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- fala - // pensamento

XxX - passagem de tempo/ mudança do ponto de vista

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Broken Wings

Capítulo 2

Você sabe como é estar sozinho?

Sabe como é acordar num quarto escuro, assustado e trêmulo, e não ter ninguém para dizer que foi só um pesadelo?

Sabe como é cair, sem ninguém por perto para ajudar a levantar?

Eu não.

Foi por isso que senti tanto medo daquela vez...

O médico saiu do quarto, carregando sua maleta. Encarou os rostos preocupados e ansiosos da madre e do padre que o aguardavam e, depois, sorriu cansado.

-Está tudo bem. – disse amável – Só uma dessas viroses malucas que vêm e vão.

-Mas eu nunca o vi dar um espirro sequer. – manifestou-se a senhora.

-Não creio que haja motivo para espanto ou preocupação. Essas coisas acontecem. Mesmo a criança mais levada enfraquece às vezes.

-E o irmão? – o padre tomara a palavra

O doutor coçou a careca, obviamente sem jeito.

-Esse sofre um dos piores casos de cabeça dura que eu já vi. Desculpe, mas não consegui convencê-lo a sair.

-Entendo.

-Bem, aqui está a receita. – e entregou uma folha de papel a madre – Se a febre piorar sigam as instruções no verso.

A senhora apertou os olhos, já cansados do longo dia, tentando ler o que fora escrito. Somente quando teve certeza de que entendera tudo é que dobrara o papel.

-Algo mais?

-Só o de sempre: descanso e boa alimentação. Mas já vou avisando, não dou nem três dias e ele vai estar correndo pelos corredores outra vez.

Assim os três se foram, saindo da ala dos dormitórios, deixando para trás uma porta grossa ligeiramente entreaberta.

-Estamos sozinhos. – disse um garoto, fechando a fresta pela qual espiava, trancando a porta em seguida.

Ele era alto e magro, de corpo esguio e levemente definido, já nos moldes de adulto. Sua tez era clara e seus traços delicados. Tinha cabelos curtos e rebeldes, de um tom discreto de ruivo, e exóticos olhos ambarinos. Uma beleza rara e ímpar, não fosse pelo irmão.

-Então fica aqui. – pediu uma voz idêntica, vinda de um corpo mais idêntico ainda. O que estava de pé sorriu e voltou a se sentar na beirada da cama mas não sem antes trocar o pano úmido na testa do enfermo.

Os sons foram se perdendo, sumindo enquanto os olhos iguais se encaravam . Nesses momentos, lendo a alma um do outro, era como se voltassem a ser um só, compartilhando e dividindo sensações a um nível que rompia a barreira da compreensão.

Não, ninguém jamais poderia entender a relação entre eles, o poder daquele enlace. Por mais que tentassem, não se compreende uma qualidade natural, a essência.

Não, algumas coisas só podem ser vividas, sentidas. Algumas coisas simplesmente são.

E eles eram assim.

Estavam juntos desde sempre, ou melhor, nunca haviam se separado. Nem mesmo a dor de serem órfãos, abandonados na igreja sem qualquer pista de quem eram, não era suficiente para ofuscar o brilho dessa união.

Eram amigos, irmãos, gêmeos.

Dois corpos, uma alma.

Mesmo assim, não eram iguais. Jamais poderiam ser.

Hikaru era sincero, por vezes inocente. Falava o que pensava e raramente voltava atrás. Teimoso ao extremo, não sabe desistir, mesmo que paciência não seja bem o seu forte.

Já Kaoru, apesar de ser o mais novo, tem um jeito mais defensivo e desconfiado. Calculista, gosta de saber em quê encrenca estão se metendo, assim como 'como' sair dela. Teimoso porém menos impulsivo, sabe quando recuar, sendo assim um contra-ponto perfeito.

Todavia, por mais que tais diferenças pareçam óbvias, elas só acontecem no íntimo dos ambarinos. Infelizmente, a maioria das pessoas só vê, não faz questão de enxergar, por isso os gêmeos nunca eram diferenciados.

E isso machucava. Tanto que passaram a brincar, enganando a todos. Mesmo quando alguém acertava sem querer eles mentiam, confundindo e afastando qualquer um que tentasse se aproximar.

Criaram um mundo só deles, impenetrável e incompreensível para todo o resto. Ninguém os veria, tampouco entenderia.

Ninguém os separaria.

