.::DE VOLTA AO VALE DAS FLORES::.
By DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Astréia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
♥
Capitulo 27: Listen to your heart.
Sei que existe algo por trás do seu sorriso
Eu tenho uma noção pelo aspecto dos seus olhos.
Você construiu um amor, mas aquele amor desaba aos pedaços.
Seu pedacinho de paraíso torna-se escuro demais.
♫
Ouça o seu coração, enquanto ele está chamando por você.
Ouça o seu coração, não há mais nada que você possa fazer.
Eu não sei para onde você estará indo e não sei porque.
Mas ouça o seu coração, antes que você lhe diga adeus.
.I.
Despediu-se de todos e Vale das Flores, era hora de voltar para a casa. No caminho para o aeroporto, pegara as encomendas com Flora e passara numa loja de roupas para comprar uma nova muda para trocar.
Agora, já sentia o avião decolar. Em breve estaria em Atenas de novo.
-o-o-o-o-
Estavam começando a se acomodar em uma grande mesa colocada no terraço para o café. A conversa era alta e faltavam poucos a chegar.
-Onde está o Mú? –Shion perguntou aproximando-se da filha que conversa com Litus.
-Mestre Mú pediu para avisar que tinha um compromisso e não poderia vir; Celina avisou.
-O que pode ser mais importante do que tomar café conosco? -ele resmungou se afastando pensativo.
Na noite anterior não conseguia falar com o ariano. Precisava perguntar a ele o que aquele energúmeno do irmão mais novo andara fazendo pelas suas costas, mas com aquele bando de curiosos por perto era impossível.
E agora ele sumia; Shion pensou. Alias, essa não era a primeira vez. Vinha notando há alguns meses, mesmo antes do treinamento de Celina começar, que nos finais de semana ele sumia e dificilmente alguém sabia de seu paradeiro.
Imaginar que ele estava fora do santuário, estava fora de cogitação, porque cada vez que ele fazia alguma viagem longa para Jamiel, Mú avisava e também, não teria porque não avisar, ou teria?
Balançou a cabeça freneticamente para os lados, era melhor parar, estava ficando neurótico de novo. Daqui a pouco só faltava pensar que o pupilo tinha alguma vida dupla fora do santuário, que andava ocultando.
-Bem, vamos nos sentar então; Ilyria falou interrompendo os pensamentos do marido, como se previsse o que iria sair dali.
Passos na escada chamaram a atenção de todos que se viraram para ver quem estava chegando. Até que avistaram uma farta cabeleira vermelha, que não era a de Alister.
-Quem é? –Yuuri perguntou curiosa.
-Bom dia!
-E ai garoto, aprendeu o caminho do santuário de novo? –Aldebaran brincou, indo até o recém nomeado cavaleiro de Áries.
-Acho que sim; Kiki respondeu com um sorriso sem graça. –Mas como você está?
-Bem, muito bem, mas porque não avisou que vinha. Ou aquele desnaturado do seu mestre esqueceu de nos contar?
-Foi algo decidido de última hora; o garoto respondeu.
-Mas venha, você chegou numa hora boa; o brasileiro falou, arrastando-lhe consigo. –Pessoal, pra quem ainda não conhece esse é o Kiki, pupilo do Mú...;
-Ex; o garoto o cortou.
-Uhn? –todos murmuraram surpresos.
-Como? –Aldebaran perguntou voltando-se para ele, com a sobrancelha levemente arqueada.
-Ahn! Tecnicamente agora eu sou o cavaleiro de Áries; o adolescente falou ignorando o choque geral.
-Bem... Que parte eu perdi, porque se bem me lembro o pirralho ainda estava treinando a alguns meses atrás; Mascara da Morte comentou, tão confuso quanto os demais. –Ai...; ele gemeu ao levar uma cotovelada de Yuuri.
-Completei meu treinamento há dois meses atrás e já passei no teste final; Kiki explicou.
-Então, isso quer dizer que o Mú pretende deixar o santuário? –a voz de Mia soou tremula, chamando a atenção de todos para esse detalhe.
-Isso é com ele, porque eu só vou assumir mesmo daqui a uns cinco, seis anos e olha lá; Kiki explicou.
-Por quê? –Milo perguntou curioso.
-Estou estudando num colégio técnico no Japão e pretendo fazer faculdade depois;
-Sério? –Ilyria perguntou surpresa.
-...; o garoto assentiu. –Mestre Mú disse que não é porque se é um cavaleiro que não se vai ter perspectiva de vida, mesmo que saiba que vai morrer no dia seguinte. Então, como se espera conseguir algo sem traçar metas? –ele falou.
