N/A:
-fala- // pensamento
XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista
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Broken Wings
Capítulo 8
As batidas ecoavam incessantes, vibrando pelo quarto numa onda invisível de fúria. Porém, o jovem ruivo se recusava a mover um mísero músculo, ou mesmo tirar os olhos da janela.
É esse o nosso destino? – indagava, de novo e de novo, contemplando com tristeza as nuvens alaranjadas que se tornavam cada vez mais escuras.
O tempo se esgotava, escorrendo como lágrimas entre seus dedos. Por mais que tentasse, não via saída que não juntar as mãos e enche-las de novo.
Se eu for embora nunca mais nos veremos mas, se eu ficar... – cerrou os punhos sobre o peito, como se assim pudesse calar o sentimento impuro que tomara seu coração. Tentava matar, tentava conter, porém sabia que não conseguiria.
Porque uma parte de si queria.
No fundo, Kaoru sabia que era só amor. Um amor forte, verdadeiro e puro.
Um amor que ninguém deveria destruir.
Mas, e Hikaru?
Eu faria qualquer coisa para te ter ao meu lado...Mas de que adianta se você não sentir o mesmo?
Mordeu os lábios, tentando conter o grito de frustração e mágoa. A verdade é que estava cansado de fingir, de se sentir sujo. Queria, não, precisava jogar tudo pro alto e simplesmente agarrar o irmão, beijá-lo e possuí-lo.
Precisava fazer isso ou enlouqueceria.
Cruel? Não. Apenas simples, muito simples.
Poderia fazer isso, poderia forçar Hikaru a aceitar o seu amor.
Então, porque continuava ali parado? Porque mantinha a solidão trancada em seu peito?
Porque sufocava lágrimas e juras de amor?
A resposta era justamente o início de tudo, esse sentimento, paixão desenfreada, que o aprisionara nesse ciclo de tristeza e dor. E, mesmo a um passo de perder sua sanidade e alma, não conseguia reagir.
Porque Hikaru iria chorar.
Se é para um de nós se machucar então que seja eu, que já estou condenado.
Mas as batidas continuavam, pedindo, implorando...
Hikaru queria respostas, merecia tê-las.
Kaoru só rezava para que não fosse tão doloroso...
XxX
O sangue se misturava com a madeira escura porém, ele não se importava, de fato, deixara de sentir a mão há muito tempo. Não, no momento tudo que existia era aquela maldita porta, e a pessoa atrás dela.
Por quê?
Alguns alunos passavam pelo corredor, lançando-lhe olhares variados. Raiva, desprezo, indiferença, pena...nenhum desses sentimentos o alcançava. Porque todos desistiam, optando por continuar suas vidas medíocres como se nada estivesse acontecendo.
Porque fui tão cego?
Talvez, isso fosse o mais certo. Apenas ignorar, ignorar e se proteger.
Afinal, o mundo não iria parar por eles, certo?
Estar ali ou não, existir ou não, no fundo, não fazia a menor diferença.
Talvez, fosse melhor se conformar...
Mas ele não queria.
Não queria esquecer tudo que percebera.
Como pude pensar que era você? Como pude te culpar?
As batidas continuavam...
Flashes explodiam ante seus olhos, lembranças que enterrara fundo, sem nem mesmo saber por quê. Memórias que sequer sabia que tinha, aprisionadas e ofuscadas pela mais pura luz.
Como pude esquecer o gosto de teus lábios?
Sabia que não poderia encarar aqueles olhos tristes, que não era digno de perdão e que já era tarde demais. Mas a teimosia sempre fora seu trunfo. Ainda que o sangue escorresse pela porta e seu braço tremesse pelo esforço, não desistiria.
Não soltaria a mão que sempre lhe foi estendida.
Por mais que dor e culpa esmagassem todo o brilho dos ambarinos, no fundo, uma força oculta ameaçava despertar, movida pela determinação de Hikaru.
Uma parte da cortina havia caído, revelando um pedaço dos sinistros bastidores. Em suas mãos, pequenas migalhas de verdade começavam a surgir. E, não importava o que acontecesse, tais mãos continuariam fortemente cerradas, ele não iria deixar seu conteúdo escapar! Não iria fechar os olhos e bancar a vítima!
Já o havia feito por tempo demais...
Já ferira Kaoru demais...
Não! Chegara a hora de rasgar o peito e deixar sair, olhar fundo nos olhos iguais aos seus, envolver a mão igual a sua.
Hora de ler e ser lido.
Explicar, admitir, implorar...
...corresponder...
E, se lhe fosse permitido, sentir aqueles lábios mais uma vez.
Mas o mundo era cruel. Mesmo que ambos vivessem pelo mesmo sentimento, tudo que conseguiam era se afastar.
A porta continuava fechada.
Quanto tempo agüentariam?
Por favor, Kaoru – lágrimas se formavam indo ao chão como pequenas jóias. Os olhos se fecharam, o corpo trêmulo parecendo fraco demais para se sustentar.
