De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
N/a: Não percam 'Luthier – Uma Melodia para Sonhar (A Melody to Dream), o prólogo de 'De Volta ao Vale das Flores'.
Capitulo 15: O laço que nos une.
.::A Historia dentro da História –Coração Mortal::.
Sentia o coração se apertar a cada passo que dava seguida por Kala e Sati que tinham um olhar opaco, também pudera; ela pensou sentindo grossas lagrimas caírem de seus olhos.
Nunca pensou que aquilo pudesse acontecer, quem sabe se ainda tivesse seus poderes pudesse ter impedido que aquilo acontecesse, mas não. Respirou fundo, jamais iria se arrepender da decisão que tomara.
Mas porque aquelas malditas guerras civis tinham que continuar no país, será que aqueles idiotas que se diziam 'governantes justos', não percebiam quantos inocentes sofriam com aquilo.
O pior de tudo era vê-lo parti e o quão as Deusas do Destino eram cruéis consigo; ela pensou, levando a mão instintivamente ao ventre, sentindo breves contrações.
Sabia que não podia sofrer pressões extremas, nem passar por tensão demais, mas seria um pouco difícil agora.
-Tia; o pequeno Kala chamou, segurando em sua mão.
Abaixou a cabeça encontrando os orbes negros do garotinho sobre si, com visível preocupação, não eram azuis como os de Seth, mas refletiam a mesma determinação, seria um grande homem quando crescesse, igual ao tio.
-Uma vez mamãe me disse que as pessoas que amamos, quando partem, ficam lá em cima, olhando por nós; ele falou, erguendo a mão em direção ao céu.
-...; Astréia assentiu.
Como queria ter a inocência daquela criança para que pudesse acreditar que se Seth estivesse mesmo lá em cima, poderiam se encontrar, mas não... Ela sabia que as coisas eram bem diferentes.
-Astréia; Sati falou pousando a mão com suavidade sobre seu ombro.
-Sim; ela murmurou, segurando fortemente a mão de Kala.
-Ele não gostaria que você deixasse de lutar; a jovem de melenas negras falou.
Por um momento parou, fitando os orbes azuis dela que lhe lembravam tanto Seth, era como se pudesse vê-lo refletido na irmã. Como sentia sua falta, CÉUS, como sentia; ela pensou, tentando conter os soluços.
-Ele sempre estará com você, enquanto guarda-lo no coração; Sati falou abraçando-a, lutando contra as lagrimas e tentando ser forte pela família.
Muitas foram as vezes que vira famílias sendo destruídas pela guerra, principalmente a sua quando ainda era jovem, mas ver o irmão partir por causa daquela guerra, lhe feria demais, principalmente por vê-lo partir antes mesmo de poder ver o filho vir ao mundo, como era seu maior desejo.
Naqueles últimos meses que convivera com Astréia, vira o irmão mudar completamente. Seth sempre fora muito carinho, mas o vira tão amoroso para com a jovem, que ninguém poderia negar o quanto àqueles dois se amavam e a felicidade do irmão apenas aumentou quando a noticia de que ela estava grávida chegara.
Ele estava radiante, fazendo mil planos para quando a criança chegasse, o que fariam caso fosse menina ou menino, mas agora...;
-...; Astréia assentiu, apenas deixando-se abraçar, sem ter forças para retribuir tal gesto de alento.
-Eu sempre vou te amar...
Ergueu a cabeça em direção ao céu, sentindo uma brisa suave esvoaçar as melenas douradas, enquanto ouvia aquelas palavras ecoarem em sua mente, alma e coração.
Desde que estavam juntos, Seth não deixou um dia passar sem dizer que a amava, apenas fortalecendo os laços que os uniam, agora, mais do que tudo precisava ser forte, por si, por ele e pelo pequeno que logo viria ao mundo.
Se os deuses permitissem, ainda chegaria o momento que aquelas guerras acabariam e que pessoas com corações nobres lutariam pelo ideal de paz e justiça entre todos sem fraquejar em sua fé.
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.I.
Suspirou cansada, estavam à manhã toda trabalhando naquela feira, as festas só começariam mais à tarde, mas enquanto isso; Aaliah pensou, pegando algumas bandeirinhas que a avó lhe entregara, para pendurar na barraquinha de doces que elas estariam.
