N/A:
-fala- // pensamento
XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista
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Broken Wings
Capítulo 6
-HIKARU!
O grito ecoou pelo quarto, logo seguido pela respiração entrecortada. Dor, medo e lágrimas, tudo se misturava e feria, enquanto tremia, os olhos baços só enxergando escuridão. O braço continuava estendido à frente, tentando agarrar algo que não estava mais ao seu alcance.
Talvez, nunca tenha estado.
-Um sonho. – sussurrou, a mente lentamente voltando a realidade. Porém, em vez de alívio, tudo que conseguiu foi sentir-se mais encurralado.
O que foi aquilo? Quem era aquele anjo? Porque aparecera no lugar de Hikaru
O que está acontecendo?
Dobrou as pernas, abraçando a si mesmo, escondendo o rosto entre os joelhos e fechando os olhos. Eram tantas perguntas, tanto medo de saber as respostas. Gemeu, tentando guardar tudo dentro de si.
O tempo passou, indiferente ao seu sofrimento. A lua, carinhosa e tímida mãe, envolveu-o com sua luz, na esperança de consolá-lo. No entanto, os ambarinos continuavam fechados para o mundo.
Tudo isso é um castigo por te amar?
Abriu os olhos, a consciência oscilando perigosamente. Mesmo assim, precisava vê-lo, lembrar-se do quanto era errado.
Mas Hikaru não estava lá...
XxX
As estrelas brilhavam, milhares de pontinhos espalhados pelo céu de ébano, acompanhados pela majestosa lua.
Estão mesmo tão longe quanto nos fazem pensar? – esticou a mão, como se assim pudesse pegar uma estrela. Não sabia por que, mas algo lhe dizia que era possível.
Poderia uma delas aliviar meu coração? – fechou a mão, trazendo-a ao peito, tentando suavizar nem que por um ínfimo instante a dor que sentia. Estava tão confuso, tão perdido em meio a sensações desconhecidas, sequer lembrava como tudo começara.
Hikaru
Virou a cabeça de súbito, olhando assustado para o resto do cômodo escuro. Porém, por mais que desejasse, sabia que não encontraria ninguém.
Suspirou cansado, concretizando sua suspeita. Nada, absolutamente nada.
-Estou ficando louco. – ponderou, apoiando-se ainda mais no parapeito da janela. Só assim para se sentir chamado por ninguém.
Só assim para querer tanto ir.
O grande sino badalou, ecoando pelas trevas da noite. Era tarde, muito tarde. Não deveria ficar ali.
Fechou a janela e se virou, dando as costas para as belas estrelas, saindo da luz da doce lua. Simplesmente se foi, sem olhar para trás.
Através do vidro, os olhos que o observavam também desapareceram...
XxX
Caminhava pelo corredor escuro totalmente seguro de seus passos. Não precisava de velas ou qualquer outra luz, suas memórias eram mais que suficiente para guiá-lo. Depois de toda uma vida, podia afirmar com orgulho que conhecia todos os segredos daquele lugar.
Porém, não era nisso que pensava agora.
Apertou mais o pequeno livro preto entre suas mãos, tentando conter a ansiedade. Aquela era sua arma, sua preciosa e poderosa arma. Tudo que precisava estava ali.
Agora, só faltava escolher qual dos dois condenaria.
XxX
Abriu a porta, suspirando aliviado quando nenhum ruído foi feito. A biblioteca o recebeu, desolada e assustadora.
Mesmo assim ele foi frente, os olhos tentando se acostumar a escuridão. Algo parecia chamá-lo, num sussurro tímido que ecoava no fundo de sua alma.
Kaoru só rezava para que fosse Hikaru a lhe chamar.
Continuava a andar, perdendo-se no labirinto de estantes, dividindo-se entre a realidade cruel e histórias fantasiosas. No entanto, o desconforto foi se dissipando, deixando-o relaxado e leve, com um acanhado sorriso brincando em seus lábios. ainda que não conhecesse nem um centésimo de tudo que estava ali.
Foi quando chegou àquela parte.
O ar congelou em seus pulmões, impedindo a respiração. Os membros paralisaram, pesados como chumbo. Os olhos vidraram e embaçaram, desfazendo o cenário a sua volta.
Por fim, a própria consciência se apagou.
XxX
O chão fugiu de seus pés, ameaçando levá-lo com ele. Por sorte, Hikaru fora mais rápido, apoiando-se contra a parede e evitando a queda.
O que foi isso? – indagou-se, a respiração acelerada pelo susto, olhando ao redor apenas para se ver sozinho no corredor.
Ou nem tanto.
A alguns passos à frente, uma grande porta jazia, esquecida entreaberta.
Quem estaria acordado há essa hora?
Curioso, resolveu se aproximar, os sentidos em alerta. Entrou na sala, encontrando-a escura e silenciosa. Sem escolha, acendeu as luzes, torcendo para que ninguém saltasse das sombras.
Somente quando as lâmpadas piscaram e acenderam é que se deu conta de onde estava.
Tsc. Não podia ser um lugar menor não? – desanimou ao encarar a biblioteca. No entanto, em vez de dar a volta e sair, convencido de que não havia ninguém ali, o mais velho dos irmãos continuou andando. A cada passo o coração batia mais forte, aumentando cada vez mais a sensação de que deveria estar ali.
Por quê? Não sabia.
Apenas sentia que algo estava para acontecer.
E ele precisava estar lá.
