De volta ao Vale das Flores

By: Dama 9


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Rebeca são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 7: Primeiro Dia.

I – A Volta de Narciso.

Um meio sorriso formou-se em seus lábios ao ver por uma fresta na cortina o sol nascer, um leve ressonar chegou a seus ouvidos, sentindo um par de braços fortes estreitarem-se em sua cintura.

Haviam passado a noite toda conversando, não foi difícil arrastar o cavaleiro para isso. Era só começarem a falar sobre 'Verdades da Vida' e 'Origem do Universo' que e a conversa fora longe. Um golpe baixo, sabia disso, mas não se importava nem um pouco.

Mas houve uma hora que o cavaleiro não agüentou mais, fora apenas um minuto de silencio que fizera uma pausa e ele simplesmente apagara, mas isso já era por volta de seis e meia da manhã.

Virou-se de lado, vendo os cabelos dourados espalhados pelo travesseiro e uma expressão serena em sua face.

Afastou-se cautelosa tentando não acorda-lo, era melhor deixa-lo dormir um pouco mais, realmente não queria confirmar se aquele lance de seis horas de sono era realmente valido; ela pensou, engolindo em seco.

Levantou da cama, vendo-o resmungar, tateando o local que estava, apoiando um dos braços sobre o travesseiro e suspirando.

Balançou levemente a cabeça para os lados, enquanto entrava no banheiro arrumar-se. Teriam um dia cheio, iria leva-lo a vários lugares. Queria que ele conhecesse alguns amigos que tiveram uma participação importante em sua vida; Aaliah pensou, sorrindo.

Vestiu uma saia jeans que caia até a altura dos joelhos e uma blusinha de alças finas, branca. Penteou os longos cabelos azuis, prendendo-os numa trança baixa, antes de colocar uma sandália de salto baixo e deixar o banheiro.

Ele ainda dormia; ela constatou, Shaka deveria estar realmente cansado. Sabia que o cavaleiro não tivera tempo de descasar no dia anterior quando chegaram a Vale das Flores.

Ainda conseguira dormir um pouco, antes dos pesadelos começarem, mas sentia-se segura com ele ali. Não haviam fantasmas maldosos do passado para lhe atormentar.

Não entendia o porque da sugestão repentina de Shaka em mudarem seu destino para Visby em vez da Índia, não que isso fosse ruim, embora houvesse hesitado lembrando-se do pai. Os últimos momentos que estiveram juntos em Visby não foram nada fáceis, mas não pensaria nisso agora. Não agora...

Abriu a porta do quarto tentando não fazer barulho, desceu as escadas em direção à cozinha, iria fazer o café até dar um certo tempo para chamá-lo.

-o-o-o-o-

Abriu os olhos lentamente, sentia como se um titã houvesse lhe atropelado. Porque será que o tempo todo sabia que Aaliah daria um jeito de mantê-lo acordado a noite toda? –ele se perguntou, dando um baixo suspiro, enquanto levantava-se da cama, fazendo um esforço sobre-humano para isso.

Olhou o relógio sobre o criado mudo. Sete horas, não era de dormir até as sete, isso quando dormia pelo menos outras seis horas inteiras, o que não era o caso agora; Shaka pensou, indo até o banheiro, era melhor tomar um banho antes de descer, se não ficaria insuportável o resto do dia.

Entrou no cômodo, mal se lembrando de que aquele não era seu quarto, jogou as roupas em um lugar qualquer, abrindo o box e ligando a ducha.

Um baixo suspiro saiu de seus lábios, enquanto encostava as costas nuas no azulejo gelado. Conversar a noite toda não fora de todo o perdido. Descobrira algumas coisas interessantes sobre o passado da jovem, que lhe fez pensar bastante no assunto.

Aaliah lhe contara sobre o período da faculdade de Botânica, falava animada sobre as aulas que havia tido, mas sempre ficava amuada quando mencionava as tentativas frustradas de criar alguma rosa diferente das que aprendera com Eurin ou vira a mãe fazer.

Tinha algumas conclusões sobre isso, mas era melhor não deixar transparecer nada por enquanto. Entrou embaixo da água, sentindo o corpo estremecer e a pele se arrepiar com o choque térmico. Aos poucos a sonolência foi sumindo, deixando-o mais desperto.

-o-o-o-o-

Respirou fundo, sentindo o cheiro de café invadir suas narinas. Não fazia um café maravilhoso como a avó, mas pelo menos não matara ninguém tentando; ela pensou, dando um sorriso maroto, enquanto enchia uma xícara de café, com uma dose reforçada de açúcar para acordar até defunto.

