.::DE VOLTA AO VALE DAS FLORES::.

By DAMA 9.

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Astréia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Capitulo 25: No jardim...

.I.

Desceu as escadas calmamente, pensando em sua retaliação, seguiu para cozinha, sabendo que todos estavam reunidos na sala, era melhor fazer um café antes de ir para lá. Agora precisava de toda cafeína possível para ter energia suficiente e levar a frente aquilo.

Ainda não conseguia acreditar no quanto Shaka conseguia ser teimoso, mas ele iria aprender uma lição que jamais iria esquecer, ou ele admitia que estava errado, ou ia levar uma bela surra.

Lhe partia o coração imaginar-se apelando pra agressividade com o namorado, mas como dizia o pai, as vezes as pessoas só aprendem dessa forma; Aaliah pensou lembrando-se da briga que ele tivera com a tia alguns meses atrás, por causa de Alister.

Colocou as xícaras numa bandeja e pouco tempo depois deixava a cozinha com o café pronto.

-o-o-o-o-o-

-Então foi isso que aconteceu Shaka? –Flora explicou, terminando seu relato de como encontrara Isadora e a discussão que presenciara entre ela e Alicia, para depois a garota ter sumido o resto do dia e não voltado para buscar o que encomendara.

-Não se preocupe Flora, Isadora esta bem; Shaka falou calmamente.

-Então você sabe onde ela está? -a senhora indagou curiosa.

-Sei, e ela esta bem não se preocupe. Creio que em breve ela ira lhe procurar; o cavaleiro falou, decidindo por não revelar o paradeiro dela, enquanto não falasse com Aaliah primeiro.

-Bem, então...; Dario começou, ameaçando se levantar.

-Boa noite; a voz animada de Aaliah soou na porta.

-Querida, como vai? –Lisa perguntou, enquanto levantava-se e ia ajudá-la com a bandeja.

-Bem tia e você? –ela perguntou sorrindo.

-Bem; Lisa respondeu colocando a bandeja sobre a mesa de centro.

-Onde esta Astréia, Aaliah? –Flora perguntou, olhando por sobre o ombro da jovem e não encontrando a senhora de melenas douradas.

-Ela teve um problema pra resolver e pediu desculpas por sair sem se despedir; Aaliah respondeu com ar impassível, chamando a atenção no namorado. –Mas sirvam-se, acabei de passar o café; ela falou indicando a bandeja.

-Nós já estávamos de saída querida, não é Flora? – Dario falou lançando um olhar mortal para a esposa que já estava com um dos biscoitinhos que Aaliah trouxera na bandeja, nas mãos.

-Ah sim, sim... Claro querido; Flora respondeu com um sorriso sem graça.

-Se vocês querem assim; Aaliah murmurou confusa.

-Bom, não queremos mais incomodá-los; Emilia falou.

-Imagina, vovó; a jovem respondeu com ar calmo e controlado.

-Porque vocês não vêm almoçar amanhã conosco? -Henry sugeriu.

-O que acha, Aaliah? –Shaka perguntou pousando a mão suavemente sobre o ombro da jovem, mas Aaliah afastou-se de maneira sutil, porém não menos fria.

-Claro, nós ligamos confirmando; ela respondeu de maneira que não desse para saber se ela aceitava ou não.

-Então, boa noite; eles falaram levantando-se e seguindo com o cavaleiro até a porta.

Viu-os se distanciarem, antes de recolher as coisas novamente e seguir para a cozinha, colocou a bandeja sobre a mesa, sentindo o coração se apertar pelo rumo que as coisas tomariam dali para frente. Passou a mão levemente pelos cabelos, quando seus olhos recaíram sobre uma garrafa de licor em cima do balcão de mármore, aproximou-se da garrafa, pegando um delicado cálice que jazia ali perto.

Encheu-o completamente, fazendo algumas gotas penderem para fora do recipiente, respirou fundo, vendo o chocolate preencher todo o cristal, antes de leva-lo aos lábios e beber todo o licor em um só gole.

Sentiu-o descer pela garganta, esquentando-a por alguns segundos. Fez uma careta quando o gosto de chocolate dissipou-se de seus lábios e restou apenas o do rum.

Minutos depois, o cálice jazia sobre o balcão vazio, enquanto ela retornava a sala. Passou pelo corredor apagando as luzes atrás de si, até encontrá-lo lhe esperando ao pé da escada.

Respirou fundo, antes de passar por ele subindo os degraus. Nem um olhar... Nem uma palavra.

-Aaliah; Shaka chamou, achando estranho àquela aura fria que a rodeava.

Sem outra alternativa seguiu-a para o quarto que vinham dividindo nos últimos dias.

-Boa noite; Aaliah falou sem se virar.

Antes que ele tivesse chance de dizer algo ou refrear seus passos, fechou a porta, ouvindo o baque seco do cavaleiro contra a madeira.

-Aaliah; ele chamou batendo na porta, porém a única coisa que ouviu foi o barulho da maçaneta sendo travada.

-Boa noite, Shaka; ela completou, indo deitar-se.

-o-o-o-o-o-

Olhou para a porta, sem entender o que estava acontecendo com ela. Suspirou pesadamente, pelo visto teria de esperar amanhecer para conversarem.

Encaminhou-se para o fim do corredor, era melhor ver como Isadora estava.

Parou na porta, ao encontrar a senhora de melenas douradas sentada no batente da janela, com o olhar perdido no bosque atrás da propriedade, enquanto os longos cabelos esvoaçavam com o vento ao mesmo tempo que a pele alva era banhada pelo brilho da lua. Parecia um anjo.