Tradição, esta ai uma coisa que ela nunca entendera. Visby todo ano fazia duas feiras muito conhecidas até mesmo em outros países, a feira medieval e aquela mais para as pessoas da cidade, entretanto muitos estrangeiros chegavam a cidade alguns dias antes.
Todos trabalhavam juntos para que tudo ficasse no mínimo perfeito. Arrastou um banquinho para a lateral da banca, pretendia subir e pendurar as bandeirinhas ali logo.
-Aaliah; Shaka chamou antes mesmo que ela subisse.
-Sim; a jovem murmurou voltando-se para ele.
-Pra você; ele falou aproximando-se e entregando a jovem um delicado botão de Amarílis.
A jovem sentiu a face aquecer-se, fitou-o surpresa, mas apenas sorriu em resposta.
-Obrigada; a jovem falou, ainda precisava se acostumar com algumas coisas com relação ao virginiano; ela pensou.
-Ah, ai estão vocês; Flora falou surgindo sabe-se lá de onde com um sorriso nada inocente.
-De novo não; Shaka sussurrou, passara metade da manhã 'fugindo' da casamenteira, enquanto dava como desculpa ajudar Henry a fazer qualquer coisa, mas ela parecia bastante empenhada em casá-los de qualquer jeito.
-Dona Flora, algum problema? –Aaliah perguntou serrando os orbes de maneira perigosa.
-Problema algum querida; Flora respondeu, mas pousou seus olhos sobre o delicado Amarílis, abrindo um sorriso que os fez gelar. –Crianças, temos muito trabalho a fazer, deixem pra namorar depois; ela falou num tom de leve reprimenda, embora estivesse se divertindo com a expressão constrangida dos dois.
-Mas nada nos impede de fazer uma pausa não? -Shaka rebateu, aproximando-se de Aaliah e enlaçando-a pela cintura, puxando-a para perto de si, deixando-a escarlate.
-Claro que não; Flora falou, vendo que seus planos estavam indo como desejava.
-Shaka; Aaliah sussurrou, ao ver muitas pessoas passando por eles, com olhares nada inocentes diante da cena.
-Então se a senhora não se importa, nós vamos dar uma volta; ele falou, antes mesmo que Flora pudesse falar algo, o cavaleiro já estava longe com Aaliah.
-Essa juventude; Flora falou num suspiro.
-Pare de incomodá-los, deixe os dois namorarem em paz; Dario reclamou, parando ao lado dela.
-Dario querido, acredite quando eu digo que certos casais foram feitos um para o outro; ela falou com um sorriso maior que o gato da Alice no país das maravilhas.
-Mas se você ficar bancando a casamenteira oriental pra cima deles, só vai fazê-los perder a paciência;
-É exatamente o que eu quero querido, as pessoas tomam decisões surpreendentes nesses momentos de rompante; Flora respondeu de forma enigmática. –Agora vamos trabalhar, temos muito o que fazer; ela completou, puxando-o para a banquinha que estavam montando de chocolates.
-o-o-o-o-o-
-Ih, a mala chegou; Rebeca falou torcendo o nariz, enquanto arrumava alguns arranjos florais na banquinha que montara com a mãe para o festival.
-Rebeca, por favor; Lisa pediu, segurando a filha pelo braço. Indicou o jovem de melenas castanhas com o olhar, vendo que ele parecia mais abatido que o normal.
-Tudo bem; a jovem deu-se por vencida, apesar de tudo, ainda tinha um pouco de consideração por Rafael e ele não parecia nada bem.
-Bom dia; Rafael falou aproximando-se das duas.
-Bom dia; elas responderam vendo Melissa passar reto por elas resmungando.
-Não liguem, por favor; ele pediu suspirando cansado.
-Não se preocupe Rafael; Lisa falou compreensiva.
-Ouvi dizer que Aaliah esta na cidade, como ela está? –Rafael perguntou ao ver Melissa afastar-se para ir na banca de chocolates de Flora e Dario.
-Muito bem; Rebeca adiantou-se com um largo sorriso. –E com aquele namorado dela, melhor impossível; ela alfinetou.
-Que bom pra ela, fico feliz que ela esteja bem; Rafael falou de maneira fraca. –Pelo menos um de nós merecia ser feliz; ele balbuciou com o olhar perdido.
-Rafael; Lisa falou achando estranho à atitude do rapaz.
-Tia, viu minha avó? –Aaliah perguntou saindo sabe-se lá de onde.
