Frozen Smile

Capítulo VIII

Oh the sweet sugar saves me…It's the room that confines me…

No momento em que o frio metal cortou sua carne macia e o baque momentâneo que se seguiu após ser retirada, ela se enrolou em posição fetal, apertando seu lado. Estremecendo de dor e mágoa quando seu sangue fluía infinitamente de seu abdômen, ela observou a figura enevoada do que ela pensava ser seu amigo, desaparecer ao longe na escuridão.

Tudo tinha acontecido muito rápido e ela fora uma idiota por deixar sua guarda baixa em uma situação traiçoeira como aquela. Os olhos dela se estreitaram, tentando ao máximo se manter acordada quando esticava sua mão livre, gritando pelo homem que ela inconscientemente ansiou por um tão módico tempo.

Lágrimas escorriam por suas bochechas intranqüilamente quando ela se deixou envolver com um homem que sabia que a trairia, algo que ela experimentaria pela segunda vez na vida. Ele lhe deu o mesmo olhar frio exatamente como seu primeiro amor, e foi embora sem dizer nada. Nem mesmo um 'obrigado'.

O trovão soou mais uma última vez antes de se silenciar quando a chuva caía muito mais forte, batendo no telhado sob onde Sakura se encontrava esparramada. Ela movia seus olhos pelo seu sangue que trilhava para dentro da chuva e da floresta.

Sua mente dizia em ir cuidar de sua ferida e correr atrás dele, mas com nenhum efeito e muito para o horror dela, ela tinha sacrificado seu chakra para salvar Sai. Ela disse a si mesma para nunca mais salvar este tipo de desgraçado arrogante, porém seu dever era sempre prioridade.

Seus pensamentos então foram até o momento em que os lábios dele tocaram os dela, o que foi um ato inesperado para alguém como ele fizesse. Ele havia roubado seu primeiro beijo reservado para Sasuke, e tinha coragem de chamá-la de nomes feios, no entanto se sentia daquele modo com ela ao mesmo tempo.

Mas seus pensamentos desoladores sobre ele mudaram quando ele havia chamado por sua mãe, mostrando a ela que pelo menos ele tinha um pouco de sentimento, algo que Sasuke nunca tinha feito. Sai a tinha convencido que ele sentia muita falta da mãe e do irmão, ao contrário de Sasuke e de sua atitude distante. Era irônico o quanto ela mais sabia sobre Sai do que sobre Sasuke e como ela não podia evitar o quanto eles eram diferentes em tantos aspectos, ao lado da óbvia arrogância convencida de Sai, uma característica que compartilhava com o Naruto. Ele era um pouco afetuoso da maneira dele.

Mas ela sabia que ela tinha comparado muito Sai com Sasuke o que levou ao fato dela se sentir uma pouco atraída por ele, mas era por causa das similaridades que ele compartilhava com Sasuke. Não havia como uma garota se apaixonar por alguém como ele. A fúria emocional que naquele momento tinha tomado o corpo dela apenas fez com que ela caísse tolamente na armadilha dele.

No entanto, ao mesmo tempo, ela sabia que não conseguiria odiá-lo, não depois de tudo que eles dois haviam passado naqueles poucos dias. Ela tinha aprendido mais sobre ele e ele tinha aprendido a se abrir um pouco com ela.

Ela estava agradecida pelo quão longe o relacionamento deles teria ido. Ela sabia que existia uma esperança de que ela seria capaz de salvá-lo das trevas.

Como um último fôlego, Sakura devagar se deixou sucumbir na escuridão, aliviada pela dor e pelo som da chuva pesada.

Mesmo agora, ela sabia que não tinha nenhum remorso em fazer a decisão errada em sua próxima oportunidade.


Mother's sugar always love me…

Ele acreditava que aquele era o único modo de acabar com o seu sofrimento. Ele já tinha sofrido ao longo de dezessete anos e ele não iria sofrer outros quinze anos à frente dele novamente. Ela talvez fosse a única salvação que ele tinha, mas ele deixou que ela escapasse através de suas mãos, ou mais coincidentemente, de sua espada.

Ele acreditava que a maneira que ele era antes era perfeita e que nada iria acontecer. Ele não tinha nenhum desejo de retornar para o seu tão chamado estado de inocência que se espelhava em seu irmão.

Ele foi ensinado para ser mais forte que aquilo e ele falhara. Mas ele imediatamente se redimiu daquele erro e sabia que ele havia sido desculpado uma vez que tinha vertido todo o sangue da única mulher que havia chegado tão perto em revelar seus sentimentos escondidos.

