Sentados no pequeno tablado na frente da porta de entrada, já estavam Justin, Érika e Ashley. E logo atrás de Harry e Hermione chegou Natasha. Eles se resignaram a esperar a última componente que faltava, Mariê. Que chegou cinco minutos atrasada.
- Desculpem, desculpem, desculpem. Eu não consegui me livrar antes da mala da minha irmã.
- Para variar... – Érika rebateu em deboche.
Hermione resolveu interromper a discussão antes que ela se tornasse pior, afinal Mariê já estava com uma resposta na ponta da língua.
- De que adianta ficarmos discutindo? – Harry reconhecia aquele tom de repreensão, afinal já fora usado contra ele e Rony várias vezes. Antes que alguém pudesse pensar em responder àquela pergunta retórica, Hermione sorriu marota e continuou – Afinal, temos uma Iniciação para concluirmos aqui...
Todos sem exceção concordaram, Harry também pôde notar que a discussão entre as duas garotas logo antes, fora bastante superficial, elas estavam sentadas agora, lado a lado cochichando.
Um silêncio se fez enquanto Harry se perdia em devaneios, e quando voltou a si, notou que todos os olhares, bem como as lanternas que cada Sinistro havia trazido estavam sobre si. Ele engoliu em seco, afinal não sabia o que esperar, o que estava por vir.
Hermione mais uma vez encarnou a porta-voz séria e enigmática para começar com os proclames da Iniciação.
- É chegada a segunda etapa da Iniciação.
Todos estavam em silêncio, fazendo do momento uma cerimônia solene. Eles se encontravam nos fundos da antiga casa dos Cornwell, assim ninguém poderia encontrá-los lá. Hermione e Harry se encontravam de frente para os outros Sinistros, e um tanto mais elevados também, afinal estavam sobre o tablado da porta dos fundos. Os Sinistros já iniciados apenas observavam o andamento da cerimônia.
- O seu teste – a líder continuou – servirá para provar que realmente tem coragem para fazer parte dos Sinistros, com todas as conseqüências que porventura poderão aparecer.
Por que tanto suspense? Harry se perguntava, afinal Hermione deveria saber a coragem que ele tinha... O problema seria enfrentar o desconhecido sem magia...
Os outros integrantes daquela oculta cerimônia, começaram a bater os pés no chão e a assobiar. Talvez apenas para demonstrar coragem e mostrar que todos já haviam passado nos testes.
- Então, o que eu devo fazer?
Hermione o olhou séria e com um sorriso sinistro no rosto, que quase o fez se arrepender de ter perguntado.
- Há uma garota que mora nessa mesma rua, que digamos, não tem um comportamento muito civilizado conosco. O ponto fraco dela é a sua imagem. Vamos colocar desse modo: ela se acha a mais linda, e seria uma "lastima" se ocorresse algo ruim com a imagem dela e se outras pessoas vissem isso.
Hermione não parecia ela mesma. Ela nunca faria algo assim deliberadamente para prejudicar outras pessoas. Mas Harry apenas esperou que ela lhe indicasse o que ele deveria fazer exatamente.
- O que você deverá fazer será levar isso – ela tirou da mochila um pote com uma substância verde – até a janela do quarto dela, e suspendê-lo de forma que quando essa janela for aberta, esse pote caia em sua cabeça.
Todos estavam prestando atenção para ver se Harry iria aceitar ou não o desafio. Ele simplesmente pegou o pote da mão de Hermione.
- Onde é a casa dessa garota? – foi a única coisa que ele disse depois os seguiu em silêncio até a casa da vítima.
A casa da tal garota era perto de onde eles estavam. Era uma casa grande, não tanto como a de Hermione, mas era bastante grande. Não se via nenhuma luz acesa em qualquer cômodo da casa.
Érika puxou Harry até a frente da sacada que disse ser da garota e desejou boa sorte ao Iniciante. Bem na frente da sacada indicada havia uma árvore, e do lado da sacada uma trepadeira.
Hermione puxou Harry de lado, antes de permitir que ele começasse.
- Você sabe que não pode usar magia, não é? – ela sussurrou para que apenas ele ouvisse.
- Confie em mim – dizendo isso, pegou o pote de tinta e começou a subir na trepadeira.
Os outros ficaram mais afastados para não serem vistos por ninguém.
Assim que já tinham se afastado um tanto de Harry, Hermione tirou uma maquina fotográfica de dentro da mochila e entregou para Justin.
- Você sabe o que fazer.
Ele assentiu e seguiu pelo mesmo caminho, mas ao invés de usar a trepadeira para subir, foi pela árvore.
A escalada não foi difícil, e Harry logo chegou na sacada indicada, e foi nesse momento que tudo se complicou. Como ele faria para suspender o tal pote de maneira que, quando a garota abrisse a janela a tinta caísse sobre a sua cabeça?
Harry usou da opção mais simples, e única, que lhe ocorreu: simplesmente escorar na janela, que estava entreaberta, e torcer para a tal garota abrir a janela certa.
