Frozen Smile

Capítulo III

"Your form which returns gently to heaven, I watched it for the longest time until my tears dried up. The sorrow overflowing from the scar which can't be erased, I swore that I would never forget it."

-Gackt (Redemption, Dirge of Cerberus)

Ela nunca se esqueceu da aura perigosa que envolveu seu querido amigo. Era forte, e ele se movia violentamente pelo ar, sem saber quais eram seus amigos ou inimigos.

Quando ele a olhou, ela não viu a gentil e faiscante inocência nos olhos dele, mas a de um demônio, um pecado que desejava se libertar dele.

Sakura o tinha visto assim uma vez, e foi a sua experiência mais aterrorizante, ao lado da tão chamada "morte" de Sasuke durante a batalha contra Haku.

Ela de alguma forma teve o vislumbre de três caudas em Naruto quando ele pulou no ar novamente. Outra estava ligeiramente aparecendo, como se as caudas estivessem crescendo.

Naruto tentou controlar seu temperamento, mas apenas sua fúria se tornava mais forte, dominando seu corpo.

Foi logo o suficiente para ele começar a atacar a todos com violência de modo selvagem, e antes que Sakura percebesse, Orochimaru tinha mandado um enxame de tentáculos de cobras em direção aos seus companheiros de time.

Eventualmente, Naruto foi mordido em sua perna direita quando avançava em Kabuto. Ele simplesmente ignorou a dor infligida a ele e continuou atacando com selvageria.

Sakura arfou quando Naruto arrancou o réptil de sua perna, deixando sua carne exposta antes de pular à direita de Yamato, suas costas a encarando.

Ali foi quando Naruto voltou sua cabeça e lhe deu um rosnado, antes de se arremessar contra ela de forma animalesca.

Ele deu uma parada quando a aura alaranjada em sua volta se tornou maior, e ele gritou. Sua forma mudou, e não era mais o mesmo Naruto que ela conhecia e se preocupava. Era um monstro.

Era o mesmo monstro que ansiava por se libertar desde que foi selado.

Foi até quando a madeira ao redor de Sakura e Sai se partiu, resultando neles caindo da ponte. Armas e material médico caíram, flutuando no ar, quando os dois corpos afundavam rapidamente na água fria.

Tudo que ela pôde fazer foi gritar o nome dele.

Aquela era outra memória que ela não queria se lembrar. Ela estava morrendo de preocupação com ele, como ele estaria, e como o veneno estaria agindo nele. Ela não estava nem mesmo certa se o estado dele era de incomum imunidade.

Mas depois de ver aquilo a sua frente pela segunda vez na vida, ela jurou que nunca poderia esquecer algo assim.

Era o pecado dele algo que não podia ser apagado?

Tudo que ela fez foi observar até as suas lágrimas secarem. O corpo dela tremia quando ouvia ele guinchar de dor, sua dor penosa transbordando um chakra escuro.

O que ela podia fazer agora era orar, orar até que a sua forma retornasse ao normal. Ela orou aos céus pelo bem dele.

Ele ficava mais forte e mais forte e as pessoas apenas o viam como um erro que não podia ser apagado deste mundo...

Ele poderia nunca ser redimido...


A memória apareceu em um sonho inevitável, e os olhos dele, tão diferentes de seus inocentes que cintilavam para ela.

Sakura acordou com o som de canto dos pássaros quando deixava os olhos semicerrados devido os raios suaves de sol em seu rosto. Bloqueando a luz com sua mão direita, ela se levantou de sua posição desconfortável e se espreguiçou.

Piscando e esfregando os olhos, ela olhou para o lado quando bocejou, esperando encontrar seu bastardo de companheiro de time dormindo.

Infelizmente, ele não estava em lugar nenhum. Estalando sua língua em frustração, ela suspirou, e cruzou os braços, se perguntando onde diabos ele poderia ter ido sem ela.

Eles deveriam acordar e encontrar um caminho para um vilarejo próximo juntos.

Porém, era um tanto irônico dele ajudá-la realmente, ele não era do tipo que resgata pessoas "feias", como ele demonstrou durante sua luta com Orochimaru e Kabuto.

Ele apenas a deixou cair da ponte durante a primeira fase do momento pecaminoso de Naruto. Ela tinha batido a cabeça um tanto forte naquela hora e esfregou o local novamente, estremecendo imediatamente devido ao dolorido e à dor-de-cabeça lancinante.