-Não, mas não pensa encontrar com ela assim, né? –Rebeca rebateu com um sorriso malicioso, apontando para a jovem.
-Uhn? –ela murmurou confuso, mas viu a amiga lhe entregar um espelho, corou furiosamente ao ver os cabelos levemente desalinhados e uma marca nada discreta no pescoço, onde momentos atrás sentia os lábios do cavaleiro correndo de maneira nada casta por ali. –Bem...; Aaliah balbuciou, passando a mão nervosamente pelos cabelos tentando alinhar pelo menos ele.
-Como vai Aaliah? –Rafael perguntou chamando-lhe a atenção, divertindo-se com o jeito atrapalhado da garota, que embora os anos tenham passado, algumas características dela continuavam as mesmas, as melhores sem duvida.
-Bem e você? –Aaliah perguntou com um sorriso envergonhado, por não tê-lo cumprimentado antes.
-Bem; o rapaz respondeu, porém até mesmo ela conseguia notar o brilho apagado nos orbes tão vivos dele.
-E Melissa, não veio com você? –Aaliah arriscou-se em perguntar, não que estivesse realmente interessada em saber da garota, mas era evidente que perguntara por educação e ele também percebeu isso.
Aaliah não sabia mentir e apesar de tudo, ainda conhecia um pouco a 'ex' amiga para saber quando ela perguntava algo por interesse ou por obrigação.
-Veio, foi até a banca da Flora, como você, ela também é viciada em chocolate; ele falou com um meio sorriso.
-Não sou viciada, apenas dependente declara; Aaliah corrigiu com ar solene, tirando um sorriso sincero do rapaz. –Mas diz ai, o que esta fazendo da vida? –ela perguntou curiosa, vendo que Lisa e Rebeca haviam se afastado pegar algumas caixas, para deixa-los conversar mais a vontade.
-Trabalhando com James e tentando montar meu próprio negocio; Rafael respondeu, enquanto começavam a caminhar pela feira.
-Lembro que você queria fazer engenharia mecânica para trabalhar com aviões; ela comentou.
-...; Rafael assentiu, quando criança, tinha tantos sonhos, mas muitas coisas haviam mudado, principalmente quando passara a namorar oficialmente Melissa.
-Mas muitas prioridades mudaram, não? –Aaliah perguntou.
-É, muitas coisas aconteceram sem que pudessem ser evitadas e que de alguma forma acabaram por me fazer tomar outros caminhos; ele falou com um olhar vago.
-...; a jovem assentiu. –Muitas coisas mudaram na minha vida também, mas gosto do rumo que ela tem tomado; ela completou.
-Imagino, você esta ótima; Rafael falou com um meio sorriso. –Tem até uma energia diferente que vem de você; ele completou.
-...; Aaliah apenas sorriu, lembrando-se do que acontecera nos últimos dois dias, principalmente a conversa com Shaka, onde definira de uma vez suas prioridades. –Muitas das coisas que vêm acontecendo de bom na minha vida é graças ao Shaka; ela completou.
-Suponho que seja seu namorado? –ele perguntou como quem não quer nada.
-É; Aaliah assentiu fitando atentamente a argolinha prateada em seu dedo, era tão estranho definirem a relação que tinham daquela forma, mas depois de tudo, enfim... Era realmente a única forma, mas precisava se acostumar ainda com a idéia de que tudo aquilo que pensava saber sobre o cavaleiro Shaka de Virgem, não era nada, se comparado ao que estava descobrindo sobre o homem Shaka de Virgem.
-E você está feliz? –Rafael perguntou enquanto os dois sentavam-se em um banco.
-Mais, impossível; ela respondeu sorrindo.
-Olha só quem está aqui; uma voz sarcástica soou atrás dos dois.
Respirou fundo, tentando manter a calma, pelo menos em respeito ao 'ex' amigo a seu lado.
-Como vai Melissa? –Aaliah perguntou polidamente, enquanto a jovem dava a volta no banco.
-Bem e você, melhor ainda pelo que vejo; ela respondeu lançando um olhar envenenado a Rafael que manteve-se impassível.
-Certamente; a jovem respondeu calmamente.
Melissa serrou os orbes perigosamente, chamando a atenção de muitas pessoas que estavam em volta, principalmente de Shaka que aproximava-se a passos rápidos, deixando o que fazia com Henry.
-Melissa, por favor; Rafael pediu, já imaginando o escândalo.
