De Volta ao Vale das Flores

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Isadora são criações únicas e exclusivas minha para essa saga.

Boa Leitura!

Capitulo 24: Criptônita.

Eu não sei voar

Eu não sou tão ingênuo

Os homens não foram feitos para andar

Com nuvens entre os joelhos.

Eu sou só um homem com um tolo lençol vermelho

Cavando criptônita nessa rua de mão única

Procurando por coisas especiais dentr de mim.

(Five for Fighting)

.I.

Estacionou o carro de aluguel em frente à mansão e logo já estava fora do veiculo abrindo a porta para a jovem. A noite já caia, por sorte conseguiram chegar logo, porque se dependesse de Eliot iram dormir na mansão Ermond e passar mais uma boa temporada com ele, só para colocá-lo em dia com as novidades do santuário.

-To com sono; Aaliah murmurou, enquanto bocejava.

-Já estamos chegando; Shaka falou, enlaçando-a pela cintura, enquanto subiam as escadas do dec de entrada.

Apenas algumas luzes estavam acesas na casa, mas isso devia-se ao fato de alguns sensores haverem sido instalados lá por Henri a algum tempo atrás, para serem ativados com o tempo e acenderem as luzes, dando a impressão de que mesmo sem movimento, o lugar era habitado.

Mesmo sendo por medidas de segurança, tal método alem de ser eficiente era muito inteligente.

-Mi casa...; ela murmurou com ar manhoso, jogando o par de sapatos que estava em suas mãos, num canto qualquer da porta de entrada e escorando-se nas paredes para não cambalear.

Se houvessem ido apenas conversar, não haveria problema, mas Eliot fizera questão de lhes mostrar todas as dependências da casa, que não eram poucas e ainda levá-los para ver os arredores da mansão.

Sempre adorara animais, cavalos principalmente, mas apenas em pinturas, quando Shaka lhe colocara em cima de um garanhão de pelagem dourada, tido como o "puro sangue árabe" de Eliot, ela simplesmente achou que aquela era a ultima parada antes do inferno.

Estava toda dolorida, sem contar que precisava definitivamente de um banho, pois o belo tombo que levara ao tentar desmontar ficaria marcado para sempre em seu ego destruído; ela pensou.

-Espera, eu te ajudo; ele a visou trancando a porta e indo até ela.

-Uhn? –Aaliah murmurou, mas seu corpo imediatamente se retraiu quando ele suspendeu-lhe do chão, aninhando-a em seu colo.

-Calma; Shaka murmurou tentando acalma-la, imaginando as dores que ela sentia em cada músculo do corpo, alias, em qualquer lugar que tivesse nervos.

Subiu as escadas com passos ponderados, ouvindo-a murmurar a cada movimento mais rápido. Sabia que não devia tê-la deixado subir naquele cavalo ou pior, aceitando coloca-la em cima de um.

Lembrava-se de Aaliah ter comentando algo de gostar do animal apenas em pinturas, mas nunca haver montado antes, mas no fim, ela acabara decidindo por ir num cavalo separado, em vez de ir consigo. Resultado, ela acordaria com péssimo humor no dia seguinte.

-Você só precisa de um banho pra relaxar, depois vai ficar melhor; ele falou enquanto encaminhava-se para o quarto.

-Duvido que isso ajude, estou sentindo lugares que eu nem sabia que existiam, doer; Aaliah reclamou, temendo fazer qualquer movimento e ouvir as costas estalarem.

-Não exagere; Shaka falou com um fino sorriso nos lábios ao ouvi-la resmungar algo e ficar emburrada, parou em frente ao cômodo abrindo a porta com um movimento tão leve que ela mal percebeu.

-Não estou exagerando; Aaliah reclamou, apoiando-se nos braços dele, sentindo as pernas amortecidas quando ele colocou-lhe no chão, assim que entraram.

