De Volta ao Vale das Flores

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Isadora são criações únicas e exclusivas minha para essa saga.

Boa Leitura!

Capitulo 23: A ultima centelha de fé.

Assisto minha vida passar

Na visão de trás do espelho

Retratos paralisados no tempo

Vão se tornando mais nítidas

Não quero desperdiçar mais um dia

Preso na sombra dos meus erros.

.I.

Caminhou alguns minutos mais e logo viu-se em frente a uma bela construção que lembrava perfeitamente as casas de estilo clássico, sabia que os recentes moradores da propriedade não estavam presentes, conseguia sentir que seus cosmos estavam distantes, embora não soubesse dizer a que alcance.

Deu a volta na casa, logo encontrando a entrada para o Vale das Flores, como nas fotos que Shaka lhe dera como amostra para o quadro. Respirou fundo, sentindo os pés vacilarem ao seguir em frente.

Era só um jardim, o que poderia encontrar de diferente ali? –Isadora pensou, para em seguida balançar a cabeça freneticamente para os lados. Não era um simples jardim, sabia bem o que ele representava.

Ainda se perguntava por que as Deusas do Destino fizeram aquilo, separá-los quando o que deveria ter sido feito, era deixá-los viver, podendo finalmente gozar tudo aquilo que lutaram para conseguir, mas não, elas os separaram.

Em outra ocasião, onde as pessoas poderiam ser diferentes e a situação distinta, até poderia se sentir mordida pelo bichinho do ciúme, mas não agora. Não conseguia sentir isso, o desejo de que tudo houvesse sido diferente era maior.

Continuou a andar, passando pelas roseiras e tomando o devido cuidado para não se machucar. Sabia o que precisava fazer agora. Aquele enfim, era o ponto final que dava naquela fase de sua vida, porém mal havia se aproximado o suficiente, conseguiu avistar as águas cristalinas do lago, mas estancou ao deparar-se com um jovem de longos cabelos negros parado a beira do mesmo.

Os raios cálidos do sol caiam sobre ele com graciosidade e pode ver com perfeição que alguns fios tinham tons esmeralda, agora não sabia ao certo se eram negros ou tão verdes que a luminosidade do ambiente lhe causava aquela ilusão.

Ele estava de costas para si, por um momento temeu se aproximar, até vê-lo virar-se em sua direção. Seus olhos eram vermelhos, não eram como os seus, que mesmo rosados, às vezes ficavam num vermelho mais fraco, não... Os olhos dele eram bem vermelhos, com um brilho tão intenso que sentia a meter turvar-se ao fitá-lo.

Ao contrario do que imaginou, não se sentia assustada com sua presente ali, ele transmitia uma aura de serenidade que envolvia o ambiente e tudo a sua volta. Era como uma corrente fraca de vento a passar por seu corpo lhe abraçando carinhosamente, embora tentasse lembrar-se quando sentira-se dessa forma, sua mente parecia aos poucos ser tragada para um espaço em branco, onde era impedida de pensar.

Os fios negros esvoaçaram levemente com uma brisa suave que acariciou-lhe a face, os lábios finos curvaram-se numa expressão tão tranqüila quanto o resto, como se já esperasse lhe encontrar ali.

-Parece com duvidas Isadora; Olhos Vermelhos comentou, enquanto via-a segurar-se fortemente na alça da urna prateada.

-Quem é você? –Isadora perguntou com a voz mais tremula do que desejava.

Fitou-a calmamente, enquanto dava alguns passos à frente, se aproximando. Isadora recuou um, apenas como instinto, a única coisa capaz de reagir agora. Não sabia quem ele era, mas cautela nunca era demais.

-Pode se dizer que sou um amigo; ele falou casualmente, porém um brilho enigmático insinuava-se nas íris vermelhas.

-O que quer aqui? –a jovem perguntou num tom quase frio, tentando ser racional, mas simplesmente não entendia de onde aquele magnetismo todo vinha para lhe deixar atordoada.

-Digamos que eu pretendia esclarecer algumas duvidas suas; o rapaz falou e os finos lábios curvaram-se num sorriso calmo e enigmático.

Serrou os orbes nervosamente, tinha alguma coisa errada, quem ele era afinal? Pois aquele cosmo só vinha de um lugar e esse lugar era apenas três passos a sua frente.

-Pelo visto você não precisa mais dela; ele comentou desviando o olhar para a urna e ouviu-a suspirar aliviada, como se aos poucos a tensão existente no ar fosse se esvaindo.

-Não; Isadora respondeu desconfiada.

-O que você sentiu? –Emmus perguntou de repente.

-O que?

-O que você sentiu quando a vestiu? –ele falou apontando para a armadura.

Fitou-o confusa, o que ele queria com aquilo tudo? –ela se indagou, mas viu-o apenas voltar-se em sua direção com calma, os fios negros da franja caiam levemente por seus olhos e para sua maior surpresa, teve um ímpeto de se aproximar e tentar afastar fios tão rebeldes dali.

Balançou a cabeça levemente para os lados, sentindo a face aquecer-se. Céus, quem era ele? –ela se perguntou engolindo em seco com o rumo dos próprios pensamentos.