Depois que estava escorada a tinta na janela, Harry desceu, mais uma vez, silenciosamente pela trepadeira e foi procurar os Sinistros para dizer que a "missão" fora concluída.
- Harry, querido, você não entendeu, não é? – Mariê falou com ele, como se estivesse dizendo para uma criança de cinco anos que Papai Noel não existe.
Érika chegou nele e o abraçou pelo ombros com uma intimidade que ele não tinha dado a ela.
- Harry você tem que terminar sozinho. Você precisa fazer ela se sujar, a fazer abrir a janela. – Érika explicava isso sussurrando no ouvido dele.
Aquela cena fez Hermione respirar muito fundo, se segurando para não pular na goela de sua amiga. Ela só não sabia de onde tinha vindo esse desejo assassino, que tão logo como veio, também foi embora.
Harry também não gostou nada desse provalecimento de Érika, e tratou logo de se desvencilhar dela. Para alivio de Hermione.
No chão, havia pequenas pedras, e assim que as viu, Harry formulou um plano para terminar logo com aquilo.
Ele pegou um punhadinho de pedras na mão e se dirigiu à janela da garota. Todos os Sinistros se esconderam mais uma vez, inclusive Justin que se disfarçou em cima da árvore.
Harry jogou duas pedrinhas seguidamente em direção a janela. Nada aconteceu. Jogou então mais uma pedrinha, depois de alguns momentos de espera, e já se preparando para jogar outra pedra, uma luz fraca se acendeu no quarto da garota. Harry então se escondeu atrás do tronco da árvore e esperou.
Uma garota loira abriu a janela, e foi então saudada por um pote de tinta verde nos cabelos, enquanto a tinta, que tinha uma aparência mais gosmenta que o normal, escorria pelos cabelos e pelo rosto dela, vários cliques foram ouvidos ao mesmo tempo em que uma sucessão de flahs clareia ainda mais o rosto da garota.
A "felizarda" gritou estridentemente e com o rosto (ainda verde) contraído de raiva. Jurando que aquele que fizera isso ia pagar bem caro. Então, subitamente deu às costa e bateu a janela atrás de si tempestuosamente.
Justin desceu da árvore e junto com Harry, foi ao encontro do núcleo feminino dos Sinistros, que já os esperava rindo sem se agüentar mais.
Rindo, ou melhor, gargalhando, pelas ruas desertas, os Sinistros voltavam ao ponto de encontro, a antiga casa dos Cornwell, para terminar de uma vez a Iniciação.
- Acho que todos concordamos – Hermione voltara a ser a porta-voz assim que chegaram onde haviam começado – que o Harry cumpriu com excelência o teste necessário para se tornar um Sinistro.
Todos concordaram batendo palmas, assobiando, gritando... Hermione entendeu aquilo como um sim, e deu continuidade a cerimônia se voltando para Harry.
- Harry, você quer ser um Sinistro?
- Quero – ele respondeu sem hesitação.
Hermione, então, fez um sinal para Justin, que lhe atirou algo, o qual Hermione pegou com destreza.
- Harry Potter passou pelos testes, e aceitou conscientemente se tornar um Sinistro. Isso exige o Juramento de Sangue.
Dizendo isso, Hermione mostrou o que Justin tinha lhe jogado. Um canivete de prata, com entalhes no cabo, e com uma lamina que parecia afiadíssima. Harry a olhou abismado, e então percebeu a cicatriz que ela tinha na mão esquerda, fina e que cortava toda a palma na diagonal.
Hermione viu a compreensão se instalar na face de Harry, e sorriu.
- Você deve primeiro prestar o juramento, para depois selá-lo com sangue – ela explicou.
Ele simplesmente pegou o canivete das mãos dela e esperou que lhe ensinasse o juramento. Estava se tornado divertido fazer parte dos Sinistros, ele concluiu com um sorriso.
"Eu, Harry Tiago Potter, aqui me coloco a disposição do Sinistros, para ser testado; prometo acobertar todos e qualquer um individualmente dos problemas que porventura surgirem, e jamais cessarei minha tarefa de aplicar uma vingança a qualquer um que venha injustiçar meus colegas. Se eu for perjuro, ou quebrar o Juramento, que eu possa ser fervido em óleo, devorado por vermes, ou receber tormentos horríveis demais para serem mencionados."
Lentamente, então, apoiou a ponta da lamina na palma da mão, movendo-a para baixo até que penetrasse, depois correndo-a pela palma.
Em seguida, ergueu o braço, para mostrar o sangue gotejando de sua mão.
- Parabéns, agora você é um membro oficial dos Sinistros.
Pois é, eu sei que demorei mais que o esperado, e o capítulo já ta pronto desde quarta, mas infelizmente eu não tive tempo para digitar o capítulo. Por isso, assim que eu terminei, e conferi, eu estou publicando, sem mandar para as betas lerem e corrigirem. Então eu preciso saber, ficou muito ruim, tem muitos erros? Que se vocês acham que eu não preciso mandar para beta, provavelmente eu acabo postando mais rápido... Mas por favor sejam sinceros, se vocês acham que ta terrível ler assim, me avisem que eu volto a mandar para beta.