XxX
Ao anjo que vier a terra
O pranto do mundo lhe caberá parar
Aos servos Dele, lhe caberá a proteção
Ao demônio oculto, só restará à destruição
As lágrimas escorriam, manchando o grande e antigo livro. Milhares de pensamentos cruzavam sua mente, bem como flashes desconexos explodiam ante seus olhos. Em meio a todo esse caos, não lhe importava como conseguira o livro nem o por que.
De onde vem essa dor? – a respiração não passava de um chiado vacilante, as pernas tremiam, a visão escurecia. Oscilou perigosamente, tombando pra frente, os olhos fechando...
-Kaoru!
Pôs o pé a frente, firmando o corpo. Ergueu a cabeça, os ambarinos arregalados, porém límpidos.
-Hikaru. – sussurrou espantado, olhando incrédulo para o gêmeo.
O primogênito continuou lá, estático, os dedos sobre os lábios, como se assim pudesse recuperar o grito que libertara. Não, ele não quisera chamar a atenção, na verdade, bastou ver o gêmeo para ter o impulso de sair, tão silenciosamente quanto entrou.
Então, porque não conseguia? Porque continuava lá, parado, hipnotizado pelas lágrimas do irmão?
O mais velho sentia que fazia parte de tudo aquilo, algo maior, que os esmagava como uma sombra. No entanto, parecia tão...surreal. Uma desculpa barata para mascarar o pior dos pecados.
Era isso não era? O brilho desconhecido não passava de algo sujo e vulgar!
Não podia aceitar! Não podia ceder! Mesmo que fosse para seu outro eu.
Mas, porque é tão difícil?
XxX
Via-se novamente no campo de batalha. Só que não havia mais gritos, nem o clangor das espadas ou mesmo o choque de escudos. Não, agora só restava o silêncio lúgubre, sinistro e vazio, luto fechado, lamúria inaudível.
O mesmo silêncio que se apossa do coração quando ele para de bater.
Armaduras partidas, lâminas quebradas.
Corpos que se estendiam pelo horizonte a fora, rompendo a barreira do contável.
Penas brancas e negras, manchadas de sangue.
A lua vermelha brilhava esplendorosa, feliz ante o sacrifício que lhe fora oferecido. Mas Kaoru não a via, nem a ela nem os corpos. Não.
Para ele só existia Hikaru, parado a poucos metros de si, olhando para ele, chamando...
A reza ecoava, nada mais que um sussurro lânguido...
Você é o anjo? – caminhava vacilante, se aproximando como podia. O caminho era árduo. O sonho lhe assombrava.
Isso faz de mim o demônio?
Alguns passos, só mais alguns passos. Tão perto mas exigia tanto. Estava tão cansado...até seu coração parecia se negar a continuar.
O ritmo foi mudando, acelerando...
Os joelhos cederam, levando-o ao chão.
Por quê?
Eu só queria te amar...
Fechou os olhos.
As palavras se tornaram mais altas...
Não! Sua vontade era mais forte, tinha que ser!
Os ambarinos se abriram. Esticou os braços, projetando-se pra frente. O livro foi ao chão, mas Kaoru não se importou. Esquecendo-se do orgulho, ficou de quatro. Engatinhou.
Estava chegando...
Hikaru se ajoelhou, o choque estampado em sua face, a luz da lua a deixando ainda mais pálida.
-Esse é o nosso destino? – foi a pergunta que seu querido irmão lhe fez, a voz cansada como nunca ouvira. Mesmo assim, Kaoru continuava se arrastando, o corpo tremendo, as forças o deixando.
Estava alcançando, envolvendo...
Mas o caçula não iria ceder, não depois de chegar tão longe. Num último impulso, venceu os poucos centímetros que faltavam, roçando os lábios nos do seu amado.
Por um segundo, os ambarinos se encontraram, compartilhando sentimentos, unindo as almas mais uma vez.
Por um segundo...
...condenando...
A dor veio, forte e dilacerante, consumindo cada fibra do ser já em frangalhos.
Tudo que Hikaru pode fazer foi assistir enquanto a face tão idêntica a sua era tomada pela dor. Uma lufada de ar quente atingiu seu rosto, um gemido morto.
-Kaoru! – finalmente conseguiu berrar, abraçando-se ao corpo agora inerte. Algo em si parecia vibrar, reagindo a tudo aquilo de forma intensa e dolorosa, rasgando seu peito, clamando por liberdade.
Se estava assim pelo irmão ou pelo beijo não tinha certeza.
Só sabia que o que havia de errado acabara de piorar.
XxX
Hikaru: q poeminha fraco, hein? ¬¬
Kaoru: é mesmo, aposto que ninguém entendeu ¬¬
Yue: gomen, eu tentei mas ñ saiu nada melhor T.T
Sério, qualquer dúvida, me avisem!
Reviews: \o/
Karol Uchiha
Hauhauhauhauhahauhuah XD
Adorei o 'baka-alegre-naum-taum-kawaii-quanto-o-kaoru'
Hikaru: ei! Òó
E sim, o Joseph é mau. Alguém tem que ser, né?
Bjs!
sabaku no lili-chan
no problem my dear! (imitando o K d gravitation)
o importante é q vc comentou no final
e q continua gostando .
Shuu-chan KC
Minha querida amiga d maldades! XD
Hikaru e Kaoru: nani? Mais uma sádica? o.o o.o
Yue e Shuu: (sorriso psicopata)
Ok, adorei o seu review
Só espero ñ ter te feito desidratar u.u
LahKage
Yue, Kaoru e Hikaru: bem-vinda! \o/ \o/ \o/
Admito q me empolgo, e acabo deixando as coisas confusas mesmo '
Mas, se por acaso ficar muito sem noção é só avisar, ok?
Bye bye!