-Então? –Olhos Vermelhos indagou, esperando por uma resposta.

-Não sei; ela balbuciou, chocada com seus próprios pensamentos.

-Vamos Isadora, sei que pode fazer melhor do que isso; ele a desafiou com o olhar e um sorriso cheio de promessas surgiu em seus lábios.

-Do que esta falando? –Isadora perguntou recuando um passo quando ele aproximou-se mais um.

-Você sabe? –Emmus rebateu parando tão próximo dela, que não havia mais espaço para recuar. –Não minta para si mesma, vamos... Diga pelo menos pra mim; ele sussurrou em seu ouvido. –O que você sentiu?

Estremeceu sentindo as costas tocarem uma árvore e não ter para onde recuar, um arrepio correu pelo meio de suas costas ao sentir a respiração quente dele chocar-se contra a curva de seu pescoço. Não sabia quem ele era, mas agora isso era o menos importante; ela concluiu com a face em brasas.

-Porque quer devolver a armadura, ela fica tão bem em você; ele continuou em tom de provocação, enquanto uma de suas mãos apoiava-se no tronco da arvore e o outro tocava-lhe a face, de maneira que afastou delicadamente alguns fios esverdeados que cobriam os olhos dela.

-Ela não é minha; Isadora respondeu com a voz tremula e a respiração entrecortada.

-Mas poderia ser; Emmus ressaltou com um sorriso matreiro. –Não tem ninguém que pretende toma-la para si e por direito, ela pertence a você; ele continuou.

-Não, eu...; a jovem começou, sentindo a mente se esvair de qualquer pensamento. –Minha mãe... Era da minha mãe, mas não pertence a mim, eu desisti; ela tentou explicar.

-Nunca é tarde para recomeçar de onde parou; ele propôs, enquanto os dedos finos e aristocráticos, envolviam uma mecha que caia sobre o ombro da jovem de maneira despropositada.

-Não posso; Isadora respondeu, balançando a cabeça freneticamente para os lados, tentando voltar a pensar com racionalidade.

-Por quê? –ele a questionou, fitando-a com tamanha intensidade que ela sentiu-se completamente transparente.

Nem mesmo em sua formatura, quando decidira afogar todos os demônios e tomar um belo de um porre se sentiu tão embriagada como agora, na presença dele. Não sabia ao certo o que estava acontecendo? O cosmo dele não se manifestava com intensidade e opressão, mas seus olhares, sorrisos e gestos lhe deixavam desarmada. Alias, faziam com que se esquecesse completamente do porque estava ali.

Não! – balançou a cabeça levemente para os lados, tinha uma missão a terminar e não deixaria que alguém lhe atrapalhasse.

-Olha, não sei o que você quer, mas se não sair da minha frente, vou ser obrigada a acabar com você; ela falou sentindo finalmente sua mente voltar ao foco.

-Vamos Isadora, não é tão difícil me dar uma resposta; ele rebateu com uma calma irritantemente inabalável e aquele sorriso que fazia até uma pedra suspirar. Sentiu os pensamentos tentarem se esvair novamente e simplesmente estava dando aquela batalha por perdida.

-Poder; ela sussurrou desviando o olhar.

-E o que mais? –Emmus insistiu com um sorriso sugestivo.

-Não sei; Isadora balbuciou confusa.

-Você é uma mulher muito poderosa Isadora, estar com aquela armadura em seu corpo apenas serviu para lhe mostrar que essa é sua natureza, esse poder pertence a você, não tente reprimi-lo. Você sabe do que é capaz; ele completou num sussurro enrouquecido em seu ouvido, fazendo-a estremecer e o coração acelerar.

-Eu sei; ela sussurrou com os orbes serrados.

-Então, porque devolvê-la agora? –ele indagou.

-Por que...; Isadora começou tentando encontrar as palavras que fossem suficientemente convincentes.

-Por quê? –Olhos Vermelhos perguntou fitando-a intensamente, vendo-a atrapalhar-se com as palavras.

Precisava pensar, mas com ele tão perto isso era impossível. Afastou-se bruscamente, surpreendendo até mesmo ele.

-Isadora; Emmus falou tencionando se aproximar, mas o olhar entrecortado dela o deteve.

-Não se atreva; a jovem vociferou, massageou as temporas nervosamente sentindo a cabeça começar a latejar. Raios! Mais essa agora. –Não consigo pensar com você perto de mim; ela resmungou sem notar o sorriso nada inocente que surgiu nos lábios dele.

-Você não precisa pensar naquilo que já está decidido; ele falou casualmente.

-O que? –ela indagou confusa.

-Você sabe o que sentiu ao vestir aquela armadura, não se engane achando que as Deusas do Destino prepararam uma vida de mediocridade para você. Você pode mais se quiser... E essa armadura pertence a você;

-Não! Não pertencem; Isadora rebateu perdendo o controle das emoções. –Se as Deusas do Destino são assim tão poderosas para mudar a vida das pessoas, porque elas foram tão cruéis? –ela indagou com os orbes marejados. –Por quê?