E o que vocês acharam do capítulo? Dos Sinistros? Deixem reviews! Eu preciso saber da opinião de vocês... Nem sou muito chata... Aceito criticas ( só por favor não me digam simplesmente que essa fic ta um lixo e pronto, digam que ela ta ruim, e o que ela precisa fazer para melhorar...), elogios (quem não gosta de elogios?) e principalmente sugestões...
Viram como eu sou boazinha?Esse capítulo tá maior... Eu tinha dito que só postava com 15 reviews, e aqui tá ele com 13 reviews... Então sejam bonzinhos também, e me compensem com mais reviews!
-----------------CUIDADO SPOILER DO LIVRO 6 E DO FILME 4!-------------
Já li o Enigma do Príncipe, e acredito que a maioria de vocês também... Então eu to com uma doida vontade de falar o que achei de livro...
Apesar do casal não ser o que eu apoio, eu achei o livro muito bom. E triste. Muitas coisas eram como eu esperava que fossem acontecer... Eu não sou de maneira alguma uma apreciadora de Rony/Mione, nem de Harry/Gina, apesar desse último eu aceitar mais fácil... O romance foi muito fraco, mas eu não esperava outra coisa, afinal os ingleses são muito conservadores no que se trata de romance, ainda mais que HP muita criança lê, não dava para ela colocar muitos detalhes românticos num livro voltado também para um publico infantil. Por incrível que pareça, eu gostei do professor Slughorn, e agora detesto ainda mais o Snape! SNAPE MERECE MORRER! DOLOROSAMENTE! Com voto perpetuo ou sem, matar Dumbledore, não foi uma atitude digna de quem era fiel a ele, isso só prova que ele realmente ainda estava do lado de Voldemort, e isso não aceita perdão, eu não aceito. Já o Draco, talvez ele mereça uma segunda chance, afinal no fim ele não ia mais matar o diretor... Já sobre as horcruxes... sem comentários, muito interessante... Agora Harry, Rony e Mione devem realmente se unir para acabar com Voldemort. DOLOROSAMENTE.
Já sobre o filme 4, simplesmente Maravilhoso! Muito bom. A única coisa que eu não gostei foi a discussão Rony/Mione no baile, deu muito na cara que eles queriam ficar junto, o que no livro não é nem um pouco assim...Apesar disso, to apaixonada pelo Krum. Ele é muito fofo!
------------SEM SPOILERS!-----------
Quero deixar claro desde agora que eu vou continuar não usando spoilers do Enigma do Príncipe, até porque quem já leu sabe que seria impossível... O maximo que eu vou usar podem ser alguns feitiços ou poções, mas nada que compromete o livro... Também não vou desistir da fic só porque no livro não tem o shipper que eu apoio. Afinal isso é uma fic, e eu posso fazer o que eu quiser com os personagens... Também não estou decepcionada com a Rowling, sabíamos que existia essa possibilidade... Só estou deixando isso claro porque um autor que tinha uma fic H² maravilhosa deixou um post dizendo que iria para de escrever por causa do livro 6, e era uma fic maravilhosa, muito bem escrita, que ele resolveu parar de escrever porque se decepcionou com a Rowling...
Agora que eu acabei de desabafar, vamos aos agradecimentos:
Hermione J G Potter: Que bom que você gostou. Mas você poderia me dizer o que significa giro? Beijos...
Murilo Black: Que bom que você resolveu voltar a comentar. T'aqui o capítulo, espero que você deixe mais uma review por esse... Beijos.
dodo-HP: Que bom que gostou... E você acertou... Mais detalhes nos próximos capítulos... Concordo em número, gênero e grau quanto H/Hr sempre! Beijos..
victor: É a primeira vez que comenta, então primeiramente obrigado, e espero que continue comentando. Eu também gostei muito da cena do lago. E aqui esta o capítulo, espero que goste desse também... Beijos...
Lê: Nem demorei muito... Que bom que você gostou do capítulo.. Continua comentando que eu continuo postando... Beijos...
may33: Obrigado pelo sua animação, que bom que você realmente gosta. Eu também já me senti assim em relação a algumas fics... Continua comentando que eu continuo postando... Beijos...
Dessa vez não vai ter palhinha do próximo capítulo, mas eu vou posta-lo quando atingir 18 reviews, não é muito não, só precisa de mais 5 reviews.
E eu preciso dessas reviews para me animar, afinal eu tenho que reescrever o capítulo 5, que se chamará: Julie D'Anjou.
Então até a próxima,
Malfeito Feito
Moony Ju
P.S.: Dessa vez eu exagerei na nota... Beijos
P.P.S: Era para ser publicado ontem, mas o FanFiction não aceitava...