Pelo menos isso poderia exorcizar o mau humor do cavaleiro, se houvesse algum; ela pensou, pedindo aos deuses para que a ultima opção não existisse realmente.

Subiu a escada calmamente, vendo a porta de seu quarto se abrir, provavelmente ele já estava acordado; ela pensou, apoiando-se no corrimão da escada ao ver literalmente um deus grego sair de dentro de seu quarto.

-"Narciso não morreu"; ela pensou, instintivamente levando a xícara de café aos lábios, tomando o liquido em um gole só, sentindo a face incendiar-se.

-Aaliah; Shaka falou surpreso ao vê-la ali.

Maldita hora que esquecera que o quarto não era o seu e enrolara aquela toalha quase microscópica na cintura para sair no corredor.

-Bom dia; ela falou, com um largo sorriso e a voz visivelmente animada.

-Bom dia... Ahn! Eu... Bem...; Ele balbuciou, sem saber o que fazia primeiro, saltava de Star Hill por não conseguir falar nada concreto, ou ia se trocar primeiro, depois saltava.

-Eu ai te chamar, mas...; Aaliah falou fazendo uma pausa, fitando-o com o olhar tipo 'raio-x', deixando-o ainda mais constrangido.

-Eu vou me trocar, já volto; Shaka falou rapidamente, entrando no quarto da frente, passando a mão nervosamente pelos cabelos.

-"Que saúde"; ela pensou, com um meio sorriso, enquanto descia as escadas de volta a cozinha, pelo menos ele já sabia aonde lhe encontrar.

-o-o-o-o-

Entrou rapidamente no quarto, praguejando mil maldições contra sua falta de atenção, era melhor nem comentar as possibilidades do que a jovem estava pensando ao vê-lo sair daquele jeito de seu quarto; ele pensou, resmungando enquanto encaminhava-se até sua mala, jogando-a sobre a cama.

Viu o celular em cima de uma cômoda, onde deixara para carregar assim que chegara. Havia se esquecido completamente dele, ligara para Afrodite avisando que chegaram assim que saíram do aeroporto, enquanto iam para Vale das Flores Aaliah foi quase o caminho todo conversando com o pai, ou melhor, o pai conversando com ela, perguntando como estava a Índia nessa época do ano, se o vôo fora calmo entre outras coisas, acabando por zerar a bateria do aparelho.

Suspirou suavemente, enquanto vestia-se, começou a colocar a camisa quando viu no visor de cristal liquido uma palavra piscar.

Uma ligação perdida

Será que alguém havia ligado enquanto estava na sala? –ele se perguntou, pegando o aparelho nas mãos e acessando seu banco de memórias.

-Isadora; ele murmurou, ao reconhecer o numero.

Provavelmente a garota queria saber da viagem, esquecera completamente que havia ficado de ligar para confirmar sobre o quadro e falar como estavam as coisas. Apertou um botão qualquer mandando o aparelho re-discar o numero perdido.

-Alô; ouviu a voz da jovem de melenas esverdeadas soar do outro lado.

-Oi Isadora; Shaka falou.

-O-oi; Isadora respondeu com a voz tremula.

-Algum problema? –o cavaleiro perguntou, notando um ar meio tenso na voz dela. Será que tinha alguém ali? –ele se perguntou.

-Não; Isadora respondeu, não podendo responder exatamente quem estava ali.

-Você não sabe mentir, mas se não quiser falar sobre isso tudo bem; Shaka respondeu, dando de ombros, não deveria ser ninguém importante. Provavelmente era Milo que estava ali. –Liguei para perguntar do quadro; ele continuou.

-Ah sim, mais algumas semanas e já estará pronto, não se preocupe; Isadora respondeu, tentando não demonstrar com quem estava falando.

-Está certo então, daqui um mês estaremos de volta, por isso eu queria saber quanto tempo você ainda precisa; Shaka completou, se concentrando para saber aonde Aaliah estava agora. Na cozinha, ele concluiu aliviado, não seria nada legal ela pegar aquela conversa; ele pensou.

-Não muito; Isadora respondeu.

-Isadora, tem alguém ai? –Shaka perguntou, não deveria ser o Milo, ela estava nervosa demais para ser o Escorpião.

-Ah sim, claro, mas não sei se vou ter tempo de aprontar aquele busto da Afrodite que você queria; ela desconversou.

