N/A:
-fala- // pensamento
XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista
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BrokenWings
Capítulo 9
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A minha mão na sua
A sua mão na minha
Era tudo que eu precisava
Porque não é mais suficiente?
XxX
Seguia pelo corredor sem realmente vê-lo, as palavras de outrora ainda ecoando em sua mente.
Preciso de sua ajuda.
Tom baixo e calmo. Ameaça velada em cada sílaba. Sempre assim, do mesmo jeito que sempre ouvira.
Naquela noite não fora diferente.
E ainda que os anos houvessem passado desde a primeira vez que a ouvira, ainda se sentia um náufrago arrastado para o mar profundo.
Estava disposto a ir? Fechar os olhos e se deixar guiar?
Seu coração dizia que sim.
Porém, sua mente insistia em sussurrar que algo estava tremendamente errado.
Se eu fizer isso, poderei ser...
-Eles estão aqui. – a voz soturna o tirou de seus pensamentos, fazendo-o encarar as esmeraldas sombrias. Estremeceu.
-Prepare-se. – não era um pedido nem uma advertência, mas uma ordem fria e implacável. Inconscientemente, o loiro apertou o bolso do uniforme.
O bispo remexeu a túnica, revelando um molho de chaves prateadas. Não demorou muito para escolher qual usar.
Ao fundo no corredor, uma porta manchada de sangue surgiu.
XxX
Passos.
Rápidos e duros. Raivosos.
Passos que logo chegariam até eles.
Kaoru percebeu e se afastou, rompendo o abraço carinhoso, pondo-se em pé no meio do quarto.
-O que foi? – indagou o primogênito, imitando o irmão ainda que por instinto.
-Ele está vindo.
-Quem?
-Joseph.
O que ele te fez? – Hikaru se perguntou, cerrando os punhos e tentando controlar-se. Kaoru parecia cada vez mais abalado, um coelho ferido e acuado. Tinha que se preocupar com ele, protegê-lo! O resto podia esperar.
A mão do mais velho envolveu a trêmula do caçula, enlaçando os dedos com firmeza.
-Ele quer que eu vá embora, teme que te corrompa. – sussurrou Kaoru, um sorriso triste brincando em seus lábios enquanto fixava os ambarinos naquele que mais amava.
-Shh... – silenciou-o, pousando um dedo sobre os lábios finos. – Você não vai a lugar algum, não sem mim.
-Hikaru...
Os corpos se aproximaram, as bocas ameaçando se procurarem novamente. Porém, um estalido, seguido pelo som de madeira rangendo interrompeu tudo, incluindo as duas respirações.
A porta fora aberta. Parado nela, uma figura de longas mechas louras e olhos exóticos e predadores.
-Licht. – a voz do mais novo não passara de um rosnado, o medo se transformando em desgosto.
-Vejo que ainda lembra meu nome. – disse o loiro zombeteiro, entrando no quarto sem qualquer cerimônia. Reparou então nas mãos dadas e nos lábios inchados. Uma sobrancelha dourada se ergueu, inquisidora.
-Interrompi alguma coisa?
-Não. – responderam os gêmeos, tentando a todo custo não expulsar o invasor a pontapés.
-Ótimo. – sorriu, a mão dentro do bolso tirando um pequeno lenço branco.
O resto foi rápido demais para se entender.
O rosário se fez ouvir, sacudindo de novo e de novo, levando Kaoru ao chão, os braços ao redor do corpo trêmulo tentando se proteger da dor que o dilacerava.
Assustado, Hikaru ameaçou ajudá-lo no entanto seu caminho foi barrado por Licht, que rapidamente o agarrou, tentando por o lenço em seu rosto.
-Kaoru! – gritou enquanto se debatia, rezando para que sua voz chegasse até o irmão, que o fizesse agüentar.
Porém, o onipotente e onisciente deus em que tanto acreditava não estava lá para ouvi-lo. Nem a si nem os gritos do caçula.
Não, eles estavam sozinhos. Sempre estiveram, sempre estariam.
Acreditar que poderiam escapar...
Acreditar que poderiam ser livres e felizes...
Será que era pedir demais?
Algo gelado foi forçado contra o rosto do mais velho, fazendo o mundo turvar.
Nosso pecado é tão grande assim? – os joelhos cederam, a mente precipitou-se na escuridão.
-Hi...aru.. – chamou fraco o mais novo, vendo o irmão esmorecer nos braços do loiro. Tentou se erguer e chegar até ele mas algo pesado forçou sua cabeça para baixo.
