Capítulo 8

E os meses foram passando.Nada acontecia para mudar a rotina de Milo.Na verdade ele ignorava os acontecimentos,porque seus pensamentos se concentravam apenas em um fato: o casamento de Moa.Faltava apenas uma semana para a cerimônia,e Milo parecia ter se desligado do resto do mundo.

-A Natássia anda muito estranha,sabe.-comentou Camus numa certa noite que foi visitar o amigo.O francês finalmente começara a namorar Natássia,mas se queixava freqüentemente do comportamento da loira.

-É?-disse Milo,desatento.Estava mais interessado em olhar o céu estrelado pela janela.

-Ultimamente tem sido mais produtivo falar com a parede do que com você.-falou Camus.

-Você reclama o tempo todo da Natássia!-bronqueou o grego.-Nem parece que gosta dela.

-Eu…ah,você me conhece,não sou de demonstrar meus sentimentos.-ponderou Camus,envergonhado.

-Não esquenta…já,já você se acostuma com ela.Há quanto tempo estão juntos?

-Um mês ontem.-respondeu o francês.

-É mais sério do que eu pensei,hein?-brincou Milo,voltando a mirar o céu.

-E você?Nunca te vi tão nostálgico…é a Moa?

-Moa?Por que seria ela?-indagou o grego curioso.

-Porque só as mulheres te deixam assim.

-E por que você deduziu que fosse a Moa,assim,de cara?

-Por que só falta o nome dela aparecer na sua testa.Há duas semanas você só fala no casamento dela,nas visitas que ela fez ao hospital só pra ver você,do jeito engraçado dela falar…preciso citar mais alguma coisa ou isso é o suficiente?-respondeu Camus em tom irônico.

-Sabe,de certa maneira você me fez acordar,Camus.Preciso parar de pensar nela,afinal de contas o casamento dela já é semana que vem,e…-Milo foi interrompido pela campainha.-Você pode abrir,por favor?

Camus ouviu um espirro antes de abrir a porta.

-Puxa,acho que alguém falou de mim.-sorriu Moa.-Como vai,Camus?

-Vou bem…

-O Milo está?-perguntou ela,ansiosa.

-Estou.-respondeu o grego,aparecendo ao lado do amigo e abrindo passagem para que Moa entrasse.-O que eu fiz dessa vez?

-Nada…-respondeu Moa,rindo.-Toma,vim convidar vocês pro meu casamento.

-Milo recebeu o convite verde-oliva das mãos da moça.Percebeu que ela parecia diferente,muito mais triste desde a última vez que a vira.Abriu o convite e teve uma surpresa.

-Doi individuais?-perguntou ele.

-É,um é seu e o outro é para alguém que você quiser levar.

-Quem eu quero levar já vai estar lá,e eu já sei até a roupa que ela vai usar…-murmurou Milo enquanto lia o convite.

-Mesmo?Quem é?-indagou ela,tentando parecer um pouquinho mais feliz.Milo apenas lançou-lhe um olhar sério e riu.

-Acho que você não a conhece.Mas ela vai estar acompanhada,só não sei se com a pessoa certa.

Os dois trocaram um olhar seguro.

-Tenho mais uns convites pra entregar.Vejo vocês no casamento?

-Oui,mademoiselle.-respondeu Camus,sorrindo serenamente.

-Bonsoir,monsieurs!despediu-se ela,divertida.

Milo se jogou numa poltrona e olhou para Camus.O francês riu baixinho,como sempre fazia antes de debochar do amigo.

-Não fale nada.-disse o grego secamente.

-"Acho que você não a conhece"?Eu esperava mais de você.-disse Camus.

-Você não pode falar nada,conquistador de meia-tigela!-disse Milo,mostrando a língua num gesto infantil.

-Às vezes você parece um adolescente em crise,Milo.-rebateu Camus.-Mas chega de gastar minha noite.Natássia deve estar me esperando na casa dela.

-Na casa dela,é?-perguntou Milo,sorrindo de um jeito desafiador.

-É…vou ver se ela não me trocou pelo chefe dela.-respondeu Camus,recebendo uma almofadada nas costas.-Tchau,Milo.

-Falou…-respondeu o outro.

Uma semana depois ...

-Cadê a Natásia?-perguntou Milo enquanto apertava o nó da sua gravata diante do espelho no seu quarto.