-O Afrodite esta ai? –Shaka quase berrou -"Pelos deuses, o que o Afrodite esta fazendo lá?"; ele se perguntou desesperado.

-Cof! Cof! Cof! –Isadora fingiu uma tosse seca, para não chamar a atenção do cavaleiro. –Isso mesmo;

-Céus, ele viu?

-Exatamente; a jovem respondeu, veemente.

-E ele perguntou algo sobre o quadro?–Shaka perguntou desesperado.

-Certamente, mas não se preocupe quanto a isso, eu já dei um jeito; ela respondeu, tentando parecer convincente.

-O que você fez? –ele perguntou curioso, porém ainda mais intrigado com a presença do pisciano ali.

-Bem, depois a gente se fala, tenho que ir para a floricultura agora, mas assim que possível eu volto a falar com você de novo; Isadora falou, dando a conversa por encerrada antes que Afrodite desconfiasse de algo.

-Ta certo, mas se acontecer algo me liga; ele pediu.

-Pode deixar, fique tranqüilo; ela falou, pacientemente.

-Até mais;

-Até; ela respondeu, desligando.

-Droga, mais essa, o que ele foi fazer lá? –Shaka se perguntou, terminando de fechar os botões da camisa e colocando o celular dentro do bolso da calça antes de sair do quarto.

II – Velhos Amigos.

Abriu a loja cedo, já eram quase sete e meia e tinha muita coisa para fazer. Passou as mãos pelos cabelos alaranjados levando a franja para trás da orelha. Já fazia algum tempo que comprara aquela floricultura ali.

Precisamente quando terminara a faculdade de botânica, havia proposto a amiga que se tornasse sua sócia e tocassem o negocio entre elas. Já que Aimê trabalhara muito tempo ali e pensou que isso pudesse animar um pouco mais Aaliah.

Foi com grande surpresa que um dia a jovem chegou ali para se despedir dela e de sua mãe, dizendo que iria se mudar para a Grécia viver com o pai. Ouvira rumores, cidade pequena sempre tem um ou outro fofoqueiro que vive em função da vida alheia, mas não pensou que fossem mais do que rumores.

Àquele dia passaram a tarde toda conversando, a amiga lhe contara tudo sobre a família e o porque nunca contar a ninguém onde o pai estava. Poderia jurar que era uma história super fantástica. Deusas gregas, trocas equivalentes e cavaleiros com armaduras douradas que salvavam o mundo todos os dias, mas Aaliah nunca mentiria quanto a isso.

A despedida foi difícil, mas seria melhor para ela se desprender daquele lugar, desde que Aimê falecera a amiga não era mais a mesma, tornar-se uma pessoa muito reservada e fechada.

Justamente nesse dia, uma outra coisa lhe pegou de surpresa. A entrada de Alicia na floricultura. Lisa, sua mãe, quase a expulsou a vassouradas de lá, lembrando-se das infinitas vezes que Melissa provocara a amiga, dizendo coisas baixas que eram apenas para ferir e machucar. Aaliah sempre se mantinha indiferente, mas querendo ou não, doía.

Alicia se desculpara com a garota por todos os anos que simplesmente fechara os olhos para as maldades da filha. Mesmo que soubesse que isso não mudaria em nada tudo que acontecera e o fato da filha ainda ser um demônio encarnado, em todos os sentidos da palavra.

Suspirou, enquanto abria as cortinas das janelas. O dia anterior fora de chuva pela tarde, até chegou a pensar que amanheceria chovendo novamente, mas o sol já se erguia no céu, indicando que o dia seria quente.

Entrou em uma pequena sala aos fundos da modesta floricultura, pegando um regador e enchendo de água na pia. Logo teria de começar a arrumar os arranjos florais para as festas de primavera e os batizados.

Visby era uma cidade considerada pequena, porém nos últimos dois anos a população aumentara consideravelmente e a catedral da cidade iria sediar um batizado coletivo no final de semana, então, o padre Luiz já viera encomendar algumas coisas.

Ouviu um sininho na porta tocar anunciando a chegada de alguém. Virou-se para ver quem era, quase derrubando o regador das mãos.

-Aa-li-ah; ela balbuciou, vendo a amiga entrar calmamente acompanhada de um homem loiro a seu lado.

-Oi; a jovem falou sorrindo, puxando Shaka consigo.

-Oi; Rebeca respondeu, vendo que a jovem parecia diferente da que partira há alguns meses atrás. Não sabia o que era, mas ela estava diferente.

