N/A:
-fala- // pensamento
XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista
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BrokenWings
Capítulo 5
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Esse é o mundo
Pessoas sem rosto
Veneno disfarçado de benção
Seria muito egoísmo dizer
Que só me importo com você?
Os dias passaram arrastados, se acumulando como uma longa espera no corredor da morte. Não importava o quanto se esforçassem, nada parecia capaz de mudar alguma coisa, por mais mínima que fosse. As desculpas eram sempre as mesmas.
Os olhares eram sempre os mesmos.
Feridas foram abertas, sangrando em abundância, alimentando a solidão. E eles sentiam, logo não haveria mais lembranças felizes, só as novas, tristes e sufocantes.
Breve, muito breve...
Estariam mais sozinhos do que nunca...
A porta da biblioteca rangeu, seu grito mostrando a todos há quanto tempo estava ali. Alguns olhares se voltaram aos recém-chegados porém, logo morriam, a curiosidade se apagando como uma reles vela ao descobrir quem eram.
Os gêmeos seguiram em frente, tentando ao máximo ignorar aquele ambiente. Estavam confusos mas, acima de tudo, irritados. A cada dia as palavras de Licht se tornavam mais fortes e verdadeiras.
Maldito. – pensava Hikaru, já farto de todo aquele teatro. Se tinham algum problema, que falassem logo de uma vez!
Infelizmente, jamais seria assim tão fácil. E Kaoru sabia disso.
Um mês, nada mais que isolamento. Afinal, o que eles querem? – não havia momento em que não se perguntasse o "porque", em que não voltasse os próprios passos em busca de uma falha, crítica o bastante para condená-los a isso.
Mas era só teimosia, pura e simples.
No fundo, já sabia onde tinha errado.
Se eu soubesse que acabaríamos assim, conseguiria me impedir? – perdeu-se entre dor e culpa, sem perceber que ia fundo nos ambarinos do irmão.
-Tudo bem? – indagou o mais velho, ao sentir-se observado. Algo estranho estava acontecendo entre eles.
Kaoru deu um meio sorriso apagado, como se pedisse desculpas, então puxou o gêmeo para um abraço apertado. Estavam isolados, protegidos pelas grandes estantes de livros, não precisavam fingir, não precisavam se mostrar fortes.
Ali, sozinhos, quando voltavam a ser um só, podiam chorar e consolar...
Mas o tempo não era misericordioso, nunca seria.
-Melhor começarmos a pesquisa. – disse Hikaru alguns minutos depois. Rompeu o abraço e se afastou, sumindo entre os livros.
O caçula suspirou, sem saber se de frustração ou de alívio. Por um lado não podia ficar ali, esquecer tudo e simplesmente se entregar. Por outro, o perfume doce e envolvente, a respiração quente em seu pescoço, a pele alva contra a sua, mesmo que sob o uniforme...Deus! Não poderia haver tortura pior que essa!
Será que seus lábios ainda são doces? – praticamente suplicou, quase sucumbindo a vontade de prová-los outra vez. No entanto, sabia que não poderia fazê-lo. Não queria pressionar nem forçar a nada. Hikaru parecia disposto a esquecer, então Kaoru faria o mesmo.
Era um pecado, não era? Nada melhor que fingir que não aconteceu.
Eu só queria que não doesse tanto. – lamentou-se enquanto encarava o mesmo caminho que o irmão tomara sem sequer perceber. Suspirou, desistindo do que quer que esperava, e tentou se concentrar na pesquisa.
XxX
O quê foi isso?
Seu corpo tremia, os olhos teimavam em embaçar. O coração batia irregular, como se um grande pedra o esmagasse pouco a pouco.
Porque me sinto sufocado?
Algo não estava certo. Tal qual um pequeno demônio escondido no abraço, um segredo que nem mesmo eles poderiam compartilhar.Uma sensação que não deveria existir.
Lembrou-se do olhar do mais novo. Aquele brilho, tão intenso como jamais vira, parecia prometer algo novo, desconhecido e obscuro, assustador. Como se o empurrasse lentamente para um precipício, condenando-o a cair e cair, sem nunca mais ver a luz do sol novamente.
-O quê você quer? – perguntou num fio de voz. Não tinha nada a oferecer, tudo já era dele.
Olhou pela janela, fitando o céu poente. Em breve não haveria mais sol, a lua reivindicaria seus domínios.
-Por favor, não me faça temê-lo. – pediu, em fraca oração, a quem estivesse disposto a ouvir.
E, infelizmente, alguém estava.
XxX
A parte mais escura da biblioteca.
Um lugar onde nem mesmo os veteranos se atreviam a ir.
O ar parado, empesteado com o cheiro de mofo; as teias de aranha, as camadas de pó que se acumulavam sobre os livros, tão antigos eu nem mesmo as próprias palavras gravadas neles ainda eram capazes de revelar seus segredos, que dirá a limitada memória humana.
