De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 11: Astréia.
.I.
Viu-a estender delicadamente a toalha xadrezada sobre o chão gramado. Àquela semana passara bem mais rápido do que imaginava. Já haviam visitado boa parte de Visby e a vista da muralha era realmente espetacular; ele pensou, enquanto colocava a cesta em um canto, próximo a uma arvore.
-Em que esta pensando? –Aaliah perguntou, sentando-se em uma ponta da toalha.
-Nada importante; Shaka respondeu com um sorriso calmo, sentando-se ao lado dela.
A verdade é que ainda estava se questionando sobre aqueles dois cosmos que sentira, um deles lhe parecia estranhamente familiar, mas o outro era hostil e isso lhe preocupava.
Durante aquela semana nenhum dos dois voltou a se manifestar, não sabia se isso queria dizer algo bom ou o prenuncio de uma tempestade, só lhe restava esperar, mas se havia algo que não estava disposto a fazer era esperar por um ataque, sem saber contra o que se defender.
-Você não me engana; Aaliah falou, enquanto arrumava parcialmente a barra do vestido que usava, para que o mesmo não erguesse com o vento, antes de deitar-se sobre a toalha.
O dia estava um pouco fresco e nada como aproveitar um dia tão agradável fazendo um pick-nick no meio do Vale das Flores. O cheiro embriagante de rosas parecia deixar aquele lugar ainda mais acolhedor e reconfortante.
-Eu...; Ele começou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, mas antes que tentasse procurar por qualquer explicação, sentiu-se puxado para trás, ate sentir as costas tocarem a toalha. Voltou-se para a jovem confuso.
-Posso te fazer uma pergunta? –Aaliah começou, apoiando a cabeça sobre o ombro dele.
-...; Shaka assentiu, sentindo-a aconchegar-se entre seus braços. Suspirou aliviado pela mudança de assunto, simplesmente não saberia explicar a ela o que estava realmente aconteceu, que por sinal, ainda não sabia ao certo o que.
-Porque você se tornou o cavaleiro de Virgem? –a jovem perguntou, brincando distraidamente com uma mecha dourada que caia próxima a seus olhos.
-Porque eu não tinha opção; ele respondeu, dando um suspiro cansado, apoiando a cabeça sobre uma das mãos.
-Como? –Aaliah perguntou confusa.
-Eu cresci num templo próximo ao Ganges, quando tinha cinco anos, o monge responsável pelo templo chegou para mim e disse que eu havia sido escolhido pelos deuses para ser a reencarnação de Buda e por conseqüência, deveria começar a treinar e me tornar um cavaleiro; Shaka explicou.
-Mas...;
-Não houve escolha, existiram momentos que eu queria simplesmente jogar tudo para o alto e explodir com o mundo, até um dia que eu ouvi algo; ele a cortou, dando um baixo suspiro.
-O que? –ela perguntou curiosa.
-Uma voz, durante muito tempo eu fiquei sem saber quem era, mas o meu mestre me disse um dia que era Buda que me guiava e falava comigo quando era preciso. Impedindo que eu desistisse, durante um bom tempo duvidei disso. Não era o que eu queria ser, alias, não pedi por isso... Mas não havia escolhas; o cavaleiro confessou;
-Porque você não foi embora? –Aaliah perguntou, achando estranho o tom melancólico com que ele falava do passado.
-Uma certa noite, depois de dois anos treinando, meu cosmo despertou de maneira assombrosa, quase me fazendo acreditar em todas aquelas historias sobre escolhidos e avatares. Nessa mesma noite, eu estava em uma vila em Nova Deli, quando ela foi invadida por alguns soldados chineses, os mesmos que faziam parte daquele partido que queria fazer as modificações religiosas no Tibet e fez uma chacina monstruosa.
-E o que aconteceu? –ela perguntou, sentindo-o tenso.
