Algumas coisas importantes a saber:

Essa Fic é um Universo Alternativo de Shaman King, então jamais aconteceria na história real.

- Travessão são as falas das personagens.

Itálico entre "aspas" são os pensamentos das personagens.

Apenas itálico, é um fato passado contado por alguém.

X - Mudança de tempo ou lugar

Nota: Shaman King não me pertence, mas sim ao seu glorioso criador, Hiroyuki Takei. Eu sou apenas uma mera fã que adora brincar com seus personagens /mal.

Termos utilizados:

Nii-san – irmão mais velho

Oyasumi – boa noite

Capítulo 6 – Proposta.

Hao, Anna e Yoh chegaram em casa apenas depois que o Sol tinha desaparecido, dando lugar a um céu escuro, porém cheio de estrelas e acompanhado da Lua cheia. Os três jogaram os palitos de sorvete fora no lixo da cozinha, e estavam subindo para os próprios quartos, quando Yohmei parou na frente deles.

- Aonde é que vocês pensam que vão, que nem disseram onde passaram o dia todo? Hao? Anna? E você, Yoh que sumiu depois dos treinos deixando a Tamao terminar a limpeza eu mandei VOCÊ fazer?! – Yohmei perguntou em tom autoritário. Yoh e Anna se entreolharam, Hao apenas cruzou os braços e deu um longo suspiro.- Vão ficar calados? Kino, dê um jeito nesses garotos! – Yohmei gritou para a mulher, que estava a tomar chá tranqüilamente na sala da casa.

- Mas será que você não pode resolver nada sozinho, Yohmei? – Perguntou com tranqüilidade e apoiou-se na bengala.- Hao e Anna, vocês estão ensopados... e você está todo suado, Yoh. Os três precisam de um banho urgente! – Kino contestou. – Yoh e Hao, vão tomar banho nas termas! Anna, você pode usar o banheiro que tem logo ali.- A velha apontou. Havia dito tudo sem nem sequer alterar o tom de voz.- Depois do jantar, eu quero os três na sala de casa, pois teremos uma conversinha sobre onde vocês estiveram.

- Sim, vovó. – Os três concordaram em uníssono e cada um foi seguindo para o respectivo lugar que Kino havia mandado.

- Viu como é fácil resolver as coisas, Yohmei? – A velha disse a abrir um sorrisinho com o canto dos lábios e voltou para a sala, onde estava tomando seu chá.

- Hmph! Eu podia ter resolvido se quisesse! – Saiu caminhando dali em passos pesados na direção da entrada da casa.

X

Anna havia ido até o próprio quarto, para pegar uma roupa antes de ir tomar banho. Pegou um Kimono costumeiro para dormir e uma toalha. Foi se encaminhando na direção do banheiro pensativa sobre o que Kino queria falar com os três. É lógico que já sabia o que era. Deu um longo suspiro e entrou no banheiro, trancando a porta deste com cuidado, e olhou na direção da banheira, arqueando uma das sobrancelhas.

- Não sabia que tinha coisa desse tipo nessa pensão. – Ligou a banheira e esperou que esta se enchesse de água morna. Quando estava cheia até a borda, se despiu e entrou dentro da banheira fechando os olhos.

Anna deu um longo suspiro ao pensar em Hao. Pensar em como aquele dia havia sido especial, e como havia se sentido feliz ao lado dele.

"Ele é um garoto tão especial. Ele fez o meu dia valer a pena. Ao lado dele eu me esqueci das coisas ruins e me senti querida por alguém. Ele me faz sentir diferente, me faz sentir bem." – Afundou a cabeça na água, ficando debaixo desta durante um tempinho, e logo emergiu, olhando para o teto.- Hao...- Murmurou baixinho e tornou a fechar os olhos. Não pôde deixar de abrir um sorriso, quando viu a imagem dele se formar em sua mente. – "É uma pena que não possamos ficar juntos no fim. Afinal, eu sou noiva do seu irmão e não sua. A família jamais vai permitir que eu fique com você." – Aquele pensamento fez um frio lhe correr pela espinha. Não queria mais ficar longe de Hao depois de ter descoberto um sentimento tão puro ao lado dele. Decidiu afastar esses pensamentos e voltou a se concentrar no próprio banho. Depois do jantar saberia o que seria de sua vida.

