De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 9: Mistérios e Surpresas.
I – Irresistivelmente Tentador.
Remexeu-se um pouco inquieto na cadeira, respirando fundo antes de começar a contar a ela. Era como se todas as lembranças fluíssem perfeitamente por sua mente para que nenhum detalhe ficasse perdido.
-Antes de lhe explicar sobre isso; Shaka começou, apontando para as marquinhas no pescoço. –Preciso lhe contar que bem... Eu não era metade da pessoa que você conhece agora; ele falou, com o semblante carregado.
-Como assim? –Aaliah perguntou, confusa.
-Acredite, eu posso ser conhecido como 'Homem mais próximo de Deus', mas houve momentos que já fui pior do que um demônio; ele explicou, vendo o olhar surpreso dela. –Houve uma época que a única coisa que eu fazia era obedecer às ordens do Ares, mesmo que isso implicasse em ser cruel às vezes;
-Mas isso foi há muito tempo, não? –a jovem perguntou, hesitante, só agora dando-se conta do quanto aquele assunto o incomodava, mas intimamente desejava saber mais sobre o cavaleiro.
-Não tanto se formos ver; Shaka murmurou, fitando a janela a seu lado. –Mas foi nessa época que tudo aconteceu; ele continuou. -Estávamos no meio de uma guerra contra os titãs, Ares já havia se tornado mestre do santuário no lugar do Shion, Aioros ainda era considerado um traidor e Aiolia sofria com isso como todo irmão; fez uma pausa, antes de continuar. –Numa noite qualquer, Milo voltava de uma batalha travada contra um titã e encontrou Isadora no bosque do santuário, muito ferida, praticamente morta;
-Como? –ela perguntou surpresa.
-Naquela época, ninguém alem dos guardiões tinham permissão de transitar entre os doze templos, mesmo porque, sem autorização era risco de vida para qualquer um. Mas devido à urgência do momento, Milo a levou para Escorpião.
-Mas...;
-Eu sei, ele também sabia dos riscos que corria se alguém ficasse sabendo que ela estava lá, mas não se importou com isso. Isadora passou umas duas semanas em Escorpião se recuperando até ir embora para o Brasil; Shaka explicou, dando um baixo suspiro.
-Não entendo, aonde elas entram nisso; Aaliah comentou, apontando para o pescoço dele.
-Um desses dias fui ao templo de Escorpião, nós tivemos uma discussão. Eu mandei que ela fosse embora do santuário, porque algumas amazonas já estavam procurando por ela e se por acaso alguém estivesse na hora que o Milo a levou para Escorpião, certamente associariam algumas coisas que ocorreram na época com isso e ele teria sérios problemas com Ares;
-...; Fitou-o intrigada, sabia que ele estava falando a verdade, mas de alguma forma, sentia que ele também estava omitindo alguma coisa.
-Enfim, essa discussão acabou saindo um pouco do controle e digamos que foi assim que as unhas dela vieram parar aqui; Shaka comentou, tentando ser o mais casual possível ao puxar parcialmente a gola da camisa, onde poderia ver perfeitamente cinco marcas bem finas, mas visíveis no pescoço. –Mas ela teve toda razão do mundo para fazer o que fez, acredite, eu mereci; ele confessou.
-Agora entendo; ela balbuciou.
Mas o que mais lhe surpreendeu foi ter notado a falta de sentimentos em seu tom de voz ao referir-se ao 'sair do controle'.
-Enfim, eu preferi deixa-las curarem-se naturalmente, mesmo que ficasse marca; ele completou, fitando atentamente uma gota solitária no fundo da taça de vinho.
-Com licença, desejam fazer o pedido? –o garçom perguntou, aproximando-se da mesa novamente, ao vê-los tanto tempo conversando com o cardápio na mão, sem fazer o pedido.
-Ah sim; Aaliah murmurou, só agora dando-se conta de que haviam esquecido completamente do cardápio ali.
–Eu vou querer uma taça de creme de papaia com cássis. E você? –Shaka perguntou, voltando-se para ela.