Mas foi um erro. Pelo menos para um deles.

Há tempos que se sentia assim, como se o mundo se resumisse a uma só pessoa. Não conseguia interagir com mais ninguém sem que seu irmão estivesse por perto. O fogo queimava em suas veias, mas o frio contorcia seu estômago, deixando-o acuado ante o que sentia.

Sabia-se espelho e sabia-se reflexo porém, tal sentimento não se encaixava. Era algo só dele, não dos dois! Pior, não tinha mais desculpa.

Deixara de ser fraterno.

Crescera, possuíra, corrompera...

Agora, sua única chance era esconder, de tudo e de todos. Enterrar bem fundo, rasgando o peito, até encontrar o recanto mais escuro de sua alma, um lugar onde nem mesmo Hikaru se atreveria a procurar.

Um segredo sujo a lhe macular, uma ferida que não cicatrizava, sempre sangrando, sempre doendo. Um...amor...

Só que o mundo não aceitava.

Não tinham nada em que se apoiar, ninguém para gritar por ajuda. A humanidade, já sabiam, era cruel demais para estender a mão.

Não, mesmo que doesse, o melhor era guardar pra si. Jamais poderia condenar seu amado a tal tortura.

-Quero água.

O pedido rouco cortou seus pensamentos. Kaoru estremeceu de leve, assustado e envergonhado, o coração batendo furiosamente. Acabou levantando um pouco brusco, pegando a jarra no criado mudo com mãos trêmulas.

O mais velho piscou, incerto. O olhar do gêmeo estava estranho, não, ele todo estava estranho. Não parecia triste ou mesmo cabisbaixo no entanto, algo parecia incomodá-lo.

Porque está me escondendo?estava a um passo de transformar o pensamento em som quando um acesso de tosse lhe acometeu.

-Hikaru! – preocupou-se o caçula, voando para o leito do irmão totalmente esquecido da água. Sem hesitar, passou o braço pelas costas convulsivas e suadas, amparando-o em seu peito.

Aos poucos, o barulho foi cessando, a respiração se tornando leve e regular outra vez, os corações voltando a conhecida sintonia. O primogênito abriu a boca, não esquecido da pergunta e pronto para fazê-la.

Porém, mesmo que a tivesse feito, Kaoru não responderia. Estava ocupado, massageando as costas do irmão bem de leve, enquanto cantarolava uma velha e conhecida canção.

Assas quebradas

Tenham uma casa hoje

Ninguém está ouvindo, ninguém está ouvindo

Quando a escuridão caiu sobre as ruas ontem a noite

Nós nunca esperamos, nós nunca esperamos isso...

Não, o mais novo estava longe, totalmente inalcançável, embriagado pelo calor de Hikaru, as mechas úmidas que quase escondiam os olhos lacrimejantes, as faces fortemente coradas, os lábios entreabertos...

A música que vibrava em sua garganta foi totalmente esquecida, deixando de ter significado para se transformar num punhado de notas sem valor. A verdadeira essência morreu, esmigalhada em mil pedaços quando os dedos trêmulos tocaram o rosto suado.

Um alarme soava na cabeça de ambos, gritando em desespero, tentando abafar o que o coração tanto pedia. Infelizmente, era tarde demais.

Hikaru tocou o rosto do irmão, imitando o gesto.

Porque eram espelho e reflexo.

Ainda que não entendessem o que estava acontecendo, mesmo que sequer conseguissem imaginar as conseqüências, isso não impediu os rostos de se aproximarem.

Desculpe.

Tem mesmo que ser assim? – Hikaru se indagou, ao ver uma solitária lágrima rolando pelo rosto de Kaoru.

Os lábios se encontraram no mais leve e puro dos contatos.

O resto se desfez em luz...

XxX

Oi gente! \o/

Ñ falei q eles iam aparecer )

Haoku e Hikaru: finalmente ¬¬

Yue: u.u'

Reviews! .

Karol Uchiha

bem vinda d novo hehe

o joseph ficou mesmo parecido c/ o kyoya? ñ era essa a intenção o.o'

e a sua brincadeira tá valendo! enquando vc mandar review estamos aí XD

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Pra fechar uma notícia q é boa pra mim, mas q talvez ñ seja tão boa pra quem está acompanhando: eu vou viajar, logo eu Não sei se poderei atualizar na p´roxima sexta feira. Farei o possível mas ñ garanto nada, ok?

Bjs e até a volta )