.::DE VOLTA AO VALE DAS FLORES::.
By DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Astréia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Capitulo 30: S O S. MÚ.
.I.
O despertador mal havia tocado quando levantou-se e se arrumou rapidamente para ir ao aeroporto. Não sabia como iriam ser as coisas dali para frente, mas agora, a única coisa que queria era ir buscar a filha e depois, um passo de cada vez.
Chegou ao aeroporto, faltando poucos minutos para as quatro da manhã, algumas pessoas dormiam em alguns bancos esperando para embarcar ou esperando alguém chegar.
O portão de embarque se abriu e uma torrente pessoas começou a sair, pensou em esperar por ela sentado, mas logo viu uma farta cabeleira azulada surgir entre a multidão. Olhou por toda a volta, onde estava Shaka? –ele se perguntou vendo a filha se aproximar sozinha.
Seus olhares se cruzaram, por um momento viu-a em câmera lenta correr em sua direção, porém surpreendeu-se ao vê-la passar por si.
-Isa;
Virou-se para trás vendo a jovem de melenas verdes abraçar a filha, que chorava copiosamente. Entrou em estado de choque.
-Calma; Isadora sussurrou, afagando-lhe os cabelos carinhosamente.
-Porque dói tanto? –Aaliah perguntou num sussurro.
-Porque só àqueles que têm coragem são capazes de suportar isso; a jovem respondeu, dando um baixo suspiro. –A saudade às vezes pode ser enlouquecedora, mas cabe a nós lutarmos para não sucumbir a ela;
-Mas...;
-Eu sei que você sente a falta dele, afinal, você o ama e não esta acostumada com a idéia de ficar tanto tempo longe... Mas esse é um momento que ambos precisam viver e aprender a lidar com o que vem depois; ela explicou calmamente.
-Eu queria ser forte que nem o Shaka e parar de chorar, mas não da; Aaliah balbuciou com a voz fraca, abraçando-a fortemente.
-Você é Aaliah e o fato de Shaka não chorar é para lhe apoiar, mas ele esta sofrendo com essa separação tanto quanto você, mas compreendeu o que vai ser melhor e o que é necessário; Isadora explicou. –Esse amor de vocês é forte o suficiente para superar essa prova, tenha fé nisso, Aaliah;
-...; ela assentiu, começando a enxugar as lagrimas.
-Agora é hora de ser forte e começar a lutar... Viver nunca é fácil, sempre existem aqueles momentos que a única coisa que queremos é jogar tudo para o alto, ou mandar alguém a merda; a jovem falou, tirando um fino sorriso da jovem. –Mas é preciso continuar, apesar de tudo... Mas fiquei tranqüila, você vai ver, o tempo vai passar rápido e logo ele e Astréia estarão de volta;
-Obrigada; Aaliah sussurrou.
-Não me agradeça, sempre vou estar aqui quando você precisar, mas agora é melhor ir... Seu pai já esta ficando preocupado e nós não queremos que ele vire outro Shion, não? –Isadora brincou, com um sorriso matreiro.
-...; negou freneticamente com um aceno. –Tudo menos isso; ela brincou.
-Assim que se fala; Isadora respondeu, abraçando-lhe uma última vez antes de se afastar. –Agora preciso ir;
-Mas...;
-Aaliah;
-Desculpe, sei que você só prometeu vir ao aeroporto, mas...;
-Eu preciso mesmo ir, você sabe disso;
-...; Aaliah assentiu, vendo que a jovem pretendia levar aquilo mesmo adiante. –Obrigada por tudo;
-Eu j-...;
-Mesmo assim; Aaliah falou sorrindo.
-Até mais;
-Até; ela respondeu vendo a jovem acenar a distancia para o pai e se afastar em seguida.
É, teria muitas explicações a dar, principalmente o porquê de Shaka não estar ali e de ambos não terem ido inicialmente para a Índia; Aaliah pensou, respirando fundo antes de voltar-se para o pai, vendo-o ainda a uma distancia segura, hesitante sem em aproximar.
Realmente, não seria nada fácil...
-o-o-o-o-o-
Olhou o teto fixamente, sem encontrar nada que lhe distraísse. Fazia horas que estava largado sobre a cama, no mais completo silêncio em meio a toda aquela escuridão do cômodo.
O quarto estava frio e sem vida, como se zombasse de si por conta de seus erros, ela não estava mais ali, alias, aquela era a primeira vez que não estavam juntos desde que voltaram daquela viajem a Sicília há alguns meses atrás.
Afrodite estava certo, fora teimoso demais em não admitir que as coisas já não estivessem indo tão bem como no inicio, quando sempre que podiam, tiravam o resto do dia livre e ficavam apenas andando pelo santuário conversando sobre banalidades, ou curtindo a presença um do outro.