-É assim que elas trabalham; ele respondeu com uma mascara de indiferença recaindo sobre a cordialidade existente antes em sua face.

-Mas não é justo; ela berrou, fazendo algumas aves assustarem-se e levantarem vôo.

-Nem sempre a vida é justa... Alguns partem, para que outros vivam, é assim que funciona; ele completou, vendo as lágrimas caírem furiosamente pela face da jovem.

-Saia da frente; Isadora mandou, tencionando passar por ele com a urna nas mãos a qualquer preço.

-Não minta para si mesma, Isadora; Emmus falou segurando-lhe o braço. –Aimê esta morta e a armadura pertence à você; ele sentenciou.

-ME SOLTA; a jovem mandou puxando o braço com um solavanco. –Eu tenho uma missão a terminar e não vai ser você que vai me impedir; ela falou indo em direção ao lago com determinação.

-Você vai se arrepender; ele falou casualmente, como se estivesse falando com uma criança.

-Não mais do que você, se não for embora; ela falou não se importando com o vento agora gelado a acoitar-lhe a face, entrou nas águas geladas, sentindo imediatamente o corpo reagir contra o choque térmico.

As mãos tremeram e quase derrubou a urna, mas estava disposta a seguir em frente. Pensou que ele talvez pudesse tê-la seguido, mas com um olhar de soslaio, viu-o parado na beira da água, sem ousar se aproximar.

Continuou até estar um tanto quanto distante da margem. Seu cosmo elevou-se envolvendo a urna. Um arrepio correu-lhe as costas. Ele estava certo, era difícil lutar contra isso, mas ele tinha razão.

Àquele sentimento de poder e vaidade que sentira ao colocar a armadura pela primeira vez lhe confundiu, afinal, era só um empréstimo, mas sentira realmente aquele poder que ele falara.

Se sentira mais forte, mais segura. Balançou a cabeça para os lados, não precisava disso para ter auto-confiança. Até uma vozinha estranha invadir sua mente perguntando "Será?".

Claro que sim, sempre andara bem sozinha e isso não iria mudar nada.

"Será?"

Novamente ouviu-a ecoar em sua mente, seu cosmo oscilou, tentou manter a mesma vibração, enquanto uma aura esverdeada envolvia toda a superfície do lago.

Respirou fundo, precisava manter a calma, porque justamente agora sentia-se como se estivesse na beira de um abismo?

-Ainda há tempo; ouviu a voz dele ecoar em sua mente, embora não sabia como isso poderia ser possível.

Segurou a urna com as duas mãos e empurrou-a pouco mais a frente. Aos poucos viu-a afundar na água. Seu cosmo elevou-se até uma explosão intensa acontecer.

Não, havia prometo que acima de tudo iria protegê-la, que não permitiria que mais ninguém sofresse igual a si, prometera que ajudaria Aaliah, não iria deixar que um idiota vindo sabe-se lá de onde mudasse seus objetivos. Que tentasse mudar as convicções que lhe faziam seguir em frente.

O cosmo intensificou-se, a água ergueu-se num redemoinho para o céu, enquanto algumas pétalas de rosas misturavam-se ao redemoinho. Sentiu tudo a sua frente apagar-se e o corpo cair inerte entre as águas.

-o-o-o-o-o-

Mesmo de longe, observando com atenção a cena que desenvolvia-se a sua frente, não conseguia entender o que ele pretendia com tudo aquilo, porem admirava o auto controle daquela menina, se fosse ela ali, a estar com Emmus tão perto de si, o mínimo que já teria feito era prensa-lo na árvore mais próxima e dado-lhe um belo de um beijo.

Um fino sorriso formou-se em seus lábios, suspirou. Ele era bom demais pra ser de verdade, mas por mais que olhasse, não conseguia ver um defeito sequer naquela manifestação de todos os seus sonhos de consumo.

Mesmo bancando o cafajeste ele conseguia ser irresistível; Hekátes pensou sentindo o cosmo da jovem expandir e logo o mesmo entrar na água, tirando-a desacordada de lá.

Sempre tão cavalheiro; ela pensou fitando-o segurar a jovem de maneira protetora entre os braços, como se ela fosse feita de porcelana que poderia quebrar a qualquer momento, com um simples movimento.

É, aquela era a diferença; Hékates pensou com pesar vendo que muitos de seus conhecidos jamais agiriam assim sem ganhar algo em troca.

Os mortais eram diferentes, muitos eram egoístas e mesquinhos como Hades sempre fazia questão de lembrar. Outros, eram assim como Emmus, que mesmo ferindo aqueles que lhe eram caros, procuravam de todas as formas ajudar. Sabia que não era nada fácil para ele tratar aquela jovem, daquela forma, mas esse foi o único modo de fazê-la entender o que tanto buscava.

Qualquer um muitas vezes já se viu seduzido pelo poder. A vaidade de sentir-se poderosa e ter o destino do mundo na palma das mãos. Sim! Era uma vaidade perigosa e um desejo que por vezes se torna incontrolável. Mas ela fora forte, manterá-se convicta a seus princípios até o fim.