-Tudo bem; o cavaleiro falou não querendo insistir no assunto. Sabia que Aaliah ficava extremamente perigosa quando estava de mau humor e precisava poupar energias para o dia seguinte, quando certamente teria de impedi-la de matar alguém apenas com o olhar.

Tocou-lhe a face carinhosamente, fazendo-a erguer parcialmente a cabeça, estavam em Visby há tão pouco tempo, mas era como se fosse uma vida. Tantas coisas já haviam acontecido.

A ameaça com a erinia, o aparecimento de Astréia, todas as conversas. Tudo que estavam vivendo, em alguns momentos se pegava pensando que algumas coisas estavam perfeitas demais para serem reais, mas sempre que acordava pela manhã com a jovem entre seus braços, sabia que sonho algum poderia reproduzir o bem-estar que sentia ao estar com ela, ao sentir sua presença, o calor de seus beijos e o de seu corpo, quando faziam amor.

-Sh-...;

Antes que palavra alguma fosse dita, selou seus lábios em um beijo intenso, enquanto envolvia-lhe o corpo de maneira delicada num abraço quente.

Suspirou, aconchegando-se entre os braços dele, pouco se importando com as reclamações anteriores. Envolveu-lhe o pescoço, deixando que os dedos finos se prendessem entre os fios dourados e fossem acariciar-lhe a nuca.

-O que acha de...; ele começou, murmurando entre seus lábios. –Eu...;

-Uhn? –ela indagou, com os orbes serrados, quando seus lábios voltavam a se encontrar em um beijo intenso.

-Preparar um banho bem relaxante pra você; o cavaleiro completou abandonando-lhe os lábios, descendo os seus de maneira suave sobre o colo da jovem.

-Seria...; Aaliah murmurou sentindo a respiração tornar-se mais pesada. –Ótimo; ela completou ao sentir as mãos dele subirem de maneira possessiva por suas costas, fazendo-a arquear-se parcialmente.

Um fraco gemido escapou de seus lábios, ao sentir as mãos quentes deslizarem por baixo do tecido fino da blusa e os lábios exigentes tomavam os seus com sofreguidão.

Inebriados pelo momento, mal notaram uma fraca luz acender-se em um cômodo no fim do corredor e iluminar parcialmente o mesmo.

Deixou as unhas correrem pelo abdômen dele, sentindo a respiração entrecortada chocar-se contra sua face. Lentamente, um a um, os botões que mantinham a camisa de linho fechadas, abriram-se sob o toque delicado da jovem.

O ambiente agora parecia tomado por um calor intenso, ou seriam seus corpos que a cada segundo, buscavam mais um pelo outro?

Estremeceu ao sentir as caricias se intensificarem, pouco a pouco, algumas peças perdiam-se em meio ao chão coberto pelas sombras.

-Acho que ouvi um barulho; o cavaleiro sussurrou, afastando-se parcialmente dos lábios da jovem.

-Impressão a sua; Aaliah respondeu, beijando-lhe suavemente os lábios.

Balançou a cabeça levemente para os lados, deveria ser mesmo; ele concluiu, afinal, estavam sozinhos, apenas os dois ali.

-Deve ser; ele respondeu, tornando a acariciar-lhe as curvas com sofreguidão, sentindo-a estremecer a cada toque.

Apoiou-se nos ombros dele, tentando manter o pouco de equilíbrio que tinha, mas ao sentir os lábios quentes descerem de maneira suave pelo vale entre os seios e vente, pensou que fosse simplesmente cair, se não fosse por um dos braços dele envolver-lhe a cintura.

Um fraco gemido escapou de seus lábios ao sentir a calça clara cair pelas curvas de seu corpo encontrando o chão, como as demais peças, enquanto sem reservas de pudores, deixava-se levar pelas caricias intensas do cavaleiro.

-Já disse que te amo, hoje? –Shaka perguntou num sussurro, que irrompeu pelas paredes do cômodo.

-Shaka; ela sussurrou, com a respiração entrecortada.

-SHAKA! AALIAH!

