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-fala- // pensamento

XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista

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Broken Wings

Capítulo 7

O sol entrava tímido por uma fresta na cortina, envolvendo o corpo na cama com tanto cuidado que parecia não querer acordá-lo. Mesmo assim, era apenas inevitável, como tantas outras coisas.

-Hi...karu...- chamou, a consciência voltando aos poucos, nublada e embaralhada, a voz mais fraca do que gostaria.

Sem resposta, tentou levantar. Porém, parou no meio do caminho, o tronco ligeiramente erguido, apoiado nos cotovelos, paralisado ante a cena que, até então, não notara.

Os cabelos ruivos estavam desalinhados, cobrindo um pouco as pálpebras cerradas. Era óbvio o cansaço no rosto pálido mas, o sorriso nos lábios rosados e a mão que apertava a sua lhe davam a certeza de que seu irmão não gostaria de estar em nenhum outro lugar, que não ao seu lado.

-Arigatô, Hikaru. – agradeceu sem ao menos perceber, inebriado pelo singelo ato.

-Um verdadeiro anjo, não? – disse uma voz, dilacerando o belo momento.

Kaoru prendeu a respiração, um forte calafrio lhe correndo a espinha. Das sombras, a imponente figura do bispo Joseph se fez notar. Seus lábios, como sempre, torcidos num pequeno sorriso.

Mil perguntas fervilhavam na mente do mais novo mas um nó em sua garganta o impedia de fazê-las. Ele sabia que o homem diante de si tinha as respostas, só que isso só lhe dava ainda mais medo de saber.

Não se aproxime! – berrava em pensamento, o corpo tomado pela necessidade de sair dali, fugir daquelas esmeraldas tão sombrias. Sua cabeça parecia que ia explodir, sobrecarregada por tantas dúvidas e sensações.

Qual o preço da verdade?

Valeria à pena levantar as cortinas nos fundos daquele palco? Finalmente descobrir o que se passava nas sombras, longe da maioria dos olhares?

Reunindo toda a sua coragem, Kaoru reencontrou a voz.

-O que você quer? – indagou abertamente, tentando ser o mais frio possível. Suicídio? Talvez, mas não tinha escolha a não ser entrar naquele jogo.

-Você já sabe. – rebateu o bispo, o sorriso se alargando quase imperceptivelmente. O ruivo conteve um tremor.

-Então, o que está esperando? – desafiou, os ambarinos brilhando perigosamente, renovando o aperto na mão do irmão.

Joseph estreitou os olhos, não gostando do modo como era confrontado. Havia algo estranho ali, escondido bem fundo nos orbes âmbar como uma faísca. Ainda assim, destoava tanto daquele corpo frágil na cama.

Algo acima das emoções, talvez acima até mesmo do amor e do ódio.

Algo mais etéreo, mais elemental...

...mais forte...

Porém, seria o suficiente?

O moreno alisou o crucifixo do rosário negro que trazia nas mãos, prendendo-o discretamente entre os dedos. Sua face continuava firme, sem o mínimo abalo. Não havia com que se preocupar afinal, o demônio fora lacrado, por ninguém menos que ele mesmo.

E ele não cometia erros.

Caminhou lentamente, vencendo a distância que o separava do ruivo com passos calculados. O garoto continuava a lhe encarar, férreo, disposto a tudo para proteger o irmão.

-Desista. Ele não pertence a ti.

Algumas batalhas estão fadadas a perdição.

O bispo ergueu a mão, segurando o pescoço fino e alvo. Kaoru não esboçou reação, apenas ficou parado, encarando, desafiando...lutando...

Por quê? – começou a apertar, sentindo o prazer da pele cedendo sobre seus dedos. Queria ver medo, uma careta de dor e desespero a deturpar os belos traços daquele ser infernal. Queria ouvir uma súplica, regozijar-se ao negá-la.

Queria sentir o poder de ter a vida do demônio nas mãos.

Mas o gêmeo continuava a encará-lo, sem a menor das reações. Mesmo que o rosto já avermelhasse e não mais respirasse, seus olhos continuavam firmes e determinados. Não iria ceder.

Até onde estavam dispostos a ir?

O bispo aproximou seu rosto da pele clara até quase tocá-la. Sorriu, ao ver o arrepio que sua respiração causava.

-Eu poderia matá-lo bem aqui, poderia torturá-lo como nem mesmo o pior pesadelo seria capaz, encarcerá-lo numa cela, tão fundo que nem mesmo os ratos conseguiriam te encontrar. Poderia...mas não vou. Porque isso iria entristecer nosso pequeno anjinho, não é mesmo? E nós não queremos isso.

-...di...to... – a palavra arranhou a garganta, marcando-a como ferro em brasa, o que lhe sobrara de ar escapando lentamente.

-Maldito? Ah, não. Eu sou bondoso, muito bondoso. Me diga, seu irmão já sabe de seu pecado?

Flashes do sonho explodiram por trás dos ambarinos, fazendo tudo silenciar e morrer. O chão sobre ele pareceu se abrir, atirando-o novamente naquele abismo sombrio e infinito, condenando-o a cair eternamente, o corpo se desfazendo em pó.

Sem luz, sem esperança.

Sem Hikaru.