Embora não quisesse admitir, não podia negar o quanto eram parecidos, não apenas na aparência física, mas era tão difícil de aceitar; Shaka pensou suspirando casando.

-É melhor ir dormir, você deve estar cansado depois daquela viajem a Estolcomo; a voz calma de Astréia chegou até si, embora ela não houvesse se movido.

-Estou sem sono; o virginiano mentiu.

-E Aaliah? –Astréia perguntou, pouco convencida com aquela afirmação, conhecia-o a tempo suficiente para saber que ele estava mentindo.

-Já foi dormir; Shaka respondeu, sem esconder o ar cansado em seu tom de voz. Simplesmente não conseguia entender o que passava pela cabeça a jovem.

-E você esta fazendo exatamente o que aqui? –ela perguntou, voltando-se para ele com um olhar curioso.

-Ahn! Bem...; ele balbuciou. A idéia inicial era ir ver se Isadora estava bem, mas a verdade é que não fazia a mínima idéia do porque ainda estava ali, já que a garota ainda dormia.

-Você brigou com Aaliah? –Astréia perguntou com ar calmo e paciente, esperando-o ter vontade de se abrir e falar o que estava acontecendo.

-...; o cavaleiro negou com um aceno, porém não conseguiu sustentar o olhar dela por muito tempo.

-Independente do que tenha acontecido, vocês deveriam conversar. A falta de dialogo é um dos maiores venenos para um relacionamento; Astréia falou com ar sério.

-Se ao menos ela quisesse falar comigo; Shaka murmurou, desanimado. –Mas e você, vai ficar ao lado dela a noite toda? –ele perguntou, mudando de assunto e indicando Isadora.

-Eu pens-...;

-O quarto da frente esta arrumado, se quiser descansar um pouco eu fico aqui; ele cortou.

-...; Astréia assentiu, vendo que ele queria ficar ali, mas sozinho. -Até daqui a pouco então;

-Até; ele respondeu, vendo-a deixar o quarto.

Sentou-se em uma poltrona ao lado da cama, vendo a face da jovem de melenas esverdeadas um pouco pálida. Porque ela não acordava? –Shaka se indagou.

Se fosse apenas por causa do cosmo, já sentia-o estabilizado. Cansaço físico não era desculpa, ela deveria pelo menos abrir os olhos e manter-se consciente por alguns segundos, mas não... Nenhum sinal de quando iria acordar.

Recostou-se melhor, enquanto ouvia o tic-tac do relógio na cômoda, nove horas da noite ainda. Seria uma longa noite; Shaka pensou.

Mal deu se conta do quanto estava cansado até ver-se prestando atenção naquele tic-tac e os orbes serrarem-se aos poucos.

.II.

Sentiu a água cair por seu corpo relaxando os músculos, finalmente conseguira resolver tudo, embora a última viagem tenha-o desgastado muito.

Não que não estivesse acostumado com viagens longas, mas como diria Aishi, estava emocionalmente cansado; ele pensou fechando o registro.

Deixou os cabelos escorrerem, enquanto enrolava uma toalha na cintura.

Ainda se lembrava da pergunta que Shun lhe fizera. Agora Kiki não era mais seu pupilo e sim novo cavaleiro de Áries. Isso quer dizer que seu dever com o santuário havia terminado.

Tudo bem que ainda tinha de treinar Celina, mas como cavaleiro sua responsabilidade acabara; o ariano pensou entrando no quarto.

Era estranho pensar que poderia deixar o santuário, poderia tocar sua vida sem se preocupar com as guerras; Mú pensou, vestindo uma calça de malha que deixara em cima da cama.

Nunca pensara nessa possibilidade, alias, isso sempre pareceu algo inalcançável; ele lembrou-se, colocando sobre as costas um roupão fino de seda preta, antes de deixar o quarto.

Sexta-feira, eram poucos dias assim que conseguia ter todo aquele silêncio só para si. Agora com Celina migrando para o último templo todos os finais de semana para ficar com Shion e Ilyria tinha a casa só para si, embora já houvesse se acostumado com a presença da pupila, que não tinha mais preocupações quanto a isso.

Chegou à sala e deixou os orbes correrem pelo local, dezoito anos e as coisas estavam da mesma forma que deixara a ultima vez que partira. Aquela casa sem duvidas precisava de uma reforma; ele pensou, encaminhando-se para um pequeno barzinho no canto do cômodo, passando pelos três jogos de sofá que formavam um "U" tendo algumas poltronas de intermediarias entre eles.

Pegou uma taça qualquer, para em seguida abrir a pequena garrafa de frisante que deixara ali, num balde de gelo antes de entrar no banho. O liquido rosado dançou dentro do recipiente de cristal.

Sentou-se no sofá, acomodando-se de maneira confortável, antes de levar a taça aos lábios. Suspirou, cansado. Apesar de tudo, agora tinha uma vantagem sobre todo aquele silêncio, finalmente tinha um tempo para ouvir seus próprios pensamentos, porque durante a semana isso era simplesmente impossível. Ou eram almoços e jantares onde era arrastado para os templos de Touro e Câncer, ou quando todos decidiam se reunir no último, tanto a noite quanto de dia.

Levou a taça aos lábios, sentindo o liquido cítrico descer pela garganta de maneira refrescante.

Alguns toques na porta chamaram sua atenção, não estava esperando visita. Quem será? –Mú se perguntou, vendo que o seu momento tão esperado de descanso teria de esperar um pouco.

