.::DE VOLTA AO VALE DAS FLORES::.
By DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Astréia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
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Capitulo 34: A um passo do fim.
.I.
Encontrou entre as toalhas e demais acessórios do banheiro, uma túnica alaranjada. Vestiu-a rapidamente e foi encontrar o cavaleiro, que já lhe esperava para o café. Respirou fundo, indo sentar-se em uma das almofadas, próximo a ele.
-Bom dia; Yuuri falou um pouco hesitante, enquanto o vi servir um pouco de chá numa xícara e lhe estender em seguida.
-Bom dia; ele limitou-se a responder.
Levou a xícara aos lábios, observando-o por sobre a borda de porcelana, não entendia porque ele parecia agir de maneira tão fria se na noite anterior ele mostrara um lado que jamais fira antes. Aquele frágil que duvidava até que o próprio Giovanni algum dia tenha visto; ela pensou preocupada.
-Pensei que quisesse mudar as coisas? –ela comentou, quando o silêncio começou a se tornar insuportável e o chá a descer amargo por sua garganta.
-Uhn? –ele murmurou voltando-se para ela.
-Está arrependido? –a amazona indagou.
Fitou-a longamente, ouvindo a voz dela ecoar em sua mente. Se estava arrependido? Não, decepcionado era a palavra certa, principalmente quando acabava de comprovar que ela não lhe conhecia tão bem quanto pensava.
-Pareço arrependido? –o cavaleiro rebateu, mas viu-a arquear a sobrancelha. –Não, decepcionado talvez; ele respondeu por fim.
-Com o que? –Yuuri indagou hesitante.
-Com tudo isso; Guilherme respondeu gesticulando nervosamente. –Mas principalmente quanto ao fato de você me conhecer tão pouco; ele completou com um olhar pensativo, quase serrado.
-Houve um tempo que eu pensei que conhecia; ela murmurou.
-Ah sim, aposto que isso foi antes de você colocar na cabeça, de que só tinha valor pra mim, quando aquece minha cama; ele rebateu, elevando o tom de voz.
-Não faça parecer sórdido; Yuuri rebateu indignada.
-Ah, mas foi exatamente assim mesmo que me soou quando você jogou na minha cara isso; o italiano exasperou. –Até ontem eu pensei que o que tínhamos era algo especial, mas foi você que fez parecer tudo sórdido quando deu a entender que o valor que eu lhe atribuía era limitado apenas a amante;
Encolheu-se instintivamente, sentindo os orbes marejarem vendo o olhar magoado dele, enquanto parecia alheio a sua presença ao levar a xícara de chá aos lábios. Nunca pensou que ao rebater as acusações dele na noite passada, fosse acabar magoando-o mais do que estava magoada com ele.
Mas a necessidade de se auto-preservar foi mais forte e só viu uma escapatória para o turbilhão de pensamentos que se formara em sua mente, atacar.
-Eu não quis dizer aquilo; ela murmurou.
-Sim! Você quis dizer; Guilherme falou num tom frio. –Mas em um ponto você está certa; ele falou voltando-se para ela. – Eu errei ao me expressar e errei também ao quer forçá-la a se casar pelos motivos errados. Nunca fui expert em comunicação, mas achei que existiam outras formas de deixar claro o quanto você era importante para mim, entretanto não pensei na possibilidade de você interpretar de forma errada;
-Eu... Quero recomeçar; a jovem falou num fraco sussurro.
Voltou-se para a amazona, franzindo o cenho preocupado ao vê-la tão pálida. Olhou para a mesa, encontrando alguns biscoitos de água e sal e lhe estendeu.
-É melhor comer, antes que você acabe ficando mais enjoada; ele falou preocupado.
Às vezes se perguntava como mulheres grávidas conseguiam sobreviver nove meses com enjôos matinais, desejos sinistros e uma série de outras coisas atribuídas à gravidez. Era por essas e outras que agradecia a paciência e determinação de sua santa mãezinha, porque definitivamente se estivesse no lugar dela, a situação ia ser bem diferente.
-Se você não quiser, eu vou entender; Yuuri balbuciou, enquanto tomava mais um gole de chá, seguido das bolachas, que aos poucos aplacavam o mal estar.
-Não vou desistir de nós, Yuuri; Guilherme falou, pousando a mão sobre a dela.
Os orbes azuis pareciam tão intensos e determinados, que ela teve certeza de que ele não estava mentindo, nem blefando.
-Nunca mais pense novamente que eu possa desistir daquilo que temos, independente de qualquer coisa; ele falou, levando a mão dela aos lábios e pousando um beijo carinhoso sobre a palma. –Eu te amo e vou provar isso, basta apenas nós nos darmos uma chance de fazer direito dessa vez; o canceriano completou, vendo-a em seguida assentir, concordando.
.II.
A vida era engraçada, ou seriam as Deusas do Destino que são muito irônicas? Bem, se estivesse no lugar de Olhos Vermelhos, certamente diria que são elas, irônicas e sádicas, aquelas três senhoras acham deter nas mãos e em fios dourados o poder da vida de alguém.
Um mês já havia se passado, brincando, brincando; ela pensou contendo um sorriso. Pensou no vaso sobre a bancada de vidro na floricultura, contendo um suspiro. Todos os dias, de cinco a seis rosas chegavam. Entretanto, não eram mais como as primeiras, que possuíam um tom raro de cobalto, mas sim, mais claras, como os cabelos de Filipe.
Pendurou a bolsa no ombro, enquanto saia do consultório acompanhada de Minos. Hoje seria o dia que Shaka estaria chegando da Índia com Astréia e Shion organizara uma recepção para ele no último templo que também serviria para comemorar o aniversário do cavaleiro.
Alias, o plano inicial era de fazer um aniversário coletivo, aproveitando que Saori também fazia em Setembro, mas como a jovem estava bem longe da Grécia e ao que tudo indica, não iria voltar tão cedo, principalmente agora que fora comprovado que Aioros estava junto com ela, graças a um telefonema de Shun para o santuário, avisando da viajem ao Brasil e da repentina mudança de planos um mês depois, quando o casal partiu para a Holanda, aproveitando a primavera européia. Decidiram fazer a festa para o primeiro virginiano que voltasse de viagem, no caso, Shaka.