Na mesma hora afastaram-se ao verem as demais luzes do corredor se acenderem e a voz da senhora de melenas douradas reverberar pelas paredes.

-Astréia; Shaka resmungou com os punhos serrados ouvindo apenas a porta do banheiro bater e Aaliah trancar-se lá, não dando sinal de que sairia dali tão cedo.

Em meio a resmungou e impropérios, arrumou a camisa que certamente seria a próxima peça a ir ao chão, com os cabelos ainda bagunçados colocou apenas a cabeça para fora do quarto tomando o cuidado de encostá-la antes, pois ainda havia algumas coisas no chão.

-Aqui!

-Ah! Que bom lhe encontrar, pensei que fosse impressão a minha que vocês tinham chegado, devido ao barulho que ouvi; ela falou indo até ele com um olhar angelical.

Serrou os orbes de maneira perigosa, conhecia aquele arzinho angelical e sabia que ela aprontara alguma coisa. Se bem que...; suspirou pesadamente, era melhor estipular algumas regras ali. Esse aparece e some dela a qualquer momento ainda lhes pegaria numa situação delicada e o pior, deixaria seu humor perigosamente sensível por ser frustrado.

-Deseja alguma coisa? –ele perguntou polidamente.

-Creio que a viagem a Estolcomo não deve ter rendido muita coisa não; Astréia perguntou inocentemente referindo-se ao humor dele, embora a pergunta houvesse soado ambígua.

-Não; Shaka falou num resmungou.

-Ahn! Que bom... Porque acho que eu tenho a solução para esse problema; ela continuou.

-"Se jogar de Star Hill?"; ele perguntou em pensamentos, com um louco desejo assassino agora.

-Não querido; Astréia falou sorrindo largamente e apertando-lhe as bochechas como se estivesse falando com uma criança. –Agora seja um menino bonzinho e venha comigo;

-Hei! –o cavaleiro reclamou indignado com a forma que estava sendo tratado.

-Shaka... Não foi um pedido; ela avisou afastando-se e puxando-o consigo.

Resmungando uma infinidade de coisas intangíveis, mas seguiu com ela pelo corredor até o ultimo quarto, onde uma fraca luz estava acesa.

.II.

Encostou-se no alpendre, vendo as nuvens cobrirem o vale abaixo, agora era impossível ver o belo campo ao pé dos templos, que se escondia entre encostas escarpadas e nevoa que tomava conta de tudo com a chegada da tarde.

Suspirou cansado, não conseguia entender aquilo. Eles jamais mentiriam assim, mas conseguira sentir perfeitamente a hostilidade na voz das amazonas, Marin não iria fazer alarde por nada. Sentira o ambiente mudar consideravelmente e um cosmo diferente oscilar entre os demais.

Fechou os olhos por um momento, porque ele simplesmente não lhe contara? Foram poucas as vezes que conversaram desde que o pupilo se tornara cavaleiro e antes de partir para Star Hill.

Como Ares fora encarregado de supervisionar os recém chegados, nunca pensou que ele fosse fazer algo do tipo quando virasse as costas. Alias, não entendia o porquê do irmão ter feito isso justo com seu pupilo.

-Em que esta pensando? –Ilyria perguntou parando a seu lado.

-No que aconteceu no almoço; Shion respondeu sentindo os braços delicados da esposa envolver-lhe a cintura e a mesma descansar a cabeça em suas costas. –Não acredito que Ares foi capaz de fazer isso;

-Eles não iriam mentir, amor. Apesar de ser difícil de acreditar; ela murmurou.

-...; Shion assentiu. –Ele era meu irmão, como pode?

-Infelizmente as pessoas têm a capacidade de nos surpreender, às vezes por coisas boas e outras, nem tanto; Ilyria comentou.

-Só não entendo porque Mú nunca me contou isso? –ele indagou confuso.

-Antes de vir para cá estive conversando com Marin; ela comentou.

-E?