Com a taça ainda nas mãos, aproximou-se da porta, abrindo-a em seguida, mas definitivamente ele não estava preparado para o que lhe aguardava.

-Finalmente, por um momento achamos que você não estava em casa; Milo falou empurrando a porta com o cotovelo e entrando no templo de Áries, com várias sacolas nas mãos.

Arqueou a sobrancelha, vendo o cavaleiro ir direito para frente da televisão e começar a distribuir as sacolas pelo chão.

-O que quer Milo? –Mú perguntou, sentindo uma veinha começar a saltar em sua garganta.

-HEI PESSOAL! PODEM ENTRAR; ele berrou.

-Mas o qu-...; o ariano parou ao ver os demais surgirem na porta.

-Oi Mú; Yuuri falou toda sorridente, entrando com Mascara da Morte no templo, que apenas o cumprimentou com um aceno.

Logo vieram os demais, Kamus e Aishi, Litus e Saga, Shina e Shura. E todos trazendo alguma coisa nas mãos.

-Ahn! O que exatamente vocês estão fazendo aqui? –o ariano perguntou, gesticulando casualmente com a mão que segurava a taça.

-Fizemos um sorteio e sua casa foi escolhida; Saga falou como quem não quer nada.

-Isso mesmo, trouxemos os filmes; Milo falou, sentando-se no tapete, em frente a tv e organizando as capas de DVDs em pilhas por tema.

-O que? –Mú perguntou, segurando firmemente a porta, para simplesmente não surtar. Tantos dias para resolverem fazer uma reunião, tinham que escolher justamente o dia que tirava para descansar.

-Espero que não se importe? –Litus falou com um olhar meigo.

Suspirou pesadamente, ou fora de propósito ou era muita coincidência; ele pensou resignado.

-Não, fiquem a vontade; o ariano falou por fim.

-Viu, eu falei que o Mú não iria se importar;

Virou-se ouvindo a voz do taurino atrás de si e sentiu aquela fina veinha pulsar com intensidade em sua garganta. A primeira opção era a mais certa, com certeza.

-Aldebaran; Mú falou pausadamente tentando conter a vontade de mandar o cavaleiro para algum lugar muito longe e inacessível por mortais e imortais.

-Hei garoto, não acha melhor se trocar, as meninas não precisam ficar vendo isso né; Aldebaran provocou, indicando o roupão aberto.

Todos na sala sentiram o cosmo do cavaleiro oscilar de maneira perigosa, porém acalmar-se rapidamente quando o mesmo avistou uma figura delicada atrás do gigante brasileiro.

-Mia;

-Hei! Se é só pela gente, não se incomode; Yuuri falou com um sorriso nada inocente, chamando-lhes a atenção.

-O que? –Mascara da Morte falou indignado, fuzilando o ariano com o olhar.

-É melhor entrarem logo; o cavaleiro falou, dando um suspiro cansado. Adeus paz! –Eu já volto; ele falou, deixando a taça num aparador encostado a parede e encaminhou-se de volta para seu quarto, vestir pelo menos uma camisa, antes que fosse mandado para Yomotsu num esquife de gelo e fatiado pela Excalibur de Shura.

-o-o-o-o-o-o-

Deixou os olhos correrem pela sala, lembrando-se da ultima vez que estivera ali com Celina, naquele dia as coisas estavam realmente tensas. E tudo isso não fora mais do que dois meses atrás.

Viu o cavaleiro de Touro seguir pela cozinha e decidir perguntar-lhe algumas coisas. Aquela história de reunir do nada todos para irem a Áries lhe pareceu meio suspeita de imediato, mas Saga conseguira convencer-lhe um pouco pelo menos, a seguir com os demais até lá, mesmo porque, a idéia de um sorteio pareceu justa no começo.

Mas o que tudo indicava, era que havia mais coisas nessa historia do que poderia supor.

-Aldebaran; Mia chamou, entrando na cozinha do templo, vendo o cavaleiro arrumar os lanches que trouxeram.

-Sim! –ele respondeu.

-Tem certeza que foi uma boa idéia, o Mú não parecia estar esperando por visitas; a jovem falou visivelmente constrangida. –Não acha melhor-...;

-Não se preocupe, o Mú sempre foi meio introspectivo, mas ele não vai se importar, daqui a pouco ele se anima e tudo fica bem; Aldebaran respondeu como se já soubesse que mais hora, menos hora isso fosse realmente acontecer.

-Mas-...;

-Fique tranqüila, conheço o Mú há bastante tempo e já me acostumei com isso. Acho que ele é assim por todo aquele tempo em Jamiel, aquele lugar é muito parado; o brasileiro comentou, torcendo o nariz.

-Se você diz; Mia murmurou dando-se por vencida.

-Mas porque você não vai para sala. O pessoal já esta se acomodando; ele falou casualmente.

Ainda não estava convencida, o melhor seria buscar por respostas na fonte; Mia pensou, assentindo para o cavaleiro antes de deixar a cozinha, mas antes de virar-se para seguir de volta a sala. Viu-o descer alguns lances de escada no final do corredor. Não sabia que aquele templo tinha dois andares, alem do salão principal em baixo; ela pensou, se bem que, da ultima vez que estivera ali só chegara até a sala.

-Oi; ele falou, com um fino sorriso nos lábios ao vê-la ali.

-Oi; a jovem respondeu, com a face levemente enrubescida, enquanto ele se aproximava. –Ahn! Tem certeza que não estamos incomodando? –ela perguntou cautelosa, não conseguira ficar tranqüila sem que antes soubesse isso dele.

