Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah, Aimê e Eurin são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa leitura!
Capitulo 3: Quando a Saudade Bate.
Soneto de Fidelidade.
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
I – Revelações.
Encostou-se na parede gelada, deixando-se escorrer até o chão. Sentia a cabeça latejar e o enjôo aos poucos aliviar. Tentou respirar com mais calma e não lembrar-se do cheiro enjoativo dos ovos que lhe embrulharam o estomago.
-Aimê; Eurin chamou, abrindo lentamente a porta do banheiro.
Encostou-se no batente da porta, vendo-a com os olhos fechados e a testa pingando suor pelo esforço.
-Como esta se sentindo? –a irmã perguntou, aproximando-se, mas viu-a erguer a mão, impedindo-a de se aproximar.
-Já vai passar, foi só um mal estar; Aimê respondeu, abrindo os olhos. Passou a mão sobre a testa, retirando as gotas de suor. Escorou-se na parede, levantando-se.
Respirou fundo algumas vezes, sentindo o enjôo passar completamente, mas agora vinha a pior parte.
-Precisamos conversar; ela falou num tom tão baixo de voz que Eurin quase não ouviu.
-...; Eurin assentiu, indo para a sala, sendo seguida por Aimê.
Seria uma conversa longa e extremamente difícil; Aimê pensou.
II – Saudade.
Sentou-se na borda da janela de seu quarto, vendo o dia chegar ao fim e a lua cheia erguer-se imponente no céu. Suspirou cansado, dois meses. Dois longos meses já haviam se passado e não havia um segundo que não pensasse nela. Estava com saudades, muitas saudades; Filipe pensou, conjurando uma bela rosa vermelha, segurando-a delicadamente entre seus dedos.
-Aimê; ele chamou em meio a um suspiro.
Voltou-se com o cenho franzido para a porta, ouvindo alguém bater na entrada. Levantou-se, saindo do quarto descendo as escadas para o corredor principal no primeiro andar, onde ficam a sala central, sala da armadura e outros cômodos de menos importância. Chegou a entrada e surpreendeu-se ao abrir a porta e deparar-se com o cavaleiro de Virgem.
-O que quer? –perguntou, seco.
-Pensei que pelo menos educação houvesse aprendido com Eurin; Shaka provocou.
-Puff; o cavaleiro resmungou, terminando de abrir a porta. –Deseja entrar?
-Ótimo, assim é melhor; o virginiano falou, passando por ele.
Filipe serrou os orbes de maneira perigosa. Quem aquele prepotentezinho arrogante pensava que era, para aparecer em sua casa a essas horas e com essa pose? –ele se perguntou, irritado.
-O prepotentezinho arrogante vem trazer um recado do Grande Mestre pra você, fedelho; disse o homem mais próximo de Deus.
-Posso processá-lo por invasão de privacidade, sabia? –Filipe perguntou visivelmente irritado, ao ver o cavaleiro instalar-se confortavelmente em sua poltrona e o pior de tudo, lendo seus pensamentos como se lesse uma historia em quadrinhos.
-Porque não tenta, vamos ver o que acontece; ele rebateu, com a calma inabalável de sempre. –E para o seu conhecimento, não leio historias em quadrinhos, livros são muito mais construtivos;
-Diga logo o que o Grande Mestre quer? –o jovem perguntou impaciente, rolando os olhos.
-Quer um relatório sobre os anos de treinamento feitos com a Eurin; Shaka respondeu, a queima roupa.
-O que? –Filipe perguntou surpreso.
-Isso mesmo, ele quer o máximo de informações que puder passar, desde o desempenho de Eurin como mestra e as técnicas desenvolvidas no decorrer do treinamento; ele explicou.
-Isso tem alguma finalidade ou é só pra não me deixar sem fazer nada? –ele perguntou, em tom de provocação.
-Você já sabe o que é pra fazer, amanhã às seis horas haverá uma reunião e o Grande Mestre quer que isso seja apresentado; Shaka avisou, levantando-se e seguindo até a porta.
-"Como quiser, idiota"; ele respondeu em pensamentos, com o orbes serrados perigosamente.
-Eu ouvi isso; Shaka avisou, saindo do templo.