Viu o primo abrir a porta do carro, dando-lhe passagem para entrar primeiro. Para finalizar aquele mês, ainda recebera na semana anterior a visita inesperada do jovem Marchand, mas ironicamente ou não, Milo estava junto e isso já foi o suficiente para tornar breve a conversa, em que ele desculpava-se pelo primeiro inconveniente e por ter sido, ahn como ele dissera mesmo? Irritantemente convencido de que ficaria com um dos quadros.
Abafou o riso, apesar de tudo ele era uma gracinha, mas excessivamente petulante; Isadora pensou balançando a cabeça levemente para os lados. Agora que tudo estava se encaminhando como deveria ser, sentia-se estranhamente aliviada.
-Para onde agora? –Minos indagou, chamando-lhe a atenção.
-Pode me deixar no aeroporto? –Isadora perguntou, enquanto colocava o cinto.
-Claro; o primo respondeu antes de ligar o carro.
Prometera encontrar Aaliah no aeroporto, a amiga lhe pedira para estar lá e bem, não podia negar um pedido assim, por mais que houvesse lutado bravamente para manter-se longe naqueles últimos trinta dias.
Por falar nisso, seu pai iria embora no dia seguinte, Eliot passara aquele mês em Atenas e depois de encontrar com Dona Dayene algumas vezes e a senhora quase arrastá-lo para o altar, ele decidiu que o melhor seria voltar para a casa.
Naquele meio tempo que pode conviver com Eliot, descobriu como nascera o Jardim das Rosas, ele e a mãe haviam passado por uma época conturbada no santuário, mesmo que as guerras ainda não houvessem começado.
Ambos eram membros importantes da aristocracia européia e ao decidirem tornarem-se cavaleiro e amazona, deixaram muitas coisas para trás, principalmente à família.
Eles haviam se conhecido por acaso, alias, graças a um amigo em comum que os apresentara, mas naquela época, eles nunca haviam pensado que acabariam se casando quando ambos voltassem ao santuário seis anos depois de sagrados cavaleiros, com seus pupilos e prontos para começar uma nova vida.
Eliot falou que sempre fora apaixonado pela mãe, mas como Isabel levava muito a serio sua missão como amazona, ele não tinha chances de combater alguns paradigmas que ela cultivava, como levar ao pé da letra o dogma das amazonas. Assim, a única forma que ele encontrou de se aproximar foi pedindo a Isabel que lhe ensinasse a criar rosas.
O pai contou que Isabel rira, achando um absurdo que ele, um cavaleiro de ouro quisesse aprender com uma amazona de prata uma técnica de conjuração de rosas, usando o cosmo. Mas ele foi veemente, mesmo porque, era a única chance que tinha.
Ainda hesitante, Isabel aceitou e assim, começaram uma longa relação de amizade que durou exatos três anos, quando chegou a mensagem do Grande Mestre convocando-os ao último templo, aonde foram avisados de que ambos teriam de voltar a terra natal com um pupilo, para ser o sucessor a armadura.
Os pais passaram exatos seis anos sem se ver, mas antes de partir, Eliot mudara toda a estrutura do último templo, criando uma passagem para as grutas de cristal que existiam ao pé da baia de Bejunte que inicialmente só se tinha acesso pelo mar, mas que agora possuíam um caminho até o santuário de Athena através do templo de Peixes.
Para completar o cenário, ele criara o jardim das rosas, preenchendo a gruta com as rosas preferidas de sua mãe, as azuis e as vermelhas, deixando que depois elas fossem crescendo naturalmente entrelaçadas.
Depois que os seis anos passaram, eles se reencontraram e ficar junto, tornou-se a melhor opção. Se amavam cada vez mais e decidiram se casar.
Algo dentro de si, dizia que seu pai ainda amava muito sua mãe. Entretanto, não se sentia ainda preparada para passar uma borracha no episódio 'Heloisa'. Mesmo depois de tudo que Ana já lhe dissera.
-E então, como foi? –Minos indagou, como quem não quer nada.
-Bem; Isadora respondeu, colocando o cinto. –Conversei bastante com Ana sobre aquele episódio; ela comentou.
-E o que ela disse? –ele perguntou curioso.
-No começo, quando eu conversava com ela sobre isso, ela dificilmente tecia algum comentário, você sabe, ela não pode tomar partidos; Isadora explicou. –Mas ela disse que eu não posso generalizar a minha falta de confiança nas pessoas, apenas por causa de um exemplo ruim;
-Um péssimo exemplo, você quer dizer; o juiz falou em tom serio. –Heloisa era detestável;
-Era, mas não sei, na minha inocência de criança, eu achava que poderia ter sido diferente, até...;
-Até você pegá-la com o amante na cama, contar ao tio e ele não acreditar; Minos falou.
Sabia que toda a revolta de Isadora, não era apenas por causa das ações ardilosas de Heloisa, mas sim por conta daquele episódio que marcara de vez a vida da prima e que ela nunca conseguira falar abertamente sobre aquilo com outra pessoa.
Quando Isadora deixou Estolcomo e há encontrou um tempo depois, por uma feliz coincidência, ela ainda estava lambendo as feridas e tentando se recuperar, mas existiam feridas que não iriam se fechar e que alias, até agora estavam abertas, mesmo quase dezoito anos tendo se passado.
Compreendia que apesar de amar o pai, a confiança que depositara nele havia se quebrado, no exato momento que Eliot brigou com a filha, dizendo que ela não sabia o que estava falando quando disse que a madrasta estava fazendo 'respiração boca a boca' no limpador de piscina em cima da cama dele e ambos não estavam usando roupas de banho.
Definitivamente aquilo era de traumatizar um santo; ele pensou segurando um pouco mais forte o volante. Se Heloisa estivesse viva, teria imenso prazer em matá-la novamente. Aquela mulher redefinira o terno ser cruel e não merecia piedade ou consideração.
-É; Isadora concordou, contendo um suspiro. –Ou talvez eu só precisava de uma válvula de escape para superar a saudade;
-A saudade às vezes pode ser enlouquecedora; Minos concordou. –Mas você conseguiu, esta aqui. Continua a lutar por sua vida e não desistiu de seguir seus sonhos;
-Você falando assim parece tão fácil; ela murmurou, apoiando a cabeça no vidro da janela, vendo as ruas passarem.