-Bem típico do Mú; Aldebaran comentou em tom de aprovação.
-Então, enquanto faço técnico, no tempo livre eu trabalho com o Shun na fundação;
-Interessante, Mú não comentou nada com a gente; Iyria falou, vendo o estado de choque de Shion com a noticia.
-Isso foi oficializado ontem;
-Por isso ele saiu correndo; Milo comentou, lembrando-se de que ele deixara a Toca, mal se despedindo.
-Bem, já chega, vamos comer logo; Aldebaran falou mudando de assunto, puxando o garoto para sentar-se.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se na beira da cama, com o telefone nas mãos, era melhor ligar e saber como ele estava, do que ficar na duvida de como as coisas estavam com o desaparecimento de Isadora, mas que a essas horas, já deveria estar desembarcando.
-Alô;
-Oi pai, é Aaliah? –a jovem de melenas azuladas falou.
-Oi querida; o cavaleiro respondeu.
Franziu o cenho, nem mesmo estando tão longe, ele conseguia disfarçar aquele tom de voz. Não era normal ver o pai desanimado, embora antes de partir, a conversa que tiveram, tenha mostrado esse lado que pensara não conhecer.
Estava tão acostumada com ele agitado, fazendo uma coisa ou outra, que isso ainda lhe assustava.
-Como você está? –Afrodite perguntou, chamando-lhe a atenção novamente.
-Bem... E o senhor?
-Poderia estar melhor se você estivesse aqui; ele falou em tom de brincadeira, mas notava-se uma certa ansiedade em sua voz.
-Logo estou de volta, é só mais uma semana; a jovem respondeu, omitindo a parte em que pretendia falar com Shaka e adiantar o retorno.
-Eu sei, mas não deixo de sentir a sua falta; o cavaleiro falou em meio a um suspiro. –Mas e as coisas por ai, como estão? –ele perguntou curioso.
-Tudo na mais completa paz; Aaliah falou, instintivamente mordendo a pontinha da língua, para não falar mais do que podia. –E ai?
-No mesmo tédio de sempre... Desde que você viajou; ele brincou. –Não acontece nada de interessante nesse lugar;
-Que pena; ela balbuciou, com um largo sorriso.
-Aaliah!
-É o Shaka? –Afrodite perguntou ao ouvir uma voz de fundo.
-É, combinamos de sair e aproveitar o pôr-do-sol; ela falou animada, segurando-se para não falar que iriam vê-lo através de um passeio em um veleiro no porto.
-Uhn!
-O que foi?
-Nada não Afrodite falou como quem não quer nada. -Mas divirtam-se;
-Obrigada; a jovem respondeu. –Bem, agora tenho que ir, mas logo eu ligo para o senhor de novo; ela avisou.
-Tudo bem; ele falou conformado. De agora em diante teria de dividir as atenções da filha com o virginiano, mas enfim... Teria uma semana para se acostumar com a idéia.
O que começara apenas com uma tentativa de destruir a vida metódica e calculada do amigo, tomara proporções inimagináveis, das quais, não estava mais em suas mãos, o poder de controlar.
-Beijo;
-Outro querida; Afrodite falou desligando.
Fechou o aparelho e suspirou, sentindo os braços do cavaleiro envolverem sua cintura e o mesmo, apoiar o queixo sobre seu ombro.
-Como foi? –Shaka perguntou.
-Ele parece bem desanimado; Aaliah comentou, recostando-se melhor nele. –Parece aquele 'depressão' é bem maior do que imaginávamos;
-...; o cavaleiro assentiu, antes de levantar-se e puxa-la consigo. –Vamos, depois vamos dar um jeito de resolver isso;
-Ta certo; Aaliah respondeu sorrindo.
Se preocupar demais agora não iria ajudar em nada, teria de esperar para ver o que aconteceria após a chegada de Isadora, ai sim, teria como se programar e saber como proceder; ela pensou, seguindo com ele para fora do quarto.
.II.
Céus, jamais a deixaria sair de seus braços; ele pensou, abraçando fortemente a jovem de melenas esverdeadas. Aqueles últimos dias havia sido um verdadeiro inferno.
-Filipe; Isadora sussurrou, tentando se afastar, mas ele não parecia disposto a deixá-la ir com facilidade.
-Senti sua falta; ele sussurrou, fazendo-a estremecer quando seus lábios quentes roçaram suavemente a curva de seu pescoço.
