Domo pessoal

Sei que só apareço no final, mas queria comentar algo com vocês. Deixei de ante mão, avisado no capitulo passado como seria esse. Olha, em todos os últimos três anos de ficwrinter nunca pensei que justamente esse, fosse o capitulo mais difícil de se escrever.

Como já respondi em muitos comentários, não tem nada mais doloroso do que retratar os últimos momentos de um personagem. A decisão de retira-lo da história, independente da forma que acontecesse, dói.

Cada personagem é uma parte importante da gente, é uma emoção que vivemos, desde o momento da criação ao momento em que a história dele se forma, transformando-o naquilo que deve ser... Alguém inesquecível.

Admito, sou uma manteiga derretida, a ultima vez que chorei tanto num capitulo foi em Torre de Pedra, com as lembranças do Leo, sobre o Aioros, mas nesse capitulo, quando eu achava que não dava pra chocar mais, eu via que estava enganada.

Enfim, só gostaria de compartilhar esse momento da criação do capitulo com vocês. Obrigada pela atenção e vamos ao que interessa, vou deixar para vocês tirem suas próprias conclusões sobre o que acontecera.

Boa Leitura!


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah, Eurin e Aimê são criações únicas e exclusivas minhas para essa fic.


Capitulo 6: Último Ato.

I – As Rosas de Aaliah.

Sentou-se na primeira carteira como era de costume, a professora logo chegaria a sala para mais um dia de aula. Respirou fundo, sentindo uma mecha de seu cabelo que caia nas costas ser puxada.

-O que quer Melissa? –Aaliah perguntou num tom frio de voz.

-Então, já perguntou para a mamãe aonde esta seu pai? –a garota falou em tom debochado.

-Creio que isso não é da sua conta; a jovem que contava já com seus catorze anos respondeu, já acostumada com essas provocações, depois de um tempo resolvera que a melhor maneira de deixar a outra irritada era ignora-la. Então, nada a impedida de se divertir com isso.

-Oras sua; Melissa vociferou, pronta pra se levantar da cadeira, porém nesse exato momento a professora entrou na sala.

-Bom dia classe; Cristina, a professora da turma, falou com um largo sorriso.

-Bom dia; todos responderam em uníssono.

Concentrando-se no que Cristina falava, Aaliah ignorou as provocações de Melissa, a aula transcorreu com calma, porém uma hora a paciência se esgotaria.

Suspirou aliviada quando o sinal para o final da aula tocou. Aimê iria lhe buscar e juntas iriam almoçar. Sorriu internamente com isso, todos os dias a mãe ia lhe buscar na escola quando não era Eurin, mas depois, saiam juntas para almoçar e dar uma volta.

Guardou as coisas dentro da mochila e saiu em disparada da sala, porém mal chegou ao portão da escola, sentiu uma mão fechar-se em seu ombro.

-Aonde pensa que vai? –a voz irritada de Melissa soou em seu ouvido.

-Me deixa em paz; Aaliah rebateu, esquivando-se do toque dela.

-Sabe, minha mãe disse pra mim não me meter com você, mas estou pouco me lixando para o que ela fala; Melissa falou, estalando os dedos. Um grupo de seis garotas surgiu atrás de si.

-Quando eu penso que as pessoas já desceram o mais baixo que podem, elas me provam que ainda conseguem chegar ao Tártaro; Aaliah provocou, irritando-se com a garota.

-Oras, pequem ela; Melissa mandou, atiçando as demais.

Sentiu seu sangue ferver e as pupilas dilatarem-se. Os orbes amendoados aos poucos foram tornando-se castanhos e uma aura azulada começou a envolver-lhe. Antes que alguma daquelas garotas pudesse se aproximar, galhos de roseiras brotaram da terra, agarrando-se a elas.

-O QUE É ISSO? –uma gritou assustada, enquanto os galhos apertavam-se ainda mais em volta de si.

-Droga; Melissa resmungou, tentando se livrar das que lhe agarravam.

