De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 12: I Belive in You.
.I.
-Há muito tempo atrás, a bem mais de vinte anos uma jovem criou as rosas eternas; Shaka começou, dando um baixo suspiro. –Ela era uma grande dominadora das técnicas de criação de criar rosas, suas habilidades eram tão excepcionais que até mesmo sua filha, desde muito pequena já começara a se interessar por isso e por volta dos três anos, também criou uma rosa;
-Nossa; Aaliah murmurou surpresa, três anos era uma idade muito abaixo da media de alguém que despertava o cosmo.
-Ela tinha uma habilidade nata, mas muitas técnicas já haviam sido transmitidas de geração a geração; o cavaleiro explicou, diante do interesse dela. –Até que ela um dia descobriu algo que durante boa parte de sua vida, foi uma grande obsessão;
-O que?
-As rosas eternas; Shaka respondeu com ar sério, vendo-a erguer a cabeça para fitar-lhe.
-Como? –Aaliah perguntou surpresa.
-...; ele assentiu. –As rosas eternas, como aquelas; o cavaleiro falou apontando para o aparador em cima da lareira.
-Mas...; a jovem balbuciou confusa.
-Durante um bom tempo ela se concentrou apenas em criá-las; Shaka continuou, cortando-a. –Para ela nada mais importava alem de criar essas rosas tidas como as mais perfeitas que já existiram no mundo;
-O que aconteceu? –Aaliah perguntou hesitante.
-Ela aos poucos foi perdendo a essência de seu cosmo; ele falou com pesar.
-A essência? –a jovem perguntou confusa.
-Sim, a essência do cosmo. Aquela centelha que lhe faz existir nesse mundo mesmo que até o fio da vida já tenha sido cortado, aquilo que lhe faz cometer milagres e jamais ser esquecido; Shaka explicou deixando os dedos correrem com suavidade pelas melenas azuladas. –A essência do cosmo;
-Ela morreu? –Aaliah perguntou hesitante.
-Não, porque uma pessoa não deixou; o cavaleiro falou, sentindo a jovem remexer-se em seu colo um pouco inquieta.
-Quem? –ela perguntou curiosa.
-Um cavaleiro que era muito próximo a ela; ele respondeu.
-Então ela era uma amazona? –Aaliah perguntou intrigada.
-...; o cavaleiro assentiu.
-Mas, como ele conseguiu impedir isso?
-Bem...; Shaka ponderou dando um baixo suspiro, aquilo estava sendo mais difícil do que imaginava. –Ele contou a ela o porquê todos aqueles que criavam as rosas eternas fora do tempo, não sobreviviam;
-Como? –ela perguntou confusa.
-Existem muitos relatos, principalmente no santuário de amazonas e cavaleiros que tentaram usar técnicas proibidas e pereceram em meio à própria ambição e vaidade. Eles chegaram a limites jamais imaginados para concretizar esses sonhos desvairados e no fim, acabam morrendo como covardes por nada;
-Não entendo; Aaliah murmurou.
-Quero lhe perguntar uma coisa Aaliah; Shaka começou, vendo-a assentir para que continuasse. –Porque acha que sua mãe nunca insistiu com você para que se tornasse uma amazona, já que a tradição de ambas as famílias era que o herdeiro fosse sagrado? –ele perguntou fitando-a seriamente.
-Bem...; ela balbuciou com ar pensativo, a verdade é que nunca entendera muito bem os propósitos da mãe com relação a isso. Alias, começara a desenvolver o cosmo por mero acidente, pois estava só treinando defesa pessoal com a tia, mas as coisas foram evoluindo até chegar ao ponto que estavam.
-Acha que sua mãe queria que fosse uma amazona como ela e Eurin? –Shaka insistiu.
Deu um baixo suspiro, lembrava-se daquele dia que expandira seu cosmo e prendera Melissa e algumas outras garotas com os galhos de rosas que criara e fizera brotar do chão, Eurin lhe disse para não se preocupar, pois não contaria a sua mãe.
Aimê sempre demonstrou não gostar das tradições, alias, sempre deixou claro que era totalmente contra isso, por isso dizia que deveria ter suas próprias escolhas. Quando contara a mãe sobre Rafael fora à mesma coisa e naquele dia lhe prometera que se concentraria apenas em seus objetivos e jamais deixaria que alguém se colocasse entre eles.