-Muitas pessoas morreram, eu entrei em pânico, não havia para onde correr. Eram pessoas simples demais que mal sabiam se defender, eles tacaram fogo em tudo, mesmo correndo algumas pessoas simplesmente não conseguiam sair dali. Nesse momento, não sei o que aconteceu, se foi pelo pânico, pelo ódio que estava sentindo daqueles assassinos. Não sei... Apenas que meu cosmo explodiu de tal forma que o fogo apagou e no fim, aqueles que restavam caídos eram os soldados chineses, não estavam mostos, mas estavam sem os cinco sentidos. Tudo estava acabado;
Arregalou os olhos surpresa, ainda lembrava do pai falando que uma das principais técnicas do virginiano era usar um golpe capaz de tirar os cinco sentidos do adversário, deixando que apenas o coração continue a bater; Aaliah lembrou-se.
-Depois desse dia a história de que eu era a reencarnação de Buda se espalhou e a paz acabou; Shaka falou, dando um baixo suspiro. –Mal tinha paz para treinar e meditar sem que alguém aparecesse me venerando como um Deus;
-Por isso lhe chamando de 'O homem mais próximo de Deus'? –ela perguntou incerta.
-Também, meu mestre dizia que antes de chegar ao templo, um dos antigos monges que ainda iam até a Cordilheira dos Andes meditar, fez uma profecia, dizendo que numa certa noite uma criança chegaria ao templo e ela seria a reencarnação de Buda, que voltaria a Terra numa Era de Caos; ele explicou.
-Entendo; Aaliah murmurou, imaginando o quanto deveria ser difícil.
Sabia perfeitamente o quanto injuriado o cavaleiro ficava quando não podia meditar, já pensou, ser interrompido seguidas vezes por pessoas que o tratavam como algo intocável, venerando-o como a um deus, sem ao menos conhecê-lo ou saber que ele queria estar em todos os lugares, menos ali sendo forçado a aceitar um destino que não desejara.
–Os anos que se seguiram a isso foram puxados, os treinamentos tornaram-se mais intensos do que um ser humano comum poderia suportar quanto mais um cavaleiro. As vozes aumentavam em minha mente, ai não houve outra escolha alem de acreditar que era realmente ele falando comigo, embora muitas vezes eu sentisse um outro cosmo junto; Shaka falou, remexendo-se um pouco sobre a toalha, sentindo a cabeça da jovem escorregar suavemente e pousar sobre seu peito, aconchegando-se entre seus braços.
-De quem? –ela perguntou.
-Eu nunca soube...Mesmo quando me tornei cavaleiro, eu sentia aquele cosmo, como se estivesse o tempo todo me velando, as vozes também continuaram, até o dia que conheci Harmonia, quando ela apareceu em Virgem, depois disso, nunca mais as ouvi; ele falou.
-Não entendo uma coisa, porque você disse que houve momentos que você foi pior que um demônio? –Aaliah perguntou, confusa.
-Porque eu fui treinando para não ter sentimentos; ele respondeu serio.
-Mas isso é impossível; Aaliah exasperou, erguendo a cabeça, vendo-o assentir.
-Mesmo assim... Quando aprendi a canalizar meu cosmo, abdicando de um dos sentidos para fortalecer os demais, meu mestre me disse que qualquer apego afetivo poderia vir a prejudicar isso. Que a missão de um cavaleiro era proteger Athena e as demais pessoas que necessitassem disso, mas nunca...;
-Se envolver efetivamente com alguém; ela murmurou, imaginando o quanto deveria ter sido difícil isso. Viu-o assentir, deitou-se de novo, esperando-o continuar.
-Como você disse é impossível, com o tempo tive que aceitar isso, mas algumas coisas simplesmente não se mudam de uma hora para outra;
-O que quer dizer?
-No mundo você convive com pessoas boas, que apesar de seus conflitos fazem o bem para ajudar o próximo, por livre e espontânea vontade, mas você convive também com pessoas sem escrúpulos e que não se importam de ferir e usar os outros; Shaka explicou. –Vi muitas pessoas assim, a vida na Índia não era fácil, principalmente porque era uma época que começar uma guerra civil era a coisa mais fácil do mundo, isso se ignorarmos a quantidade de pessoas que morriam e sofriam com isso. Existia muita fome, os cuidados médicos eram escassos principalmente das vilas mais distantes de Nova Deli;
-Entendo; Aaliah murmurou.
-Eu passei a ter de encarar isso com indiferença, ver as pessoas sofrendo sem poder fazer nada, enquanto eu tinha que ficar apenas concentrado em treinar e evoluir meu cosmo ainda mais. Pouco antes do ultimo ano de treinamento se completar, atingi o sétimo sentido, desenvolvendo o 'Rendição Divina'.