Suspirou pesadamente, precisava de uma forma de concertar todas aquelas besteiras e sabia quem podia ajudar; ele pensou, levantando-se rapidamente.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se na soleira da porta, junto com ele. Fitou distraidamente a taça de vinho que tinha em mãos. Aquelas coisas estranhas estavam acontecendo com muita freqüência naqueles poucos dias; a amazona pensou, dando um baixo suspiro.
Ouviu o barulho do liquido rosado caindo dentro da taça, quando ele encheu ambas novamente. Aquela noite também estava estranha, principalmente se levassem em consideração o fato de que haviam passado o tempo todo assistindo um filme e jogando conversa fora, numa atitude desesperada para distrair a amazona de cabelos prateados.
Estavam saindo para jantar quando viram Yuuri indo para a casa e Guilherme fitando-a de uma distancia considerada relativamente segura, da entrada do vilarejo, enquanto ela ia pra casa.
Sabiam que as coisas não estavam nada bem entre o casal, mas ela não poderia ficar sozinha, principalmente depois de chegar do hospital, então optaram por voltarem e convencerem a amazona a ficar com eles, assistindo um filme.
-Ela não vai acordar tão cedo; Milo comentou, antes de levar a taça que tinha em mãos, aos lábios.
Pouco antes do filme terminar, perceberam que Yuuri havia pegado no sono, o estresse e o cansaço emocional fizeram com que ela, assim que relaxasse, dormisse profundamente. A pedido de Shina, levara a amazona para o único quarto da casa e fora encontrá-la sentada na soleira da porta, para conversarem, fato que vinha se repetindo muito nos últimos dias.
-Talvez seja melhor assim; Shina comentou distraidamente. –Às vezes tenho vontade de dar uma surra naquele idiota; ela confessou.
-Guilherme?
-...; Shina assentiu. –Para quem no começou não pensou duas vezes em assaltar o templo do Afrodite e pegar os príncipes negros, esta sendo muito amador agora. E isso me irrita; ela completou bufando.
-Ouvi dizer que os italianos têm sangue quente, mas esse ai; Milo brincou.
-O pior é que precisaria ser um cego para não ver o que eles sentem um pelo outro, mas aquele idiota enfiou o pé na jaca, como diria Aldebaran; ela falou, recostando-se no batente da porta, antes de tomar mais um gole de vinho.
-Ele vai precisar de um verdadeiro milagre para concertar as coisas; o Escorpião comentou. –Isto é, se não for tarde demais;
-...; ela assentiu.
-Bem a conversa ta boa, mas é melhor eu ir, não quero acabar te causando problemas; Milo falou com um sorriso maroto nos lábios.
O santuário já estava em polvorosa por causa das rosas e se alguém lhe visse saindo da casa dela três horas da manhã, teriam uma infinidade de possibilidades para especular, sem que ao menos se dessem o trabalho de dizer que Yuuri estava com eles o tempo todo.
-Boa noite; Shina falou levantando-se com ele.
-Para você também; Milo respondeu, entregando-lhe a taça antes de se despedir e seguir de volta ao santuário.
Entrou em casa novamente, deixando a garfa e as taças sobre a mesa de centro, era melhor descansar um pouco, não era do seu feitio se meter em assuntos alheios, mas teria de abrir uma exceção agora e ajudar aquele idiota.
Vira como Guilherme estava abalado quando alcançaram Yuuri no centro do vilarejo das amazonas, mesmo de longe conseguira notar que havia um muro de concreto entre o casal e os motivos para isso eram mais do que óbvios.
Aproximou-se da estante colada à parede, pegando o celular que deixara ali para carregar pouco antes de sair. Digitou rapidamente alguns números, enquanto esperava a chamada ser completada.
-Alô; ela falou assim que ouviu o telefone ser atendido do outro lado.
-Andem logo! Aonde já se viu? Um lugar que deveria estar repleto de câmeras de seguranças e ninguém sabe dizer aonde ela esta. Seus incompetentes; uma voz feminina esbravejou do outro lado.
-Tia?
-Não quero saber, não é porque esse lugar esta cheio de deuses gregos que ela iria se perder no caminho. Virem esse museu de ponta cabeça, mas achem-na logo; Diana completou, berrando mais uma infinidade de impropérios italianos que fizeram a amazona ter pena de quem estava ouvindo tudo. –Ah sim! Alô;
-Ahn! Você esta ocupada? –Shina perguntou hesitante.
-Nunca pra você querida, como está? –Diana perguntou com a voz mais branda.
-Bem; a amazona respondeu, enquanto se sentava no sofá. –Mas precisava de um favor;
-Aconteceu alguma coisa Shina; ela indagou em tom sério.
-Preciso falar com o Dom, Guilherme esta com problemas; Shina explicou.
-Giovanni esta em Verona, mas posso ligar para ele e pedir que vá até o santuário; Diana falou. –Mas o que aconteceu?
-Digamos que ele andou metendo os pés pelas mãos, mas não precisa, se puder me dar o número, eu mesma falo com o Dom; ela falou, referindo-se ao chefe da família de maneira tão formal.