Sentiu o coração disparar e estranhamente intensificou o cosmo, fazendo os galhos estreitarem-se ainda mais. Já ficara muito tempo aturando aquelas provocações, agora iria colocar um basta naquilo de uma vez.

-Muito bem, mocinha. Agora se acalme; a voz estranhamente bem humorada de Eurin soou atrás de si.

Respirou fundo e no minuto seguinte todas as garotas caiam no chão, com vários hematomas pelo corpo, devido à falta de circulação do sangue, proveniente da pressão dos galhos. Ainda bem que ainda não a ensinara colocar espinhos nos galhos, se não, teria muito que explicar; Eurin pensou.

Sentiu a mão da tia pousar sobre seu ombro e ergueu a cabeça, Eurin fitou-a com ar calmo, enquanto acenava para ela afastar-se consigo.

-Tia;

-Não se preocupe criança, isso fica só entre a gente; Eurin falou, já imaginando o que Aimê faria consigo se soubesse que andava ensinando a sobrinha.

Não que a irmã não quisesse que a filha aprendesse a se defender sozinha, apenas queria evitar que o fato de sair elevando o cosmo por ai, a tornasse dependente disso. Entendia o ponto de vista de Aimê, mas também confiava no julgamento que Aaliah fazia sobre as coisas, sabia que a sobrinha não iria se exceder a tanto.

Abriu a porta do carro para que Aaliah entrasse primeiro, fechou-a em seguida dando a volta. Viu-a com a cabeça baixa e a franja encobrindo-lhe a testa. Sabia o que isso significava; ela pensou suspirando, ao entrar no carro.

-Já disse pra não se preocupar;

-Mas...; Aaliah falou, erguendo a cabeça.

-Aaliah, é normal que seu cosmo se manifeste assim quando você chega num estado de irritação tão grande que desista de se controlar; Eurin explicou, nesse ponto ela e Aimê eram extremamente parecidas, a irmã também se segurava um bom tempo para não expandir seu cosmo em meio aos treinamentos, mas quando o fazia, sai de baixo.

-Eu sei, só que; ela falou, hesitante.

Colocou a mão sobre as da sobrinha, fitando-a com um sorriso orgulhoso.

-Você foi ótima, acredite; Eurin completou.

-Sério? –Aaliah perguntou, mais animada, esquecendo-se completamente do que iria falar.

-Claro que sim, agora vamos buscar sua mãe e almoçarmos; Eurin falou, ligando o carro e saindo em seguida.

-...; Aaliah assentiu.

II – A Dura Verdade.

Dois anos depois...

Deixou as chaves em cima do aparador ao lado da porta e subiu para o quarto. Saíra mais cedo do trabalho e ligara para Eurin passar na escola buscar Aaliah. Sua cabeça estava latejando e sua garganta ardendo; Aimê pensou, subindo rapidamente as escadas.

-Aimê; Emilia chamou, vendo-a subir as escadas.

Franziu o cenho, a jovem não andava muito bem, assim que a temperatura começara a mudar com a chegada do inverno, ela se resfriara e parecia que mesmo com remédios e chás que tomava, ainda não estava completamente recuperada.

-o-o-o-o-

Entrou no quarto, fechando rapidamente a porta atrás de si. Respirou fundo, tentando conter a tosse, levou as mãos aos lábios, assustando-se ao ver uma mancha vermelha na palma.

Sentiu as lágrimas correrem pela face, sentando-se na beira da cama. Não importava o quanto usasse seu cosmo, ou quantos milagres desejasse cometer, contra o destino não havia como bater de frente e havia coisas que não poderia mudar.

Respirou fundo, tentando parar de chorar, logo Eurin chegaria e não queria que Aaliah lhe visse assim, embora impedir isso estivesse se tornando cada vez mais difícil.

