N/A:
-fala- / pensamento
XxX – passagem de tempo/ mudança do ponto de vista
Broken Wings
Capítulo 12
Para um demônio, lágrimas representam a pureza...
Para um anjo, são sentimentos que jamais deveriam existir...
-O-o que?
-Não precisa ficar perto de mim se não quiser.
Hikaru piscou sem entender, uma das mãos ainda segurando a maçaneta da porta do banheiro, enquanto a outra mantinha a toalha firmemente presa a sua cintura.
-Do que está falando? – indagou, tentando ao máximo manter a voz firme. Seu estômago pareceu dar uma cambalhota, antes de afundar alguns bons centímetros.
No entanto Kaoru, que estava sentado na ponta da cama de costas pra si, não se moveu, nem mesmo para um mísero olhar.
-Vai dizer que não sabe? – as palavras eras ríspidas, como que para disfarçar as lágrimas que rolavam sem controle, não por fora, onde qualquer um poderia ver, mas por dentro, onde ninguém conseguiria curar.
Talvez nem o suposto anjo.
O mais velho avançou vacilante, ainda sob o efeito da água gelada. Percebeu que o gêmeo ficava ainda mais tenso, retesando os músculos conforme se aproximava, e desejou com todas as forças poder abraçá-lo naquele momento.
Porém, o caçula continuava impassível e inalcançável, perdido no limiar entre mágoa e raiva.
-Kaoru.
-Não o culpo se tiver nojo de mim.
-Não. Eu só...
-Não quero que fique comigo por obrigação! – explodiu, finalmente encarando o irmão nos olhos – Acha que não percebo o quanto se controla? Que não senti seu afastamento?
-Não é isso, Kaoru! Eu só...
-Só o que? O que você escondeu de mim?
Âmbar contra âmbar. Cada um com seus fantasmas e conflitos mas essencialmente iguais.
Porque sempre foram assim.
Dois corpos. Uma alma.
Um amor.
Não importava que outros tentassem mudar isso, todos estavam fadados ao fracasso. Todos.
Ninguém os separaria.
Mesmo assim...
-Eu não posso. Não agora. – trouxe o mais novo mais pra perto, envolvendo-o num abraço apertado, passando a sussurrar em seu ouvido – Não quero fazê-lo lembrar. Não quero que pense que é igual.
Kaoru estremeceu. A tristeza do outro ecoava em si, tão forte que se perguntou se não era a sua própria. Contudo, por mais angustiante que fosse, por mais que os braços que lhe confortavam estivessem frios, a preocupação e o amor eram tão gostosos e sinceros que não pode evitar sorrir.
-Baka. Você jamais seria como eles. – e estalou um beijo na bochecha do Hikaru.
Foi mais que o suficiente para desfazer aquele clima pesado e sombrio. Os olhares se renovaram, brilhando pela primeira vez em dias, esperançosos como nunca estiveram.
Os lábios se procuraram, carinhosos e saudosos, enquanto a frágil barreira auto-imposta ruía e a última lágrima terminava de rolar.
XxX
-Encontramos! – anunciou o padre de traços orientais, entrando no escritório num rompante.
-Prepare o carro.
Nas sombras, um sorriso desumano brilhou.
XxX
Suspiraram satisfeitos, como dois gatos pegando sol pela manhã. Haviam concordado que não era a hora, nem o momento para possuírem um ao outro, porém isso não impedira de passar o resto da tarde como dois apaixonados, trocando beijos e carinhos.
Assistiram o pôr-do-sol abraçados, encostados contra a cabeceira da cama.
-Hikaru?
-Hun? – o caçula sorriu ante o grunhido preguiçoso, aconchegando-se mais.
-Posso te pedir uma coisa?
-Pode. – Que sensação é essa?
Kaoru sorria, as feições relaxadas como o resto do corpo. Era um bom momento para eles, não era? Tinham o direito de namorar um pouco, certo?
Então, por que o mais velho sentia que alguma coisa estava errada?
-Eu... – o mais novo retomou, depois do que pareceu uma eternidade. Ou talvez Hikaru apenas estivesse desligado demais. – Eu não quero ir primeiro.
-... – boca aberta, sobrancelhas franzidas. Enfim, tudo no rosto do primogênito parecia mostrar confusão.
Vendo que não se fez entender, Kaoru apenas encarou o gêmeo, olhos nos olhos. O sorriso inocente se tornou pequeno e indecifrável.
