N/A: Saint Seiya pertence a Masami Kurumada,mas se pertencesse a mim as coisas não seriam do jeito que são

Capítulo 3

Milo e Camus já estavam no carro a caminho da casa do recém-liberado.

-Então,o que foi que eu perdi?-perguntou o grego.

-O seu carro.-respondeu Camus,rindo.-E o casamento do Shiryu.

-Com a Shunrei?Caramba,eu vi esse cara antes dele nascer…acho que tô ficando meio velho.

-Não,na verdade ele se casou meio que por obrigação.A Shunrei engravidou,e você conhece o pai dela…conservador demais.

-O conheço muito bem…o velho não me deixava em paz quando eu namorava a irmã dela.

-E você esperava que ele deixasse?

-Shiryu foi mais rápido.-rebateu Milo.

-Claro que foi!Você não ficou nem uma semana com a Suri!-disse Camus.

-Ela não tinha o que eu queria…

-Bem,nenhuma das mulheres que caíram nas suas garras tinha o que você queria,né?

Milo não respondeu.Apenas olhou para o amigo,como se ele tivesse falado o pior palavrão do mundo.

-Eu só tô falando a verdade,Milo.-disse Camus ao ver a expressão do outro.

-Talvez esteja.-bufou Milo.Camus parou o carro em frente ao prédio do amigo.

-Você vai ficar numa boa?-disse ele.

-Vou.-respondeu o grego,saindo do carro e acenando depois que ele saiu.Milo entrou na portaria e acenou para o porteiro,pegou o elevador e apertou o botão que levava ao 5º andar.Quando se deparou com a porta,lembrou que estava sem as chaves.

-Ah,droga…-murmurou ele,tateando os bolsos da calça.Depois de se lamentar durante alguns minutos,encontrou-as embaixo do tapete.Abriu a porta e suspirou ao encontrar a sua sala do jeito que a deixara.Jogou-se no sofá e fechou os olhos,tentando lembrar de alguma coisa,mas o máximo que conseguiu foi cochilar.Assustou-se ao acordar com o tilintar ressonante da campainha e foi abrir a porta.

-Camus,eu falei que ia ficar bem,pô…-disse ele,sem olhar direito quem estava diante dele.Quando seus olhos bateram na moça que o olhava,ele ficou muito vermelho e envergonhado.-Aah…você não é o Camus…me desculpe.-disse ele,passando a mão pelos cabelos.

-Não se preocupe…-disse Moa,quase tão envergonhada quanto Milo.

-Eu conheço você!-disse Milo,deixando a situação ainda mais embaraçosa.-Você é a Moa,eu lembro de você!

-Eu…é,sou eu…prazer,Moa Sorveau.-sorriu ela,estendendo a mão direita,a qual ele apertou com entusiasmo.

-Entre,por favor,e me desculpe mais uma vez pela bagunça,mas é que eu acabei de chegar do hospital.

-Ah,claro…Camus deve ter lhe falado que eu não viria hoje,mas consegui um tempinho livre antes de ir pra casa.Se eu estiver incomodando…

-Não se preocupe,se você tivesse me incomodando eu já teria te expulsado daqui.-brincou Milo,fechando a porta depois que ela passou e acendendo a luz.Só então viu que o apartamento não estava tão bagunçado assim; havia apenas um casaco e uma camisa jogados sobre o sofá.

-Então,como você está?-perguntou Moa timidamente.

-Ah,estou ótimo agora,obrigado!Quer beber alguma coisa?

-Só…só uma água.

-Valeu por se importar comigo.Pelo que Camus me disse,o culpado fui eu.-disse ele,entregando a ela um copo d'água.

-Não foi nada…-sorriu ela,bebendo a água de um gole só.-Então…preciso ir agora,só vim para ver se você estava bem.

-Assim tão cedo?-perguntou Milo,sentando-se ao lado dela.Os olhos dos dois se encontraram e por uma fração de segundo Moa se sentiu seduzida pelo azul opaco hipnotizante que a fitava.

-Amanhã é quarta-feira e eu preciso trabalhar.

-Onde você trabalha?-perguntou ele.

-Sou analista de sistemas da empresa Solo.Você também trabalha?-engatou Moa,esquecendo-se do que acabara de falar.

-Engenheiro…trabalho pro governo,mas quase não consegui emprego aqui no Japão por ser grego.O pessoal daqui é meio hostil.Você também não é daqui,é?

-Não,sou francesa.

-Conterrânea do Camus.-comentou Milo.-Ele diz que é um belo país,até me convidou pra conhecer a família dele que mora lá.

-Você e Camus são…bem,sabe…-gaguejou ela,morrendo de vergonha.

-Namorados?Não,só amigos da faculdade mesmo.-respondeu Milo tranqüilamente,como se ela perguntasse como estava o tempo lá fora.

-Ah,puxa…-suspirou ela,aliviada.-Por um momento eu pensei o pior.

-Nem sempre o pior…tenho um amigo gay e ele é bem legal.Só não gosto de ficar muito perto dele,sabe como é…e então,srta. Sorveau,por que você resolveu me visitar todos os dias no hospital?

-Se você morresse eu não me perdoaria.-respondeu ela,séria.-Já passei por coisas bem traumatizantes.

-Já matou alguém?!

-Não!Meu pai morreu num acidente de carro…-disse Moa.

-Eu lamento muito por isso.-disse Milo,olhando-a com pesar.

-Certo,obrigada…Milo,eu realmente preciso ir agora.Tenho muitas coisas pra fazer.

-Às onze da noite?-perguntou ele,incrédulo.

-É…bem,não são coisas para fazer em lojas,eu preciso ir pra casa.Está tarde,e não é muito seguro ficar zanzando pela cidade uma hora dessas.

-Dorme aí se quiser.-disse ele,rindo.

-Agradeço o convite.-respondeu ela,também rindo e se levantando.-Foi um prazer conhecer você.

-É,todas dizem a mesma coisa…-gabou-se ele,fazendo Moa rir ainda mais.-Brincadeirinha.Foi um prazer conhecer você também,Moa.

Milo acompanhou-a até a porta.

-A gente se vê?-perguntou ele,observando-a em frente ao elevador.

-Acho que sim…-respondeu ela,sorrindo e desaparecendo pela porta do elevador.

-É…eu espero que sim.-murmurou ele,fechando a porta atrás de si.