Mas porque as Deusas do Destino tinham de ser tão cruéis? –Hekátes se perguntou vendo uma garota de melenas negras aproximar-se de Olhos Vermelhos e enrolar uma manta na jovem, tentando aquecê-la do frio que iniciava-se com a chegada da noite entre as montanhas.

Não sabia o que elas pretendiam, mas uma coisa agora estava clara.

-Vai ficar o observando até quando? –uma voz calma perguntou atrás de si.

-Só estava curiosa; Hékates respondeu num murmúrio, mantendo-se escondida entre as folhas.

-Sobre? –Thanatos perguntou parando a seu lado.

Havia sido enviado pelo irmão, para buscar a armadura, mas agora que o trabalho estava feito, decidiu aproximar-se quando vira a divindade oculta pelas folhagens.

-Queria saber um pouco mais sobre esse poder dos mortais; ela respondeu.

-Dos mortais ou de um especifico? –a divindade indagou com um sorriso nada inocente.

-Só queria saber o que os fazem tão diferentes de nós; Hekátes comentou, cortando a insinuação.

-Simples, nós somos deuses e eles mortais. Nós vivemos para sempre e eles morrem... Lógica pura e simples; Thanatos falou gesticulando casualmente.

-Não seja idiota; ela vociferou.

Um pesado silêncio caiu sobre os dois, tentava encontrar uma resposta que explicasse suas duvidas. Até sentir uma luz acender-se em sua mente e lembrar-se de uma antiga conversa com Caos.

O Onipotente nunca dava as respostas que buscava e sim, àquelas que lhe era conveniente revelar. Quando conversaram a ultima vez, fora poucos depois de Harmonia partir.

Perguntou a ele o quanto valia rebelar-se contra o conselho e trazer um bando de mortais de volta a vida, tornando-se agora igual a eles.

Caos fora bastante taxativo ao dizer que, se não sabia a resposta era porque não a merecia ainda.

Depois de ver o que acontecera nos últimos anos, entendia o que ela fizera. Lutar por um bem maior, aquela herança que todos protegiam era a maior motivação. Era o que tornava os mortais tão fortes.

Viver por alguém, viver por um novo dia, para ver um novo sol nascer e uma nova vida cantar. Aquela ânsia em aprender e descobrir. Proteger e salvar. Mesmo nos mais mesquinhos, esses sentimentos eram mais fortes. Amor, carinho, proteção... Amizade.

Suspirou, parecia tão simples, mas não... Era necessário muito tempo para que isso fosse aprendido. Agora entendia o que motivara Emmus a algo tão insano como o que fizera há anos atrás.

Enfim, ele era perfeito até nisso; ela pensou em meio a um suspiro resignado. Dando as costas ao vale e deixando Thanatos a ver navios ali, sem obter mais uma palavra sequer da jovem que logo desapareceu.

.II.

Enrolou-a na manta que a jovem de melenas negras lhe estendeu, viu-a estremecer e os lábios os poucos ficarem roxos.

-Ela vai ficar bem? –a jovem perguntou preocupada.

-Vai, só gastou um pouco mais de energia por ter ficado tanto tempo sem treinar, qualquer elevação de cosmo a deixa desgastada; ele explicou, elevando seu cosmo de forma que uma aura quente lhes envolvesse, fazendo com que aos poucos o frio fosse embora.

Respirou fundo, sentindo aos poucos o coração agitado bater de maneira mais calma, os longos fios negros aos poucos foram perdendo a cor, até atingirem um tom suave de loiro-esverdeado e os orbes antes completamente vermelhos tornaram-se rosados, quase violeta.

-E agora? –ela perguntou preocupada.

-Emmus;

Ambos viraram-se ao ouvirem uma voz calma chama-lo. Logo viram à senhora de melenas douradas aproximando-se calmamente.

-Astréia; ele falou surpreso por encontrá-la ali.

-É melhor leva-la para dentro, esta frio demais aqui; Astréia falou indicando-lhe o caminho.

Assentindo silenciosamente, Emmus e ela seguiram Astréia para o interior da mansão Lancaster. Não houve indagações, ou qualquer outra coisa em busca de respostas. Isso já não se fazia mais necessário.

Astréia abriu uma das muitas portas do segundo andar, indicando um quarto que pudesse entrar.

Aproximou-se da cama, colocando a jovem deitada ali, agora às roupas antes encharcadas, estavam completamente secas. Deu um baixo suspiro constatando que agora ela só dormia.

-Meu filho foi procurá-la hoje pela manhã; Astréia comentou quando ele se afastou.

-Eu sei; Emmus respondeu num tom sério. –Quando ele chegar, não diga nada a ele sobre mim; ele falou voltando-se para ela.

-Se você quer assim; a senhora falou em meio a um suspiro, vendo-o aproximar-se da porta para deixar o quarto, mas o deteve. –Emmus;

-Sim!

-Eu vi o que aconteceu? Porque agia daquela forma? –Astréia perguntou confusa. Já fazia alguns anos que o conhecia, mas fora realmente uma novidade para si vê-lo agindo tão diferente do habitual.