-Ela me explicou direito como aconteceu tudo; Ilyria falou vendo-o assentir para que continuasse. -Muitos cavaleiros pensaram em ir para o lado do Ares; ela começou.

-Como?

-...;Ilyria assentiu. –Mas nenhum cavaleiro de ouro aceitou os argumentos dele e mesmo que alguém houvesse aceitado, ele não poderia mover nenhuma ação sem os doze votos de ouro. O que foi impossível já que Saga estava desaparecido na época e Mú, não iria votar contra si mesmo, muito menos Dohko pretendia deixar Rozan para algo tão insano; ela explicou.

-Não entendo, por quê? Mú nunca fez nada pra ele; Shion falou com ar desolado.

-Marin me disse que uma vez pegou uma conversa entre a mestra dela e Ares. Onde Lya discutia com ele sobre isso. Pelo que Marin deu a entender que Ares era muito manipulador e queria o apoio dos mestres também, não me surpreendo ao ver que você nunca percebeu isso;

-Eu achei que conhecia ele; Shion murmurou.

-Também não entendo porque o Mú, sendo que existiam outros cavaleiros, mas para saber a verdade só perguntando ao próprio Ares; Ilyria murmurou, ainda tentando juntar todas as partes da conversa com a amazona, buscando uma lógica. –Mas isso é impossível, não?

-Não; Shion murmurou, deixando os orbes correrem vagamente pelas planícies tomadas por brumas.

-Não?

-Não!

-o-o-o-o-o-

Seguiu as indicações que uma jovem de melenas castanhas lhe dera e logo viu-se em frente a uma porta de madeira rústica, mas antes que pudesse bater, a mesma abriu-se como se mãos invisíveis a tocassem.

-Pode entrar, Mú; uma voz amigável soou lá de dentro.

Adentrou a sala, vendo pastas e documentos espalhados em uma mesa, enquanto um jovem de melenas esmeralda assinada outros que estavam em suas mãos.

-Espero não estar atrapalhando; Mú comentou aproximando-se.

-De maneira algum, sente-se, por favor; Shun pediu, organizando os últimos papeis, antes de recostar-se na cadeira. –Estava arrumando os últimos papeis que me pediu;

-E como estão as coisas? –o cavaleiro perguntou sentando-se na cadeira que ele acabara de lhe indicar.

-Indo perfeitamente bem; Shun respondeu. –Como lhe disse da ultima vez, só precisava resolver aquelas coisas com a Mino e já teria uma resposta; ele falou estendendo-lhe uma pasta.

-Então? –Mú murmurou, abrindo-a.

Deixou os olhos correrem rapidamente pelos papeis, conferindo se tudo estava em ordem.

-A matricula já esta feita, todos os comprovantes estão em ordem como pode ver e se quiser, ele pode começar na próxima semana, contanto que passe pelo teste vocacional antes; Shun explicou.

-Já falei com ele para resolvermos isso o quanto antes; Mú respondeu fechando a pasta.

-Só estou curioso pra saber como ele vai lidar com o fato de não poder usar os poderes a todo momento; Shun comentou.

-Quanto a isso, eu resolvo; Mú falou com um fino sorriso nos lábios. –O importante é ele saber que é isso que quer;

-...; Shun assentiu. –Mestre Shion já sabe disso? –ele perguntou com curiosidade.

-Não, ainda não tive tempo de conversar com ele. E duvido muito que ele esteja com cabeça para isso no momento; Mú falou a ultima parte quase num sussurro, lembrando-se do assunto que rodava na mesa antes de sair.

-E Kiki, o que esta achando disso tudo? – Shun perguntou depois de alguns segundos.

-Ele gosta muito daqui e está empolgado em fazer alguma coisa diferente agora que acabou o treinamento; Mú respondeu.

-Então, oficialmente ele é o próximo cavaleiro de Áries? –o cavaleiro perguntou.

-...; Mú assentiu.