X

Os gêmeos se dirigiram para os respectivos quartos para pegarem suas roupas. Yoh havia pegado uma calça verde e uma camisa branca escrita em letras vermelhas: "We are". Pegou também uma blusa laranja, com alguns detalhes em azul. Hao havia pegado uma calça bege e uma blusa laranja semelhante a de Yoh. Pegou uma camisa, também branca, escrita com letras vermelhas : "twins, got it ?"

- Que tal? – Hao perguntou a mostrar as roupas para o irmão.

- Perfeito, nii-san! – Abriu um largo sorriso para ele. – Vamos estar combinando!

- Você pegou a camisa que eu te falei, Yoh? – Hao perguntou com calma.

- Sim, e também peguei as toalhas! – Abriu um largo sorriso para o irmão.

- Então pegue os óculos de lente vermelha pra mim, sim? Eu vou levar as nossas coisas para as termas. – Estendeu os braços, esperando que Yoh lhe desse as roupas e foi seguindo na frente. Apesar de não enxergar, Hao era extremamente independente, e não pedia ajuda para nada. Ele próprio havia organizado suas coisas com Yoh, e sabia a localização de tudo. Também conhecia todos os cômodos da casa, por isso não se preocupava em esperar Yoh para que ele lhe acompanhasse. Era muito mais fácil Yoh se perder do que Hao.

- Me espera, nii-san! – Yoh pegou um dos óculos de Hao e saiu correndo para alcança-lo.

- Vamos logo! Você é muito mole, Yoh. – O garoto deu um longo suspiro e parou para esperar o irmão.

- Nah! É que eu fui escolher os óculos pra você, oras! – Mostrou a língua para Hao e deu um riso.

- Tá, tudo bem. Vamos logo para as termas. – Abriu um sorrisinho travesso para o irmão e foi caminhando ao lado dele.

Quando Hao e Yoh chegassem nas termas, iriam se despir para entrar na mesma. Hao entrou tranqüilamente, deixando as roupas e as toalhas separadas um pouco longe da água, pois já sabia o que Yoh iria fazer.

- Lá vou eu! – Yoh saiu correndo na direção das termas e deu um salto, fazendo com que a água se espalhasse por todo o lugar.

- Você não muda nunca, Yoh. Vai sempre continuar sendo o mesmo. – Hao abriu um sorrisinho a pegar os itens de higiene, todos deixados dentro de um cestinho, e deixou-os ali ao lado dando um longo suspiro e relaxando dentro da água.

- Você já decidiu o que vai fazer, Hao? – Yoh perguntou depois de um curto tempo de silêncio entre ambos.- Quero dizer... sobre a Anna.

"Como meu irmãozinho é perceptivo. Será que ele já sabia que eu estava pensando sobre isso?" – Hao pensou e encolheu os ombros. – Eu não sei bem ainda. Só sei que vou falar com o vovô esta noite. Você não se incomoda nem um pouco, Yoh? Afinal, ela é sua noiva e eu estou roubando ela assim, sem mais nem menos...

- Nah... eu percebi desde aquele dia que você gostava dela, nii-san. O jeito como você ficou quando eu apareci para te ajudar, já tinha denunciado que você gostava dela. – Yoh abriu um largo sorriso a olhar na direção do irmão. – Além disso, a Anna também se preocupou muito com você quando ficou desacordado. Dava pra perceber que vocês precisavam um do outro. Eu não tenho o direito de me intrometer nisso, certo? A Anna é muito bonita, mas também é muito mandona. – Coçou levemente a cabeça e riu.- Eu acho que ela é o tipo de pessoa que eu adoraria ter como amiga, Hao. Mas não para casar.