Fechou os olhos por alguns segundos, é aquele mês iria ser torturante; a jovem pensou, engolindo em seco. Como àquelas três senhoras poderiam ser tão sádicas? –a jovem se perguntou, mas as palavras de Emmus logo vieram a sua mente, precisavam fazer realmente um motim contra as três idosas, se não, aonde o mundo iria parar?
-Eu preciso ir; Isadora falou, sentindo-o ficar tenso.
-O que? –o pisciano perguntou em tom surpreso. –Você acabou de chegar e-...; parou vendo-a negar com um aceno.
-Não posso lhe explicar agora, mas uma hora você vai entender; a jovem falou desvencilhando-se do abraço. Por mais que quisesse ficar ali, não podia... tinha um acordo a cumprir com Aaliah e o quanto mais rápido ficasse longe daquela 'tentação encarnada' que derrubaria por terra todos os seus princípios, seria melhor.
-Isadora, o que está acontecendo? –ele perguntou dando um passo a frente, vendo-a recuar outro.
-Eu não tenho o direito de me colocar entre você e Aaliah; ela falou por fim.
-Mas você n-...; Afrodite parou, vendo-a erguer a mão, impedindo-o de continuar.
-Eu sei que sim, por isso, quero lhe pedir algo;
-Uhn?
-Passe um tempo com Aaliah, para conhecer realmente sua filha;
-Eu conheço Aaliah; ele falou aflito, querendo acabar com aquilo de uma vez.
-Qual a cor favorita dela? –Isadora perguntou a queima roupa.
-Azul; ele respondeu com ar neutro.
-Tem certeza? –ela rebateu, arqueando levemente a sobrancelha.
Entreabriu os lábios para responder, porém palavra alguma saiu. Não, não tinha certeza, como não tinha certeza de muitas outras coisas mais sobre a filha e que também, não tinha coragem de perguntar. Fechou-os com frustração. Detestava admitir, mas precisavam mesmo daquilo.
-Bem, é melhor eu ir; a jovem balbuciou, dando-lhe as costas.
Era melhor sair dali antes que acabasse se arrependendo e relevando o acordo que fizera com Aaliah.
-Isadora, espera; Afrodite pediu, colocando-se a frente da jovem, impedindo-a de ir.
-Acho que não temos mais nada a dizer; ela falou com firmeza.
-Mas...;
-Mais um conselho Filipe, procure conhecer Aaliah primeiro, antes de querer tocar sua vida pra frente, para que não haja arrependimentos depois; Isadora falou, passando por ele, rumo a saída do Jardim das Rosas, porém antes de alcançar a escada, falou. –A gente se vê por ai;
Viu-a desaparecer no túnel, sem conseguir se mover. Uma semana com ela longe e a única coisa que conseguia fazer era ouvir calado e deixa-la partir... De novo; Afrodite pensou cobrindo os olhos com as mãos, dando um pesado suspiro.
Céus, estava pior do que um cego no meio de um tiroteio, como diria Aldebaran. Precisava tomar uma providencia logo, mas...; ele ponderou, Isadora estava certa, era melhor esperar Aaliah chegar e começar a caminhar conforme a estrada fosse aparecendo. A única coisa complicada nisso tudo, seria ficar longe dela nesse meio tempo; o cavaleiro concluiu.
.III.
Saiu do templo de Peixes como se houvesse tirado uma tonelada das costas, a sorte estava lançada e não podia mais voltar atrás.
-Isa; Milo chamou, vindo em sua direção. Ele, Alister, Eurin, Saga, Litus, Ilyria e o Grande Mestre estavam reunidos na entrada do templo, como se estivessem esperando-a sair.
-Oi... Algum problema? –ela perguntou cautelosa.
-Ahn! Bem...; o amigo artrópode começou hesitante.
-Bem, nós é que perguntamos; Eurin deu o primeiro tiro.
Sabia, estavam todos mortos de curiosidade para saber o que tinha acontecido, mas como eram indiscretos; ela pensou num leve arquear de sobrancelha.
-Estou muito bem, obrigada pela preocupação; Isadora respondeu.
-Ahn! Mas...; Alister começou, apontando para o caminho que fizera.
-Ah! Sim... Ele ainda está vivo se é essa a sua preocupação; ela brincou. –Mas mudando de assunto, eu acho que seria melhor você já ir encomendando a coroa de flores;
-Como? –o pisciano perguntou confuso.
-Assim que desembarquei recebi um recado de papai, que ele esta vindo pra Atenas, lhe fazer uma visitinha e está bem animado para esse reencontro, principalmente quando descobriu que você esteve todos esses anos vivo e agora, casado com Eurin; Isadora explicou, com um sorriso 'angelicalmente diabólico'.