-O que foi amor, estou apenas cumprimentando uma velha amiga; Melissa respondeu com sarcasmo.
-Não se preocupe Rafael, Melissa sempre foi ótima em cumprimentar as pessoas, não é mesmo? –Aaliah falou levantando-se e ficando frente a frente com a garota, que recuou alguns passos apenas por instinto. –Sabe, ainda me lembro da surra que dei em você com aquele apagador aquela vez, você ficou pelo menos duas semanas cuspindo pó de giz, agora não sei por que, me deu uma louca vontade de voltar aos velhos tempos; ela completou em tom ameaçador.
-Puff! Não tenho medo de você Lancaster; a voz saiu num tom tenebroso que assustou até mesmo Rafael.
-Uhn! –ela murmurou confusa, vendo os orbes antes castanhos de Melissa tornarem-se vermelhos.
-Nem de você, nem dele; a garota completou voltando os orbes vermelhos na direção do virginiano que se aproximava.
Uma aura vermelha a envolveu, por um momento, fora tudo muito rápido, os orbes vermelhos voltaram a serem castanhos.
-Saiam daqui; Melissa pediu levando as mãos a cabeça serrando os orbes numa expressão de dor, como se tentasse controlar algo em si, enquanto seu corpo perdia o equilíbrio e caia de joelhos no chão.
-Melissa; Aaliah falou aproximando-se preocupada, mas antes que chegasse perto dela, viu-a erguer a mão num movimento rápido que jogou-a contra Rafael de maneira tão forte que ambos foram ao chão.
A garota caiu de joelhos no chão, muitas pessoas desataram a correr, Aaliah arregalou os olhos ao ver uma sombra negra aos pés da garota que movia-se agitada.
Levantou-se tentando aproximar-se novamente para ajudar, mas a voz grave do virginiano a deteve.
-Não se aproxime Aaliah; Shaka falou.
-Mas...; ela falou voltando-se para ele.
-AFASTEM-SE TODOS; ele berrou.
Hesitante, Aaliah voltou, ajudando Rafael a levantar-se e puxou-o para longe dali, não sabia o que estava acontecendo, mas só lhe restava acreditar que o cavaleiro daria um jeito em tudo no fim.
-O que esta acontecendo? –Dario perguntou aproximando-se com Henry.
-Tire todos daqui, por favor; Shaka pediu.
-O que esta acontecendo garoto? –o avô de Aaliah perguntou assustado.
-Você não é páreo para mim, filho de Astréia; a voz ecoou de maneira tenebrosa por todo à praça chamando-lhe a atenção.
Voltou-se para a jovem não mais prostrada no chão, mas que agora erguia-se com a expressão jovial completamente transfigurada numa expressão medonha. Os orbes eram vermelhos, como chamas que queimavam apenas nas profundezas do Érebo.
-Existo desde que o mundo era apenas um grão de poeira cósmica, alguém como você não é capaz de me vencer; ela continuou.
Em volta da jovem um redemoinho de terra ergueu-se do chão, fazendo folhas levantarem junto.
-Dario. Henry. Tirem todos daqui e não deixem Aaliah se aproximar; Shaka pediu novamente, tocando tirando-os daquele transe.
-Mas e você? –Dario perguntou, sentindo aquela energia negativa aumentar ainda mais, como se quisesse abraçar a todos com aquela atmosfera ruim.
-Eu vou ficar bem, apenas não a deixe de aproximar; ele falou lançando um olhar a jovem que estava longe, mas parecia que a qualquer momento correria até si.
-Vermes como você me privaram da luz; Melissa continuou olhando-o por cima do ombro, como se fitasse outra pessoa e não ele. –Mas eu pude mudar isso e agora, meus planos se concretizaram;
-Que planos? –Shaka perguntou, achando estranho tudo que ela falara até agora, procurou manter-se na defensiva enquanto a esperava responder, todo cuidado era pouco agora.
-AHAHAHAHAHA, VOCE É PATÉTICO SANTO GUERREIRO. PATÉTICO; ela berrou em meio a uma risada ensandecida. –PATÉTICO; o berrou soou mais alto, fazendo a expressão dela transfigurar-se completamente numa imagem horrenda de pura ira.
-Você não pertence a esse mundo; o cavaleiro falou mantendo-se cauteloso. –E não vou permitir que fique aqui por mais tempo; ele completou.