-Rebeca deixa eu te apresentar. Esse é o Shaka; Aaliah falou animada por encontra-la ali de primeira. –Shaka essa é a Rebeca, minha grande amiga, filha da Lisa, aquela minha professora, que te contei; ela completou.

-É um prazer conhece-la senhorita; o cavaleiro falou, estendendo-lhe a mão cordialmente.

-Igualmente; ela respondeu, piscando um pouco confusa ao ver que o deus grego (ou melhor, indiano) era de verdade. –Porque não avisou que vinha Aaliah, teríamos ido busca-los no aeroporto; Rebeca falou, abraçando a jovem.

-Digamos que foi algo meio de ultima hora; a jovem respondeu, com um sorriso enigmático.

-Imagino; Rebeca respondeu, já imaginando o que ela estava aprontando, se bem a conhecia para retornar a Visby sem avisar ninguém, havia algo mais por trás disso. –Mas me diz, quanto tempo vão ficar aqui?

-Por volta de um mês; ela respondeu, vendo o olhar nada decente da amiga. –De férias; a jovem completou.

-Então vão poder participar do festival de primavera no final de semana; Rebeca falou animada.

-Festival? –Shaka perguntou, voltando-se para Aaliah.

-Uma vez por ano, quando começa a primavera, o padre da catedral faz um batizado coletivo, junto com os festejos de aniversario da cidade e coisas assim; Aaliah respondeu, gesticulando displicente.

-...; Assentiu, silenciosamente. Ouviu o celular tocar, pegou o aparelho reconhecendo rapidamente de quem era o numero. –Com licença; ele falou, voltando-se para as duas, antes de sair.

-Pelos deuses; Rebeca falou, voltando-se para a amiga. –De onde desenterrou o deus grego?

Balançou levemente a cabeça para os lados. Tava demorando pra ela perguntar.

-A história é longa; Aaliah respondeu, sentando-se em um banco em frente ao balcão que Rebeca usava para arrumar os arranjos.

-Não tenho pressa; Rebeca respondeu, sentando-se no banco do outro lado. –Mas me diz, é Gêmeo?

-Não, é de Virgem; Aaliah respondeu, distraidamente, olhando pelos vidros da janela, o cavaleiro falando com alguém do outro lado.

-Como? –a jovem perguntou, com um olhar confuso.

-Shaka de Virgem; ela respondeu.

-Então ele também é um cavaleiro de ouro? –Rebeca perguntou animada.

-...; Aaliah assentiu.

-Será que ele me da um autografo? –a amiga perguntou animada.

-Você não muda; a jovem falou rindo da empolgação da garota, lembrando-se bem de como ela reagira quando contara sobre o santuário, os cavaleiros e tudo o mais antes de ir.

-Mas me diz, quando começaram? –Rebeca perguntou, num sussurro para só ela ouvir.

-Começamos o que? –Aaliah perguntou, voltando-se para ela.

-Oras, a namorar; ela respondeu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

-Eu e o Shaka? –a jovem perguntou, apontando para a porta, tentando entender se era realmente isso que ela estava se referindo.

-Não to vendo outro deus grego aqui, ou você trouxe mais algum dentro da mala? –Rebeca perguntou, com um sorriso sugestivo.

-Não, nós somos só amigos; Aaliah respondeu, sentindo-se um tanto quanto estranha ao defini-los dessa forma.

-Amigos? Ta, acredito; a amiga falou descrente.

-Rebeca; Aaliah falou em tom de aviso.

-Tudo bem, não quer falar sobre isso não vou insistir, mas não me peça pra acreditar que vocês são amigos; ela completou, frisando o 'só'.

-É isso mesmo, mas não vou insistir se você não quer acreditar; a jovem completou, outra hora falaria com ela melhor.

-Mas me conta tudo, como foi os últimos meses? O que andou fazendo e-...;

-Calma, vamos por partes; Aaliah completou, com um sorriso maroto, começando a contar como as coisas aconteceram desde a sua chegada à Grécia até o que andou acontecendo nos últimos meses.

-o-o-o-o-

-Alô; Shaka falou, atendendo ao telefone.

-Oi Shaka, é o Kanon; o geminiano respondeu, do outro lado da linha.

-Como vai? –o virginiano perguntou calmamente.

-Bem, mas liguei para lhe perguntar uma coisa; Kanon continuou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, do outro lado.

