Dois meses se passaram desde então. Moa se mudara para o apartamento de Milo, Julian regia a empresa à distância porque resolvera partir para a Grécia e Camus e Natássia não davam notícias há algum tempo, pelo menos até aquele dia.

Uma chuva fortíssima encharcava a noite lá fora enquanto Milo lia tranqüilamente o seu jornal sentado na poltrona mais confortável da sala. Moa estava na cozinha preparando o jantar quando a campainha tocou.

-Amor, você pode abrir a porta pra mim, por favor?-pediu ela.

-Posso. –respondeu Milo, dobrando o jornal e colocando-o sobre a poltrona. Abriu a porta e quase caiu pra trás com o susto que levou. –Camus?!

O francês estava muitíssimo abatido, com grandes olheiras sob os olhos vermelhos e ensopado da cabeça aos pés.

-Eu posso entrar?-perguntou ele com a voz fraca. Milo abriu passagem para o amigo, que cambaleou até o sofá e se jogou nele.

-O que houve cara?!-indagou o grego, preocupado. Camus não parecia saber direito onde estava.Olhou para Milo e em seguida para os seus próprios sapatos.

-A N-Natássia… ela está g-grávida!-gaguejou o francês. Ele tinha um sério problema de gaguejar quando estava nervoso demais.

Milo demorou a entender porque Camus estava tão incrédulo com a notícia, e não era incredulidade por estar feliz, e sim por estar realmente arrasado.

-Bom, e o que há de ruim nisso?-indagou o grego com uma das sobrancelhas arqueadas.

-Eu nem pedi a mão dela em casamento ainda, Milo!Sabe há quanto tempo estamos juntos?Só três meses, e eu disse !-exasperou-se o outro.

-A culpa não foi dela, concorda?-disse Milo.

-Você não está ajudando!-disse Camus em voz alta.

-Eu tô falando a verdade!Presta atenção, Camus!-bronqueou o grego. -Cadê a Natássia?

-Deve estar a caminho da França agora. -respondeu o francês,seu semblante ainda mais carregado.Milo,que estava de pé,colocou as mãos na cintura e meneou a cabeça com impaciência.-Eu sei que foi um erro brigar com ela,mas eu estou arrependido e…e não sei mais viver sem ela,essa é a verdade.

-Isso não vai trazer ela de volta, sabe!-disse Milo, ainda mais impaciente. -Esse foi o maior erro da sua vida,Camus!O que há de errado em ter um filho?!

Camus ficou de pé também, fitando Milo com raiva.

-E quem é você pra me julgar assim?-ele indagou.

-Pensei que fosse seu melhor amigo!-respondeu Milo. Camus olhou para o teto com as mãos na cintura,lágrimas surgindo em seus olhos.

-Você não entende… eu preciso dela… - murmurou ele.

Moa acabara de chegar à sala, e olhava assustada para os dois. Milo dirigiu a ela um olhar calmo.

-Bom, se é tão urgente assim… eu posso até ajudar você. Vá ao aeroporto e compre três passagens para a França com o embarque mais breve possível.Amanhã eu te dou o dinheiro da minha passagem e da passagem da Moa,está bem?-disse Milo, com um tom de quem se penaliza pela situação.

-É sério?-indagou Camus, sorrindo.

-E por um acaso estou com cara pra brincadeiras?Agora anda logo, senão a gente nunca vai achar a Natássia. -disse Milo,empurrando Camus para fora do seu apartamento.-Só volte aqui com as passagens na mão.

-Está bem, e muito obrigado, Milo!-exclamou Camus. Nem parecia mais o francês abatido que chegara ao apartamento minutos antes.

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No dia seguinte, às 7 da manhã, Milo, Camus e Moa embarcaram para a França na 2ª classe de um avião econômico, porque era o único vôo para a França que sairia com a urgência que eles precisavam. 12 horas depois eles desembaraçaram no Aeroporto Internacional da França,e Camus nunca se sentira tão eufórico em toda a sua vida.

-Você sabe onde ela está pelo menos?-perguntou Milo.

-A família dela se mudou da Rússia pra cá há pouco tempo… ela me disse uma vez que eles moravam perto da Champs Elysées, então não deve ser muito longe. A gente precisa encontrar um hotel lá perto.-respondeu Camus,consultando seu GPS.

-Então melhor pararmos de perder tempo aqui. -resmungou Milo,apertando seu pesado casaco contra o corpo e envolvendo a cintura de Moa com um braço.

Os três chamaram um táxi e colocaram as bagagens no porta-malas. Camus falou algumas coisas em francês para o motorista,que acenou afirmativamente com a cabeça,e em menos de quinze minutos o táxi estava diante de um luxuoso hotel na Champs Elysées.

-Vocês podem ir reservando os quartos enquanto eu telefono para a Natássia?-pediu Camus.

-Está bem. -concordou Moa.Ela e Milo seguiram para a recepção e pegaram a chave do quarto 302,reservando o 301 para Camus.