-Isso quer dizer que você pretende deixar o santuário? –Shun indagou curioso, sabendo que quando a armadura fosse passada, o mestre deixava a função de guardião.

-Ainda não, quero que o Kiki tenha um futuro menos incerto do que nós. Por isso estive conversando com ele e tenho por mim que ele escolheu o melhor caminho; Mú concluiu.

-Não duvido, o instituto educacional da fundação é o melhor atualmente, isso vai abrir muitas portas pra ele. Quando se formar no técnico, vai poder estagiar na fundação enquanto faz faculdade; Shun falou. –Sem contar que vocês são os primeiros a fugir a regra, não é? –ele brincou.

-...; o cavaleiro assentiu com um sorriso matreiro nos lábios. –Só espero que o mestre não surte, apesar de tudo, ele ainda não esta habituado com algumas mudanças de rotina; ele comentou.

-Ouvi alguns rumores mesmo, principalmente se tratando da filha; Shun comentou rindo. –Nunca pensei que fosse viver para ver isso;

-Nem eu Shun, nem eu; Mú murmurou suspirando. –Mas novamente obrigado e agora eu preciso ir; ele falou levantando-se.

-Ainda é cedo, não quer almoçar conosco, Ártemis e as crianças não vão demorar a chegar com os demais; Shun comentou, apontando para o relógio num canto pouco abarrotado, onde marcava duas horas já.

-Não obrigado. Acabei largando tudo quando Kiki ligou avisando que você queria falar comigo; Mú respondeu, lembrando-se que só tivera tempo de pedir a Dionísio que entregasse um pacote ao casal e saiu.

-Ele estava muito ansioso te esperando e creio que ainda está; Shun comentou apontando para a porta de entrada.

Virou-se parcialmente para trás, vendo-a fechada. Arqueou a sobrancelha sabendo exatamente quem estava ali.

-Pode sair kiki, sabemos que está ai; Mú falou vendo a porta abrir-se em seguida para o não mais 'garotinho' e sim, para um já adolescente garoto, que contava com mais ou menos dezessete anos.

-Desculpe mestre; o garoto de cabelos ruivos falou com um sorriso arteiro.

-Kiki, o que já combinamos? –Mú perguntou arqueando a sobrancelha.

-Ahn! Bem... Desculpe, ainda não me acostumei com isso; ele murmurou aproximando-se da mesa.

-Acredite, daqui a um tempo vai ser automático; Shun brincou imaginando a dificuldade do garoto em tratar o ex-mestre de igual pra igual, agora que já terminara o treinamento. Mais uma da rotinas do santuário que estava sendo quebrada.

-Bem eu já vou; Mú falou levantando-se. –E você, tente não derrubar a casa quando eu for embora; ele completou voltando-se para o ex-pupilo.

Sabia perfeitamente das coisas que ele andava aprontando com os gêmeos de Ártemis e de como eles podiam muito bem colocar a mansão abaixo.

-Sim, senhor; ele brincou batendo continência.

-Até mais Shun; o cavaleiro falou balançando a cabeça levemente para os lados.

-Até; Shun falou acenando, enquanto ele deixava o escritório junto do garoto.

-Mestre-...; Kiki chamou, mas parou no mesmo momento. –Mú!

-Uhn! –Mú murmurou voltando-se para o garoto.

-Eu, bem... Gostaria de saber se você pode ir comigo, vê-la? –ele perguntou incerto.

-Agora? –o ariano perguntou calmamente.

-...; Kiki assentiu.

-Vamos lá, então; Mú respondeu com um fino sorriso. Muitas coisas mudariam dali para frente, mas nem todas seriam mudanças ruins.

Começar uma nova vida não era fácil, quando tomou a decisão de que seu pupilo teria mais do que uma vida incerta, como fora a sua e dos amigos, sabia que haveria um momento difícil para adaptação, mas o importante é que agora, ele teria o apoio necessário para continuar e escolher seus caminhos, sem depender daquelas três senhoras sádicas para fazer isso por si.