-Tudo bem, mas tem mais alguma coisa não. Você dificilmente recorre à família; a amazona falou. –Alias, se bem me lembro, você sempre evita envolver a família em qualquer coisa;
-Situações urgentes, requerem medidas urgentes; Shina limitou-se a dizer.
-Está certo, mas se você tiver algum problema, exijo que me diga. O fato de estar no santuário, não quer dizer que você tenha a obrigação de ter uma vida independente a de sua tia, ouviu bem; ela falou taxativa.
-Tudo bem tia, esta tudo certo comigo, minha preocupação agora é fazer aquele crustáceo se acertar com Yuuri; Shina falou cansada.
-Ah sim! A pupila de Alanis; Diana falou. –Quem diria que aqueles dois teimosos iriam acabar juntos; ela comentou animada.
-É, uma feliz coincidência; a amazona falou. –Mas e você, aonde esta agora?
-Dublin, mas espera...; Diana respondeu. –Hei seu inútil! É melhor encontrá-la logo antes que eu chame a Swat ou o que quer que vocês tenham aqui por 'homens da lei' aqui; ela berrou para alguém do outro lado.
-Tia, o que esta acontecendo? –Shina perguntou, arqueando a sobrancelha.
-A Jéssy sumiu; ela respondeu. –Ela estava fazendo uma exposição no museu de Dublin, mas depois do coquetel desapareceu e ninguém consegue encontrá-la;
-Ahn! Por acaso não te passou pela cabeça que ela pode ter sumido por conta própria; a amazona comentou.
-Jamais, só se tivesse um bom motivo; Diana falou, porém parou ponderando. –Se bem que, não é difícil se perder por aqui, ah se você visse a quantidade de deuses gregos que estão transitando por aqui. Alias, tem um bem gatinho de cabelos rosados bem na minha direção; ela comentou.
-Você não tem jeito, mesmo; ela murmurou. –Então, pode me passar o número?
-Claro, só um momento; Diana pediu, buscando o mesmo na agenda do celular antes de passar a ela.
Anotou tudo rapidamente e despediu-se da tia, antes de desligar. Ouvindo ainda ao longe Diana berrar com um ou outro, procurando pela artista fujona, porque será que tinha a leve impressão de que Jéssica sumira por conta própria? –ela pensou.
.II.
Chegou em casa com Aaliah meia hora depois de pegarem um táxi na saída do aeroporto. Entretanto, mal entraram no templo, ouviu um barulho insistente de algo batendo contra o chão. Acendeu as luzes principais e encontrou o cavaleiro da quarta casa encostado em um dos pilares com uma expressão aborrecida.
-Guilherme; Aaliah falou, enquanto carregava uma de suas malas pelo extenso corredor.
-O que esta fazendo aqui? –Afrodite perguntou, seguindo para dentro de casa, indicando para ele segui-los.
-Eu, bem...; ele balbuciou, lançando um olhar inquisidor a jovem.
-Então? –o pisciano insistiu, era melhor ele abrir logo o jogo, embora já soubesse o resultado do primeiro tempo.
-Ah! Não querendo interromper; Aaliah falou jogando as malas e aproximando-se dele. –Meus parabéns, fiquei sabendo que você vai ser pai; ela completou antes de surpreender ambos os cavaleiros ao abraçar o canceriano.
-Ahn! Obrigado... Eu acho; Guilherme balbuciou, sem jeito, enquanto Afrodite os observava quase em estado de choque, ao ver o italiano retribuir.
-Mas então, vai ser menino ou menina? –a jovem perguntou animada.
-Ainda não sabemos; o cavaleiro respondeu um pouco melancólico.
-Você não parece muito feliz, o que foi? –Aaliah perguntou intrigada.
-Yuuri não quis se casar comigo; ele respondeu, lançando um olhar suplicante ao pisciano, que diante disso, também não sabia o que fazer.
-Eu não vou dizer que eu avisei, porque pela sua cara, você já sabe; Afrodite falou, enquanto Aaliah afastava-se um pouco para fitá-los.
-O que esta acontecendo? –ela indagou.
-O que esta acontecendo exatamente, ou como começou? –o canceriano perguntou visivelmente aborrecido.
-É melhor vocês me explicarem isso direito; Aaliah mandou, dando a entender que não daria paz a nenhum dos dois enquanto não lhe contassem.
De maneira resumida Afrodite explicou como a guerra das rosas aconteceu e dessa vez, como não tinha nenhum Lancaster envolvido como na trama nem nenhuma Margarida Anjou.
-Nossa; a jovem murmurou surpresa. –Será que ele guardou uma pra mim? –ela perguntou depois de alguns segundos de silêncio.
-O QUE? –Mascara da Morte berrou indignado.
-Guilherme; Afrodite falou em tom de aviso.
-Fala sério, você surtou só por isso? –Aaliah indagou, aborrecida.
-Queria que eu fizesse o que? –ele exasperou.