-Mas porque você foi escolhido para a armadura de Virgem, isso é claro, alem do signo? -ela perguntou, curiosa.
-Diz uma lenda grega antiga, que Astréia, a deusa da justiça um dia foi mandada a Terra por Zeus. A Terra ainda estava se desenvolvendo e os mortais aos poucos começavam a habitá-la, mas ainda eram seres ignorantes; ele começou a explicar. –Astréia pretendia ensinar a eles a cultivar, plantar, a respeitarem-se e aos poucos buscarem sozinhos pela evolução. Mas dizem, que quando chegou aqui, ela encontrou apenas dor, sofrimento, guerras, desentendimentos.
-Nossa, deve ter sido decepcionante; Aaliah murmurou.
-...; Shaka assentiu. –Ela se decepcionou tanto com o que viu, que achou que para a Terra não havia mais esperança, que jamais poderia ser mudada e que aqueles seres primitivos logo iriam destruí-la, então, não havia porque tentar muda-la;
-Que radical; a jovem falou, surpresa.
-Ela deixou a Terra depois disso e Zeus a colocou no céu como símbolo de pureza e justiça, assim ela ficou conhecida como a constelação de Virgem; o cavaleiro completou.
-Nossa; Aaliah murmurou. –E ela nunca mais voltou a Terra?
-Pelo que a história diz, não; Shaka respondeu. –Mas meu mestre dizia que Astréia sempre voltava a Terra quando o cavaleiro de Virgem seria escolhido. Só não entendo porque da ultima vez, fui eu?
-Talvez fosse seu destino ser esse cavaleiro; ela falou, acomodando-se melhor.
-Somos nós que fazemos nosso destino, podem não haver escolhas, mas existem meios para burlarmos isso. Tudo depende de força de vontade, quando cheguei ao santuário descobri que muitas das coisas que aprendi durante o treinamento eram inúteis; Shaka confessou, lembrando-se que fora exatamente essa conclusão que tivera há uma semana atrás.
-Como assim? –Aaliah perguntou, surpresa ao ouvi-lo falar daquela forma.
-No primeiro dia que cheguei ao santuário, conheci Aioros e Saga, já a algum tempo eles haviam sido sagrados cavaleiros. Enquanto eu tentava me isolar em Virgem, eles sempre apareciam por lá, destruindo minha rotina; ele falou com um meio sorriso.
-Como eu? –ela perguntou, sorrindo.
-É; Shaka respondeu num sussurro, ainda mantendo o sorriso nos lábios. –Eu não achava certo ficar me envolvendo com os outros, afinal, tentava seguir aquilo que meu mestre ensinara, mas com o tempo aprendi que não era bem assim. Aprendi muita coisa com Aioros e Saga, por um tempo passei a ver o mundo de outra maneira. Entendendo o porque devíamos ser imparciais como cavaleiros, não tratar as pessoas friamente, mas protegê-las sem descriminar, mesmo aquelas que não mereciam, ainda eram seres humanos;
-...; Ela assentiu, entendendo a que ele se referia.
-Aioros era um ótimo cavaleiro, me ensinou coisas das quais, jamais vou esquecer. Ele era aquele que eu tinha como exemplo do cavaleiro que eu queria ser; Shaka confessou. –Mas ai veio àquela noite em que Aioros foi considerado traidor por tentar matar Athena, Saga estava a mais de um ano desaparecido, nem mesmo eu conseguia localiza-lo, por fim dois meses depois, chegou a noticia de que o Grande Mestre morrera em Star Hill e Ares estava assumindo seu lugar como herdeiro direto, já que Mú era inexperiente demais;
-Mas não existia outro indicado para ser Grande Mestre na falta do Shion? –Aaliah perguntou.
-Shion estava entre Aioros e Saga, mas Aioros foi escolhido como Grande Mestre e iria assumir dali a dois meses;
-Ninguém imaginou que fosse alguma armação para incrimina-lo? –a jovem perguntou, tentando entender porque ninguém contestou quando Ares subiu ao 'trono' como Grande Mestre.
