Frozen Smile
Capítulo VI
The days are just like moments turned to hours…
Com o anel a salvo em sua palma e com a presença da kunoichi de cabelos róseos que lhe deu abruptas recordações, Sai estremeceu em dor quando as memórias fluíam nele inevitavelmente passando por cada pecado que cometera há tanto tempo.
No momento em que ele se viu mais jovem cometendo aquele ato pecaminoso, sua visão inesperadamente se tornou distorcida, fazendo-o estremecer novamente. Ele retrocedeu da visão, se esforçando em apagar a memória pecaminosa, mas quando aquilo continuou se repetindo, algo dentro dele de repente queimou assim que a adrenalina se espalhou pelo seu corpo, fazendo com que desmoronasse ao chão.
Ele se sentia como se seu coração estivesse sendo arrancado e a culpa e os sentimentos que ele reprimiu há tantos anos voltaram, florescendo no profundo dele. De novo, ele tentou apagá-los, sabendo que os tendo de volta indubitavelmente interferiria na missão.
Percebendo que aquelas emoções e culpa reprimidas nunca apareceram durante os dez anos que ele tentou apagá-las, ele decidiu que era hora de se separar das pessoas a sua volta e terminar a missão ele mesmo.
Ele amaldiçoou Orochimaru e suas malditas cobras por mordê-lo e desejou que um simples antídoto ou erva pudesse diminuir a dor que estava experimentando agora. Mas depois de se lembrar que uma simples medicação não poderia ajudar em nada, ele praguejou para si mesmo mais uma vez.
As visões passavam pela mente de Sai através dos últimos dias de vida de Hayate, abruptamente interrompendo seus pensamentos sobre o veneno e a missão. Os dias em que Sai parara de se lembrar vinham fluindo de volta, e as palavras do homem que odiava e mesmo admirava em tantos aspectos reverberavam em sua cabeça.
I stopped remembering…
No entanto, tudo que ele via era distorcido, e cada vez que se tornavam claras por um breve momento, ele mais uma vez via o sofrimento de seu irmão e o modo como se torturava. Sai finalmente percebeu agora o quanto seu irmão estava realmente sofrendo por dentro desde o começo, e o anel que segurava tão firme por fim escorregou de suas mãos.
Ele estremeceu de dor mais uma vez e agarrou seu peito, gradualmente se tornando letárgico e era incapaz de se levantar, se esforçando ao máximo para permanecer forte. Ele sabia que se ele caísse na escuridão agora, sua missão seria um fracasso. Ele prometera a si mesmo que nunca cairia ou deixaria algo acontecer não importasse a condição que estivesse, mas agora, ele encontrou a gravidade o puxando para baixo.
Dolorosamente, Sai desviou seu olhar distorcido para Sakura, que chorava silenciosamente na fria chuva de costas ainda para ele, alheia ao abrupto incidente que Sai estava vivenciando. Por um breve segundo, sua mãe substituiu Sakura novamente, rodeada pelo redentor jardim de tudo.
Ela estava em pé com suas costas para ele no jardim de tudo, e era mais claro que o usual, como se fosse o paraíso. A névoa angelical de sua mãe se virou e ela esticou sua mão direita para ele, seu longo cabelo escuro esvoaçando e chamou por ele, cantando tranqüila sua doce cantiga de ninar.
Sai se aproximou dela, na esperança de que fosse capaz de sentir o toque vibrante de sua mãe angelical mais uma vez. A distância era longa mas ele continuou, persuadido pela cantiga silenciosa que ela cantava sem parar.
Mas quando ele chegou mais perto da única pessoa que o mais compreendia, a visão redentora abruptamente se tornou distorcida e o trouxe de volta a fria noite chuvosa de um vilarejo estilhaçado onde uma kunoichi de cabelos róseos estava ainda chorando embaixo da chuva. De vagar, ele caiu mais profundamente na escuridão, com as imagens distorcidas de Sakura e sua mãe juntas gravadas em sua mente.
Mãe...?
I walk in the rain…
Hayate agia como se nada nunca tivesse acontecido quando ele estava perto de seu irmão e de sua mãe ou de outros, mais lá no fundo, ele vinha mantendo sentimentos de pesar e angústia, e memórias inevitáveis de seus pecados.
Ele se afundava em sua miséria, culpando a si mesmo pelos erros que cometera e de como ele não conseguira salvar seus companheiros.
Mas ele garantia de sorrir para sua família e aqueles que o rodeava, na esperança de não levá-los juntos para sua própria tristeza. Ele queria o que havia de melhor para eles e sorria toda vez que podia, mesmo se fosse fingimento de sua alegria.