Não, a mãe não desejava que fosse amazona para não ser obrigada a abandonar os caminhos que desejava seguir, por regras que muitas vezes eram inúteis. Principalmente ser reprimida por uma mascara inexpressiva que era usada como desculpa de igualdade, mas apenas, afastavam as pessoas.
-Não; Aaliah respondeu depois de algum tempo.
-Sabe por quê? –Shaka perguntou.
-Ela não queria que eu mudasse os meus objetivos e pudesse escolher sozinha os caminhos que desejava seguir; a jovem respondeu, mas surpreendeu-se ao vê-lo negar com um aceno.
-Não, Aimê não queria que você ficasse obcecada com essa rosa; ele falou a queima roupa.
-Como? –Aaliah perguntou surpresa.
-Ela sabia que mais hora, menos hora, você iria descobrir sobre a lenda da 'Rosa Vermelha de Lancaster' e fazer de tudo para criá-la; o cavaleiro continuou sob o olhar espantado dela.
-Mas Shaka, minha mãe na-...;
-As mães sempre sabem de tudo; ele a cortou com um sorriso compreensivo. –Isso se chama 'Sexto sentido feminino';
-Como? –ela perguntou confusa.
-Ao longo dos nove meses de gestação, a mãe desenvolve um laço cósmico com o filho ainda em seu ventre. Esse laço perdura mesmo depois de nascer, por isso as mães sempre sabem quando o filho tem algum problema ou está aflito com algo, mesmo que ele tente até o fim esconder; Shaka explicou vendo o olhar confuso dela aumentar.
-Mas...;
-Ás pessoas comum chamam isso de sexto sentido, a intuição; o cavaleiro cortou, encontrando uma forma melhor de esclarecer as duvidas da jovem. -Mas nas mulheres isso é mais aguçado, em gestantes, esse sentido tem a potencia redobrada, por isso o período de gestação é marcado por momentos em que a gestante tem variações extremas de humor, quando fica mais sensível que o normal. É esse laço que lhes confere o sexto sentido; ele completou.
-Entendo; a jovem murmurou surpresa com a explicação. –Mas porque ela nunca me disse nada;
-O que acha que teria acontecido se ela tivesse lhe dito que sabia? –Shaka perguntou, fitando-a atentamente.
-Bem...; Aaliah ponderou com ar pensativo.
Certamente teria entrado em pânico e parado com os treinamentos, mas se a mãe não queria que fosse amazona porque não lhe falou nada, que de certa forma, a faria parar.
-Ela queria que você fosse independente, não que tivesse medo de se descobrir; o cavaleiro falou como se lesse seus pensamentos. –Ela sabia que a intenção de Eurin ao lhe treinar era boa e não tinha nada demais, mas não queria que você ficasse obcecada por algo que poderia lhe machucar;
-Mas é só uma rosa, o que tem demais em criar ela? –Aaliah exasperou.
-Me responda você? –ele rebateu com um olhar que a fez estremecer e encolher-se.
-Eu não sei; ela murmurou.
-Você sabe Aaliah, só tem medo de admitir; Shaka falou tocando-lhe a face delicadamente, fazendo-a encará-lo.
-Eu...; Aaliah balbuciou, fitando-o com os orbes rasos de lagrimas.
-Você achou que criando essa rosa poderia superar o nível de Aimê, somente assim contaria a Afrodite que tem o cosmo desperto, não é? –o cavaleiro perguntou, vendo gotas cristalinas rolarem pela face da jovem.
-...; Aaliah assentiu. –Eu só queria que ele entendesse; ela sussurrou.
-Eu sei; Shaka falou compreensivo, abraçando-a fortemente, ouvindo um alto soluço escapar dos lábios da jovem.
-Eu não sou minha mãe; a jovem falou. –EU NÃO SOU; ela repetiu em meio a um grito.
-Não é; ele concordou, estreitando os braços em torno dela. –Eu sei que não;
O choro aumentou ainda mais, lá fora o céu fechava-se mais uma vez, mas ao contrario do que foram as ultimas noites, que caira apenas uma garoa, agora uma tempestade já dava sinais de que logo começaria a cair sobre Visby.