As batidas continuavam...
Eu preciso de você...
Quente. Sim, quente.
Macio, aconchegante, conhecido...
Sorriu tímido, deliciando-se com o contato. Sentiu ser puxado gentilmente e cedeu, se deixando levar por aquele que lhe era tão caro. O som de um trinco nunca pareceu tão lindo.
-Hikaru?
O mais velho abriu os olhos lentamente, tentando guardar cada pedacinho, cada segundo em que ficaria protegido por aquelas quatro paredes. O caçula estava a sua frente, segurando a mão machucada como se o mais leve movimento pudesse feri-la ainda mais.
Porém, o sorriso morreu ao ver tristeza e dor nos apagados ambarinos.
Como explicar? Como sequer começar?
Novas lágrimas nasceram, riscando o rosto pálido e ainda úmido do primogênito, fruto da mais pura angústia. O prazer do toque sumiu, deixando apenas o enorme abismo.
-Eu te feri tanto assim? – foi tão baixo que talvez não passasse de um pensamento.
-Hikaru...
-Gomen, Kaoru! Eu não queria!
-Mas, Hikaru...
-Não! Não diga nada! Só me escute, por favor... – as pernas finalmente cederam, o levando ao chão. Desesperado, usou a mão ferida para se agarrar ao irmão. - ...por favor...
Os olhos se encaravam como se a vida de ambos dependesse disso. E, talvez, fosse verdade.
Porém, mesmo sentindo o quanto aquilo era importante, Kaoru não queria deixar o gêmeo falar. Não, seu coração não agüentaria ouvir as conclusões do mais velho apenas para perceber que estavam erradas, não...
Não resistiria.
O caçula se abaixou, pousando um dedo nos lábios do mais velho. Uma escolha fora feita. Seria a certa?
-Eu vou te contar o meu segredo. – disse Kaoru lentamente, como se assim pudesse convencer a si mesmo – Mas, isso vai te machucar, nii-chan.
Hikaru deu um meio sorriso ante a expressão usada. Incrível como sua metade conseguia dar tanto valor a algo tão simples.
-Eu não me importo. – respondeu por fim, a voz soando idêntica a do irmão, calma e hesitante, como se as palavras a serem proferidas pudessem quebrar e feri-los.
E elas iriam.
-Hikaru, eu... – sentiu a coragem falhar, empurrando-o para longe do que realmente queria dizer – Você sabe por que viemos pra cá?
O primogênito piscou confuso.
-Existe uma profecia...ela diz que um anjo virá a Terra como salvador mas, junto dele, virá um demônio. – parou, umedecendo os lábios secos. Sem perceber, apertou mais a mão contra a sua. – Esse demônio...Hikaru, eu...
-Você não é o demônio.
Choque, puro e simples. A coragem pareceu evaporar junto com a tristeza e qualquer outro sentimento, deixando-o ali, abandonado e vazio, incapaz de compreender o que acontecia.
-Co-como? – balbuciou, depois do que lhe pareceu uma eternidade.
-O que você acha que eu fiz enquanto a princesinha estava dormindo? – brincou, tentando não ser esmagado pelo clima que se instalara. Mas, visto que não deu certo, tornou a ficar sério – Eu fui atrás de respostas, Kaoru, e consegui algumas. Não sei se sou esse anjo mas você não é o demônio.
Foi o golpe de misericórdia.
O mais novo soltou a mão que segurava, levantou e se afastou, dando as costas a quem tanto amava, voltando a encarar o triste pôr-do-sol. Lágrimas de sangue começaram a rolar.
Desculpe...
-Kaoru!
Eu sei que você não teve a intenção.
-Kaoru fale comigo, por favor.
Mas você não sabe o quanto me dói ouvir isso, saber que é só a sua inocência...
-Kaoru!
-Admita, você só não quer ficar sozinho. – disse por fim, suas palavras mesclando amargura e raiva, rechaçando o peito do mais velho sem piedade.
Hikaru apoiou as mãos no chão, tonto e vazio. Então era isso? Depois de tudo, seu irmão não acreditara nele?
-Eu não entendia seus sentimentos, Kaoru! Me senti sufocado e achei que era você! Mas não era, não era! – gritou, desesperado por uma reação do caçula.
Só que ele continuou imóvel.
Não! – o pensamento cortou a mente do mais velho como navalha, decepando o medo, impedindo-o de cair no abismo que separava os dois. – Posso não ter o seu amor, mas não terei seu ódio!
O mais novo continuava perdido em si, tentando reaver o controle sobre o próprio corpo e coração. Queria continuar assim, fechado numa cúpula invisível, excluído do mundo até estar pronto para encará-lo mais uma vez.
Tolice sua achar que conseguiria.
Uma mão forte lhe puxou pelo ombro, girando-o com brusquidão, enquanto uma outra se apossou dos fios ruivos, puxando com força, obrigando-o a erguer o rosto. Antes mesmo que pudesse reclamar, uma boca se chocou com a sua, dominadora e feroz, atacando como um animal selvagem e faminto; batendo dentes, forçando a língua e rasgando os lábios.