-Você está brincando, não é? –Alister perguntou empalidecendo.
-...; negou com um aceno.
-Eliot esta vindo para cá? –Shion perguntou surpreso.
-Não só esta vindo para cá, como parece que quer passar uma boa temporada aqui, para matar a saudade do pupilo; Isadora completou com um sorriso travesso.
-Ele parecia muito aborrecido quando disse isso? –o pisciano quis saber.
-Olha, se estava, ele disfarçou bem; a jovem falou, segurando-se para não rir. –Mas agora tenho de ir, até outra hora;
-Até; eles responderam.
-Isa, espera... Vou com você; Milo avisou, seguindo a jovem.
Suspirou mais aliviada por livrar-se das perguntas, nunca pensou que a idéia de reencontrar o pai fosse tão aterrorizante para Alister, mas pelo menos estavam empatados.
-Onde você esteve esse tempo todo? –o Escorpião perguntou assim que começaram a descer os templos.
-Em Visby, como te disse;
-Mas...;
-Passei alguns dias em casa também, não sei, deu vontade de voltar lá; ela falou calmamente.
-Minos falou comigo esses dias; ele começou.
-Sério? –Isadora perguntou surpresa.
-...; assentiu. –Ele apareceu um dia ai, para dizer que estava tudo bem com você, embora ele não tenha dito onde você estivesse;
-Eu sai correndo, acabei não tendo tempo de te avisar. Foi no aeroporto que consegui ligar para a Cris e pedir pra ela cuidar do Don e falar com você; Isadora explicou.
-Você ainda não me contou, o que foi fazer em Visby? –Milo perguntou.
-É uma longa história; ela murmurou.
-Não se preocupe, tenho todo o tempo do mundo; o cavaleiro falou com um sorriso matreiro, dando a entender que não iria deixá-la em paz enquanto não contasse tudo, até mesmo os detalhes 'sórdidos'. –Já jantou?
-...; negou com um aceno. –Só comi algumas torradinhas durante o vôo;
-Vamos a Toca então, assim você me conta, enquanto comemos; ele falou, enquanto desciam os templos.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se nas escadarias do templo, com a jovem de melenas castanho-esverdeado, ouviu-a suspirar pesadamente. Estava no santuário a dois dias, iria esperar o mestre chegar antes de voltar ao Japão, enquanto tinha aquele tempo livre com o final de semana e feriado prolongado no oriente.
-Algum problema Celina? –Kiki perguntou, enquanto passava levemente os dedos pelos cabelos arrepiados, que caiam sobre os ombros.
Qualquer um que o visse agora e que houvesse lhe conhecido a uns bons quatro anos atrás, jamais diria que aquele adolescente fora aquele garotinho espevitado pupilo do cavaleiro de Áries, que já vira os pilares do santuário do mar ruírem, os milagres cometidos pela fé na terra do norte, mas nem por isso, já tinha visto tudo que o mestre já vira para ter chegado aonde estava hoje.
-Só estou preocupada com o mestre, ele saiu ontem logo cedo e não disse quando volta; ela respondeu, vendo o sol erguer-se entre as árvores. Pelo menos conseguia conversar com o garoto sem o pai fazer um escândalo. O que era um verdadeiro milagre.
-Mestre Mú sempre procura ocupar o tempo dele com algo, dificilmente ele se permite não fazer nada; Kiki explicou. –Mas com o tempo você se acostuma; ele completou sorrindo.
-Mas não consigo não me preocupar; Celina balbuciou. E também a verdade é que não queria ficar muito tempo sozinha, tudo bem, tinha os pais e Hanay, ou qualquer um ali, mas confiava mais em si mesma com o mestre por perto.
-Ele não vai demorar, no máximo amanhã ele deve estar de volta; o garoto a tranqüilizou.
-Kiki, me diz uma coisa?
-Uhn! O que?
-Como é? Não sei, ter outra perspectiva alem de ser um cavaleiro; ela perguntou confusa.
-Eu não sei no seu caso, mas o mestre nunca me prendeu ao treinamento. Ele sempre me deu a opção de parar ou seguir adiante. Depois da batalha no santuário, como o treinamento já estava chegando ao fim, ele me deixou passar uma temporada no Japão com o pessoal, conheci também vários lugares com ele enquanto treinávamos. Aprendi o quanto o mundo é grande e tem coisas para serem descobertas;
-Mas de que adiantou todo o treinamento então? –ela indagou.
