Essa luz... ela está me cegando. Raios solares batem contra os meus olhos verdes, forçando-me a fechá-los outra vez. O que aconteceu?
Meu quarto.
Estou dentro dele, sobre a cama. Sento-me, tentando mais uma vez vagarosamente abrir os olhos. Coloco a mão em frente ao rosto na intenção de cobrir a luz que entra pela janela aberta. Não a fechei, pois nem me lembro de como vim parar aqui.
Uma rosa vermelha.
Há uma rosa vermelha sobre o criado mudo. Com cuidado, seguro-a com os dedos. Encosto a ponta do nariz sobre as pétalas, sentindo o perfume suave que exalam.
- Sasuke... - Escapa-me dos lábios. Será que ele a deixou para mim? Por que fiquei tão feliz com essa hipótese? Será que... Não! Eu não posso estar apaixonada por uma pessoa que mal conheço. Mas apenas isso explicaria essa palpitação acelerada, o sentimento que não entendo, o calor e a agonia de não poder tê-lo ao meu lado quando quero, quando preciso... Como agora.
É maior do que parece e sinto que estou assim desde que nasci. Como se estivesse dormindo em meu interior, mas recentemente despertei.
Levanto-me e vou em direção a cozinha. Necessito de um copo de suco de frutas. Me fará bem.
Bebo o suco de uva com um só gole. Deposito o copo de vidro sobre o pequeno balcão da cozinha. Com determinação, encaro a janela de vidro desse aposento pouco espaçoso.
Tomei uma decisão: essa noite, custe o que custar, verei o rosto de Sasuke, o qual quero tocar, esquentar e conferir se é real.
OoOoOoOoOoOoOoO
O relógio marca meia-noite.
Ele ainda não apareceu. Será que virá?
O livro em branco. Livro misterioso que esconde a sua verdade e que estou segurando.
Abro-o e folheio-o. Surpreendo-me. Está marcado. Uma folha, antes branca, agora me diz:
Eu te odeio, Sasuke, mas ainda assim sinto-me quente diante da sua frieza. Hoje, descobri o porquê da ausência de fogo em sua pele.
Posso dizer que me fascinei com os seus olhos ao invés de assustar-me.
Você ainda me persegue, mas começo a gostar de ser a sua presa. E, sinto em dizer, desse fato você jamais estará ciente.
Mesmo o compelindo, meu coração não se cala diante da sua presença. Digo a ele: Fique quieto, pois Sasuke poderá escutá-lo. Mas ele é desobediente e você o notou.
Abominável é o sentimento que me toma, porque eu não o queria. Tento afastá-lo.
Tarde demais. Capturou-me.
É apenas isso, tudo o que posso ler. Eu sabia! Está me contando os seus segredos aos poucos.
Passo a mão sobre a página, absorvendo a essência daquelas palavras. Eu compreendo o seu significado.
- Ele não vem hoje - digo, martirizada. Fecho o livro e guardo-o. Por hora, acho, ele não tem mais nada a me dizer.
Suspirando, deito sobre a cama com demasiada frustração.
O sono me acometerá, me tirará desse mundo por longas horas e sei para onde vou, mas não aonde chegarei.
Muito logo estou dormindo, mas não queria estar. Precisava esperá-lo só mais um pouco. Droga! Não consegui.
OoOoOoOoOoOoOoO
Na calada da noite, corajosa ou estupidamente, Catherine se locomovia pela calçada. Não aparentava estar com pressa.
As ruas da pequena cidade transpassavam uma calmaria suspeita. Mas, de fato, aquele lugar sempre fora do mesmo jeito: tranqüilo.
O barulho do salto contra o concreto cessou, pois impedindo o percurso, logo à frente, havia outro par de pés.
- Sasuke, saia do meu caminho - Catherine ordenou, ignorando a etiqueta que a obrigava a dirigir-se a ele de maneira cordial, usando, em primeiro lugar, o seu nobre título. Desnecessário para com Sasuke, pensava.
- Não me chame desse modo - o conde pediu, ácido. Seu orgulho era maior do que qualquer desejo de caça.
- Engraçado - Catherine levou um dedo ao queixo, pensativa. - Jurava ser esse o seu nome. Enganei-me? - ironizou, fitando-o com falsa interrogação.
- Ponha-se no seu lugar e trate-me com respeito - Sasuke ordenou, autoritário. A fez enraivecer.
- Idiota! Obrigue-me - sobre a cintura, a dama pousou as mãos. - Não lhe devo respeito. Sua suposta prepotência não me afeta, Sasuke.
- É apenas uma mulher, Catherine. E como tal, deve manter-se no lugar - ele retorquiu, ignorando a entonação irônica que ela empregara na pronúncia do seu nome. Suas palavras teriam um efeito catastrófico sobre a moça, concluiu.
Sasuke esperava paciente por um contra-ataque verbal, mas Catherine não parecia disposta a lhe conceder aquele gostinho. Calada e de olhos fechados, ela puxou ar para os pulmões, para em seguida soltá-los vagarosamente.
