De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga. Asmita de Virgem não me pertence, ele é um personagem oficial de Lost Canvas.
Boa Leitura!
N/a: Não percam 'Luthier – Uma Melodia para Sonhar (A Melody to Dream), o prólogo de 'De Volta ao Vale das Flores'.
Capitulo 13: Seth e Astréia.
.::A Historia dentro da História – Parte I::.
Os longos cabelos dourados esvoaçaram com o vento, enquanto os orbes incrivelmente azuis, quase beirando ao verde-água perdiam-se no horizonte. Mais um século estava passando e mais uma vez se via ali, esperando novamente que a correnteza lhe guiasse pelos novos caminhos que iria seguir; a jovem pensou contendo um suspiro.
Era tão estranho que todos eles fossem tão parecidos consigo, não era mera coincidência, sabia disso, mas... Não conseguia entender o que o Onipotente queria lhe provar com isso.
-Talvez você já saiba a resposta, apenas não quer escutar seu próprio coração e descobrir que esta errada; uma voz amiga falou atrás de si.
Virou-se rapidamente deparando-se com um par de longas asas brancas, que fecharam-se graciosamente, antes de simplesmente desaparecerem em meio a uma aura dourada.
-Harmonia; ela falou surpresa com a chegada repentina da deusa.
-Ainda temos algum tempo antes da próxima guerra; a jovem falou aproximando-se da beira do rio, fitando o sol perder-se no horizonte, encerrando mais um dia.
-Você e Aurora vão mesmo seguir adiante com isso? –Astréia perguntou hesitante, sabendo perfeitamente que as duas deusas com autorização do Onipotente ou não, interferiam nas guerras a favor dos mortais que lutavam em nome de Athena.
-Sempre; Harmonia respondeu com um sorriso confiante. –Mesmo que só exista apenas uma centelha de cosmo, vamos queimá-lo para cometer um milagre. Deveria saber disso, Astréia? –ela rebateu de forma enigmática.
-Eu sinceramente não lhe entendo; a jovem balbuciou confusa.
-O mundo vive num ciclo de eterna renovação Astréia, há momentos para aprender, lutar e viver. Enquanto não desistirmos, sempre abriram-se oportunidades em nossos caminhos para nos fazer melhor e lutar por aqueles que nos são caros; Harmonia falou calmamente.
-Não sei, isso parece tão utópico para mim; ela falou assoprando levemente a franja dourada que caia sobre seus olhos. –Não consigo acreditar que os humanos vão simplesmente deixar de ser cruéis, egoístas, para lutarem por um propósito comum;
-Deveria lembrar-se mais de Asmita; Harmonia rebateu voltando-se para ela com um olhar tão intenso, que a jovem instintivamente encolheu-se.
-Co-mo? –Astréia perguntou com a voz tremula.
-Asmita de Virgem; a jovem repetiu, como se gravasse lentamente esse nome em sua mente. –Ninguém tinha muita fé nele, muitos o achavam misterioso demais e indigno de confiança. Até mesmo seus companheiros duvidavam que ele fosse realmente leal e lutasse pelo mesmo propósito que os demais. 'Por amor a justiça e por Athena'; ela falou recitando por fim, o juramento dos cavaleiros.
-Asmita era-...;
-Igualzinho a você; Harmonia a cortou. –Ele tinha o poder de enxergar o mundo com os olhos que mortal algum possuía, alguns poderiam achar isso uma desvantagem em meio à batalha, ou uma fraqueza, mas ele não se tornou um dos homens mais próximo dos deuses, apenas por seu cosmo, ou por sua força; a jovem falou calmamente.
Astréia calou-se, sem argumentos para combater a explanação da jovem. Harmonia estava certa, nem mesmo os cavaleiros de ouro confiavam em Asmita a ponto de confiar-lhe a vida, mas as pessoas são realmente imprevisíveis; ela pensou intrigada.
-Como qualquer ser humano ele também esteve sujeito a duvidas, revoltas e momentos que simplesmente perdeu a fé, não nos outros, mas em si mesmo que é o mais difícil de se superar; Harmonia falou chamando-lhe a atenção. –Mas nem por isso deixou de lutar para que um mundo melhor chegasse, mesmo que não fosse em sua geração; ela completou.
