Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Aimê são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga. A Lenda das Rosas relacionada à família Lancaster também é de minha autoria.
Capitulo 4: A Rosa Vermelha de Lancaster.
I – A Lenda da Rosa.
Recostou-se melhor no sofá, apoiando uma das pernas sobre a beirada da mesa de centro. Deixou que à ponta dos dedos corressem com suavidade entre as melenas azuis, ouviu-a suspirar, remexendo-se um pouco no sofá.
Aaliah estava tão agitada durante a viagem toda vez que ela caia no sono, qualquer barulho que fosse lhe acordava e quando deitara ali, pegara rapidamente no sono. Não duvidava que ela virasse a noite dormindo; Shaka pensou.
Viu através da janela que não demoraria a anoitecer, uma pequena garoa caia lá fora. Estava esfriando; ele pensou, vendo a pele alva do ombro da jovem arrepiar-se. Pegou uma manta que estava sobre o sofá e cobriu-a em seguida.
Aaliah aconchegou-se melhor, dormindo tranqüilamente, completamente alheia ao que acontecia a sua volta. Ergueu os olhos, voltando-se para o vaso de rosas. Passou a mão nervosamente pela franja dourada, que caia sobre seus olhos.
-"Rosas eternas";
Conhecia a história. A família Lancaster possuía gerações de reis, duques e lordes que dominaram a Inglaterra nos anos de 1399 e 1471. Família formada por João Gant que transformou a rosa vermelha como o símbolo da família.
O que originou o nome da Guerra das Duas Rosas. Rosa Vermelha X Rosa Branca. Isso quer dizer Lancaster X York. Conflito do qual, infelizmente o poder fora tirado da casa de Lancaster quando Henrique VI fora deposto e Ricardo III seu primo assumira como representante da casa de York como descendente de Margarida Beaufort, quando Yorks ganharam a primeira parte da batalha.
Uma história marcada por sangue, talvez seja por isso que uma das técnicas de Afrodite fosse a Rosa Sangrenta; ele pensou, dando um baixo suspiro. Mais existia uma outra parte da história que poucos conheciam.
Margarida de Anjou, o gênio, a mestra, a mulher por trás do rei. Sim, Henrique VI não era nenhum homem dotado de inteligência, sagacidade e todos os quesitos requeridos para um homem de sua estirpe e clã, porém tais deficiências eram facilmente aplacadas com a presença dela.
Enquanto ele era capturado pela casa de York, mantido refém, Margarida declarou guerra aos opositores do reinado de sua família como rainha regente da Inglaterra. Levou os exércitos da família numa guerra ferrenha, batalhas e mais batalhas, algumas perdidas, porém outras que gloriosamente levaram o clã à vitória, sendo o seu nome a clamado por todos como aquela que tirou Ricardo III do trono, decapitando-o em seguida, trazendo o trono de volta ao poder da casa de Lancaster.
Definitivamente uma história de sangue, porém ela fez o que pode para defender os seus, fez bem e fez enquanto foi possível. Quando a guerra das Rosas acabou com York tendo uma vitória esmagadora sobre a família Lancaster. Margarida foi absolvida da acusação de alta traição, não sendo condenada à morte, porém passou boa parte de seus últimos dias, presa na Torre de Londres, até o rei da França pagar uma determinada quantia para que ela fosse libertada, possivelmente devido a ultima aliança entre Henrique VI e Luiz XI. Margarida retornou a Anjou naquele mesmo natal, vindo a falecer no ano de 1482.
Dizem aqueles que a viram nos seus últimos momentos, que em seu leito de morte ela derramou apenas três lagrimas dizendo ser: pelas coisas que não fizera, outra pelas que poderia ter evitado e por ultimo por aquelas que poderia ter feito. Ao tocarem o chão, como a lenda de Afrodite, elas tornaram-se rosas. Rosas vermelhas, que vieram a ganhar o nome de Rosas Eternas alguns anos depois.
