De Volta ao Vale das Flores
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Isadora são criações únicas e exclusivas minha para essa saga.
Boa Leitura!
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Capitulo 19: All about lovin' You.
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Não quero dormir esta noite
Sonhar é uma perna de tempo
Quando olho o que a vida vem se tornado
Tudo que faço é amar você.
(Bom Jovi).
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.I.
Franziu o cenho, sentindo uma tênue luminosidade sobre seus olhos, tateou os lados, mas acabou por não encontra-lo, o que lhe fez despertar completamente.
Deixou os olhos correrem pelo quarto, até que os mesmos recaíssem sobre a cômoda, precisamente a gaveta que ele guardara a caixinha no dia anterior que despertara tanto sua curiosidade.
Enrolou-se melhor no lençol e sentou-se na cama, a porta do banheiro estava entreaberta e não ouvia som algum vindo de lá, sinal de que o cavaleiro não estava no quarto. Aonde será que ele foi? –ela se perguntou deixando a curiosidade aflorar.
Levantou-se sorrateiramente da cama, indo em direção a cômoda, mal abriu a gaveta, sentiu os pelos do braço se eriçarem ao ouvir a voz grave dele atrás de si.
-Bom dia; Shaka falou calmamente.
Ergueu a cabeça, vendo-o com um olhar sereno sobre si e não pode deixar de ruborizar ao ser pega em flagrante.
-Bom dia; Aaliah murmurou sorrindo nervosamente. –Onde estava? –ela desconversou.
-Preparando o café; ele respondeu indicando uma bandeja em cima do criado mudo, do lado onde ela estava há poucos minutos, repleta de frutas, café entre outras coisas.
-Ahn! Bem... ; Aaliah balbuciou.
-Vá em frente, pode abrir. Sei que se não deixar, você não vai conseguir nem tomar café direito; o cavaleiro brincou.
-Sério? –ela perguntou com os olhinhos brilhantes.
-...; Ele assentiu.
Virou-se rapidamente abrindo a gaveta e encontrando a caixinha ainda ali. Pegou-a indo sentar-se na cama, andando a passos curtos, para não tropeçar no lençol. Sentiu-o sentar-se atrás de si, para logo em seguida apoiar o queixo em seu ombro.
-Abra; Shaka a incentivou.
-...; Aaliah assentiu, abrindo com cuidado a caixinha.
Retirou o laço vermelho, afastando uma folha de seda que cobria o conteúdo e surpreendeu-se com o que viu.
-Shaka!
-Curioso não; ele comentou, enlaçando-a pela cintura. –Também fiquei surpreso quando vi;
-Mas, aonde conseguiu? - ela perguntou curiosa.
-Na loja de Dario e Flora, no primeiro dia que fomos até lá; o cavaleiro explicou.
-Nossa, ou é coincidência demais ou...;
-Destino? –Shaka completou por ela apontando para a caixa onde jazia um grande coração de chocolate, envolto por um laço também de chocolate, mas o mais surpreendente eram as letras em relevo na peça. A e S. em chocolate branco.
-Acha que isso é possível? –ela perguntou curiosa.
-Você acha que não? –ele rebateu com um olhar enigmático, respondendo com isso qualquer indagação.
Fitou atentamente o coração na caixa, não... Não era só coincidência. Havia algo mais, como toda a relação deles desde que haviam se conhecido até agora; ela pensou recostando-se no peito do cavaleiro, suspirando. Como dizia Shakespeare 'A mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia'.
Um silêncio reconfortante caiu sobre eles, mas ainda havia algumas coisas pendentes que não poderiam ser ignoradas; ela lembrou-se.
-Me lembrei de uma coisa; Aaliah falou de repente abafando o riso.
-O que? –ele perguntou curioso.
-Quando eu era pequena; ela começou. –Eu disse pra minha mãe que se fosse fora do tempo, não me deixaria desviar dos meus objetivos por nada nem ninguém, muito menos por um namorado, nem que ele fosse a reencarnação de Buda;
-Uhn! –Shaka murmurou confuso.
-Mas nunca imaginei que isso fosse realmente acontecer; Aaliah completou só agora dando-se conta de que contara essa historia para ele logo que chegaram ao Vale das Flores, mas não havia reparado nesse detalhe.
-E você acha que esse é o tempo? –ele perguntou hesitante.
-...; ela assentiu, erguendo os orbes em sua direção. –Conhecer você foi o melhor que aconteceu na minha vida;
Fitou-a intensamente, pousando a mão sobre a dela, entrelaçou seus dedos, enquanto ela acomodava-se entre seus braços.
-Não preciso de outras lembranças, desde que você entrou na minha vida; o cavaleiro murmurou.
-Uhn! –Aaliah murmurou confusa.