- Você acha isso mesmo, é? Porque depois eu não quero te ver choramingar porque eu roubei a sua noiva de você! – Hao disse em tom de brincadeira para o irmão. – Hoje o céu está lindo, não é mesmo? Hoje é pra ser dia de Lua cheia, não é? – Hao perguntou a erguer o olhar naquela direção.

- Não se preocupe comigo, nii-san. Eu vou ficar bem! – Yoh disse sorridente, e ergueu o olhar na direção do céu ao ouvir o irmão comentar sobre. – Sim, hoje o céu está lindo mesmo. Está muito estrelado, e a Lua cheia está tãoooo brilhante! – Ficou a olhar naquela direção, admirando à Lua.

- Ótimo. Então...- Hao abriu um sorrisinho maldoso e foi se aproximando de Yoh bem devagar. – É GUERRA! – Hao saltou sobre o irmão e os dois submergiram na água.

- AHH! – Foi o que se ouviu antes que mergulhassem dentro das termas. Demoraram um tempinho para emergir e Yoh cuspiu um bocado de água. – Isso não é justo, nii-san! –Choramingou para o irmão, saindo da água.

- Você é muito chorão, Yoh! – Hao disse a abrir um sorrisinho e saiu da água logo depois dele.

- TE PEGUEI! – Yoh disse, a saltar sobre o irmão. Claro que, não tendo tempo para reagir, Hao e Yoh caíram dentro da água novamente, e a espalharam por toda a terma.

- Ah, é assim?! – Hao pegou Yoh pela cabeça e mergulhou-o dentro da água, deixando-o lá por um bom tempo, só ouvia ele se debater. – Diga que se rende! Diga que se rende ou eu vou mergulhar você de novo! – Tirou a cabeça de Yoh da água e abriu um sorrisinho maldoso.

- Tá, eu me rendo! Eu me rendo, nii-san! – Yoh disse a choramingar, ainda batendo os braços na água, e Hao soltou-o para que caísse dentro da água novamente.

- É melhor a gente terminar logo esse banho, ou a vovó vai brigar com a gente, Yoh. – Hao disse para o irmão mais novo que apenas concordou.

- Me ajuda a lavar as costas, nii-san? – Yoh perguntou infantilmente para o mais velho.

- Tá, mas em troca vai ter que me ajudar a lavar o cabelo. – Hao pegou o sabão e começou a passar delicadamente sobre as costas do irmão.

- Tudo bem! – Yoh concordou e deu um riso. Ficaram nas termas por um bom tempo, antes que terminassem de tomar um bom banho.

X

Durante o jantar, todos haviam ficado em silêncio. Haviam feito uma oração como já era de costume da família e se serviram com tranqüilidade. Yoh e Hao sentavam lado a lado, e Anna se sentava ao lado de Hao. Comeram em silêncio e, quando terminaram o jantar, foram para a sala como Kino havia ordenado. Keiko e Tamao haviam ido para a cozinha para cuidar da louça. Keiko achava melhor que a garotinha de cabelos cor-de-rosa não ouvisse a conversa, visto que os três poderiam estar em apuros.

- Muito bem. – Kino começou a falar, parando ao lado de Yohmei e na frente de Hao, Anna e Yoh. Os três estavam ajoelhados sobre almofadas e com os braços apoiados sobre a mesinha que havia ali. Kino se manteve de pé, apoiada na bengala e Yohmei também se manteve de pé, com as mãos atrás do corpo. – Quem é que vai começar falando? – Perguntou com tranqüilidade, mantendo o rosto virado na direção dos três.

Um silêncio pairou sobre a sala. Hao, Anna e Yoh permaneciam de cabeça baixa, pensando nas suas respectivas desculpas. Aquele silêncio fez com que Yohmei ficasse cada vez mais impaciente, e isso ficou evidente quando ele começou a bater o pé sobre o assoalho.

- Será que eu vou ter que escolher um dos três para começar ? – Yohmei perguntou olhando na direção de Yoh, que apenas encolheu-se abaixando mais a cabeça.