Observando com cautela a face momentaneamente pacífica, Sasuke constatou que a jovem ficava mais agradável daquela maneira.
- Sou apenas uma mulher, como você disse. Pois então não se rebaixe, ignore-me. - exteriormente, Catherine mantinha o controle para não enforcá-lo, mesmo com as mãos tremendo em fúria.
Seus olhos verdes ainda permaneciam ocultos. Nervosa, sua mão levou uma mecha de cabelo para trás da orelha. O ato imponderado fez com que um pequeno embaraço de fios rosados com o metal do brinco acontecesse.
- Porcaria! - Desmanchando a pose, ela concentrou-se na tarefa de livrar as madeixas. - Solte! - exclamou, tentando a força para soltar a mecha.
De ímpeto, foi presenteada com um pequeno furo na ponta do dedo indicador, quando este se chocou com a forma pontiaguda do enfeite que jazia cravado na carne macia da sua orelha esquerda.
- Droga! - exclamou, chorosa. Levou o dedo até a boca para sugar-lhe a ponta, evitando que a pequena gota de sangue recém-adquirida escorresse.
Mesmo estando ocupada com dedo e cabelo ainda enroscados, Catherine sentiu estar sendo observada profundamente. Erguendo a cabeça, enxergou a expressão aturdida que o conde carregava. Parecia estar hipnotizado e a estava incomodando.
- O que foi? - perguntou a dama, ríspida. A sua indagação foi ignorada, pois ainda pairavam sobre ela um par de olhos... rubros? - S-Sasuke? - Apreensiva, deu um passo para trás.
O coração da jovem tripudiou grosseiramente quando o viu vir em sua direção. Nenhum músculo do seu corpo esforçou-se para se mexer, pois também estava hipnotizada, mas era por aquele olhar.
Com uma mão, Sasuke gentilmente prendeu o pulso acelerado de Catherine e ergueu-o até a altura dos próprios olhos entorpecidos e quentes. Suspenso, o dedo ferido da jovem liberou a gota de sangue que tencionava desabar. Lentamente, o néctar vermelho aluiu, encontrando-se com o chão da calçada.
O olhar faminto que Sasuke direcionava para o pequeno furo locomoveu-se para o par de esmeraldas. Deteve-se nessa posição por alguns segundos, fitando-a.
Catherine mantinha-se afoita e ao mesmo tempo perplexa.
O conde capturou-lhe o dedo inerte e sobre a ponta ainda havia resquícios daquele líquido tentador. Ele pressionou a carne macia, fazendo fluir um pouco mais de sangue. Em conseqüência, a dama crispou os lábios.
Um beijo.
Sasuke beijou-lhe o dedo. Um gesto efêmero, no entanto foi o suficiente para aturdi-la. Extasiada pela sensação, Catherine fechou os olhos para apreciar, mesmo que por pouco tempo, aquele gesto cálido.
Ela pôde sentir não só os lábios, como também a língua daquele homem misterioso massageando-lhe a pele agora sensível do dedo.
Quando a carícia tornou-se impetuosa, pois Sasuke sugava-lhe o dedo, ela puxou a mão, protegendo-a sobre o peito.
- Está com medo? - o conde perguntou, frio.
Ela maneava a cabeça em negativa, mas não era uma resposta e sim uma tentativa de afastar os pensamentos confusos que lhe tomavam o bom senso.
Sasuke deu um passo à frente e, conseqüentemente, Catherine recuou outro. Compelida contra a parede, a moça sentiu-se acuada pelos braços que o rapaz pusera em ambos os lados da sua cabeça, fazendo-a arrepiar-se.
Os lábios finos e absurdamente vermelhos do conde chegavam a tocar a ponta de seu nariz, estremecendo. Ela aturdiu-se quando o viu inclinar-se em direção à sua boca.
- Sim... - Catherine sussurrou, antes de sentir os lábios gelados do conde cobrirem os seus próprios. Suas mãos pousaram sobre o peito masculino, apertando com força o tecido negro da veste cara que ele trajava.
Ela seria incapaz de descrever o que sentia naquele momento. Estava embriaga pela sensação de conforto e perigo, frio e calor que invadiam o seu corpo de uma só vez. E, o mais estranho, era beijada com ternura ao invés de volúpia.
O pouco que conhecia do conde Uchiha lhe permitia dizer com toda a certeza que ele era um homem impulsivo, arrogante, malicioso, irônico e talvez até um cafajeste bem vestido, mas nunca lhe passara pela cabeça que fosse tão... carinhoso.
Sasuke postou a mão sobre a nunca da moça, sentido a pele quente e macia. Puxou-a para aprofundar o beijo que ela relutou, mas correspondeu com a mesma paixão que tanto enclausurava.
Quente. Essa era definição que encontrara para a dama. Tão menor do que ele, tão frágil, tão irritante. Sentia que a sua força de certo modo desumana podia machucá-la. Mas não era isso o que almejava? Machucá-la e apavorá-la?