Como queria poder ver a filha crescer, tornar-se uma linda mulher, dona de si, lutando para atingir seus objetivos. Vê-la em seu primeiro dia de faculdade, a formatura, quem sabe um dia vê-la finalmente junto com Filipe, os três... Quem sabe até com uma netinha a caminho, mas talvez não dispusesse de muito mais tempo.

Passou a mão freneticamente pelos olhos, tentando conter as lágrimas. Fora aos melhores médicos de Visby, conversara com Ricardo, marido de Lisa que também era medico e a resposta fora à mesma, não havia mais como retardar o enfraquecimento do corpo e a falência que já estava ocorrendo em alguns órgãos.

O pior de tudo não fora ouvir de todos a mesma coisa e sim não ter coragem suficiente para contar a filha o que estava acontecendo, ou melhor, não contar a ninguém que estava morrendo.

Um alto soluço saiu de seus lábios, talvez não contasse com mais de dois meses, no máximo três. Levantou-se da cama, caminhando até o banheiro, abriu a torneira da pia, começando a lavar a mão, vendo a mancha vermelha aos poucos sumir de sua mão, escorrendo pelo ralo, como queria que fosse assim tão fácil, usar a água para se livrar de metade dos problemas.

Há dois dias atrás já passara no banco e resolvera algumas coisas referentes à conta que abrira no nome de Aaliah. Com os fundos necessários para a faculdade e demais necessidades, que ela só teria acesso após completar dezoito anos.

Eurin poderia lhe dar qualquer suporte que fosse necessário antes disso. Henry e Emilia sempre administraram Vale das Flores e as contas de Filipe, isso não mudaria depois q-... Enfim, já estavam resolvido.

Olhou-se no espelho, estava com olheiras, os orbes amendoados estavam tornando-se opacos e sem brilho. Abaixou-se lavando o resto, precisava apagar aquelas marcas de choro antes que Aaliah chegasse.

III – As Rosas Eternas.

Estava sozinha em casa, Aaliah estava na escola, Eurin fora busca-la na escola novamente, Emilia fora à feira e Henry estava resolvendo algumas coisas no banco. Então, poderia fazer aquilo sozinha.

Caminhou até o Vale das Flores, com uma ânfora de porcelana nas mãos. Os pés descalços tocavam a grama fofa e levemente umedecida pelo orvalho, mas não se deteria por isso.

Sentiu os cabelos moverem-se com suavidade com o vento da manhã, aos poucos atravessava os arbustos, arvores e roseiras com calma para não escorregar e correr o risco de quebrar a ânfora.

Suspirou pesadamente, dando graças aos deuses pelas tosses não terem voltado ainda. Não poderia perder a concentração agora.

Desde que encerrara os treinamentos vinha pensando numa forma de fazer aquilo, mas na época Aaliah mal havia nascido, então preferira não arriscar. Agora como não poderia mais mudar as coisas, iria seguir até o fim.

Fora tudo por acaso, entrara na biblioteca para procurar um livro de histórias infantis na coleção de Filipe, para contá-la a Aaliah, quando um livro se deslocou da prateleira caindo no chão em seguida.

Assim descobriu sobre a lenda da Rosa Eterna e o mito dos Lancaster. Não sabia que Filipe alguma vez buscara por entender a fundo a história de sua família, provavelmente não. Se não, ele entenderia o porque de seus pais terem como ultimo desejo, vê-lo cavaleiro.

A Rosa Eterna, durante muitos dias ficou na biblioteca procurando por livros de histórias e biologia que pudessem lhe dar as respostas que precisava. Sabia que não dispunha de muito mais tempo, algo dentro de si, dizia que havia alguma coisa errada.

Um pressentimento ruim, poderia se dizer assim. A mais de seis meses Filipe não ligava para falar com Emilia. A madrinha de Aaliah apenas lhe contou que ele parecia diferente, mais distante e frio. Pedindo apenas que continuasse a enviar uma copia da chave de Vale das Flores para o santuário como era de costume, perguntara brevemente como estavam as coisas e se ainda recebia noticias dela.

