Semelhanças

Kagome aos poucos foi abrindo os olhos, a visão entrava em foco, não reconhecendo o local onde se encontrava. Sentiu que sua mão estava presa, mas se deparou com Kouga ao seu lado segurando sua mão, próximo a eles estava Sesshoumaru. Ele caminhou até o casal com alguns instrumentos médicos, sentando ao lado de Kagome para poder examiná-la, pegou o instrumento de medir a pressão corporal colocou nela medindo-a constatando sua suspeita.

- Não foi nada de mais. - falou Sesshoumaru retirando o aparelho do braço da amiga. - Sua pressão baixou rápido de mais. Hoje você teve emoção muito forte, rever seus irmãos e seus amigos.

- Kagome! - Kouga falou. - Você me deixou preocupado. - Ela tentou levantar, ele a ajudou permanecendo sentada.

- Estou bem, Kouga. - dirigiu a palavra para o amigo. - Obrigada Sessh, ainda posso te chamar assim?

- Claro. Como se sente? - alisou em suas mãos em seguida levantou para guardar o instrumento.

- Bem, eu já disse. - suspirou cansada de tanta preocupação. Procurou por Rin naquele cômodo, dirigiu as palavras ao marido. - Onde está Rin? Eu...

- Kagome! - interrompeu Sesshoumaru. - Kouga me disse que você não estava se sentindo muito bem esses dias. Pode ser stress, então eu aconselho que procure um médico e faça alguns exames, Kouga. - Chamou - Você pode providenciar isso, por favor?

- Sim, sim. Ela vai nesta segunda. - respondeu ao amigo, Sesshoumaru levantou retirando-se do quarto deixando os a sós.

- Desde quando não vem se sentindo bem Kagome? - Ela desviou os olhos dos dele. - Não me esconda nada, o que está sentindo?

-... - Ela o olhou sem dizer alguma palavra. - Não faz muito tempo, uns dois dias desde que chegamos. Suspirou. - Me sinto cansada mais que o normal, às vezes enjoada e hoje um pouco zonza o resto você já sabe.

- Certo, certo. Não deve ser nada de mais. - beijou lhe os lábios. - Vamos voltar, todos devem está preocupados. - Sorriu para ela, ajudou a levantar.

Sesshoumaru direcionou a sala quando saiu do quarto onde seus amigos se encontravam a espera do estado de Kagome, mas ao chegar à sala notou que seu irmão está mais preocupado que o normal ficou encarando-o. Sesshoumaru sabia que a historia entre os dois não tinha acabado e algo estranho tinha acontecido há cinco anos atrás para que eles não permanecessem juntos, além de fazê-la ir embora sem se despedir de ninguém nem dos irmãos que tanto amava.

Ele gostaria de saber o houve, desconfiava de Sango, achava que ela sabia de alguma coisa, fora o que ele mesmo já sabia, pois foi ela que promoveu o jantar surpresa. Perdido em seus pensamentos Inuyasha o viu chegar.

- Como ela está? – tirou Sesshoumaru dos seus pensamentos.

- Bem, foi apenas um susto. A pressão dela baixou muito rápido foi muita emoção para um dia. "e com certeza você está no meio" - pensou por fim. - Onde está Sango?

- Ela está lá fora com Rin e Souta. Miroku achou melhor ela ficar com eles até Kagome se recuperar. - respondeu Kikyou. - Eu vou lá chamá-los. Retirou-se do recinto.

Miroku acompanhou com os olhos Kikyou sair para o jardim para poder fazer seu comentário.

- Inuyasha? - Chamou Miroku o amigo. - Como foi rever a minha irmã? - Sesshoumaru e Inuyasha o observaram sem entender da pergunta.

- Huh! Onde você está querendo chegar? Ela está casada e você já quer destruir o casamento dela? - respondeu grosso. - Além do mais, ela tem uma filha. Seu pervertido.

