N/A:

- fala - // pensamento

XxX - passagem de tempo/ mudança do ponto de vista

Broken Wings

Capítulo 1

Os limpadores no pára-brisa funcionavam ao máximo porém, não pareciam aliviar em nada , se comparados a extrema violência da chuva. Incapaz de confiar na visão, o pobre motorista valia-se apenas de seus instintos e da alcunha de deserta há muito concedida àquela estrada.

Sem poder diminuir a velocidade, uma vez que seu passageiro certamente reclamaria, só lhe restava rezar a cada curva, torcendo para não errar o caminho.

Suspirou, mais que aliviado, quando conseguiu distinguir os contornos borrados da velha igreja.

-Espere no carro. – foi a ordem que recebem, tão logo estacionou. Sem esperar mais, o ilustre passageiro deixou o veículo, caminhando na chuva a passos largos.

Abrigou-se o mais que pode no diminuto telhado da porta da frente. Parou um momento para sacudir o grosso casaco, tentando se livrar de parte da água, e girou a maçaneta. Resmungou quando se viu forçado a bater.

Os minutos se passaram com impaciência. Aos poucos o som de passos apressados pode ser ouvido, crescendo, até que foi substituído pelo estalo preguiçoso da fechadura e o ranger agourento das dobradiças.

-Vossa Excelência'. – cumprimentou o homem que abrira a porta, fazendo uma mesura – Vossa Reverendíssima'' o aguarda.

-Leve-me até ele.

Entraram na igreja, cruzando rapidamente o pequeno salão principal. Por trás do altar erguia-se uma grande cruz de madeira, com detalhes de um dourado apagado, aos seus pés um pequeno alçapão. Abriram, revelando os primeiros degraus de uma tortuosa escada, iluminada por lampiões incrustados na parede.

Um grito de dor cortou o ar parado, causando arrepios no homem que abrira a porta. Porém, o bispo não se mostrou surpreso ou mesmo abalado.

-Se apresse. – fora tudo que dissera, num tom extremamente casual, disfarçando com perfeição a ansiedade que o corroia.

Começaram a descida, seus passos ecoando entre as paredes de pedra. O silêncio era pesado, quebrado somente pelos gritos que ficavam cada vez mais altos e desesperados. Por fim, chegaram a uma grossa porta de ferro.

- Vossa Excelência. - retomou o homem, indicando a porta. A essa altura já estava amedrontado demais para bancar o bom servo, de modo que simplesmente virou e se foi, subindo a escada de dois em dois degraus.

O recém-chegado sorriu triunfante. Anos de trabalho árduo finalmente davam frutos! Ali, protegido como o mais precioso dos tesouros, nascia a criança abençoada, o único anjo entre os mortais.

E ele era seu.

A pesada trinca foi erguida, a porta sendo levemente aberta, deixando um feixe de luz escapar. O bispo ergueu uma sobrancelha. Não havia batido.

-Joseph. – sussurrou uma voz de dentro do quarto, sendo imediatamente reconhecida.

-Lee. – foi a resposta do visitante, com o tão característico ar de enfado.

A porta foi finalmente aberta, revelando uma figura alta, de traços orientais, cabelos muito curtos e pequenos olhos negros, protegidos pelos óculos de armação simples. O padre recuou, dando passagem ao superior.

Joseph escaneou o cômodo com olhar crítico e aguçado, já procurando qual seria o erro. Revirou na memória tudo que podia, dando-se por satisfeito apenas quando teve certeza que nada estava fora do lugar.

Era um quarto repleto de conforto e luxo, mobilhada ara atender a todas as necessidades de sua hóspede. Esta, escolhida a dedo pelo próprio bispo, se encontrava deitada na cama, exausta.

Hn. Cumpriu seu trabalho. – analisou, passando a correr os olhos pelo ventre, o lençol sujo de sangue, a madre idosa com duas trouxas nos braços...

-Não pode ser... – deixou escapar.

-Temo que sim. São gêmeos. – confirmou o padre com pesar.

O bispo, ainda incrédulo, aproximou-se da madre, encarando receoso os dois rostos pequenos e idênticos.

-Qual? – indagou, depois de um minuto de mudo contemplação. A senhora porém, balançou a cabeça tristemente.

-Não sabemos, Vossa Excelência. Não há marcas nem nada semelhante. Os dois são exatamente iguais.

-O que faremos? – perguntou Lee, também se aproximando dos recém-nascidos.

Joseph fechou os olhos, tentando se manter impassível ante a raiva que lhe brotava no peito. Fechou as mãos com força. Respirou fundo.

Eu não cometo erros. Um deles é o anjo!Maldição! Não posso arriscar. – pensava, ciente da única saída que tinha, ainda que se negasse a admitir. – Cedo ou tarde o anjo irá se revelar. Até lá, trataremos ambos da mesma forma.

Um trovão ecoou, selando a sentença. O destino de todos estava selado.

O bispo se virou, pronto para partir. Antes, porém, virou-se uma última vez para a mulher na cama: seus cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro, molhados de suor, a tez pálida, os lábios secos e feridos, os olhos verdes vacilantes ainda presos nos filhos. Sem dúvida, uma bela dama.

Só que isso não importava mais.

Continuou seu caminho, a voz austera voltando a ecoar:

-Mate-a.

XxX

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Yo, minna-san! )

Minha primeira saga!!! (solta fogos d artifício)

Desculpem pelo começo meio lento. É q, se eu ñ fizer assim ñ vai dar pra entender direito. T.T

Mas, ñ se preocupem, no próximo cap os gêmeos aparecem! \o/

Agora, uma pequena explicação sobre os termos desse cap:

-Vossa Excelência Reverendíssima ou Excelentíssimo Reverendíssimo - forma apropriada de se dirigir a um bispo, na fic, eu optei por Vossa Excelência apenas. (espero q ninguém me mate por conta disso u.u)

-Vossa Reverendíssima ou Reverendo padre - forma apropriada de se dirigir a um padre, na fic, usarei apenas Vossa Reverendíssima.

Essas informações vieram do "Manual de redação da PUCRS" e espero, sinceramente, q eu ñ tenha interpretado errado ¬¬'

Reviews! .

Karol Uchiha

Q bom q vc gostou, Karol! Espero continuar agradando! XD

Como prometido, aí está o primeiro cap!

Uma pena q só vc comentou T.T

Bjs & até daqui a uma semana!

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Ei, psiu! Vc mesmo q está lendo essa fic. Sabe aquele botãozinho roxo ali embaixo escrito "go"? Então, ele faz milagres! Aperte-o e deixe uma autora feliz! o/