-Primeiro, se eu fosse a Yuuri, não aceitaria nem que você pedisse de joelhos; ela começou com os orbes serrados. –Não pelos motivos que o papai falou;
-Hei!
-Segundo, se você gosta tanto dela, deveria ter encontrado uma forma de demonstrar isso e bancando o homem das cavernas definitivamente não é a forma certa; Aaliah continuou e deu o ultimado, antes que ele pudesse falar. –Agora, o mínimo que você pode fazer é concertar as coisas... Isso é claro, se é o que você realmente quer;
-É claro que sim; Mascara da Morte adiantou-se.
-Ótimo; ela falou taxativa.
-Aaliah, em que esta pensando? –Afrodite perguntou, vendo um brilho intenso tomar conta dos orbes da filha e isso sempre queria dizer que ela planejava algo.
-Você precisa de ajuda de um profissional para consertar essa besteira; ela falou calmamente.
-O que sugere? –o canceriano indagou.
-Vá pedir a ajuda do Mú; Aaliah respondeu calmamente.
-FICOU LOUCA? –Guilherme berrou, com os obres perigosamente estreitos.
-Isso mesmo, pelo visto ele é o último que salva desse granjeiro, porque até agora só estou vendo patos aqui; ela rebateu, indicando até mesmo o pai.
-Hei!
-O senhor sabe que é verdade; a jovem falou da maneira mais inocente possível. –Mas eu vou ajudar também, vá pra casa... Esfrie a cabeça e amanhã conversamos; ela completou acenando levemente com as mãos, mandando-o 'literalmente' ir embora do templo.
-E se-...;
-E se, nada; Aaliah o cortou. –É isso ou nada. Quer se acertar com a Yuuri? Pois bem... Eu dou as cartas. Se prefere continuar como idiota? Não reclame depois; ela rebateu.
-Tudo bem; Mascara da Morte murmurou engolindo em seco.
-Boa noite; Aaliah falou dando-lhes as costas e indo pegar a mala novamente, antes de subir em direção aos quartos.
Observaram-na sumir de vista em completo silêncio, até o mesmo ser quebrado pelo italiano.
-Ela é de dar medo; ele balbuciou.
-Igualzinho a mãe quando estava irritada; Afrodite completou engolindo em seco. Definitivamente, Aaliah herdara muita coisa de Aimê, das quais, o temperamento intempestivo era o que mais se destacava.
.III.
Estava de muito bom humor, iria para a floricultura só a tarde, por isso tinha tempo de trabalhar no quadro novo; ela pensou, encaminhando-se para o ateliê.
O Vale das Flores já estava pronto, o finalizara durante a madrugada, num acesso de inspiração relâmpago e não conseguiu deixar o ateliê, saindo apenas para abrir a porta de casa para Cris entrar, tomar um banho em seguida e depois voltou para lá.
Agora começara um novo, esse talvez fosse sua mais estranha criação, se pensasse dessa maneira; Isadora concluiu olhando para o quadro quase pronto a sua frente.
Normalmente costumava trabalhar o quadro sempre em quatro etapas, primeiro pintando todo o fundo, sem distinção de nuvens na paisagem nem nada, em seguida, o fundo de toda paisagem que iria retratar, por terceiro, vinha com o acabamento e a mescla das cores e por fim... O acabamento final de luzes, sombras e brilho dados com as tintas, por vezes apenas cores primarias já faziam todo o arranjo.
Entretanto aquele quadro surgira de uma forma surpreendente em sua mente, recostou-se na cadeira, colocando a palheta no colo, enquanto abria um tubo de verde limão e verde versiê e colocava uma pequena porção dos dois dentro da mesma.
Os pinceis estavam dentro de um vidro com solvente, o cheiro de tinta e óleo de linhaça pareciam impregnados em todo o ambiente, era tão bom aquilo. Sentia-se tão em paz consigo mesma e com tudo ali dentro que esquecia do resto do mundo.
Passou o pincel delicadamente pelas duas tintas, miscigenado-as antes de deixar as cerdas macias correrem pela tela. De suas regras até agora havia quebrado pelo menos três, porque nas últimas cinco horas, desde a madrugada estava trabalhando naquele quadro, como se quisesse finalizá-lo antes do almoço, mesmo que não houvesse pressa.
Ouviu o telefone tocar e Cris responder alguma coisa, provavelmente deveria ser Milo, ou algum outro conhecido; ela pensou ouvindo a porta do ateliê se abrir e Cris entrar.
-Para você; ela falou aproximando-se.
-Quem é? –Isadora perguntou, pousando o pincel na beira da palheta e virando-se para ela.
-Não sei, mas é um homem; Cristina respondeu com um sorriso nada inocente.
Franzindo o cenho, Isadora pegou o aparelho, respirando fundo e lançando um olhar a Cristina do tipo "ligação particular, dá o fora", antes de atender.
-Alô;
-Como está, meu anjo?