Longos anos se passaram, novos reis subiram ao poder e a casa de Anjou continuava a abrigar aquelas rosas, como se estivesse a espera. Do que? Ninguém nunca soube responder, apenas que em dados momentos elas tornavam-se tão vermelhas que pareciam pintadas de sangue e sua fragrância era tão intensa que quem chegasse muito perto, se sentiria embriagado por elas.
O segredo das rosas eternas nunca foi descoberto, a lenda aos poucos perdeu forças. Com as guerras entre protestantes e católicos, patrocinados por Cristina da Suécia, alguns membros da família Lancaster migraram para lá, sendo que foram poucos a continuar vivendo lá quando a mesma abdicou do trono, indo para Roma.
Mas as Rosas, essas Rosas, ninguém nunca soube explicar. Dizem que uma época de secas em Anjou, alguém deixou que uma vela caísse sobre o chão da casa iniciando um incêndio. Tudo foi destruído e quanto às rosas, ninguém mais soube delas. Se elas ainda existiam ou se simplesmente haviam sido consumidas pelas chamas.
Quando os cavaleiros de Athena retornaram a essa terra, preparando-se para mais uma Guerra Santa. Um entre todos eles descobriu uma habilidade um pouco incomum, diga-se de passagem. Usar o próprio cosmo para manipular o crescimento de plantas e por fim, a criação de rosas.
Tal legado passou a cada geração, difundindo-se em meio ao clã de cavaleiros e amazonas. Muitas técnicas foram desenvolvidas e rosas foram criadas. Sangrentas, mortais, venenosas, azuis, entre outras mais... Porém ninguém nunca conseguiu o feito de criar as Rosas Eternas, passando assim, a ser uma espécie de obsessão para aqueles que desenvolviam avidamente a habilidade de manipulação com o intuito de descobrir o segredo.
Suspirou pesadamente, abaixando a cabeça e vendo a jovem encolher-se um pouco, ressonando baixinho.
Sabia que Aaliah estava disposta a tudo para conseguir criar aquela rosa. Nem que para isso extinguisse seu cosmo tentando. Há alguns dias atrás havia conversado com Isadora sobre isso, perguntando o que poderia fazer nesse caso. Afinal, era mais fácil ela conseguir entender Aaliah do que ele sozinho.
A única coisa que a jovem respondera era para tentar descobrir primeiro o porque dessa obsessão, depois, pensar em algo para reverter à situação, por isso aqueles primeiros meses de Aaliah no santuário, passaram bastante tempo juntos.
Depois da conversa que haviam tido em seu templo, quando o mestre e Ilyria lhes contaram sua história. Tentou de todas as formas descobrir o porque dessa obsessão dela, ainda mais ao descobrir que a jovem tinha o cosmo tão desperto quanto o de uma amazona veterana.
Aaliah lhe contara que nos últimos três anos, após a morte de Aimê, pediu a Eurin que lhe treinasse. Simplesmente querendo ocupar a mente com algo para não surtar, como ela mesma dissera.
Em três anos ela desenvolvera o cosmo a ponto de criar as rosas. Tornando uma obsessão para si criar 'aquela' que somente alguns meses antes de morrer Aimê conseguira criar, porém levando consigo tal segredo.
Sabia que alguma coisa estava passando despercebida, havia algo que não notara ainda, mas estava bem perto de conseguir uma resposta.
Aproveitaria esse tempo que passariam ali para descobrir. Seus instintos lhe diziam que se quisesse pelo menos chegar perto da verdade, teriam de sair do santuário e porque não voltar a origem de tudo isso?
Realmente haviam pensado mesmo em irem para a Índia, mas quando Aaliah começara a contar sobre o Vale das Flores, sugerira que lá seria um bom lugar para relaxar e passar um tempo.
Lembrou-se que Aaliah hesitou com relação a isso. Dizendo que talvez Afrodite não fosse achar uma boa idéia, devido a tudo que ocorrera lá. Disse a ela que assumiria todas as responsabilidades por isso se fosse o caso, mas iriam para Visby, agora mais do que nunca sabia que era para lá que tinham de ir.
II – Sonhos Ruins.