Não tê-la salvado quando ele podia e quando ela estava a poucos metros do alcance dele era algo que ela deveria perguntar. Yamato até mesmo havia ordenado que ele a salvasse. O soldado "perfeito" desobedeceu a seu líder.

- Maldito estúpido!

Rolando seus olhos e sentindo que não adiantava esperar por ele, ela pegou sua bolsa, que continha apenas bandagens brancas e poucas shurikens, e prendeu de volta em sua cintura.

Caminhando por sobre os troncos, ela continuou em frente, pulando de árvore em árvore, esperando não ter que gastar outra noite com o Sai.

Era ele que estava fazendo aquilo mais tedioso para eles dois com o seu completar a missão.

- Estúpido, estúpido mis... – as suas palavras de xingamento desapareceram quando ela encontrou Sai ao longe, as costas dele para ela. Ele estava aparentemente olhando para a Rekki-Maru, sua possessão mais valiosa.

- Sai...? – ela começou quando avançou e ficou ao lado dele, encarando o brilho forte da espada com desenhos complexos que ela nunca tinha visto antes na vida. Era realmente uma coisinha maravilhosa.

- Você finalmente acordou. – ele respondeu, sua cabeça nunca se virando para olhá-la.

- Por que você dá tanto valor para esta espada...? – Sakura inquiriu abruptamente, uma pergunta que ela queria fazer desde que eles foram apresentados.

Minutos passaram e ela suspirou, sabendo que ele não se abriria desde que ele não sabia o que aquilo significava. Sakura eventualmente deu de ombros e pulou para o galho de árvore mais próximo.

- Esqueça, vamos seguir em frente.

- Ela pertenceu ao meu irmão. – ele finalmente respondeu fazendo Sakura parar. Ela virou sua cabeça para olhá-lo, mas ele apenas lhe deu um olhar impassível passando por ela, continuando a sua jornada.

Além do caderno de desenho, Rekki-Maru era do irmão dele. Aqueles eram as únicas duas coisas que ele mantinha perto de si, e ela se perguntava se aquelas coisas eram o que motivavam Sai a continuar com este estilo de vida dele.

Mas ela duvidava muito daquilo, eram apenas recordações para ele usar. Franzindo, ela sacudiu a cabeça, e seguiu atrás dele, que ela aparentemente perdeu de vista de novo.

"Droga..."


A lua brilhava em um incomum vermelho profundo e o ar se tornara frio e nebuloso. Aquilo só fazia a floresta densa e mais difícil de sair.

Suas respirações podiam ser vistas na noite, e a temperatura estava caindo rápido. Se eles parassem agora, eles congelariam.

Sakura não achava que levaria tanto tempo para saírem dali, geralmente eles teriam um destino para ir, ou pelo menos um dos cachorros do Kakashi para guiá-los pelo caminho. Um ninja teria encontrado o caminho da saída há dois dias.

Aquela era a sua terceira noite.

Eles dois tinham estado correndo pela floresta o dia todo, e mesmo assim não havia uma saída a frente deles, apenas mais árvores e sombras sobre eles.

- Aqui, isso foi tudo que pude achar, Feiosa. – Sai derrubou uma pilha de frutinhas envoltas em uma substância gosmenta púrpura quando Sakura tremeu de frio, olhando para elas incômoda. Ela pegou uma entre seu polegar e seu indicador e a espremeu, deixando o suco sair.

Erguendo a sobrancelha, ela olhou para Sai, depois de volta para a fruta.

- Você tem certeza que são comestíveis? – Sakura perguntou, analisando a frutinha com cuidado ante de a colocar na boca.

Sai deu de ombros.

- Ei, você me disse para pegar comida, então essas foram as únicas coisas que consegui encontrar na floresta. – ele respondeu, quando se aproximava do fogo, suas mãos se esfregando uma contra a outra antes dele se acomodar para se aquecer.

Olhando pra ele, Sakura pegou outra frutinha, uma que ela não espremeu e colocou na boca. Imediatamente ela a cuspiu, desejando se livrar daquele gosto.

- Oh, Deus, está amargo!

- O quê? Feiosa, você não agüenta mais um dia sem comida? Agora eu penso que te treinaram para manter sua fome, acho que Konoha não é tão boa como pensei ter ouvido... – Sai disse zombeteiro, mostrando um pouco de sarcasmo.