-Somos mortais Astréia, uma vez ou outra, vemo-nos seduzidos por algo que desperte nosso ego e nos de satisfação; Emmus falou voltando-se para ela. –Só queria garantir que apesar de tudo, Isadora continuaria fiel àquilo que havia se proposto a fazer;

-Então foi de propósito; ela falou com certo choque.

-Você não acha realmente que eu preciso seduzir uma garota pra conseguir o que eu quero, não é? –ele perguntou com os orbes rosados, serrados de maneira perigosa.

-Bem...; a senhora balbuciou constrangida. Se levasse em consideração o caráter dos irmãos e do próprio pai, não duvidava que qualquer ser do sexo oposto fosse dado aos mesmos estratagemas.

-Aprenda uma coisa Astréia, as mulheres não são objetos para servirem a propósitos escusos, são pessoas que merecem respeito... Detalhe que seus parentes parecessem ignorar convenientemente; Emmus completou ferino dando-lhe as costas e saindo do quarto seguindo pela jovem de melenas negras.

Assentiu, vendo-o desaparecer no meio do corredor. Voltou-se para a jovem que dormia tranqüilamente na cama, ela tinha uma expressão tão serena agora. Quando a vira pela primeira vez, após a derrota de Megaira, notara um brilho pesaroso em seus olhos, como se estivesse carregando o peso do mundo em suas costas, mas agora ela parecia diferente; ela pensou aproximando-se da cama.

Logo Shaka e Aaliah iriam chegar, não lhe agradava em nada a idéia de mentir para o filho, mas não seria justo que Shaka ficasse sabendo de uma hora para outra sobre Olhos Vermelhos.

Depois de muito tempo pensando, buscando por respostas, entendeu porque o pai não permitiu que criasse o filho, e sim, que ele vivesse entre mortais, treinando de maneira humilde para se tornar um cavaleiro.

Por não pertencer inteiramente a nenhum dos mundos, ele deveria escolher um lugar para ficar, sendo mortal ele teria mais chances de superar todas as dificuldades e cometer seus próprios milagres, já como um Deus, a possibilidade dele ficar acomodado e estagnar era muito maior.

Apesar de tudo, o pai havia planejado bem. Ainda se perguntava por que ele desde o começo não impediu Hades e Posseidon de começarem as guerras, em vez de manipular a todos como peões e cavalos em um tabuleiro sádico, para que no fim, cada um seguisse seu próprio destino e salvasse a Terra.

Sentou-se na beira da cama, vendo a jovem tremer e encolher-se entre as cobertas. Talvez ela fosse ter febre, não pela friagem, mas por ter descarregado seu cosmo todo de uma vez o corpo fosse reagir, tentando ganhar resistência diante da fraqueza.

O filho não iria demorar, então, o melhor que poderia fazer era ficar ali com ela. Não sabia quando ela ira acordar, mas isso não era problema agora; ela pensou.

.III.

Todos já estavam reunidos em volta da grande mesa arrumada por Dionísio na Toca, por ser meio de semana, haviam conseguido reservar o restaurante para a "pequena" reunião que aconteceria ali.

-Onde esta Afrodite? –Guilherme perguntou aborrecido, enquanto puxava a cadeira delicadamente para a namorada sentar-se.

-Não sei, a ultima vez que o vi, ele disse que não ia sair do templo dele por nada; Yuuri respondeu.

-Idiota; o italiano resmungou.

-Não se preocupem, logo ele melhora; Aldebaran falou calmamente.

-Não sei não, essas depressões não são normais; Shion comentou preocupado.

-Mas alem do Afrodite, estou vendo que tem mais gente faltando; Ilyria comentou, sentando-se ao lado do marido e da filha.

-É mesmo, mestre Mú ainda não chegou. Aioros e Saori não estão aqui. O K-... bem, alem dos outros, que tem outros compromissos não vieram; ela falou engasgando no começo, tentando ignorar o nervosismo de ter vários olhares caídos sobre si.

-Encontramos o Mú no caminho e ele disse que já vem; Kamus avisou, em quanto ele e Aishi buscavam um dos acentos livres em volta da mesa.

-Saori e Aioros estão viajando, e não tem data pra voltar; Aiolia falou encaminhando-se para a mesa, enquanto mantinha a noiva presa a si por um abraço protetor e igualmente possessivo.

-Pelo menos eles já se acertaram; Shion falou dando um baixo suspiro.

-Mas e o Milo? Cadê ele? –Marin perguntou vendo que o sempre espevitado Escorpião não estava presente.

-Foi buscar a Shina; Aiolia respondeu como se houvesse se lembrado agora da informação.

-O QUE? –Shura que mantinha-se silencioso numa das extremidades da mêsa quase cuspiu o que acabava de tomar.

-Ahn! Bem...; o leonino balbuciou assustado com o olhar envenenado dele.

-Shura, o que tem de mais? –Saga perguntou, porém um leve sorriso de provocação surgiu em seus lábios.

-Oras...; o espanhol resmungou levantando-se.

-Viu o que você fez? –Litus reclamou, vendo o cavaleiro deixar a toca pronto para matar um.