-Tenho, por quê? –Mú perguntou, fitando-a intensamente.

Sentiu o coração bater ainda mais desenfreado com a aproximação dele. Estavam a menos de trinta centímetros de distância agora.

-Ahn! Por que... Bem; Droga! Com ele ali não conseguia pensar.

-Não se preocupe, foi bom vocês aparecerem. Eu ia acabar ficando entediado aqui; o ariano falou com um sorriso calmo. Embora já estivesse articulando alguns planos para evitar que isso acontecesse até o fim da noite.

-Mas-...; parou ao sentir o toque suave dos dedos dele em seus lábios e sentiu-se corar ainda mais.

-Já disse, não tem problema; Mú falou aproximando-se ainda mais, até suas respirações se chocarem com suavidade.

Recuou instintivamente um paço, sentindo as costas tocarem a parede, não o conhecia como Aldebaran, mas aquele que via ali, o mesmo daquela noite na Toca do Baco, era completamente novo e imprevisível.

-Você esta diferente; ele comentou fitando-a intensamente.

-Impressão a sua; Mia falou com a voz tremula.

-...; negou com um aceno. Havia sim, alguma coisa diferente, porém não menos interessante. –Seu cabelo esta um pouco mais longo e o sol grego esta lhe fazendo bem; ele falou deixando os dedos finos correrem com suavidade pela face da jovem, não mais tão alva como no começo, já que aos poucos aderia ao bronzeado dos dias quentes na Grécia.

-São só alguns dedos; ela tentou justificar como algo insignificante.

-Uhn! Você também trocou de perfume; Mú continuou, fazendo-a estremecer, quando a respiração quente deslizou por seu pescoço, chegando a altura do colo. –Maçã verde; ele falou num sussurro enrouquecido.

Céus! Ele devia ser proibido de exercer aquele efeito sobre si; Mia pensou sentindo um braço enlaçar sua cintura, fazendo com que se encostasse a ele, estremeceu, não podendo deixar de lembrar-se daquela barriguinha de tanquinho, agora escondida pelo tecido fino da camisa. Definitivamente, não se importava de virar dona de casa desse jeito.

-Ducemente!

E de onde veio aquele sotaque francês, carregado de sensualidade e promessas de coisas irresistíveis? –ela se indagou em pensamentos, sentindo o chão sumir de baixo de seus pés.

-Olha o lanche! – a voz de Aldebaran lhes chamou a atenção.

Afastaram-se, quase que ao mesmo tempo que o brasileiro saia da cozinha com uma badeja cheia de coisas nas mãos.

-Ah! Vocês estão ai; Aldebaran falou com um sorriso maroto nos lábios. –Me ajudem, tem mais coisas para pegar lá dentro; ele avisou.

Sentiu a face incendiar-se, pelo que conhecia do brasileiro, ele não estaria com aquele sorriso se não houvesse visto algo.

-Ta certo; Mia balbuciou se afastando rapidamente, entrando na cozinha.

-Aldebaran; Mú falou com a voz entrecortada.

-Sim! –ele falou inocentemente.

-Não sabia que você estava com tanta saudade de Hades; o ariano comentou.

-Uhn?

-Porque se quer vê-lo tanto assim, posso dar um jeito de te mandar até lá, mas a passagem é só de ida; Mú completou com um olhar que assustaria o próprio Hades.

-Ah! Deixe de ser estressado e anda logo. Não vai querer deixar a Mia fazer tudo sozinha, não é? –o brasileiro provocou.

-Puff! – ele resmungou antes de seguir pelo mesmo caminho que a jovem.

.III.

Levantou-se um pouco, vendo que o relógio já marcava duas da manhã. Olhou para os lados, mas não encontrou Astréia.

Saiu do quarto, procurando-a, quando lembrou-se que falara para ela descansar no quarto em frente.

Viu a porta entreaberta e aproximou-se, encontrando-a deitada sobre as cobertas, dormindo. Ela também deveria estar cansada.

No jardim

O vento muda as folhas

De lugar

Aproximou-se, pegando uma manta no armário e sem fazer barulho, colocou sobre ela.

Viu-a aconchegar-se entre o tecido e murmurar algo. Arqueou a sobrancelha, olhou para os lados certificando-se de que estava sozinho ali, sentou-se na cama, abaixando-se um pouco para ouvir melhor.

-Seth!

Recuou ao entender a quem ela chamava. Lembrava-se de Astréia ter dito que o nome de seu pai era Seth. Será que ela estava sonhando com ele? – Shaka se perguntou, mas logo seus olhos recaíram sobre o camafeu em seu pescoço.

E Agora o meu caminho eu posso

alterar

Se você vem comigo

Quando começou aquela viagem com Aaliah, jamais imaginou que sua vida fosse mudar daquela forma ou como coisas que nunca havia buscado, viessem à tona.

Um baixo soluço lhe chamou a atenção. De todos os sentimentos que já sentira ao longo de sua jovem vida, a saudade foi à única que não experimentara. Ela devia sentir a falta dele, apesar do pouco tempo que passaram juntos, ficar separado deveria ser uma provação difícil demais; o cavaleiro pensou afagando-lhe os cabelos carinhosamente.

Num pequeno instante

Posso ser feliz

Lembrar dos sentimentos

Que eu já esqueci

Até os deuses também choram; Shaka pensou vendo-a encolher-se, deu a volta na cama, sentando-se de frente para ela agora.