-Pai... Oi; ela falou surpresa. –Muito bem e o senhor?
-Muito bem, querida; Eliot respondeu animado. –Imagino que você deve estar ocupada, mas só queria lhe perguntar uma coisa;
-E o que seria? –Isadora perguntou curiosa.
-Se você não quer jantar comigo essa noite? –ele indagou.
-Mas...; Isadora ponderou, até concluiu o porquê do telefonema. –O senhor está aqui, em Atenas? –ela indagou surpresa.
-Vou chegar em breve; Eliot respondeu.
-Que ótimo, quero sim; ela falou animada.
-Então, pode ser na Toca do Baco ou você prefere outro lugar?
-Não, lá estará ótimo; a jovem respondeu. –Quer que eu vá buscá-lo no aeroporto?
-Não, nos encontramos lá se não se importar?
-Não; Isadora respondeu. –Nos vemos depois então; ela completou.
-Até lá, meu anjo;
-Até; ela respondeu desligando em seguida.
-Então, quem é? –Cris perguntou curiosa, enquanto colocava a cabeça dentro da sala, mantendo-se encostada na porta.
-Meu pai; Isadora respondeu, fechando a palheta e levantando-se. Era melhor pintar mais tarde, tinha outras coisas a fazer agora.
-Nossa, com uma voz daquelas; Cristina comentou rindo. –E eu achei que fosse o deus grego; ela comentou.
-Quem?
-O de cabelo azul; ela respondeu com um sorriso matreiro.
-Ahn! Filipe; Isadora balbuciou, com o olhar um tanto quanto vago. Ainda tinham vinte e nove dias pela frente, se não mais; ela pensou.
-Uhn! Pelo visto as coisas não andam bem; Cristina comentou.
-Bem... Digamos que estamos dando um tempo; Isadora respondeu hesitante. –Cris, pode mandar aquele vestido prateado para lavanderia pra mim? -ela pediu.
-Claro, mas a que se deve isso? Você nunca o usou, alias, nem me lembro de você tê-lo tirado de dentro da caixa desde que comprou; Cristina comentou surpresa.
-Digamos que a ocasião é especial agora; a jovem respondeu sorrindo. –Vou passar o dia fora e depois dou uma passada na floricultura se alguém ligar; ela avisou.
-Ta certo; Cristina respondeu intrigada com aquela pequena mudança na jovem, não sabia o que era, mas pelo visto em breve iria descobrir.
-Obrigada; Isadora respondeu saindo do ateliê e pegando a bolsa pendurada atrás da porta antes de sair de casa, apenas acenando para a amiga.
.IV.
Desligou o telefone, recostando-se na poltrona atrás de si. Não era dado a ficar se metendo na vida dos outros, mas agora as coisas estavam muito serias; ele pensou, passando a mão levemente pelas melenas lilases.
-Da licença; uma voz animada soou na porta. –Celina me disse que você estava aqui, só espero não estar lhe atrapalhando;
-De maneira alguma, entre; Mú falou sorrindo para a jovem de melenas azuis. –Como foi de viajem Aaliah?
-Ótimo, melhor impossível; Aaliah respondeu sorrindo, indo sentar-se numa poltrona em frente a escrivaninha. –Eu precisava falar uma coisa importante com você, Mú; ela começou de maneira seria.
-Creio que eu já saiba sobre o que é; ele falou, cruzando as pernas elegantemente.
-É, aquele italiano pisou na bola; Aaliah comentou aborrecida. –E precisa de ajuda profissional;
-Como? –o ariano indagou arqueando a sobrancelha diante do sorriso matreiro dela.
-Ouvi falar sobre as rosas e acredite, agora... O único que pode salvar a pele dele é você; ela falou taxativa. –Mesmo que ele não mereça ajuda alguma;
-O que esta propondo Aaliah? –Mú perguntou, levemente interessado.
-Uma parceria, eu tenho algumas idéias, mas sozinha não vou conseguir e aposto que você já tinha algo em mente também; ela comentou, vendo-o assentir. –Ótimo, duas cabeças pensam melhor do que uma;
-Então, só nos resta parar de pensar e começar a agir, não temos muito tempo; ele respondeu levantando-se.
-O que tem em mente, então? –Aaliah indagou curiosa.
-Vamos ter que improvisar, preciso que você vá a floricultura primeiro e depois lhe explico o que vamos fazer, tudo tem que estar pronto até a noite; ele avisou.
-...; ela assentiu seguindo-o templo a fora, enquanto começavam a trocar algumas idéias e pensar nas pessoas que iriam recrutar para cometer aquele milagre.
.V.
Bateu a ponta dos dedos insistentemente no tampo da mesa de vidro, acordar bem cedo com um telefonema, era normal quando se era um 'homem de negócios' como ele, mas aquele telefonema lhe deixara preocupado.