-Não foi só pelo desenvolvimento físico, aprendi muito como pessoa também. Passei boa parte do treinamento com o mestre em Jamiel, lá a reclusão é quase completa, mas alem de treinar, aprendi outras coisas, como a escrever, ler e a falar outros idiomas alem do nativo, o que facilitou muito minha vida, principalmente agora. Sei que ser um futuro engenheiro ou advogado, parece algo patético, se levar em consideração a perspectiva de ser um cavaleiro. Que parece bem mais glorioso, só que precisamos de objetivos. As guerras não vão durar para sempre, mesmo que pareça utopia demais;
-Entendo; Celina balbuciou.
-O mestre conseguiu essa chance pra mim de continuar a estudar e depois, fazer faculdade, alem é claro de trabalhar com o Shun, que sozinho, nem em um milhão de anos eu iria conseguir; Kiki falou sorrindo. –Mas eu também gosto de lidar com as pessoas, principalmente com crianças, estou pensando seriamente em fazer psicologia ou partir para a área de humanas depois; ele comentou empolgado. –Mas acredite, se você ainda tem duvidas quanto a seguir como amazona, converse com o mestre, creio que ele vai encontrar uma maneira de lhe ajudar;
-Não sei, duvido que eu tenha lá muitas opções, alem dessa; ela murmurou, apoiando os braços sobre os joelhos e descansando a cabeça entre eles.
-Ser a filha do Grande Mestre não deve ser nem um pouco fácil, não? –ele comentou, notando o porquê de todo o desanimo dela.
-...; negou com um aceno.
Não, não era...
-o-o-o-o-o-
Sentou-se em um dos acentos livres na mesa, enquanto a jovem de melenas azuis ainda estava tomando banho lá em cima. Astréia provavelmente estava andando pela casa; ele pensou, elevando parcialmente seu cosmo, buscando pela mãe entre os cômodos.
Ainda lhe custava acreditar que levara uma surra daquelas da namorada, de propósito ainda por cima. Ficou imaginando se Aaliah tivesse feito um treinamento mais ferrenho o que não seria capaz de fazer; ele pensou, dando um baixo suspiro.
Iriam voltar a Atenas uma semana antes do previsto, mas tinha uma importante decisão a tomar. Por mais que fosse difícil teria de se afastar por um tempo de Aaliah. A linha de raciocínio de Isadora estava certa, eles precisavam de tempo para se conhecer e ele estando por perto também seria um empecilho.
-Shaka; Astréia chamou, parando atrás do filho.
-Uhn! Sim mãe? –ele indagou voltando-se para ela.
Um longo silêncio pairou sobre ambos, enquanto a senhora apenas o fitava. É, não poderia querer nora melhor, ainda era difícil acreditar que aquele mesmo cavaleiro que lhe tratara com hostilidade há dois dias atrás fosse o mesmo a lhe chamar tão docemente agora de 'mãe'.
-Ahn! Eu queria lhe perguntar uma coisa; ela começou hesitante.
Viu-o levantar-se e de maneira cordial puxar-lhe a própria cadeira para que se sentasse. Estarrecida, sentou-se, enquanto ele dava a volta, ocupando a outra.
-Algum problema? –Shaka perguntou preocupado.
-Não, não se preocupe; ela o tranqüilizou com um sorriso.
-Então?
-Ahn! Semana que vem será aniversário de Kala; ela começou, vendo o olhar surpreso dele. –E eu estava pensando em retornar ao Ganges por alguns dias;
-Entendo; ele balbuciou com ar pensativo. Kala era o filho da irmã de seu pai, Astréia já havia lhe contando que ele era pelo menos cinco anos mais velho do que si.
-Então, eu queria saber se você não quer ir comigo?
-Uhn! –Shaka murmurou surpreso.
-...; Astréia assentiu.
Ponderou por alguns segundos, voltar à Índia nunca havia sido um de seus planos, acostumara-se tanto a viver no mediterrâneo, que ver-se lá novamente sempre foi uma imagem disforme, mas não podia negar que seria interessante, entretanto havia Aaliah.
Pelo visto as Deusas do Destino andaram tecendo novamente; ele pensou, notando ser essa a oportunidade certa para que Aaliah e Afrodite pudessem passar um tempo juntos, sem ninguém entre ambos.
Desde que Astréia aparecera, Aaliah jamais ficara entre eles, alias, os ajudara a resolver aquela história de uma vez, então, precisava deixar o egoísmo de lado e pensar no que seria melhor para Aaliah agora.