- Ora Inuyasha, vamos lá. - colocou a mão em seu ombro. - E...

Sesshoumaru interrompeu Miroku - Você não percebeu Inuyasha? - O indagou. - A menina, tem seus olhos... Muito parecido com os de sua mãe.

- O que você está querendo dizer? - Irritado pela insinuação - Ela me traiu, está bem. A C A B O U! Eu segui meu caminho e ela o dela. Estou noivo e ela casada com aquele 'Zinho lá'. - essas palavras os fizeram estranhar - Eu não estou nem aí pra ela. "Que mentira a minha!"- pensou por fim.

- "Ele não admite que ainda gosta dela" - tanto Miroku quanto Sesshoumaru pensaram. - Se você diz. - concluiu Sesshoumaru.

Kouga e Kagome saem do quarto seguindo em direção a sala encontrando os três rapazes conversando algo que irritava Inuyasha, Kouga se juntou a eles enquanto Kagome foi ao jardim pegar sua filha. Kagome conversava bastante com Sango voltando para o recinto onde estavam os outros convidados, as crianças reclamavam que queriam voltar a brincar. Rin chegou correndo sentando no colo do pai abraçando-o. Para animar um pouco a sala Sango colocou música a pedido de Miroku pra ouvir enquanto conversavam. Souta estava muito feliz por ter a irmã de volta, mesmo com ciúmes de Rin ele sempre fazia alguma coisa para ter a atenção dela, abraçava, beijava-lhe a face ou ia brincar com Rin, de fato, conseguiu tal feito.

Entretanto, estava muito tarde para as crianças e logo o sono bateu. A pequena dormiu nos braços de Kouga e Souta no colo da irmã, esta pediu permissão para colocá-los no quarto, então, os cobriu e saiu.

- Acho que estavam cansados. - Kagome sorriu para Sango voltando para a sala.

- Então, Kagome e Kouga como nos ver depois de tanto tempo? - Perguntou Sango. Com uma sertã malícia nos olhos.

- Eu... Surpresa, minha reação há poucos instantes mostrou isso não? - Respondeu Kagome.

- Algumas coisas nunca mudam, mas todos estão diferentes de algum modo. - Completou Kouga percebendo que ora Inuyasha o olhava e depois Kagome, prendendo-se em seus pensamentos. Olhou para Inuyasha, dizendo com indiferença no olhar. - Já era de se esperar.

- E pelo visto, você também não mudou em nada, não é 'intrometido'? - Disse Inuyasha respondendo a provocação.

- Kouga! - Kagome chamou a sua atenção. - Quer, por favor, parar.

- Querem parar, antes que as coisas saiam do controle. - interrompeu Sesshoumaru a discussão que se formava.

- Estávamos com muitas saudades de você, maninha, até o mal humorado aqui. - falou Miroku percebendo o olhar reprovado da noiva do amigo.

- Responda por você, Miroku. - rispidamente falou, até então calada Kikyou, mas quando ela ia falar mais algo Sesshoumaru cortou.

- Vamos relembrar os velhos tempos que dançávamos juntos, Kagome. - Levantou e pediu a sua mão.

Muito encabulada Kagome pegou na mão do amigo aceitando a dança, lentamente levantou do seu lugar sendo abraça por Sesshoumaru, que delicadamente depositava sua mão na cintura dela puxando-a para si. Dessa forma, lenta que Inuyasha via Kagome aceitando o pedido de Sesshoumaru, preenchendo de ciúmes, "Ciúmes? Sim... Que porcaria!" pensou confuso sendo interrompido pelas palavras de Kouga.

- Hei! - Exclamou Kouga. - Não muito juntos, me lembro muito bem como vocês dançavam.

- Ora Kouga, deixe de ser ciumento. - se referiu Sango a ele. - É só uma dança. Vamos dançar também. - Puxando-o pelo braço.