-Alguns desconfiaram, mas a verdade é que naquele momento eu perdi a fé definitivamente nas pessoas. Se Aioros que era o mais fiel entre todos, tornara-se um traidor, o que dirá os outros; ele falou, com pesar.
-Mas...;
-Todos nós fomos afetados com a morte dele. Mú foi embora para Jamiel, prometendo matar sem piedade o primeiro que tentasse se colocar em seu caminho. Milo até tentou impedi-lo, mas ao ver que ele não estava brincado, recuou; Shaka explicou, quase rindo ao lembrar-se da cena. –Aiolia se tornou alguém mais fechado, rebelde e irritadiço, também pudera, agüentar Guilherme chamando-o de 'irmão do traidor' como muitos outros no santuário faziam, incluindo eu, não era fácil; ele falou, também admitindo sua parcela de culpa.
-E o que você fez? –Aaliah perguntou, sentindo-o ficar tenso.
-Eu não fiz nada; Shaka falou.
-Como? –ela perguntou, confusa.
-Não fiz nada por ele, nem por ninguém depois disso. Era conhecido como o 'Homem mais próximo de Deus', mas não tinha nem um pingo de humildade e piedade. Eu me isolava em Virgem e só saia quando era extremamente necessário. Achava que aqueles que sofriam era porque mereciam isso e os que sobreviviam em meio a adversidade eram os escolhidos pelos deuses, para serem mais fortes;
-E o que aconteceu depois? –Aaliah perguntou num sussurro, estremecendo diante do tom frio, usado por ele.
-Foi assim até a chegada dos titãs, eu tive de voltar a Índia para fortalecer meu cosmo e impedir que eles abrissem um portal dimensional no santuário. Durante o período de meditação para expansão do cosmo, eu ficaria completamente vulnerável a um ataque. O mestre mandou que Aiolia fosse de escolta;
-Mas...; Ela balbuciou surpresa.
-A intenção do Ares era que Aiolia me deixasse morrer; ele a cortou.
-Porque? –Aaliah perguntou indignada.
-Assim ele poderia mandar que os outros guardiões acabassem com Aiolia tendo um motivo, porque querendo ou não, Aiolia o ameaçava. Embora ainda inexperiente ele tinha o cosmo no ponto para se igualar aos deuses, ele era o único cavaleiro que os guardiões jamais desejariam ter como inimigo; Shaka confessou.
-E depois? –ela perguntou, ansiosa.
-Ele estava muito ferido, quando foi para a Índia comigo, logo que eu entrei no templo ele foi atacado por um titã. Foi muito difícil, ele estava casando, com ferimentos profundos, mas mesmo assim não deixou que aquele titã invadisse o templo para me matar. Usou até mesmo um golpe que Aioros o havia proibido de usar, para me salvar;
-Nossa;
-Eu havia perdido a fé no ser humano por opção, queria acreditar que eles simplesmente sofriam porque mereciam e não eram dignos de pena, mas naquele dia me lembrei pelo que lutava, o que aprendi com Aioros, sobre proteger a todos, independente do meu orgulho dizer quem eram dignos ou não. Não cabia a eu decidir quem merece ou não a proteção, e sim, protege-los com a minha vida se fosse necessário; Shaka completou.
-Foi nessa época que você conheceu a Isadora? –ela perguntou, cautelosa.
-...; Ele assentiu. –Ela me mostrou que eu não era tão intocável quanto eu pensava. Me jogou na cara todas as verdades que eu não queira ouvir, ou simplesmente ignorava por ser mais cômodo. Enfim, me mostrou que mesmo querendo, existiam sentimentos que jamais seriam abandonados; ele falou, voltando-se para Aaliah.
-Quais? –a jovem perguntou curiosa, vendo-o se deitar de lado, apoiado sobre um braço.
-Aqueles que em vez de nos enfraquecerem, apenas nos deixam mais fortes, nos fazendo romper barreiras; Shaka falou quase num sussurro, deixando a ponta dos dedos correr com suavidade pela face da jovem, vendo-a enrubescer levemente. –Enfrentar até os deuses sem temer ou hesitar...;
-Uhn? –ela murmurou serrando os orbes ao sentir a respiração dele chocando-se suavemente contra sua face.