- Eu saí para treinar logo de manhã. – Hao se manifestou. – Mais tarde eu encontrei a Anna, ela estava passando perto de onde eu estava e ficamos conversando. Mas ela não teve nada a ver com isso, fui eu quem pedi para que ela me fizesse companhia. Depois do treino o Yoh foi me encontrar, e nós acabamos indo até a cidade para tomar sorvete, mas foi tudo idéia minha.

Yoh e Anna olharam na direção de Hao – que estava sentado no meio dos dois – parecendo um tanto surpresos, pelo gêmeo mais velho ter assumido a culpa assim. O que ele ganharia levando a culpa pelos dois? Yoh e Anna se entreolharam por alguns instantes, mas voltaram a olhar na direção de Kino e Yohmei ao ouvir a voz da velha senhora.

- Isso é mesmo verdade? Anna? Yoh? – A velha perguntou sem alterar o tom de voz. Hao era muito bom nas mentiras, mas não poderia enganar sua avó. Talvez Yohmei, mas nunca Kino.

- Eu saí logo cedo para caminhar e me encontrei com o Hao. Ele realmente me pediu para ficar lá com ele. Mas eu também fiquei porque quis. – Anna disse com calma. – Eu sinto muito se fiquei até muito tarde na rua, vovó. – Abaixou a cabeça. Anna tinha muito respeito por Kino, e demonstrava isso com clareza.

- Eu saí do treino e fui me encontrar com o Hao. Mas acontece que, no caminho, eu acabei encontrando uma garota e parei para ajudar ela. Por isso eu demorei pra chegar até onde o Hao estava, e a idéia do sorvete foi minha. Mas o Hao quem pagou.

- Por que mentiu então, Hao? – A velha perguntou com tranqüilidade. – Você sabia que eu descobriria, você não pode esconder nada de mim, meu neto.

- Eu não menti. De fato, o que eu disse era verdade. Menos a parte que eu tive a idéia para tomar o sorvete, mas no fim das contas ficou tudo por minha conta, e como eu era o mais velho, acabo sendo o culpado por não ter me responsabilizado direito pelos dois, não é mesmo, vovó? – Hao dizia com calma. Parecia não temer a avó apesar da forte imposição que ela tinha dentro daquela casa.

- De qualquer modo, eu farei com que o Yoh e o Hao tenham um castigo merecido. – Yohmei disse a olhar na direção dos gêmeos que apenas baixaram a cabeça. – Eu espero que você faça o mesmo com a Anna, Kino. Não podemos admitir nenhum tipo de indisciplina entre os Asakura, e como noiva do futuro sucessor da família, você deve ser tão disciplinada quanto eles. Estamos entendidos? – Yohmei perguntou a olhar para os três.

- Sim, vovô. – Anna e Yoh falaram em conjunto. Hao, porém, manteve-se em silêncio.

- Hao? – Yohmei chamou pelo neto, e as atenções se voltaram exclusivamente para ele.

- Tem um assunto que eu gostaria de tratar ainda hoje, vovô. E refere-se ao noivado da Anna com o Yoh. – Hao disse e deu um longo suspiro, apoiando as mãos sobre os joelhos.

Anna tornou o olhar para Hao, surpresa. Não esperava que o garoto tomasse uma decisão assim tão rápido. Na verdade, Anna nem esperava que Hao fosse falar com o avô. Já havia se conformado com a idéia de casar-se com Yoh, por ele ser o sucessor da família Asakura. Yoh apenas sorriu ao ouvir que o irmão tinha tomado uma decisão, mas logo voltou o olhar para o avô.

- Então diga, Hao. O que quer falar comigo sobre o noivado do seu irmão? – Yohmei perguntou, olhando na direção do neto.

- Acontece que...- O garoto começou, procurando as palavras certas para falar com o avô. Nunca havia sido o tipo de pessoa que gostava de pensar para falar algo. Pensar para falar as coisas assim dava muito, muito trabalho.

- Acontece que...? – Kino interferiu, olhando na direção do neto. – Diga, Hao. Nós não temos a noite toda.