Engoliu em seco, entendendo perfeitamente o que a jovem queria dizer de maneira tão casual ao citar Asmita. Harmonia nunca fazia algo sem um propósito e tinha certeza de que ela não estava ali à toa.
-Não mesmo; a jovem respondeu lendo seus pensamentos.
-Uhn? –Astréia voltou-se para ela surpresa.
-Estou aqui para lhe cobrar algo, mas já aviso, que não serei a primeira muito menos a única; Harmonia falou adquirindo uma expressão mais séria.
-Do que esta falando? –ela perguntou.
-Como Deusa da Justiça você não poderá permanecer mais 'em cima do muro', quando a próxima Guerra Santa chegar, você terá de escolher um lado; Harmonia avisou com um olhar tão frio que chegava a assustar até mesmo Hades. –Você terá de escolher um lado, não estou lhe cobrando nada, mas acredite. É melhor escolher o lado certo, pois o destino de muitas pessoas vai estar em jogo se um erro for cometido; ela completou dando-lhe as costas.
-Harmonia; Astréia chamou, levantando-se rapidamente.
-...; de costas a jovem assentiu para que ela continuasse.
-O que vai acontecer se eu, bem... Escolher o lado errado? –ela perguntou hesitante.
-Uma ação, causa uma reação e isso sucessivamente influencia tudo ao redor, mesmo que de maneira lenta... Como um efeito dominó, não julgue os demais por suas próprias ações, busque em si mesma a resposta para as duvidas que tenha. Decidir qual é o lado certo, só cabe a você e não a mim lhe dizer; a jovem completou de maneira enigmática continuando a caminhar. –Mas a consciência é sua...; falando isso desapareceu completamente, deixando-a ali, sozinha.
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.I.
Deu um suspiro extasiado ao sentir o cheiro do vinho subir com o vapor da água, misturando-se ao ambiente, enquanto observava-o atentamente, preparando o molho.
-Pode pegar uma colher de madeira para mim? –Shaka perguntou, enquanto mantinha-se concentrado naquilo que fazia.
-Claro; Aaliah respondeu prontamente.
Mal tivera tempo de mostrar a ele onde às coisas ficavam na cozinha e o mesmo lhe proibira veementemente de se aproximar do fogão, dizendo que ele faria o jantar.
Chegou há desconfiar um pouco, mesmo porque ele ainda parecia 'bravo' pela pequena interrupção feita na sala, mas resolveu abandonar qualquer possibilidade de 'retaliação', quando o mesmo começou até a 'cantarolar' enquanto preparava as coisas.
Faceta da qual desconhecia completamente do cavaleiro; a jovem pensou aproximando-se dele com a colher de madeira na mão.
-Aqui; Aaliah falou estendendo a ele.
-Obrigado, está quase pronto; o cavaleiro avisou, pegando a colher.
-Uhn! Esta com um cheiro bom; ela murmurou se aproximando da panela.
-Pode parar ai, mocinha; Shaka a cortou, enlaçando-a pela cintura e delicadamente a afastando da panela.
-Shaka; Aaliah murmurou com olhar pidão.
-Não se atreva, já disse que não quero você na frente desse fogão; ele falou veemente, tentando não sucumbir aquele olhar.
-Mas...;
-Tenha só mais um pouco de paciência; o cavaleiro pediu, vendo perfeitamente que ela estava em cima de si, que nem um 'papagaio de pirata', como diria Aldebaran, querendo literalmente raspar a panela, mas não queria esperar muito para isso.
-O cheiro ta tão bom, me deixa experimentar só um pouquinho? –Aaliah pediu com os olhinhos brilhando.
-Você pode se queimar; ele avisou, tentando não ceder.
-Eu assopro; ela respondeu prontamente.
-Não sei por que você pede se da um jeito de conseguir o que você quer de qualquer jeito; Shaka resmungou dando-se por vencido, enquanto voltava-se para a panela.