Momentos depois, os dois deixavam a mansão, talvez para o último 'passeio' como mestre e pupilo.

.IV.

Estancou na porta sem saber se entrava ou não, o que estava acontecendo? –Shaka se perguntou.

-Encontrei-a desmaiada no vale; Astréia falou como se lesse seus pensamentos. –Ai a trouxe para cá;

-Ela já acordou? –ele perguntou se aproximando.

-Não ainda, estive com ela o tempo todo e nada ainda; a divindade respondeu. –Acho que ela andou queimando muito cosmo, por isso esta assim; ela comentou.

-Deve ser; Shaka murmurou parando ao lado da cama, levando a mão com suavidade a testa da jovem.

Estava na temperatura normal, mas ainda um pouco pálida, se Astréia estivesse certa, ela ia dormir por um bom tempo, mas por via das duvidas, como poderia ter certeza? –ele se perguntou.

-Porque não a deixa descansar, mais tarde se nada houver mudado, procure por um médico; ela sugeriu casualmente.

-...; Shaka assentiu pensativo. –Tem razão; ele murmurou.

Entreabriu os lábios para completar algo, quando ouviu alguém bater na porta de entrada.

-Parece que são os amigos de Aaliah; Astréia comentou casualmente.

-Só pode ser brincadeira; ele resmungou saindo o quarto a ponto de mandar alguém para o inferno.

-Creio que não; ela murmurou, porém ele já não estava mais ali.

Um sorriso matreiro surgiu em seus lábios, mais uma e seria uma perfeita sogra.

-o-o-o-o-o-

Abriu a torneira com as mãos tremulas, enquanto as enchia de água gelada e levava ao rosto que parecia um ferro em brasas de tão vermelho que estava.

Céus, onde Astréia estava com a cabeça para lhes dar um susto daqueles? -ela pensou encostando-se na parede fria, sentindo o coração ainda bater disparado.

-Aaliah; ouviu-o chamar-lhe do outro lado, mas a simples perspectiva de sair dali e encontrar a divindade pelo caminho já era constrangedor.

-Sim! –Aaliah falou hesitante.

-Henry, Emilia e os demais estão aqui; Shaka falou.

–ela berrou lá de dentro.

Deixou-se escorrer até o chão, sentindo a dor no corpo pela cavalgada voltar. Não que, não gostasse das visitas dos avôs e dos amigos, mas não naquele momento.

-Vou descer e falar com eles, se preferir, posso pedir que voltem outra hora? –ele sugeriu.

Suspirou pesadamente, isso só serviria para aumentar a curiosidade e a preocupação de uns e outros. Era melhor descer e encarar os amigos de uma vez, eles pareciam bem empenhados em extrair todo tipo de novidades sobre santuário dos dois.

-Não, eu... Fala que eu já desço, só vou tomar um banho; ela avisou.

-Tudo bem; ele falou afastando-se.

-o-o-o-o-o-

Desceu as escadas rapidamente ouvindo as batidas insistentes, era melhor que Shaka e Aaliah tivessem um tempinho para conversar antes de enfrentarem aqueles mortais extremamente curiosos.

-Boa noite; Rebeca falou assim que a porta se abriu.

-Boa noite; Astréia falou vendo a garota de cabelos alaranjados ficar literalmente de boca aberta.

-Ahn! Será que batemos na casa certa? –Rebeca murmurou para a mãe.

Estava simplesmente em choque, ela era a versão feminina de Shaka, como podia, duas pessoas tão idênticas assim? –a garota se perguntou confusa;

-Shaka e Aaliah já vão descer, entrem, por favor; ela falou dando-lhes passagem.

-Obrigado; eles falaram entrando, porém Henry e Emilia foram detidos.

-Vocês devem ser os avôs de Aaliah, não? –Astréia falou com ar calmo.

-Sim! –Emilia respondeu, achando aquela aura tão calma, semelhante a do virginiano.