-Oras, não é culpa minha se ele tem problemas em tomar uma atitude; o geminiano falou casualmente, embora o olhar envenenado da namorada tenha-o feito engolir em seco.

-Homens; as meninas resmungaram rolando os olhos.

-Hei! –Kamus, Aiolia e Guilherme resmungaram com ar indignados.

-Calma crianças; Shion brincou vendo os cavaleiros emburrados.

-Meninas, sejam mais sensíveis com os rapazes; Ilyria falou com um sorriso simpático nos lábios. –Afinal, eles são o sexo frágil e qualquer coisa magoa; ela completou fazendo-as rirem e eles, ficarem mais emburrados ainda.

-Que história é essa amor? –o ariano perguntou entre dentes, enquanto até mesmo a filha não se continha nos risos.

-Você esta duvidando do que eu digo? –Ilyria perguntou com os orbes verdes serrados de maneira perigosa.

-De maneira alguma, minha vida; ele falou com um sorriso nervoso nos lábios.

-Desculpa a demora pessoal; Mia falou entrando na Toca, apressadamente.

-Não se preocupe, você não é a única atrasada; Yuuri falou sorrindo, enquanto ela ia sentar-se.

-Sério? Ta faltando quem? –a jovem de orbes acinzentados perguntou, correndo os olhos pela mesa, logo identificando pelo menos um dos faltantes.

-Mú, Milo, Shina, Afrodite e o Shura que foi atrás da Shina agora de pouco; Aldebaran respondeu.

-É uma pena que Dohko não possa ter vindo; Shion comentou com pesar.

-Também não é pra menos, agora com essa da Shunrei grávida e ele bancando o avô coruja, nem morto ele sai de Rozan; Alister comentou, enquanto ele e Eurin ocupavam as cadeiras próximas a Kamus.

-Aproveitando que estamos aqui, eu queria perguntar uma coisa, Aishi; Eurin começou voltando-se para a amazona.

-O que-...;

-Parem já com isso!

Todos ficaram quietos ao ouvirem uma discussão nem um pouco agradável vinda da entrada do restaurante.

-Céus, o que esta acontecendo? –Dionísio falou passando apressado por eles, para ir ver o que estava acontecendo, porém estancou no mesmo momento ao ver o ariano com um olhar de poucos amigos arrastando dois cavaleiros cada um por um braço.

-Vai, cada um pra um lado, agora; Mu mandou, empurrando-os em direções opostas.

-Mú, algum problema? –Aldebaran perguntou cautelosamente. Ele bem sabia o quanto o sempre calmo cavaleiro poderia se tornar uma ameaça universal quando irritado.

-Pergunte a esses dois idiotas; ele falou sem esconder a irritação em seu tom de voz.

-Ele me assusta; Milo sussurrou correndo se esconder atrás de Kamus,

-O que você fez, artrópode? –Guilherme perguntou.

-Ninguém merece; Shina reclamou, entrando em seguida. Lançou um olhar envenenado aos dois cavaleiros, porém abrandou-o rapidamente ao voltar-se para o ariano. –Obrigada;

Ele apenas assentiu, indo sentar-se numa cadeira vaga ao lado de Celina.

-Antes que esse ai comece, quero que saibam que a culpa não foi minha; Milo começou, chamando a atenção de todos.

-Hei! –Shura resmungou tencionando se levantar.

-Vão começar de novo? –Mú perguntou apenas arqueando a sobrancelha.

Empalidecendo mortalmente, os dois ficaram quietos imediatamente.

-Ahn! Mú, o que aconteceu exatamente? –Ilyria perguntou surpresa com a atitude dos dois cavaleiros, mas o mais intrigante era que o amigo não parecia nem um pouco calmo, pelo contrario, de onde estava conseguia ver perfeitamente uma veinha pulsando na garganta dele que denotava grande irritação.

-O de sempre; ele respondeu para ela, recebendo das mãos de um ainda chocado Dionísio, o cardápio. –Obrigado;

-O de sempre, exatamente como? –Shion quis saber.

-Esses dois idiotas começaram a tentar se matar no meio da rua; Shina falou aborrecida, sentando-se ao lado de Aldebaran, o que a permitia ficar bem longe do espanhol e do Escorpião. –Mas graças ao Mú, eu consegui chegar aqui, em vez de ter que voltar pra casa, organizar um velório coletivo;

-Patético; Guilherme falou balançando a cabeça levemente para os lados.

-O que disse, caranguejo? –Shura perguntou com os orbes estreitos.

-Ah já chega disso; Shion falou dando por encerrada a discussão. –Mas o que você ia perguntar Eurin? –ele perguntou, enquanto alguns dos pedidos já estavam sendo servidos.

-Bem...; Eurin começou hesitante um pouco, não era fácil falar sobre aquilo, mas era melhor aproveitar a oportunidade de que todos estavam ali agora e pelo menos um poderia lhe tirar aquela duvida. –Já tem algum tempo que Afrodite e Shaka me contaram sobre a troca equivalente e tudo; ela falou voltando-se para Aishi. –Mas eu queria saber se bem... Todos os cavaleiros voltaram mesmo?