-Depois que falei com Milo, encontrei Astréia; Shaka começou.
-Quem?
-A mulher que você sonhou; ele respondeu.
-Mas...; ela parou compreendendo o que ele queria dizer.
-Que irônico; o cavaleiro falou quase num sussurro. –Depois que a encontrei, lembrei de algumas coisas que eu havia esquecido sobre minha vida antes dos cinco anos.
-Como? –Aaliah perguntou curiosa, sabendo que fora isso a deixa-lo perturbado antes.
-Nunca pensei que fosse dizer isso, mas...; Shaka ponderou. –Não quero uma deusa na minha vida... Apenas minha mãe; ele falou em meio a um suspiro pesado. -Mas acho que ela pensa diferente; o cavaleiro falou lembrando-se da resposta que ela lhe dera quando perguntara quem ela era. –Mas esquece, nunca precisei disso antes e não vai ser agora que isso vai mudar;
-Sei que você está chateado; Aaliah falou trocando-lhe a face, erguendo a mão até alcança-lo, mantendo-se na mesma posição. –Mas guardar isso para si não vai aliviar a dor, acredite, eu sei;
-Mas, é que...; Ele ponderou. -Porque depois de todos esses anos ela volta?
-Quem sabe ela só pode fazer isso agora; Aaliah falou. –Talvez ela não tenha tido outra escolha;
-Talvez; Shaka falou pouco convencido.
-Porque não fala com ela; ela sugeriu.
-O que? –ele perguntou surpreso com a sugestão.
-Isso mesmo, ouça o que ela tem a dizer, mesmo que você já tenha uma opinião formada sobre isso;
-Mas...;
-Não negue isso a ela, por favor; Aaliah pediu.
-...; Shaka assentiu, jamais conseguiria falar não pra ela; ele pensou, suspirando.
Mas a verdade é que tinha medo de saber o quanto aquilo poderia mudar sua vida, nessa fase que já considerava perfeita apenas com Aaliah em sua vida.
.II.
Sentou-se em frente a seu templo, recostando-se no pilar atrás de si. A noite estrelada caia maravilhosamente bela sobre Atenas e algumas partes do mundo.
Apertou o celular entre as mãos, esperando que a qualquer momento ele fosse ligar lhe dando alguma noticia.
-Milo! – ouviu alguém achar atrás de si, mas não precisava de muito para saber quem era.
-O que quer? –ele perguntou seco, ainda sentia os dentes daquela planta em sua coxa, mas isso não era o pior, talvez o pior nisso tudo fosse acordar no meio da madrugada gemendo e gritando por causa de uma planta gigante lhe atacando em sonhos; o cavaleiro pensou sentindo uma veinha saltar em sua testa,
-Bem...; Afrodite ponderou.
-Não, eu não sei nada da Isadora e sim, também estou preocupado; Milo falou ainda o ignorando nem ao menos deixando-o falar.
-Me desculpe; ele falou com pesar.
-O que está feito, está feito! –o cavaleiro rebateu. –Não me importo em levar uma mordida de planta carnívora, mas não o perdôo por ter magoado a Isa; ele foi direto.
-...; Afrodite assentiu, baixando os olhos, sabia que ele estava certo.
Um silêncio pesado caiu sobre os dois, como se as palavras simplesmente houvessem sumido.
-Posso lhe fazer uma pergunta? –o pisciano perguntou cauteloso.
-Você já vez; Milo rebateu seco.
-Você sabia que Minos é primo da Isadora? –Afrodite perguntou, ignorando o tom dele.
-Sabia; ele respondeu com simplicidade.
-Mas...;
-Não é exatamente isso que você quer saber não é? Então pergunte logo; o Escorpião falou começando a se irritar com aquela falta de objetividade.
-Minos apareceu pra mim antes de ontem; Afrodite começou. –Me disse que Isadora iria partir;
-O que? –Milo perguntou virando-se imediatamente para ele.
-...; O cavaleiro assentiu.
Ponderou por um momento, como não pensara nisso, era obvio que Minos deveria saber onde ela estava. Suspirou aliviado, ela estava bem então; ele concluiu.
-Então, acho que não preciso me preocupar mais; Milo falou guardando o celular no bolso.
-O que? –ele perguntou confuso.
-Minos deve saber aonde ela esta, então, vai cuidar dela, não preciso me preocupar; o cavaleiro respondeu.
-Como pode confiar nele? –Afrodite perguntou quase indignado, porém incomodado com essa confiança toda no espectro.
-Ele jamais magoaria a Isadora, Afrodite; Milo falou em tom sério. –Ele preferiria a morte ao magoá-la; ele completou de maneira sombria.