Ele não se arrependia de nada agora e fez seu caminho para se encontrar com o seu inimigo, ou de acordo com sua missão, com seu novo aliado. Pelo menos ele iria realizar os desejos e deveres de seu professor com perfeição, do jeito que um ninja perfeito faria e sem o fardo de ter uma bruxa de cabelos róseos por perto.

A tão chamada mulher com a qual tinha desenvolvido um tipo de laço estava fora de sua vida. Ela era aquela que o fizera sofrer a dor de ver sua mãe novamente, morrendo diante dele.

Ela não era nada comparada a sua bela mãe e as ações impensadas dele quase o tinham matado e atrasado a sua missão. Ele não tinha nenhuma hesitação quando ele cometeu outro ato pecaminoso antes de desaparecer da vida dela.

Olhando pra a queda da chuva, ele deu um de seus últimos sorrisos falsos reservado para ela.

- Eu te disse... eu teria que te matar em algum momento...

Lampejos do beijo passou através de sua mente, fazendo-o apertar mais Rekki-Maru em sua mão. A fúria de emoções que ele tinha expressado era nada além de vergonhoso para ele, e ainda mais vergonhoso para seu mestre.

- Mulher estúpida.

Sai se virou, removendo o anel de seu irmão e o jogou para longe antes de continuar sua jornada, seguindo Kabuto que o esperava pacientemente há algum tempo. Não demorou muito para que ele se ajoelhasse diante deles, seu corpo molhado devido à chuva. Eles ouviram a proposta dele sem nenhuma dúvida e o aceitaram como seu aliado. Ele lhes deu seu famoso sorriso falso antes de continuar.

Após introduções, ele finalmente ficou face a face com o infame Uchiha Sasuke que se sentava na escuridão com seus olhos que cintilavam um vermelho profundo. E depois de se apresentar, Sasuke apenas lhe deu uma curta resposta antes de ir embora como se fosse superior.

Mas Sai não se importava, contanto que ele não se arrependia de nada. Nem mesmo as dúvidas que apareceriam a sua frente não o parariam de completar a sua missão.

Ele nunca se libertaria de sua concha.

The darkness fades to the light…


"…Kura…"

Durante a hora passada, ela tinha ouvido lancinantemente o ecoar de vozes que chamavam por ela. Na maioria do tempo, ela ouviria uma voz ansiando por ela, seguida pelo choro da mãe dele e uma canção de ninar.

"Mãe..."

Com freqüência ela ouviria seu nome e uma mão quente afagando seu rosto.

Até aquele ponto, ela queria sair daquele mundo e acordar para os rostos sorridentes daqueles que amava e até mesmo do dramático Naruto. Mas as vozes irritantes e caçoadoras não a deixariam descansar em paz ou sair.

'Por que você precisa me deixar sofrer?'

Sakura devagar acordou de seu tão chamado sono pacífico e muito para o seu espanto ela se encontrou presa em meio o Esquecimento, o lugar para os pecadores em vez dos rostos radiantes pelos quais ela desejava.

Ela se sentou e olhou em volta na vasta escuridão vazia enquanto esfregava sua testa e balançava a cabeça. Ela agora acreditava que estava à beira da morte, onde era um lugar na qual estaria no fim de um túnel correndo atrás da luz.

E assim ela esperou pelo seu destino, aceitando o fato de que sua vida, através de uma morte trágica e patética, havia ido embora para sempre, muito o oposto do que ela tinha teorizado.

'Eu vou salvar aquela criança perdida das trevas algum dia...'

Ela acreditava que ela seria aquela que acenderia uma luz em seus candelabros, mas para a sua decepção, ela tinha falhado duas vezes em fazê-lo para as duas pessoas mais importantes que haviam sucumbido às trevas mais rápidos do que o cair da chuva.

Ela abraçou suas pernas junto de seu peito e descansou seu queixo sobre os joelhos apenas esperando pelo momento em que um respingo de luz apareceria, ouvindo a canção de ninar que ecoava mais alto do que antes. Não era uma canção que ela reconhecia, mas soava lindamente do mesmo jeito. Os olhos dela se suavizaram, quase como se ela fosse enfeitiçada pela música, mesmo que fosse cantada por uma criancinha.

"... Jardim de Tudo..."

Ela quase fechou os olhos, quase caindo em outro sono profundo. Talvez seu destino logo lhe viria.

- Você é minha Mãe?

Sakura se livrou de seu transe e se virou para a voz jovem que havia repentinamente falado com ela. Seus olhos refletiram a imagem de uma criança de cabelos de azeviche diante dela antes de se arregalarem em surpresa. Ele tinha uma expressão tão similar a Sai e Sasuke que ela quase desfaleceu.