-É mal do signo; ela sussurrou em seu ouvido, enquanto apoiava-se no ombro do cavaleiro observando-o pegar uma colher e levar a panela, para retirá-la em seguida, agora repleta de molho branco, regado a muito vinho e com um 'Q' a mais de camarões grandes e rosados.
-Assopre bem; Shaka avisou entregando-lhe a colher.
-Obrigada; Aaliah falou dando um beijo estalado na bochecha do cavaleiro, antes de se afastar com a colher, sorrindo mais do que o gato da Alice no país das maravilhas.
Balançou a cabeça levemente para os lados, enquanto voltava às atenções para a panela.
-AI;
Virou-se rapidamente ao ouvir um baixo gemido da jovem, quando a mesma deixou a colher sobre a mesa e abanava freneticamente a boca.
-Droga;
-Eu avisei; o cavaleiro falou como se não duvidasse que ela demoraria a se queimar, abriu o congelador rapidamente tirando uma forminha de gelo. –Tome; ele falou entregando o gelo a ela, vendo que o canto esquerdo dos lábios dela estava mais vermelho do que o resto, possivelmente fora ali que ela queimara.
-Mas eu assoprei; Aaliah se defendeu.
-Sei; Shaka falou meio descrente.
-Droga; ela murmurou abaixando os olhos com ar emburrado.
-O que foi? –Shaka perguntou tocando-lhe a face suavemente, fazendo-a encará-lo.
-Mal deu para sentir o gosto; Aaliah murmurou fazendo beicinho.
-Aaliah; Aaliah; ele murmurou balançando a cabeça levemente para os lados, enquanto pegava o gelo da mão da jovem e afastava-se indo até a panela.
-O que vai fazer? –a jovem perguntou curiosa, vendo-o pegar outra colher com molho.
Não houve resposta, o cavaleiro apenas apertou entre os dedos o cubo de gelo por alguns segundos, antes de jogá-lo dentro da pia e pousar a colher na palma da mão. Aaliah o fitou confusa, ainda mais depois que o cavaleiro voltou-se para ela.
-Tome;
-Mas, o que você fez? –ela perguntou confusa.
-Experimente;
-E se estiver quente? –Aaliah perguntou olhando-o desconfiada.
-Não vai estar; Shaka falou veemente. Entreabriu os lábios para contestar, mas ele a cortou. –Ou prefere esperar até o jantar?
Rapidamente a jovem estendeu a mão para pegar a colher, ainda hesitante levou a mesma até os lábios e surpreendeu-se ao ver o molho apenas morno, não fervendo como anteriormente.
-O que você fez? –ela perguntou num murmúrio, enquanto mantinha o ar pensativo, apreciando o gosto.
-Choque térmico; o cavaleiro explicou enquanto se aproximava. –Se tivesse assoprado, não teria se queimado; ele completou, tocando-lhe o canto dos lábios com a ponta dos dedos, fazendo-a erguer os orbes em sua direção.
-Nunca tive muita paciência para esse tipo de coisa; Aaliah se justificou.
-Posso imaginar, é mal do signo; Shaka completou com um sorriso suave.
-...; Aaliah assentiu com um olhar infantil, enquanto se aproximava do cavaleiro, enlaçando-lhe o pescoço com os braços. –Obrigada, está ótimo; ela falou com os lábios quase roçando os dele.
-Sério? –ele perguntou enlaçando-a pela cintura, fazendo-a suspirar ao abaixar-se, deixando os lábios correrem com suavidade pela maçã rosada do rosto.
-...; Aaliah serrou os orbes instintivamente, assentindo.
-Então é melhor já ir arrumar a mesa, seus avôs estão chegando; o cavaleiro falou com um sorriso matreiro ao sussurrar-lhe no ouvido.
-Uhn? –ela murmurou confusa quando ele afastou-se rapidamente, voltou-se para o cavaleiro que já estava em frente ao fogão novamente.
Ele não fez o que pensava que fez, não é? –Aaliah se perguntou, instintivamente buscando o apoio da parede, sentindo as pernas menos tremulas.
-Céus; ela murmurou abanando-se.