-Aconteceu alguma coisa? –Shaka perguntou, franzindo o cenho.

-É isso que eu gostaria de saber; o geminiano respondeu.

-Não estou entendendo, seja mais especifico, por favor; o cavaleiro pediu, achando estranho o tom de voz dele.

-Shaka, por favor, me fala o que Aldebaran e Shura andaram aprontando; Kanon pediu, lembrando-se da conversa que tivera com o irmão e Saga deixara escapar algo sobre uma aposta.

Intimamente sabia que tinha algo mais nisso que deixou o irmão tão nervoso que tentou desconversar.

-Aldebaran e Shura, não sei nada sobre isso, porque? –Shaka perguntou, estranhando a pergunta. Embora houvesse ouvido algo muito vago sobre uma aposta entre os dois cavaleiros no dia do casamento de Eurin e Alister, mas não procurou se informar sobre o assunto.

-Falei com Saga essa semana e ele esta me escondendo algo; Kanon falou, recostando-se melhor na poltrona. –Ele mencionou alguma coisa sobre aposta, mas ai desconversou, pensei que você talvez soubesse sobre algo; ele completou.

-Não, não sei de nada, mas porque não pergunta para o Milo, normalmente ele sempre sabe de todas as fofocas do santuário, vai saber te informar melhor sobre isso; Shaka sugeriu.

-Ta certo, obrigado mesmo assim; o cavaleiro agradeceu.

-Sem problemas, mas me diz, como estão as coisas por ai? –Shaka perguntou, curioso.

-Na correria, Alexia não da folga, nossa nem sei como o Io agüenta; ele falou, rindo, ao lembrar-se do marina correndo de um lado para outro checando documentos e outras coisas nos dias de reunião.

-Tem coisas que a gente não explica Kanon; o cavaleiro respondeu, de maneira enigmática.

-É, tem razão; o geminiano respondeu, dando um baixo suspiro. –Mas e ai, como esta o pessoal;

-Não sei; Shaka respondeu, displicente.

-Como assim? –Kanon perguntou confuso.

-Não estou no santuário; ele respondeu.

-Aonde você esta? –o geminiano perguntou curioso.

-Sue-... Índia; o virginiano corrigiu-se rapidamente.

-Índia? Foi fazer o que ai? –Kanon perguntou surpreso.

-Estou com Aaliah, a trouxe para conhecer alguns lugares e-...;

-Ahnnnnnnnnnn! Agora entendi; ele o cortou, com um sorriso maroto.

-Não é o que esta pensando; Shaka falou, serrando os orbes de maneira perigosa.

-Não estou pensando nada, alias, não é nada pra pensar, já esta na cara; Kanon completou.

-Do que esta falando? –o virginiano perguntou, com uma expressão confusa.

-Nada não, mas agora preciso ir, tenho que ir pra uma reunião; Kanon desconversou. Se o cavaleiro ainda não havia percebido, não seria ele a estragar a graça da surpresa; ele pensou, balançando a cabeça levemente para os lados. –Obrigado Shaka;

-Disponha; o cavaleiro respondeu, contrariado por não saber o que ele estava querendo dizer.

-Até mais, manda um abraço pra Aaliah;

-Até, pode deixar, mando sim; Shaka respondeu, ouvindo o telefone ser desligado do outro lado. –Uhn! O que será que aqueles dois estão aprontando? –ele se perguntou, entrando novamente na floricultura.

-o-o-o-o-

-Quem será aquele homem? –uma garota de cabelos castanhos falou, vendo o cavaleiro desligar o celular entrando na floricultura.

-Não sei, nunca o vi por aqui; uma outra de melenas rosadas respondeu, tomando distraidamente um copo de milk shake na lanchonete do outro lado da rua. –Deve ser turista;

-Mas o que um turista iria querer naquela floricultura? –Melissa perguntou torcendo o nariz em desagrado.

-Deixe de ser intrometida e cuide de sua vida; uma voz grossa falou atrás dela, fazendo-a se assustar.

-Rafael; Melissa falou surpresa ao ver o noivo ali.

-Vamos embora, seus pais ligaram avisando que estão chegando de viagem e querem que nós os peguemos no aeroporto; o rapaz respondeu, parando ao lado dela.

-Mas...; Ela balbuciou, não querendo ir, enquanto não soubesse quem era o desconhecido, apenas para espalhar a novidade entre as fofoqueiras de plantão que não tinham nada mais importante para fazer.