-Vou encontrá-la na Igreja.-respondeu Camus,sentado na cama.-Ela disse que anda meio indisposta,acho que é por causa do trabalho,mas insisti que ela fosse.

-Como estou?-indagou o outro,virando-se.Vestia um terno preto feito sob medida,uma camisa branca e uma gravata lilás de seda.

-Está ótimo,agora vamos!Acho que chegaremos a tempo pra ver a troca de alianças.

-Você é tão exagerado…-murmurou Milo,apertando o botão do alarme do seu Astra quando os dois chegraram à garagem.

-Tem certeza que quer ir a esse casamento?-perguntou Camus,aparentando preocupação.

-Não.-respondeu Milo sem hesitar.

-E por que está indo?

-Devo reconhecer que sou um bom perdedor.É cruel,mas digamos que eu mereça isso pra aprender a ser menos cafajeste.Em um mês eu esqueço ela,você vai ver. Você não vai esquecê-la.-afirmou Camus.

-E se eu não esquecer mesmo,que difernça vai fazer?Ela vai continuar casada com outro cara.

-Vai?-indagou Camus,apontando para a porta da Igreja enquanto Milo estacionava o carro.O grego precisou olhar duas vezes para entender a cena.Moa estava divinamente linda de branco.Seus negros e lisos cabelos estavam presos num coque desfiado e sua franja estava presa.Mas ela parecia discutir com uma velha mulher.

-Você não podedesistir agora,filha!-Milo ouviu a mulher dizer.

-Mas,mãe…-murmurou Moa com a voz chorosa.

-Moa?-chamou Milo,aparecendo por trás da moça.

-Milo!Você não sabe como é bom te ver!-exclamou ela,abraçando-o.Milo não retribuiu o abraço imediatamente.

-Moa,você não está pensando em desistir,está?-perguntou ele.

-Eu…-começou ela,mas seus soluços chorosos se sobressaíram.

-Você não se lembra de nada que eu te disse naquele dia?-murmurou ele,finalmente a abraçando.-Vamos,não chore,ou vai borrar sua maquiagem.Você ainda tem um casamento pela frente,não tem?

-É…claro.-concordou ela,olhando em seus olhos.

-Então entre naquela Igreja,porque eu posso garantir que não é nem um pouco confortável usar gravata.-disse Milo,enxugando as lágrimas dela.Moa ficou na ponta dos pés e deu um beijinho nos lábios do grego.

-Mas ela deixa você mais elegante.-disse ela.Milo riu.

-Vou entrar.-disse ele,ainda rindo.Encontrou Camus e Natássia na primeira fileira de bancos.

-Posso?-perguntou ele,indicando o lugar vago ao lado de Camus.

-Não.-respondeu o francês.-Brincadeira,claro que pode.

-Como vai,Natássia?-cumprimentou Milo.

-Vou bem…só um pouco enjoada.Acho que comi alguma coisa estragada.E você,como vai?

-Hum…bem!-respondeu ele,sua voz sendo abafada pela música que anunciava a entrada dos padrinhos.Milo nunca vira nenhum deles.Olhou para o altar e o encontrou.Lá estava ele,triunfante como um leão que captura sua presa: Julian Solo.

-Mas olhando bem,ele me parece indiferente.-murmurou Milo,mais pra si do que pra outra pessoa.

-Falando sozinho?-perguntou Camus.

-É,falando com meu botões…percebeu que o Julian parece indiferente,mesmo casando?

-Vai ver ele ainda não caiu na real que está casando…-comentou o francês sem interesse.

-É,pode ser…-considerou o outro,mas foi interrompido novamente,dessa vez pelos fortes acordes da marcha nupcial.Lá vinha ela,perfeitamente…perfeita.

O chão sumiu de seus pés de novo.Sentia que estava deitado num lugar desconfortável,e ainda não podia enxergar,mas ouvia muito bem.

-Olha,eu não sei quando você vai acordar…-ele ouviu a voz de Moa lhe confortar.-E também não sei se você pode me ouvir,mas meu nome é Moa e sei que seu nome é Milo.Talvez você se lembre de mim,eu ficaria honradíssima se isso acontecesse.Você é um cara novo e muito bonito também,vai se recuperar logo.Eu preciso ir agora,mas amanhã eu volto,está bem?-disse ela,acariciando o seu rosto.

Milo abriu os olhos.Ainda estava na Igreja,e o casamento ainda não acabara.