"Que você está pensando em dizer, Hao? Vai enfrentar os seus avós por minha causa? Vai enfrentar toda a sua família apenas por um sentimento que surgiu assim? E se você não gostar de mim realmente? O que fará depois, Hao?" – Anna estava perdida nos próprios pensamentos. Abaixou a cabeça e deu um longo suspiro, esperando que Hao conseguisse falar algo.

- Acontece que eu gosto da Anna, vovó! – Hao disse por fim. Os avós se calaram ao ouvir o neto. – Eu não quero que ela se case com o Yoh, porque eu sei que ela não gosta dele. Além disso, o Yoh também não gosta da Anna. Mas eu gosto dela, e sei que ela também gosta de mim. – O garoto finalmente calou-se, e apenas baixou a cabeça ao terminar de falar.

- Anna ? Você concorda com tudo que o Hao disse ? Você realmente gosta dele ? – Kino perguntou com tranqüilidade, olhando na direção da discípula que ela mesma havia acolhido.

Anna ficou em silêncio durante um longo tempo. Parecia ter emergido dentro da própria mente, procurando uma resposta exata para esta pergunta.

"Você realmente gosta dele? Como podem me perguntar isso de um modo tão simples se eu o conheço há tão pouco tempo? O Hao... ele me faz sentir especial, disso eu não tenho dúvidas. Ele é realmente uma pessoa especial para mim. Eu..." - Anna deixou esboçar um pequeno sorriso nos lábios e ergueu o olhar para a mestra.

- Eu gosto do Hao, vovó. – Anna disse com convicção, quebrando todo o silêncio que envolvia aquela sala.

- Então temos um grande problema, Yohmei. Pois a Anna está sendo treinada para ser a mulher do sucessor dos Asakura. – Kino disse com calma.

- Você está disposto a lutar pela Anna, Hao? – Yohmei perguntou com calma, olhando na direção do neto.

- Se eu estou disposto a lutar por ela...? – Hao perguntou, parecendo surpreso com o que o avô havia dito.

- Foi o que eu perguntei. – Yohmei disse a olhar para Hao. – Apenas o sucessor da família Asakura poderá se casar com a Anna. Sendo assim, eu estou disposto a te dar uma chance de voltar a ser o sucessor da família e de ficar com a garota que você diz gostar.

- Que você está pensando em fazer, Yohmei? – Kino perguntou arqueando as sobrancelhas.

- Espera aí...- Yoh interferiu olhando para o avô. – Então ele vai ter que lutar comigo para poder ficar com a Anna e com a sucessão da família? – Perguntou.

- Não só com você, Yoh. – Yohmei respondeu. – Eu organizarei um torneio entre todos os alunos do dojo. Aquele que vencer o torneio, se casará com a Anna e sucederá a família, aprendendo todas as técnicas e segredos que nós possuímos.

- Você só pode ter enlouquecido, Yohmei. – Kino disse com ar de desaprovação.- Mas eu acho que vai ser interessante, ver os nossos netos lutarem pela sucessão da família, e pela mão da minha pupila. – Abriu um sorrisinho para Anna, que apenas ficou estática, olhando naquela direção.

- E então, nii-san? – Yoh olhou para o irmão, esperando que ele respondesse algo.

- Eu aceito. – Abriu um sorrisinho travesso. – Eu vou vencer esse torneio pra ficar com você, Anna. Eu prometo. – Hao disse com determinação e sorriu mais abertamente para a garota.

- Hao...- Ela murmurou baixinho o nome dele e ficou a olha-lo.

- Ótimo, então estamos todos conversados, não é? – Yohmei disse a olhar na direção dos três. – Eu começarei a organizar as coisas para o torneio amanhã. É bom que se preparem bem, vocês sabem que os meus alunos não são fracos. E nem pense em perder, Yoh. Se você perder, eu farei com que se arrependa pelo resto da sua vida. – Yohmei olhou para o neto de uma maneira que fez o garoto se encolher.

- Eu não estava pensando em perder! Eu quero lutar com o Hao e mostrar o quanto eu fiquei forte. – Abriu um sorrisinho para o irmão.