Sua terapeuta dissera a mesma coisa, que deveria colocar numa balança tudo aquilo que já vivera. Dividindo os momentos ruins dos bons e pesar aquilo que realmente valera a pena. No fim, iria compreender que tinha mais coisas boas para se apegar, do que as magoas que infelizmente pareciam ter um peso maior.
No começo, quando Minos apareceu e lhe falou sobre o trabalho de Ana, não levou muito a serio, infelizmente ainda existiam os estigmas demais em cima de algumas profissões. Como o trabalho executado por psicólogos e até mesmo por psiquiatras. Mas acabou cedendo à curiosidade e marcou a primeira consulta.
Estava nervosa naquele dia, afinal tudo estava acontecendo tão rápido, mas o primo lhe acompanhara e estivera a seu lado, pouco antes de entrar no consultório e ver-se frente a frente com uma mulher já de certa idade, com olhar gentil e carinhoso, que lhe pedira para sentar e falar se sentisse vontade.
Passara seus sessenta minutos de consulta no mais completo silêncio. Não sabia o que falar ou de que forma colocar tudo que estava em sua mente para fora. Mas fora um alivio saber que, no dia seguinte quando voltasse para a outra seção, ela não faria perguntas e sim, esperaria que seu tempo chegasse para falar.
Nas três últimas semanas as coisas estavam fluindo mais facilmente. Fazia terapia pelo menos três vezes na semana em horários alternados. Não contara nada ao pai, de certa forma ainda não estava preparada para dividir com ele algumas coisas de sua vida. Então preferiu seguir à diante com as consultas e quando chegasse à hora. Falaria.
-Ás vezes eu não preciso falar nada; Isadora falou com o olhar perdido. –É como se ela soubesse o que estou pensando;
-Ela é uma boa pessoa; Minos falou dando um baixo suspiro. –Às vezes o que mais nos ajuda, é conversar com alguém que não está envolvido com a nossa vida;
-É, eu gosto de conversar com ela; a jovem respondeu sorrindo.
-Que bom; Minos falou, ficando em silêncio por alguns segundos.
Quando indicara Ana para a prima, queria que ela enterrasse tudo aquilo de uma vez e que ele, de certa forma, pudesse se desprender aos poucos daquilo que sentia.
Não estava disposto ainda a admitir que aquilo que realmente sentia por Isadora era mais um instinto de proteção do que realmente, aquela paixão avassaladora que julgava ser na adolescência.
Isadora jamais deixaria de representar a melhor parte de si e de sua vida, mas também precisava cortar algumas arestas que ficaram pelo caminho e construir seu próprio caminho. Mas primeiro, queria que ela se encontrasse; ele pensou, quando tomou a vida principal rumo ao aeroporto.
.III.
Um largo sorriso surgiu em seus lábios antes de disparar, numa corrida alucinante pelo aeroporto, ao longe ouviu o pai lhe chamar, pedindo que esperasse, mas optou por não lhe dar ouvidos. Já se passara um mês, iria enlouquecer se tivesse de esperar mais alguns minutos para tê-lo consigo.
-Shaka! –Aaliah gritou, fazendo muitas pessoas afastarem-se rapidamente para dar-lhe passagem, antes que acabasse derrubando alguém.
No portão de embarque o cavaleiro saia calmamente seguido por Astréia, a senhora de melenas douradas sorriu acenando para Aaliah e dizendo algo ao filho, afastou-se.
Voltou-se para ela, sentindo o coração disparar e bater diretamente na garganta, estava morrendo de saudades; ele pensou, antes de seguir na direção da jovem.
O tempo pareceu congelar, antes que seus braços envolvessem o corpo da namorada suspendendo-a a centímetros do chão e seus lábios se encontrassem. O mundo agora resumia-se apenas aquele instante e nada mais, sem regras, sem preocupações, nem mesmo a um Afrodite histérico ameaçando lhe mandar para o tártaro se não soltasse Aaliah faria diferença.
-Estava morrendo de saudades; Aaliah sussurrou, ao afastarem parcialmente os lábios.
As respirações quentes e descompassadas pareciam embriagá-los a cada segundo e não contribuíam nem um pouco para que se lembrassem que não estavam sozinhos, principalmente se fossem analisar o fato de que agora estavam no meio do aeroporto, trocando beijos e caricias, enquanto a jovem tinha as pernas em torno de sua cintura e os braços bem presos em seu pescoço.
-Eu também; Shaka sussurrou, roçando-lhe os lábios suavemente.
-Como foi de viagem? –a jovem perguntou, pousando a testa sobre a dele.
-Bem, apesar de eu quase ter enlouquecido e adiantado as passagens pelo menos cinco vezes; ele confessou, antes de soltar uma das mãos que envolviam a cintura da jovem, para acariciar-lhe a face rosada. –Nunca mais quero ficar longe de você;
-Nem eu...; Aaliah sussurrou, antes de beijá-lo novamente, matando toda aquela saudade com a paixão que crescia entre ambos a cada segundo, mesmo quando estavam distantes.
-Cof! Cof! Cof! –uma tosse seca, chamou-lhes a atenção.
Viraram-se com um olhar displicente para o pisciano que parecia a ponto de matar alguém, entretanto isso não foi o suficiente para fazê-los se separarem.
-Como vai, Afrodite? –Shaka perguntou com um sorriso quase cínico.
-Vou me abster do direito de permanecer em silêncio, antes que você se torne um homem morto; o pisciano falou em tom perigoso.
-Pai; Aaliah falou em tom de aviso, com os orbes serrados, enquanto apoiava a cabeça sobre o ombro do cavaleiro.
-Aaliah, desça de cima dele, agora; Afrodite mandou vendo-a fazer beicinho e negar com um aceno.
-Afrodite, você não acha que ela é bem crescidinha para decidir o que quer ou não? –Shaka rebateu provocando-o.
-E você criou quantas filhas para saber disso? –o pisciano rebateu mordaz.