Aquele era o seu único sorriso falso, um sorriso congelado que nunca teria um significado, apenas o de iludir a pessoa que sorria de volta. Ele fez aquilo por alguns meses diante de seu irmão caçula, esperando que Sai nunca soubesse da miséria e do tormento pelos quais passava.
"Eu falhei com todos eles..."
Ninguém estava lá para libertá-lo das trevas que possuía dentro de si, fazendo-o continuar a se afogar em mágoa. Ele caiu profundamente na obscuridade, onde estava preso como uma criança perdida se afundando em auto-abominação e sem luz para guiá-lo.
Ele logo se tornou perdido com o que ele queria da vida e começou a ignorar as pessoas ao redor, mesmo Sai, que procurava por ele, o qual sempre o cutucava para longe, desculpando-se e dizendo as mesmas desculpas.
- Outra hora...
- Por que você sempre me diz isso?
Hayate estreitou os olhos quando abaixou sua cabeça para se esquivar do olhar de Sai, hesitando em responder. Aquilo era uma rotina e ele se acostumara em dizer isso toda vez que Sai queria treinar. A hesitação se demorou, quando ele tentava encontrar aquela resposta assim como as respostas de seus próprios problemas.
- Eu não sei...
Na realidade, ele estava com medo de corromper a mente pura de Sai com seu passado pecaminoso durante a guerra e como ele se sentia sobre tudo isso. Ele era freqüentemente quieto e solitário e alheio às necessidades de Sai.
Ele estava cansado e nunca estava com animo para ajudar seu irmão. Um pequeno cutucão e ele estaria livre para pintar ou rabiscar coisas que estavam mais associadas com tormento e arrependimento.
- Eu entendo se é uma missão... mas... você sempre diz a mesma coisa e quebra aquela promessa que você me fez... – Sai sussurrou, sua voz quase quebrando pela tentativa de se manter confiante e contido diante a situação.
- Promessa...?
As sobrancelhas de Hayate se contorceram juntas, quando ele tentava se lembrar do que prometera ao seu pequeno irmão. Ele estava tão focado em sua tristeza que não tinha percebido pelo que Sai estava passando e como ele lidava com isso. Sai era tão miserável quanto ele, mas ele continuou ignorante sobre o fato, refletindo profundamente sobre suas memórias e remorsos.
Suspirando em frustração, ele deslizou suas mãos pelo seu cabelo cinza e balançou a cabeça.
- Eu não acho que você possa entender a situação pelo qual estou passando agora.
- Por que você sempre me deixa de lado...?
"Eu estou cansado de sua lamentação e miséria."
Os sombrios olhos cinzas de Hayate pairaram sobre os orbes negros e inocentes de Sai e inevitavelmente os fechou ao começar a ver a tensão que se encontrava entre eles. Sai esperou pacientemente uma última vez pela resposta de Hayate, quando ele o contemplava, abrindo e fechando sua boca repetidamente, seguido por alguns suspiros.
- Esqueça isso, Hayate.
Hayate observou a porta de seu quarto se fechar e ele estava de volta a afundar-se na obscuridade.
"Me desculpe, Sai..."
The quiet screams, but I refuse to listen…
Aquele foi o dia que mudou sua vida, quando ele aprenderia a não se arrepender do pecado que iria cometer, nem derramar lágrimas quando o sangue se tornasse uma necessidade para a sua lealdade.
Aquilo tornou aparente o quanto ele abominava seu irmão mais velho, mesmo que o admirasse o suficiente para manter recordações após a sua morte, mesmo tendo um interesse único em justu artístico.
A negligência que lhe foi dado depois de fazer oito anos era insuportável, fazendo-o desistir de tentar em ajudar seu irmão a se recuperar de sua vida miserável e excessiva reflexão de seu passado pecaminoso.
Ele nunca percebeu o quanto seu irmão sofreu e sacrificou para proteger sua mente inocente, mas depois da contínua negligência e promessas quebradas, Sai realmente não se importava pelo qual seu irmão estava passando naquele momento. Aquele era o dia que esquecera de suas lembranças de infância sobre suas emoções.
Aquele era o dia que ele se tornara um boneco insensível, um soldado e um ninja que apenas estava determinado em cumprir seu dever.
"Por que você vive sua vida dessa maneira...?"
A chuva continuava a cair quando os vaga-lumes se demoravam na noite enevoada. Sakura deixou escapar um soluço frustrado, agarrando apertado a borda de sua blusa.
"Por que você mora no passado...? Por que você se parece tanto com ele...?"
O som de um anel caindo e um barulho de pancada ao seu lado lhe chamou a atenção, trazendo-a de volta de seus pensamentos.
- Sai...?
Nota da tradutora: Não aconteceu nada demais aqui... mas dêem uma olhada no próximo capítulo para descobrir o destino de Sai... o final vai ser surpreendente!
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Próximo capítulo: "Monochrome"...