-Ótimo, assim me poupa de repetir; Filipe rebateu, porém o cavaleiro já havia sumido. –"Mais essa agora, relatório para amanhã, ninguém merece"; ele pensou, balançando a cabeça e indo em direção a um pequeno escritório no segundo andar onde poderia pegar o material para escrever o relatório.
III – Momentos Difíceis.
-VOCÊ ESTÁ O QUÊ? –Eurin berrou.
Seu cosmo elevou-se de tal forma, que o assoalho do chão tremeu e os orbes incendiaram-se. Aimê pareceu encolher-se no sofá, respirando fundo, pacientemente esperando-a acalmar-se.
-Eurin, abaixe o nível de decibéis e se acalme, por favor; Aimê pediu, recostando-se no encosto do sofá.
-COMO QUER QUE EU ME ACALME, AO SABER SOBRE ISSO? –ela vociferou.
Arregalou os olhos, dando um salto indo parar atrás do sofá, desviando de uma infinidade de galhos de roseiras que brotaram do assoalho e vieram em sua direção.
-Você está me cansando; a jovem de orbes amendoados falou, com a paciência em seu limite. –Sente-se, cale a boca e termine de me ouvir; ela mandou.
Eurin serrou os orbes de maneira perigosa. Desde quando Aimê agia dessa forma, mas a julgar pelo seu ultimo pupilo não podia abusar. Sentou-se no sofá, atenta a qualquer movimentação dela.
-Antes que você surte novamente. Sim, eu estou grávida, de dois meses; Aimê avisou, viu Eurin abrir a boca para falar, mas ergueu a mão, lançando-lhe um olhar envenenado para que se calasse. –Não espere que lhe diga os por menores, saiba apenas que ficamos juntos em Visby; ela completou.
-Aquele fedelho não perde por esperar; a amazona resmungou. –Arrancar o couro dele com espinhos de rosas vai ser pouco; ela falou, levantando-se. Mas nesse momento, os galhos a envolveram, prendendo-a no sofá. Voltou-se surpresa para Aimê, que parecia impassível.
-Eu o amo Eurin, ao contrario de você, que sempre preferiu omitir o que sentia por Alister até saber que ele morreu. Não vou deixar ninguém se colocar entre a gente; a jovem avisou. –Eu e Filipe nos amamos e é só isso que importa. Só estou lhe contando o necessário para lhe avisar que amanhã mesmo estou indo para Visby e não vou concorrer a armadura, ela não me interessa mais;
-Mas...;
-Falei com Emilia e Henry, eles me deixaram ficar lá o tempo que for preciso. Vou arrumar um trabalho e um lugar onde possa morar. Não vou insistir em me tornar uma amazona e correr o risco de perder Aaliah;
-Aaliah? –Eurin perguntou, arqueando a sobrancelha, descrente de tudo que ela estava falando. Aimê era rebelde, arisca por vezes, mas nunca a ponto de bater de frente consigo com tamanha veemência como agora.
-Você me ouviu e de preferência, nem uma palavra disso ao Filipe quando for ao santuário; ela completou.
-O que? Ficou louca? Não pode esconder isso dele, ele tem de assumir as responsabilidades; Eurin reclamou, indignada.
-Eurin, isso já foi decidido; Aimê falou, soltando os galhos. –Não quero que ele se distraia com outras preocupações e acabe correndo algum risco por não estar cem por centro concentrado. Afinal, não é você mesma quem diz que preocupações de mais, apenas lhe torna um medíocre sem um pingo de controle emocional. Então; a jovem concluiu, rebatendo qualquer indagação da amazona com seus próprios conceitos de falso dever.
-Mas não era sobre isso que estava me referindo; ela balbuciou surpresa, pela irmã usar justamente esse argumento.
-Estou indo amanhã para lá, você está avisada; Aimê avisou, levantando-se. Sem dar tempo a Eurin para pensar em alguma resposta.
IV – E a vida continua.
Aproximou-se lentamente da sala principal. Deparando-se com um belo quadro que retratava a ultima geração da família Lancaster. Uma lágrima solitária pendeu de seus olhos, enquanto instintivamente acariciava o ventre, que já deixava evidente a gravidez. Faltavam poucos meses agora; Aimê pensou. Sentando-se no sofá em forma de 'U'. Ouviu passos atrás de si, mas não se preocupou, sabia quem era.
