Oi, gente!
Muuuito obrigada pelos reviews!! Eu não pensei que tanta gente iria gostar! valeu, valeu!!
Bom, como vocês todos gostaram e pediram mais, taí! Fiz com mto carinho e inspiração! (por favor, não pensem que eu fiz por obrigação, pq não foi, tah?)
Mas, infelizmente, acaba msm aqui. Eu sei que, se eu continuar, vai acabar ficando cansativo... Mas vou escrever outras nesse nível!!
Muito obrigada, espero que gostem (eu gostei) !!
Uma chance – parte 2
Silêncio.
O silêncio pesava. Era muito mais ensurdecedor que os ruídos de uma luta.
Ravena sentia como se o ar tivesse virado chumbo. Era como se não tivesse chão debaixo de seus pés. Era como não tivesse tato. Como se o chá quente que espirrara em seu rosto fosse gelo. Como se os pedaços afiados da xícara quebrada fossem macios. Como se o sangue que escorria lentamente de sua mão fosse uma pasta que não fazia parte dela.
Era como se não houvesse mais nada além do olhar calmo que se enterrava no seu.
Mutano não se alterara. Mesmo que o chá e os cacos também tivessem atingido seu corpo. Chegara a hora de resolver aquilo de uma vez por todas. E dessa vez ele não ia bancar o bobo. Continuava calmo, esperando Ravena se acalmar. Mas não iria deixá-la ir.
-Me...
-Te amar, Ravena. Por que é tão difícil aceitar isso?
-Mutano. – chamou ela, com um tom entre severo e desesperado. – Você não pode... Você deve estar confuso.
-Eu acho que é claramente visível quem está confuso aqui. – respondeu ele, olhando para a xícara que explodira.
-Eu... Você não... Está enganado. – afirmou ela, soltando a asa solitária da xícara que ficara em sua mão. – Você não sabe o que está dizendo.
-Eu sei bem o que estou dizendo, e você também. Mas você não aceita. Você se recusa a ver.
Ravena puxou o capuz e apertou os olhos. É, sabia do que ele falava. Mas não podia, não podia... Aquilo estava errado. Ele não devia gostar dela. Ninguém devia.
-Mutano... Você... Eu... Nós não podemos. Não devemos. Você não seria feliz.
-Não pense em mim. Pense em você. Você sabe exatamente o que se passa na sua mente. Mas mente não é coração. Você acha que conhece muito bem as suas emoções porque as esconde. Mas, Ravena, isso faz de você a mais confusa de nós.
-Não! Não... Eu... Eu não sinto nada por você. – disse ela de olhos fechados.
-Não minta! – ordenou Mutano pegando seus ombros. – Olhe para mim e me diga isso, e eu nunca mais toco nesse assunto.
Ravena tentou se desvencilhar dele, mas o rapaz era mais forte do que aparentava. Seus poderes não funcionavam. Ela não tinha outra opção. Abriu os olhos, e fitou os decididos olhos esmeralda de Mutano.
-Eu... Eu não sinto...
Ravena parou. Não podia mentir com ele olhando-a desse jeito. Era como se pudesse ver tudo que ela escondia. Mutano afrouxou o aperto e abaixou seu capuz.
-Ravena...
-Não, não... Eu não posso... – ela murmurava, virando o rosto. Mutano a soltou e se afastou.
-Não pode. – disse ele com desprezo. Ravena se surpreendeu ao ouvir esse tom.
-Eu não posso, Mutano. – repetiu – Minhas emoções...
-Pare com isso. Você tem medo, Ravena, admita para mim.
-Medo? Por que eu sentiria medo disso?
-Medo. Você tem medo de me perder como amigo. Tem medo de eu partir seu coração como Malchior fez. Têm medo de sentir novas emoções. Medo de soltá-las. – ele fez uma pausa. – Você tem medo que eu ame Terra.
Ravena sentiu a garganta arder.
-Se antes você tivesse...
-Ah, agora você vai me culpar, Ravena?
Ravena ergueu os olhos e viu Mutano olhando-a da maneira mais fria que podia.
-Eu vou embora. – informou ela e se virou.
-A nossa conversa ainda não acabou. – disse ele de maneira autoritária, e impediu Ravena, segurando seu braço. Ela se voltou, zangada.
-Olhe para você. Você acha que é muito corajosa e poderosa, mas não é. Você libertou Malchior porque ele te enganou. Você trouxe seu pai aqui porque a profecia mandou. Você veio aqui porque os monges mandaram. Você não pode ficar comigo por causa das suas emoções. – ele abandonou o tom frio e adotou uma expressão de carinho. – Agora pare de culpar os outros por seus atos. Você não pode ser feliz, Ravena, porque você não se permite isso.
Ravena não respondeu. Tremia como se estivesse nua em uma tempestade. Estava confusa e hesitante. Ela sabia o que queria. Mas...
Os olhos de Mutano se entristeceram. Ele a soltou e se afastou.
-Desculpe-me, Ravena. – pediu ele baixando o olhar. – Vá embora.
Ele se virou, se afastando.
As lágrimas finalmente escorreram pelo rosto cinzento. Ravena ofegou. Estava tudo embaçado, mas ela sabia bem onde estava o que queria. E nada iria impedi-la.
-Mutano!
Mutano se voltou, antes da garota se atirar em seus braços. Ele não teve tempo de dizer nada. Ficou um instante surpreso, mas logo fechou os olhos como a menina, sentindo o gosto levemente amargo do chá que ela bebera, misturado com o sal de suas lágrimas. E, incrivelmente, essa combinação resultava no mais sabor mais doce que ele já sentira. O gosto de seus lábios.
E Ravena, ah, Ravena se sentia ligada. Todo o seu corpo estava ligado, ligara no instante em que se encontrara com os braços fortes de Mutano. Naquele instante, há algumas horas, no meio da luta, quando caíram juntos, seu corpo se ligara, soltara mais adrenalina do que em qualquer batalha que travaram, ou por qualquer pessoa que já tivesse conhecido. Por que, ao contrário das outras vezes, esse abraço não se limitou no contato físico. Eles encontraram os olhos um do outro. Eles se encontraram um no outro.
E agora Mutano tinha sua grande chance. A chance pela qual esperara por tanto tempo. E não iria deixá-la escapar de jeito nenhum.
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Fim!
Foi curtinha, né? Espero que não tenha sido um defeito... mas se vocês não gostaram, podem falar... u.u
E se gostaram, digam também! é bom ter as fics reconhecidas!! Espero vê-los logo...
Bjbj/
