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-fala- // pensamento

XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista

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Broken Wings

Capítulo 10

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A dor crescia em si, dominante e avassaladora, rasgando sua alma com tanta violência que o corpo simplesmente reagiu, trazendo-o de volta para a realidade antes que sua mente se perdesse para sempre.

Porém, a realidade não era tão boa assim.

Do contrário, não acordaria sozinho e frio, muito menos com aqueles olhos a lhe encarar. As esmeraldas que tanto feriam seu amado irmão.

-O que você fez com ele? – indagou, contendo-se para não gritar.

Mas Joseph não notou, ou mesmo ignorou o ódio crescente nos ambarinos, permanecendo sentado numa elegante poltrona no meio do quarto.

-Espero que não tenha sido...maculado. – as palavras pareciam feitas de veneno e descontentamento, deixando claro para qualquer um o papel de ambos naquele jogo.

Mas Hikaru não era qualquer um. Não tinha paciência para charadas e enigmas, não fazia questão de saber onde nem com quem estava se metendo. Não, a rota de fuga ficava a encargo do caçula, sempre preocupado com a defesa.

A ele, o tão erroneamente chamado anjo, sobrava a impulsividade e agressividade do ataque.

Foi pensando nisso que o ruivo se levantou, caminhando lentamente até o bispo.

-Onde está Kaoru? – Quer um animal acuado? Pois bem, serei um.

-Num lugar de onde jamais fugirá.

-Bom, então terei que ir até ele. – concluiu, no rosto angelical um sorriso carregado de malícia.

O bispo fez menção de se levantar, a chama da raiva transpassando a máscara pouco a pouco. Lutara muito por esse anjo, agora que o tinha, nada iria impedi-lo.

Só que não deu tempo.

As contas do rosário se agitaram quando foram ao chão, escorregando das mãos inertes. A cabeça do moreno pendeu para baixo, os olhos fechados enquanto um filete de sangue escorria de seus lábios.

Hikaru massageou a mão, sentindo-a latejar após o soco. Mas a dor só o fez lembrar de Kaoru, do quanto ele sofrera e sofria.

Agüente Kaoru, por favor!

O som da porta batendo foi a última coisa que ecoou no luxuoso quarto.

XxX

As lágrimas já haviam secado, o coração e a respiração também voltaram ao normal. Mesmo assim, será que ele poderia continuar?

A maçaneta já estava morna, prova concreta da sua indecisão.

Sabia o que tinha que fazer.

Sabia que essa frágil e tola esperança era tudo que tinha.

Só que alguma coisa o deixava em xeque, uma voz mais profunda que seu próprio coração. Algo que trincava em sua alma e formava novas lágrimas.

Se eu abrir essa porta, você vai se lembrar de mim?

Estava tão cansado...

Seu amor será suficiente para fechar as feridas que reabri?

Passos ecoavam pelo corredor. Passos que não eram do moreno.

Rápidos, raivosos ...desesperados...

Sim, era ele. O garoto que roubara seu lugar mesmo sem saber.

Mas, será que aquela posição realmente chegara a ser sua? Ou tudo não passava de uma ilusão? O sonho depravado de uma criança impura?

Se eu entrar, talvez ele passe direto.

Porém, o que encontraria do outro lado?

Teria feito de tudo sem hesitar. Até mesmo mataria pra estar ao lado dele. Era uma pessoa controlada, sempre fora, não precisava de emoções, só de uma única pessoa ao seu lado.

Sua mão começou a suar, incapaz de segurar a maçaneta. Nervosismo e medo travavam uma batalha em seu ser, uma luta ferrenha contra o coração. Os primeiros tentando fugir, o segundo querendo ficar.

Só que nenhum deles queria abrir a porta.

Porque era cruel, vergonhoso, desumano.

Porque era o único erro que cometera em sua vida.

Mas, principalmente porque sabia que, assim que abrisse aquela porta não encontraria um rapaz ruivo desacordado mas uma criança assustada e ferida, chorando no canto mais escuro do quarto e o mais longe possível da cama manchada se sangue. Os braços franzinos e machucados estariam ao redor do corpo trêmulo, os olhos fortemente cerrados na tola ilusão de que assim não seria visto. E sentiria frio. Muito frio.