-Menina, estava te procurando pela casa inteira; Emilia falou, entrando na sala, enxugando as mãos em um avental, mas parou, vendo a jovem com um olhar perdido para o quadro. –Sente falta dele, não é? –ela falou, sentando-se ao lado de Aimê.
Ela assentiu, passando a mão insistentemente sobre os olhos, tentando aparar as lágrimas. Durante seis meses tentara não pensar, mas quanto mais tentava, mais pensava nele. Céus, como sentia sua falta; ela pensou.
Sentiu Emilia abraçar-lhe ternamente e não mais controlou as lágrimas que segurara durante tanto tempo. Precisava desabafar, não agüentava mais aquilo.
-Chora criança, desabafa, vai te fazer bem; Emilia falou, fazendo-a deitar a cabeça sobre seu colo, enquanto acariciava-lhe os cabelos.
-Sinto falta dele; ela sussurrou.
-Eu sei, dói muito ficar longe assim. Ainda mais agora, mas tenha paciência, não vai ser sempre assim; ela tentou consolar.
-"Como eu queria ter essa esperança"; Aimê pensou.
-Descanse um pouco, vou fazer um chá para você, não é bom que fique nervosa, ainda mais agora que só faltam três meses; Emilia falou, colocando uma almofada no lugar de seu colo, acomodando-a melhor.
-Obrigada; a jovem agradeceu, vendo-a assentir e afastar-se indo para a cozinha.
Tentara se recusar a voltar ali, mas Emilia a aconselhara a ficar na mansão do Vale das Flores, já que resolvera não contar nada a Filipe por enquanto. Henry também lhe falara que seria melhor que ficasse ali, as despesas seriam menores e, ele e Emilia poderiam estar por perto para ajudá-la.
Desde que chegara ao santuário, Filipe ligava pelo menos uma vez por semana para Emilia querendo saber como estavam as coisas e pedindo informações sobre Aimê, a madrinha apenas respondia que se correspondia com a jovem por cartas e que ela dizia estar bem, nada mais.
Cada vez que via Emilia desligar o telefone, sentia seu coração se apertar, pensando que na próxima semana ele poderia não ligar, ou sabe-se lá, se estaria vivo. Tentava não pensar nisso, mas era extremamente difícil. Ainda mais agora que sentia um cosmo estranho rodeando o santuário, mal conseguia dormir a noite. Era uma energia carregada, só pedia aos deuses que ele estivesse bem.
Há algum tempo atrás recebera uma carta de Eurin, elas pouco se falavam desde a conversa que tiveram. Aimê acreditava que Eurin estivesse um pouco sentida por saber daquela forma do romance vivido entre a irmã e o aspirante embaixo de seu nariz, embora soubesse que não tinha direito alguém de lhe cobrar algo assim, já que nunca ao menos falara sobre Alister com ela.
Fechou os olhos momentaneamente, sentindo-se enjoada. Tentou controlar a respiração, aos poucos a sensação passara.
Novamente aquela energia que sentia no ar. Ela estava se intensificado, ainda mais agora que o Grande Mestre havia morrido. Eurin contara na carta que Ares seu irmão mais novo assumira o posto, mas o que mais lhe surpreendeu fora o que Eurin lhe contou depois.
A menos de um mês a irmã retornara ao santuário entregando ao Grande Mestre a armadura de prata de Carina, abandonando a vida de amazona de vez. Isso não era uma atitude que se podia esperar de Eurin, ainda mais porque ficou sabendo da visita que ela recebera de seu pai, surtando com ela por isso, mas a resposta que ele teve, foi uma saraivada de rosas, não voltando mais à casa da jovem em Gotland.
Se bem conhecia o gênio da irmã, Eurin só dava explicações quando julgava ser conveniente ou que a pessoa merecesse, se não, era exatamente essa atitude que ela tomava.
Virou-se, ficando de costas no sofá. Fitou o teto por alguns minutos com o olhar perdido.
V – Limite Máximo.