-Sorvete de chocolate com morango; ela respondeu.
Shaka devolveu os cardápios que mal foram abertos e logo o garçom retirou-se, deixando-os a sós novamente.
Respirou fundo, tentando ignorar um olhar nada agradável sobre si, precisava ter calma, antes que transformasse aquele restaurante em um jardim de rosas sangrentas e piranhas.
-Quem é? –Shaka perguntou, chamando-lhe a atenção.
-Quem? –Aaliah perguntou, piscando confusa.
-Aquela garota com cara de fofoqueira, olhando para cá; ele explicou, indicando-a com o olhar.
-Melissa Carter; ela respondeu, sem esconder o desagrado no tom de voz.
-Uhn! Interessante; o cavaleiro murmurou de forma enigmática. –Quer que eu tire um ou dois sentidos dela? –ele propôs abrindo um sorriso mais do que charmoso, chamando-lhe a atenção.
-Como? –a jovem perguntou, surpresa.
-Ou prefere os cinco? –Shaka sugeriu, passando os dedos pela franja arrepiada de tal forma que facilmente prendeu o olhar da jovem sobre si, com esse movimento.
-Bastante tentador; Aaliah balbuciou, pensando nas possibilidades, para em seguida abrir um sorriso tão característico do pai antes de acertar alguém com uma rosa sangrenta. –Bastante tentador; ela repetiu, pausadamente.
-Então? –o cavaleiro perguntou, voltando-se para Aaliah, com um olhar intenso.
-O que? –ela perguntou, piscando confusa.
-Um, dois ou cinco? –ele perguntou, contando nos dedos.
-Ah sim; Aaliah murmurou, ao ver que ele não estava brincando. –Essa proposta é bastante tentadora; ela falou, engolindo em seco por um momento.
-Eu sei; Shaka respondeu, com um sorriso que estava longe de ser inocente, fazendo-a corar.
-Mas prefiro ignorar esses velhos desafetos; ela falou, tentando ser firme em sua decisão de não ceder aquela proposta.
-Vou mantê-la em pé, caso mude de idéia; ele falou, colocando a mão sobre a dela, com um olhar de cumplicidade.
-...; Aaliah assentiu, fitando-o intrigada.
Vivia reclamando que ele era sério demais, mas tinha de admitir que quando ele saia muito da rotina comum, sempre lhe surpreendia, mesmo em silencio, seus olhares eram misteriosos e cheios de significados, tal qual seus sorrisos enigmáticos e sedutores.
-Com licença; o garçom falou, chamando-lhe a atenção e tirando-lhe de seus devaneios.
Serviu-os rapidamente, afastando-se numa velocidade impressionante ao deparando-se com os orbes estreitos do virginiano sobre si, que não gostou nada-nada da forma que olhara para a jovem de melenas azuis. Não sabia o porque, mas aquilo foi de gelar a alma; o garçom pensou, indo rapidamente para a cozinha e certamente não sairia de lá por um bom tempo, pelo menos o tempo suficiente para sentir-se seguro novamente.
-Uhnnnnnn! –Aaliah murmurou, com um ar de pura apreciação.
-Agora entendo o que você quis dizer com 'dependente compulsiva'; ele comentou, com um meio sorriso.
-Detalhes; ela completou, com um largo sorriso.
Abaixou-se, fitando a taça com atenção, mas antes que pudesse toca-la ouviu o celular em cima da mesa, quase saltar com o barulho estridente.
-Desculpe; Shaka falou, pegando-o rapidamente, sabia que deveria tê-lo desligado, mas esqueceu-se completamente. –Alô;
-SHAKA, EU VOU MATAR O AFRODITE; a voz do Escorpião soou do outro lado.
-Milo? –ele perguntou, arqueando a sobrancelha, vendo Aaliah voltar-se curiosa para si.
-Eu mesmo; o cavaleiro respondeu, enfezado.
-Aconteceu alguma coisa? –Shaka perguntou, embora temesse uma resposta.
-É tudo culpa do Afrodite; ele respondeu veemente.