- Então agora vão todos para a cama. Hoje foi um longo dia e amanhã também será. – Kino disse a olhar na direção dos três.

- Certo, vovó. – Os três responderam em uníssono e foram subindo na direção dos próprios quartos.

Os três pararam de caminhar ao chegarem nas portas de seus respectivos quartos. Yoh colocou as mãos por trás da cabeça e ficou a olhar na direção de Hao e Anna.

- Pra tudo se dá um jeito! – O garoto disse animadamente. – Vai dar tudo certo, vocês vão ver. – E olhou na direção do irmão. – Eu não vou te dar moleza se você lutar comigo no torneio, nii-san!

- Eu não esperava menos de você, Yoh. – Hao respondeu a abrir um sorrisinho para o irmão.

- Bem, eu já vou ir dormir. Oyasumi, Anna-chan. Oyasumi, nii-san! – Despediu-se dos dois e foi correndo para o próprio quarto. Ouviram o barulho de algo se quebrando, seguido de um "Eu estou bem!" e Hao apenas balançou a cabeça negativamente.

- Esse é o meu irmãozinho. Às vezes nem parece que somos gêmeos. – Hao levou uma das mãos até a testa e abriu um sorrisinho, encostando-se na parede.

- Ele é um idiota.- Anna disse a cruzar os braços e desviou o olhar de Hao. Como ele podia estar tão calmo quando o futuro dela dependia dele?

- Não se preocupe, Anna. Vai dar tudo certo.- Hao disse com tranqüilidade.- Eu não vou perder o torneio.-Aproximou-se dela e afagou-lhe o rosto com cuidado.

- Se você perder... eu não vou te perdoar, Hao. Não vou... -Murmurou baixinho e apoiou a cabeça sobre o peito dele, que abraçou-a.

- Eu não vou perder, e isso é uma promessa. – O garoto disse a afagar-lhe os cabelos com cuidado.- Agora é melhor que você vá dormir, Anna.- Abriu um sorrisinho para a garota e deu-lhe um beijo na testa. – Oyasumi, Anna-chan.- Disse de modo carinhoso e afastou-se da garota em pequenos passos, indo para o próprio quarto.

-Hao... -Ela chamou-o meio hesitante e desviou o olhar. Ele parou ao ouvir a voz dela.

- O que foi, Anna? – O garoto perguntou e voltou-se na direção dela.

- Eu vou supervisionar o seu treinamento pessoalmente, entendeu? Eu não quero que você corra o risco de perder pra ninguém. – Cruzou os braços e lançou um olhar cortante na direção dele, que apenas riu.

- Tudo bem! Eu vou adorar ter uma companhia como você durante os meus treinos! – Mostrou-lhe a língua de modo travesso. – Durma bem, Anna. – Disse carinhosamente e voltou a caminhar na direção do próprio quarto.

- Você também...- Murmurou baixinho quando ele já havia encostado a porta e foi para o próprio quarto e deitou-se no futon, olhando na direção da janela aberta, onde se encontrava a Lua.

"Qual é o meu destino? Eu pensava, até algum tempo atrás, que o meu destino fosse a solidão. No entanto, quando eu conheci o Hao, tudo isso me pareceu muito vago. Será que eu devo me entregar para esse sentimento que eu possuo por ele? E se isso fizer ele sofrer? Talvez eu deva me concentrar nos treinos dele. Se ele for forte não terei que me preocupar se ele gosta de mim ou não. Ele apenas precisa estar bem e eu também estarei." – Foi pensando nessas coisas, deitada em seu futon, que Anna acabou por cair no sono.

Notas da autora:

Esse é o sexto capítulo e finalmente está terminado. Acho que demorei tempo demais pra postar, mas confesso que ando sem muito ânimo pra escrever e tudo mais. Enfim, eu tentarei me empenhar mais nessa fic daqui pra frente. Nesse capítulo eu só quis mostrar mais como os personagens pensavam, mas no próximo a Marion já volta a aparecer. Deixem reviews dizendo o que estão achando.