-Aaliah;
-Uhn! Sim; a jovem balbuciou vendo o cavaleiro mexer no molho, completamente alheio ao que causara, se bem que aquele fino sorriso em seus lábios, já o traia para a pequena 'retaliação'.
-Eles já estão chegando, porque não vai arrumando a mesa? –Shaka perguntou, chamando-lhe a atenção.
-Ah! Ta...; ela murmurou, enquanto aproximava-se do armário para pegar os pratos e outros utensílios necessários.
Balançou a cabeça levemente para os lados, mais uma faceta que desconhecia; ela pensou, enquanto tentava alcançar alguns pratos numa prateleira praticamente fora do seu alcance.
-Espera, eu pego; Shaka falou num sussurro em seu ouvido, fazendo-a estremecer, quando postou-se atrás da jovem e pegou os pratos que ela não alcançava, colocando-os na bancada do armário.
-Obrigada; Aaliah respondeu voltando-se para ele, mas a única resposta que teve, foram os lábios dele colados aos seus, envolvendo-a em um beijo mui caliente, que fê-la encostar-se na bancada, buscando por apoio, até o mesmo enlaça-la pela cintura, colando seus corpos e tirando-lhe um baixo gemido dos lábios.
Definitivamente esse era um lado de Shaka de Virgem que desconhecia; a jovem pensou, ao enlaçá-lo pelo pescoço, deixando os dedos finos prenderem-se entre os fios dourados, enquanto sentia o toque possessivo das mãos dele, subindo e descendo por suas costas.
Afastaram-se lentamente, com as respirações descompassadas, chocando-se entre si. Tocou-lhe a face com suavidade, vendo-a abrir os orbes amendoados, aos poucos tornando-se castanhos.
-Esse é um lado da sua personalidade que desconhecia completamente; ela falou num sussurro enrouquecido.
-Se lhe contasse todas as minhas 'facetas' perderia a graça; ele falou com um sorriso matreiro.
-Mas não se tornaria menos interessante; Aaliah rebateu.
-Não, o interessante é deixar você descobrir sozinha; o cavaleiro falou num sussurro sedutor em seu ouvido, fazendo-a estremecer.
Definitivamente... Esse era um lado de Shaka de Virgem que jamais pensou que existia; ela pensou.
-É melhor ir arrumar a mesa, eles já estão perto; o cavaleiro avisou ao se afastar e voltar para o fogão, antes que tudo acabasse ficando queimado e eles tivessem realmente que pedir uma pizza.
.::A Historia dentro da Historia – Parte II::.
O longo vestido branco esvoaçava levemente enquanto andava pela beira do Ganges, o dia estava apenas começando, mas prometia ser bastante quente; ela pensou, sentindo a face adquirir um tom rosado devido ao calor.
Os pés descalços vez ou outra eram molhados pela água, quando resolvia afastar-se mais da margem.
Era estranho como sentia-se tão tranqüila ali, a atmosfera daquele lugar era incrivelmente reconfortante. Diferente de sua terra natal que nos últimos séculos visitara poucas vezes, alias só estivera lá duas vezes. No ultimo século, a primeira fora quando Asmita sagrada-se como cavaleiro de Virgem e a segunda, fora quando seu sucessor fora sagrado, compondo a nova geração de Santos sobre o comando de Shion de Áries, novo Grande Mestre do Santuário de Athena.
O tempo parecia estar passando tão rápido; ela pensou suspirando, enquanto levava uma das mãos aos longos cabelos dourados, tirando alguns fios que teimavam em cair sobre sua face.
Já faziam quase dois séculos desde que falara com Harmonia pela ultima vez, ouvira dizer que ela andara viajando pelo mundo nos últimos anos, fazendo breves paradas em Asgard e outras na Sicília, mas em meio a esses caminhos, nunca se encontraram.
As palavras dela ainda ecoavam em sua mente e toda vez que buscava uma resposta, a mesma parecia correr para longe de suas mãos, impedindo que a pegasse.
Suspirou novamente, logo a guerra começaria e lá estaria ela novamente vendo a sagração de mais um cavaleiro. Ainda se perguntava por que seu pai pedira que fizesse isso.