Terceiro assalto.

Sakura prometeu a si mesma que não bateria nele, pelo menos até que ele atingisse a décima vez ao irritá-la pela última vez.

Aquilo se tornou silencioso de novo, e o único som era suas respirações pesadas e bater de dentes. Sakura começou a esfregar os braços, na esperança de se esquentar um pouco mais.

- Sai me fale sobre Rekki-Maru. Ela não pertencia ao seu irmão caçula?

- ...

- Sai? – Sai olhou pra ela.

- Hmmm...?

Mesmo que ele a irritasse às vezes, ele ainda era seu companheiro de time, e companheiros, especialmente uma médica como ela, deveriam se conhecer.

Aquele era o único e apropriado momento para perguntar sobre as origens dele.

Sakura esperou que ele conversasse com ela, já que ele geralmente ficava assim quando ela trazia a tona algo do passado dele, no entanto, ele não fez barulho algum.

Ele começou a se parecer mais com Sasuke, que nunca dizia a ninguém de seus sentimentos ou passado, e ela duvidou que Sai iria se abrir com ela tão facilmente. Ele era aquele sem sentimentos, e abrir-se era para alguém que podia sentir.

- Por que você quer saber? – ele perguntou frio, exatamente como Sasuke havia falado quando ela o perguntou sobre seu passado durante o primeiro ano como um time.

"Você é irritante..."

Ela se tornou consciente de ser um incômodo e de sua intromissão na vida dos outros, mas ela sofria muito com o desgaste depois de ficar três dias na floresta sem entretenimento ou comida.

Ela queria alguém para conversar ao menos.

- Sai... eu...

- O que você pretende fazer com a informação que vou te dar sobre meu irmão e meu passado? – ele perguntou bruscamente, virando a cabeça para encará-la, onde a fulminou tão intensamente como se ele fosse matá-la.

Sakura franziu o cenho e desviou seus olhos dele, evitando o seu intenso olhar. Aquele tipo de tom era muito incomum para Sai, ele parecia nunca ficar bravo, ou pelo menos sabia o que aquilo era.

Falar em um tom frio era quase uma conotação de raiva. Provavelmente fosse a primeira coisa que Sai aprendeu sobre sentimentos, a mais cruel e mais fria de todas.

Ele não ficou assim quando pela primeira vez perguntei sobre sua pintura...

- Você... você não confia em mim? – Sakura inquiriu.

- Eu não insinuei se confio ou não em você. Tudo que pergunto é o que você pretende fazer com a informação. Isso é tudo.

Sakura franziu.

Eles são sempre assim... por quê...? Tudo que peço é conhecer vocês melhor... Eles todos apenas viram as costas e ignoram o que quero saber.

- Feiosa, me responda. – Sakura elevou sua cabeça em um estalo, e hesitou em responder, olhando direito nos olhos de Sai.

- Nada. Se você não confia em mim o suficiente, então...então não vou perguntar mais nada. – ela olhou para a lua vermelha, quando lágrimas de repente caíam sobre seus dedos trêmulos.

Não era normal que ela chorasse por algo tão bobo como ganhar a confiança de alguém para ser capaz de conhecê-lo melhor.

Mas ela sabia que não era sua culpa, ela não teria confiado em alguém que acabasse de conhecer; mesmo se ele insinuasse que estivesse do lado bom.

Ela então sorriu, lembrando-se de todas as vezes que esteve com Naruto, já que ele era a única pessoa que a fazia sorrir mais, pelo menos ele era um melhor entretenimento.

Sai ainda estava preso nas trevas, e Sakura supôs que o passado dele estava misturado com lembranças obscuras e momentos dolorosos. Era provavelmente o porquê dele ser tão frio diante dela agora do que era antes.

Ela sentiu que a floresta estava os separando, mesmo que eles não fossem próximos em primeiro lugar.

Foi o passado dele que o tornou o que é hoje? Ele nunca se redimiu pelo que fez de pesaroso para alguém?

Tudo que ela perguntou foi sobre seu irmão, mas sendo ele incapaz de confiar nela o suficiente, ela não era capaz de ignorar. Ela manteve em mente as questões devoradoras que queria fazer a ele, mas tinha certeza de que ali era um momento mais que apropriado.

No entanto, aquela noite não era.

Era incomum pra ele não ser capaz de responder diretamente. Geralmente ele era mente aberta para certos tópicos e sempre deixa sair comentários sarcásticos. Era naquilo que ele era o melhor.

