Quadrado IV
Suas mãos em minha cintura e a minha na dele, nossos corpos unidos como nossas bocas, respirações ofegantes, a longa loira traça parcialmente desfeita ao mesmo tempo em que mechas soltas colavam-se ao seu rosto suado e minha mão em sua nuca permitia-me apoiar-lhe o rosto e acariciar-lhe a bochecha enquanto beijava-o. Então ele desmaiou.
Tirá-lo da festa foi fácil em comparação a decidir para onde eu o levaria, afinal não seria fácil explicar porque eu carregava sozinho pela noite um garoto desmaiado que cheirava a suor, bebida e cigarro.
Por fim levei-o para minha casa e deixei-o dormir em minha cama. Pensei em folgar-lhe as roupas para que ficasse mais confortável, porém imaginei que ele poderia pensar que eu fizera algo indevido durante seu sono.
Eu o desejava, isso estava claro, mas eu tenho uma maior preferência por pessoas acordadas e não queria que ele pensasse o contrário.
Por fim ele dormiu em minha cama, não como eu gostaria, é claro, uma vez que ele foi posto já adormecido nela, permaneceu vestido e inconsciente a noite toda e eu dormi na sala.
A manhã seguinte foi, digamos que, engraçada. Aparentemente ele não tinha o costume de beber e seu estado quando despertou era mais do que deplorável. Senti vontade de rir da situação e de suas caretas, porém estava ocupado demais arrastando-o para o banho.
É obvio que não o ajudei no banho muito embora ele realmente precisasse de ajuda já que quase não andava sozinho, porém , de alguma forma misteriosa, ele conseguiu se virar sozinho e ao sair do banho ele encontrou sobre minha cama uma roupa que ele pudesse usar
Estava esperando-o na sala e assim que eu o vi aproximar-se, apoiado na parede e com o corpo inclinado para frente, sorri e estendi-lhe uma caneca cheia de um liquido negro, viscoso, fumegante e de cheiro forte. Sim, café. Eu mesmo o preparara para o garoto.
Sua mão pálida e tremula aceitou a caneca que eu lhe oferecia e fazendo caretas infantis ele conseguiu beber tudo lentamente.
-Onde estou?
Só então perguntou-me com sua voz engasgada e seca e eu o achei bonito. Não lascivo e sensual como ontem, apenas bonito, humano. Como se sua beleza não fosse algo excepcional e admirável.
-Em minha casa.
Ele sorriu distraído ao ouvir a resposta e eu aproveitei para observá-lo. Seu corpo era estreito e baixo, diferente do meu, e minhas roupas ficaram largas e desalinhadas sobre sua pele pálida. Então ele levantou-se, aparentava estar bem melhor do que quando entrou na sala.
- Tenho que ir para casa.
- Eu te levo.
- Não precisa.
- Eu quero.
Primeiro acho-o atraente, depois bonito, em seguida cuido dele, preparo café e agora tento, a todo custo, alongo o tempo em que permanecemos juntos. Estava claro o rumo que eu estava tomando porém ainda me achava no controle, do que, exatamente, não sei.
Nada de extraordinário aconteceu. Por que aconteceria? Éramos apenas dois garotos andando tranqüilamente pela rua durante uma tarde agradavelmente fresca de um Sábado qualquer.
Deixei-o em seu dormitório do colégio e fui embora. Vaguei sem rumo durante algum tempo, não que eu estivesse evitando ou pensando em algo, não, eu estava apenas distante, novamente perdido em algum lugar para mim desconhecido.
E por mais estranho que possa parecer, eu gostava disso. Não era como pensar em mim, em minha aparência ou como pensar nos outros ou mesmo na vida. Era algo diferente, porém não algo novo, eu conhecia essa sensação de quando eu era criança, acho.
E ás vezes pensava nele. Em seu rosto pálido de bochechas tingidas de vermelho pelo álcool que eu lhe dera, seu cabelo castanho claro desalinhado e colando em sua e em minha pele, no peso de seu corpo desmaiando em meus braços durante o beijo. E voltava a repetir a mesma cena em minha mente em um ciclo sem fim, até me perder, novamente, em algum lugar além da realidade.
Por fim já era noite e tive que voltar para casa.
Joguei-me em minha cama e pensei que ele dormira ali, sorri. Meu riso alargou-se quando vi suas roupas jogadas em um canto, ali estava a desculpa que eu procurara o dia todo para poder voltar a encontrá-lo ainda hoje.
Coloquei seus pertences em uma sacola e jogando-a em meu ombro parti para o colégio.
Joguei-me em minha cama e pensei que ele dormira ali, sorri. Meu riso alargou-se quando vi suas roupas jogadas em um canto, ali estava a desculpa que eu procurara o dia todo para poder voltar a encontrá-lo ainda hoje.
Coloquei seus pertences em uma sacola e jogando-a em meu ombro parti para o colégio.