Sabia que esse era um dos assuntos mais difíceis de se falar para Aaliah, mas era preciso que as cartas fossem colocadas na mesa, só assim ela entenderia o risco que estava correndo.
-Sabe por que essas rosas são eternas? –ele perguntou num sussurro, sentindo-a agarrar-se fortemente a sua camisa.
-...; Aaliah negou com um aceno.
-Porque nós jamais nos esquecemos da pessoa que as criou; Shaka falou calmamente. –É uma rosa que sobrevive graças às lembranças e aos bons sentimentos que nós temos para com aqueles que a criaram. Essa rosa vai sempre existir, enquanto as pessoas que amavam Aimê e jamais vai esquecê-la, existirem;
-Shaka; ela murmurou, erguendo a cabeça.
-Sei pai também sabe que vocês não são a mesma pessoa, mas ele vê em você, a única forma de matar a saudade que por vezes pode ser enlouquecedora; ele explicou com suavidade. –Afrodite passou por maus momentos no santuário, quando os meses foram passando após ser sagrado;
-Como? –a jovem perguntou confusa.
-Ele amava Aimê demais Aaliah, ele jamais desejou tirar a vida de alguém, mesmo que para isso tivesse que sobreviver em meio a uma batalha. Eurin o treinou para ser insensível, matar se assim fosse necessário, ser tão belo quanto perigoso, como ela mesma falava;
-Tia Eurin? –Aaliah perguntou assustada.
-Às vezes podemos ser demônios disfarçados de anjos; ele falou de maneira enigmática. –Foi muito difícil para ele ser preparado durante anos para enfrentar Sorento, por causa da 'rincha' entre Eurin e Alister, para quando o dia finalmente chegar, vem com ela a noticia de que Sorento havia morrido;
-Mas...;
-O que ele mais queria aquele dia era perder aquela luta para Sorento, Aaliah. Ele jamais admitiu que Sorento houvesse morrido, mesmo porque, ele era sua ultima esperança poder voltar para Aimê; Shaka explicou fitando-a intensamente. –Se não se sentisse ameaçado, Sorento não o mataria. No final, apenas um seria sagrado e certamente Afrodite pretendia fazer com que fosse Sorento e não ele, mas isso não aconteceu e ele se tornou o cavaleiro de Peixes;
-Eu nunca pensei que...; ela balbuciou, fitando-o com um olhar triste.
-O que ele mais queria era estar todos esses anos com você e Aimê, foram várias as noites que o santuário não conseguiu dormir devido ao cosmo dele se manifestar de maneira tão melancólica, que todos eram contagiados por isso, embora ninguém nunca houvesse comentado nada com ele; o cavaleiro explicou, sabendo-se ser um dos muitos que acompanharam aquela história direta ou indiretamente.
Deu um baixo suspiro fitando a jovem com um olhar calmo, enquanto deixava a ponta dos dedos aos poucos correr pela face dela, apagando o ultimo rastro de umidade ainda existente ali.
-Afrodite te ama demais Aaliah, mas agora ele esta começando do zero, aprendendo de novo que o tempo não para e que nós simplesmente não podemos deixar de viver. Acredito que nem ele deseja que você se arrisque criando essa rosa eterna;
-Mas Shaka; ela ponderou.
-Sei a frustração que você sente, imagino como foi difícil viver a vida inteira ao lado de mulheres que deram o sangue para continuarem seguindo o caminho que escolheram sem fraquejar e ainda impedir que alguém lhe fizesse algum mal. Mas você também é uma mulher forte, capaz de escolher sozinha seu caminho sem precisar provar nada a ninguém; ele completou, dando-lhe um beijo suave no alto da testa.
Ela suspirou, aconchegando-se entre os braços dele, apoiando o queixo sobre o ombro dele.
-Queria estar mais segura disso; Aaliah sussurrou.
-Você sabe que não precisa criar essa rosa para mostrar ao Afrodite quem você realmente é; Shaka falou de maneira suave, deixando as mãos correrem com suavidade pelas costas da jovem, numa leve caricia, fazendo-a suspirar.
-Shaka, como foi que ele a ajudou? –ela perguntou hesitante.