Sim, esse era o lugar.
Assombrado por histórias e lendas, fatos distorcidos pela fantasia. Uma das mais famosas era a das catacumbas, escondidas entre os velhos e abandonados alicerces. Reza o mito que a única maneira de entrar era apertando uma pequena cruz entalhada na parede de pedra, oculta por uma grande e sinistra gárgula.
Como se saía, no entanto, era um mistério que perdurava até hoje. Nunca ninguém descobriu, ou voltara para contar.
Essa era a lenda.
Porém, toda a lenda tem um pouco de verdade. Toda a lenda tem seu segredo.
E os olhos azul-dourados já o conheciam.
Caminhou a passos firmes e decididos, mesmo que tudo estivesse envolto em penumbra. Seu caminhar era cortado apenas pelo tímido farfalhar das árvores e por eventuais pios de corujas. Encontrou a tal cruz e a apertou, deliciando-se com a facilidade com que a pedra cedia sobre seu toque
Sorriu, ao ver a pequena passagem que se abria, onde antes só havia a parede.
Então é aqui que você se esconde
XxX
Ouviu o mecanismo da porta ser acionado e, instintivamente, fechou o livro. Estava surpreso, nunca ninguém o perturbara naquele aposento.
-Vossa Excelência. – cumprimentou o intruso, saindo das sombras para se banhar na fraca luz das velas.
O bispo o encarou. Tinha cabelos curtos muito bem alinhados, de um tom médio de castanho e ligeiramente branco nas têmporas. Seus olhos eram de um verde muito escuro e astuto, beirando o negro, e nada demonstravam. Vestia-se como era apropriado a sua posição, fugindo a regra apenas o grande rosário negro que mantinha em mãos, apesar de um branco adornar seu pescoço.
-E você seria?
-Licht, Vossa Excelência. Sou aluno do segundo ano, turma A. – disse, sem uma única mostra de hesitação. Seu coração poderia estar disparado mas jamais iria demonstrar.
-Pois bem, em que posso ajudá-lo, Licht? – pronunciou o nome com calculada lentidão, em busca de qualquer reação que o outro pudesse causar, os olhos escuros fixos no rapaz. Os cabelos dourados presos para trás, os olhos azuis com rasgos em ouro, a pele alva, os traços fortes mas ainda delicados; nada, absolutamente nada escapava das esmeraldas.
Qual a sua fraqueza?
Enquanto isso o loiro tentava encarar o olhar de igual para igual, mesmo que parte de si dissesse para baixar a cabeça. Sentiu as faces esquentarem e agradeceu a pouca luz do lugar. Aqueles olhos pareciam devorá-lo.
-Só estou aqui para avisar o senhor. Dois dos que vivem entre nós são pecadores do pior tipo.
-Hum, é mesmo? – fingiu-se de interessado, ainda avaliando o garoto. Críticas como essa chegavam a seus ouvidos todos os dias, porque deveria se importar dessa vez?
O que você espera ganhar com isso?
O garoto estremeceu quase imperceptivelmente. Então era isso? O bispo queria mais?
Um motivo para confiar em mim, talvez? – ponderou o loiro, o coração ligeiramente apertado.
Estudou as possibilidades. Não queria dizer seus nomes, pois já havia dito o seu, o que poderia lhe causar problemas se a informação vazasse. Infelizmente, desistir não era, nunca foi uma opção.
Conteve um suspiro. Aquele olhar lhe encurralava pouco a pouco, explorando cada brecha em busca de um erro. Era insuportável e doloroso, como se um gigantesco verme revirasse suas entranhas, cada vez mais fundo, até chegar à alma.
Só havia um jeito de tal poderoso ser acreditar em si...
Levantou, deixando que um sorriso mínimo brincasse em seus lábios rosados. Munido de todo o auto-controle possível, caminhou confiante até o moreno, inclinou-se e, envolto no perfume cítrico que exalava do outro, sussurrou em seu ouvido:
-Os gêmeos...são incestuosos.
Tornou a erguer-se, lançando um olhar maldoso ao bispo, tentando encarar as esmeraldas de igual para igual. Depois, simplesmente se virou e saiu, sumindo nas mesmas sombras em que viera.
Joseph se acomodou melhor na cadeira, feliz. Sabia que, se fosse verdade, precauções precisariam ser tomadas rapidamente. Contudo, tal ameaça também era a chance que tanto esperara.
-Licht, hum? – sibilou, ainda encarando a saída. Ao contrário do que a aparência sugeria, o loiro era um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Um predador com esse potencial poderia lhe ser útil.
Então é isso que você quer.
XxX
Saiu da suíte já de pijama, vendo Kaoru sentado na borda de uma das camas, igualmente vestido.
Como posso explicar? – indagava-se o mais velho.