Era aquilo que o fazia um bastardo divertido e convencido, sabendo que ele não era de todo frio.

Agora ela conhecia seu lado negro. Pelo menos ele não era violento em relação a isso.

Sakura olhou para onde suas lágrimas caíram sobre suas mãos trêmulas, e ela viu a lua vermelha brilhando ainda mais lúgubre.

Seu último sorriso hesitou e logo desapareceu para o calor que sentia perto dela.

O dia seguinte seria um outro dia que gastariam em procurar pela saída, outro dia e noite que o veneno estaria ainda correndo nas veias de Naruto e Sai.

Sai estava apenas concentrado na missão, nada mais importava pra ele.

- Feiosa.

- Hm... Sim?

Foi tão de repente quando ele a prensou contra o chão, suas mãos descansando sobre os ombros dela enquanto ao seu peito quase tocava os seios dela, seu corpo irradiando calor.

De novo, como ele amava fazer com ela, seus lábios se aproximaram da orelha direita dela, onde eles quase se tocaram e ele sussurrou devagar, seus lábios roçando pelo lóbulo da orelha.

- Há coisas que eu posso contar a você... e há coisas que eu não consigo... me lembrar.

- Então... você vai me falar sobre você? – ela sussurrou gentil com nenhum tom de medo ou incômodo.

Ele sussurrou na outra orelha dela, tendo certeza de que ela iria ouvir exatamente o que tinha pra dizer.

- Se eu te falar... então eu vou ter que matar você...

- Me matar? Então você ainda não confia em mim. – Sakura disse quando observou Sai pegar sua espada e traçar a sua ponta sobre o pescoço dela.

- Naruto irá ficar furioso. – ela adicionou antes de esperar por ele fazer alguma coisa com a Rekki-Maru.

Sai sorriu.

- Bem, então o garoto puberdade apenas vai ter que lidar comigo depois. – Sakura sorriu um pouco, sabendo que Sai não faria uma coisa dessas. Além do mais, ele não demonstrou nenhuma intenção de trair o time.

Ele apertou os braços dela e depois a soltou quando rolou para o lado dela. Ela ficou deitada lá por um momento, perdida na situação em que acabaram de estar. Ela fitou a lua vermelha, quando ele finalmente decidiu lhe falar sobre o passado que odiava.

Mas ela sabia que ele só contaria as coisas sem muitos detalhes. As coisas que ele não foi capaz de contar foram deixadas sem respostas.

Por que é tão difícil pra você confiar em mim?


Os pecados cometidos durante a vida eram algo que poderia ser redimido, se escolhessem fazê-lo ou não.

Mas, durante o tempo da guerra, não havia uma chance perfeita para se redimirem de seus erros.

Sai incomodamente remexeu-se com as palavras quando sua mãe o ensinava sobre a vida que seu irmão teve durante o período da Grande Guerra entre as vilas e o demônio de nove caudas.

Ele não sabia nada sobre seu pai, apenas os traços de artes que ele tinha deixado pra trás para sua família acalentar. A mãe de Sai chorava silenciosamente para si cada dia, olhando pesarosamente para as belas figuras que seu marido pintara.

Sai tinha sete anos, e não sabia por que sua mãe se atormentava com pinturas e memórias dolorosas. Ele apenas se perguntava, o que toda criança já fez, por que os membros de sua família faziam aquilo.

Seu irmão mais velho, que tinha dezenove, secretamente se atormentava com auto-abominação e luto pelos seus companheiros perdidos na Grande Guerra. Ele se deprimia em seu quarto, mas quando estava fora, ele era saudado com aprovação como um herói.

Ele sempre cuidava de Sai como um mais velho deveria fazer. Sai se espelhava nele, e queria muito ser exatamente como ele.

Mas sempre quando Sai queria que seu irmão o ensinasse algo novo, o seu irmão apenas lhe dava uma concepção errônea de sorriso alegre e representação de sentimentos antes de cutucar sua testa.

- Outra hora, irmãozinho, estou ocupado hoje.

Sai observava seu irmão ir embora, segurando um fino caderno de desenho que levava perto dele. Sai sempre soube que seu irmão amava artes tanto quanto seu pai, e ele rabiscava coisas sem fim.

Ele as desenhava com nenhuma paixão, exatamente como Sai faria anos mais tarde.