-Milo, acalme-se e me diga o que ele fez? –o virginiano insistiu.
-A ISA ACHA QUE ELE É GAY; Milo berrou, fazendo o cavaleiro afastar o telefone do ouvido.
-Milo pare de gritar, ou vou manda-lo para o inferno; Shaka exasperou, fazendo Aaliah arquear a sobrancelha.
-Desculpe; o Escorpião falou engolindo em seco.
-Mas porque ela acha isso? –ele perguntou, tentando não rir da situação.
-Porque ele surtou por ciúme; Milo explicou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Surtou? –Shaka perguntou, franzindo o cenho. –Exatamente como?
-Ele falou pra ela, que ela não passava de um troféu pra mim, para não usar outro termo pior; Milo falou um tanto quanto chateado, pelo fato do pisciano ser tão idiota que não via que eles eram apenas amigos.
-Cof! Cof! Cof! –Shaka engasgou.
-Ta tudo bem? –Aaliah perguntou, preocupada, vendo-o enrubescer. Shaka apenas assentiu, recuperando-se.
-E o que aconteceu depois?
-Ela bateu nele; Milo respondeu.
-Jura? Alguém filmou? –Shaka perguntou, interessado.
-É, mas porque quer saber? –o Escorpião perguntou desconfiado.
-Curiosidade, mesmo porque isso não acontece todo dia; ele desconversou.
-Verdade, mas o pior é que aquela anta foi se desculpar com ela e deixou a Isa entender que ele era gay e que estava com ciúmes de mim; ele explicou.
Franziu o cenho ao ouvir o barulho de algo do outro lado cainho. Estranho; Milo concluiu.
-Shaka; ele chamou, porém não ouve resposta.
-Shaka; Aaliah levantou-se correndo ao vê-lo empalidecer.
-Pelos deuses; Shaka balbuciou, ainda com o celular na mão, quase caindo da cadeira e levando a taça de creme junto.
-O que foi? –Aaliah perguntou preocupada, sentando-se ao lado dele. Antes que Shaka pudesse responder, ela tirou-lhe o celular da mão. –Alô, Milo?
-Aaliah? –Milo perguntou confuso, não conseguindo saber o que acontecia do outro lado.
-Eu mesma; ela responde seria, vendo o virginiano em estado de choque. –Milo, o que você falou para o Shaka?
-Bem... Aconteceu alguma coisa com ele?
-Ele esta em choque; Aaliah respondeu.
-Nossa; ele falou surpreso.
Piscou seguidas vezes, ainda processando o que ele falara. Não era possível que Isadora estivesse certa, mas só por um surto ela chagava a essa conclusão, deveria ter mais alguma coisa nessa historia; Shaka concluiu.
-Então? –Aaliah insistiu, impaciente.
-É sobre um problema da Isa; Milo tentou justificar.
-Entendo, espera que ele já esta melhor; ela falou, passando o telefone para Shaka, enquanto se perguntava o que havia acontecido com Isadora.
-Oi; ele falou, quase num sussurro.
-Você esta bem? –Milo perguntou, curioso.
-Depende do ponto de vista; Shaka respondeu, passando a mão nervosamente pelos cabelos. –Mas você estava falando?
-Então, a Isa acha que ele é gay por causa disso;
-Você tem certeza que é só por causa disso?
-CLARO; ele gritou.
-Milo; Shaka falou em tom de aviso.
-Desculpe, mas é claro que tenho certeza, o pior é que já estão comentando; o Escorpião falou, desesperado.
-Será que ela não se confundiu. Porque, veja bem, metrosexual é diferente de homo; o virginiano explicou. Lembrando-se que até a alguns anos atrás algumas pessoas desinformadas associavam os dois termos como um único, causando muita confusão entre aqueles tidos como 'vaidosos assumidos'.
-Shaka, quem você pensa que eu sou para não saber a diferença? –Milo perguntou, irritando-se.
-Bem...;
-Não se atreva a responder; ele exasperou.
-Oras! Já pensou em explicar isso para ela então?
-Shaka, a Isa também sabe a diferença; Milo falou, dando um suspiro cansado.