E imitando as folhas

Eu vou flutuar

Suspirou pesadamente, durante um tempo pensou que pudesse congelar seu coração como os esquifes de Kamus, mas lhe fora provado ser impossível; ele pensou deitando-se.

Trazendo

o som desse vento

Que vem me acompanhar

Puxou-a para seus braços, acolhendo-se com um carinho que jamais pensou que pudesse demonstrar. Ouviu ainda alguns soluços, elevou um pouco seu cosmo, fazendo uma aura tranqüila envolvê-los. Por alguns segundos o quarto foi iluminado por um trovão, pelo visto era época de chuva em Visby; ele pensou fechando os olhos.

Com esse sorriso

Estamos juntos

É um novo sentimento

Que assim aflora

Pouco antes de adormecer, indagou-se qual seria a sensação de acordar no meio da noite, depois de um pesadelo e ir até o quarto dos pais, aconchegar-se entre as cobertas quentes e deixar os temores de lado, pelo menos enquanto estivesse protegido por eles.

A manhã começa

É há nossa hora

Vivendo esse momento

E caminhando sob o mesmo céu azul

O amor é o que nos une agora

.IV.

Sentou-se no sofá ao lado da jovem de melenas negras, muitos já estavam em seus devidos lugares, sentados nas poltronas espalhadas pela sala, ou no tapete felpudo no chão.

-Que filme você trouxe, Milo? –Litus perguntou curiosa.

-Pense bem para responder, Escorpião! –Shura avisou.

-Vocês já vão começar? –Mú perguntou fazendo os cavaleiros engolirem em seco, principalmente o espanhol que encolheu-se.

-Boa noite! – a voz de Shion soou na entrada, fazendo os dois cavaleiros suspirarem aliviados.

-Entrem, ainda tem espaço; Milo avisou sem se importar com a pequena tensão que percorria o 'amigo' espanhol.

-O que você fez? –Mia perguntou num sussurro para o ariano. Lembrando-se que Shura e Milo estavam realmente com medo do cavaleiro quando chegaram a Toca do Baco no almoço.

-Nada; ele respondeu com um sorriso travesso nos lábios, enquanto Ilyria, Shion e Celina acomodaram-se nos lugares restantes.

-Eu trouxe "Motoqueiro Fantasma", "Código Da Vinci" e "O bicho vai pegar"; ele falou mostrando a capa onde um urso muito estranho estava.

-Não tem nenhum romance? –Litus perguntou decepcionada.

-Romance? –Mascara da Morte falou fazendo uma careta.

-Algum problema, amor? –Yuuri perguntou com os orbes serrados de maneira perigosa, enquanto levava um copo de refrigerante aos lábios, já que fora gentilmente retirado de sua mão a taça de vinho que pretendia tomar.

-Não, querida; ele apressou-se em responder, engoliu em seco, ainda tinham mais seis meses e meio pela frente.

-Não, eu trouxe só comedia, suspense e terror; o Escorpião avisou indicando as três pilhas que enfileirara em frente à tv. -Depois que me largaram assistindo Casa Nova sozinho, estou dando um tempo em romances; Milo comentou em tom de desagrado.

-Ahhhhhhhhhhhhhh; todas as garotas falaram decepcionadas.

-Assim eu não quero; Yuuri reclamou emburrada.

-Da pra ir à locadora e pegar outro; Aldebaran sugeriu.

-Mas a vinte e quatro horas é do outro lado da cidade; Kamus reclamou, sabendo que elas não iriam se contentar em assistir outra coisa que não fosse no mínimo comedia romântica.

-O Mú pode ir, não pode Mú? –Ilyria perguntou prontamente.

-Porque eu? O mestre esta à toa ai também; o cavaleiro esquivou-se, indicando o outro ariano. Agora que estava acomodado ali, não iria sair com facilidade.

-Papai não sabe escolher filme, mestre; Celina falou calmamente.

-Hei!

-Isso mesmo, definitivamente não quero terminar a noite assentindo "E o vento levou" ou "A noviça rebelde"; Ilyria completou vendo o ariano quase esconder-se atrás do sofá diante dos olhares de cada um ali presente.

Suspirou cansado, não ia ter jeito; ele pensou levantando-se.

-Já volto; Mú avisou.

-Aonde vai? –Shina perguntou curiosa.

-Meu quarto; ele limitou-se a responder antes de desaparecer no corredor. –Tenho alguns filmes lá;

-Bem, pelo menos ninguém vai ter que sair; Shura falou como quem não quer nada, mas parou vendo a amazona de Cobra sair da poltrona e ir sentar-se ao lado do Escorpião, no tapete.

-O que tem de terror ai? –ela perguntou.

-Uhn! Tem a serie, "Hora do Pesadelo"; Milo falou entregando-lhe uma das capas que tinha em mãos. –Sexta-feira 13;

-Esse eu não gostei; Shina comentou.

-Não sabia que você gostava de filmes de terror; o cavaleiro comentou com um fino sorriso nos lábios.

-Só alguns; a amazona falou pegando o que ele acabara de mostrar. –Previsível, mas arrepiante; ela comentou.

-"Sinais", achei que você gostasse dele por causa do Mel Gibson; ele provocou ignorando o olhar atravessado que tinha sobre si.

-É só um tempero a mais; ela brincou com um sorriso travesso.

-Ah sim; Milo concordou. –"Exorcismo de Emily Rose", já viu?

-Esse sim é arrepiante; a amazona falou encolhendo-se um pouco.

-Já assistiu "Navio Fantasma"? -Milo perguntou.