Por algum motivo sentiu-se inquieto com essa informação, não sabia se devia se alegrar por saber que ela estava bem, ou aquela inquietação tinha outras razões.
Viu-o se levantar para ir embora, ainda mantendo a postura na defensiva.
-Boa noite; Milo falou voltando para dentro de seu templo.
-Boa...; Ele respondeu num sussurro, ainda imerso em seus pensamentos.
.III.
Estavam tomando café tranqüilamente quando lembrou-se de mais uma coisa a lhe intrigar no dia anterior, o misterioso telefonema do Escorpião.
-O que o Milo queria? –Aaliah perguntou enquanto tomavam café.
-Perguntar se eu conseguia localizar a Isadora; ele respondeu.
-Porque, o que aconteceu? –ela perguntou preocupada.
-Depois daquele dia, ela sumiu; Shaka explicou.
-Mas...;
-Ela não quis voltar para Atenas; ele esclareceu.
-Porque, pensei que ela e o papai, bem... Você sabe, fossem se acertar; Aaliah falou hesitante.
-O que você pensa sobre isso? –Shaka perguntou, lembrando-se que ela se esquivara da ultima vez que lhe fizera essa pergunta.
-Não sei; Aaliah balbuciou. –Eu queria que ele encontrasse alguém e acho legal que seja a Isa, mas...;
-Não quer dividi-lo com ninguém no momento; ele completou por ela.
-De certa forma; Aaliah falou sem graça.
-É normal, consigo imaginar o que você sente e creio que Isadora também pense assim, por isso não voltou ao santuário; Shaka explicou.
-Não entendo; ela falou confusa.
-Isadora gosta muito de você e jamais colocaria a amizade de vocês em jogo por causa do seu pai, ela não quer ficar de alguma forma entre vocês; ele explicou.
-Uhn! –a jovem murmurou confusa.
-E depois do que aconteceu, acho que ela não vai querer ver seu pai por um bom tempo; Shaka comentou com um suspiro cansado.
-O que ele fez? –Aaliah perguntou.
-Fez uma planta carnívora morder o Milo; ele respondeu.
-O QUE? –a jovem berrou quase engasgando com o café que acabara de tomar.
-...; Shaka assentiu.
-Mas...;
-É, seu pai esta com sérios problemas; ele comentou com ar pensativo, como se acabasse de se lembrar de algo. –O que acha de irmos a Estolcomo mais tarde?
-O que? –ela perguntou achando estranha à repentina mudança.
-Me lembrei de que tenho um conhecido lá e acho interessante fazer uma visita; Shaka falou casualmente.
-Por mim, tudo bem; Aaliah concordou.
-o-o-o-o-o-
Espreguiçou-se manhosamente, virou-se na cama seguidas vezes até abrir os olhos completamente. Iria aproveitar que o dia nascera claro e sem sinal de chuva para caminhar. Seria bom respirar um pouco de ar fresco; ela pensou procurando aos poucos apagar todas as preocupações, pelo menos enquanto estivesse em Dream Village.
-o-o-o-o-o-o-
-Bom dia, menino; Marie falou sorrindo assim que o viu entrar na sala de jantar.
-Bom dia; Minos respondeu sentando-se em volta da mesa. –Podem passar anos e você não vai perder esse habito, não é? –ele brincou.
-O que posso fazer, pra mim vocês sempre serão sempre duas crianças; a governanta respondeu. –Principalmente quando não perdem o habito de assaltar a geladeira durante a noite, pra comer bolo de chocolate; ela completou.
-Ahn! Bem...; Ele balbuciou sem saber o que dizer, sentindo a face adquirir um leve rubor.
-Bom dia; a voz animada de Isadora chegou até seus ouvidos.
-Bom dia; os dois responderam, enquanto a senhora colocava o café na mesa.
-Uhn! Esse cheiro; Isadora murmurou aproximando-se da mesa. –Estava morrendo de saudades desse café; ela comentou.
-Só do café? –Minos perguntou, fazendo-se de ofendido.
-Claro que não, da Marie também; Isadora respondeu lançando uma piscadinha marota a senhora, vendo-o ficar imediatamente emburrado.
-Puff!
-Não seja bobo, também senti sua falta; ela falou dando-lhe um beijo estalado na bochecha fazendo-o ficar escarlate. –Marie e papai? –Isadora perguntou sentando-se ao lado do primo, que ainda parecia aéreo depois do que ela fizera.
-Ele costuma descer um pouco mais tarde menina, mas disse que não precisam espera-lo;
-...; Isadora assentiu.
-Vou trazer aquela geleira de morangos que você gosta, volto logo; a senhora falou deixando a sala rapidamente.
-Obrigada; a jovem agradeceu, porém ela já estava longe.
