Algumas coisas importantes a saber:
Essa Fic é um Universo Alternativo de Shaman King, então jamais aconteceria na história real.
- Travessão são as falas das personagens.
Itálico entre "aspas" são os pensamentos das personagens.
Apenas itálico, é um fato passado contado por alguém.
X - Mudança de tempo ou lugar
Nota: Shaman King não me pertence, mas sim ao seu glorioso criador, Hiroyuki Takei. Eu sou apenas uma mera fã que adora brincar com seus personagens /mal.
Termos utilizados:
Shinai : Espada usada para treinos.
Nii-san : Irmão mais velho.
Capítulo 4 - Destino.
Anna ficou durante um longo tempo sentada sobre aquela mesa. A fraca luz da lua era a única coisa que iluminava aquele fatídico lugar. Ficou a pensar sobre tudo. Aquele tal de Hao... por que ele lhe causava aquela estranha sensação de segurança que nunca havia tido antes? Balançou negativamente a cabeça. – "Eu só posso estar ficando louca..."- Pensou consigo e ergueu-se indo deixar tudo em seu devido lugar. Subiu as escadas vagarosamente e parou na porta entreaberta do quarto de Hao. O garoto parecia dormir com uma tranqüilidade absurda. Estava sem camisa pelas ataduras firmes que usava. Meio mal-coberto por se mexer tanto durante a noite. Ficava de olhos fechados e a respiração fazia o peito subir e descer quase como num ritmo de música. A feição era tão calma que Anna achou que poderia observá-lo durante a noite toda. Mas espera aí... observá-lo?Sem perceber, Anna havia entrado no quarto, e agora estava de pé ao lado dele. Arregalou ligeiramente os olhos ao notar aquilo.
"Como é que eu vim parar aqui?"- Foi a primeira pergunta que se fez dentro da própria mente. Mas já que estava ali...achava que podia ficar mais um pouco. Ajoelhou-se ao lado do garoto e cobriu-o, passando levemente uma das mãos sobre a testa dele. Era tão quentinho... Ao contrário dela, que era fria. Que se fazia fria. Por dentro e por fora. Suspirou pesadamente a afagar-lhe de leve os cabelos.- "Que sensação é essa que sinto perto de você que me traz tanto conforto e alivio de todo esse sofrimento? Você parece... um Anjo." – Suspirou pesadamente a olhar para ele. Um sorriso foi se desenhando nos lábios de Anna enquanto o observava.- Eu gosto de estar perto de você apesar de nos conhecermos há tão pouco tempo. Mas não importa... você não é mais o sucessor dos Asakura e eu vou me casar com o seu irmão. O Yoh não parece muito feliz com a idéia de ser o sucessor da família... mas ele também não teve escolha, assim como você. Será que você também faria o mesmo por mim...? Será que me protegeria do mesmo modo que protegeu o seu irmão naquela noite...? Você... é um idiota.- Abriu mais aquele sorrisinho e ergueu-se por fim para sair dali.- Eu sou apenas alguém que se perdeu dentro da própria escuridão... não mereço ter você ou o Yoh ao meu lado.- Virou-se para sair dali por fim, fechando a porta de correr com o máximo de cuidado para não acordá-lo.
Engraçado como as pessoas são, não é? Às vezes você fica apenas com os olhos fechados e finge estar em um sono profundo que elas te contam coisas que você jamais imaginaria saber se estivesse acordado. Naquela noite foi assim. Ouviu Anna se levantar. Ouviu Yoh se levantar. Ouviu o grito que ele havia dado, e até... um pouco da conversa que eles haviam tido na cozinha. Porém, descobrir sobre Anna foi o seu maior prêmio. Aquela garotinha que ele havia salvado era a mesma que era noiva de seu irmão. Aquela garotinha se dizia perdida na escuridão. Hao achava que era o único capaz de salvá-la, por isso sorriu quando ouviu-a fechar à porta.- Eu não vou deixar que se perca dentro da própria escuridão, Anna. Eu vou te salvar...-Murmurou abrindo os olhos devagar. Aqueles olhos que não continham sequer um resquício de vida, pareceram brilhar por um único instante.