-Essa menina serviu bem aos meus propósitos, Éris estava certa quando nos libertou, permitindo que usássemos nossos antigos corpos mortais que tínhamos antes do exílio de Hades; ela falou movendo-se vagarosamente, como um felino acuando sua presa.
-Corpos mortais; ele balbuciou confuso.
Como um lapso de memória, lembrou-se que da mesma forma que deuses usavam corpos mortais para reencarnarem, alguns outros seres faziam o mesmo e porque não Erinias, mas onde Éris entrava nisso?
–Só tem um pequeno problema, Éris não estava mais nesse mundo; Shaka arriscou-se em dizer.
-O QUEEEEEEEEEEE? –Melissa berrou.
-Você esta a pelo menos quatro anos atrasada no despertar; ele falou com certo sarcasmo. –Harmonia já a mandou de volta para o Tártaro, já faz um bom tempo; o cavaleiro completou.
Um urro ensurdecedor ecoou por toda a parte fazendo-o fechar os olhos por um momento, tentando bloquear os sentidos, mas tal distração fez com que abaixasse a guardar.
Fora tudo muito rápido quando sentiu as costas chocarem-se contra uma árvore, quebrando-a em mil pedacinhos. Abriu os olhos, sentindo as costas arderem, provavelmente havia quebrado uma costela, os lábios sangravam num dos cantos devido as folhas que açoitavam-lhe a face provenientes do redemoinho.
-Ela nos prometeu um reino quando despertássemos, mas foi fraca ao perecer; a erinia falou aproximando-se perigosamente.
-Agora quem é o ser patético aqui? –Shaka rebateu pondo-se de pé. –Achou realmente que ninguém impediria Éris? –ele continuou.
-Oras seu, pagara caro por isso; ela vociferou partindo para cima do cavaleiro.
-Não me resta outra alternativa a não ser lhe mandar de volta para o lugar que jamais deveria ter saído; ele falou, segurando-lhe fortemente o pulso detendo-lhe o ataque.
Fechou os olhos, mas isso não queria dizer que estava desconcentrado. Era agora.
-Shaka; alguém chamou, fazendo-o instintivamente empurra-la para longe, antes que abaixasse a aguarda novamente por distrair-se.
Virou-se rapidamente em direção a voz e deparou-se com Rafael.
-Salve-a, por favor; ele pediu com os orbes marejados.
Salva-la; Shaka ponderou, estava obvio que não havia salvação alguma para a jovem que servira de hospedeiro para a erinia, o mais certo seria mandá-la para o tártaro e impedir que ela de alguma forma servisse novamente de hospedeiro, mas...; ele ponderou, vendo a Erinia preparar-se para mais um ataque.
Em outro momento jamais hesitaria em exterminá-la, mas o que era diferente agora?
-Cuide de Aaliah até eu voltar; ele falou enquanto ia em direção a erinia.
Se fosse Aaliah no lugar da outra garota, jamais permitiria que alguém a ferisse, muito menos com a intenção de tirá-la de si. Era estranho pensar que apesar de todas as maldades que aquela garota fizera, Rafael conseguira ver um lado bom nela.
Todos têm um lado bom e merecem uma segunda chance, mesmo quando não há mais esperança; ele pensou, fechando os olhos novamente à medida que andava e uma aura dourada o envolvia.
-o-o-o-o-o-
Saltou entre os prédios o mais rápido que pode, precisava ir logo se não algo realmente ruim poderia acontecer.
Sentiu uma explosão de cosmo, certamente era o de Shaka; ela pensou correndo ainda mais rápido, a prata tilintava sobre seu corpo à medida que saltava, os logos cabelos esverdeados esvoaçavam levemente com o vento e o brilho nos orbes rosados denotavam toda sua preocupação.
-o-o-o-o-o-
Fechou os olhos, erguendo uma mão até o céu, seu cosmo intensificou-se e a aura que o envolvia também.
-"Só há uma forma de salva-la"; Shaka pensou, serrando o punho e no momento seguinte um rosário de mil e oitenta nenjus surgiu. –CICLO DAS SEIS EXISTENCIAS; ele falou.
Uma aura violeta envolvia a erinia que partiu para cima do cavaleiro, no momento que uma explosão forte de cosmo devido ao choque entre os dois aconteceu, acabando por ofuscar a visão de todos que mantinham-se a distancia, temendo pelo pior.