-Por favor; Aaliah pediu, vendo os ânimos se inflamarem. Mesmo tendo passado todo aquele mês preparando o pai psicologicamente para aquele momento, Afrodite não parecia estar aceitando muito bem a idéia de ter de lhe dividir com Shaka; ela pensou surpresa.
Alias, eram bastante estranhos os hábitos possessivos que ele desenvolvera no último mês, principalmente quando contara a ele sobre as longas conversas que tivera com Shaka e Isadora nos primeiros meses no santuário, aos quais ele não fazia idéia que havia acontecido. Era estranho, mas ainda não conseguia aceitar que seu pai estivesse com ciúmes; ela pensou.
-Nenhuma por enquanto, mas não me importaria de criar umas cinco ou seis, se forem tão lindas quanto Aaliah; ele rebateu, antes de voltar-se para a jovem e pousar um beijo em seus lábios.
-O que? –o cavaleiro berrou ante a possibilidade de virar avô.
-O que você prefere querida, meninos ou meninas? –Shaka perguntou, voltando-se para a namorada.
-Você esta falando sério? –ela perguntou surpresa, ao compreender aonde ele queria chegar.
-Eu preferia fazer isso em outro momento, não no meio de um aeroporto, mas duvido que Afrodite vá nos dar algum tempo a sós, depois daqui; ele falou, calmamente colocando-a no chão, antes de retirar uma pequena caixinha de dentro do bolso.
-Uhn! –Aaliah murmurou confusa, enquanto um Afrodite furioso era contido por Astréia que lhe lançou um olhar envenenando, fazendo-o se calar.
-Quando passamos pelo Tibet, eu encontrei o artesão que o fez; ele começou, apontando para a corrente que tinha no pescoço. O laço eterno de Seth e Astréia. –E achei que fosse um sinal, como tudo que veio acontecendo entre nós desde o começo. Como algo predestinado;
-Shaka; ela sussurrou, vendo o mesmo abrir a caixinha e retirar de lá um cordão dourado, com um pingente em forma de coração tão vermelho quanto fogo e elos em tom acobreado a envolver o mesmo, até formar na lateral um pequeno e discreto fecho.
-Eu queria planejar um jantar romântico a luz de velas para essa ocasião, mas temo que todos os anos de treinamento para desenvolver a arte de ser paciente, foram por terra desde que você entrou em minha vida. Por isso não consigo esperar mais para saber; ele falou, fazendo uma pequena pausa para tomar fôlego. –Aaliah, você quer se casar comigo?
Ai vai à pergunta de um milhão de dólares! Ela pensou, olhando-o quase em estado de choque, o aeroporto todo parou reunindo-se em um grande circulo em volta deles, enquanto ela tentava manter-se em pé, já que suas pernas pareciam tremer mais do que vara verde, como diria Aldebaran.
-Claro que sim; ela respondeu com os orbes marejados, antes de lançar-se aos braços dele.
Sentiu o metal frio deslizando por seu pescoço e o fecho se fechar completamente, enquanto o laço eterno pendia até o vale entre os seios.
-Amo você; ele sussurrou, abraçando-a fortemente, no momento que uma infinidade de gritos e aplausos irrompeu pelo aeroporto.
-Mas é claro que não; a voz de Afrodite interrompeu-os. –Onde já se viu, Aaliah é muito nova pra se casar;
-Fique quieto, Filipe; uma voz familiar e igualmente marcante soou as costas do cavaleiro.
Todos viraram-se na direção dela, vendo com surpresa a jovem de melenas verdes se aproximar, com um olhar no mínimo assassino ao pisciano.
-Isadora; Afrodite falou engolindo em seco.
-Isa; Aaliah falou cautelosa.
-Parabéns, vocês merecem ser felizes; Isadora falou com um sorriso complacente antes de parar próximo ao casal. –E não se preocupem, ele mais late do que morde; ela completou, indicando o pisciano que estava prestes a ser apedrejado pelo aeroporto todo, que ainda estava empolgado com o resultado positivo do pedido de casamento.
-Hei!
Voltou-se para ele, com um olhar que expressava claramente suas intenções assassinas, fazendo-o se aquietar, antes de abrandar o olhar e fitar a jovem de maneira cúmplice.
-Pai de primeira viajem; as duas falaram juntas antes de rirem.
-Uhn! Acho que andei perdendo alguma coisa; Shaka comentou confuso.
-Não se preocupe, Aaliah vai ter tempo de colocá-lo a par de tudo; Isadora falou, piscando marotamente para a jovem. –Bem, como já os cumprimentei, vou deixá-los irem logo para o santuário, nos vemos mais tarde;
-Como? –Shaka perguntou confuso.
-Longa historia... Mas se o Afrodite os aborrecer muito, lembrem-se que sempre existira Gretna Green; Isadora brincou.
-Hei! Pare de dar idéias; Afrodite reclamou, aproximando-se.
-Se precisarem, tenho alguns conhecidos por lá que podem providenciar tudo; ela completou sem dar importância aos resmungos do pisciano.
-Obrigado; Shaka agradeceu, com um sorriso matreiro, dando a entender que a idéia não era de todo ruim. –Vamos? -ele falou, voltando-se para Aaliah.
-...; A jovem assentiu. –Até mais Isa, papai estamos indo na frente, procure se acalmar enquanto isso; ela completou.
-Menina abusada; Afrodite resmungou.
-Não, é você que esta ficando velho; Isadora provocou, antes de seguir até Astréia.
-o-o-o-o-
-O que a Isa quis dizer com Gretna Green? –Aaliah perguntou, enquanto colocavam as malas no táxi.
-Gretna Green é uma cidade na Escócia, que faz fronteira com a Inglaterra; ele explicou, antes de abrir a porta para que ela entrasse. –Antigamente, alguns casais que os pais tentavam impedir de se casarem, fugiam para lá e se casavam as escondidas.
-Sério? –ela perguntou interessada.
-Sim, naquela época, em meados dos anos 1600 até o inicio de 1900, os casamentos eram facilitados na Escócia, diferente das leis inglesas, cheias de burocracia, apenas para arrecadar dinheiro de contribuintes desgostoso; ele explicou torcendo o nariz. –Então, era mais fácil fugir para a Escócia e se casar rapidamente do que ficar esperando quase seis meses para uma licença de casamento sair;
-Sem contar que uma fuga assim era bem mais excitante; Aaliah falou em tom de provocação.