-E você quer que eu faça exatamente o que? Não pensa que vou sair daqui só para te ajudar numa crise de identidade, não é? –Shaka falou, extremamente sério.
-Hei! Não sou eu; o Escorpião se defendeu.
-Que seja; o cavaleiro falou, gesticulando displicente. –Mas em que pé está essa história?
-A Isa não acredita na possibilidade dele gostar dela; Milo explicou.
-Lógico, ele só falta andar com uma plaquinha pendurada no pescoço dizendo 'I Love Me', quer que ela pense o que? –o virginiano respondeu, como se fosse a cosia mais obvia do mundo.
-Até você? –o cavaleiro falou inconformado.
-Milo, entenda uma coisa, quando você conhece alguém há muito tempo, você se acostuma com todas as excentricidades, mas quando alguém de fora aparece, estranha mesmo; Shaka se justificou.
-Eu sei, mas...;
-Você tem que ver que essa é a imagem que ele passou há muito tempo atrás para os outros, para que ninguém se aproximasse. E ela não iria ter uma opinião diferente sendo que já conheceu esse lado; ele completou. –Mas me diga, o que ele achou sobre isso?
-Ele não quer admitir, mas esta em pânico. A Aishi já largou mão; Milo avisou.
-Então é mais sério do que pensei; Shaka balbuciou, dando um baixo suspiro.
-Você não faz idéia; o Escorpião falou, passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-Olha Milo, não faço a mínima idéia de como lhe ajudar com isso. Alias, uma flecha do Eros viria bem a calhar agora, mas você já sabe que isso não é seguro; ele falou, apressando-se em completar, antes que o Escorpião abraçasse a idéia.
-Eu sei, até pensei nisso, mas não quero correr nenhum risco. Decidi que vou deixar a natureza encaminhar esses dois, é mais seguro e meu seguro de vida, também não cobre atitude suicida; Milo completou, com um riso nervoso.
-É a melhor coisa que se pode fazer; Shaka falou.
-Ta certo;
-Bem, qualquer coisa ligue; o cavaleiro falou, dando por encerrada aquela conversa.
-Só mais uma coisa;
-O que? –Shaka perguntou, desconfiado.
-Juízo, Afrodite ainda não está preparado para ser avô; ele falou com um sorriso mais do que malicioso.
-Tchau Milo; Shaka falou, desligando o celular antes que o mandasse para o inferno, mesmo de longa distancia.
-Então? –Aaliah perguntou, fitando-o curiosa para saber o que havia acontecido.
-Posso te fazer uma pergunta? –ele começou, tentando ser o mais casual possível.
-...; A jovem assentiu, achando estranho o tom de seriedade na voz dele.
-O que você acharia se o Afrodite arrumasse uma namorada?
Deu um baixo suspiro, lembrando-se da conversa que tivera com o pai antes de viajarem.
-Seria o melhor para ele; ela respondeu, abaixando a cabeça.
-E para você? –Shaka perguntou, pousando a mão suavemente sobre a dela.
-Eu não sei; Aaliah confessou. –Passei tanto tempo querendo conhecê-lo, idealizando como seria quando nós três estivéssemos juntos, mas muita coisa mudou; ela completou, apoiando a cabeça sobre o ombro dele. –Só não queria vê-lo triste;
-Acredite, tudo é uma questão de tempo; ele falou, entrelaçando os dedos entre os dela.
-É no que eu gostaria de acreditar; a jovem falou, um pouco amuada.
-Aaliah; Shaka chamou, tocando-lhe a face carinhosamente, fazendo-a erguer a cabeça em sua direção. –Não se preocupe com isso agora; ele completou, depositando um beijo suave sobre a testa dela.
-...; Aaliah assentiu, sentindo a face aquecer-se diante do olhar intenso dele. –Ahn! Mas o que o Milo queria? –ela perguntou, tentando mudar de assunto.
-Se eu lhe contar, promete que não ficara brava com a Isadora? –ele perguntou.
-Porque? –ela perguntou, confusa.