-SHAKAAAAAAAAAAAAAAAAAA;
Aaliah berrou ao ver a explosão cessar e ele simplesmente ter desaparecido com a erinia. Sentiu as lágrimas correrem furiosamente por sua face, tentou correr até onde ele estava, mas Dario e Rafael lhe seguraram.
-Me soltem; ela falou.
-Aaliah, por favor; Rafael pediu, igualmente desesperado.
Antes que qualquer coisa pudesse ser dita algo cortou o ar e poucos passos de distancia da jovem, uma rosa vermelha surgiu.
-O que é isso? –Rebeca perguntou surpresa.
-Uma rosa vermelha; Flora falou tentando se aproximar, mas antes que tocasse as pétalas da mesma, a rosa desfez-se numa explosão, fazendo as pétalas voarem em volta deles como se movidas por uma brisa suave.
-Vai ficar tudo bem; uma voz falou, chamando-lhes a atenção.
Parou de se debater e olhou para os lados, sentia aquele aperto no peito diminuir, era como se aquela voz fosse capaz de acabar com toda preocupação que tinha.
-Olhem; Dario falou apontando para o outro lado da praça, onde uma figura esguia e imponente surgiu.
Os longos cabelos esverdeados esvoaçavam com o vento, a prata tilintava em seu corpo a medida que andava, a face era encoberta por uma delicada mascara igualmente prateada, mas diferente da convencional, ela apenas demarcava os olhos, deixando o resto livre.
-Aimê; Alicia falou sentindo um arrepio correr pelo meio das costas.
-O que? –todos balbuciaram surpresos.
A jovem chegou até o meio da praça e para a surpresa geral, uma aura azulada a envolveu e poucos minutos depois ela já havia desaparecido como se fosse parte de alguma ilusão.
-o-o-o-o-o-
Aquilo definitivamente era o inferno, mas um inferno que poderia ajudar aquela garota; ele pensou, esquivando-se de um golpe dado pela erinia.
-Você vai morrer santo guerreiro, em seu próprio mundo; ela falou investindo sobre ele.
-EU NÃO TERIA TANTA CERTEZA! –uma terceira voz se manifestou naquele mundo.
Num movimento brusco, a erinia recuou o golpe, quando viu uma luz azulada surgir em meio ao ciclo das seis existências.
-A protegida de Hypnos; a erinia falou com os orbes ainda mais vermelhos.
-Shaka, você já sabe o que fazer não? –Isadora perguntou parando ao lado do cavaleiro.
-...; ele assentiu.
-Vou dar um jeito nela pra você enquanto se prepara; ela avisou, avançando sobre a erinia.
A erinia assustou-se com a investida repentina da recém chegada, embora fosse ágil não conseguia esquivar-se da maioria dos golpes aplicados pela jovem.
Não iria permitir que aquilo continuasse, quando Aimê lhe contara a verdade sobre aquela erinia surpreendeu-se e irritou-se profundamente com Minos por não ter sido mais direto ao lhe dizer sobre a gravidade do problema.
Aquela não era uma erinia qualquer, era Megaira, e só isso lhe conferia um status de 'inimigo número 1' de todo mundo mítico e atual.
Megaira era um perigo a humanidade, há exatos três anos atrás Éris libertara as erinias do Tártaro, quando Hades caira, até então, todos os cavaleiros de ouro não haviam voltado ainda, mas algumas só deixaram para se manifestar com mais força a três anos só e Megaira era uma delas.
Sabia que Melissa de alguma forma lhe lembrava aquela erinia, mas sempre achou que fosse implicância de criança, ou como aprendera no Brasil a dizer 'seus espíritos simplesmente não batiam'. Só que isso fora alem...
Muitas crianças em sua natureza inocente, são cruéis, ferem sabendo que estão machucando, se sentem culpadas quando realmente o são, mas a questão é que existe uma resposta para aquelas que são mais cruéis que as outras.
Todos têm um lado bom e outro ruim, no caso de Melissa ela havia retornado a terra como uma parte do cosmo fragmentado de Megaira, para recomeçar, sem as influencias da erinia em si, mas a criação que teve, em vez de reprimir alguns impulsos cruéis seus, apenas os estimulou, assim, quando Megaira deixou o tártaro, ela foi logo atraída até sua metade fragmentada e voltou a ativa.
Tão cruel e persa como na antiguidade...; Isadora pensou atacando-a ainda com mais afinco.