Voltar a Terra cada vez que um novo cavaleiro de Virgem fosse ser sagrado? Alias, seu pai às vezes agia de forma bastante estranha, tudo bem que na maioria das vezes ele era tão devasso que o mais santo dos homens teria vergonha de ficar perto dele por mais de cinco minutos, mas as vezes ele agia de maneira diferente, como se não estivesse pensando só em si, e sim, preocupado com o bem maior.
Muito atípico de sua personalidade tão dominadora e egocêntrica; ela pensou franzindo o cenho por um momento. Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor não tentar entendê-lo. Descobrir o que realmente estava por trás de suas ações, por vezes era medonho demais.
Ouviu uma canção suave ser assoviada por alguém, parou de andar e começou a olhar para os lados buscando pela origem de tal melodia, surpreendeu-se ao ver um pequeno barco ancorar na beira do rio e de lá sair um jovem de cabelos negros e incríveis orbes azuis.
O pescador parecia alheio à presença da jovem ainda, pois logo substituiu o assovio por sua própria voz, começando a cantarolar de maneira empolgada a melodia que encantava qualquer um que ouvisse.
Passou a mão pela testa, afastando os fios negros que caiam sobre seus olhos, olhou para o céu abrindo o sorriso mais encantador que ela já vira. Ele fechou os olhos por um momento, apenas movendo os lábios num baixo sussurro que ela não pode ouvir.
Alongou os braços para cima, aproveitando para retirar a camisa sem mangas que já colava-se a seu corpo devido ao suor. Mal o dia nascera e já retornava com os peixes que sairá para pescar.
O trabalho começava cedo ali e não poderia se dar ao luxo de perder tanto tempo; o rapaz pensou, enquanto voltava-se para o barco buscando os peixes que havia trazido.
Parou por um momento, tendo a impressão de que não estava sozinho. Virou-se com cautela, mas estancou ao deparar-se com um par de orbes azuis sobre si que fizeram com que o tempo simplesmente parasse a sua volta.
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.II.
Deu um baixo suspiro, perfeito, tudo estava pronto; ela pensou vendo os quatro pratos na mesa, talheres, copos e mais algumas coisas que colocara, quando a campainha tocou.
-Já vou; Aaliah avisou, deixando a sala de jantar, enquanto Shaka terminava os últimos preparativos.
Abriu a porta, mas quase caiu para trás sendo atropelada por Dona Flora.
-Boa noite menina, espero que não se importe em colocar mais água no feijão, Emilia falou que vocês não se importariam; ela completou entrando na casa.
Abriu a boca seguidas vezes sem conseguir emitir som algum.
-Há trouxemos a sobremesa, aonde esta seu namorado adorável? –Flora perguntou enquanto dirigia-se para a cozinha.
-Na coz-...; Aaliah parou vendo que não era ouvida.
-Isso não foi idéia nossa; alguém falou atrás dela, chamando-lhe a atenção.
Virou-se encontrando o olhar divertido de Rebeca e Lisa, que pareciam hesitar um pouco em entrar da mesma forma que Dario, Henry e a própria Emilia fitavam a jovem.
-Entrem, por favor; Aaliah pediu, ainda se recuperando da surpresa.
-Aaliah querida, trouxemos o vinho; Henry falou estendendo a garrafa a ela.
-Obrigada, vovô; a jovem agradeceu, enquanto seguida com eles para o interior da casa. –Shaka já esta terminando, não querem ficar um pouco na sala? –ela perguntou.
-Claro; Emilia falou com um sorriso gentil para a neta.
-Aaliah querida, se quiser, eu mesma arrumo um padre; Flora falou voltando da cozinha com um sorriso maior do que o do 'Curinga'.
-Ahn! –ela murmurou confusa.
-Oras, em que mundo você vive? –a senhora perguntou.
-Flora já chega, alem de quase atropelar Aaliah quando chegamos, ainda vai ficar pegando no pé dela, eu falo para vocês que ela ta esclerosando; Dario falou puxando a esposa para longe de Aaliah.