-Uhn! Então suponho que você não seja tão avessa à sugestão da Isa? -ele comentou, com um sorriso matreiro, antes de sentar-se a seu lado, enlaçando-a pela cintura.
-Talvez; Aaliah respondeu de maneira enigmática. –Mas e Astréia? –ela perguntou, dando por falta da senhora.
-Ela disse que tinha algumas coisas para resolver, mas que nos veria a noite no santuário; ele respondeu.
-...; Aaliah assentiu, pousando a cabeça sobre o ombro dele e serrando os obres.
Finalmente estavam juntos e no fim, era só isso que importava...
-o-o-o-o-o-
-Então? –Isadora comentou, como quem não quer nada, ao se aproximar da senhora de melenas douradas.
-Deu tudo certo; Astréia falou sorrindo de maneira quase aliviada.
-Quem bom; ela comentou. –Apesar de ele ser muito teimoso, imaginei que Shaka não iria conseguir ficar indiferente por muito tempo;
-Você também ajudou bastante tendo indo até Visby; Astréia comentou.
-Por falar nisso, se encontrar Olhos Vermelhos de novamente, poderia lhe agradecer por mim? –Isadora perguntou de maneira enigmática. A conversa com ele naquela tarde em Vale das Flores fora bastante esclarecedora, depois daquele dia, começara a prestar mais atenção em si mesma e nos caminhos que pretendia traçar. Enfim, aprendera a lição e não iria deixar mais sua vida na mão daquelas três senhoras novamente.
-Por que não faz isso pessoalmente? –a senhora rebateu com um fino sorriso, vendo o pisciano se aproximar por trás dela.
-Duvido muito que eu vá vê-lo novamente; Isadora comentou contendo um suspiro. –O pior é que eu ainda sinto meus dedos formigarem de vontade de mexer naqueles cabelos; ela falou com a face quase escarlate, por isso.
-Você não tem do que se envergonhar. Emmus é realmente um homem muito atraente; Astréia falou com um sorriso complacente.
-Atraente? Isso é pouco; Isadora falou. –Convenhamos Astréia, aquele homem é uma delicinha ele simplesmente reinventou o termo ser sexy; ela falou com um tom evidentemente malicioso, ouvindo um leve rosnar não muito longe dali.
-É melhor você ir, antes que Shaka e Aaliah precisem realmente apelar para Gretna Green; ela brincou vendo o pisciano ficar vermelho.
-Até mais; a jovem falou contendo o riso ao se despedir.
-Até; Astréia falou antes de tomar o caminho oposto. Tinha que conversar com alguém antes de ir encontrar o filho no santuário. Mas agora sim podia dizer que finalmente as coisas estavam indo pelo caminho certo.
Suspirou pesadamente antes de virar-se e encontrar o pisciano lhe fitando de maneira nada agradável. Arqueou a sobrancelha levemente.
-"Well... ainda existem assuntos inacabados"; Isadora pensou. –Algum problema, Filipe? –ela indagou com ar inocente.
-Imagina, problema algum; ele falou sem esconder o sarcasmo. Entretanto nem todo sarcasmo do mundo eram suficiente para mascarar o ciúme que estava sentindo do individuo que ela mencionara há pouco ou da forma pouco discreta com que se referira a ele.
-Se você diz... Mas então, veio de táxi? –Isadora indagou casualmente.
Pedira a Minos que apenas lhe deixasse no aeroporto e fosse até sua casa pegar os quadros para levar ao santuário. Então, teria de voltar de táxi agora; ela pensou.
-Vim, mas como Aaliah já foi na frente; ele falou dando de ombros.
-Ótimo, como vamos para o mesmo lugar, espero que não se importe de dividirmos a corrida; Isadora falou seguindo pelo aeroporto até a saída.
-Como? –ele indagou confuso, seguindo-a.
-Minos me deixou aqui e tinha outras coisas a fazer, por isso eu o avisei para não me esperar, por isso vou voltar de táxi, mas se você preferir ir sozinho; ela falou dando de ombros.
-Não, não... Eu vou junto; Filipe apressou-se em dizer.
Depois de um longo mês, as coisas pareciam estar tomando um caminho mais tranqüilo agora; ele pensou lembrando-se da conversa que tivera com aquele estranho rapaz no vilarejo.
Talvez isso tenha sido parte das mudanças, na época não estava ainda pronto para admitir algumas coisas sobre sua própria vida, mas ouvir tudo da perspectiva de outra pessoa, lhe fez ver que uma atitude precisava ser tomada e novas escolhas feitas; o pisciano pensou antes de tomar a frente e abrir a porta para que ela entrasse primeiro.
.IV.
Trocou rapidamente de roupa, a intenção inicial era fugir do tumulto que estava o último templo, mas estava cansada de toda aquela correria; ela pensou, antes de deixar o quarto.
Faltavam muitos ainda para chegarem, mas conseguiu essa folguinha com a mãe para descer, tomar um banho e descansar um pouco. O mestre, para variar havia sumido. Aliás, ultimamente ele andava fazendo isso com freqüência; ela pensou intrigada.
Sabia que ele estava se esquivando do pai, evitando que o nome do tio viesse à baila novamente, mas não podia negar a curiosidade que sentia, com relação à verdadeira história.
Já ouvira Aiolia e Marin contarem uma boa parte sobre tudo que havia acontecido, pouco antes do pai morrer e de Ares assumir seu lugar como Grande Mestre, mas tudo isso era da perspectiva de terceiros, sua curiosidade maior consistia em ouvir a história do mestre, da perspectiva dele, que teve de suportar as sandices do tio; ela pensou.
Estava chegando à sala quando o telefone tocou. Suspirou pesadamente, era melhor atender, deveria ser o mestre ou até mesmo alguma coisa importante.
-Alô; Celina falou. Entretanto do outro lado tudo continuou mudo.
Repetiu outras três vezes, mas nada, será que era realmente uma ligação, ou apenas uma discagem errada? -ela se perguntou.
-Alô!
-Celina! - a voz grave e levemente enrouquecida do outro lado lhe fez estremecer. Engoliu em seco, sentando-se na beirada do sofá. Sabia quem era, não tinha duvidas disso.