Ele não a esquecera; ela pensou, com certo alivio. Ele não a esquecera, da mesma forma que jamais o esqueceria, embora não pudesse mais cumprir a promessa que lhe fizera.

Infelizmente aquele pressentimento ruim tinha algo a ver com ele. Durante os últimos anos sentira um cosmo estranho vindo do santuário, era muito poderoso, porém envolto por uma aura negra, que por vezes tentava sobrepujar o brilho dourado emanado pelos cavaleiros de ouro.

Quem era? Talvez nunca viesse, a saber... Mas por hora, tinha outras coisas para se concentrar.

Mais alguns passos e viu-se na beira do lago, as águas ainda eram cristalinas, mesmo que lá fora o tempo estivesse nublado, indicando uma possível garoa ate o final da tarde. Não importava, Vale das Flores sempre continuaria imaculado como no dia em que estivera ali pela ultima vez com Filipe.

Uma lágrima solitária pendeu de seus olhos, com passos incertos, tomando o cuidado para não escorregar nas pedras n fundo do lago, sentiu o vestido colar-se ao corpo, mas não se deteve. Precisava de mais alguns passos.

Abaixou a ânfora até que a boca ficasse coberta de água, aos poucos a enchendo, até metade. Ergueu a novamente, agora era só começar.

Respirou fundo... O Segredo de Lancaster... A Rosa Vermelha... O segredo da criação da Rosa Eterna que Margarida Anjou levou para o tumulo e jamais alguém conseguiu seguir em frente com isso.

O segredo sempre esteve de baixo do nariz de todos que tentaram. Margarida Anjou não criou as rosas apenas como um reflexo de seu ultimo ato. Havia um propósito.

A Rosa Eterna necessitava de vida, como todas as outras rosas que já existiam no mundo todo, mas a diferença estava no fato dela precisar da entrega absoluta de seu criador, o completo desprendimento da matéria.

Sem preocupações... Sem nada a perder... Sem arrependimentos.

Ela só seria criada no fim da vida de uma pessoa, quando ela estivesse se desprendendo completamente da vida material, aos poucos atravessando as barreiras entre os mundos.

Quando tocasse o ultimo fio de esperança e surgisse a vontade de retroceder, aquele desejo por vezes desesperador de voltar, o cosmo se inflama até um sentido jamais alcançado por mortais, assim, das ultimas lagrimas que caem, surgem as rosas que jamais vão ser imaculadas.

As rosas eternas... Que marcam o fim da vida de alguém.

Abraçou a ânfora, segurando-a junto ao corpo com um braço. Enquanto a outra mão, passou levemente pelos cabelos, tentando retira-los da testa.

Um vento gelado passou por seu corpo, fazendo com que sentisse um leve arranhado em sua garganta, precisava ser rápida, se começasse com as crises de tosse novamente, não conseguiria continuar.

Fechou os olhos se concentrando, uma aura esverdeada aos poucos começou a lhe envolver, a intensidade de seu cosmo aumentava a cada segundo, fazendo a aura mudar, tornando-se dourada.

De fora do Vale das Flores pode ser visto, uma forte explosão de cosmo irromper os céus, pássaros alçaram vôo assustados com o fenômeno, o vento que tocava as arvores simplesmente parou, o tempo parecia congelado.

Caminhou para fora do Vale com a ânfora nas mãos e dentro dela, varias rosas vermelhas, com uma cor intensa, como se houvessem sido pintadas de sangue.

Sentiu seu coração falhar uma batida, fazendo com que caísse de joelhos no chão, apoiando-se na ânfora para não desfalecer. Mais e mais lagrimas caiam impiedosas, era como se uma rosa houvesse lhe perfurado o coração e aos poucos perdesse a vida.

-Aimê;

Uma voz ecoou em sua mente e coração...

-Filipe; ela sussurrou, tentando conter um soluço ao sentir o cosmo do cavaleiro se extinguir, mesmo aquela distancia conseguia senti-lo, mas agora.