-Como assim, Eurin? –Saga perguntou curioso.

-Bem... Pelo que sei, quando o Ares tomou o seu lugar; ela falou ainda mais hesitante, diante do assunto delicado. –O outro foi morto, eu queria saber se ele voltou também?

-Você quer saber se o 'mala' voltou também como nós? –Aiolia perguntou casualmente.

-Aiolia; Marin exclamou, com um olhar entrecortado sem notar que uma nuvem negra de tensão começava a baixar sobre a mesa.

-Na verdade não sei exatamente sobre quem tanto voltou, Eurin; Aishi respondeu vendo que o Grande Mestre parecia suar frio, ou seria só impressão a sua? – Porque o trato foi trazer todos aqueles que morreram antes do tempo por causa de uma interferência divina, mas quem exatamente voltou, não sei;

-É curioso, porque pelo que sabemos, era bem... O Ares seu pai, nada pessoal, mas... Foi ele que acabou com o outro Ares; ela falou. –Então, ele também deveria voltar não?

-Olha, a julgar pelos últimos acontecimentos, não iria fazer diferença alguma; Shina falou.

-Shina; Marin voltou-se para ela com um olhar nada amigável.

Será que esse povo não tinha um pingo de 'semancol' para notar que aquele não era o tipo de assunto para ser discutido ali.

Antes que mais alguém falasse o barulho estridente de um celular chamou a atenção de todos. Tateou rapidamente os bolsos encontrando o aparelho.

-Alô; Mú falou mal vendo o numero que indicava no visor de LCD.

-Mestre Mú, é o Kiki; a voz não mais infantil do garoto soou do outro lado.

-Oi; o ariano respondeu, começando a se levantar.

-O senhor esta ocupado, se não ligo depois? -o pupilo adiantou-se.

-Não, só um minuto; ele respondeu. –Com licença; Mú falou deixando a mesa sob o olhar curioso dos demais.

Um silêncio pesado caiu sobre a mesa, até a jovem de melenas vermelhas vociferar.

-Vocês estão pensando o que? –Marin reclamou.

-Amor; Aiolia murmurou encolhendo-se.

-O que foi Marin? –Ilyria perguntou confusa.

-Tanto assunto pra se falar e tem que colocar justo o Ares em pauta; ela continuou ignorando o olhar confuso do mestre e de uns poucos.

-O que tem isso, Marin? –Shion perguntou confuso, embora houvesse engolido em seco diante do olhar envenenado da amazona de águia.

-Como se você não senhor não soubesse? –ela rebateu com a voz fria.

-Do que esta se referindo Marin? –Litus perguntou vendo os ânimos se exaltarem.

-Simples minha cara; Shina falou atraindo a atenção de todos para si. –Qualquer um sabe que nosso querido Ares não presta; ela falou com um olhar envenenado.

-Shina; Shion exasperou.

-Mil perdões, Mestre Shion; ela falou em tom de falta cordialidade. –Mas essa é a verdade... Pergunte a todos aqui o que Ares fez assim que você virou as costas para ir a Star Hill? –ela rebateu.

-Como? –ele perguntou confuso.

Ninguém sabia sobre sua ida a Star Hill alem do irmão, até se surpreendera quando Ares lhe pegara de surpresa lá, mas...; o ariano parou temendo o que estava por vir.

-Vocês não contaram a ele? –Marin perguntou voltando-se para o noivo e os demais cavaleiros.

-Fofocas não me dizem respeito; Kamus adiantou-se.

-Não sou santo, admito. Mas isso também não é problema meu. Detesto fofocas; Guilherme falou.

-Eu não sei do que vocês estão falando, não estava... Bem lá muito em mim, naquela época; Saga falou desconcertado.

-Raios, do que estão falando? –Shion indagou.

-Que Ares convocou um conselho depois que o senhor se retirou do santuário; Aldebaran começou. –Ele disse a todos que estava em seu lugar como Grande Mestre temporário e que você havia lhe conferido todos os poderes de decisões enquanto estivesse ausente;

-Aquele cretino teve o disparate de convocar toda a ordem, cavaleiros vieram dos quintos dos infernos até aqui por causa da convocação dele; Guilherme ressaltou.

-O que ele queria com isso? –Alister perguntou desconhecendo esse fato.

-Deportar um cavaleiro de seus direitos como guardião; Shina respondeu.

-O que? Isso é loucura; Mia exclamou. –Pelo que sei, após conquistar a armadura por decisão unânime, um cavaleiro não pode ser deportado, ele só deixa o titulo após treinar um pupilo ou morrer; ela falou chocada.

-Normalmente é assim; Yuuri concordou.

–Mas Ares não estava nem um pouco disposto a esperar o Mú morrer para isso; Shina falou chocando os demais que desconheciam a historia.

-O que? –Shion berrou.

-É, pelo visto o senhor também desconhecia a natureza do seu querido irmãozinho; a amazona de Cobra falou sem esconder o escárnio. –Um dos poucos que tinham dignidade nesse lugar, ele queria tirar. Se ele não voltou, é melhor que continue no inferno por ser um idiota; ela completou.