Os ambarinos se encararam, penetrantes...sinceros...mas Hikaru não entendia! O quê era aquilo que passara a brilhar no olhar do irmão?
Como te dizer que nosso enlace me assusta?
Baixou a cabeça, deixando que a franja ruiva ocultasse o que não estava pronto para revelar. Caminhou, ainda cabisbaixo, sentando-se na cama vazia.
A recusa foi como uma punhalada para o caçula. Abriu a boca, a mão já erguida, na esperança de trazer o gêmeo para si. Porém, teria esse direito? No fim, só iriam se machucar...
Tenho que me afastar. – Kaoru fechou os olhos por um momento, tentando convencer a si mesmo. Deitou-se, puxando a coberta até o queixo, o rosto virado para a parede, receoso que Hikaru visse seu coração ferido.
Instantes depois, a luz se apagou.
XxX
Os gritos vibravam em sua alma, ferindo-a. Promessas de desespero, dor e morte, feitas no calor furioso da batalha e tendo somente o sangue do próximo como testemunha.
Cercado pelo caos, ele continuava observando a luta a sua volta, os braços ao redor do corpo na vã tentativa de conter o que sentia. Porque estava ali, cercado por criaturas e corpos? Essa guerra não era sua, não merecia sofrer.
Porque estou sozinho?
Como que respondendo a sua pergunta os gritos cessaram e um calor gostoso pareceu envolvê-lo, trazendo calma e paz. Hesitante, abriu os olhos que sequer percebera fechados, vendo-se isolado do bizarro campo de batalha.
Estou...livre?
Os ambarinos se revelaram por completo, encarando em choque a figura a poucos metros de si.
-Hikaru! – chamou, correndo em sua direção. O gêmeo fez o mesmo, espelhando os movimentos, uma palavra escapando de seus lábios e se perdendo no ar.
Kaoru esticou os braços em desespero porém, um pequeno sorriso ameaçava iluminar seu rosto. O medo, a guerra, tudo de ruim tinha desaparecido, evaporado de sua alma, deixando apenas Hikaru, seu doce e querido Hikaru.
Não estava sozinho...
É errado ter esperança?
Os dedos estavam prestes a se encontrar quando uma fina parede de gelo se pôs entre eles. Inconformados, começaram a bater nela, Kaoru berrava, chamando pelo irmão. Os lábios de Hikaru apenas se mexiam.
-Não vá! – implorou quando seu corpo finalmente fraquejou, as mãos já sangrando, maculando a superfície vítrea.
Mas era tarde demais.
A imagem de Hikaru trincou e rachou, explodindo contra Kaoru, ferindo-o com os estilhaços, quase o levando ao chão. Em seu lugar, apenas uma imponente figura em branco e azul.
Anjo? – a palavra surgiu enquanto lutava para se manter de pé.
O olhar que recebia era intenso, parecia queimar e destruir enquanto ia cada vez mais fundo, mais até que os prórpios ambarinos do mais velho. Mas isso de nada importava, por mais assustado e ferido que estivesse, não conseguia esquecer o irmão.
-O que você fez com Hikaru? – exigiu, fingindo uma força que não tinha. Não desistiria, não sairia dali sem sua metade.
O anjo sorriu debochado e fechou os olhos.
O chão sob seus pés se desfez e Kaoru caiu num grande e negro vazio. Gritou, os olhos fortemente cerrados, prevendo o impacto que sentiria.
No entanto, o tempo passou e nada aconteceu. Como se, quanto mais caísse, mais se afastasse do fim, um pobre diabo, condenado a cair e cair...eternamente.
A mente usou esse fato como base, tentando se agarrar a algo. Os nervos estavam em frangalhos mas ainda havia um último resquício de sanidade. Sim, ainda havia.
Foi quando veio a dor, tão intensa e rascante que nem mesmo o grito que se seguiu pode aliviá-la. Seu corpo enrijeceu, trincando e rachando, virando pó ante seus olhos.
-Nii...san. – sussurrou quando o próprio rosto começou a rachar. Fechou os olhos.
No vazio infinito, todo o seu ser se desfez em pó.
XxX
Bom, hoje eu ñ sei o q dizer. Então, vamos pular logo para as reviews, ok? oob
Kaoru e Hikaru: falta d inspiração, é? ¬¬ ¬¬
Yue: çç
Reviews! \o/
KarolUchiha
Realmente, esse colégio é terrível
O Licht também, só ta aí pra atrapalhar
E sim! Definitivamente o Kaoru é muito fofo! XD
Bjs!
Shuu-chan KC
Cara, eu sou muito lerda! ¬¬'
Só agora q eu percebi q vc é a autora de "Bokura no Love style"
Sorry por ainda ñ ter comentado o segundo cap. Ñ tenho nem desculpa dessa vez.
Hikaru e Kaoru: òó òó (tacando pedras)
Yue: x.x
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Bom, é isso.
See you!