O céu se fechou sobre o Vale das Flores, uma tempestade se iniciava. Varias pétalas desprenderam-se das flores cobrindo o lago, tornando-o completamente vermelho, tão vermelho quanto sangue.

Tentou se levantar, mas sentiu as pernas tremulas, uma onda de vertigem pareceu lhe abraçar, no momento seguinte sentia o corpo cair sobre a grama ao lado da ânfora.

IV – A Dor da Verdade.

Acelerou o máximo que podia, tinha alguma coisa errada, conseguia sentir isso. Ouviu um baixo soluço vindo do seu lado, olhou de soslaio para a garotinha de melenas azuis que tentava conter as lagrimas que começaram de repente.

-Aaliah; Eurin falou, quase num sussurro.

-Tia; a garota falou, voltando-se para ela com os orbes vermelhos. –A mamãe, aconteceu alguma coisa, vai mais rápido, tia; ela pediu, aflita.

-Já vamos chegar criança, não se preocupe; a amazona falou, tentando correr, sem fazer com que sofressem algum acidente na estrada.

Mal chegaram em Vale das Flores, desceram do carro correndo. Retirou as chaves do bolso, subindo as escadas abriu a porta, Aaliah passou correndo por si.

-MÃE; ela gritou, procurando por Aimê. Subindo correndo para o segundo andar.

Ouviu-a abrir e fechar as portas com brusquidão. Correu pelos corredores da casa, entrando nas salas do andar de baixo, não encontrando a irmã, quando um pensamento pareceu lhe iluminar a mente.

-AALIAH, VALE DAS FLORES; gritou para a garotinha, enquanto saia correndo pela porta em direção ao caminho de seixos.

Estancou em meio à corrida ao deparar-se com a ânfora cheia de rosas vermelhas. Não eram rosas normais; ela pensou, mas sentiu o coração falhar uma batida ao ver a irmã caída e desacordada ao lado da ânfora.

-Tia; Aaliah falou ofegando atrás de si, mas parou. –Mãe; ela falou, correndo até Aimê.

-Calma; Eurin pediu, ajoelhando-se ao lado dela.

-Acorda, mãe; Aaliah pediu, com mais e mais lágrimas caindo sobre sua face, ao vê-la tão pálida.

Levou dois dedos ao pulso da irmã, sentindo uma fraca pulsão, provavelmente deveria ser pressão baixa, embora há algum tempo estivesse desconfiando de algo mais sério.

-Vou leva-la pra dentro, agüenta pegar essa ânfora? –Eurin perguntou, indicando as rosas.

-...; Aaliah assentiu, pegando a ânfora, enquanto a tia, suspendia a mãe do chão, levando-a para dentro.

V – A Despedida.

Alguns dias depois...

Abriu os olhos lentamente, estava cansada de mais para qualquer esforço. Ouviu a campainha tocar e Aaliah avisar que já estava indo atender. Emilia e Henry haviam ido ao centro, comprar alguns remédios que o medico receitara para impedir a queda da pressão, mas sabia que ela caindo ou não, não iria adiantar mais retardar isso.

Sentiu uma lagrima correr de seus olhos, sabia que Eurin também sentira o cosmo dele se apagar, mas doía de mais falar sobre isso, preferiu não comentar nada com a irmã e correr o risco de Aaliah ouvir a conversa.

Sabia que a garotinha ainda se apegava a esperança de que um dia poderia conhece-lo e de como seria, mas agora...; Um baixo soluço saiu de seus lábios, tentou virar-se de lado na cama, mas sentia as costas doerem a qualquer mínimo movimento.

-Mãe, chegou uma carta da Grécia; Aaliah falou, entrando no quarto.

Estava feliz por a mãe ter acordado, fora terrível o dia que a encontraram desmaiada em Vale das Flores, haviam chamado o medico e ele lhe aplicara alguns medicamentos estabilizando sua pressão e ela acordara, mas algo dentro de si dizia que nem tudo estava bem.