And all these nightmares I once had as a child…

Hesitante, as mãos dela se estenderam, as pontas dos dedos quase tocando os cabelos negros da criança, mas logo ela desistiu disso.

- Você é minha Mãe? – o garoto perguntou de novo, encarando-a com seus olhos frios.

Sakura falou, porém nada saiu de sua boca. Ela fora silenciada.

In or out, up or down…never know it's an illusion…

Sai

Ela o observou repetir a mesma pergunta mais uma vez e ainda ela não podia respondê-lo. A expressão no rosto dele se entristeceu, mas ele ainda tinha a expressão impassível que os atuais Sasuke e Sai teriam.

Sakura queria estender seus braços e abraçar a pobre criança procurando pela sua mãe. Aquilo a ressentiu em curiosidade do por que uma criança como ele estaria vagueando na escuridão. Ela nem podia perguntar se ele estava bem andando sozinho.

Mas era claro agora que ela sabia que aquele lugar era para espíritos errantes esperando por seu destino.

Ela suspirou e balançou a cabeça. Minutos se passaram e ela ficou em meio o silêncio grave entre eles dois. Ela contemplou em dar a criança um abraço, apenas para satisfazê-lo, ou em deixá-lo como estava.

- Então você é meu anjo da guarda...?

Os olhos de Sakura se arregalaram. Ela reconhecia aquela voz de algum lugar. Não era fácil se esquecer depois de conhecê-lo por tanto tempo e de como aquilo havia despedaçado o único e real amigo que ela tinha. Ela nem mesmo queria olhar para ele, sabendo quem a pessoa era.

Ela ficou lá em silêncio assim como antes e continuou a morar em meio à escuridão, tentando bloquear as perguntas que a criancinha fazia.

- Você é? – a voz infantil ecoou, o que soou mais inocente do que a pessoa no qual ele se tornaria.

"Eu não consigo nem ao menos salvar você... então como posso ser um?"

Ela fechos seus olhos bruscamente, na esperança de que as almas infantis da inocência desaparecessem.

Ela não era nenhuma delas.

Tudo que queria ser era uma médica para salvar aqueles que precisassem muito dela, que sabia que eles iriam viver.

"Apenas me permita acordar desse lugar... me deixe ver todos eles de novo... Naruto..."

Novamente, o silêncio a esmagou, acalmando-a por um período módico de tempo.

- Qual candelabro você deseja acender então? – as duas crianças perguntaram suavemente após longos dez minutos.

Sakura os encarou em descrença antes que uma luz branca engolfasse os três. Ambos, as crianças Sai e Sasuke, estavam desaparecendo diante os olhos dela com suas mãos estendidas, sussurrando a mesma pergunta.

"Espera... eu..."

As palavras ecoaram sem sua mente quando ela inconscientemente correu em direção às mãos estendidas, suas próprias mãos tentando alcançá-los. Ela sabia agora o que aquela situação difícil significava e num último momento de decisão, ela teria que escolher uma pessoa para salvar.

Ela observou os dois, mas havia apenas espaço suficiente para um e seu coração se despedaçou diante a uma tão dolorosa decisão.

- Sa…!

A voz de Sakura gritou alto quando suas mãos agarraram a pequenina mão e abraçaram seu pequeno corpo sem nenhuma hesitação. Os fardos dela começaram a desaparecer pouco a pouco quando ela abraçava a única pessoa que pôde salvar.

Ela odiava aquele tão chamado destino, mas ele fora escolhido no exato momento em que ela fez contato com aquela mãozinha estendida apenas para ela.

- Me desculpe... agora eu sei que você não queria me machucar.

- Eu nunca tive a intenção de te machucar... eu só fiz isso para te proteger...

- Você é um bastardo.

- Não diga esse tipo de coisa desagradável na frente de uma criancinha.

Lágrimas caíram, quando ela pensou na outra pessoa que ela poderia ter escolhido. Se ela fosse capaz de fazê-lo, ela arrumaria espaço suficiente para salvar os dois.

Pequenas mãos entrelaçaram em volta do pescoço dela e Sakura o carregou para casa através da luz e começou a cantarolar a canção favorita dele.

Ela sabia que sua decisão seria a certa de algum jeito. Eles dois haviam sofrido e desejavam nada além de alguém que se preocupasse com eles.

Ela não tinha escolha, mas não se arrependia de nada.


Nota da tradutora: Achei tão bonito este capítulo! Apesar de que aqui a estória não anda quase nada, mas gostei da essência dele... e como era esperado, Sakura escolheu salvar Sai, senão esta não seria uma fic sobre os dois, é óbvio... mas ainda há dois capítulos pela frente e muita coisa vai acontecer...

Próximo capítulo: "Living inside the shell" ...