-Dormiu bem? –Minos perguntou calmamente.
-...; Isadora assentiu. –Literalmente sonhei com os anjos; ela brincou. –Estive lembrando de quando éramos crianças, sinto falta daquela época; ela comentou. –Éramos tão inocentes, sem metade das preocupações que temos hoje;
-Infelizmente não podemos parar no tempo e ser crianças para sempre; ele falou com ar letárgico.
-Não, mas seria bom se fosse assim; ela falou sorrindo.
-Eu sei do que você precisa; Minos falou de repente. –O que acha de irmos cavalgar antes do almoço, como nos velhos tempos. Você sabe, adrenalina, vento no rosto, uma boa corrida, como fazíamos antes;
-Tem razão, vai ser bom fazer isso de novo; Isadora falou animada.
-Vamos tomar logo o café, para não demorarmos a sair então; ele a apressou.
-...; Ela assentiu.
.IV.
Ouviu um baixo rosnado vindo do cavaleiro, era realmente algo estranho de se ver, mas naquele santuário onde tudo era possível, não duvidava mais de nada.
-Ma petit; Kamus chamou num sussurro, enquanto puxava a noiva para um canto da sala, onde não seriam ouvidos.
-O que foi? –Aishi perguntou.
-É impressão a minha ou o Shura esta rosnando? –ele perguntou.
-Grrrrrrrrrrrrrrr;
-Acho que sim; ela respondeu ao ouvirem o rosnado um pouco mais alto agora.
-Porque? –Kamus perguntou surpreso, afinal, não era o único ali que não estava entendendo o porque daquela atitude do espanhol.
-Ciúme; a amazona respondeu calmamente.
-Do Milo? –o aquariano perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Você tem certeza que quer que eu fale o porque o Shura esta com ciúmes do Milo? –Aishi perguntou arqueando a sobrancelha.
-Não! –ele respondeu prontamente, sabendo que isso não seria lá muito vantajoso e nem agradável de se ouvir.
-Você é quem sabe; ela deu de ombros, com um meio sorriso.
-o-o-o-o-o-
-Uhn! Que cheiro bom; Milo murmurou enquanto via uma fumaça esbranquiçada subir da boca da panela.
-Sai de perto; Shina mandou com um olhar envenenado, ao vê-lo já com uma colher na mão para atacar o conteúdo da panela sem que estivesse pronto.
-Tudo bem; ele apressou-se em afastar-se engolindo em seco.
Viu a amazona terminando de cortar algumas coisas na beira da pia e aproximar-se com uma taboa de madeira com o conteúdo em cima. Camarões grandes e rosados, somado aquele cheiro de vinho, era impossível não dar uma beliscadinha antes de estar pronto; ele pensou.
Ela estava ali por que? Muitos dos amigos fizeram essa pergunta ao chegarem ao templo de Escorpião depois de receberem a noticia relâmpago de que o artrópode estava reunindo algumas amigos para um jantar em sua casa.
Até então tudo seria normal, ele ajudaria a cozinhar e no fim, um ótimo jantar sairia, isso é claro, se ele não houvesse quase se cortado com uma faca 'sem cortes' obrigando-a a chuta-lo para longe do fogão, optando por cozinhar sozinha antes que ele colocasse o templo todo em risco.
-O que é? –Milo perguntou parando ao lado dela, vendo-a jogar os camarões de cima da taboa para a panela.
-Molho para o espaguete; ela respondeu lançando um olhar envenenado ao cavaleiro que apoiara o queixo em seu ombro para ver melhor o fundo da panela. –O que esta fazendo?
-Vendo o que você esta fazendo; ele respondeu infantilmente.
-Me diz, como você não morreu de fome quando era aspirante? –ela perguntou com ar chocado.
-Tinha uma garota que ajudava meu tio com a casa, enquanto eu arrumava a bagunça ela cozinhava; ele respondeu com simplicidade. –Porquê?
-Esquece, nem Freud explica; Shina falou balançando a cabeça levemente para os lados.
E ela pensava que aquele tipo de coisa era obrigatório no treinamento, se bem que Diana quando lhe treinava, fez questão que aprendesse, mas mandou que outra pessoa a ensinasse porque ela mesma, se recusava a chegar perto de um fogão.
-Posso experimentar? –Milo perguntou.
-O que?
-...; Ele apontou para o molho, chamando-lhe a atenção.
Eh, nem Freud explica; ela pensou, pegando uma colher com molhe e entregando a ele.
-Assopre; Shina avisou antes que o ouvisse gritar por se queimar.
-o-o-o-o-o-
Aquilo já estava lhe irritando, não era o convite para jantar, aquilo era até legal porque fazia um tempo que não faziam uma reunião, mas eles tinham que ficar tão perto um do outro e trancados sozinhos naquela cozinha?