Afastou delicadamente a cabeça dela de seu colo, podendo assim levantar-se do sofá. Aaliah resmungou algo que não conseguiu entender. Sorriu levemente, abaixando-se em frente a ela. Passando os braços pelas costas e pernas dela, podendo assim suspende-la do sofá.
-Shaka; ela chamou num murmúrio agoniado, aconchegando-se melhor no colo dele, agarrando-se fortemente a sua camisa.
Franziu o cenho, sentindo o cosmo de Aaliah oscilar e sua expressão tornar-se carregada. Deveria estar sonhando, mas com o que? –ele se perguntou, preocupado.
Procurou subir rapidamente as escadas, entrando no primeiro quarto que avistou. Mesmo porque não se lembrava mais aonde ela havia dito ser o seu quarto, ou o dela.
Encontrou as malas da jovem em um canto qualquer e não precisou de mais nenhuma confirmação para saber que aquele era o dela, caminhou até a lateral da cama, abaixando-a lentamente, mas estancou, sentindo-a segurar-se em sua camisa, murmurando em protesto.
Colocando-a na cama, ajoelhando-se em seguida no chão, enquanto tentava soltar as mãos delicadas, porém firmemente presas em sua camisa.
-Aaliah; ele sussurrou, tentando despertá-la um pouco que fosse, para poder soltá-lo e pudesse descobrir o que estava acontecendo.
-Fica; ela pediu num sussurro sonolento, serrando os orbes, deparando-se com ele a sua frente.
Franziu o cenho ao ver uma pequena lágrima correr sobre a maçã do rosto. Tocou-lhe a face delicadamente, vendo-a abrir os olhos completamente.
-O que foi? –perguntou suavemente, tentando conter a preocupação.
-Por favor, fica; Aaliah pediu, com um olhar suplicante.
-...; Assentiu sem saber o que fazer viu-a afastar-se um pouco para que pudesse deitar-se. Mal o fez, sentiu a jovem aconchegar-se entre seus braços, chorando.
-Aaliah, o que foi? –Shaka perguntou, envolvendo-a entre seus braços.
-Eu não queria lembrar, eu não queria; ela sussurrou, enterrando a cabeça sobre seu peito, tentando conter os soluços.
-Do que esta falando? –ele perguntou, porém não houve resposta, o que serviu apenas para preocupa-lo mais.
Respirou fundo, tentando conter as lágrimas, simplesmente não querendo se lembrar daquelas coisas que apenas lhe entristeciam. Aquelas lembranças que havia prometido a si mesma que não se recordaria mais, a partir do momento que deixara Visby para ir morar com o pai.
-Lembrança-
Ouviu a mãe lhe chamar pela casa, mas isso só serviu para ficar ainda mais emburrada. Encolheu-se mais naquele cantinho do quarto, que sempre ficava quando estava triste, ou simplesmente irritada com alguma coisa.
-Aaliah; Aimê chamou, abrindo a porta do quarto.
A mãe estava preocupada, notou isso pelo seu tom de voz. Já passava do meio-dia e Aimê voltava para a casa, para trabalhar e ficar consigo também. Suspirou pesadamente, sabia que vinha bronca, mas simplesmente não pode evitar o que aconteceu.
-Querida, estava preocupada com você, porque não respondeu? –Aimê perguntou, aproximando-se e ajoelhando-se a sua frente.
Viu a garotinha de longos cabelos azuis encolher-se mais, fazendo beicinho, tentando conter o choro. O laço que prendia as melenas azuis, havia sido jogado em um canto qualquer denotando o desagrado da criança ao usar aquela coisa ridícula, como a mesma dissera, porém uniforme era uniforme.
-O que foi meu anjo? –a jovem perguntou, abrindo os braços.
Rapidamente Aaliah jogou-se nos braços da mãe, desatando a chorar. Afagou os fios azuis, esperando pacientemente que a filha se acalmasse. Já sabia o que tinha acontecido na escola, estava saindo da floricultura, quando a diretora ligara, avisando que Emilia fora mais cedo buscar a filha, devido à suspensão de três dias que ela recebera por bater em uma colega de classe.