-Eu preciso falar com Aaliah primeiro; ele respondeu.
-Converse com ela, vai ser melhor mesmo; ela respondeu sorrindo de maneira tranqüila.
.IV.
Estavam os três numa conversa animada há horas, nunca imaginou que aqueles dois tivessem tantas histórias interessantes para contar sobre o cavaleiro de melenas lilases; a jovem pensou, ouvindo com atenção os dois arianos.
-Então, eu poderia jurar que ia levar um puxão de orelhas; Kiki falou rindo, enquanto levava um copo de refrigerante aos lábios. –Mas mestre Mú sempre teve muita paciência no treinamento, foram raras as vezes que eu o vi se estressar com algo;
-Realmente, o mestre mesmo diz que só fica um pouco 'intratável' na época do inferno astral; Celina concordou. –Mas até agora, não me lembro de tê-lo visto, nessa fase; ela comentou, pensativa.
-Quem não fica; Mia balbuciou, lembrando-se do que ela mesma passava em época parecida. –Mas e você Kiki, também reforma armaduras? –ela indagou curiosa.
-Faço algumas coisas de vez em quando, mas ainda tenho muito que aperfeiçoar para chegar ao nível do mestre; o garoto falou calmamente. –Quando eu acho que ele já sabe de tudo, ele aparece com alguma coisa nova; ele explicou.
-É, o mestre comentou esses dias que estava analisando algumas possibilidades novas para conseguir restaurar armaduras mortas; Celina falou. –Mas eu pensei que isso fosse impossível;
-Como assim? –Mia perguntou confusa.
-As armaduras zodiacais têm vida, que se extingue quando ela é muito danificada; Kiki falou. –Até onde eu sei, só existe um método para restauração nesse caso, que é a utilização do sangue do cavaleiro no processo de restauração, mas isso pode levar a morte do cavaleiro em questão;
-Nossa; a jovem de melenas negras murmurou.
-Mas o mestre comentou que existe outro, não me falou qual, mas que tem um método alternativo; ele explicou.
-Menos mal, porque se a armadura esta debilitada, quer dizer que o cavaleiro esta também com a saúde precária, não adianta nada dar o sangue para a armadura e morrer depois; Celina comentou.
-Realmente, tem de estudar muito para conseguir guardar tudo isso; Mia brincou.
-Palavras sabias; uma voz conhecida soou na entrada da cozinha.
Viraram-se imediatamente, vendo o jovem de melenas lilases entrar. Não pode impedir que seus olhos corressem dos pés a cabeça dele, notando as roupas pretas que apenas realçavam aquele ar de mistério que o envolvia. Os olhos ainda tinham aquele mesmo brilho que intensificada o verde das íris.
-Como vão? –Mu perguntou, passando por eles, enquanto seguia até a geladeira.
-Bem; os três responderam.
-Mestre como foi de viagem? –Celina perguntou curiosa.
-Tudo tranqüilo e por aqui, nenhum surto de histeria coletiva? –o cavaleiro perguntou casualmente, lançando um olhar de soslaio para a jovem de melenas negras.
-Não, papai parece estar realmente muito calmo esses dias; a jovem comentou, ainda surpresa com esse fato.
-Mestre Shion anda muito estressado pelo visto; Kiki comentou rindo.
-Você não faz idéia; Mia e Mú falaram ao mesmo tempo.
-Pelo menos não mandou a madrinha ficar em cima de mim dessa vez; Celina comentou, em meio a um suspiro aliviado.
-Mas aposto que ele andou arrumando outras pessoas para fazerem isso; Mú comentou, enquanto enchia um copo com água gelada, ouvindo a jovem de melenas negras engasgar com o que tomava. –Tudo bem, Mia?
-...; ela assentiu, com a face corada.
-Do que esta se referindo, mestre? –Kiki perguntou olhando de um para o outro.
-Qual foi à proposta indecente Mia? –Mú perguntou, recostando-se no balcão de mármore, cruzando os braços na frente do corpo, observando a jovem com um olhar intenso.
-Ahn! Bem...; ela balbuciou corando ainda mais com o sorriso nada inocente que formou-se nos lábios dela, diante de seu pânico.
-Espera ai; Celina começou voltando-se para ela com os orbes serrados.
-A culpa não é dela Celina, o mestre sabe ser bastante persuasivo quando quer; Mú falou sem se abalar com a descoberta da pupila, alias, a situação vinha bem a calhar. –Mas e vocês, já jantaram? ele indagou, mudando de assunto.
-...; os dois arianos negaram com um aceno.