Uma criança.

Loira e de raríssimos olhos azul-dourados.

Porque foi assim que ele acordou na primeira vez que fora estuprado, e porque foi assim que ele se sentiu a cada segundo que passara naquele maldito bordel de quinta.

Havia sobrevivido como pudera, juntando os poucos pedaços que sobraram de si mesmo...

Porém, estaria pronto para encarar tudo o que perdera através dos ambarinos?

Suspirou, encostando a cabeça na porta e fechando os olhos. Não conseguia saber que caminho doeria mais. Se bem que isso nem chegou a ser importante, afinal os passos do ruivo haviam parado.

XxX

O sangue ferveu quando viu a figura loira parada a poucos passos de si. Bem verdade que há tempos não fazia idéia de onde estava, continuando somente por que o instinto lhe forçava a tal.

Mas Licht estava ali.

E ele poderia estar saindo do banheiro que não faria diferença pra Hikaru.

O punho rasgou o ar, fazendo o loiro cambalear, se escorando na parede pra não cair.

-Acho que mereci essa. – disse, tocando os lábios de leve e já os sentindo inchar. Recolocou a máscara, abafando tudo que sentia com o olhar predador de sempre.

-Onde ele está? – perguntou o ruivo, os punhos ainda cerrados, pronto pra mais.

-Ele quem? – Licht fingia ingenuidade mas seus olhos transbordavam malícia. Viu os ambarinos se arregalarem e sorriu.

Hikaru perdeu o controle.

Socos e chutes choveram sobre o louro, que se defendia evitando maiores estragos. A verdade é que a fúria prejudica a precisão, assim como a força atrapalha a velocidade, levando a luta a um único resultado.

E os olhos azuis sabiam qual era.

-Maldito... – sibilou Hikaru, as mãos apoiadas nos joelhos. Sua respiração era muito ofegante e seu rosto já se encontrava rubro. Pequenos tremores o envolviam, mostrando que não estava tão bem preparado para esse esforço quanto julgara estar.

Por outro lado, o rapaz maior só respirava um pouco mais rápido que o normal, não havendo sinais de rubor ou suor em seu rosto.

-Se faz tanto questão de saber, ele está neste quarto. – disse, com o conhecido ar superior, indicando a porta com um meneio de cabeça. O ruivo grunhiu alguma coisa, já havia até esquecido da porta.

Desespero. Sim, desespero.

No fim, é tudo que temos, não é? E Licht sabia disso. Um manipulador nato, um grande conhecedor da natureza humana. Um sobrevivente, que a todos enganava com sua bela máscara.

Só que essa máscara havia rachado. Lágrimas tinham aberto caminho através da fria porcelana, vindas do verdadeiro rosto por detrás dela.

Mesmo que ninguém as tivesse visto, elas existiam.

Se Hikaru tivesse gasto um segundo ou dois, se tivesse prestado mais atenção talvez pudesse perceber, entender...perdoar...

Mas não foi isso que aconteceu. O ruivo apenas voou na maçaneta, girando-a o mais rápido que conseguiu, escancarando a porta num único movimento.

-Ainda poderá amá-lo?

O gêmeo parou, ambarinos e azuis se chocando. Experiência e amor duelavam, ferozes como animais, tentando a todo custo submeter o outro.

Quem ganharia?

Quem sairia menos ferido?

Quais lágrimas valeriam mais?

Seria necessário toda uma vida para responder essas perguntas. No entanto, nenhum dos dois tinha esse tempo, por isso apenas seguiram seus caminhos, dando as costas um para o ouro.

Talvez se encontrassem de novo.

Talvez conseguissem ser felizes.

Talvez morressem neste mesmo instante.

Porque assim era o destino, um beco escuro e sem saída, uma sombra que jamais seria iluminada.

E, por mais que Hikaru já se achasse no limite, o destino ainda lhe guardava muitas surpresas.

XxX

Sons.

Ranger de madeira velha, passos, chamados.

Quem?

Seu corpo doía, sua alma sangrava.

As lágrimas ainda não haviam secado.