X
No outro dia, Yoh iria acordar seu irmão como já lhe era costume. Viu as cobertas todas arrumadinhas e não resistiu. Pulou em cima do futon.- AHÁ!TE PEGUEI!- Disse com ar vitorioso. Porém se deparou com travesseiros e um papel com a seguinte frase: "Te peguei outra vez." Apesar de cego, Hao tinha uma excelente caligrafia. Havia decorado todas as letras do alfabeto e, por isso, não tinha dificuldade nenhuma em escrevê-las.- Puxa... será que eu não vou conseguir acordar ele outra vez?- Choramingou olhando em volta. Hao havia pegado suas roupas favoritas e a shinai dele também não se encontrava lá...- Uhn...será que o nii-san foi treinar?- Saiu correndo para o próprio quarto e pegou a shinai, passou correndo pela mãe e pegou apenas uma torrada.- Ohayo, mamãe!- Disse sorridente.- Estou indo treinar! – E saiu de lá rapidamente, deixando uma Keiko muito confusa para trás.
- O que foi que aconteceu com ele hoje, mamãe...?- Perguntou à Kino que estava adentrando no cômodo agora.
- Vai ver foi a Anna que deixou ele assim.- Abriu um sorrisinho para a filha.- Ela também saiu cedo de casa.
- Ei... vocês viram o Hao? Ele não está no quarto...- Mikihisa disse ao entrar ali logo em seguida.
-Não?- Keiko e Kino disseram juntas.
X
Caminhava tranqüilamente por entre as cerejeiras daquele lugar. Quase nunca saía de casa. Mas naquele dia em especial, resolveu dar uma volta logo pela manhã. Tinha sido difícil voltar a dormir naquela madrugada. Havia pensado em Hao durante a noite toda. Mas por quê? Por que aquele garoto mexia tanto com ela? Pensou também no que Yoh havia lhe dito. Tudo o que haviam conversado enquanto assaltavam as guloseimas da casa naquela madrugada. Parou ao ouvir o barulho de algo batendo. - "Quem será que está por aqui há essa hora?" – Foi se aproximando devagar. Aos poucos o campo foi ficando mais aberto e Anna finalmente pôde ver. Viu Hao batendo a shinai contra uma pilha de madeiras. Ficava no centro delas e batia insistentemente. Era claro que uma ou outra sempre voltava para acertá-lo. Num momento uma lhe atingiu sobre a cabeça e ele caiu no chão. Os óculos escuros que usava voaram longe, parando sobre os pés de Anna. Ela agachou-se para pegá-los e ficou olhando na direção do garoto. "O que será que ele está fazendo? Será que está treinando...?"
- Que droga...- Murmurou baixinho, socando o chão com certa força e ergueu-se de olhos fechados. Deu um longo suspiro ao notar que havia alguém ali.- É você, Anna?- Foi caminhando na direção dela. Estava usando o gi de treinamento. Os cabelos presos num longo rabo de cavalo e uma faixa branca na cabeça que lhe servia para não deixar que a franja lhe cobrisse os olhos.
- Sim, sou eu.- Disse com calma e foi até ele, lhe colocando os óculos.- Mas como sabe...? Yoh me contou sobre sua cegueira.- Dizia tudo de modo cortante. Não queria deixar que ninguém se aproximasse. Ele por sua vez sorriu, o que a fez arquear as sobrancelhas.- Por que está sorrindo?
- Eu já me acostumei com a escuridão. Então eu encontro as pessoas pelo cheiro. Ou pelo som dos passos. No seu caso fiz pelos dois.- Abriu mais aquele sorrisinho.- Os seus passos são leves, então são facilmente identificáveis. Seu cheiro também é único. Me lembra o cheiro dessas cerejeiras...- Foi caminhando dali até a beira de um pequeno riacho, fazendo sinal para que ela lhe acompanhasse.
- Você fala como se fosse a coisa mais normal do mundo...- Sentou-se ali perto do riacho e tirou os tamancos para colocar os pés na água.
- Para mim, é.- Disse com calma e fez o mesmo que ela.- Apesar de que... o meu tipo de escuridão é bem diferente do seu.- Comentou sereno, enquanto balançava os pés sobre a água.
- O meu tipo de escuridão...?- Arregalou ligeiramente os olhos. Ninguém deveria saber daquilo, mas como ele...- Você estava...
- Acordado.- Abriu mais aquele sorrisinho, então.