-Eu sei o que tem pensado.
Estremeceu, a cor fugindo de seu rosto. Seria possível?
Sou tão previsível assim? Ou é a nossa ligação que nunca esteve tão forte? O que você vai fazer agora que sabe que eu pensei...pensei em te...
-Eu não me importo.
-Não minta! – Hikaru finalmente explodiu, afastando-se do toque como se fosse queimado.
-Não estou mentindo. – Kaoru mantinha o tom calmo. A verdade é que não via nenhum problema.
-Claro que está! Tem que estar! – as lágrimas embaçaram sua visão, enquanto o desespero lhe abraçava mais uma vez. Porque estou chorando? Kisama! Eu disse que seria forte. Eu jurei te proteger! Então porque todo esse remorso? Porque tanta culpa?
-Hikaru.
Pare...
-Hikaru, está tudo bem.
Não, não está! Nunca vai estar...
Dedos longos e quentes passaram por seu braço, envolvendo sua mão com carinho. O ar frio passou por elas, tornando real o movimento visto pelos ambarinos turvos.
Porque você tem sempre que me entender?
Os dedos finos foram substituídos por algo mais grosso e pulsante.
Me magoe...por favor..Kaoru...me magoe... – e mais uma vez aquela cena, cruel impasse entre razão e loucura. No entanto, dessa vez o caçula estava acordado, lhe brindando com o olhar mais sereno que já vira.
-Isso é seu. – ele disse, sua voz vibrando na mais pura paz, tentando acalmar seu querido nii-san – Eu não me importo de morrer pelas suas mãos.
-Não diga isso. – uma última lágrima rolou e Kaoru se apressou em enxugá-la. Espalmou a mão naquele rosto ainda úmido, tão igual ao seu próprio, sorrindo ao ver Hikaru inclinar a cabeça e suspirar.
Sabia que aquela decisão havia sido muito dura, que tudo até ali fora cruel demais...
Porém, não conseguia evitar se sentir feliz, até orgulhoso. Por mais que houvessem conseqüências, ninguém poderia separá-los depois disso.
-Um pecado a mais não vai fazer diferença. Só me prometa... – e deslizou a mão do rosto até o pescoço do mais velho, igualando as posições como espelho e reflexo - ...que irá junto comigo, não depois.
-Tudo bem. – cedeu Hikaru, mesmo que no fundo não gostasse da idéia do gêmeo banhado em seu sangue – Mas só em último caso.
-Último caso. – Kaoru repetiu em acordo. Se aproximou e roubou um selinho estalado.
A sanidade sucumbia pouco a pouco, sufocada pelo frio desespero. Não havia mais certo ou errado, moral e imoral. Não. Àquelas crianças só restava o amor, descontrolado e frágil que as levara até ali.
Seria o suficiente?
XxX
Passos ecoavam no corredor mal cuidado, calmos porém firmes, friamente calculados como todo o resto. O rosário vibrava timidamente, reconhecendo a presença escondida no último quarto do mofado corredor.
Sorriu, finalmente chegando ao seu alvo. Fez um sinal para o homem que o acompanhava e este tirou das vestes uma folha de papel com um intrincado desenho. Encostou-a na porta e ela lá ficou, grudada como se fosse um adesivo.
Desculpe. – pediu Lee, encarando o selo com profundo pesar. Agora, ninguém ouviria os gêmeos.
Não havia mais volta.
O rosário foi balançado. Do quarto, um gemido foi ouvido, seguido por um chamado assustado.
As esmeraldas sombrias brilharam...
Joseph abriu a porta.
XxX
A raiva explodiu nos ambarinos quando os irmãos reconheceram o bispo. Eles estavam abraçados na cama, Kaoru lutando bravamente contra a dor que o consumia.
-Me parece apropriado para um demônio. – comentou Joseph, caminhando pelo quarto distraidamente.
-Nós não vamos voltar. – declarou Hikaru. O ódio era tanto que encobria por completo a sua voz.
-Hikaru, Kaoru, por favor entendam. – pediu Lee, tentando remediar a situação, finalmente se fazendo notar pelos ruivos. – É para o bem de todos. As pessoas precisam do anjo.
-Vocês e seus preciosos humanos! Abram os olhos! A humanidade foi condenada há muito tempo!
-Hikaru... – o sussurro assustado do caçula passou desapercebido, se perdendo em meio ao sufocante ambiente. Infelizmente, o que o provocara não era tão frágil ou efêmero.