-Ela é adorável e é um prazer conhecê-los; Astréia falou sorrindo. –Por favor, podem ir até a sala, creio que eles não vão demorar a descer. Não faz muito tempo que chegaram de Estolcomo; ela continuou, fechando a porta e seguindo com eles.

-Viu, eu disse que iríamos incomodar; Lisa falou aborrecida para Flora e a filha.

-Mãe; Rebeca falou com um olhar entrecortado.

-Não se preocupem, creio que eles vão entender; Astréia falou com um sorriso gentil.

Seguiram silenciosamente até a sala principal, Flora parecia ter os olhos de um felino, pois deixava-os correr pela sala, buscando algum indicio de quem era aquela senhora tão parecida com o virginiano.

-Posso lhes oferecer um café, uma água talvez? –Astréia perguntou, vendo-os se sentarem.

-Ah! Não se incomode conosco, por favor; Lisa falou ainda sem graça por ter sido arrastado pelos demais até ali e sendo tão inconveniente.

-Não é incomodo nenhum; ela respondeu calmamente.

-Perdoe-me a indiscrição, mas quem é a senhora? –Dario perguntou, manifestando-se pela primeira vez.

Um pesado silêncio caiu sobre a sala, todos os olhares voltaram-se para Astréia e Dario, até que uma voz ecoou vinda do corredor, respondendo a qualquer indagação.

-Minha mãe;

Virou-se rapidamente encontrando o virginiano parado no batente da porta com um olhar indecifrável. Sentiu o sangue enregelar e seu corpo simplesmente ficar imóvel, sem conseguir mover um passado de onde estava.

-Sério! – Flora falou com ar animado. –Porque não nos disse que sua mãe viria visitá-los, existem tantas coisas interessantes em Visby para ver, principalmente chocolates; a confeiteira falou com um sorriso matreiro.

-Bem... Eu vou buscar os cafés; Astréia falou saindo em disparada da sala.

-Ahn! Foi alguma coisa que eu disse? –Flora perguntou confusa.

-Claro, acha que uma senhora tão gentil como ela esta acostumada a agüentar uma mulher tão faladeira quanto você? –Dario falou em tom de brincadeira, desviando as atenções gerais, para a nuvem de tensão que parecia rodeá-los.

-Hei! –Flora falou indignada.

-Mas então, e vocês como estão? –Shaka perguntou impedindo que Flora partisse para cima do marido, com intenções no mínimo sanguinárias depois do comentário dele.

-Bem; Emilia respondeu calmamente. –Mas não foi nossa intenção ser inconvenientes Shaka;

-Porque diz isso? –ele perguntou vendo o tom serio da senhora.

-Porque não faz muito tempo que vocês chegaram de viagem; ela respondeu.

-Não se preocupem com isso, mas a que se deve essa visita? –o cavaleiro perguntou mudando rapidamente de assunto.

-Boa pergunta; Henry falou recostando-se no sofá.

-Como? –Shaka perguntou confuso, quanto ao comentário.

-É, foi Flora que nos arrastou até aqui e até agora não nos disse o que exatamente viemos fazer; Lisa falou aborrecida.

-Oras, é um assunto importante; a senhora falou com ar sério.

-E o que seria Flora? –Shaka perguntou sentando-se no braço do sofá, enquanto Aaliah não aparecia.

-Bem...;

.V.

Rússia / Sâmara/ Província de Sâmara...

Samara por si só era uma cidade bonita, as casas ainda conservavam o ar clássico e provinciano. Por onde passassem ainda veriam aqueles prédios de construções antigas. Sobrados repletos de historia e coisas para contar, mas apesar de toda essa vista, não estava ali a passeio e sim, para uma visita muito importante.

Cruzaram a ponte do Volga, conhecido como o rio mais extenso da Europa, que nasce no planalto de Valdai, no norte da Rússia e correndo pelo país, vai desembocar no mar Cáspio.