-É melhor que ele fique num quarto separado, afinal de contas ele veio aqui pra tentar uma reconciliação. -murmurou Milo enquanto ele e a namorada iam para o hall dos elevadores.

-Milo!-advertiu Moa.

-Eu tô falando sério!-disse o grego, rindo e colocando a chave na fechadura. -Você tá muito cansada ou ainda pode dar um passeio pela cidade?

-Me dá vinte minutos?-ela pediu, abraçando-o.

-Hum…parece justo,mas eu também preciso tomar banho.-disse Milo,sorrindo.

-Eu não vejo nenhum motivo que te impede. -disse Moa,puxando o namorado pelo casaco.

-Sabe, às vezes eu fico em dúvida sobre quem é o escorpiano aqui. -disse ele,rindo.

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Camus tentava incansavelmente ligar para o celular de Natássia, mas ela não atendia.

-Vontade é o que não me falta, mas eu não poso simplesmente invadir a casa dela!-murmurou ele, digitando o número dela mais uma vez no seu celular. Insistiu até cair na caixa postal pela décima oitava vez.Um lágrima escorreu pelo seu rosto,e ele limpou com raiva.Saiu andando pelas ruas parisienses totalmente sem rumo,olhando vitrines a esmo,esbarrando em várias pessoas.Não queria encontrar ninguém da sua família,não queria encontrar ninguém que ele conhecesse,só queria Natássia de volta.

"Por que justo eu que nunca fiz nada de errado com ninguém?"-pensava ele enquanto caminhava.

Era verdade, Camus sempre fora mais quieto e frio, sempre colocava ordem no grupo do colegial e era um ótimo conselheiro quando Milo precisava dele, mas nunca tivera sorte com as garotas.

O francês continuou caminhando com a cabeça baixa e as mãos no bolso do pesado blazer de couro azul-marinho.

-Camus!-chamou alguém. Ele sacudiu a cabeça.

-Será que nem a sua voz?-resmungou ele.

-Camus!-insistiu o chamado, e alguém tocou seu ombro. Ele se virou desconfiado,deparando-se com o rosto que ele mais queria encontrar na face da terra.

-Natássia!-suspirou ele, abraçando a loira com força. Ela envolveu o pescoço dele e começou a chorar.

-Eu não queria ter ido embora do Japão, não ia saber viver sem você, eu… eu… - Natássia não conseguia falar direito por causa dos fortes soluços.

-Não, eu fui o culpado, eu que lhe peço desculpas, e… também queria pedir mais uma coisa. -disse Camus,ligeiramente ansioso.Ficou sobre um dos joelhos e segurou a mão de Natássia com delicadeza.

-Camus, a avenida está muito cheia!-murmurou Natássia, mas ela estava sorrindo lacrimosamente.

-Natássia Medved, você aceita se casar comigo?-perguntou ele, tirando do bolso interno do blazer uma pequena caixinha de veludo vermelho. Ela sorriu ainda mais abertamente.

-É claro que sim!É claro que eu aceito Camus!-disse ela com euforia. Camus deu um sorriso discreto e colocou o anel de noivado no dedo anelar da mão direita dela.Ficou de pé e pegou-a no colo.

-Vamos pra casa. -disse ele,fazendo Natássia rir.

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Enquanto isso, Milo e Moa jantavam num restaurante próximo à Torre Eiffel.

-Você acha que o Camus vai encontrar a Natássia?-perguntou Moa.

-Ele é um cara determinado, se precisa realmente dela, vai recorrer a todos os recursos necessários para achá-la. -disse Milo.

-Sabe, essa viagem caiu como uma luva!-animou-se Moa. -Fazia muito tempo que eu não passava as férias aqui.

-Deve estar com saudades da família… - disse Milo, segurando a mão dela sobre a mesa. -Aliás,eu estive pensando em conhecer os meus futuros sogros.

-Futuros sogros?-repetiu Moa, insegura. Milo olhou pra ela espantado,e em seguida sorriu.

-Sei que é cedo, Moa, mas… - começou ele, tateando o bolso interno do seu paletó. -Você quer se casar comigo?-ele pediu, abrindo a caixinha que segurava e revelando um lindo anel de brilhantes. A reação de Moa decepcionou o grego.Ela o olhou com certo medo e retirou sua mão das mãos dele.

-Milo… é melhor não. -respondeu ela,baixando a vista.

Milo não insistiu, pelo contrário. Ficou sentado com cara de bobo enquanto Moa saía do restaurante.

Notas da Autora :)

E aí pessoal?Tudo beleza? tomara que sim

booom,eu sei que a Morgane vai querer me matar pelo final desse capítulo,mas foi o que eu mais gostei :x

Morgane,você mal pode esperar pelo 10 HIHIHIHEHEHEHEHAHAHAHA (6)

boom,espero que todo mundo tenha gostado !

em breve o capítulo 10! Beijos!