-Já, mas gostei mais dos "13 Fantasmas"; ela respondeu.

-É, esse também é bom; o cavaleiro concordou, sentindo um olhar fulminante ainda mais intenso sobre si. Engoliu em seco, tentando mais uma vez ignorar esse pequeno detalhe.

-Mas não gosto só de filmes de terror, tem outros bons também; Shina falou casualmente.

-Como, por exemplo? –Milo perguntou gesticulando casualmente para que ela continuasse.

-"Entrevista com o Vampiro"; ela falou rindo, quando ele arqueou a sobrancelha.

-Ahn! E você vai querer me convencer também que Antonio Banderas, Brad Pitt e Ton Cruise também são só um tempero a mais, não é? –ele indagou.

-Não, é condimento indispensável; Yuuri falou entrando na conversa.

-É; Shina concordou, vendo Mascara da Morte bufar emburrado. –Se bem que eu prefiro o Armand do livro; ela completou.

-Eu hein, justo ele. O cara beijou o Brad Pitt; Milo reclamou fazendo uma expressão de nojo.

-Foi só um flerte e isso não acontece exatamente no livro; a amazona falou casualmente.

-Flerte... Sei; o Escorpião mostrou-se pouco convencido.

-Ahn! Podemos falar de algum filme cujo protagonista não seja um homem vestido com roupas colocadas a vácuo? –Shura perguntou enfezado.

-Isso porque nós nem começamos a falar do Wolverine e do Homem Aranha; Shina falou em tom de provocação.

-Uhn! Ai a história vai ficar interessante; Aishi brincou.

-O que? –Kamus quase berrou.

-É verdade; ela respondeu dando de ombros.

-"Electra" é legal; Shina comentou.

-A garota é doida, quem fica arrumando frutas daquele jeito? –Milo perguntou pasmado.

-O Kamus; Aishi respondeu apontando para o noivo, enquanto todos os olhares recaíram sobre o cavaleiro e o mesmo encolheu-se um pouco.

-Oras, não gosto de coisas desorganizadas; ele justificou-se.

-Você é doido; Shura falou.

-Não vejo nenhum mal nisso, mas Aishi comece a se preocupar se ele fizer isso com toalhas; Shina falou em tom de provocação.

-Eu hein, aquele "Dormindo com o Inimigo" é de dar nos nervos, igual ao da fã número um do Stephen King; o Escorpião falou.

-Realmente; todos concordaram.

-Me diz um filme que vale a pena ver de novo? –Shina perguntou, voltando-se para o Escorpião.

-Uhn! –Milo murmurou pensativo. –Titanic; ele respondeu depois de alguns minutos.

-E a Kate Wislet não é só um tempero a mais, não? –ela provocou.

-Na verdade não; ele respondeu deixando muitos confusos com essa afirmação. –Eu gosto do colar;

-O coração do oceano; Shina falou pensativa.

-...; Milo assentiu.

-o-o-o-o-o-o-

Remexeu-se na cama, sentindo-a vazia. Abriu os olhos, encontrando-se sozinha no quarto. Onde ele estava? –Aaliah se perguntou, para em seguida balançar a cabeça levemente para os lados.

Fora ela mesma a fechar a porta para ele naquela noite. Se ao menos ele fosse menos teimoso, não precisaria tomar uma atitude tão radical.

Levantou-se da cama, indo até a cômoda, onde deixara uma caixa de bombons. Era melhor descarregar um pouco as energias, ainda era madrugada e precisava dormir bem se quisesse ter forças para levar aquilo adiante quando amanhecesse.

-o-o-o-o-o-

Entrou no quarto indo até a estante onde deixava alguns livros e filmes de sua preferência. Não sabia se era coincidência ou muita sorte não tê-los devolvido ainda; ele pensou encontrando pelo menos quatro títulos que certamente elas aproariam.

Estava para sair quando o celular em cima do criado tocou.

-Alô;

-Estou com saudades; uma você feminina soou do outro lado.

-Eu também; ele respondeu com um fino sorriso nos lábios.

-Você não vem hoje?

-Não vai dar, o pessoal chegou de surpresa aqui para assistir uns filmes, mas vou amanhã cedo para ai; Mú falou sentando-se na beira da cama.

-Ah, se você não esta sozinho, tudo bem;

-Uhn?

-Você tem o péssimo hábito de cultuar o isolamento e isso não faz bem a saúde;

-Sei, mas e você, o que esta fazendo?

-Vim fazer caminhada em Versalhes, o dia está bonito;

-Imagino, mas tome cuidado, não é bom ficar andando sozinha por ai; Mú falou preocupado.

-Sim, mestre; ela respondeu em tom de provocação.

-Laura! – o ariano falou em tom sério.

-Não se preocupe, sei me defender, mas é melhor deixar você ir, eles devem estar lhe esperando;

-Não tenho pressa; ele brincou.

-Pelo menos esta se divertindo. Não gosto quando você fica sério demais; a jovem falou dando um baixo suspiro. –Mas me diz, ela esta ai?

-Uhn!

-Você sabe; Laura falou com um sorriso matreiro nos lábios.

-Esta!

-Acho que vou dar uma passadinha ai e ver com meus próprios olhos se ela merece mesmo você;

-Laura, por favor; ele falou suspirando pesadamente. O pior era saber que ela era bem capaz disso.