-Promete? –o cavaleiro perguntou.
-Prometo; Aaliah respondeu, dando-se por vencida, diante do sorriso dele. –"Céus, Adônis não morreu, ou se morreu mesmo, resolveu reencarnar na Índia"; ela concluiu em pensamentos.
-Isadora acha que seu pai é gay e que está apaixonado pelo Milo; Shaka falou a queima roupa.
-O que? –ela quase gritou, precisando ser amparada pelo cavaleiro para que não caísse da cadeira.
-...; Ele assentiu, vendo que agora ela entendera porque entrara em choque quando o Escorpião lhe dissera a mesma coisa.
-Mas... Mas... Mas...; Aaliah repetiu seguidas vezes, sem conseguir formular pensamento algum.
-É, eu sei; Shaka falou, compreensivo.
-Mas porque ela acha isso? –a jovem perguntou, confusa.
-Porque o Afrodite andou surtando e falando algumas besteiras para ela; ele explicou.
-O papai, mas porque? –ela perguntou, até abrir um sorriso que o fez engolir em seco. –Ele estava com ciúmes?
-Bem...; Shaka balbuciou, sem saber o que responder.
-Sabia; Aaliah falou, com ar vitorioso. –Eu vivo dizendo para Isa que ela ia se dar bem com o papai, mas ela me ouve, não, claro que não; ela mesma respondeu, com ar displicente.
-Como? –ele perguntou confuso.
-Bem, a Isa cria rosas, o papai só tem olhos para rosas. Ai eu pensei que bem, já que eles têm algo em comum, poderiam se dar bem, não acha? –ela perguntou com ar inocente, voltando-se para ele.
-Cria rosas? –Shaka perguntou, arqueando a sobrancelhas.
-Você não sabia? –Aaliah perguntou, arregalando os olhos ao ver que falara demais.
-Já, mas imagino que Isadora deve ter pedido para que você não contasse a ninguém sobre isso, ou estou enganado? - ele falou, fitando-a seriamente, vendo-a enrubescer e assentir.
–Tem algum tempo que ela me contou que a mãe dela já foi uma amazona cujas técnicas se baseavam em criar rosas e ela também aprendeu; ela explicou.
-A mãe de Isadora era mestra da Eurin, Aaliah; Shaka explicou.
-Sério? –Aaliah perguntou animada.
-...; Ele assentiu.
-Mas ainda não entendo porque ele surtou; ela falou, pensativa.
-O Milo disse que seu pai andou surtando e descontando na Isadora. Disse que ela não passava de mais um troféu na mão do Milo e pelo que ele me disse, Afrodite queria dizer algo bem pior com isso. Ai, acabou apanhando dela; Shaka completou, dando um baixo suspiro.
-Apanhou? –ela perguntou surpresa.
-É o que o Milo disse;
-Bem feito; Aaliah falou com os orbes serrados, mas parou vendo Shaka arquear a sobrancelha. –Oras, não é porque ele é meu pai que vou defende-lo quando ele faz alguma coisa errada. E mesmo porque, é obvio que a Isa e o Milo são só amigos, tem que ser muito cego pra não ver isso; ela falou veemente.
-É, acho que seu pai precisa de um oculista então; Shaka falou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Homens, nem um pouco objetivos; ela falou, rolando os olhos.
-Hei! –o virginiano falou, indignado.
-Her! Bem...; Aaliah balbuciou, vendo-o serrar os orbes de maneira perigosa.
-É melhor não tentar concertar; ele falou, vendo-a corar furiosamente.
-Ahn! É melhor terminarmos, já são quase duas hora; a jovem apressou-se em dizer, apontando para as taças na mesa.
-É; ele respondeu ainda contrariado.
II – O Escolhido.
Mais ou menos, trinta anos atrás...
Respirou fundo, sentindo o coração se apertar, enquanto mantinha aquela pequena preciosidade entre os braços. Seu sono era tranqüilo e despreocupado, como poderia alguém nascer tão puro e inocente; ela pensou, sentando-se em uma cadeira de balanço no canto do quarto, com um bebe em seus braços.