O vampiro sentiu-se um tolo, pois se transmutou de caçador à presa. Ele foi pego, estupidamente. E que tudo fosse para o inferno, inclusive a sua própria arrogância, pois naquele momento ele podia sentir e estava sentindo-se... quente.
OoOoOoOoOoOoOoO
Esse toque, já o conheço. Sasuke é você, não é?
Abro os olhos.
Meu Deus! A luz, diferente de antes, está acesa e posso ver... eu posso ver claramente... Sasuke. Aquele olhar.
Agora posso vê-lo. É tão... lindo. Seus olhos não me dizem nada, estão apenas negros. Entretanto, lêem a minha alma. Ele é muito pálido, o que contrasta com as roupas de cor preta que usa. Mas agora me lembro dos meus sonhos confusos. Sasuke estava envolvido todo o tempo. Catherine? Quem é ela? Preciso saber, pois isso está me angustiando.
- Quem é Catherine? - pergunto.
Ele continua impassível, sentado na beirada da cama onde estou deitada. E novamente aquele toque. Fecho os meus olhos para melhor apreciar esse gesto.
- Você, só você - escuto-o dizer. Porém, não pode ser. Sou Sakura e quero que ele me enxergue como tal. - Fique dessa vez, Catherine... Para sempre comigo.
- Sinto muito, Sasuke. Eu sou a Sakura, somente... Sakura - informo-o, terna. Não contive o ímpeto de acariciá-lo na face fria - Você não sabe quem eu sou e eu não sei quem você é. Mas há algo dentro de mim que o conhece, que chama por você. Pode me explicar?
Ele sorri, imitando o meu gesto carinhoso. - Não posso explicar-te, pois a minha natureza desconhece esse sentimento, mas sei que vocês chamam "amar". E se essa for a verdade, então eu amo você, mon coeur.
Jogo o edredon para o lado, levanto-me da cama e percebo estar sendo vigiada por Sasuke. Ele me ama, foi o que disse. Então eu digo: Eu te amo Sasuke, mesmo sem saber como.
Estou sentindo uma imensa vontade de observar o céu. Saio para a varanda e ele me segue. - Eu gostaria de voar, Sasuke - Acho que estou doida. Por que estou lhe dizendo essas bobagens?
- Venha comigo - o vejo me estender a mão.
Não hesito, pois me sinto protegida perto dele. Faço o que me pediu e sou puxada de encontro ao corpo masculino. Minha face borbulha. Sasuke me abraça e eu imito-o. Ah, como é bom tê-lo tão perto. Fecho os olhos.
Estranho, sinto-me tonta e leve. Sasuke está com o rosto afundado sobre o meu pescoço, está me arrepiando. A temperatura baixou e me aconchego mais ao seu corpo.
- Abra os olhos - ele pede, repentinamente. Faço-o.
Agarro-me a ele como um gato. Isso não pode ser real! Estou voando - Isso é um sonho? - indago, mais para mim do que para o meu acompanhante.
Apertando-me a cintura com mais vigor, Sasuke desliza a mão por trás da minha nuca. Quando vejo, estou presa aos seus lábios. Se meu coração um dia bateu forte, agora está morto, pois não resistiu a tantas pulsações. Essa sensação está inebriando-me, o beijo, a tontura e a ilusão de estar sonhado. Já não existe real e irreal. Existimos apenas eu e ele.
Não agora. O aperto no coração me tortura. Tremo e Sasuke percebe, pois cessou o beijo no momento em que me sentiu vibrar em seus braços, mas nada teve a ver com ardência de carícias e sim com a angústia que se enrosca dentro de mim, causando-me dor.
Abraço-o mais forte. Para variar, sinto-me perder as forças. - Não me deixe sozinha no escuro, Sasuke. Eu tenho medo - sussurro e meus olhos estão fechados. Meus braços despencam do pescoço onde estavam sustentados, porém sei que não vou cair.
Sasuke me segura, forte.
Estou quase dormindo em seus braços, sofrida.
- Não a entregarei para os céus - ele sussurrou ao pé do meu ouvido.
-
-
N/A: Oie gente a quanto tempo. Desculpa o atraso, mas minha vida é muito abarrotada de coisas chatas, incluindo meu trabalho ¬¬. Esse é o penultimo capitulo. No proximo, que é o último eu respondo as suas reviews, ok? Obrigado por terem as mandado para mim.
Sobre a fic: Muita curta. Sim, mas é porque inicialmente era para ser uma one-shot, mas tive de estende-la um pouco para caber tudo o que eu precisava para criar a história. Não tem mais o que se criar, era apenas isso mesmo. Adoro história de vampiro e sempre quis fazer algo do tipo, sabe. Então a fiz.
Minha próxi,a fanfic sobre esse casal já está sendo escrita. Em breve a postarei por aqui. Estou escrevedno uma Gaara x Ino, e outra Neji x Tenten(já postei o primeiro capitulo de ambas.) e quem quiser ler é só ir na minha página. Também tem uma one-shot Gaara e Sakura(que foi um presente para uma amiga).
Bom é só mina-san. Kissus e até o último poste.