-Como?
-A amazona da história que me contou, como foi que ele a ajudou? –a jovem perguntou ansiosa, voltando-se para ele.
-Jamais deixando de confiar nela, como eu, jamais vou deixar de confiar em você; o cavaleiro completou, roçando-lhe os lábios com suavidade, apenas um breve toque onde suas respirações se confundiam. –Sei que você pode superar quem quiser, confio em você e em sua capacidade;
Solitário é o caminho que tem te tocado
Um caminho sem descanso e sem regresso
Um dia encontrarás novamente a luz
Não sabias disso?
Não te deixes vencer e seja forte
-Shaka; ela balbuciou serrando os orbes instintivamente, até que seus lábios encontraram-se em um beijo intenso, onde todos os pensamentos foram rapidamente obliterados de sua mente.
Nunca esteve muito certa quanto a criação daquelas rosas e isso só aumentara depois da conversa que tivera com ele. Muitas coisas haviam passado despercebidas por si, principalmente quanto ao fato de Aimê sempre saber que já podia criar rosas; ela pensou dando um baixo suspiro, enquanto envolvia o pescoço do cavaleiro com os braços.
Segue teu coração
Deixa que o amor te guie através da escuridão
De volta a um lugar que uma vez esteve
Eu acredito, eu acredito, eu acredito em você!
-Eu acredito em você; ele sussurrou entre os lábios dela, antes de deixar uma das mãos prender-se de maneira possessiva entre os fios azulados, intensificando ainda mais aquela caricia.
Devia muito a Isadora, se não houvesse conversado com ela algumas horas antes, jamais saberia de uma vez por todas o segredo daquelas rosas que ameaçavam tira-la de si a qualquer momento.
Jamais permitiria que aquela jovem fosse tirada de sua vida, não agora, nem nunca, enquanto pudesse lutar para impedir isso.
Segue teus sonhos
Transforma-te em um anjo de bondade
Não há nada que não possa vencer
Eu acredito, eu acredito, eu acredito em você!
Sim, conseguia sentir isso dele, era como se sempre estivesse esperado para ouvir isso. Que ele, apenas ele confiava em si, isso já era suficiente.
Passara tanto tempo obcecada em descobrir o segredo daquelas rosas que em momento algum se perguntou se o fato de querer cria-las era por sua própria vontade, ou apenas por um capricho.
Não considerava isso um capricho de certa forma, mas aquele desejo de superar a mãe e provar ao pai que não eram a mesma pessoa, acabou por lhe fazer esquecer aquilo que era mais importante.
O motivo pelo qual sua mãe lutara tanto para que alguém jamais lhe ferisse, para que se tornasse a mulher determinada que era hoje e que jamais permitiria que seus objetivos fossem atrapalhados por qualquer um.
Na solidão... Assim você marcha
Com o coração aberto ao universo
Segue teu destino
Sem olhar para trás
Sem esperar mais
Que a manhã já se levanta
Desde que a conhecera, aprendera coisas sobre si mesmo que jamais pensou que existisse. Houveram vários momentos que imaginou o quanto era parecido com Astréia, a jovem deusa que perdera a fé na Terra tão rápido, que dera a batalha por perdida, sem ao menos lutar.
Aaliah lhe mostrou que existia uma forma de viver, sem que ficasse preso a uma rotina imposta por hábitos pré-determinados numa época em que vivia apenas esperando por guerras e momentos que a vida lhe seria tirada sem que pudesse evitar.
Eu sou sua estrela
Vê aonde teus sonhos te levam
Que a manhã te tocará
Se acreditares, se acreditares em você!
Uma atmosfera envolvente os rodeava, um baixo suspiro escapou dos lábios de ambos, enquanto deixavam-se apenas levar por aquilo que estavam vivendo.
Um calor reconfortante era emanado do corpo dele, deixando-lhe um estado de completa letargia.
Roçou-lhe os lábios com suavidade, afastando-se parcialmente, deparando-se com a face rosada da jovem e os orbes serrados. Um meio sorriso formou-se em seus lábios, enquanto deixava uma das mãos correr com suavidade pela face dela.
Eu sou tua luz
Não deixes que se apague a coragem que carregas
Ao final do caminho lembrarás
Que eu acredito, que eu acredito, que eu acredito em
você!