-Shura, você chupou limão? –Yuuri perguntou sem esconder o sarcasmo em sua voz.
-Grrrrrrrrrrrrrrrrrrr;
-Amor, deixa ele, vai que morde; Guilherme falou enlaçando-a pela cintura e sentando-se melhor no sofá ao lado dela. –E creio que ele não quer ficar sem dentes não é? –ele completou com um olhar entrecortado para o cavaleiro que se encolheu diante do aviso velado.
-Nossa, que humor é esse Shura? –Aiolia perguntou entrando com a noiva no templo, seguidos por Saga e Litus.
-Grrrrrrrrrrrrr!
-Dor de cotovelo; Aldebaran respondeu, já que estava em um canto conversando com Shion e Ilyria.
-Uhn! –o casal murmurou confuso.
-Shina esta ajudando o Milo com o jantar e ele esta assim, emburrado; Ilyria explicou, apontando para o cavaleiro, cuja face contraiu-se ainda mais.
-A Shina? –Marin falou com ar incrédulo.
-O que tem? –Guilherme perguntou.
-Bem, ela nunca foi de se dar bem com o Milo; a amazona falou casualmente.
-Já chega! –Shura falou irritando-se, levantou-se em um rompante e deixou a sala.
-Porque fez isso? –Aiolia perguntou confuso.
-Psicologia reversa; Yuuri e Aishi responderam ao mesmo tempo.
-O que? –os homens da sala perguntaram visivelmente confusos.
-Coisas de mulher; elas responderam rindo.
-o-o-o-o-o-
Tentou se distrair com a panela a sua frente, mas senti aquele hálito quente chocando-se contra a curva de seu pescoço, somado ao cheiro de vinho exalado do molho, eram atordoantes; ela pensou. Ninguém tinha auto controle suficiente para suportar aquilo por muito tempo.
-Uhn! –ouviu-o gemer de pura satisfação ao acabar de provar o molho.
-Muito bom; Milo murmurou voltando-se para a amazona. –Já pode casar; ele brincou.
-Como? –Shina perguntou confusa.
Fitou-a atentamente, os orbes azuis encontraram-se, tão intensos que poderiam fazer o tempo parar. É, não era a toa que ela representava aquela constelação. Seus olhos eram de um azul nublado, como o céu anunciando uma tempestade, eram capazes de enfeitiçar e seduzir como uma serpente, mais do que ela poderia imaginar; ele pensou.
Não pode impedir que seus olhos recaíssem sob os lábios rublos, tão tentadores quanto todo o resto.
Jamais imaginou que um dia viria a ter sua opinião sobre ela mudada de maneira tão radical, da mesma forma que jamais achou que fosse mudar tanto da forma que mudara.
Agora estavam ali, como se fossem amigos de longa data, falando sobre trivialidades.
-Quando eu era pequeno, costumava ouvir a mãe daquela garota que vivia em Milos, falar quando ela aprendia a cozinhar alguma coisa nova, que ela já podia casar; o Escorpião respondeu com um sorriso calmo, tentando mudar a rota de seus pensamentos. –Bastante patético não; ele completou.
-Uhn! –Shina murmurou sem entender o sarcasmo por trás da gentileza.
-Ela ainda era da época de que, as mulheres viviam em função de uma sociedade machista; ele explicou.
-Entendo; ela murmurou compreendendo aonde ele queria chegar.
-Mas a verdade é que você cozinha muito bem; o cavaleiro completou com um sorriso doce.
-Obrigada; Shina balbuciou, sentindo um leve rubor tomar conta de sua face.
Não estava acostumada a ouvir aquilo e mesmo sabendo de seu antecedentes, não deixava de sentir-se pisando em ovos com ele, ainda mais com o novo lado que ele lhe mostrava, livre de 'perversões'.
-Não por isso, só falo a verdade; ele respondeu, mal notando o quanto seus rostos estavam próximos. Perigosamente próximos...
-Cof! Cof! Cof! – uma tosse seca foi ouvida vinda da porta.
-Bom, vou pegar mais vinho na adega; o Escorpião falou calmamente, se afastando. –O que foi Shura, veio pelo cheiro? –ele perguntou com um sorriso amigável ao passar pelo espanhol.
-Pode se dizer que sim; o cavaleiro respondeu serio, com os olhos cravados sobre a amazona. –De traira; ele completou, mas o Escorpião já estava longe.
-O que foi? –Shina perguntou diante do 'rosnado' que ouvira depois que Milo havia saído.
-Uhn! Nada não; ele falou como quem não quer nada, enquanto ia sentar-se numa cadeira.
Respirou fundo, pedindo aos deuses calma, voltou-se para a panela tirando-a do fogo.