-Então, vamos até a Toca do Baco; ele falou desencostando-se do balcão e deixando o copo vazio sobre o mesmo.
-Bem, eu acho que já vou indo; Mia falou levantando-se, tencionando ir embora o mais rápido possível, mas estancou quando sentiu a mão dele fechar-se sobre seu ombro. Como ele se aproximara tão rápido?
-De maneira alguma; Mú falou calmamente. –Agora apressem-se os dois; ele falou voltando-se de soslaio para os pupilos, enquanto levava a jovem para fora da cozinha.
-Mas Mú, você acabou de chegar, deve estar cansado e-...;
-Já disse e faço questão de que jante comigo esta noite; ele completou quase num sussurro em seu ouvido, fazendo-a estremecer e corar furiosamente.
-...; assentiu, sem conseguir pronunciar palavra alguma, apenas deixando-se guiar por ele.
-o-o-o-o-o-
-Então foi isso; Isadora explicou, não poupando os mínimos detalhes ao contar ao Escorpião o que acontecera na viajem a Visby.
-Você deveria ter me falado, eu iria com você; ele falou emburrado.
-Foi algo de última hora Milo, nem eu mesma previa o que iria acontecer; a jovem falou levando uma taça de vinho aos lábios.
-Vou perdoar dessa vez, só dessa ouviu bem? –Milo falou recostando-se melhor na cadeira. –E não me mate do coração de novo, por sumir desse jeito;
-Não se preocupe, agora esta tudo bem; Isadora respondeu sorrindo.
-Quase tudo; ele corrigiu, com ar pensativo. –E o Afrodite?
-O que tem ele? –ela perguntou como quem não quer nada.
-Isadora; Milo falou em tom de aviso.
-Eu decidi dar um tempo nas coisas, Aaliah precisa de espaço para conhecer o pai e não vou me colocar entre os dois; Isadora falou séria.
-Imaginei que você fosse tomar uma decisão dessas, mas vai levar isso até quando?
-Até quando for necessário; ela falou impassível.
-Se você quer assim; ele falou dando de ombros.
Isadora era extremamente teimosa quando queria, não iria conseguir fazê-la mudar de idéia se ela não quisesse, então, teria de esperar o momento certo para agir; ele pensou maquinando um plano, já tinha tudo em mente, não seria difícil fazer aqueles dois ficarem juntos antes do previsto.
-Milo; Isadora falou com os obres serrados.
-Sim? –ele perguntou com um sorriso maior que o gato da Alice.
-Pare de pensar, não gosto quando você faz essa cara de quem esta armando e eu não vou gostar do resultado final; ela falou apoiando os braços na beira da mesa.
-Porque acha que estou planejando algo? –Milo perguntou, tentando fazer-se de inocente, mas acabou por se trair, já que seu sorriso tornou-se maior ainda.
-Vou me abster do direito de permanecer em silêncio; a jovem falou balançando a cabeça levemente para os lados. –Alem do mais, é melhor você não aprontar nada;
-Por quê? –ele perguntou intrigado.
-Porque se não, vou ser obrigada a dar todas aquelas tortas de chocolate que trouxe de Visby para o Donatelo comer sozinho; Isadora falou vendo o olhar horrorizado dele.
-Você não faria isso; Milo falou indignado com a possibilidade.
-Tem certeza? –a jovem indagou, com um sorriso tão ou pior do que o dele a alguns segundos atrás.
-o-o-o-o-o-
Os dois adolescentes iam à frente conversando animados, como se houvessem feito um complô para deixar o casal para trás.
-Mú; Mia começou hesitante.
-Uhn?
-Como Celina está? –a jovem indagou, porém notou-o arquear levemente a sobrancelha. –Você sabe, desde que o Kanon viajou; ela completou.
-Eu conheço minha pupila, Mia. Celina jamais dará o braço a torcer que anda amuada porque ele não esta aqui; o ariano falou calmamente, enquanto aproximavam-se de braços dados da Toca. –Mas é melhor assim;
-Não te entendo; Mia falou, dando um baixo suspiro.
-Eu me preocupo com Celina, mas não vou influenciar as decisões dela; Mú falou calmamente.
-Como?
-Cada um tem nas mãos, o poder de escolher o próprio caminho. Se ela decidiu não se manifestar, é porque, não achou que fosse o momento certo, nem madura o suficiente para levar isso adiante sem arrependimentos; ele explicou.