Todos os dias, Sai observava sua mãe e irmão se atormentarem, até que sua família se deixou separar. Ele foi deixado sozinho em um canto, se perguntando por que eles ainda faziam isso com eles mesmos.

Sua mãe morreu meses depois, devido a uma gradual depressão que ela tinha sobre o marido e uma doença que era passada de geração em geração para as filhas. Ela estava muito frágil durante aqueles duros meses, deitada em uma cama, incapaz de falar ou passar um tempo com seus queridos filhos.

Sai chorou pela primeira vez, quando se agarrava próximo aos braços do irmão. A sepultura foi decorada com girassóis, as quais sua mãe mais amava.

Sai sabia agora do porque ele sempre via pinturas de girassóis. Seu pai as pintava apenas para ela.

"Querida e amada mãe."

Aquela foi a última vez que chorou, ou sentiu tamanha dor por alguém a qual levava perto de seu coração.

Ele não sabia mais sobre sentimentos. Ele sabia agora apenas obedecer a ordens e completar missões. Foi para aquilo que fora treinado para fazer todos esses anos. Mas ele não poderia chegar ao nível que seu irmão estava.

Seu irmão era superior e o melhor da geração da família. Ele era habilidoso e agraciado com a Rekki-Maru. A espada nunca deixava o seu lado, nem seu caderno de desenho.

Sai era apenas conhecido como o irmão caçula que nunca poderia ser melhor que seu irmão mais velho. Um ninja ordinário com habilidades ordinárias. Nada mais.

Seu irmão era um herói, aquele que dava sorrisos falsos para as pessoas que o adoravam.

Ele passou a odiar o irmão, que tinha começado a se afastar ainda mais do que tinha. Seu irmão não era mais o mesmo, não mais o irmão mais velho divertido e amável que ele se espelhava. Sai abominava e invejava o quanto o seu irmão tinha todas as atenções.

Além disso, seu irmão não lhe dava mais atenção. Ele apenas o cutucava e lhe dava concepções falsas de emoções e desculpas.

- Outra hora... – ele disse antes de o cutucar, fazendo que Sai caísse de costas.

- Eu te odeio.

Eu te odeio demais.


Não foi muito. Ele apenas lhe contou um breve resumo de sua infância, como sua mãe havia morrido e como ele passou a odiar seu irmão. Mas Sakura queria saber muito mais, pelo menos sobre o tão chamado irmão.

- Sai...

- ...

- O que... aconteceu com o seu irmão? Como ele morreu?

Sai a olhou impassível, antes de virar suas costas pra ela.

- Lembre-se, há coisas que eu não posso contar. É isso, nada mais.

Sakura franziu o cenho, sabendo que Sai foi deixado no escuro desde muito cedo em sua infância.

As cicatrizes foram queimadas, e cicatrizes eram coisas que nunca podiam ser apagadas, especialmente para aquele quem nunca estava arrependido.

Isto deixou Sakura se perguntando, se ela estava também presa nas trevas com um candelabro sem luz, apenas mergulhada em lembranças pecaminosas de sua vida.

Ninguém escolheu se redimir de seus pecados.


"Red tears traced by a trembling finger, it crashes through the dark memories. The last smile wavered, and disappears, and the warmth is all that's left."

-Gackt (Redemption, Dirge of Cerberus)


Nota da autora (x-cry): Para deixar a história livre de dúvidas, eu irei apontar algumas coisas.

Quando Sakura pergunta se Rekki-Maru pertence ao irmão caçula de Sai, quando na verdade ele é o mais velho, ela não sabia, porque ela apenas viu o desenho do irmão dele quando era novo.

Sai não confia em ninguém ainda, especialmente naqueles que perguntam sobre seu passado.

Sim, o cenário entre Sai e seu irmão mais velho é muito parecida com o do Itachi e Sasuke. Mwahaha. Isso é legal. Sai é legal, e então o irmão de Sai tem que ser dez vezes mais legal, exatamente como o Itachi-san. Mwahaha.


Nota da tradutora: Como o prometido, aqui está mais um capítulo traduzido! Espero que não esteja confuso e que a nota da autora tenha esclarecido qualquer dúvida em relação à história! Qualquer erro, por favor, me informe (obrigada Hiei-and-Shino por me avisar do pequeno erro de digitação)!

Obrigada pelas reviews e aguardem o próximo capítulo... "Gentle Rays".