Aos poucos os orbes amendoados abriram-se para fita-lo com intensidade, um sorriso doce e suave moldou-lhe os lábios à medida que brincava distraidamente com uma mecha dourada que caia sobre os ombros dele.
-Obrigada; ela sussurrou.
-Pelo que? –Shaka perguntou num sussurro enrouquecido.
Algum dia te encontrarei
Algum dia me encontraras
E quando nos conhecermos de perto
Saberá que isso é verdade!
-Por ter entrado na minha vida; Aaliah respondeu, encostando a testa na dele.
-...; o cavaleiro negou com um aceno, chamando-lhe a atenção. –Eu que tenho de agradecer por ter entrado em minha vida;
-Porque, eu só te atrapalho, quebrando suas rotinas; ela brincou com um sorriso matreiro.
Segue teu coração
Deixa que o amor te guie através da escuridão
De volta a um lugar que uma vez esteve
Eu acredito, eu acredito, eu acredito em você!
-Se tivesse sido diferente, jamais teria me apaixonado por você; ele confessou, tocando-lhe a face de forma que a fizesse encarar-lhe.
Aaliah voltou-se surpresa para ele, embora soubesse que essa era a única forma de definir aquilo que sentiam, não havia como negar algo que ambos sabiam ser inevitável.
Segue teus sonhos
Transforma-te em um anjo de bondade
Não há nada que não possa vencer
Eu acredito, eu acredito, eu acredito em você!
Ela assentiu com a face tornando-se quase escarlate, ao voltar-se para ele com um olhar mais intenso que o fez estremecer.
Tocou-lhe a face com suavidade como se buscasse guardar todos ao traços que traçava com os dedos delicados.
-Amo você; ela sussurrou, antes de abaixar a cabeça parcialmente, roçando-lhe os lábios macios antes de uni-los num beijo lento, enquanto os dedos delicados prendiam-se entre uma mecha de fios dourados.
Enlaçou-a pela cintura, acomodando-a melhor em seu colo à medida que o beijo tornava-se mais intenso e avassalador, deixou que uma das mãos subisse pelas costas dela de maneira possessiva, tirando-lhe um fraco gemido dos lábios.
Beijou-lhe de maneira lenta, apreciando e saboreando o calor que os lábios dela tinham, deixando-se em meio aos movimentos envolventes e sedutores que suas línguas faziam buscando ávidas uma pela outra.
Um baixo gemido escapou de seus lábios, ao sentir os dedos finos prenderem-se com mais força entre as mechas douradas, afastaram-se parcialmente, mas antes que qualquer palavra fosse dita, seus lábios foram tomados pelo dela novamente.
Deixou uma das mãos descer de maneira lenta e provocante pelo pescoço dele, enquanto sentia os braços em torno de sua cintura se estreitarem, um sorriso provocante moldou-lhe os lábios.
Afastou-se parcialmente, voltando-se para ela. Tocou-lhe a face delicadamente, tendo um sorriso a moldar-lhe os lábios, sabia que aquela personalidade tinha que coincidir com algum signo.
-Escorpião; Shaka falou num sussurrou enrouquecido.
-Uhn? –Aaliah murmurou, voltando-se para ele com um olhar inocente, embora o sorriso em seus lábios quisesse dizer outra coisa.
-Você é de escorpião; ele falou lembrando-se que passara um bom tempo tentando adivinhar qual signo se identificava mais com a personalidade dela, mas devido às variações de humor que ocorriam no dia a dia, isso tornou-se algo um pouco difícil.
-...; ela assentiu silenciosamente. –Combinação interessante, não? –Aaliah perguntou com um sorriso sedutor.
-Muito interessante; o cavaleiro completou, puxando-a para mais um beijo.
-o-o-o-o-
Um meio sorriso formou-se em seus lábios ao ver que depois daquela conversa difícil os dois haviam se entendido, afastou-se da sala aos poucos, sabendo que sua presença não era notada, muito menos sentida.
Aos poucos sua imagem desapareceu em meio às paredes antigas daquela casa, indo para algum lugar desconhecido no momento.
.II.