-Hei!
-Obrigada; Aaliah falou num sussurro, que o senhor para entender o que ela disse, teve que fazer leitura labial.
-Boa noite; a voz do cavaleiro ecoou pela sala, chamando-lhes a atenção.
-Boa noite; todos responderam.
-Bem, o jantar já esta pronto; Shaka avisou.
-Vamos para sala de jantar então; Aaliah falou, indicando o caminho a todos.
Um por um, os amigos deixaram à sala, permanecendo apenas Aaliah e Shaka.
-Isso não foi idéia minha; ela sussurrou ao aproximar-se dele.
-Não tem problema; ele falou enlaçando-a pela cintura, prendendo-a num abraço carinhoso.
-Me diz, a Dona Flora te falou alguma coisa, não é? –Aaliah perguntou curiosa.
-Nada importante; Shaka falou desviando o olhar.
-Shaka; Aaliah falou em tom de aviso.
-Bem... Ela só me perguntou se eu não tinha algum irmão gêmeo disponível; ele respondeu, vendo Aaliah serrar os orbes perigosamente.
-Que atrevimento; ela resmungou indignada.
-Mas não precisa ficar com ciúmes; o cavaleiro sussurrou em seu ouvido, fazendo-a estremecer. –Eu disse que só tenho olhos para você; ele completou, fazendo-a corar furiosamente.
-Ahn! Bem...; ela balbuciou.
-OS POMBINHOS NÃO VÊM? –Flora chamou, já na sala de jantar.
-É melhor irmos; Shaka falou casualmente, enquanto a puxava consigo para a sala de jantar.
.::A História dentro da História – Parte III::.
-É estranho; a jovem balbuciou, sentando-se num banquinho de madeira em frente à modesta casa do rapaz.
-O que? –Seth perguntou observando-a atentamente.
Desde que haviam se conhecido na beira do Ganges a algum tempo atrás vinham encontrando-se com freqüência, passando o tempo que dispunham para conversar.
Às vezes se perguntava quem era realmente aquela bela jovem de melenas douradas. Muitas vezes pensara que ela poderia ser a própria Lákshmi andando entre mortais, devido a sua beleza e formosura.
Se fosse mesmo, céus, como Vishnu era um deus de sorte, ter alguém assim a seu lado; ele pensou, ao compará-la com a esposa do 'Onipotente Hinduísta'.
-Essa passagem do tempo; ela comentou erguendo a cabeça para o céu, vendo a lua erguer-se imponente, para ser apreciada por todos naquela noite calma.
-Como? –ele perguntou confuso.
-Não entendo como o tempo pode passar tão rápido aqui; Astréia murmurou pensativa. Agora faltava mais ou menos trinta anos mortais para recomeçarem as guerras e seu prazo estava acabando; ela pensou.
-Tio, mamãe perguntou se o senhor e sua namorada não querem entrar para jantar; um pequeno garotinho de vivos orbes negros perguntou aparecendo correndo na frente da casa.
-O que? –os dois falaram corando furiosamente devido à indagação inocente do pequeno.
-O que foi? –Kala perguntou inocentemente.
-Ahn! Bem...; não adiantaria explicar; Seth pensou, balançando a cabeça levemente para os lados. –Não quer entrar? –ele perguntou cordialmente, voltando-se para a jovem.
-Não quero incomodar; Astréia balbuciou com a face em chamas ao mirar aquele par de orbes azuis.
-Não é incomodo algum; Seth falou estendendo-lhe a mão.
A jovem fitou-o por alguns segundos, hesitante, mas por fim estendeu-lhe a sua, vendo-o fechar a mão sobre a sua. Engoliu em seco, sentindo um estranho friozinho surgir em sua barriga.
-Vamos; o jovem falou, tirando-lhe de seus pensamentos, enquanto a puxava para dentro da casa.
Não era um lugar muito requintado, mas a simplicidade daquele lugar compensava qualquer coisa, Seth desde muito cedo perdera os pais, restando ele e uma irmã mais jovem.