-Tsc, tsc, tsc.
XxX
Sentiu algo morno roçar em seu rosto, afastando a franja e contornando os lábios. Isso despertou a mente adormecida, trazendo-a de volta lentamente mesmo que, no fundo, seu dono não quisesse acordar.
Porque conhecia aquela presença.
Porque sabia que não era Hikaru.
Infelizmente, algumas coisas são inevitáveis. Abrir os olhos era uma delas.
-Até que enfim, bela adormecida. – disse uma voz junto a si. Piscou, tentando focar a visão, logo percebendo a figura loira sentada ao seu lado na cama.
-Onde está Hikaru? – indagou raivoso.
-Num lugar bem melhor que você.
-O que você fez com o meu irmão?! – exaltou-se, tentando se erguer e sair dali. Porém, mal contraiu os músculos e os sentiu falhar, uma dor aguda o fazendo cair de volta na cama, tonto e trêmulo.
-Eu não tentaria isso de novo. – Licht avisou lacônico.
Kaoru bufou, mesmo que até isso He causasse certo desconforto, passando a avaliar a situação em que se encontrava.
Estavam ambos em um quarto muito antigo, provavelmente um dos primeiros a serem construídos. Não havia janelas nem lâmpadas, apenas uma pequena lamparina, que parecia aumentar ainda mais as trevas ao invés de afastá-las.
Resumindo: estou preso, sem a menor idéia de onde estou, fraco demais para escapar e, ah sim! Com Licht como companhia! Hn, pior que isso só se Hikaru estivesse aqui também. Se bem que, pelo menos assim eu saberia onde ele está.
Foi tirado de seus pensamentos por um toque em seu rosto, o mesmo que o despertara.
-Ouvi dizer que demônios são muito orgulhosos. – disse o loiro, inclinando-se mais, praticamente deitando junto ao ruivo.
-E se forem? – rebateu, não se deixando intimidar, mesmo que no íntimo já soubesse o que iria acontecer.
-Então vou ter que te humilhar.
O toque se tornou bruto, fixando o rosto de sua vítima, impedindo que escapasse do beijo forçado. Não que fizesse muita diferença, a palavra "resistência" era só uma vaga lembrança, ecoando distante demais na mente de Kaoru para ser entendida.
O que se seguiu foi uma eternidade de beijos e toques, cada um mais agonizante que o último, deixando um rastro avermelhado na pele macia. Os olhos de Licht se tornaram escuros e indecifráveis, misturando-se as sombras do quarto como parte delas.
Era uma vez uma criança
Mais pura e inocente como qualquer outra
Um anjo nascido na Terra
Subiu em cima do ruivo, sentando sobre suas coxas. Abriu a camisa com violência, fazendo os botões caírem pelo chão. Sorriu.
Kaoru abriu a boca porém, nenhum som saiu dela. Ali, jogado naquela cama como um trapo, condenado a maior das humilhações...onde as palavras morriam antes mesmo de serem ditas, seu amor por Hikaru não parecia o suficiente...
Fechou os olhos, rezando em silêncio para que a escuridão o levasse.
Pobre criatura!
Oh, penada criança!
Seu único erro foi sorrir
Num mundo decadente e cruel
-Não vai ser assim tão fácil. – sussurrou-lhe a voz angelical, movendo novamente as mãos pela pele nua. Uma delas se embrenhou nos fios avermelhados, puxando com força; a outra precipitou-se dentro da calça, estimulando o membro até então intocado.
Uma pontada de nojo pareceu se formar, manifestando-se como um fraco gemido. Contudo, não foi o suficiente para aplacar o vazio crescente em Kaoru.
Os ambarinos continuavam fechados.
Oito anos, nada mais
As trevas finalmente o pegaram
Mesmo sem nada a oferecer
Arrancaram-lhe as asas, tiraram-lhe tudo
O falo em sua mão começava a enrijecer, tomando forma sobre a calça. Licht sorriu triunfante, sabia que cedo ou tarde sua presa se renderia, todos se rendiam. Continuou a acariciá-lo num frenesi quase insano, descobrindo com habilidade todos os pontos fracos.
-Não adianta negar nem se esconder. Isso não é um sonho. Então abra os olhos, abra os olhos e chore.
Oh Deus, onde estavas?
Porque fechaste os olhos para um de teus filhos?
-Ninguém virá salvá-lo. – a voz do loiro era assustadora, neutra e inumana como jamais alguém poderia imaginar.