Respirou fundo, ouvindo a discussão intensificar-se em um dos quartos, mais um dia que tinha que agüentar isso; o jovem de melenas castanhas pensou.
-Sinceramente Rafael, não sei como agüenta isso; James falou virando o jornal que lia, chamando a atenção do rapaz.
Voltou-se para o sogro com os orbes serrados de maneira perigosa, se fosse como ele já teria jogado a toalha há muito tempo, mas não, não iria simplesmente desistir agora.
-Estou pronta; Melissa avisou, descendo as escadas com ar contrariado, enquanto Alicia vinha logo atrás.
-Vamos então; Rafael falou levantando-se, ignorando completamente o comentário do sogro.
-Rafael; Alicia começou.
-Vamos Rafael; Melissa cortou a mãe, enlaçando o braço do noivo e puxando-o para longe, enquanto resmungava baixinho.
Alicia suspirou cansada, vendo-os se afastarem e apenas ouviu a porta ser batida em seguida.
-Qual foi a da vez? –James perguntou se tirar os olhos do jornal.
-Ela ainda esta falando daquele casal que vimos aquele dia no restaurante, teima que era Aaliah; Alicia respondeu, sentando-se no sofá em frente a ele.
-E? –o marido perguntou arqueando a sobrancelha.
-Ela acha que Rafael pode deixá-la de lado a qualquer momento, para ir atrás de Aaliah;
-Essa historia de novo; James exasperou, jogando o jornal ainda aberto sobre a mesa de centro que os separava. –Quando essa garota vai perceber que Rafael é o único a suportá-la;
-James; Alicia exasperou, levantando-se de maneira à nervosa. –Não fale assim da sua filha;
-Sabe, às vezes me pergunto se ela é realmente minha; ele rebateu com os orbes estreitos.
-O QUE? –ela berrou.
-Isso mesmo que ouviu, se pelo menos Melissa fosse um pouquinho perspicaz como você ao me arrastar para o altar, deixaria de ser uma fedelha mimada e invejosa como você a criou. Pelo menos seria um herdeiro decente para as minhas empresas; James falou, mas fechou os olhos no momento seguinte ao ouvir um estalo alto e a mão da esposa chocar-se contra sua face.
-Nunca mais se atreva a repetir uma besteira dessas; Alicia avisou com os orbes perigosamente estreitos. –Mas quer saber, Melissa é igualzinha a você. Ela aprendeu a ser ordinária com o maior dos cretinos; ela vociferou, dando-lhe as costas e deixando-o na sala.
-o-o-o-o-
-O que foi Rafael? –Melissa perguntou enquanto o via dirigir para o centro com uma expressão carregada.
-Nada; o jovem respondeu ainda compenetrado com a direção, pelo menos era isso que parecia.
-Meu pai andou lhe falando alguma coisa não? –ela perguntou abaixando os olhos, com ar cansado.
-Às vezes eu me pergunto por que não simplesmente jogo a toalha; ele falou mais para si do que para ela.
-Como? –Melissa perguntou confusa.
-Você tem ciúmes até da própria sombra, qualquer garota que se aproxima de mim, por mais que seja sua melhor amiga, você acha que ela vai se jogar em cima de mim a qualquer momento. Você não confia em mim, mas aceitou se casar comigo quando eu pedi. O que você realmente quer Melissa? –ele perguntou reduzindo a velocidade e voltando-se para ela.
-Rafael; a jovem murmurou fitando-o confusa.
-Você fez com que eu me afastasse da única amiga que sempre me apoiou incondicionalmente, fez com que todo o tempo que eu tinha livre, fosse gasto com você, mas nem eu dizendo que te amo você parece acreditar; Rafael falou estacionando o carro. –Acho que seria melhor terminarmos de uma vez e parar de insistir em algo que já afundou há muito tempo;
-Rafael, não; ela pediu em tom suplicante.
-Melissa, não da mais; ele falou balançando a cabeça levemente para os lados.
-Eu prometo que agora vai ser diferente; Melissa falou, colocando a mão sobre a dele que já soltava o cinto.
-Sabe quantas vezes nos últimos anos eu ouvi você fazer essa mesma promessa? –Rafael perguntou sem se abalar pelos orbes rasos de lagrimas.