-EU NÃO AGÜENTO MAIS; Filipe berrou, socando com tudo o espelho do banheiro. Mal sentiu os cacos penetrarem a pele causando cortes profundos. Afastou-se, encostou-se na parede gelada, deixando-se escorrer até o chão. -Não agüento; ele sussurrou, sentindo as lágrimas correrem impiedosas por sua face.
Apoiou os braços sobre os joelhos, tentando controlar-se, porém era impossível. Um mês agüentara, dois foram toleráveis. Agora esses últimos nove meses estavam sendo enlouquecedores.
Todas as noites sonhava com Aimê, com seu sorriso radiante e olhos brilhantes, mas não era só isso, ela carregava em seu colo uma linda menina de cabelos azuis iguais aos seus. E quando ria, mexendo os bracinhos delicados chamando a atenção dela, abria os orbes que eram amendoados, como os de Aimê.
Ela não poderia estar grávida, mas e se estive, porque não lhe contara? –ele se questionou, todas as vezes que ligava para os padrinhos eles diziam que estava tudo bem. Eles não poderiam estar mentindo, poderiam?
-Acalme-se garoto, entrar em pânico agora não vai te fazer bem; uma voz calma soou em sua mente e um cosmo cálido pareceu lhe abraçar, fazendo-o aos poucos relaxar.
-Shaka? -ele falou, erguendo a cabeça rapidamente, procurando pelo cavaleiro, mas viu-se sozinho.
-Dói muito sentir saudades, mas você não pode deixar que isso lhe impeça de continuar, precisa ser forte; o homem mais próximo de Deus falou diretamente com seu cosmo.
-Não agüento mais Shaka; Filipe confessou, em um sussurro. –Preciso vê-la de novo, ou vou enlouquecer;
-Sinto muito Filipe, mas as coisas não são assim; o cavaleiro falou e pela primeira vez em muito tempo, sentiu pesar por ter de dizer aquilo. –Você precisa entender que da mesma forma que você está sofrendo pela falta de Aimê, ela também deve sentir o mesmo;
-Mas...;
-Filipe, não é fácil afastar-se das pessoas que se ama, ainda mais numa vida incerta que mal sabemos se estaremos vivos amanhã, mas pensei que Aimê não iria querer te ver assim, por mais que isso doa, seja forte, por ela pelo menos; ele o aconselhou. –Não desista, da mesma forma que ela não desistira de você;
O cavaleiro assentiu, apoiando a cabeça sobre as mãos, só agora notando gotas grossas de sangue escorrendo por seu braço.
-Obrigado; ele falou num sussurro.
Olhou surpreso para sua mão, sentindo os cacos aos poucos saírem da pele, o sangue cessar a queda e o corte fechar-se completamente quando o cosmo do virginiano pareceu tomar conta de todo o templo, sendo emanado de Twin Sall, algumas casas abaixo, para depois simplesmente desaparecer.
Respirou fundo, tentando se recompor, não poderia ficar perdendo o controle dessa forma, por mais que fosse difícil. Shaka estava certo, detestava admitir, mas ele estava completamente certo.
VI – Primeiros passos.
-Calma, venha devagar; Aimê falou com um largo sorriso, estendendo os braços para a garotinha de olhos curiosos, que dava seus primeiros passos.
-Ela está indo bem; Henry comentou, sentando-se no sofá ao lado de Emilia, que observava atentamente Aimê ensinando Aaliah a andar.
Dois anos já haviam se passado. Aimê estava vivendo no Vale das Flores agora, trabalhava pela manhã em uma floricultura próximo a casa dos padrinhos de Filipe e também padrinhos de Aaliah agora.
A tarde ficava com a filha, vez ou outra trabalhava como tradutora, já que desde pequena aprendera algumas línguas que lhe ajudavam agora. Poderia aumentar a renda delas e ficar com a filha ao mesmo tempo.
-Mãeeeeeeee; Aaliah chamou em meio ao choro, caindo de joelhos no chão ao tropeçar numa dobra do tapete.
-Calma querida; Aimê falou, pacientemente. Ergueu os braços na direção dela, vendo que a garotinha tentava agarrá-los ainda no chão, temendo se levantar. –Agora levante-se e venha;
Aaliah pareceu hesitar com medo de cair novamente.