-Tudo bem, tudo bem. Estou só brincando, mas nas férias ela não me escapa;

-Eu sei; Mú concordou. –Mas agora preciso ir antes que alguém venha até aqui;

-Bom divertimento;

-Obrigado... E bom passeio;

-Beijo;

-Outro; ele respondeu desligando.

-o-o-o-o-o-

-O Mú esta demorando; Mascara da Morte reclamou.

-Ele deve estar procurando os filmes; Aishi falou calmamente.

-Eu vou ver se ele quer ajuda para trazê-los; Saga adiantou-se, levantando-se e seguindo pelo corredor.

Estava se aproximando do quarto do cavaleiro, quando ouviu a voz dele. Pelo visto ele estava ao telefone.

-Bom passeio...

Franziu o cenho, ele não estava falando em grego, era outro idioma. Forçou-se a reconhecer.

-Outro...

Inglês, inglês britânico, já que a pronuncia era bem mais clássica e refinada do que a que estava acostumado nos filmes americanos.

Estranho, como ele podia ter uma pronuncia tão boa sendo que passava a maior parte do tempo no santuário? Mesmo porque, nunca o vira praticar a pronuncia de outros idiomas ali, a não ser com o mestre as vezes que ele usava o mandarin, língua nativa da china e o grego, usado por todos, ate mesmo por Aldebaran que era brasileiro; ele pensou confuso.

-Mú; Saga chamou.

-Estou indo; Mú avisou e logo saiu do quarto, encontrando o olhar confuso do cavaleiro sobre si. –O que foi?

-Nada não, vim ver se você queria ajuda para levar os filmes; ele desconversou. Era melhor tentar descobrir as coisas por seus meios. Se perguntasse ele certamente não iria responder, mas depois da forma como ele agira no almoço com Milo e Shura, agora essa recente descoberta, estava intrigado quanto a verdadeira natureza daquele cavaleiro que nem mesmo Shion arriscava desafiar.

Ainda lembrava-se de quando Kamus, ele e Shura invadiram o santuário na batalha de Hades, Shion hesitara em atacar o pupilo não por algum motivo sentimental, mas sim, por medo do que viria a acontecer. O mestre sabia de algo e não lhes falara, mas havia um motivo para justamente ele ter sido escolhido como guardião do primeiro templo.

Quando os guerreiros deuses de Asgard vieram ao santuário e atacaram Aldebaran, só conseguiram chegar ao segundo templo, porque Mú não estava no primeiro, do contrario, os gêmeos teriam morrido ao tentar enfrentar aquele guardião.

Intrigante... Muito intrigante.

-Não precisa, achei só quarto que talvez agradem as meninas; Mú falou indicando o que tinha em mãos.

-Vamos então?

-...; ele assentiu.

.V.

-Eu gosto de ruivas, mas não sou fã dela; Milo respondeu torcendo o nariz.

-Fã de quem? – Mú perguntou entrando na sala com Saga.

-Kate Wislet; Yuri falou. –Você tem noção que nosso caro amigo pervert-...;

-Hei!

-Enfim, preferiu o coração do oceano, a Kate Wislet; ela falou em tom de provocação.

-E? –Mú indagou arqueando a sobrancelha, enquanto entregava os filmes as garotas.

-E que se tratando dele, isso não é normal; Saga brincou.

-Eu gosto mesmo e daí? –Milo falou emburrado.

-Cada louco com suas manias; Mascara da Morte provocou.

-Hei!

-Eu prefiro o colar; Mú falou chamando a atenção dos demais. –Não nego que a trama é boa, os efeitos de computação gráfica melhor ainda, mas acho bem mais interessante a história dele; ele explicou.

-Uhn! Que história? –Kamus perguntou curioso.

-Sobre o nascimento do coração do oceano, não é Mú? –Aishi perguntou com um olhar enigmático.

-É; o cavaleiro limitou-se a responder.

-Conta? –Milo pediu, fitando-o com um olhar de suplica infantil.

-Quem sabe outro dia; Mú desconversou, vendo-o fazer beicinho como se fosse chorar inconsolavelmente.

-Pelo menos eu não sou a única que tem alguma história para contar aqui, mas essa é realmente interessante; Aishi comentou.

-MonPetit, sobre o que é? –Kamus perguntou, sem esconder a curiosidade.

-Outro dia o Mú conta, amor; ela respondeu dando por encerrado o assunto.

-Então, já escolheram? –o ariano perguntou.

-Prefiro "Doce Novembro"; Ilyria falou sendo apoiada por Yuuri.

-Aishi? –o cavaleiro perguntou, querendo terminar com aquilo o mais rápido possível e poder voltar a se sentar.

-"Cidade dos Anjos";

Respirou fundo, tentando não arquear a sobrancelha em sinal de pressa. Ia ser difícil assim; ele pensou.

-Shina!

A amazona parou alguns minutos pensamento, até indicar o que estava passando pelas mãos de Mia.

-"Muito Bem Acompanhada";

-Não vou nem perguntar o porquê; Milo falou em tom de provocação, para em seguida receber uma cotovelada dela. –Ai...;

-Da pra ter uma escolha unânime, por favor? –Mascara da Morte perguntou aborrecido.

-Mia! –Mú perguntou, esperando que fosse logo desempatado.

-"A Casa do Lago"; a amazona respondeu sendo apoiada por Celina.

-Dois a dois. "A casa do lado" e "Doce Novembro";

-Espera... É fácil escolher, é só decidir pelo filme que elas vão chorar menos no final; Shura falou, querendo decidir aquilo de uma vez.

-Patético; a amazona de Cobra falou, lançando-lhe um olhar envenenado, fazendo-o se encolher.