A jovem entreabriu os lábios para dizer algo, mas uma pontada em sua cabeça fez com que virasse na direção oposta. Os olhos castanhos num milésimo de segundo tornaram-se vermelhos para enegrecerem em seguida.
-Estão aqui; ela falou num tom sombrio de voz, fitando algo alem do vidro do carro.
-Estou cansado de tantas promessas em vão; ele falou suspirando cansado, vendo que novamente ela deixava de lado uma conversa seria que estavam tendo para se concentrar na vida alheia.
A jovem piscou seguidas vezes ao ouvir a porta ser batida, voltou-se para o lugar onde Rafael estava e assustou-se ao ver-se sozinha dentro do carro, enquanto ele já se distanciava em direção a catedral onde a missa estaria começando.
-o-o-o-o-o-
-Droga; Hékates vociferou, dando um cascudo em Aiácos.
-Hei! –ele resmungou massageando o local atingido.
-Ela sabe que estamos aqui; a deusa falou serrando os punhos nervosamente. –Precisamos agir rápido;
-O que sugere então, gênio? - o juiz rebateu sarcástico, estava cansado de ouvi-la reclamar tanto, o que mais queria era voltar para Paris, mas com essa missão era impossível.
Hékates voltou-se para ele furiosa, antes de simplesmente desaparecer tão rápido que ele mal sentiu seu cosmo.
-Garota estranha; Aiácos resmungou voltando a observar o casal entrar na igreja.
.III.
-Shaka, o jantar; Aaliah sussurrou entre os lábios dele.
-Pedimos pizza depois; ele falou dando-lhe um selinho.
-Mas...; a jovem foi cortada quando os lábios dele colaram-se sobre os seus novamente, afastou-se um pouquinho tentando inutilmente falar. –Vovó...; ela falou.
-O que? –ele perguntou num sussurro enrouquecido, abandonando-lhe os lábios para deixá-los correrem de maneira suave pela curva do pescoço, sentindo-a estremecer entre seus braços.
-Meus avós; ela falou serrando os orbes à medida que sentia os lábios ainda úmidos descerem até o ombro.
-O que tem? –o cavaleiro perguntou, deixando uma das mãos subir lentamente pelas costas dela, arqueando-a parcialmente, enquanto os lábios passavam pelo queixo, em direção ao outro lado.
-É hoje; Aaliah completou sentindo-o estancar, destruindo todo aquele clima que pairava sobre eles.
-O que? –Shaka perguntou erguendo a cabeça e voltando-se para ela.
-Lembra que havíamos combinado deles jantarem hoje aqui? –ela perguntou com um sorriso inocente.
Como poderia ter se esquecido, no dia anterior haviam ido até a casa de Emilia e Henry e combinado com o casal de fazerem um jantar em Vale das Flores, mas... Tinha que ser lembrado disso agora? –ele pensou com ar frustrado.
-O que foi? –Aaliah perguntou com um sorriso arteiro, sabendo perfeitamente o motivo da frustração dele.
–Vamos logo, temos muito que fazer, já são quase oito horas; ele resmungou levantando-se e erguendo-a de seu colo.
-Shaka; ela chamou vendo-o se afastar em direção a cozinha resmungando algo que não foi capaz de entender.
Deu um meio sorriso, realmente, se fosse diferente, jamais teria se apaixonado por ele.
Aquela noite ainda renderia muito que falar...; ela pensou, enquanto o seguia em direção a cozinha, ouvindo um barulho de coisas caindo, possivelmente dele procurando o que usariam para preparar o jantar.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim, no próximo a junção entre 'O Jardim das Rosas' e 'De Volta ao Vale das Flores', possivelmente acontecera, muitos segredos pendentes da outra história serão revelados, por isso, acalmem os desejos assassinos de quererem que eu vá fazer uma visitinha ao Hades, por causa do ultimo capitulo de 'O Jardim das Rosas' porque vocês serão compensados.
Espero sinceramente que tenham gostado desse capitulo, aos poucos os segredos estão sendo revelados e o possível encontro entre Astréia e Shaka também esta se aproximando.
No mais, agradeço de coração a todos que vem acompanhando essa história desde o começo.
Agora me despeço...
Um forte abraço
Até mais...
Dama 9