O quarto era ricamente adornado por tapeçarias orientais, moveis antigos e rústicos. Um lugar agradável; ela pensou, dando um baixo suspiro. E pensar que logo teria de partir e iria se separar.
Abaixou-se vendo-o mexer os bracinhos, bocejando ao acordar.
-Meu bebe; a jovem de longas melenas douradas sussurrou, segurando-lhe uma das mãos, vendo os orbes verdes abrirem-se.
Era incrível a semelhança existente entre os dois, mesmo ele sendo tão pequeno ainda. Sentia o coração se partir ao pensar que teria de se separar dele em breve, mesmo quando havia contrariado todos os seus princípios e estava ali.
-Ele tem um destino a cumprir, deveria entender isso; alguém falou, saindo das sombras do quarto, se aproximando.
-Pai; a jovem falou surpresa por vê-lo ali.
-Ele não pertence ao nosso mundo Astréia, muito menos ao deles. Precisara conviver com isso, mesmo que doa, para que no fim, torne-se aquele enviado pelos Deuses, para chegar o mais próximo de nós; um homem de longos cabelos dourados e orbes incrivelmente azuis falou.
-...; Ela assentiu, embora não concordasse com isso.
-Há alguns anos você não se importaria com isso; ele falou como se lesse seus pensamentos, vendo nos orbes verdes um brilho hesitante, diferente daquele confiante que era a sua marca perante seus iguais.
-Muitas coisas mudaram meu pai; Astréia respondeu, com um semblante carregado, mas o suavizou ao ouvir a criança chorar. –Calma, estou aqui; ela sussurrou, estreitando mais os braços em volta dela.
-Esta ficando tão rebelde quanto Harmonia; ele resmungou, sentando-se na beira da cama, não muito longe de onde ela estava.
-É bom lembrar dela de vez em quando, principalmente porque foi graças a ela que muitas coisas mudaram; a jovem respondeu, com um olhar de desafio para o homem a sua frente.
-Besteira, a maioria dos mortais nunca vai mudar; Zeus exasperou, mas encolheu-se diante do olhar envenenado que recebeu, quando ela mandou-o se calar para não incomodar a criança em seus braços.
-Engano seu meu pai, enquanto existirem pessoas que lutem por eles, tudo pode ser mudado; Astréia falou, abrindo um largo sorriso ao ver a criança rir, mexendo-se um pouco agitado em seu colo, como se dissesse que não voltaria mais a dormir. –Não é mesmo pequeno? –ela perguntou num sussurro. –Só os mortais tem o poder de fazer o destino correr a seu favor;
-Fala como se, se esquecesse que agora também é uma; ele falou, fitando-a intrigado.
-Não sabe como agradeço as Deusas do Destino por isso; ela falou, o desafiando. –Mas nem por isso, ele deixou de herdar algumas coisas minhas que jamais poderão lhe ser tiradas;
-Você não poderá ficar por muito tempo aqui, agora que Seth morreu, nessa condição poderá ser atacada e não ter como se defender; Zeus falou, com o semblante carregado.
-Eu sei, logo partirei; a jovem falou, dando um baixo sorriso, deixando a ponta dos dedos correr com suavidade sobre a face alva da criança em seus braços, vendo que na testa, existia apenas uma marquinha, que era herança de Seth.
-É assim que tem de ser; ele falou, antes de simplesmente desaparecer, deixando-a sozinha novamente.
-Mas não por muito tempo; Astréia falou, voltando-se para o bebe e sorriu. –Sempre estarei com você meu anjo, sempre...; Ela completou num sussurro.
Continua...
Domo pessoal
Desculpem a demora em atualizar, sinceramente espero que tenham gostado desse capitulo, agora a historia vai mudar um pouco o rumo, dividindo-se entre um personagem novo que vai entrar na trama e a relação Aaliah e Shaka. Muitas surpresas estão por vir, podem ter certeza.
Obrigada a todos que perderam um pouco de tempo lendo e ainda deixaram reviews super gentis.
Até a próxima
Kisus
Já ne...