Por dois óbvios motivos dos quais um era que se não fosse grave, ela jamais ligaria e o outro, que até mesmo seu sexto sentido dizia que havia algo errado. Shina tinha seus motivos para querer distancia da 'famiglia', não a culpava, péssimos exemplos poderiam fazer verdadeiros estragos na vida de alguém, mas saber por Diana que ela estava preocupada com o primo, pela primeira vez em anos, dizia que Guilherme estava com problemas.
Ouviu a porta do escritório bater e Juliane entrar, vestindo roupas sóbrias e mantendo as longas melenas vermelhas presas num coque no alto da cabeça, provavelmente estava chegando de alguma reunião na Coliseu, no centro de Verona.
-Algum problema? –ela indagou, tirando os sapatos de salto, deixando-os num canto próximo à poltrona e sentando-se relaxadamente.
-Guilherme; ele respondeu, esclarecendo todas as duvidas dela.
-O que aconteceu com ele? –Juliane perguntou.
-Shina me contou que ele teve alguns problemas com Yuuri; Giovanni começou.
-Do tipo?
-Ele a pediu em casamento-...;
-E você julga isso um problema? –a jovem indagou levemente sarcástica. –Pelo menos ele tomou uma atitude, conheço muitos por ai que andam em ritmo de tartaruga para tomar esse tipo de decisão; ela falou num tom de leve provocação.
-Juliane; Giovanni falou com os orbes estreitos, sabendo aonde ela pretendia chegar com aquilo. –O problema de Guilherme é que ele, digamos, não soube se expressar direito;
-Como assim? –ela indagou confusa.
-É uma longa historia; Giovanni falou suspirando. –Mas depois eu lhe conto, preciso dar um telefonema agora; ele avisou.
-...; ela assentiu dando de ombros. Se havia uma coisa que ela já desistira de entender sobre aquela família, eram os homens.
Belos espécimes, quando vestidos de Armani e cheirando a 'uomini', porém... Tentar compreendê-los é um caso perdido, que nem Freud explica.
.VI.
Sentou-se em uma cadeira nos fundos da casa, o cheiro de pão quente vinha até si, agradavelmente saindo do forno. Não tinha animo para fazer muita coisa, muito menos sair de casa.
Já bastava a noite passada que ficara na casa de Shina, com ela e Milo, fora muito estranho aquilo, mas fazia tempo que não sentia-se tão animada. O Escorpião e a amazona formavam uma grande dupla, tinha até pena de Shura se essa história evoluísse para outras dimensões; ela pensou suspirando.
Ouviu o celular tocar em cima da bancada do armário e com muito custo levantou-se para ir buscá-lo.
-Alô;
-Yuuri?
-Senhor Giovanni? - ela falou confusa e igualmente incerta sobre ser realmente o canceriano do outro lado.
-Você esta ocupada? Porque se estiver eu ligo depois; ele adiantou-se.
-Não, esta tudo bem; Yuuri respondeu engolindo em seco. –"Tudo depende do ponto de vista... Será que estar bem, inclui desejos assassinos de matar o seu neto?"; ela se perguntou em pensamentos.
-Ahn! Yuuri, queria falar sobre um assunto delicado com você; o italiano começou.
-Olha, sei que o senhor gosta muito do seu neto, mas não vou mudar de idéia. Pode dizer isso a ele, se ele acha que mandando o senhor falar comigo vai mudar alguma coisa; ela exasperou, tentando conter as lágrimas que se formavam em seus olhos.
-Não estou ligando porque Guilherme me pediu, criança; ele falou ternamente. –Estou ligando porque estou preocupado com você, imagino que toda essa situação não esteja lhe fazendo bem;
-Não; Yuuri balbuciou, sentando-se em uma cadeira em volta da mesa.
-Quero que saiba Yuuri, que se precisar de algo, não hesite em me ligar. Guilherme pode ser meu neto, mas mesmo depois de velho ainda vejo necessidade de dar-lhe umas boas palmadas; o italiano falou tirando-lhe um fraco sorriso dos lábios. –Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me ligue, mesmo que só precise de alguém para conversar;
-Obrigada... É muito gentil em se preocupar; ela murmurou.
-Eu apenas me preocupo Yuuri; Giovanni falou seriamente. –E não, não é apenas porque você esta esperando um filho do meu neto. Você representa muito para Guilherme e eu costumo cuidar dos meus, e agora, você já faz parte da famiglia
-Mas...;
-Guilhermo e Helena ficariam felizes em saber que o filho esta em boas mãos; ele falou seriamente. –E no caminho certo dessa vez;
-Obrigada; ela sussurrou, com a voz embargada.
-Que os deuses estejam com você; ele completou.
-Igualmente;
-Até mais;
-Até;
Ouviu o telefone desligar do outro lado e deixou as lágrimas caírem, gostava muito de Giovanni, alias, sempre que o via não conseguia deixar de imaginar o quanto ele seria um avô carinhoso e super-protetor, tal qual Guilherme era muitas vezes, mas de qualquer forma isso não passava mais do que simples fantasia, pois ela e Guilherme não estavam mais juntos e a possibilidade de isso acontecer, era uma contra cem; ela pensou.