Isso não pode estar acontecendo... – porém, já sabia que não adiantaria pedir, rezar ou implorar. Não, nada apagaria o sangue que maculava os ambarinos do mais velho.
-Você realmente acha isso? Essa criatura em seus braços vale mais que nós? – o tom de Joseph era frio, no entanto seu auto-controle oscilava perigosamente. Era um bispo, além do respeitável diretor de uma das melhores escolas católicas do estado. Seu sangue era nobre e puro! Não poderia ser comparado com aquele filho do diabo incestuoso!
-Vale mais que Deus. – afirmou convicto, renovando o abraço. Um sorriso de puro escárnio brincou em sua face.
Joseph sorriu, colérico. O rosário ecoou mais alto do que nunca.
-AHH! – Kaoru gritou, desesperado em se livrar da dor. Contudo o fôlego logo acabou, incapaz de lhe dar o mais frágil dos descansos. A consciência vacilou perigosamente, o corpo amoleceu e o mundo saiu de foco.
-Kaoru! – o mais novo bem que tentou erguer a cabeça, mas as forças acabaram, deixando-o escorado no mais velho, fraco e inútil
-Nii...- - foi tudo que saiu dos lábios cerrados.
No entanto, dessa vez Hikaru ouviu.
-Maldito! – urrou, os punhos cerrados prontos para serem manchados de sangue. Jogou o corpo pra frente, já preparado para atacar, quando sentiu algo pesado e frio embaraçado a si.
Mas o que... – as correntes balançavam como se movidas pelo vento. De alguma forma inexplicável, pareciam sair do rosário e envolver o caçula, cravando seus espinhos na pele de alabastro, banhando-a em sangue.
-Vejo que percebeu. – recomeçou o bispo, sem saber que já se encontrava na beira do abismo. Moveu o rosário mais uma vez, arrancando um débil gemido de sua vítima.
-Solte-o. – exigiu, o que sobrara dos ambarinos sendo totalmente consumido pelo vermelho.
Lee, que até então tentara se aproximar sem ser notado, recuou vacilante, quase tropeçando nos próprios pés.
Deus, o que nós fizemos? – indagou desesperado, fazendo o sinal da cruz no peito.
Uma aura negra envolvia Hikaru.
-Impossível... – sussurrou Joseph, o olhar finalmente recaindo sobre Kaoru, vendo o fraco e oscilante azul que tentava brilhar em sua íris – Meus planos são perfeitos! Eu nunca erro!
-Erra sim. – sibilou o primogênito, avançando lentamente, tão cego que sequer notou o corpo do irmão deslizar, tombando inerte nos lençóis da cama como um trapo sem vida. – E dessa vez não haverá perdão.
Dor.
Um grito.
Luz...
Escuridão...
XxX
Kaoru: será q dá pra não me ferir, pelo menos em um capítulo? ¬¬'
Yue: vc ñ sofreu no primeiro u.u
Hikaru e Kaoru: nós ñ aparecemos no primeiro ¬¬' ¬¬'
Enfim... (chutando os gêmeos para fora do quarto delicadamente)
A chapa esquentou d vez. Façam suas apostas.
É agora, ou vai ou racha!
Reviews! \o/
Karol Uchiha
Hauhauhauhuahuah XD
Eu disse que o Hikaru ia ter a sua cota, ñ disse?
Q bom q vc também pensou em 'algo +' no banheiro, tava me sentindo uma perva pela idéia.
E a parte do arrependimento, bem...o Hikaru vinha tentando se segurar e ver o irmão quase nu desfilando na sua frente ñ é bem o q se pode chamar de incentivo. Fazer o q? Ñ resisti XD
Shuu-chan KC
Pois é, tudo tem seu lado bom!
Kaoru e Hikaru: LADO BOM?! ÒÓ ÒÓ
Yue: er...menos pior? n.n'''
Bjs!
Larissa
É, acho q acabei d estragar a sua felicidade n.n
Mas ñ é q discutir a relação serviu pra alguma coisa?
E eu também fiquei rindo sozinha, pensando mil e uma bobagens
Fala sério! Depois d dar tanta bola fora c/ o Kaoru, eu precisava dar um jeito d zoar o Hikaru. XD
Próximo e último cap
Anjo e demônio finalmente dão o ar da graça
As últimas explicações são dadas
E um casal apaixonado diz adeus...