-Lealdade, amizade, companheirismo...; Ele sussurrou, aproximando-se lentamente.
Embora aquela ultima semana tivesse tido pouco tempo de pensar, muitas coisas ficaram mais claras, alias, o tempo todo a resposta esteve diante de seus olhos, mas como acabara de falar a ela, simplesmente se negava a aceitar que tudo mudara a muito tempo.
Ainda se lembrava do choque que sentira ao ver aquela bela deidade de melenas azuis correr pelo portão de embarque quase se fechando, chamando pelo pai, que era nada mais nada menos, do que o cavaleiro a seu lado.
Foram seis meses bastante interessantes que convivera com a jovem, aprendera a entender seus temores, suas hesitações, até mesmo a personalidade que variava de acordo com a lua. Hora séria, hora alegre e agitada, de um jeito único que agora admitia que não poderia viver sem.
-Shaka; Aaliah sussurrou, deparando-se com os orbes azuis tão intensos sobre si que sentiu-se presa diante desse olhar.
-Amor...; Ele completou, roçando-lhe os lábios suavemente.
Colocou uma das mãos sobre o ombro dele, buscando por apoio, enquanto sentia-se envolvida pelo calor do corpo dele e seus lábios encontravam-se numa busca ávida de um pelo outro.
Deitou-a lentamente sobre a toalha xadrezada, sentindo a jovem envolver os braços em torno de seu pescoço. Simplesmente ignorando o mundo lá fora, deixando-se levar por sentimentos que ambos descobriam juntos.
Deixou uma das mãos prenderem-se entre os fios dourados, puxando-o mais para si, intensificando ainda mais o contato entre os lábios de ambos.
Sentia-se envolta em um turbilhão de sentimentos que jamais pensou que se manifestariam daquela maneira tão avassaladora, mas sempre que estava com ele sentia-se nessa teia de sentimentos incontroláveis, imprevisíveis e irresistíveis. Que a única coisa que desejava era fechar os olhos e entregar-se a isso.
Ainda não sabia como definir para Rebeca o que eles eram, apenas amigos, ou duas pessoas que gostavam de sair da rotina de vez em quando, mas sabia que estavam longe de ser qualquer um dos dois.
Existia algo bem mais forte que os ligava, desde o momento que o conheceu sentia isso. Ambos ainda tinham seus demônios que precisavam ser combatidos, mas isso não era importante agora.
Nunca sentiu-se tão protegida e confiante com outra pessoa alem de seus familiares, como se sentia com ele. Era como se o mundo parasse simplesmente parasse, enquanto estavam juntos.
Separaram-se, com as respirações descompassadas e os corações batendo desenfreados.
-Aaliah; Shaka chamou num sussurro enrouquecido, fitando-a intensamente, deixando a ponta dos dedos correr com suavidade pela face rosada da jovem, vendo-a abrir os orbes amendoados, quase castanhos agora.
-Xiiiiiiiiii, não fala nada; Aaliah sussurrou, tocando-lhe os lábios, com a ponta dos dedos. Antes de apoiar-se sobre os próprios braços, erguendo-se parcialmente. –Não procure por respostas, sobre aquilo que nós já sabíamos que iria acontecer; ela completou, fitando-o diretamente.
-...; O cavaleiro assentiu, pousando a mão com suavidade sobre a da jovem, antes de puxa-la para seus lábios, depositando um beijo suave sobre a costa da mão. –Não vou... Não agora; ele completou num sussurro, antes de abaixar-se, tomando-lhe os lábios novamente, num beijo mais lento, apreciando sem pressa aquele momento.
.II.
Ocultou-se entre a sombra de uma arvore e a parede de uma casa, enquanto observava atentamente um casal andando pelas ruas, de soslaio viu alguém se materializar atrás de si e manter-se oculta, como também estava.
-Então? –uma jovem de longas melenas azuis perguntou, aproximando-se.
-É ela; ele respondeu, fitando atentamente o casal.
-Vamos pegá-la agora? –Hékates perguntou, apoiando-se distraidamente sobre o ombro dele.
Aiácos serrou os orbes voltando-se para a deusa, nem um pouco contente com a situação. Ele, um dos grandes juizes do submundo, ter que ficar perseguindo aqueles vermes como se fosse um cão perdigueiro, era degradante para sua imagem; ele pensou irritado.