-o-o-o-o-o-o-
Andou de um lado para outro, fazia mais de três horas que ela deixara o templo e nada de vê-la novamente, não estava gostando disso, mesmo prometendo que iria confiar; ele pensou.
-Pare com isso, você esta me aborrecendo; Filipe falou, passando geléia de morango distraidamente sobre uma torrada, enquanto via o amigo quase abrir um buraco no chão de tanto arrastar os pés sobre o piso.
-E você, não sabe fazer mais nada alem de ficar ai? –Mascara da Morte reclamou indignado.
-Aaliah disse que iria dar um jeito, eu confio na minha filha; ele respondeu dando de ombros.
-Puff; o canceriano respondeu antes de ouvir o celular vibrar dentro do bolso da calça e atendê-lo de maneira impaciente. –Alô;
-É melhor que você tenha um bom plano para consertar a besteira que fez, porque se eu tiver que voar até ai, será para lhe dar uma surra; Giovanni vociferou do outro lado.
-Vovô; o canceriano falou chocado, principalmente ao ouvir o avô gritar, nem mesmo quando estava treinando para ser cavaleiro o avô agira assim.
-Conversei com Yuuri; Giovanni falou tendo de ser acalmado por Juliane do outro lado, antes que quebrasse o telefone entre as mãos.
-E... O que ela disse? –ele perguntou com a voz tremula.
-Não muito, mas é evidente que esta magoada com você; ele respondeu serio. –Guilherme. Guilherme... O que esta passando por essa sua cabecinha? Há pouco mais de um mês estava aparentemente tudo bem entre vocês, e agora você aparece com essa de fazer o pior pedido de casamento do mundo, onde esta sua sensibilidade italiana?
-Boa pergunta; Guilherme balbuciou, sentando-se, enquanto Afrodite empurrava em sua direção uma xícara de café.
-Ela esta triste e magoada; Giovanni proseguiu.
-Eu sei que fiz tudo errado, mas...;
-De um tempo a ela, espere as ferinas cicatrizarem. Por hora, tudo que você disser, só ira pior as coisas. Deixe-a se acalmar e querer lhe ouvir; o italiano falou. –Mas não desista e tente... Afinal, você é um Firenze;
-Não sei mais o que fazer; ele confessou.
-Desculpando-se com Mú já é um bom começo, afinal... Se você usasse um pouco a cabeça, ele não precisaria apelar para o tratamento de choque. Alias, fico me perguntando quem é o italiano da história agora?
-Como o senhor sabe? –ele indagou surpreso, ignorando a ultima parte sobre o italiano, antes que passasse a querer ainda mais ver aquele carneiro ser tosquiado.
-Digamos que uma pessoa que detesta ter ligações com a família, também esta preocupada com você e me contou tudo;
-"Shina"; o canceriano pensou surpreso.
-Entendo que você tenha se sentido ameaçado, alias, isso é normal em qualquer relacionamento. Seus pais também tinham seus desentendimentos e na maioria das vezes Guilhermo ia parar no sofá sem direito a um misero 'Boa noite', mas ele também sabia ser paciente e admitia seus erros; ele completou.
-Não sou metade do que ele foi; Guilherme murmurou pesaroso.
-Cada um é cada um, meu filho; Giovanni respondeu. –Não perca a fé;
-Vou tentar;
-Comece pelo principal, o tempo ira lhe encaminhar... Se precisar de algo, me ligue;
-Está certo;
-Ah! É melhor passar a usar a cabeça daqui por diante, a idéia de ir até ai para lhe dar uma surra ainda é tentadora; ele avisou.
-Certo... Certo... Um abraço; Guilherme falou, dando por encerrada a conversa, sabia perfeitamente que ele não estava brincando quanto aquilo.
-Outro; Giovanni respondeu, desligando em seguida.
-Algum problema? –Afrodite perguntou arqueando levemente a sobrancelha.
-Vovô conversou com a Yuuri; ele limitou-se a responder.
As coisas estavam cada vez mais complicadas, agora só um milagre mesmo para ajeitar tudo.
. VII.
Fazia já algumas semanas que não ia ali, mesmo que procurasse só fazer isso uma vez por mês, agora não sentia mais necessidade.
As portas de vidro abriram-se quando entrou e o ar gelado do ar-condicionado deu-lhe um abraço veloz, fazendo as melenas esverdeadas caírem com suavidade por seus ombros.
-Isadora, querida. Há quanto tempo? –uma senhora muito bem arrumada veio recepcioná-la.
-Madame Dayene; ela falou, carregando a pronuncia francesa. –Como vai?
-Bem querida, mas faz mais de um mês que não a vemos; a senhora falou, com os imensos cachos vermelhos presos por uma fina de seda. –O de sempre?