- E se fez de desentendido. Você é um idiota.- Virou o rosto para o lado, levemente corada.
-Nah... não leve por esse lado. Eu adorei ter alguém me fazendo carinho quase a noite toda!- Riu-se.- Eu queria ver a sua carinha de vergonha agora.
O rosto tomou um tom rubro quase por completo. A reação foi imediata. Deu-lhe um forte tapa com a mão esquerda que o fez cair dentro do riacho. Aquele foi o primeiro de muitos que viriam...- Você é um idiota! Eu te odeio, Hao Asakura!
O garoto riu-se ao cair no riacho. Saiu de lá completamente encharcado e tirou os óculos para enxugá-los, permanecendo de olhos fechados até colocá-los novamente. – Você deve ficar uma gracinha com raiva!- Abriu um sorrisinho de moleque, ajeitando os óculos sobre o rosto.
- Eu não sei por que é que eu estou perdendo o meu tempo aqui!- Ergueu-se bufando com raiva. Por que estava tão corada...? E por que ele lhe fazia sentir daquele modo? O coração batia rápido demais...- Idiota!- Virou-se para sair dali, porém ele lhe segurou pelo pulso.
-Fica mais um pouco, vai... eu não quero ficar aqui sozinho. É muito chato...- Virou o rosto para o lado. Anna só arregalou ligeiramente os olhos, olhando na direção dele. Por que Hao fazia isso com ela?
"Por que faz isso comigo, Hao?" – Perguntava-se internamente enquanto aquele silêncio permanecia. Acabou por ceder e sentou-se ali ao lado dele, dando um longo suspiro.- "Ele é diferente dos outros...ele me faz sentir tão bem..."
O garoto abriu um lindo sorriso ao sentir que ela havia permanecido ali.- Muito obrigado, Anna.- Abraçou-lhe num ato totalmente impensado e até... inocente. A garota arregalou os olhos e corou sutilmente ao sentir aquilo. O coração parecia que ia pular do peito. Mas tentou conter-se dando um longo suspiro.- Eu também...não vou mais te deixar sozinha. Não vou deixar que você se perca nessa escuridão porque... eu gosto muito de você.- Murmurou baixinho.- Apesar de nos conhecermos há tão pouco tempo... eu sinto como se você fosse a pessoa que vai afastar de vez esse vazio que eu sinto.Obrigado, Anna...
- Hao...- Murmurou baixinho o nome dele e passou os braços por sua cintura, apoiando o rosto sobre um dos ombros do garoto.- Eu também agradeço... por você estar aqui comigo... e por afastar essa sensação de vazio... de escuridão...- Fechou os olhos dando um longo suspiro e sentiu uma lágrima lhe correr pelo rosto. Sentia-se tão bem tendo ele ao seu lado...era como se nunca mais fosse estar sozinha outra vez. Ficaram juntos naquele abraço durante um longo tempo e afastaram-se relutantes.
Silêncio.
O silêncio que os dois mantiveram durante um longo tempo era um silêncio até gostoso. Anna afastou o rosto e ficou a olhar para Hao. O garoto erguia o rosto na direção do dela, e era quase como se olhasse ela nos olhos. Hao levantou a mão direita e limpou-lhe aquela lágrima solitária, abrindo um lindo sorriso que fez Anna sorrir também. A garota por sua vez, levou ambas as mãos até os óculos que Hao usava para tirá-los. O garoto virou o rosto para o lado.
-Você não vai querer ver... vai se assustar..-Murmurou baixinho, desviando mais o rosto.
-Não... por favor, me deixa ver...- Ficou a olhá-lo nos olhos.- Me deixa ver os seus olhos pelo menos uma única vez...
- Tudo bem, mas... você vai se arrepender.- Disse, virando o rosto de volta para ela. Anna sorriu. Devagar foi lhe retirando os óculos escuros e pousou-os sobre o próprio colo. Hao abriu os olhos vagarosamente, revelando um olhar completamente sem brilho. Olhos castanhos que tinham uma cor opaca. Totalmente sem vida.
"Olhos de boneca..." – Foi o primeiro pensamento que passou pela cabeça de Anna. O silêncio dela fez Hao baixar o rosto.
- Eu te disse...-Murmurou baixinho.