-Sem noção; Yuuri completou com os orbes serrados perigosamente.

-Foi só uma sugestão; ele tentou justificar-se.

-Litus, falta você; Mú falou tentando evitar que as duas amazonas mandassem para o Tártaro o espanhol.

-"A Casa do Lago"; ela respondeu.

-Milo, pode colocar esse então; o ariano falou entregando-lhe a capa. –"Finalmente"; ele pensou, indo sentar-se novamente ao lado da jovem de melenas negras.

-Pelo menos um tinha que ter bom gosto pra filme; Yuuri alfinetou. –Porque quando acabar, quero assistir ainda "Doce Novembro" e "Cidade dos Anjos"; ela completou sendo apoiada pelas demais.

-Hei! -os rapazes reclamaram.

-Pelo menos ninguém vai ter de sair; Mú falou em tom politicamente correto.

Assim tirava o seu da reta... Era incrível como um bando de cavaleiros que já enfrentaram deuses e titãs fossem tão inseguros e Yuuri ainda provocava; ele pensou aborrecido.

Assim que o filme começou, as luzes e apagaram...

Remexeu-se no acento um pouco inquieta, cruzou as pernas recostando-se melhor, mas era impossível relaxar com ele ali.

Aquele cheiro perturbador lhe impedia de se concentrar ainda mais que estava com alguns sentidos bem mais apurados naquela época. Fechou os olhos por alguns segundos, tentando pensar, mas até isso fica difícil com ele ali; ela pensou contendo um breve estremecimento quando uma mão quente fechou-se com suavidade sobre a sua, imediatamente abriu os olhos.

-Tudo bem? –Mú perguntou em um sussurro.

A única luz a iluminar a sala, era bem fraca vindo da televisão e onde estavam, era quase impossível para os demais ouvi-los ou vê-los.

-...; assentiu freneticamente, enquanto seu coração bateu na garganta, mesmo sob as luzes apagadas conseguia ver os orbes verdes lhe fitarem com intensidade.

-Tem-...;

-Tenho; Mia sussurrou, impedindo-o de continuar, ao tocar-lhe os lábios com a ponta dos dedos.

Fitou-o assustada, por sua própria reação impulsiva, mas se antes já não estava pensando, agora então. Não podia negar que tocá-lo era tão bom quanto aspirar aquele perfume inebriante; ela pensou com a face em chamas.

Tencionou afastar-se, porém sentiu a mão dele sobre a sua, estremeceu quando os lábios quentes do cavaleiro tocaram a ponta de seus dedos e uma aura mais sedutora o envolver, fazendo com que os orbes verdes cintilassem de maneira hipnotizante.

Entreabriu os lábios para falar, mas palavra alguma saiu. Um arrepio correu pelo meio de suas costas quando os lábios dele desceram até a palma da mão e a outra mão dele, deslizou pelo meio de suas costas, puxando-a para frente até que sentisse a respiração quente dele roçando sua face.

Engoliu em seco, sentindo o coração bater não só na garganta, mas em cada pedacinho de sua mão, que os lábios dele tocavam.

-Milo, passa a pipoca; Aldebaran falou alto.

Afastaram-se rapidamente, enquanto quase do outro lado da sala, os dois cavaleiros brigavam pela posse do pote.

Encostou-se no sofá, bufando exasperado. Aquele Touro que dormisse com os olhos abertos, porque essa não iria deixar barato; o ariano pensou, tentando conter a ira de ser interrompido pela segunda vez. Sabia perfeitamente que o taurino fizera de propósito. Mas teria troco... Com certeza!

-o-o-o-o-o-o-

Abriu os olhos lentamente, sentindo a claridade do sol cair sobre si. O dia prometia ser tranqüilo; ela pensou, virando-se para o lado, mas estancou ao sentir um braço pesar em sua cintura. Virou-se e quase deu um pulo da cama ao encontrar o filho ali.

Fitou-o calmamente, vendo a expressão tranqüila em sua face, os cabelos dourados levemente bagunçados e a franja rebelde caindo sobre os olhos.

O que Shaka estava fazendo ali? –Astréia se perguntou confusa.

Lembrava-se de ter deixado-o no quarto de Isadora e ido descansar, mas pelo visto pegara no sono, mas isso não tirava sua duvida de como ele fora parar ali.

Deu um baixo suspiro, ao que tudo indica a briga com Aaliah deveria ter sido muito forte; ela concluiu.

Inclinou-se para frente, pousando um beijo suave em sua testa. Ele remexeu-se um pouco na cama e continuou dormindo.

Sem fazer barulho afastou-se, colocando novamente a manta que antes estava em si sobre ele e saiu a passos silenciosos do quarto.

Era melhor conversar com Aaliah e ver no que poderia ajudar. Não gostava de ver o filho amuado daquele jeito.

Continua...

Domo pessoal

Desculpem a demora em postar, mas houveram alguns dias que tive uma grande baixa na inspiração e ficou muito difícil escrever. Mas agora estou de volta, com muitas idéias para o final dessa história, que acontecera a pouco mais de dois capítulos.

Well, espero realmente que tenham gostado do capitulo. No próximo, muitas surpresas, conversas e coisas reveladoras.

Antes de ir, deixo um obrigada especial a todos que vem acompanhando essa fic, e as demais também. E obrigada pelo super apoio que tem me dado, isso é muito importante para mim.

Um forte abraço

E nos vemos na próxima...

Dama 9

n/a: Música tema do capitulo "No Jardim" – Larissa Tassi.