-Kanon! –ela falou quase num sussurro.
Há dois meses não tinha noticias do cavaleiro, alias, só soubera apenas que a viajem fora tranqüila e que ele chegara a Dublin bem, através de um comentário de Saga, em um dos cafés no último templo, mas depois disso, nada mais.
-Ahn! Espero não tê-la acordado, antes de ligar não vi que horas eram ai; ele desculpou-se, tentando conter a própria ansiedade do outro lado.
-Tudo bem, ainda são só sete horas da noite aqui; Celina respondeu. –Mas como você está? –ela indagou.
-Bem, trabalhando bastante; ele respondeu ponderadamente. –E você?
-Na velha história de sempre; a jovem respondeu contendo um suspiro. –Vivo entre treinar e salvar a vida de alguém, das investidas psicopatas do papai; ela completou.
-Entendo; o marina balbuciou, possesso consigo mesmo por não conseguir pensar em mais nada para falar.
Ficara uma semana ensaiando para ligar e agora que ao conseguir, acertava de primeira ao falar diretamente com ela. As palavras simplesmente sumiam.
-E as coisas por ai, como estão?
-Tranqüilas a sua própria maneira. Guilherme e Yuuri depois de um período difícil acabaram se acertando finalmente; Celina respondeu. –Afrodite parece ter controlado os surtos dele com relação à Isadora, mas até onde isso vai, nem Zeus sabe;
-Ele não atacou mais ninguém com a planta carnívora, não é? –Kanon indagou preocupado.
-Não; ela falou rindo. –Ele aprendeu a lição... Principalmente depois da Guerra das Rosas;
-Uhn?
-Mestre Mú andou aprontando no santuário e deixou os cavaleiros, digamos assim... Bastante preocupados com a presente situação de seus relacionamentos complicados; Celina explicou contendo o riso. Lembrando-se das ameaças de morte de um certo espanhol e da guerra que os próprios pais andaram travando por conta disso.
-Não duvido, eu só não entendo como eles ainda acham que o Mú é o santinho do santuário; Kanon brincou.
-É, principalmente o Aldebaran que não tem mais noção do perigo; Celina completou. –Mas e você, como esta sendo trabalhar ia em Dublin? –ela indagou curiosa.
-É tudo bastante corrido, reuniões de manhã e a tarde, até semana passada estava tendo alguns problemas para conseguir a aprovação de alguns projetos, mas eu até que estou gostando; ele confessou com sinceridade.
-Que bom, fico feliz por você; ela falou, entretanto o sorriso que tinha nos lábios não chegou aos olhos.
-Celina; Kanon começou em tom serio.
-Sim! –ela falou esperando-o continuar.
Ouviu um pesado suspiro do outro lado, prendeu a respiração, no momento que uma infinidade de coisas passou por sua mente.
-Ahn! Você tem falado com Saga ou Litus ultimamente? -Kanon indagou por fim.
Soltou a respiração, de maneira exasperada. Seu subconsciente traidor estava esperando ouvir algo importante, mas não exatamente aquilo que serviu apenas para lhe deixar frustrada; ela pensou confusa.
-Só com a Litus; Celina respondeu de maneira um tanto quanto fria demais para sua personalidade.
-Estou preocupado com Saga; Kanon explicou. –Sabe, sexto sentido de gêmeo?
-Sim, já ouvi dizer da ligação que existe entre irmãos gêmeos, que mesmo longe, um consegue sentir a presença do outro; ela comentou pensativa.
-Acho que tem alguma coisa errada com ele, já conversamos outras vezes por telefone e ele disse que esta tudo bem, mas... Sabe, não consigo acreditar;
-É a falta de comunicação; Celina falou depois de alguns segundos.
-Como?
-Ahn! Digamos que Guilherme e Yuuri não foram os únicos a passar por uma fase ruim, devido à falta de comunicação por aqui; ela explicou. –Seu irmão é uma pessoa muito fechada;
-É, ele puxou o lado ruim da família; Kanon brincou, fazendo-a rir do outro lado. –Mas ele sempre foi assim, o mais serio, aquele que quer abraçar o mundo e colocá-lo de baixo de suas asas; ele comentou pensativo.
-É, mas ele precisa aprender que ninguém é perfeito; a jovem falou seria. –E que não vivemos mais em uma época de guerras, que não da para saber se estará vivo amanhã, ou não; ela completou.
-Celina, você sabe de alguma coisa? –ele indagou intrigado com a forma dela falar.
-Bem... Pelo que sei seu irmão decidiu encarnar o papel de rato de biblioteca agora; Celina explicou. –Quando não está na arena treinando com os demais de manhã, está enfurnado lá no último templo ou no conservatório, agora que Yuuri esta de licença maternidade; ela explicou.
-Mas e a-...;
-É ai que o buraco se torna fundo; Celina o cortou. –Sabe, às vezes tenho vontade de bater no seu irmão; ela confessou dando um suspiro exasperado.
-Acredite, eu tenho essa vontade o tempo todo, desde que nasci; ele falou, contendo o riso. –Mas acho que sei o que àquele esperto está fazendo; ele comentou com um "Qzinho" de ironia.
-É bem obvio, quando se vê as coisas de fora. Não sei não, ele não vai poder reclamar quando a Litus desistir de esperar a ficha dele cair; ela completou.,
-Se fosse você, esperaria? –ele indagou interessado. Sem conseguir acreditar nas próprias palavras.
-Definitivamente não sei, não consigo me ver numa situação assim. Mesmo porque, Saga é complicado demais para ser entendido; ela falou torcendo o nariz.
-Mas...;
-E eu também, não entendo porque aquele monte de garotas fica babando em cima dele; Celina continuou, enquanto acomodava-se melhor no sofá. –Ele não é lá tudo aquilo;
-Ahn! Bem...; ele balbuciou, tentando compreender a que ponto aquela conversa chegara. Quando lembrou-se das palavras de uma certa pessoa, sobre as diferenças dele para com o irmão.
-Mesmo porque você é bem mais interessante e-...;
-Celina, esta em casa?