-Você,Moa Sorveau Japrisot,aceita Julian Solo como seu legítimo esposo,na alegria e na tristeza,na saúde e na doença,todos os dias de sua vida?-perguntou o padre.Houve um momento de silêncio antes de Moa responder:

-Sim.

-Se há alguém aqui presente que tenha alguma coisa que impeça a união de Julian e Moa,que fale agora ou se cale para sempre.

Milo desejou que fosse como nos filmes: uma mulher velha e gorda com uma verruga no nariz aparecesse rodeada de crianças,gritando que Julian era o pai e que não podia se casar.

-Eu tenho,sr. Padre.

O murmúrio de surpresa correu por toda a Igreja como um enxame de abelhas.

-Desculpe,srta. Moa?-indagou o Padre,sem acreditar no que acabara de ouvir.

-Eu disse que tenho algo contra esse casamento.-repetiu a noiva.-Eu não posso me casar.

-Não pode se casar?!

Dessa vez os olhares se voltaram para Milo,e ele mesmo se surpreendeu ao se ver de pé,sua voz ecoando pelo local.

-É,eu não posso.-afirmou ela,também voltando-se para o grego.

-E por que não,srta.?-indagou o Padre.

-Eu…eu…-gaguejou a moça.Olhou para o Padre e em seguida para Julian.-Desculpe.

Segurando a saia do vestido em uma mão e o buquê de hortênsias lilases na outra,ela saiu correndo pelo tapete vermelho salpicado de pétalas de rosa em direção à saída.Julian sequer parecia perplexo.Olhou para os convidados e deu um sorriso arrogante.

-Ela não me merecia.-disse ele em voz alta,despertando em Milo uma fúria que ele nunca sentira antes.O grego trilhou um ágil caminho até o noivo recém-abandonado.

-Nunca mais diga isso dela!-murmurou Milo entre os dentes.Desferiu um belo soco no rosto de Julian,fazendo-o cair sentado.-você não sabe como isso me fez sentir melhor.-disse o grego,estalando o pulso.

Milo pulou os degraus do altar e saiu em disparada pelas portas de carvalho da Igreja.Ao observar a rua apinhada de carros,ele se sentiu completamente por dois quarteirões sem parar,até que sentiu os pulmões arderem.Parou numa esquina e afrouxou o nó da gravata,apoiando as mãos nos joelhos.Foi então que ouviu algo que chamou sua atenção.

-Moa?-chamou ele,descnedo a rua escura.Uma silhueta vestida de branco estava sentada na calçada,e escondia o rosto nas mãos.Seu corpo se sacudia com os profundos soluços.Milo sentou ao seu lado e apoiou os cotovelos nos joelhos,olhando para o céu estrelado.

-Foi uma bela prova.-disse ele com a voz grave.Moa desenterrou o rosto das mãos e o fitou.

-Sei que você não queria que eu fizesse aquilo,mas não posso fazer uma coisa que eu não quero.-disse ela entre um soluço.

-Não estou culpando você,mas foi uma irresponsabilidade muito grande jogar tudo pro alto assim,sem mais nem menos.-explicou Milo,ainda olhando para o céu.

Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo.

-Foi tudo por minha causa?-perguntou ele em voz baixa.Moa sorriu.

-Uma idéia bastante idiota por alguém que não vale nada,mas foi.-respondeu ela.

-Alguém que não vale nada,é?-repetiu ele,rindo.-Então,vai ficar aqui pra sempre ou quer que eu te leve pra casa?

-Se eu disser que quero ficar aqui pra sempre,você me faz companhia?-perguntou ela.

-Faço.-respondeu ele,rindo.-Mas eu preciso fazer uma coisa que você esqueceu de fazer na Igreja.

-Ah,e o que é?-indagou Moa,curiosa.

-Dar o beijo dos noivos.-disse Milo,beijando-a sem aviso e sem pressa também.A verdade que dependeriam sempre um do outro a partir de agora.

Notas da Autora:

E aí gente, como foi de Ano Novo?Eu não postei, é verdade, e peço desculpas pra todo mundo ;)

Quero desejar um ótimo 2008 pra tooooodos os meus leitores,agradecer à Morgane Le Fray que tá comentando em todos os capítulos e a todo mundo que tá acompanhando a fic,mesmo sem comentar!

Então é isso,espero que gostem do capítulo novo!Beijããão pra todo mundo