-Shina, por favor; Aldebaran pediu vendo o grande mestre em choque.

-Por quê? –Shion perguntou com a voz tremula.

-Ninguém nunca soube o porquê ele odiava tanto o Mu, mas desde que ele chegou ao santuário como seu sucessor e ficou aquele mês sob a supervisão do Ares junto com os outros iniciantes, Ares fez a vida dele um verdadeiro inferno; Milo manifestou-se pela primeira vez.

-Cof! Cof! Cof! – a tosse seca de Dioniso chamou-lhes a atenção. –Com licença;

-Sim! Dionísio; Aishi falou, ainda absorvendo as ultimas informações que deixara a maioria em choque.

-O cavaleiro de Áries pediu para avisar que precisou se retirar devido a algumas coisas inesperadas que tem de resolver, mas me pediu para entregar isso aos novos pais; ele explicou indicando uma caixa que trazia nas mãos.

-O que é? –Yuuri perguntou com os orbes verdes cintilando de pura curiosidade, mudando rapidamente de humor, como se aquela conversa pesada jamais houvesse acontecido.

-Só abrindo pra saber; Dionísio falou indo até ela e lhe entregando a caixa.

-O que é? –Milo perguntou erguendo-se em seu acento para ver também.

-Tem um bilhete; Guilherme falou, vendo que numa das dobras do papel pardo que envolvia a caixa um pequeno envelope.

-Espera, vou ver; Yuuri avisou, abrindo-o rapidamente, enquanto o namorado apoiava-se em seu ombro para ler também.

Para que vocês jamais se esqueçam que um dia também já foram crianças.

Felicidades.

Mu de Áries.

-O que ele quer dizer com isso? –Yuuri perguntou confusa, vendo que o bilhete limitava-se apenas a essas três linhas.

-Abra o pacote e vamos ver se isso fica claro; Guilherme sugeriu, enquanto os demais viraram-se na direção do casal esperando para ver o que era.

-Uhn! – a amazona murmurou, enquanto desenrolava o papel.

Rapidamente abriu a caixa e surpreendeu-se ao ver três pequenos embrulhos, muito bem envolvidos com papel de seda, porém cada um de uma cor, um verde, outro amarelo e o terceiro do meio, branco.

-Abra o verde; Guilherme falou vendo-a desfazer o pacote e para sua surpresa deparou-se com um delicado carrinho de madeira, como já vira algumas crianças de sua época brincarem.

Não era nada sofisticado como os que as lojas de brinquedos atualmente vendiam, alias, eram especialistas em seduzir pobres e indefesas crianças com suas estratégias de marketing, mas mesmo sendo algo simples, era uma peça muito bonita.

-Um carrinho de madeira; ele murmurou.

-Nossa, faz tempo que não vejo algo assim, eu tinha um desses; Aldebaran comentou animado.

-E o outro? –Milo quis saber, sem conter a curiosidade.

Optando pelo pacote amarelo, Yuuri desenrolou a seda do mesmo e surpreendeu-se ao ver uma bela bonequinha de pano, com cores vivas e alegres.

-Uma Emilia; Aldebaran comentou surpreso.

-O que? –ela perguntou confusa.

-Emilia, um personagem da literatura brasileira, pertencente aos contos de Monteiro Lobato. O Sitio do Pica-Pau Amarelo. Essa bonequinha tem vida própria e é muito espevitada; ele explicou com um meio sorriso.

-É linda...; a amazona murmurou com ar pensativo. Agora algumas coisas começavam a fazer sentido principalmente o bilhete.

-E o terceiro? –Celina perguntou.

Abriu-o com cuidado, vendo que a seda ao se desfazer revelava um belo casaquinho de lã branca, tão pequenininho, que caberia apenas em um recém nascido.

-Olha amor; Yuuri falou erguendo aos olhos de todos o pequeno mimo.

-Será que vai caber nele? –Guilherme perguntou olhando-a confuso.

-Claro que sim, você não acha que ele já vai nascer com um metro e oitenta, né? –ela reclamou com os orbes serrados de maneira perigosa.

-Só perguntei; ele falou engolindo em seco.

-Mas é uma pena o Mú já ter ido, gostaria de agradecer; Yuuri falou num muxoxo.

-Teremos tempo para isso depois, não se preocupe; Guilherme falou notando a nuvem de tensão aos poucos se esvair.

-Onde será que ele foi? –Celina perguntou com ar pensativo.

-Sinto dizer menina, mas não sei; Dionísio respondeu, enquanto os servia.

-É uma pena ele já ter ido; Mia murmurou, lançando um olhar de soslaio para o lugar agora vazio que ele ocupava.

Estava intrigada, porque Ares agira daquela forma. Como os demais, esse ainda era um mistério para si, não conhecia o irmão do Grande Mestre, mesmo porque só fazia apenas dois anos que se mudara para o santuário, então, muitas historias lhe eram desconhecidas, outras Kanon já lhe contara algumas vezes, mas ele nunca mencionara esse episodio.

Estranho, muito estranho...; ela pensou vendo que o grande mestre permanecia no mais absoluto silencio agora.

Continua...