Aaliah era extremamente geniosa, mas só perdia a calma quando tinha um bom motivo. Sentiu-a agarrar-se a si com força.
-Mãe, aonde ta o papai? –Aaliah perguntou, erguendo os olhinhos encharcados de lagrimas para ela.
-Eu já não lhe contei sobre o santuário? –Aimê perguntou, pacientemente.
-...; ela assentiu, hesitante. –Mas aquela Melissa Carter falou q-...;
-Você acredita nela? –Aimê a cortou.
-...; Aaliah negou com um aceno. –Por isso soquei a cara dela; ela completou, se justificando.
Aimê tentou não sorrir com a forma que a criança falou, mas foi impossível. O olhar veemente como se dissesse 'Fiz e faço de novo', lhe lembravam demais Filipe. Tão geniosa quanto e depois era ela a rebelde; Aimê pensou, mas tentou manter-se séria, não poderia simplesmente incentivar a criança a sair por ai batendo em qualquer idiota que lhe provocasse.
-Aaliah, o que já lhe disse sobre brigar na escola? –ela perguntou.
-Mas mãe; a garotinha começou.
-Mais nada, eu entendo que você teve seus motivos para isso, mas não quero saber de brigas, existem outras formas de resolver os problemas; Aimê falou, com ar sério.
-Ela disse que o papai abandonou a senhora e não me quis; a garotinha falou num sussurro, sentindo as lágrimas caírem novamente de seus olhos.
-Isso é mentira, meu anjo; Aimê falou pacientemente, embora a idéia de estrangular a garotinha que falou isso, pareceu irresistível agora.
-Mas se o papai esta no santuário, porque ele não pode vir nos visitar? –Aaliah questionou.
-Aaliah, você confia na mamãe? –a jovem perguntou, colocando a garotinha sentada em seu colo e encostando-se na parede.
-...; Aaliah assentiu.
-Então, acredite quando digo que seu pai lhe ama e faria de tudo para estar aqui se pudesse; Aimê falou, afagando-lhe os cabelos. –Lembra-se daquela história que lhe contei sobre como nos conhecemos?
-Lembro, vocês estavam treinando para serem amazona e cavaleiro, não é? –ela perguntou.
-...; Aimê assentiu. –Ele se tornou um cavaleiro, e eu, como já estava esperando você, preferi deixar de concorrer à armadura, a te perder;
-Mas mãe, quando é que eu vou conhecer o papai? –Aaliah perguntou.
-Me perdoe meu anjo por não saber lhe responder isso agora, isso só depende do tempo; a jovem respondeu, fechando os olhos momentaneamente. Seis anos já haviam se passado, seis longos anos...
-Mãe; Aaliah chamou, depois de longos minutos de silencio.
-Sim;
-Que outra forma eu posso usar para que ela pare de falar besteiras do papai, que não seja calar a boca dela com um punhado de giz? –a garotinha perguntou, eloqüente.
-...; Aimê arqueou a sobrancelha. Era melhor parar de pedir a Eurin que cuidasse de Aaliah, ela estava pegando alguns trejeitos meio perigosos da tia.
Não fazia muito tempo que Eurin deixara Gotlhand, indo viver numa casa modesta no centro. Há alguns anos atrás seus pais haviam falecido e as duas haviam sido chamadas pelo advogado da família para a partilha da herança.
A muito decidira que não queria nada que viesse deles, então, preferiu passar todas as posses que herdara no nome de Aaliah, assim quando ela estivesse na idade de entrar na faculdade, não iria precisar ficar se preocupando em custear isso.
Eurin pelo contrario, não fez muita questão de negar a recebe-la. Vendeu a casa de Gotlhand e veio para Visby. Não tendo nada planejado no que aplicar o que recebera, vez ou outra vinha visitá-las para passar o tempo.
Respirou fundo, antes de responder o questionamento ed Aaliah.