-O que esta fazendo? –Shura perguntou curioso.
-Molho; ela respondeu direta e seca, fazendo-o se encolher.
Em poucos minutos tudo estava pronto para ser servido na sala de jantar do templo, alias, o que lhe surpreendeu, pois nunca pensou que naquele lugar houvesse uma sala tão bonita de estilo clássico como a de Afrodite e Kamus, principalmente uma adega no que seria o porão do templo.
Pelo que Milo lhe contara, fora Cadmo a monta-la quando ainda morava ali, devido ao gosto bastante refinado daquele Escorpião, a adega até agora contava com uma boa safra dos melhores vinhos do mundo e italianos era o que não faltavam; ela lembrou-se.
Suspirou cansada, trabalho feito; a amazona pensou apoiando-se na pia, fechando os olhos por um momento.
-Parece cansada; a voz do espanhol soou grave em seu ouvido.
-Uhn! –ela murmurou sentindo um breve estremecimento, tentou virar-se para o lado, mas congelou ao sentir a ponta de seu nariz roçar levemente sua orelha, fazendo-a prender a respiração, quando um arrepio correu pela espinha. –Shu-ra;
-Não deveria trabalhar tanto, enquanto aquele Escorpião folgado não faz nada; ele falou suavemente, mas sentia-se o desagrado em sua voz.
-Milo estava ajudando; Shina rebateu esquivando-se dos braços dele, não gostando de seu tom de voz.
-Shi-...;
-Shina! Achei aquele vinho que você gosta; Milo falou entrando na cozinha novamente, nem um pouco preocupado com o olhar envenenado que tinha sobre si.
-Qual? –ela perguntou quase nem sussurro.
-Piagentini, tinto suave; Milo respondeu indicando-lhe a garrafa.
-Mas e o Lambrusco? –Shura perguntou confuso, se bem se lembrava, já a ouvira falar que aquele era seu vinho preferido.
-Oras, a Shina gosta de Lambrusco branco suave em comidas fortes, Mosteiro Lusitano tinto semi-seco se for com sopa e Piagentini tinto suave para molho; ele falou em tom solene. –Agora se for só pra matar a sede o tipo Salton;
-Como sabe disse? –o capricorniano perguntou num tom quase indignado.
-Oras...;
-Vamos levar logo isso aqui para lá antes que esfrie; Shina falou vendo que o clima estava esquentando ali dentro.
-Não, espera; Shura falou detendo-a e voltando-se para o Escorpião. –Como sabe?
-Perguntando; Milo respondeu com simplicidade como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-E desde quando vocês estão tão íntimos assim? –ele escarneceu.
-Isso não é da sua conta; o cavaleiro rebateu enfezando-se, oras agora tinha que ficar dando satisfações a ele do que faziam ou não; ele pensou.
-Parem com isso; Shina mandou, mas foi ignorada.
-Oras seu...;
-Somos amigos, algum problema quanto a isso Shura? –Milo rebateu e num ato inesperado puxou a amazona para um meio abraço, enquanto o fitava em desafio.
-O QUE? –Shura berrou.
-Milo, por favor; Shina pediu corando furiosamente, enquanto tentava se desvencilhar dos braços dele.
-Desde quando você tem am-...;
-É melhor não completar, o ultimo que falou isso ainda esta se arrependendo; o cavaleiro avisou em tom sombrio.
-Já disse para pararem com isso; ela exasperou afastando-se do Escorpião irritada.
-Shina! –os dois falaram surpresos.
-Que coisa mais infantil; a amazona vociferou dando as costas aos dois.
-Aonde vai? –eles perguntaram indo atrás dela.
-Embora!
-Mas...;
-Bom jantar para vocês, porque eu perdi o apetite; ela completou batendo a porta com força e deixando o templo.
-VIU, A CULPA É SUA; os dois berraram fitando-se acusadoramente.
-O que esta acontecendo? –Yuuri perguntou ao ver a amazona deixar o templo irritada.
-ESSE IDIOTA; os dois responderam a ponto de pular um sobre o outro.
-Parem com isso, que vocês já estão me irritando; Guilherme avisou fazendo-os rapidamente se calarem.
-Expliquem o que aconteceu; Aishi falou.
-Foi esse idiota que começou a surtar; Milo começou.
-Eu? Eu não faria isso se você não ficasse se jogando pra cima dela; Shura exasperou.
-Você me viu tentando agarra-la por acaso? –o Escorpião rebateu.
-Só não fez isso porque eu cheguei; o espanhol provocou.
-Oras seu...; Milo vociferou arregaçando as mangas pronto pra voar sobre ele.
-Já disse para pararem com isso; Guilherme repetiu.