Lutara muito para conseguir sobreviver e criar a irmã, mesmo com as dificuldades do país em que viviam. Mas aos poucos vinham conseguindo isso. Aos dezoito anos, Sati havia se casado e tivera Kala, pouco tempo depois quando as guerras civis no país tornaram-se mais ferrenhas o marido acabara morrendo e os dois, haviam voltado a viver com Seth, naquele vilarejo próximo ao Ganges.
Era tão estranho que por mais dificuldades que passassem, mais unidos eles ficavam; Astréia pensou, enquanto o acompanhava para dentro da casa.
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-Obrigada; ela falou com os lábios tão perto dos dele, que jovem sentia os pensamentos completamente desordenados. –Obrigada por me fazer acreditar; a jovem completou antes de afastar-se parcialmente.
-Do que está falando? –Seth perguntou confuso.
Não fazia muito tempo que haviam deixado Sati e Kala em casa e saído para caminhar, quando aproximaram-se da beira do Ganges e a jovem simplesmente parara com ar pensativo.
-Um dia, quando a Terra ainda era jovem; Astréia começou em tom solene, erguendo os orbes em direção a lua, enquanto sentia os pés tocarem a água gelada. –Uma batalha foi travada nessa Terra, muitos de meus irmãos haviam sido enviados para cá, para que ajudassem os mortais a evoluírem e consigo, tornar essa Terra um lugar melhor para se viver;
Seth aproximou-se cautelosamente, tentando entender sobre o que ela estava falando, embora temesse que algumas conclusões que já havia tirado, se concretizassem.
-Antes mesmo de começar a lutar eu desisti e dei a batalha como perdida, enquanto meus irmãos continuaram e fizeram dessa Terra aquilo que vemos hoje. Mesmo aonde o Caos é intenso, a crueldade é ferrenha e o ódio por vezes é o maior predominante, ainda uma pequena centelha de esperança é capaz de nascer, fazendo com que pessoas às vezes simples, dêem a própria vida, para mudarem o destino e tornarem esse mundo que vivemos num lugar melhor; ela falou, lembrando-se novamente da conversa que tivera com Harmonia.
-Então...; ele começou parando ao lado dela, hesitante em continuar.
-Obrigada Seth, muito obrigada por ter aberto meus olhos; Astréia falou tomando as mãos dele entre as suas.
-Então isso é uma despedida? –o jovem falou quase num sussurro, fitando-lhe os orbes azuis com intensidade.
Já imaginava que ela deveria ser algum tipo de divindade caminhando sobre a Terra, alias, Astéria era alguém que jamais sonhara encontrar em toda sua vida, nunca pensou na revolução de sentimentos que ocorreriam em si depois de conhecê-la, mas desde o começo tentou se convencer de que não seria para sempre, pois logo ela voltaria para os seus.
-Só depende de você; ela respondeu de maneira enigmática aproximando-se ainda mais dele.
Antes que qualquer indagação pudesse ser feita, sentiu os lábios da jovem cobrirem os seus, de maneira tão suave e entorpecente, que sentiu-se atordoado. Instintivamente seus braços enlaçaram à cintura delgada, tirando-lhe um suspiro dos lábios.
-"Eu já escolhi o lado que desejo ficar, Harmonia"; a jovem pensou, ao enlaçar o jovem pelo pescoço, apenas deixando-se levar por aquele momento, em que o tempo, poderia simplesmente parar.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim e a noite ainda esta começando, nesse capitulo decidi colocar a história dentro da história e contar um pouquinho sobre o relacionamento entre Seth e Astreia, até bem... O concebimento desse loirinho lindo que ilumina a vida de todas as fãns XD.
Eu sei que prometi a aparição da Isa nesse capitulo, mas fazer esse pequeno conto de Seth e Astréia aqui, acabou surgindo meio que de ultima hora e essa aparição foi um pouco adiada. Mais preparem-se para muitas surpresas.
Até o próximo capitulo ainda haverá algumas cenas laterais, antes do grande encontro. Sinceramente espero que tenham gostado do capitulo, obrigada de coração por todos os reviews e grande apoio.
Um forte abraço
Dama 9