-Não se preocupe querida, depois de amanhã vou lhe levar na escola e converso com Alicia; Aimê respondeu, lembrando-se que a mãe na menina era tão ou mais petulante quanto sua miniatura, mas iria resolver isso. Ah se iria; Aimê pensou.
-Tudo bem então; Aaliah deu de ombros.
-o-o-o-o-
Três dias depois...
As crianças corriam agitadas, entrando em suas salas. Caminhava calmamente de mãos dadas com Aaliah até a sala, resolvera conversar com a professora e de quebra, ter uma conversa 'amigável' com Alicia.
Por coincidência encontrou a jovem de melenas castanhas na porta da sala, discutindo com a professora, apontando freneticamente o olho extremamente roxo da filha. Um fino sorriso surgiu em seus lábios, pelo menos já sabia que sua garotinha tinha boa pontaria, mas que Aaliah não soubesse disso; ela pensou, ficando séria rapidamente.
-Bom dia, professora; Aaliah falou, cordialmente. Chamando a atenção de todas.
-Bom dia; a professora respondeu, vendo Melissa escondera-se atrás da mãe. –Entrem crianças; ela mandou.
Aimê abaixou-se dando um beijo estalado na bochecha da filha.
-Amo você; ela falou, abraçando-a.
-Também amo a senhora; Aaliah respondeu, antes de entrar.
-Como vai Aimê? –Lisa, a professora de Aaliah perguntou.
-Bem Lisa, mas poderia estar melhor; ela respondeu, embora o tom fosse amável, soou como uma promessa de morte lenta e dolorosa para a outra a seu lado.
-Imagino, não queria que Aaliah tivesse que ficar afastada esses dias. Então, depois lhe passo o que ela precisara fazer para recuperar as notas; Lisa falou amavelmente.
Sabia perfeitamente da história da jovem, elas se conheciam há bastante tempo, por isso não concordava com o que a filha de Alicia fizera, mas não podia tomar partido de ninguém.
-Obrigada; Aimê agradeceu, ouvindo Alicia bufar a seu lado.
-Bem, vou entrar, tenham um bom dia;
-Sem duvidas que vou ter; Aimê respondeu, vendo Alicia responder, num muxoxo contrariado.
-Essa sua filha é um monstrinho, viu o que ela fez? –Alicia vociferou.
Foi rápido, extremamente rápido, que apenas fechou os olhos, sentindo o rosto ser prensado contra a parede e Aimê segurar-lhe fortemente pelo pescoço.
-Monstrinho é aquilo que você chama de sua filha. Vou lhe dar apenas um recado Alicia, se essa sua filha falar mais uma besteira para Aaliah, você vai ter sérios problemas; Aimê avisou, fitando-a com um olhar envenenado. –Se você nunca fez nada que preste da sua vida, que não fosse sair correndo atrás do primeiro idiota que abanasse uma nota de dinheiro na sua frente, o problema não é meu, só não queira descontar nos outros, suas infelicidades e o pior, na minha filha.
-É uma ameaça? –ela perguntou, tentando se mexer, mas viu que evidentemente Aimê era mais forte do que si.
-Eu não ameaço, mas é melhor dormir com os olhos aberto, pois se a Aaliah tomar mais uma advertência por causa da sua filha, você vai ter sérios problemas; ela avisou, largando-a com brusquidão, quase jogando-a no chão.
Ainda bem que a porta estava fechada; Aimê pensou. Já pensou se Aaliah visse a forma mais fácil de resolver as coisas dela, mas não podia negar que isso definitivamente era mais fácil do que gastar giz.
Afastou-se com altivo, deixando uma atônita Alicia para trás, como se nada houvesse acontecido.
-Fim da Lembrança-
-Você sabe que o Afrodite te ama; Shaka sussurrou, abraçando-a fortemente, esperando paciente o choro cessar.
Depois de muito insistir, conseguira convence-la a lhe contar o que estava acontecendo. Se encontrasse com aquela garotinha hoje, os infernos de Virgem seriam o paraíso perto de onde a mandaria. Aonde já se viu, falar aquilo para uma criança; ele pensou revoltado, mas por hora se concentraria apenas nela.