-Deixe-me vez; Aimê pediu, emitindo um baixo gemido de dor, ao sentar-se na cama. Respirou fundo, recostando-se melhor nos travesseiros, vendo Aaliah lhe estender o envelope.

Abriu-o com as mãos tremulas, já sabia o que estava escrito ali, mas ainda sim a idéia de ter aquilo confirmado era aterrorizante.

Deixou os olhos correrem pelo papel, pulando as saudações iniciais e buscando pelo verdadeiro motivo da carta.

Meus mais sinceros pêsames pela morte de Filipe Lancaster, atualmente conhecido como cavaleiro de ouro, Afrodite de Peixes.

A pouco mais de duas semanas, uma guerra interna iniciou-se no santuário. Uma batalha entre cavaleiros de Bronze, liderados pela verdadeira reencarnação de Athena e cavaleiros de Ouro, a mando de Ares, atual mestre do santuário, que na realidade revelou-se como sendo, Saga de Gêmeos, que lastimavelmente sofria de dupla personalidade.

Devido a grande ambição de Ares, muitos cavaleiros acabaram por perecer. É uma perda irreparável...

Não precisava mais ler sobre 'sinto muito', ou 'prometemos ajudar no que possível'. Isso não lhe importava, nada o traria de volta; ela pensou, amassando o papel em mãos.

-Mãe; Aaliah falou, preocupada.

-Esta tudo bem querida; Aimê respondeu, tentando sorrir. –Vem aqui; ela chamou, batendo de leve no colchão da cama.

Aaliah assentiu, levantando-se da cadeira que estava e sentando-se ao lado da mãe, sentiu-a envolver-lhe em seu abraço quente e reconfortante, deixando-a consigo na cama.

-Quero lhe pedir uma coisa; Aimê sussurrou, afagando-lhe os cabelos.

-O que? –Aaliah perguntou, sentindo algo diferente no ar, era como se aquilo fosse uma despedida.

-Quero que jamais desista daquilo que desejar, atinja seus objetivos e lute por seus sonhos, não importando a quantidade de barreiras que colocarem em seu caminho; a mãe falou, estreitando os braços em volta dela.

-Mãe, porque ta me dizendo isso? –Aaliah perguntou, preocupada.

-E também, seja uma boa menina. Cuide da vovó, do vovô e de Eurin. Eles te amam muito e jamais vão permitir que alguém lhe machuque; ela continuou, respirando fundo, sentindo os orbes marejarem.

-Mãe; a garotinha sussurrou, sentindo as lágrimas correrem por sua face.

-Mamãe te ama muito, você é meu maior orgulho e de seu pai também, jamais acredite nas besteiras que os outros falarem;

-Também te amo; ela sussurrou, assentindo ao que a mãe falara.

Abaixou-se lentamente, depositando um beijo no alto da testa da filha, abraçando-a fortemente.

Um minuto de silencio caiu sobre elas, o abraço aos poucos foi suavizando, ergueu a cabeça deparando-se com uma expressão serena na face da mãe, os olhos jaziam fechados e seu cosmo apagava-se completamente.

-Aimê; Eurin chamou, entrando num rompante no quarto, mas já era tarde.

-Mãe, acorda; Aaliah falou desesperada, chacoalhando-a pelos ombros, mas não ouve resposta. –Tia, acorda ela; ela pediu.

-Vem aqui criança; Eurin falou, abrindo os braços.

Aaliah levantou-se correndo até ela, chorando desesperada. Abraçou a sobrinha fortemente, sentindo as lágrimas correrem por sua face. Chegara tarde de mais.

-Tia, acorda ela, por favor; Aaliah pediu, agarrando-se em suas roupas, chorando.

-Sinto muito, criança; ela sussurrou, tentando conter um soluço. Fechou os olhos momentaneamente, pedindo aos deuses que ela descansasse em paz em meio aos Elíseos e que um dia, viesse a reencontrar Filipe, mesmo que não fosse nesse mundo.

Continua...