Não estou pronto...

Mesmo assim, havia alguém ali, esperando para feri-lo mais uma vez.

Tentou recuar, mas a parede se fez fria as suas costas. Tentou abrir os olhos porém, não conseguiu.

Tinha tanto medo.

Estava tão fraco.

Encolheu-se ainda mais, tentando se proteger.

Porque estava ali? Porque sofria desse jeito?

Passos.

Vai me despedaçar de novo?

A mente se perdia e se encontrava, flutuando vazia entre ilusão e realidade. Queria lembrar porque estava ali, o que o levara a isso, mas tudo a sua volta continuava a ser escuridão.

Chamado.

Por favor, não...

Toque.

Não de novo...

Chamado. Sussurro. Pedido.

-Não...

Toque. Toque. Toque.

-Não!

-Kaoru!

Piscou, os olhos ardendo com a fraca luz da lamparina. Aos poucos, os borrões começaram a entrar em foco, revelando uma pessoa a sua frente.

Alguém ruivo com olhos iguais aos seus.

Com lágrimas iguais as suas.

-Nii...san... – chamou com voz débil, a garganta arranhando de tão seca. Tossiu.

-Shh. Estou aqui. – Hikaru envolveu o rosto do irmão com as mãos, fazendo-o sair daquele canto escuro e frio, prendendo-o num abraço quente e protetor.

O caçula se aninhou no outro com desespero, agarrando qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, cravando as unhas em tecido e pele. Dos ambarinos arregalados vertiam lágrimas silenciosas e sofridas.

-Estou aqui. – o mais velho repetiu, acariciando as costas nuas do gêmeo enquanto começava a se balançar lentamente, tentando embalá-lo. Mesmo assim os olhos de Kaoru não se fechavam, continuando o pranto sem sons.

Não, Kaoru não conseguia fechá-los.

Porque, quando tornasse a abri-los, poderia estar de volta naquela cama, coberto por lençóis manchados de sangue. Seu sangue.

Porque, se fosse um sonho, Hikaru iria desaparecer, desvanecendo-se como fumaça. A porta ia se abrir, Licht iria entrar e fazer tudo de novo, até pior.

Não, o mais novo não poderia arriscar.

Nada lhe sobraria de sanidade se o fizesse.

Por isso, quando seu irmão lhe perguntou se tinha condições de levantar e se vestir, Kaoru fez que sim, mas, sequer piscou.

Nem quando saíram do quarto com passos vacilantes e perdidos, para depois correrem quando o caminho se fez claro mais uma vez.

Nem quando driblaram o guarda noturno, saindo do terreno da escola, seguindo pela estrada de terra batida, que aos poucos era iluminada pelo sol.

Mesmo que cada passo o deixasse mais certo de que era real, mesmo que lágrimas não mais rolassem, ele não conseguia.

O medo não deixava.

No entanto, ele ainda era humano.

Por isso, por mais que a cidade já se tornasse visível, as pernas se recusaram a continuar, cedendo em meio a poeira e folhas secas. Os sentidos foram se apagando, um por um o privando do mundo exterior, condenando-o a uma escuridão vazia e incerta.

Os ambarinos finalmente se fecharam.

A única coisa que conseguiu fazer foi apertar ainda mais a mão de Hikaru...

XxX

Yo! Cá estou eu com mais um cap! \o/

Kaoru: vc gosta mesmo d mim, hein? ¬¬'

Yue: gostar é pouco, eu te A-DO-RO! ;D

Hikaru: imagina se ñ gostasse ¬¬'

Licht: nem fala, essa louca ta gostando até d mim n.n'

Verdade. Eu tentei deixar o Licht humano, mostrar o pq dele ser assim. Espero ter conseguido u.u'

Reviews! \o/

Shuu-chan KC

Quanto tempo! (sai correndo e abraça)

Bom, o q o loiro d nariz empinado tinha na cabeça acho q já deu pra ter uma idéia

Melhores explicações nos próximos caps hahuahuhahuahuah

E eu tenho amor no coração sim, só q o lado sádico ganha XD

Bjs & até a próxima!

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Momento d histeria:

Comeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeennnnnttteeemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ÒÓ