O pior de tudo era saber que Aaliah fora muitas vezes vitima dos ataques da erinia, possivelmente Melissa sentisse apenas uma inveja infantil de Aaliah, por ver que apesar de tudo, ela era feliz, diferente de si que tinha o mundo a seus pés, mas vivia num reino sustentado por hipócritas.
Mas Megaira ao despertar iria querer o reino de caos prometido por Éris quando as libertou, porém ela estava alguns anos atrasada.
As duas erinias fugitivas, companheiras de Megaira, já haviam sido capturadas, uma em Londres e a outra em Paris, agora faltava a ultima e mais forte delas. A erinia da Inveja.
-CHICOTE DE ROSAS; Isadora falou conjurando uma rosa azul cujo cabo alongou-se rapidamente e antes do novo ataque da erinia, a mesma teve o corpo envolvido pelo cabo da rosa, que deteve-lhe os movimentos devido aos espinhos.
Um cosmo ainda mais poderoso manifestou-se naquele ciclo, uma aura dourada passou a envolver todo o local, inclusive as duas.
-AGORA; Isadora berrou, saltando rapidamente e soltando a erinia, para que só ela recebesse o golpe.
-TROCA DE CORAÇÃO; o cavaleiro gritou.
Uma explosão de energia dourada ofuscou-lhes a visão, mas o que veio a seguir foi surpreendente, como se um raio houvesse atingido a erinia, a mesma foi lançada para longe, porém ao cair, não era mais uma pessoa e sim duas.
O golpe que ele aplicara, fizera com que o cosmo restaurado se fragmentasse novamente e separasse a erinia de Melissa.
-Vai pagar caro pelo que fez cavaleiro; Megaira falou fitando-o com os orbes vermelhos encolerizados, aos poucos o corpo que antes mantinha a mesma forma do hospedeiro, passou a mudar, tornando-se cadavérico e limboso.
-É o que vamos ver; ele rebateu, jogando para o céu o mil e oitenta.
As nenjus se fragmentaram, saindo da corrente e rapidamente envolveram a erinia, a mesma gritou ao ver fachos de luz saírem das nenjuns formando em volta de si um pentagrama.
-NÃO, O SELO NÃO; Megaira urrou, tentando se libertar, mas seus braços colaram-se ao corpo, a cada movimento que ela fazia as mesmas apertavam-se ainda mais.
-Diga adeus a Terra, Megaira; Isadora falou fazendo uma rosa branca surgir em entre seus dados. –Mande lembranças aos juizes por nós, eles ficaram felizes em lhe receber de volta; ela completou lançando a rosa para o meio do selo.
-RENDIÇÃO DIVINA; o cavaleiro falou, elevando seu cosmo ao máximo.
Novamente uma explosão de cosmo aconteceu, porém quando a mesma acabou, os dois viram-se na praça novamente.
-Acabou; Isadora falou, dando um baixo suspiro.
-...; Shaka assentiu, aproximando-se da jovem caída ao chão, ainda desmaiada. –Será que...;
-Ela esta viva, não se preocupe; a jovem de melenas esverdeadas adiantou-se, apontando a garota que ainda respirava. –Missão cumprida; Isadora completou, erguendo os orbes para o céu e suspirando.
-Como sabia o que estava acontecendo? –Shaka perguntou, enquanto suspendia a garota do chão.
-Uma pessoa apareceu pra mim e pediu que viesse; ela respondeu com um meio sorriso.
-Uhn? –ele murmurou confuso.
-SHAKAAAAAAAAAAAAAAAAAA;
Os dois pararam ao ouvirem o berro de Aaliah e a jovem correr até eles, seguida pelos demais.
-Bem, hora de ir; Isadora falou, pretendendo se afastar.
-Mas...; Shaka ponderou.
-Até mais; ela falou.
-Mãe? –a voz de Aaliah a deteve.
Estancou, por algum motivo um nó formara-se em sua garganta e temeu virar-se. Negou com um aceno mudo, sem conseguir emitir som algum, virou-se hesitante.
Deparou-se com o olhar ansioso de Aaliah sobre si e imaginou porque a própria Aimê não viera com Hypnos resolver aquilo, mas ponderou, se a situação fosse inversa, certamente não teria coragem de encará-la e saber que se separariam novamente.