-Vamos; Rafael completou, voltando-se para Carina, a amiga da noiva; -Até mais;

-Até; ela respondeu, continuando sentada em seu lugar, enquanto o rapaz quase arrastava a amiga.

Sempre fora assim, ainda se perguntava porque Melissa invocara tanto com Rafael, no começo pensou que fosse para provocar Aaliah, pois todos apostavam no romance entre os dois, mas muitos anos se passaram sem ao menos Rafael e Aaliah se falarem.

Ai, Rafael e Melissa começaram a namorar firme e Aaliah entrara na faculdade passando exatos três anos sem se comunicar com ninguém que não fosse Rebeca e os amigos mais chegados, alguns meses atrás mudara-se completamente para a Grécia, como alguns diziam.

Não fazia seis meses que Rafael pedira Melissa em casamento, era estranha a relação do casal, às vezes pareciam bem, mas quando Melissa desatava a falar mal da vida dos outros era como se o noivo se transformasse, tratando-a de maneira grosseira e por vezes com palavras ofensivas. Sem se importar onde estavam.

Simplesmente não havia como explicar essa relação dos dois, Melissa poderia ser sua amiga, mas sabia que quando ela queria, poderia ser a mais peçonhenta das víboras e ainda merecia a surra que a Alicia não fora capaz de dar nela quando criança.

Suspirou pesadamente, virando-se para o lado, qual não foi sua surpresa ao ver quem saia da floricultura acompanhando Lisa e o homem de cabelos dourados.

-o-o-o-o-

-Aconteceu alguma coisa? –Aaliah perguntou assim que ele entrou.

Quando Shaka começava a passar a mão pela franja de maneira insistente é porque havia algo de errado; ela concluiu, vendo-o tentar afastar a franja dos olhos insistentemente.

-Não diria bem, um problema; o cavaleiro respondeu, sentando-se no banco que ela indicara.

-O que foi?

-Você ouviu alguma coisa sobre uma aposta entre Shura e Aldebaran? –Shaka perguntou, observando-a atentamente.

-Não foi bem sobre isso que eu ouvi; Aaliah respondeu, pensativa. –Mas o papai estava falando que o Mú avisou os cavaleiros que o primeiro que saísse fazendo apostas e colocando a Celina no meio, ele iria mandar pro Tártaro; ela respondeu calmamente.

-Então é isso; ele respondeu, dando um baixo suspiro.

-Porque? –Rebeca perguntou curiosa.

-Kanon acabou de ligar da Irlanda perguntando se eu sabia algo sobre isso, porque ele falou com Saga no começo da semana e o idiota andou deixando algo escapar sobre uma aposta entre Aldebaran e Shura, acabando por mencionar depois o nome da Celina. Conclusão, ele esta com um pé atrás, doido pra mandar alguém pra outra dimensão a longa distancia; Shaka completou.

-Nossa; a jovem de melenas alaranjadas falou espantada, pensando nas possibilidades disso realmente acontecer.

-Não se preocupe, isso é a rotina de um dia normal; Aaliah respondeu, gesticulando displicente.

-Precisa ver o que Afrodite faz com alguém que pensa em assaltar o jardim dele; Shaka completou, com um sorriso maroto nos lábios, vendo Aaliah serrar os orbes.

-O que? -Rebeca perguntou curiosa, pelo visto passariam um mês falando sobre isso e ainda sobraria assunto.

-Bom Rebeca, a gente vai dar uma volta, depois do almoço a gente passa pra ver a tia; Aaliah avisou, vendo Shaka lhe estender a mão para levantar-se sem erguer a saia. –Obrigada; ela respondeu sorrindo.

-Pode deixar; Rebeca falou, fitando-os atentamente. –"Não são namorados, ta bom"; ela pensou, seguindo os dois até a porta.

-Foi um prazer conhece-la senhorita; o cavaleiro falou, com sua típica cordialidade.

-Igualmente, mas pode me chamar só de Rebeca;

-Como quiser; Shaka respondeu.

-Até mais; Rebeca falou, acenando.

-Até; os dois responderam.

Continua...


Domo pessoal

Mais um capitulo chega ao fim, vou ver se consigo adiantar mais algumas cenas e semana que vem já tem mais dois capítulos antes do ano novo. No mais, obrigada de coração a todos que estão acompanhando essa história e ainda perdem um pouco mais de tempo comentando, obrigada mesmo pessoal.

Em suma, Feliz Natal e tudo de bom a todos...

Até a próxima

Kisus

Já ne...