-Um trem sairá da cidade no fim da tarde. Você estará nele.

Como se saindo de um transe, a mente de Kaoru pareceu acordar, lentamente voltando à cruel realidade. E, embora não tivesse notado a mão que finalmente soltara seu pescoço ou mesmo o ar que voltava a seus pulmões, as palavras do bispo continuavam ecoando, envenenando-lhe a alma como nada mais poderia fazer.

Baixou os olhos, encarando os dedos entrelaçados aos de Hikaru, numa união forte e frágil ao mesmo tempo.

É esse o fim? Depois de tudo, sou eu que vou soltar primeiro?

Sentiu o peito esquentar, tomado por algo que não conhecia. Fechou os olhos, tentando conter, no entanto era tão forte, tão destrutivo...

Nii-san! – chamou em súplica. Não queria machucá-lo, não podia. Mas era tão forte, tanta raiva. Tudo a sua volta ficou rubro.

O mesmo rubro que queria derramar.

Abriu a boca, sem saber se para gritar ou rugir, apenas o fez, tentando liberar o que feria seu íntimo.

As contas do rosário se agitaram.

Como se atingido por uma bala de ar, a cabeça de Kaoru foi jogada para trás com brutalidade, o ódio se voltando contra si, explodindo e devastando tudo em seu ser.

Joseph ergueu o braço mais uma vez, amparando o corpo semiconsciente antes que caísse da cama, num tranco tão forte quanto o primeiro impacto.

-Tsc, tsc, tsc. - levantou o dedo indicador a frente dos ambarinos desfocados e o balançou lentamente, num óbvio sinal de negação, como se estivesse falando com uma tola criança. Depois, apenas o soltou, deixando o corpo cair entre os lençóis num baque leve.

Os minutos seguintes se passaram em completo silêncio.

O bispo encarou seu anjo, certificando-se de que ele ainda dormia. Procurou então entre as vestes, retirando de um bolso embutido um lenço branco, enxugando as duas lágrimas de sangue que rolaram dos olhos embaçados, deixando-os com de âmbar mais uma vez.

-És mesmo filho do inferno. – ponderou enquanto via o tecido alvo ser maculado por líquido tão vil.

Por fim, deu as costas aos gêmeos e saiu.

XxX

Os ambarinos se abriram, frios e determinados. Levantou, ignorando a pontada de dor nos músculos das costas, encarando com ódio a porta que acabara de ser fechada.

Na cama, jazia Kaoru, largado como um trapo. Ele, sua carne e seu sangue, seu outro eu e sua metade. Sim ele, o único que sempre estivera ao seu lado, agora ferido e humilhado.

Trincou os dentes, incapaz de suportar tal barbárie. Só Deus sabia como conseguira manter o controle, todavia não queria mais.

Com o máximo de cuidado, ajeitou o corpo inerte. O caçula lhe sussurrou alguma coisa mas não ouviu, apenas cobriu-o com o lençol e lhe beijou a testa, assistindo com pesar os olhos se fecharem.

Devagar, soltou as mãos, saindo silenciosamente.

Quando chegou ao corredor, socou a parede. Um estudante franzino escolheu esse momento para passar por perto, recebendo de imediato um olhar feroz.

Desculpe, Kaoru. Eu sei que você não gostaria disso...

Hikaru precisava de respostas se quisesse ir em frente. E sabia disso.

Mas eu não vou te atirar aos lobos e ficar assistindo!

Assustado, o garoto começou a recuar.

-Lugar errado, hora errada. – o ruivo justificou pra si mesmo, antes de atacar o ainda aturdido, e mais que intimidado estudante.

Num mundo onde amor e lágrimas andam lado a lado, quem pode dizer o que é certo? E o que é errado?

Até que ponto os fins justificam os meios?

Deus não lhe dava as respostas. Então, teria que arrancá-las.

A porta do armário de vassouras foi fechada e trancada...

XxX

Desculpem a demora! çç

Volta as aulas, tô um bagaço T.T

Pra completar, o site resolve ficar d TPM ¬¬'

Enfim...

Ok. Eu sei que disse que os capítulos seriam maiores e talz mas eu tive que dividir esse, se não ficaria muito grande.

Ainda bolei essa cena do Hikaru, q ñ existia no original, mas ñ deu pra tapar o buraco. Na boa, ñ sei d onde ela saiu! O.o

Ñ era p/ o Hikaru ser dark!!! (esperneia)

Hikaru: hauhauhauhauhuah XD

Kaoru e yue: o.o' o.o'

Reviews! \o/

Karol Uchiha

Calma, calma, ñ precisa me nocautear! x.x

E, sim, Kaoru sofrendo é TU-DO!

Hikaru: XD

Kaoru: çç

Se bem q, eu tenho umas surpresas pro Hikaru também XD

Kaoru: XD

Hikaru: çç'

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Shuu-chan KC

Como assim idiota sem moral?

Vc é uma fã da minha fic! É claro q vc tem moral!

Só ñ abusa, ok? ¬¬'

Brincadeira.

Só ñ posso dizer se vai ficar tudo bem, se ñ estraga o final u.u

O seu MSN saiu meio falhado mas eu passo o meu por e-mail, ok?

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Ja ne! o/