-Se Hades souber que pensa assim da missão que ele lhe confiou, você terá problemas; a jovem desdenhou, com um sorriso petulante.
-Puff! -o juiz resmungou. –Faz anos que estamos atrás dela e nunca conseguimos nada; ele reclamou.
-Xiiiiii, ela pode nos ouvir; Hékates falou, serrando os orbes para ele. –Mesmo porque a ultima vez que ela escapou, foi culpa sua;
-Minha? –ele perguntou indignado.
-Fique quieto e vamos atrás dela para ver o que vai acontecer; Hékates falou, puxando-o pela manga da camisa, sem o mínimo de jeito. –E temos também que fazer o que Astréia mandou;
-Já sei, ela a quer longe do filho, não precisa ficar repetindo; Aiácos falou, rolando os olhos. –Não sei porque isso, ele sabe se virar sozinho; ele bufou.
-Não discuta Aiácos, Astréia disse que não é para chamarmos a atenção; Hékates o repreendeu, enquanto enlaçava o braço do juiz e andava calmamente pelas ruas de Visby, como se ambos não passassem de mais um belo casal de turistas que buscavam o sossego da cidade para descansarem.
Sem outra alternativa, seguiu com ela a distancia o casal, que estava alheio ao olhar atendo dos dois.
.III.
Estreitou os braços em torno da cintura da jovem, ouvindo-a suspirar. O dia ia passando com tranqüilidade, ergueu parcialmente a cabeça vendo o vaso de rosas vermelhas em cima do aparador da lareira.
Sim, nem todas as coisas estavam resolvidas ainda; Shaka pensou, deixando os dedos correrem com suavidade pelas melenas azuis.
-Em que esta pensando? –ele perguntou.
-Nessas férias na Índia; ela respondeu sorrindo, acomodando-se melhor no colo dele, enquanto apoiava a cabeça sobre o peito do cavaleiro.
-Uhn! –ele murmurou assentindo, enquanto recostava-se melhor no sofá. –O que tem?
-Papai vai querer nos matar por isso, quando souber; Aaliah falou, com um meio sorriso nos lábios.
-Não se preocupe com isso, como ele eu me entendo; Shaka falou, tocando-lhe a face, fazendo-a encara-lo. –Se é só isso que lhe preocupa;
-Também; ela respondeu, dando um baixo suspiro.
-Quer falar sobre isso? –o cavaleiro perguntou, não querendo pressioná-la.
-...; Aaliah assentiu. –Queria contar ao meu pai sobre as rosas, mas...;
-Mas?
-Queria descobrir primeiro como fazer as eternas; ela confessou, abaixando a cabeça por um momento.
-Acha mesmo que vale a pena? –Shaka perguntou, com ar sério.
-Como? –ela perguntou, confusa.
-Aaliah, vou te contar uma história e quero que preste bem atenção nela, no final, vou lhe fazer uma pergunta, não importa quanto tempo leve, eu vou querer uma resposta depois; ele falou, fitando-a intensamente, vendo-a assentir. –Essa história é sobre uma pessoa que também criou uma rosa eterna; ele começou, sob o olhar atento dela.
Continua...
Domo pessoal
Finalmente capitulo 11, desculpem a demora, mas digam, valeu a pena né. Para quem estava achando o shaka passivo demais, a resposta estava nesse capitulo, junto com todas as explicações sobre o passado.
Não pretendo me estender em cenas sobre a história dele na Índia, ou falar sobre as guerras civis, a fic é totalmente voltada para o casal.
Lembram quando eu disse sobre os dois cosmos, sim... Um deles vocês já podem ter uma base nesse capitulo, que é o mesmo que Hékates e Aiácos estão procurando, mas o segundo. Vocês vão saber mais sobre isso no próximo capitulo.
Uma outra pessoa também criou as rosas eternas alem de Aimê, em breve vocês saberão qual será o desfecho da história da Aaliah e sua obsessão por essa rosa.
Ainda não sei quantos capítulos mais 'De volta ao vale das flores' vai ter, mas ela aos poucos esta se encaminhando para o final.
No mais, obrigada a todos pelos reviews...
Até a próxima
Kisus
Ja ne...