-Eu sei, mas...; Aaliah murmurou.
-Naquela época era mais difícil; ele completou, acariciando-lhe a face.
-...; A jovem assentiu, sentindo as ultimas lágrimas serem aparadas pelos finos dedos do cavaleiro sobre sua face.
-Mas não pense mais nisso, desde que o mundo é mundo existem pessoas invejosas assim; Shaka falou, com um olhar sereno.
-Como? –Aaliah perguntou confusa. Apoiando melhor a cabeça no travesseiro, para fitá-lo de frente.
-Você é linda, inteligente...; Shaka começou, deixando a ponta dos dedos correrem pela face dela, distraidamente, sem notar o leve rubor que a marcou sob seu toque. –Sabe se virar sozinha, alem do mais, Aimê sempre lhe amou muito. Infelizmente nem todos tem o privilegio de ter tudo isso ao mesmo tempo; ele brincou, tirando um sorriso da jovem.
-Acha mesmo? –ela perguntou, ansiosa.
-Claro que sim; o virginiano respondeu. –Agora durma, você precisa descansar, afinal, me prometeu que ia me levar pra conhecer a cidade amanha; o cavaleiro falou, dando-lhe um beijo no topo da testa.
-Mas não estou com sono; Aaliah falou, fazendo biquinho.
-E você quer que eu faça o que? –ele perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Fique aqui e converse comigo; ela respondeu, com um largo sorriso.
-Mas...;
-Por favor; Aaliah pediu, com os olhinhos brilhando, aconchegando-se entre seus braços.
-Esta bem, contanto que não seja até tarde, se não você não vai conseguir acordar cedo amanhã; Shaka respondeu, dando um suspiro resignado. Não importava o quanto tentava ser veemente em suas decisões, ela sempre conseguia o que queria consigo.
-Hei, eu posso muito bem acordar cedo se for dormir tarde; ela respondeu, indignada.
-Pode parar mocinha, você não vai me convencer a ficar a noite inteira acordado, alem do mais, fico insuportável se não dormir pelo menos seis horas por noite; ele a cortou.
-Chato; Aaliah resmungou, cruzando os braços na frente do corpo, ficando emburrada.
-Se preferir posso ir embora? –ele sugeriu, tencionando se levantar.
-Não; Aaliah falou prontamente, o segurando. –Tudo bem; ela falou, vendo-o sorrir.
-Então, sobre o que quer conversar? –Shaka perguntou.
-Bem...; Aaliah começou, com um largo sorriso.
Pelo visto ainda iriam longe; o cavaleiro pensou, já imaginando que ela iria dar um jeito de ficar a noite toda acordada e ainda lhe arrastar junto.
Continua...
Domo pessoal
Mil desculpas pela demora, mas devido a alguns problemas ai, digamos assim, o universo andou conspirando contra mim esses dias, então, não deu pra postar antes esse capitulo, mas cá estou com o capitulo novinho pra vocês, no próximo voltamos a Aimê novamente, ai vocês vão entender algumas coisas mais sobre o passado.
Quanto a esse capitulo, tenho algumas coisas para explicar. Como disse na nota lá em cima. A Lenda das Rosas é uma criação minha, para explicar a origem da Rosa Eterna. Aquela parte da história que fala sobre Henrique VI, Margarida Anjou e as famílias Lancaster e York são verdadeiras.
Em qualquer site de história vocês podem encontrar arquivos que contem de maneira mais detalhada como foi a Guerra das Rosas e a vida e feitos de Margarida Anjou, tentei passar o mais resumido possível.
Na história dela, realmente houve o exílio na Torre de Londres e a absolvição, voltando para Anjou onde morreu. A partir daí, começa a Lenda das Rosas, que é puramente ficção, para que se enquadre nos quesitos dessa fic.
Enfim, no mais é só isso. Sinceramente espero que tenham gostado do capitulo. Obrigada a todos que comentaram e que acompanham a história.
Até a próxima
Kisus
Já ne...