Ou talvez não. Porque havia uma pessoa, um único homem cujo tom poderia alcançá-lo, até mesmo superá-lo.
Um bispo frio e negro como o rosário que carregava.
Três anos se passaram
Três anos em que morrera a cada dia
Encolhido no escuro, chorando em silêncio
Penas e sangue espalhados pelo chão
As últimas roupas lhe foram arrancadas, deixando-o totalmente exposto aos olhos azuis.
-Você é lindo. – sussurrou-lhe o predador, acomodando-se entre as pernas esguias, lambendo os lábios devagar.
Kaoru engasgou. Choque, dor e prazer pareciam explodir em seu peito enquanto arqueava as costas o mais que podia. Um gemido sofrido escapou de seus lábios.
Então, um dia a luz voltou
Finalmente lhe estenderam a mão
Mas, será que valera a pena?
Para os olhos escuros era apenas mais um
Enterrou as mãos na cascata dourada, apertando com força, cravando as unhas o máximo que conseguia. Porém, não podia evitar que seu próprio corpo continuasse se movendo, desesperado por contato.
-Maldito. – sibilou, fechando os olhos com ainda mais força, tentando convencer a si mesmo de que não estava acontecendo, que não estava sentindo prazer naquilo.
Mas estava.
A semente que explodia na boca do loiro era prova disso.
Oh, destino maldito!
Oh, Deus cruel!
Guardara seu coração como pudera
Mas ele nada lhe valia agora
Kaoru foi virado de bruços ainda embriagado pelo gozo. Logo, Licht se fez sentir as suas costas.
-Delicioso. – provocou, enquanto se posicionava melhor.
Pobre e perdida criança
Mesmo na luz não consegue mais reluzir
Ninguém nunca notará a esperança?
A frágil pena branca que trazes nas mãos?
O grito ecoou, vibrando pelo quarto como uma explosão particular. Mas o loiro não parou, pelo contrário, apenas investiu de novo com força redobrada.
Mais fundo, mais rápido, mais forte. Aquele demônio ia se render, liberando o caminho até ele.
Amaldiçoada criatura
Triste anjo cinzento
Seus algozes eram das trevas
Assim como teu salvador
De novo, de novo, de novo. Até despedaçar, não restar mais nada!
Era a sua chance de se fazer notar, mostrar-se a altura daquelas esmeraldas tão sombrias. Sua chance de ser aceito, lembrado...amado...
Mesmo que para isso tivesse que ignorar as lágrimas e o sangue derramados pelo ruivo, seus sussurros engasgados que só pareciam chamar o irmão. Mesmo que tivesse que ferir do mesmo jeito que o feriram...
Qual o valor de um anjo maculado?
Retirou-se devagar, avaliando o estrago com olhos frios. A pele clara estava tomada por arranhões e mordidas e alguns hematomas começavam a aparecer. A pequena entrada se resumia a uma mancha de sangue, que já se espalhava pelos lençóis brancos.
Porém, o maior dano era mostrado pelos olhos, agora abertos e despedaçados, incapazes de refletir até mesmo a efêmera luz da lamparina.
Destruído.
-Será que agora poderei ser seu anjo? – indagou o loiro, os olhos azuis já começando a embaçar. Engoliu seco, tentando controlar suas emoções. Cobriu o que sobrara do jovem, num sinal de compaixão, aproveitando para fechar-lhe as pálpebras com delicadeza.
Saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, apoiando-se nela e deslizando até o chão. Ali, cercado de poeira e mofo, finalmente deixou-se desabar.
Qual o valor de um anjo maculado?
XxX
Ok, esse cap quase ñ saiu.
Motivo? O upgrade do PC q simplesmente evaporou mais d um terço do cap! Sério, quando fui olhar hj (sexta-feira), minhas preciosas 9 páginas tinham sido substituídas por pouco mais de 2 T.T
E lá fui eu digitar tudo d novo. Detalhe: um DARK LEMON! E meu pai estava em casa.
Depois dessa me considero ninja ¬¬'
Rezem p/ q os outros caps tb ñ tenham sido cortados TT.TT
Reviews! \o/
Karol Uchiha
Yeah! Hikaru dark and sexy rules!
Ñ sei pq, mas sempre vi os dois c/ um toque d sadomasoquismo XD
Obrigado pelos elogios #.#
E se prepare, pq agora é q a fic vai ferver d vez!
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Fãs sádicas do Kaoru, manifestem-se!!! ;3