-Não dessa vez; Isadora respondeu, enquanto ela lhe guiava salão adentro, onde a conversa rolava animada entre manicures, cabeleireiras, esteticistas e as clientes.
-Então, o que vai ser? –Dayene indagou curiosa. –Decidiu finalmente pelo loiro, menina? Se eu tivesse seus olhos, seria uma loira deslumbrante;
-Quem sabe? Mas eu realmente não me vejo loira; Isadora brincou, temendo até se imaginar nessa situação, sempre fora acostumada com seus cabelos naquela cor que radicalizar assim tão de repente era traumatizante. –Mas quero a cor original;
-Mas...; a senhora balbuciou surpresa.
A conhecia a tempo suficiente para saber de cor seus motivos para fazer luzes e retoques uma vez por mês, mas essa mudança repentina era um choque.
-Tem certeza?
-...; Isadora assentiu.
-Uhn! A ocasião deve ser especial, não? –a senhora indagou curiosa.
-Vou jantar com meu pai esta noite; a jovem respondeu vendo os olhos da senhora se iluminarem.
-Eliot Ermond está aqui em Atenas então? –ela falou animada.
-Ahn! Ainda não; Isadora respondeu hesitante diante daquela reação.
-Aposto que ele ainda esta em ótima forma não... Porque eu bem me lembro de como seu pai era um homem muito atraente; a senhora falou, desfiando mais uma serie de elogios ao antigo cavaleiro.
Deu um baixo suspiro, balançando a cabeça levemente para os lados, só esperava que o pai não caísse duro no chão quando lhe visse, já estava na hora de parar de brigar contra alguns demônios, devia isso ao primo, pelo menos isso.
-o-o-o-o-o-o-
Subiu as escadarias em direção ao primeiro templo quando viu os três surgirem a sua frente, arqueou a sobrancelha diante da quantidade de sacolas que eles tinham em mãos, mas o que raios eles iam fazer?
-Ah Shina, que bom você ter aparecido; Aaliah falou voltando-se para ela. –Poderia nos dar uma mãozinha aqui? –ela indagou.
-Claro; a amazona respondeu seguindo com eles para dentro do templo e pegando algumas sacolas. –Mas o que vão fazer com essas coisas? –ela indagou, vendo muitos tecidos dentro das sacolas, dos quais pode notar que alguns eram vermelhos, enquanto outros eram em tons de bege, mas com cores bem quentes e vivas.
-Grandes problemas, requerem medidas extremas; Mú respondeu, seguindo para a cozinha, enquanto Celina e Aaliah paravam com ela na sala, deixando as sacolas sobre os sofás.
-Do que exatamente estamos falando? –a amazona indagou, enquanto as duas garotas desempacotavam as coisas.
-Vamos tentar ajudar o Guilherme; Celina respondeu displicente.
-É, agora ele precisa de uma ajuda realmente divina pra consertar a besteira que fez; Shina concordou.
-Por isso, eu vim falar com o Mú; Aaliah falou com um largo sorriso. –Precisamos de ajuda profissional nesse caso;
-Shina, se importa de me ajudar? –a voz do ariano veio da cozinha.
-Não, estou indo; ela respondeu seguindo até lá ainda intrigada com o que eles iriam fazer.
-Uhn! Será que eu fico bem de odalisca? –Aaliah comentou, enquanto dobrava um dos tecidos que tinha em mãos, tão vermelho quanto fogo.
-Por quê? –Celina perguntou confusa, quando as duas ficaram sozinhas.
-Bem...; a jovem balbuciou corando. –Só curiosidade; ela respondeu, vendo que a amazona não parecia muito convencida com sua resposta.
Mas o que iria dizer? Cada um tinha seus fetiches oras... Não saia por ai especulando sobre os dos outros e essa viajem de Shaka estava lhe matando, mal se passaram vinte e quatro horas e já pensara em ligar para ele pelo menos umas vinte vezes nos últimos vinte segundos.
-Mas eu ainda me pergunto de onde o Mú tirou essa idéia? –Aaliah mudou rapidamente de assunto diante do olhar perscrutador de Celina.
-Mestre Mú sabe o que esta fazendo; Celina respondeu veemente. –Mesmo que eu também não faça a mínima idéia do porque ele comprou todos aqueles ingredientes de comida árabe, nem pra quem ele tanto ligou nas últimas duas horas enquanto comprávamos as coisas; ela completou.
-...; Aaliah assentiu.
É, aquele ariano estava cheio de mistérios, que mal se cabia em si de curiosidade para saber com quem ele falara tanto por telefone e porque lhes mandara até a loja de tecidos mais próxima onde poderiam encontrar aquelas cores, enquanto ia até o mercado principal procurar algumas coisas para cozinhar.
Uhn! Será que ele toparia a idéia de abrir consigo uma agencia de consultoria, poderiam ajudar muitos desesperados dessa forma; Aaliah pensou, abafando o riso. E o pai, certamente era o próximo da lista.
Continua...