Ai estava uma coisa que não conseguia entender, como as rosas eternas poderiam nascer, se mesmo até a pessoa mais forte no momento da despedida, não conseguia deixar de se apegar ao ultimo fio, mesmo sabendo que não se pode mais fazer nada.
-Isadora; Aaliah falou surpresa.
-Isadora Ermond; uma voz falou chamando a atenção delas.
Isadora voltou-se na direção da voz, deparando-se com Alicia Carter lhe observando espantada.
-Pensei que houvesse morrido; Alicia falou incrivelmente pálida, como se tivesse visto um fantasma.
-Surpresa; a jovem respondeu com certo escárnio. Sabia muito bem que ela era mais uma das amigas pessoais de sua madrasta, que não se importaram nem um pouco da filha rebelde de Eliot Ermond ter batido com as dez, como diziam no Brasil.
-Isa; Aaliah falou hesitante.
-Ela me pediu que lhe entregasse isso; Isadora falou voltando-se para ela e retirando de dentro de um bolso na saia da armadura, uma delicada correntinha dourada, com um pingente em forma de rosa vermelha. –E pediu que lhe dissesse que ela se orgulha muito daquilo que você se tornou; ela completou.
Aaliah arregalou os olhos surpresa, lembrava-se daquele colar, sua mãe sempre carregava consigo e uma vez quando perguntara o que aquele colar significava, ela respondera que fora um presente de seu pai no dia que ele partira, reafirmando que assim que pudesse, retornaria.
Era o laço que os unia; ela pensou, segurando a corretinha que a jovem lhe entregara.
-Cuidem-se; Isadora falou dando-lhes as costas e afastando sob o olhar surpreso de todos.
-Rafael; Shaka falou aproximando-se do rapaz e estendendo-lhe os braços.
-Obrigado por trazê-la de volta; ele agradeceu.
-Não por isso; o cavaleiro respondeu. –Se a situação fosse inversa eu não iria querer algo diferente; Shaka completou dando-lhe as costas e indo até a jovem.
-o-o-o-o-o-
Respirou fundo à medida que se afastava, sentia algo mais leve dentro de si, aquele nó aos poucos se desvanecia. Ao virar uma das ruas floridas de Visby, deparou-se com três pessoas a bloquear seu caminho.
-Acabou? –Aiácos perguntou ainda incrédulo.
-...; Isadora assentiu deixando seus olhos recaírem sobre a jovem de melenas douradas que acompanhava ele e Hékates, mas tinha um olhar hesitante. –Mas para alguns esta apenas começando; ela completou continuando a andar e passando por eles.
-o-o-o-o-o-
Abraçou-o fortemente deixando novamente as lagrimas de desespero rolarem por sua face. Céus, só os deuses sabiam a dor que sentira ao vê-lo sumir, sem deixar rastro algum.
-Calma; Shaka pediu num sussurro, estreitando os braços em torno dela.
-Shaka; ela sussurrou, erguendo parcialmente a cabeça para fita-lo.
-Acabou; ele falou tocando-lhe a face ternamente. –Acabou...;
-...; Aaliah assentiu, voltando a abraçá-lo, agora nem mesmo Flora pensava em interromper aquele momento.
Continua...
Como diz aquela musiquinha... (Ta chegando à hora...). É agora definitivamente De Volta ao Vale das Flores esta chegando ao fim. Momentos de muita emoção e incríveis reencontros se aproximam.
Espero sinceramente que tenham gostado desse capitulo, antes de ir gostaria de comentar uma coisa.
Nenjus, são as miçanguinhas do rosário, mil e oitenta pra quem assiste Shaman King sabe que na lenda dos Shamans aquele rosário é extremamente poderoso quando usado pela pessoa certa e é capaz de fazer selos, resumindo, lacras espíritos ruis no lugar que eles devem realmente ficar.
A primeira vez que eu vi aquele mil e oitenta sendo usado eu simplesmente ameiiiiiiiii a cena e quando surgiu na minha cabeça a luta entre Shaka e a erinia, logo pensei. Vou usar o rosário.
Espero que tenham gostado tanto quanto eu, no mais, deixo um obrigada do fundo do coração a todos que vem acompanhando minhas historias desde o começo, me apoiando quando eu fraquejo e me dando forças quando eu simplesmente quero abrir um buraco na terra e me jogar lá dentro. Graças a vocês eu tenho pique pra continuar.
Obrigada mesmo...
Um forte abraço e até a próxima...
Dama 9