Depois de caminharem alguns minutos por uma estrada de pedras, mais afastada das ruas do centro, encontraram o que estavam procurando.

Não eram muitas pessoas que iam ali com freqüência, também pudera, existiam 'n' motivos para isso, mas apesar de tudo, não sentia mais aquela tensão desde a ultima vez que estivera ali.

Aquela vez em que tomara a decisão de aceitar ir até o fim com aquilo; ele pensou, subindo alguns degraus para atravessar um portão já entortado pelo vento, enquanto era seguido a passos trêmulos pelo antigo pupilo.

Atravessando um ou outro obstáculo encontraram o que vinham buscar. Deixou que ele passasse a frente e recuou alguns passos dando-lhe privacidade para fazer o que viera fazer ali.

O sobretudo esvoaçou com o vento da tarde, ergueu os orbes verdes para o céu, notando um prenuncio de tempestade, não poderiam se demorar ali; ele pensou retirando o celular de dentro do bolso interno do sobretudo e notando existirem ali varias ligações não atendidas.

-"Provavelmente ele já sabe"; Mú pensou imaginando o quanto teria rendido àquela conversa na Toca do Baco.

Não que agora isso importasse muito, mas existiam 'formas' e 'formas' de se falar uma coisa.

-Mestre; ouviu o ex-pupilo lhe chamar.

Embora houvesse pedido que ele lhe chamasse apenas pelo nome agora, sabia que não poderia exigir isso dele naquele momento.

-Sim!

-Você a conheceu? –Kiki perguntou mantendo-se ajoelhado em frente a lapide quase apagada pelo tempo.

-Muito pouco; Mú respondeu com ar sério.

-Como ela era? –ele perguntou sem voltar-se para trás.

-Uma pessoa boa; o cavaleiro limitou-se a responder. –Como poucas que já conheci, apesar de tudo;

-...; assentiu silenciosamente.

O vento soprava sobre sua face, as nuvens cinzentas pareciam parar sobre eles agora.

.VI.

Subiu as escadas correndo, sentindo um nó prestes a se desatar em sua garganta, bateu de frente com alguém quase fazendo as duas caírem.

-Astréia; Aaliah falou assustada por vê-la transtornada.

-Aaliah, desculpe, não lhe vi; ela falou afastando-se um pouco, sentindo as costas tocarem a parede fria.

-Esta tudo bem? –Aaliah perguntou preocupada.

-Está sim, só vou ver uma coisa ali. Shaka esta lhe esperando na sala; Astréia avisou, tentando passando pela jovem, mas Aaliah lhe reteve o caminho.

-Você não está bem, o que esta acontecendo? –ela insistiu em saber.

-Não é nada, só...; Astréia parou desviando o olhar, quando os orbes tornaram-se marejados.

-Shaka brigou com você por acaso? –Aaliah perguntou com os orbes serrados, pronta pra descer e esganar o namorado, mas para sua surpresa viu-a negar com um aceno. –Então?

-Já disse, não é nada. É melhor descer; Astréia insistiu.

-Não até me dizer o que esta acontecendo; ela rebateu.

Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, sentindo as lagrimas correrem por sua face.

-Ele me chamou de 'mãe'; ela respondeu quase num sussurro.

Parou por um momento, analisado em que aquilo implicava, até ter certeza de que realmente ouvira o certo.

-Então...;

-Mas seus olhos não demonstravam sentimento algum; Astréia continuou, apoiando-se completamente na parede. –Era como se fosse algo tão banal; ela completou num sussurro.

-Astréia, tem certeza, o Shaka nã-...; Aaliah parou ao vê-la negar e afastar-se apressada para o ultimo quarto do corredor.

Tentou chama-la, mas a divindade não lhe ouviu e depois, apenas ouviu a porta fechando-se.

Passou a mão nervosamente pelos cabelos, não iria conseguir conversar com ela, mas sabia quem poderia resolver isso de uma vez. Estava na hora daquele teimoso aprender uma lição.

Continua...