No momento seguinte eles apenas sentiram um choque correr a espinha, passando por cada nervo e célula de seus corpos, antes de serem jogados cada um em uma parede nas extremidades da sala.
-Agora vamos jantar; o cavaleiro completou numa calma assustadora.
-Amor, entrou em inferno astral? –Yuuri perguntou cautelosa.
-Não, porque? –ele perguntou calmamente.
-Nada não; ela respondeu com uma gotinha escorrendo da testa.
-Então vamos jantar; o cavaleiro completou puxando-a consigo.
Todos engoliram em seco, seguindo o casal, sabiam perfeitamente o quanto alguém poderia se tornar perigoso em determinadas épocas do ano.
-o-o-o-o-
Sentou-se na soleira da porta, encostando a cabeça na madeira fria, a noite estava fresca e o céu, sem sinais de chuva. Boa o bastante para relaxar e colocar alguns pensamentos em ordem; ela pensou serrando os orbes por alguns segundos, enquanto uma brisa suave esvoaçava as melenas esverdeadas.
Suspirou, aqueles dois eram tão cansativos quando bancavam as crianças, só não entendia o porque daquele surto; a amazona pensou.
-Aceita? –uma voz conhecida soou próxima a si de maneira branda.
Virou-se encontrando uma taça de cristal sendo estendida em sua direção, ergueu a cabeça encontrando um par de olhos azuis sobre si, tão intensos e profundos quanto o céu naquela noite.
-Então? –Milo perguntou.
Com hesitação, pegou a taça vendo mais uma na outra mão dele, junto com a garrafa de Piagentini.
-Obrigada; ela sussurrou.
Sentou-se ao lado da amazona, enchendo ambas as taças. Viu-a aproximar a taça do nariz, aspirando com suavidade o aroma, sentindo o cheiro de uva embriagar-lhe os sentidos.
-Me desculpe; o cavaleiro começou quebrando aquele silencio, enquanto levava a taça aos lábios, para um gole rápido. –Pelo surto do Shura... Admito que eu provoquei; ele completou.
-Homens! –ela resmungou.
-O que disse? –Milo perguntou casualmente.
-Nada não; Shina apressou-se em responder.
-E também, eu precisava te agradecer; ele continuou.
-O que? –a amazona perguntou surpresa.
-Por ter cuidado de mim; o cavaleiro falou dando um baixo suspiro.
-Não por isso, qualquer um poderia ter feito; ela falou.
-Não, exemplo disso é o Kamus; ele brincou com ar descontraído.
-Isso é patético; Shina exasperou, aquele ciúme do cavaleiro era de dar nos nervos.
-Não; Milo falou balançando a cabeça levemente para os lados. –Acho que faria a mesma coisa se estivesse no lugar dele; ele falou com ar pensativo. –Se bem que não consigo me imaginar assim; sua voz saiu num sussurro tão baixo que ela quase não pode ouvir.
-Você esta se sentindo bem? –Shina perguntou por garantia.
-Estou porque? –ele respondeu confuso.
-Não sei, tem alguma coisa diferente em você; ela falou fitando-o atentamente.
-Estou com saudades da Isa; Milo confessou em meio a um suspiro. –Não gosto de não ter noticias dela; o cavaleiro completou passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-Vocês se conhecem há muito tempo?
-Dezoito anos; ele respondeu. –Às vezes quando eu penso nisso, acho que ela vai embora a qualquer momento;
-Porque diz isso? –Shina perguntou curiosa.
-Não sei, parece um pressentimento idiota, mas isso me preocupa, não quero que ela fuja dos problemas e sim os enfrente de uma vez. Por isso não queria que ela tivesse ido embora da outra vez e sei que esse novo sumiço foi para isso, fugir de si mesma e evitar um confronto;
-Mas ela vai voltar, não vai? –a amazona perguntou.
-Vai, mas não sei de quantas coisas ela vai desistir para isso; ele respondeu num murmúrio.
Era realmente estranho conversar com ele daquela forma, mas não gostada daquela melancolia, naqueles últimos dias conhecera um lado diferente do Escorpião, um lado que podia realmente chamar de amigo.
-Sabe, vou te confessar uma coisa; Shina começou, levando a taça aos lábios.
-O que? –Milo perguntou curioso.
-Sempre quis ter um amigo gay; ela respondeu.
-HEI! –ele falou cuspindo de uma vez o que acabara de beber.
Ouviu o riso cristalino da amazona chegar a seus ouvidos como musica, nunca pensou que fosse ver algo tão irreal assim nessa encarnação; ele pensou surpreso.
-O que quer dizer com isso? –Milo perguntou com os orbes perigosamente estreitos.