Aproveitando que Sango estava dançando com o cunhado Miroku pediu uma dança a Kikyou, ouvindo do seu amigo "cuidado com o senhor imoral". Vendo que estava sobrando naquele recinto Inuyasha aproximou da janela, prendendo-se em algumas lembranças antigas. Saiu do seu devaneio voltando a olhar Kagome, aquela que mesmo depois que foi embora o assombrava em seus sonhos.

Sesshoumaru dançava tranquilamente com Kagome, percebendo os olhares incomodados do irmão para eles, então lembrou algo.

- Sua filha parece muito com você. - disse Sesshoumaru a Kagome conseguindo tirar um tímido sorriso. - Mas tem algo nela que me lembra a mãe de Inuyasha. - Kagome nada respondeu.

- Por que você foi embora sem falar com ninguém? Acho que você está escondendo... - Ele olhou nos olhos dela, desviando em seguida.

Kagome abriu e fechou varias vezes a boca. - Não é nada Sesshoumaru.

- Kagome entenda, eu sei de quase tudo do que você passou. Se você não quiser dizer tudo bem... Quando quiser dizer estou aqui para te ouvir.

- Obrigada... - Sorriu encostando a cabeça em seu ombro.

A conversa de Sango e Kouga era mais de agradecimento aos anos passados.

- Você cuidou muito bem delas, Kouga. - Ele a afastou um pouco com uma expressão interrogativa na face.

- Cuidou? - Sango afirmou com a cabeça. - Como assim?

- Eu fui a última pessoa que a viu antes de... - a voz dela tinha um tom melancólico. - Ela estava muito triste, tinha um olhar confuso, chorava. Não sei ao certo que aconteceu, só sei que ele a deixou não acreditando as palavras dela. - aconchegando um pouco nos braços do amigo. - Teve presa em ir embora. - sorriu. - E agora a vejo sorrindo como antes... Obrigada.

- Sango, tenho uma coisa a te confessar. - suspirou longamente. - Eu a amava e amo, muito antes de residir em Nagoya, precisamente alguns dias que a conheci. - Separou da amiga fazendo-a dar um giro lento, voltando para seus braços. - Sempre tivemos contato um com o outro, quando soube que tinha terminado a faculdade, por coincidência, abriu uma vaga na área que ela tanto queria. - Sorriu para Sesshoumaru que dançava tranqüilo com Kagome. - Em alguns dias aconteceu... Em seis meses estávamos casados.

- Tão rápido? - estranhou Sango.

- Tem certas coisas que só ela pode contar. - Sango ainda ia interrogar mais seu amigo, só que fora interrompido por Miroku.

- Vamos trocar de par? - perguntou ao cunhado. - Estou com saudade de minha namorada. - fazendo a troca.

Ao longe Inuyasha a observava entre aqueles casais dançando, não conseguia tirar os olhos da ex-namorada, era ele para está casado com ela não aquele tipinho. Ela era sua e hoje não é mais e sim Kikyou que o ajudou a abrir os olhos quando ela o traia descaradamente.

A dança prosseguiu, trocando de par varias vezes. A conversa que Kouga teve com Kikyou nada agradou Kouga é como se estivesse insinuando coisa ao respeito da esposa, o que ela não sabia era que Kagome nunca escondeu nada do Kouga, cada detalhe do ocorrido há cinco anos atrás.

- Vocês formam um lindo casal. - Juntou seu corpo mais ao dele. - Você não sente ciúmes, não? Ela e o Sesshoumaru dançando agarradinhos.

- Não. - Kouga respondeu seco.

- Se eu fosse você, desconfiaria. - Kikyou tentou insinuar. - Quando ela estava com Inuyasha o traiu com meu irmão. - sussurrou em seu ouvido. - Ela não é de confiança. - a afastou dele.

- Não tenho motivos para isso. - respondeu serio. - Com licença. - Voltou a sentar no sofá. Deixando Kikyou em pé sozinha.