Estava dentro do local dos dormitórios. A passagem que separava os quartos do resto do colégio estava fechada e apenas existia aquela passagem para chegar ao quarto do rapaz.
No entanto jamais cheguei até sua porta, ao aproximar-me da curva que me levaria ao seu correr esbarrei-me com ele.
Seu cabelo estava solto e molhado, seu rosto desesperado e inquieto, sua roupa larga em seu corpo, porém apenas reparei nisso quando consegui levantar do chão.
O fato de ele ter se esbarrado em meu corpo a ponto de derrubar-me e cair em cima de mim me faz sorrir e ao observar seu rosto vermelho e ofegante fui obrigado a conter o riso.
- Está tudo bem?
Seu rosto virou-se para trás e seus olhos varreram o corredor atrás de si como se procurasse algo, porém ao fitar-me novamente ele sorriu e puxando-me pelo braço para fora do prédio me respondeu.
- Sim, está tudo bem. Que bom que você apareceu.
- O que aconteceu? Por que você estava correndo?
Já estávamos na rua quando ele parou e ficou na minha frente.
- Nada, está tudo bem. Já é noite, vamos jantar? Ou você já jantou?
Sua face estava menos rubra, no entanto não tinha perdido ainda a graça que possuía quando estava tingida pelo sangue.
- Não jantei. Podemos, sim, jantar. Alguma sugestão?
Seu riso fino e baixo me alegrou.
- Não. Nenhuma. Pode escolher o lugar.
Levei-o em um restaurante qualquer, após escolhermos os pratos ele pediu-me licença e foi ao banheiro. Quando voltou seu cabelo estava preso em uma traça, exatamente igual à noite anterior e suas roupas largas estavam menos desalinhadas sobre sua pele branca.
Conversamos durante a refeição sobre coisas bobas e engraçadas.
Os aros ridiculamente grandes cobrindo a beleza de seu rosto e sua roupa horrorosa e absurdamente larga não me preocupavam naquele momento. Estava distraído nos movimentos de suas mãos e em sua boca vermelha.
Seu riso era baixo e alegre, completamente diferente do meu e, em meu modo de ver, o jantar durou pouco tempo. Tentei oferecer-lhe mais outra sobremesa, mas, de uma forma divertida, ele recusou.
Quando o garçom trouxe a conta, tomei-a de suas mãos e não o deixei pagar, nem ao menos o permiti ver o valor que nos era cobrado e quando seu rosto fitou-me indignado eu lhe disse.
- Considere como um presente pela noite de ontem.
Ele pareceu confuso e perdido, no entanto logo voltou a sorrir e mudar de assunto.
Levei-o até perto do colégio, no entanto quando íamos entrar no prédio onde seu dormitório ficava ele parou e com sua mão pálida em meu tórax parou-me também.
- Eu fico aqui, okaay?
Olhei-o sem entender o que pretendia dizer com aquilo e ele riu de mim, explicou-se logo em seguida.
- Sei como funciona.
- O quê?
- Você sabe. A noite foi boa, o jantar agradável e a conversa divertida,porém ela termina aqui.
- Como assim?
- Você me leva até a porta do meu quarto, eu digo boa noite, você diz boa noite, conseqüentemente chegamos ao beijo e a noite continua.
Ri divertido, ele era esperto, mas também era tolo, mostrou-me que eu tenho chance, que essa noite eu tinha uma chance e isso significa que em outras noites também terei.
- Oh, pego novamente! Então não mereço um beijo de boa noite?
Disse divertido fingindo magoa e ele riu de mim.
- Não esta noite.
E deixou-me ali, parado, no meio da calçada assistindo seu corpo estreito afastar-se lentamente para a escuridão do corredor deserto.
Por algum motivo estranho, apenas encontrei-o novamente no fim da outra semana. Ele estava igual a primeira vez que o vi.
# Continua.
---- Nota da Autora----
Certo, certo, esse é o momento em que me ajoelho e imploro perdão pela demora.
Ajoelha Desculpem a minha demora!!! A culpa maior é do meu colégio!!! Eu estava em prova sem parar e tento que fazer trabalhos para a feira cultura que, a propósito, foi hoje.
Sei que o capitulo foi bem calmo comparado ao anterior, mas espero que tenham gostado deste também, eu acho que já consegui escrever metade do fic e como depois dessa semana terei 10 dias sem provas comemorando acho que dá para terminar de escrever ou, pelo menos, escrever bastante, e antes de voltarem as provas eu posto mais um ou uns capítulos aqui!!!
Obrigado á todos aqueles que comentaram e por favor comentem.
Ps: Tatianne e Anyannka, vocês comentaram e eu agradeço os comentários, mas não tenho como respondê-los pois não tem e-mail nem nada, mas fiquei muito feliz em receber seus comentários, obrigado!!!
Ps2: Acredito que respondi todos os comentários, se algum escapou, por favor não fiquem chateados comigo, pensei ter respondido todos. E Por favor me desculpem a demora em respondê-los.
Kiss Kiss, Zika McDragon!!!!