Quase caiu da cadeira ao ouvir o que a jovem acabara de falar. Ouviu uma segunda voz, teve a leve impressão de que era a voz de Ilyria, mas as últimas palavras dela ainda ecoavam em sua mente.
-Só um minuto mãe, estou no telefone; a resposta veio a seguir. –Kanon?
-Oi, estou aqui; ele balbuciou.
-Mamãe acabou de chegar. Papai esta oferecendo uma recepção para o Shaka no último templo e para comemorar o aniversario dele também, agora que voltou da Índia; ela explicou.
-Mande os parabéns a ele, por mim, por favor; Kanon falou com a voz um tanto quanto tremula.
-Pode deixar, me desculpe, mas tenho de ir agora; Celina falou mais apressada que o comum, provavelmente Ilyria estava mais perto.
-Tudo bem, só diga ao Mú depois para me ligar, preciso falar com ele;
-Tudo bem; ela respondeu sorrindo, antes de se despedir e desligar.
-Quem era? –Ilyria perguntou curiosa.
-Kanon, queria falar com o mestre; Celina respondeu prontamente.
-Ah e como ele está? –a amazona indagou intrigada, vendo a face da filha levemente rosada.
Já fazia um bom tempo que não via os olhos dela brilhando daquele jeito, alias, fazia exatos dois meses; Ilyria pensou compreendendo o que o ariano vinha escondendo de si aquele tempo todo. Agora sabia por que toda vez que indagava ao amigo o que estava acontecendo com a filha, ele apenas respondia que era uma fase a ser superada. Entretanto, só agora as coisas ficaram mais claras.
-Bem, trabalhando bastante; Celina limitou-se a responder.
-Bom, se você já esta pronta, vamos logo. Aaliah e Shaka já estão indo para o último templo;
-...; Celina assentiu, antes de deixar o primeiro templo com a mãe.
.V.
Segurou fortemente as alças de barbante para não correr o risco de derrubar nenhum dos quadros, encontrou com varias pessoas pelo caminho que lhe olharam de maneira curiosa.
Bufou exasperado, deveria ter dado uma desculpa qualquer para não estar ali, mas jamais conseguia negar um pedido da prima; ele pensou aborrecido.
Entrou no salão principal, segurando as pesadas telas nas mãos. Antes de apóia-las no chão, encostando-as na parede. Suspirou aliviado. Mesmo o curto caminho que percorrera até ali fora o suficiente para decidir que da próxima vez, contraria carregadores profissionais para não ter de suportar o peso daquelas coisas que deveriam ser leves.
-Minos, onde esta Isadora? –Eliot indagou, encontrando o sobrinho no meio do caminho para o terraço.
-Boa pergunta, tio; ele falou estendendo-lhe um dos quadros para que o ajudasse. –Eu a deixei no aeroporto, depois fui buscar os quadros, mas até a hora que eu carreguei o carro ela não tinha chegado; ele avisou.
-Será que ela não vai vir essa noite também? –Eliot perguntou preocupado.
Depois de três dias que andara freqüentando o santuário, percebeu que a filha não tinha pretensões de se aproximar até mesmo do local se isso implicasse em encontrar ocasionalmente um certo pisciano. Entretanto, esse tempo fora o suficiente para se aproximar da filha, mesmo sabendo que ela ainda não confiava plenamente em si.
-Vai, mas talvez se atrase um pouco; Minos respondeu, começando a subir as escadas. –Essas molduras devem ser de titânio para pesar assim; ele reclamou.
-Esses são os quadros novos? –Eliot indagou curioso.
-Sim; o juiz respondeu, indo até uma mesa onde todos haviam colocando algumas coisas que seriam entregues ao cavaleiro de Virgem.
-Você sabe o que ela pintou? –o ex-cavaleiro indagou interessado.
-Sei; Minos limitou-se a responder.
-Sério? –Eliot perguntou desanimado.
Todas as vezes que estivera na casa da filha e soubera dos quadros novos que ela estava fazendo, até tentou dar uma espiada no ateliê e saber sobre o que eram, mas Isadora vez questão de mantê-los trancados a sete chaves, literalmente.
-Isa me contou que um deles é o Vale das Flores, o jardim de rosas que tem na casa do cavaleiro de Peixes em Visby e o outro, digamos que foi uma inspiração relâmpago; ele explicou.
-Entendo; Eliot murmurou desanimado.
Era obvio que ele deveria ter visto as telas, mas ao menos uma vez gostaria de estar errado quanto ao fato da filha confiar mais no primo do que nele.
-Ela confia em você; Minos falou em tom serio, chamando-lhe a atenção.
-Uhn?
-Mas ainda não esta disposta a admitir isso; ele completou, fitando-o longamente. –Deixe Isadora ter espaço e com o tempo, ela vai voltar a se aproximar;
-Duvido muito; Eliot confessou, dando um baixo suspiro, enquanto arrumava o quadro de forma que ele não caísse com o vento.
-Você é o pai, deveria saber que na vida dela, você é insubstituível; Minos falou serio, antes de se afastar. –Obrigado pela ajuda; ele completou.
Fitou o sobrinho desaparecer entre as pessoas, provavelmente iria esperar Isadora chegar antes de ir embora; ele concluiu. Só iria permanecer em Atenas mais um dia, entretanto, queria saber que ao partir a filha ia ficar realmente bem.
.VI.
Subiram as escadas abraçados, só haviam tido tempo de pararem para deixar as malas no templo de Virgem e do cavaleiro trocar de roupa, para subirem ao último templo aonde todos os esperavam.
-Estava morrendo de saudade; Aaliah falou aconchegando-se entre os braços do namorado.
-Eu também; Shaka falou contendo um suspiro. –Queria ter voltado antes, mas...;
-Era para ser assim; a jovem completou sorrindo, antes de pousar um beijo suave sobre os lábios dele. –Apesar dos meus surtos por aqui, foi divertido deixar o papai doido; ela brincou.
-Imagino, você tem uma habilidade nata para fazer isso; o virginiano brincou. -
Ai...; ele gemeu ao levar um beliscão.
-Como se você não gostasse disso; ela reclamou, ficando emburrada.
-Querida, adoro tudo em você, mas essa não é a hora nem o lugar para começarmos a falar sobre isso; ele completou, envolvendo-lhe o corpo com os braços, antes de selar seus lábios num beijo intenso.