"Ela não pode voltar pra ele, logo agora, essa maldita teve que voltar" pensava Kikyou paralisada pela atitude do Kouga. "Agora está diferente, ela tem o que perder... mas não vale a pena arriscar."

A noite estava calma sem nenhuma nuvem no céu deixando evidente, as estrelas, as ruas desertas e silenciosas demonstrava o quanto estava tarde, os amigos se despediam uns dos outros para irem embora. Sango oferecera a casa para passarem a noite, Miroku resolveu a final de tudo ficar com um pretexto de conversar pelo segredo da namorada e da irmã. Kouga com a pequena Rin nos braços e Kagome ao seu lado se despediam, quando Souta acorda e querendo que a irmã não o deixasse outra vez, aproveitou as lagrimas dele e o levou junto para passar mais um tempo com ela. Seguindo o casal Sesshoumaru também se retirou; alguns minutos atrás Inuyasha e Kikyou já haviam partido incentivando os outros logo depois.

Sobraram apenas Miroku e Sango para aproveitarem o resto da noite juntos, como não tinha Souta para cuidar. Cansados do agitado jantar permaneceram na sala deitados no sofá, Sango estava deitada com as pernas pra cima com a cabeça no tronco do Miroku, enquanto este estava quase deitado alisando os cabelos dela.

- Sabe Sango, quando vi a minha irmã hoje não sabia como agir, falar... - suspirou. - Não tive reação. Esperei tanto por esse dia que pensei ser um sonho, só acreditei quando ela me abraçou, ou melhor, nos abraçou.

- É eu sei. - continuou - Eu sempre soube como ela estava não podia lhe dizer nada por um pedido dela.

- Entendo. - levantou Sango do seu corpo virando-a para ele. - O que me deixa mais confuso é saber que ela não nos procurou para pedir ajuda.

- Veja bem Miroku, o que você faria se a pessoa que você mais amo no mundo não acreditasse em você por mais que provasse? - Sango perguntou triste.

- Eu... Não a queria ver por perto. - respondeu cabisbaixo. - Nessa historia toda tem certas peças que não se encaixam.

- Vamos deixar isso pra lá, ham?! - Sango beijou-lhe os lábios. - O que importa é que ela está de volta. - Sorriu com certa malícia. - Tenho coisas mais interessantes para nós dois. - levantando do sofá sentando de frente a ele.

- Hum... Acho que entendi, mas antes eu queria te pedir... - Sango levantou uma sobrancelha sem entender o que seu namorado queria. - Você casaria com um sem vergonha como eu?

Essas palavras deixaram Sango sem reação, gaguejando - P-por... que isso agora?

- Me inspirei em minha irmã, não a viu feliz ao lado da sua família, então chegou a hora de fazer a minha também. - Sango o beijou com fervor os lábios descendo para o pescoço subindo para a orelha dele.

- Isso responde a sua pergunta? - perguntou sussurrando docemente, tirando um sorriso do namorado e agora noivo.

- Ainda não está totalmente claro. - a segurou pelos ombros afastando de qualquer contado com seus lábios. - Eu quero ouvir você dizer.

- Claro que sim, eu amo você não sabia disso?

- Eu também amo você, Sango.

Sorriram juntos se entregando a aquele momento onde o prazer e a felicidade dominam, toques, caricias eram tudo que eles precisavam naquele momento, além de muitas palavras de amor.

Nota da autora:

Esclarecido algumas coisas do capitulo anterior? Espero que sim. Nessa parte deu pra perceber melhor que o Inuyasha nunca esqueceu Kagome e o ciúme ainda existe. A amizade dela com Sesshoumaru não é mais nada além de amizade, eles eram e são grandes amigos mais tarde vocês vão ter essa certeza. Quanto a Kikyou está se sentindo ameaçada pela volta de Kagome, por isso que ela tentou colocar insegurança no Kouga para que ele a manter longe do Inuyasha.

Vou ficando por aqui, beijos a todos e a todas; e até a próxima.