-Não se preocupe, apenas venha; a mãe falou, com um doce sorriso.
Viu-a levantar-se batendo as delicadas mãozinhas sobre o vestido florido. Segurando-se na parede ela levantou-se. Ainda incerta quanto a continuar andando, Aaliah deu alguns passinhos, parou sentindo-se mais segura, sorrindo alegremente por ver que não cairia, desatou a correr na direção de Aimê.
-Cuidado não corr-...; Aimê não completou, ao ver a garotinha jogar-se em seus braços. –Viu, você conseguiu; ela falou, afagando-lhe as melenas azuladas.
Aaliah aconchegou-se entre os braços da mãe suspirando aliviada e contente por ter conseguido.
-Eles se parecem muito não Henry? –Emilia comentou, vendo a garotinha pular no colo da mãe, fazendo com que ambas caíssem sobre o tapete felpudo da sala.
-Muito, também foi assim quando Filipe aprendeu a andar. A primeira vez que caiu ele abriu um berreiro tão grande que Aaliah entrou em pânico achando que ele tinha se machucado; o Sr falou, com um meio sorriso, lembrando-se do que acontecera há alguns anos atrás, quando os pais do cavaleiro ainda eram vivos.
-Como será que ele está agora? –a Sra comentou, vendo que Aimê estava entretida com a criança e não ouvia o que eles falavam.
-Ele sente a falta dela demais, às vezes eu acho que seria melhor contar a ele sobre isso, mas não é algo que me diz respeito, é Aimê quem tem de tomar essa decisão; ele completou, com ar sério.
-Não se preocupe, tudo há seu tempo; Emilia falou, entrelaçando os dedos nos dele que estavam sobre o colo. –Eles sabem o que fazem; ela completou.
-...; Henry assentiu.
-Vó; Aaliah chamou correndo até ela, abraçando-lhe pelas pernas.
-Oi meu anjo; Emilia falou ternamente.
-Agora que aprendeu a andar, ninguém mais segura; Henry brincou, vendo a garotinha subir no sofá, praticamente jogando-se sobre eles.
Aimê sorriu, levantando-se do chão e indo até eles. Passou a mão rapidamente pelos olhos, aparando a queda de uma lágrima solitária que teimou em pender de seus olhos, não queria chorar na frente de Aaliah, mas as vezes era tão difícil, sentia tanto a falta dele, que as vezes o via refletido em pequenos atos da filha.
Aaliah desde pequena já demonstrava ter um certo fascínio por rosas, era curiosa, ouvia tudo com atenção e às vezes ficava agitada por querer fazer algo, mas que ainda não conseguia, prova disso fora vê-la andar.
A garotinha tinha uma disposição incrível para aprender; Aimê pensou, sorrindo docemente, só esperava que algum dia tudo aquele inferno que iniciava-se no santuário chegasse ao fim, para que Filipe finalmente pudesse conhecer a pequena.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim. Sinceramente espero que tenham gostado. No próximo, voltamos a Aaliah e Shaka de novo.
Antes de ir, gostaria de comentar um pouquinho sobre esse capitulo. No inicio, o capitulo é aberto com o Soneto de Fidelidade do Vinicius de Morais. Não preciso nem dizer que ele é um gênio e os sonetos dele incríveis.
Quando escrevi as cenas desse capitulo, estava desesperada atrás de uma frase que refletisse parte dos sentimentos que cada personagem transmitiu em cada parte desse capitulo.
Saudade, angustia, aquele sentimento de pânico quando a saudade parece ser aterrorizante e mais forte que a gente. Momentos que sentimos nossa fé ser abalada e não existe nada que possa nos erguer. Enfim, procurando por algo que refletisse isso, descobri que uma frase não seria suficiente, alias, seria muito pobre para dizer tudo que fosse necessário, por isso escolhi esse soneto, o mais apropriado diga-se de passagem.
Bom, no mais, agradeço de coração a todos que acompanham essa historia, alias, não só essa, mas todas as outras e ainda perdem um pouco de seu tempo comentando. Obrigada mesmo pessoal pelo grande apoio e força para continuar.
Até a próxima...
Kisus
Já ne...