Ignorando completamente os demais que subiam os templos logo atrás deles e que pareceram bastante surpresos ao ver o cavaleiro tido como intocável e o homem acima de todos os mortais agindo como alguém comum ou melhor, como o homem apaixonado que realmente era.
-o-o-o-o-o-
Encostou-se em uma das amuradas, segurando em uma das mãos um copo de Wisk, faltavam poucos para chegarem ao último templo; ele pensou, antes de levar o copo aos lábios.
-O Grande Mestre estava procurando por você; alguém falou a seu lado.
-Eu sei; Mú respondeu, sem se virar, enquanto observava distraidamente a movimentação no terraço.
-Ahn! Eu gostaria de aproveitar e lhe agradecer; Guilherme falou hesitante, conseguindo por fim toda atenção do cavaleiro. –Por tudo que fez;
-Isso não é necessário; o ariano respondeu.
-É sim e eu realmente sinto muito por ter feito um conceito errado sobre suas intenções aquele dia; o italiano continuou.
-Todos cometem erros, Guilherme; Mú comentou, gesticulando calmamente com a mão que segurava o copo, fazendo as pedras de gelo dançarem sobre o liquido amarronzado. –Mas concertá-los, vai da força de vontade de cada um; ele completou.
-...; assentiu concordando. Se não fosse isso, talvez ele e Yuuri não houvessem conseguido se acertar.
Os laços entre eles ainda eram muito frágeis, mas aos poucos estavam recomeçando, sem as restrições de antes, tentando manter o relacionamento aberto, caso alguma duvida surgisse ao longo do caminho que traçavam juntos agora.
-E o casamento? –o ariano indagou.
-Decidimos deixar para pensar nisso mais para frente; o canceriano respondeu. –Estamos construindo nossa relação tijolinho por tijolinho e isso apenas apressaria desnecessariamente as coisas; ele completou.
-É o mais certo, tenham paciência que tudo vai se acertando aos poucos; Mú falou calmamente.
-É; ele concordou. –Bem, Yuuri esta me chamando;
-Vai lá; Mú falou acenando para a amazona de longe, que sorriu.
-Obrigado novamente, amigo;
-Já disse, você n-...; ele parou surpreso quando o cavaleiro lhe deu um abraço.
Estancou atônito, quando ele se afastou e foi encontrar Yuuri, por alguns segundos ficou apenas parado, tentando compreender o que havia perdido naquela fração de segundo, até sentir o copo deslizar de sua mão e ele teria caído no chão se alguém não houvesse o segurado antes.
-Terra, chamando Mú; uma voz suave e melodiosa cantarolou.
-Uhn! –ele murmurou, voltando-se para a jovem de melenas negras, que o fitava com um fino sorriso nos lábios, enquanto segurava o copo ainda em sua mão, impedindo-o de cair de vez.
-Parece que você viu um fantasma; Mia brincou, tirando o copo das mãos dele.
-Ahn! Não foi nada; Mú desconversou, passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-Uhn! Parece que você não esperava por uma reação assim; ela comentou, indicando o canceriano de longe.
-De certa forma; ele balbuciou, compreendendo que mesmo de longe ela havia visto o que acontecera.
-É interessante como às pessoas mudam; Mia comentou. –Quando cheguei aqui, ouvi muitos comentários sobre ele, os aspirantes tinham o habito de endeusar alguns cavaleiros e condenar outros;
-Imagino, infelizmente algumas pessoas ainda tem necessidade de se apegar a ídolos de pedra ou carne e ossos, para direcionar a própria fé; o ariano falou arqueando a sobrancelha levemente, ao vê-la levar distraidamente seu copo aos lábios e terminar de tomar o Wisk. –Isso é um pouco forte para você, não?
-O que? –Mia indagou, voltando-se para ele, mas sentiu a face corar ao vê-lo apontar o copo vazio em sua mão. –Desculpe, nem reparei; ela balbuciou.
-Sem problemas; ele falou com um fino sorriso nos lábios.
-Bem, eu estou acostumada a bebidas quentes; ela explicou, respondendo a pergunta inicial. –Então, pra mim ela não sobe tão rápido;
-Mas é melhor tomar cuidado, de dose em dose; o cavaleiro falou de maneira enigmática. –Daqui a pouco você estará dançando em cima da mesa e no dia seguinte, não se lembrara de nada; ele completou com um sorriso que estava longe de ser inocente.
-Impossível; Mia falou veemente, encostando-se na amurada, tentando conter o leve tremor que tomara conta de suas pernas diante daquele olhar intenso e perscrutador dele.
-Mas seria interessante; ele falou num sussurro em seu ouvido, fazendo-a estremecer.
-O que? –ela indagou engolindo em seco.
-Não aquela parte de ficar em cima da mesa, é claro; Mú continuou, levando uma das mechas negras que caiam sobre o ombro dela, até atrás da orelha. –Mas dançar, o que acha? –ele indagou, tocando-lhe a face suavemente, até os dedos finos deslizarem pelo queixo, puxando-a em sua direção, fazendo seus lábios quase se tocarem.
-Ahn! Bem...; Mia balbuciou sentindo a face em chamas.
-Mú finalmente eu-...; Shion estancou quando o pupilo virou em sua direção com um olhar no mínimo assassino. –Ahn! Esquece;
-Vocês precisam conversar, depois a gente se fala; Mia falou rapidamente, desvencilhando-se do braço do cavaleiro que já havia enlaçado sua cintura e se afastou, indo falar com alguém, ou melhor, com qualquer um que estivesse no caminho, apenas para sair dali.
Respirou fundo, sentindo uma veinha saltar em sua garganta. Voltou-se para o mestre, tentando conter o impulso de chutá-lo dali de cima.
-O que deseja, mestre Shion? –Mú indagou entre dentes.
-Ahn! Bem...; Shion balbuciou, engolindo em seco. Algo lhe dizia que teria sido mais seguro esperar para falar com ele em outro momento. –Eu posso esperar até amanhã; ele completou antes de simplesmente desaparecer dali no momento que sentiu o cosmo do ariano expandir-se.
Continua...