-Me desculpe, sei que não é da minha conta, mas-...;
-Não se preocupe, eu sei que você se importa com a Celina, já muitos outros por ai, estão apenas interessados em ver o circo pegar fogo; o ariano falou, um tanto quanto aborrecido. –Eles apenas se esquecem de uma coisa;
-O que? –Mia perguntou curiosa.
-Que até os signos mais pacíficos, tem tendências assassinas quando chegam ao limite; ele respondeu casualmente.
-Uhn! Então esse é mais um dos mistérios de Áries? –ela brincou.
-Talvez; ele respondeu de maneira enigmática. A preocupação de segundos antes, passou a dar lugar ao travesso flerte que se iniciava. –Porque se estiver interessada em saber dos demais...; o cavaleiro falou, jogando a sugestão no ar.
-Isso é um convite? –Mia perguntou, voltando-se para ele, com um fino sorriso nos lábios.
-Se quiser encarar dessa forma e correr o risco; o ariano falou, parando de andar e ficando frente a frente com amazona.
-Tentador; ela respondeu, quase num sussurro.
-Boa noite; a voz animada de Dionísio lhes chamou a atenção, fazendo-os ver que já haviam chegado a um bom tempo e eram observados pela divindade, que segurava a porta, esperando-os decidirem quando iriam entrar.
-Boa noite; o casal respondeu. Kiki e Celina já estavam lá dentro e não pareciam nem um pouco incomodados em esperar o casal.
-Mesa para os quatro, ou estão esperando mais alguém? –Dionísio perguntou.
-Apenas nós Dionísio; Mú respondeu, mantendo a mão levemente pousada sobre a cintura da jovem de melenas negras, impedindo-a de se afastar muito de si.
-Venham comigo; ele falou seguindo pela Toca rumo ao restaurante.
Muitos olhares recaíram sobre os quatro, mas pelo menos os três arianos não pareciam se importar com isso, como se fosse mais um dia comum e corriqueiro na vida deles, entretanto a jovem de melenas negras engoliu em seco.
-Algum problema, Mia? –Mú perguntou, puxando-lhe a cadeira cordialmente, para que se sentasse.
-Não, problema algum; ela respondeu tensa.
-Não deveria se importar com o que os outros pensam, principalmente quando os 'outros' em questão são um bando de desocupados e fofoqueiros; ele falou calmamente, sentando-se ao lado dela, enquanto Celina e Kiki ocupavam os acentos do outro lado da mesa.
-Concordo com o mestre; Celina falou entrando na conversa. –Como diz a Aishi, lugares onde muitas pessoas de personalidades diferentes vivem, sempre sai alguma fofoca, mas se viver em função disso, é perder tempo desnecessário, que poderia ser aproveitado com coisas mais úteis; ela falou, sem notar o olhar travesso que a amazona recebera do cavaleiro, quando mencionou o 'coisas mais úteis';
-Ahn! Tudo isso é influência do signo, ou sua mesmo? –Mia perguntou voltando-se para o cavaleiro, que apenas sorriu de canto, sem deixar de demonstrar o orgulho que tinha da pupila.
-Acho que só dei sorte com meus pupilos; ele falou indicando Kiki que assentiu.
-Com licença... Desejam pedir? –um garçom perguntou se aproximando.
-...; Mú assentiu, enquanto ele lhes entregava os cardápios.
.V.
À noite a muito já caira sobre o céu grego, mas isso não parecia ser um empecilho para ele.
Os passos eram silenciosos, enquanto tocava as pedras e via a porta abrir-se para si, sem nenhum ruído. Desceu as escadas de pedra em silêncio, procurando não chamar a atenção. Só pedia aos céus que não fosse visto por ninguém saindo dali ou teria grandes problemas; ele pensou, continuando a caminhada.
Logo o diria iria nascer e tinha pouco tempo para colocar tudo em ordem, precisava se apressar, porque dessa vez iria agir sozinho;
Continua...
Domo pessoal
Agora a fic esta chegando ao fim, mil perdões pela demora em postar, mas como a maioria das minhas fics agora. Estou fechando cada capitulo com no mínimo quinze páginas e até isso acontecer, demora um pouquinho.
Mas voltando a fic, o que acharam do Mú? Ou melhor, quais as expectativas de vocês para ele? Ah, e também, Afrodite. O que vocês acham que as Deusa do Destino, tem reservado para ele e Isadora? Alem é claro, da própria Aaliah e nosso virginiano super fofo.
No mais, agradeço de todo o coração, aqueles que vem acompanhando essa história desde o começo e um abraço especial a Margarida e Flor de Gelo, pelo coment no capitulo passado.
Até a próxima...
Dama 9