-Precisava ver a sua cara; ela falou enxugando o canto dos olhos, onde pequenas lagrimas pareciam querer se desprender, sendo isso o suficiente para desarma-lo completamente.
Viu-a tomar mais um gole de vinho e respirar fundo, tendo um leve rubor a tingir a face.
-Pelo menos você tirou aquela cara de enterro; Shina falou voltando-se para ele.
-Uhn! –ele murmurou confuso.
-Não se preocupe com Isadora, ela vai saber encontrar o melhor caminho e você, não pode prende-la numa redoma de cristal, para que ninguém se aproxime. Super proteção demais também atrapalha; ela aconselhou.
-Você tem razão; Milo admitiu.
-Claro que tenho; a amazona brincou em tom de provocação.
-Nem um pouco convencida; ele resmungou.
-O que disse? –ela perguntou serrando os orbes lentamente.
-Nada não; o cavaleiro apressou-se em responder, mas aos poucos sua face adquiriu novamente uma expressão seria. –Sabe, o que não entendo é essa falta de atitude;
-Como?
-Não consigo entender isso; Milo falou. –Você gostar de uma pessoa e demorar tanto para falar com ela, porque toda essa espera? O que isso realmente significa? –ele questionou com um olhar inquisidor.
-Amadurecimento; a amazona respondeu calmamente.
-Não acredito nisso; ele falou emburrado.
-Porque não? –Shina perguntou divertindo-se com as expressões infantis dele, bem diferente das arrogantes que era acostumada a ver no dia a dia.
-Vou te dar um exemplo; Milo começou. –Você mesma, é uma mulher muito forte, tem seus objetivos traçados, não se importa de lutar pelo que quer, mas não deixa de ser bonita, interessante e desejável; ele continuou levando novamente a taça aos lábios, sem notar que a amazona já estava tão escarlate quanto o vinho. –Mesmo assim você espera, porque?
-Porque nem sempre temos resposta para tudo; ela falou.
-Uhn?
-Às vezes não temos como explicar coisas que só acontecem, a forma de agir, do tempo e da segurança de cada um. Não tem como padronizar; Shina explicou.
-Mesmo assim; Milo falou com ar contrariado.
-Já pensou em dizer isso ao Afrodite? –ela perguntou compreendendo o ponto que ele queria abordar.
-Nem morto, vai que ele arruma uma planta maior dessa vez; ele falou fazendo-a rir. –É sério;
-Sei; Shina falou descrente.
-Seu sorriso é muito bonito; o cavaleiro falou de repente, assustando-a ao deparar-se com os orbes intensos do Escorpião tão perto de si, que nem ao menos o sentira se aproximar daquela forma. –É uma pena que ele demore tanto para tomar uma atitude; o cavaleiro falou com ar pensativo, tocando-lhe a face suavemente.
-Q-que-em? –ela perguntou com a voz tremula e tensa, confusa pela mudança repentina.
-Você é realmente fascinante Shina, não é justo que você tenha que esperar o amadurecimento de alguém, você pode criar seu próprio tempo; ele completou afastando-se com um sorriso tranqüilo, porem não o suficiente para acalma-la.
-Uhn?
-Acredite Shina, não tenho segundas intenções para essa conversa, se tivesse eu já teria te beijado e não estaríamos bebendo vinho, pelo menos não aqui fora; Milo completou enquanto enchia ambas as taças novamente.
-...; Ela assentiu desviando o olhar, o pior de tudo é que ele estava certo.
-Mas por hoje, eu só quero conversar; ele completou com um sorriso enigmático nos lábios sabendo perfeitamente que o que dissera seria certamente bem aproveitado pelo inconvenientezinho que estava a alguns passos longe dali ouvindo a conversa e que certamente só faltava rugir pelo que quase acontecera.
Cada um poderia ter seu próprio tempo, mas não fazia mal algum em apressa-los um pouco; o Escorpião pensou.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo chega ao fim e com isso a fic também se encaminha para a reta final. Nossa, nunca pensei que De Volta ao Vale das Flores fosse tomar o rumo que esta agora. As vezes quando converso com minha mana sobre isso, eu falo pra ela que os personagens as vezes decidem por si só o que querem que aconteça com eles no desenrolar da historia, que nem eu teimando em fazer diferente, acabo sempre indo por eles.
Mas falando sério, fico muito feliz em saber que todos que estão acompanhando essa fic estão gostando. E para lembra-los, possivelmente em Julho será lançado "Senhor dos Dragões" a segunda parte de uma trilogia sobre a Terra Média, que faz parte da saga de uma nova vida.
No mais, obrigada novamente a todos que acompanham a fic e ainda perdem um pouquinho de tempo apertando o GO aqui em baixo e enviando reviews.
Um forte abraço e nos vemos na próxima...
Já ne...