- Os seus olhos perderam o brilho, mas você não perdeu a luz... você jamais perdeu a esperança... eu queria ser como você.
Ele arregalou os olhos ao ouvir aquilo. Ela disse mesmo que queria ser como ele? Mas por quê? Ele era só um simples garoto que não enxergava... - Ser como eu...? Mas eu não tenho nada de especial...
Ela pousou o dedo indicador sobre o lábio dele, para que pudesse continuar.- Você tem perseverança, Hao. Uma perseverança que eu nunca pensei que fosse encontrar em ninguém. Mesmo não enxergando, você se esforça ao máximo para poder alcançar os seus sonhos. Você nunca desiste e eu admiro isso em você.
- Me... admira?- Estas palavras demoraram para entrar em sua cabeça. Tudo o que ela havia dito... ele era mesmo tudo aquilo? Não tinha tanta certeza. Mas de uma coisa sabia. Ela o fazia sentir-se especial. Especial de um modo que não havia sentido nem mesmo quando enxergava. Sorriu. – Você me faz sentir especial, Anna.- Disse a afagar-lhe o rosto com cuidado. Pequenas gotas de chuva começaram a cair do céu. Os dois não pareceram notar ou se importar com aquilo.
-Você também me faz sentir especial, Hao.- Colocou a mão sobre a dele e sorriu docemente, afagando-a com cuidado. A outra mão estava enlaçada à outra mão do garoto. Estavam sentados de frente um para o outro. Era realmente bonito de se ver como formavam um casal tão belo.
O resto das palavras foi desnecessário. Ficaram a se olhar durante um longo tempo e, por um instante, Anna pensou ter visto um brilho nos olhos de Hao. Talvez fosse por causa da chuva...? Ficou a olhar para ele, do mesmo modo que ele olhava para ela. A chuva foi se tornando mais forte à medida que os segundos passavam. Os rostos foram se aproximando devagar e os lábios se juntaram num beijo suave. Fecharam os olhos. Aos poucos iam se acostumando com aquele toque de lábios. Ambos coraram e sentiram uma sensação estranha de terem borboletas no estômago. O beijo se tornou mais sério, e se abraçaram. Um sentia a respiração do outro. Era quase como se fossem um só. Se afastaram vencidos pela falta de ar. Ambos sorriram.
- Por um instante eu tive a sensação de poder te ver. Você é linda, Anna...- Sorriu mais abertamente para a garota, que apenas retribuiu-lhe o sorriso.
- E eu tive a sensação de ver o brilho no seu olhar...- Com cuidado afagou-lhe o rosto.- Não me importa que não volte a enxergar nunca, Hao. Se isso acontecer...eu serei os seus olhos pelo resto da vida...
O garoto sorriu ao ouvir o que ela havia dito.- E eu serei a luz da sua vida... que nunca mais te deixará sozinha outra vez...
Aos poucos a chuva foi passando e o céu foi se abrindo. Um lindo arco-íris havia se formado no céu, e os olhos de Anna brilharam, num misto de surpresa e felicidade. Daquele dia em diante, os dois se lembrariam da chuva como um símbolo de felicidade. O arco-íris que Anna viu, fez questão de descrever para Hao. E falou também sobre um pássaro reluzente que viu passar por ele. Hao sorriu ao ouvir aquilo, e disse que teve a impressão de sentir o mesmo pássaro passar por ali. Depois disso ficaram simplesmente ali, abraçados a observar o céu. Hao e Anna se sentiam livres como aquele pássaro, e chamaram aquilo tudo de Destino.
Notas da autora:
Esse quarto capítulo era pra ser o fim dessa fic. Mas me disseram que havia ficado muita coisa em aberto, por isso eu decidi continuar. Eu não sei se posto a continuação aqui, porque acho que vai acabar ficando muito extenso, isso sem contar que abre muito mais portas para a fic, ela desvia um pouco do típico HaoxAnna pra se tornar algo mais expansivo com direito ao Yoh ter alguém também e mais algumas outras coisas que não vem ao caso aqui. Eu queria agradecer a tia Cookie por ter revisado minha fic (e por ainda estar revisando) e queria agradecer a Mafe Ly que sempre me deixa um review a cada capítulo que eu posto.
Sem mais...me digam se querem ou não que eu poste a continuação dessa fic aqui.