O gosto metálico se espalhou, trazendo ambos de volta a realidade. Atordoado, Kaoru caiu sentado numa das camas, empurrado por um Hikaru igualmente perdido.
O que eu fiz? – repreendeu-se o mais velho, olhando incrédulo para o estado do gêmeo. As lágrimas de sangue o assustavam, verdade, porém não chegavam aos pés do filete vermelho que escorria dos lábios inchados.
Cerrou os punhos e baixou o rosto, incapaz de encarar o estrago que havia feito. A culpa voltou com força total, uma mão fria a lhe apertar o coração, fazendo-o se lembrar de todas as vezes que machucara o caçula.
Porque era sempre Hikaru que feria. Nunca o contrário.
Não conseguia lembrar de uma única vez que Kaoru o tivesse feito chorar.
Mesmo que aquelas palavras venenosas ainda ecoassem em seu íntimo, o mais velho sabia que seu irmão queria apenas protegê-lo, ainda que também se ferisse.
Como posso te alcançar?
Como que atendendo ao seu pedido, sua mente estalou, finalmente encaixando as peças que faltavam. Estivera ali, na sua frente o tempo todo, gritando para ser ouvida. A resposta que tanto queria, prova incontestável que a lógica de seu irmão jamais poderia negar.
-Ainda acha que é um demônio? – perguntou desdenhoso, passando a língua nos próprios lábios.
-... – Kaoru só lhe encarava, ainda anestesiado por tantas sensações.
-Hn, você não conseguiria ser nem se quisesse. – avançou, aproximando os rostos mais uma vez.
-Hikaru.. – a respiração acelerava a cada segundo. Acuado, foi subindo na cama, tentando inutilmente se afastar.
-Você nunca me fez chorar. – a provocação esmoreceu, dando lugar a sinceridade. Porém, se forçou a continuar, avançando ainda mais rápido, lambendo o sangue que escorria dos lábios trêmulos.
-Hi.. – a palavra saiu cortada. Não tinha mais ar, não tinha mais força. Deitou na cama, incapaz de continuar a fuga. O mais velho logo ficou por cima, ainda atacando seu rosto com a língua.
-Ah... – Kaoru gemeu fraco, ainda lutando por controle. Aqueles toques, a imposição, tudo o deixava zonzo, cada fibra de seu ser gritando, implorando pela entrega.
Você sabe o que faz comigo? O que me pede? – sentia-se de frente a um abismo, com Hikaru a suas costas. Seria empurrado ou trazido de volta?
O primogênito sorriu, lendo o conflito nos ambarinos febris do irmão. Kaoru estava cedendo, só mais um pouco...
-Você nunca me machucaria. – sussurrou no ouvido do mais novo, sentindo-o estremecer.
-Nii...san...
-Venha.
Os lábios se encontraram mais uma vez, desejosos e necessitados. Hikaru bem que tentou ser cuidadoso mas Kaoru não deixou, arrastando-o para algo maior, mais intenso, compartilhando tudo, sugando tudo, dominando tudo. Não com fúria ou magoa, mas com paixão e amor.
Uma paixão arrebatadora e incendiária, digna das fogueiras da inquisição.
Um amor puro como as flores do Éden.
As barreiras haviam caído, revelando o que realmente importava. Ali, nos braços um do outro, se despiram de qualquer dor, qualquer mágoa ou arrependimento acumulados naqueles dias cinzentos, que agora pareciam tão distantes.
Ali, na cama, quando os sentimentos se fundiram e explodiram, transbordando um no outro, o mundo pareceu parar, dando-lhes o momento.
Finalmente, voltaram a seu um só.
XxX
Hikaru e Kaoru: o///o o///o
Yue: q foi? o.õ
Kaoru e Hikaru: como assim 'voltaram a ser um só?' Ò///Ó Ò///Ó
Yue: entendam como quiserem u.u
Ok, oficialmente ñ rolou nada
Mas a imaginação é algo meio estranho, vcs ñ acham? XD
Reviews! \o/
Karol Uchiha
Antes d mais nada, melhor esclarecermos uma coisa:
Eu faço tae kwon do então se vc me nocautear d novo vai ter! ÒÓ (segurando uma bolsa c/ gelo na cabeça)
E sim, acabou a vida boa do Hikaru! XD
Se bem q eu ñ consigo deixar o Kaoru d lado T.T
Acho q todas as fãns dele são sádicas u.u
Shuu-chan KC
Sim, o Hikaru enganou geral! XD
Kaoru: já tava na hora d dar uma dentro ¬¬'
Mas ñ precisa se preocupar c/ continuação, a fic já está terminada
É só q ñ deu pra colocar o cap no dia certo na última vez u.u'
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Deixem review ou eu arremesso o Tamaki! u.u
